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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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25
Jun21

Terceira onda da Covid-19 já chegou ao Brasil, diz jornal Le Figaro

Talis Andrade

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O Brasil estampa mais uma vez as páginas e sites dos jornais franceses nesta quinta-feira (24) com dois assuntos: o novo recorde de contaminações por Covid-19 e o duelo entre Bolsonaro e Lula a um ano e meio das eleições presidenciais de 2022.

Sites de jornais, rádios e tevês francesas repercutem nesta quinta-feira o recorde de contaminações por Covid-19 no Brasil. Segundo dados divulgados na quarta-feira (23) pelo Ministério brasileiro da Saúde, 115.228 novos casos foram registrados em 24 horas, o que para o jornal Le Figaro, confirma a chegada de uma terceira onda da doença no Brasil.

A matéria também indica que o país registrou 2.392 novos óbitos em 24 horas, elevando o total de mortes para 507.109. "O Brasil é o segundo país mais castigado pela Covid-19 em números absolutos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que contabiliza mais de 600 mil mortos", afirma a matéria. 

O site do jornal Le Monde destaca que a situação é muito grave no Brasil, com as infecções em constante aumento há um mês e a média de mortes em 2 mil por dia há uma semana. A matéria sublinha que, em 19 dos 27 estados brasileiros, os leitos dos hospitais registram entre 80% e 90% de ocupação.

O diário publica que, enquanto isso, a vacinação avança lentamente: apenas 30,7% da população brasileira recebeu ao menos uma dose e 11,36% está completamente imunizada. "Em São Paulo, a maior cidade do país, a vacinação teve de ser interrompida na terça-feira devido à falta de imunizantes disponíveis", ressalta. 

Lula x Bolsonaro

A edição impressa do jornal Le Monde que chegou às bancas nesta quinta-feira traz uma análise de seu correspondente no Rio de Janeiro, Bruno Meyerfeld, que afirma que a briga entre o presidente brasileiro e o líder do PT não será fácil.

O texto ressalta que a popularidade de Bolsonaro está em plena queda livre nas pesquisas de opinião e três a cada cinco brasileiros desaprovam seu governo. "Se as eleições fossem hoje, o atual chefe de Estado seria aniquilado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado como vencedor praticamente desde o primeiro turno", ressalta Le Monde. 

Segundo Le Monde, o cenário parecia improvável há até pouco tempo, ninguém apostaria na volta de Lula, descrito pelo correspondente como "sem credibilidade e humilhado" pela condenação na justiça e pelos 580 dias que passou na prisão. No entanto, com a anulação da condenação pelo Supremo Tribunal, o líder do PT recuperou seus direitos políticos e protagoniza seu retorno, como um "um inabalável fênix político", diz o texto. 

Mas o correspondente do Le Monde no Rio lembra que, apesar da catastrófica gestão da pandemia de Covid-19, Bolsonaro segue contando com um apoio massivo das elites militares, dos evangélicos e do agronegócio. "Fera política e gênio da comunicação digital à moda populista, o presidente não perdeu a forma e ainda impõe sua agenda frenética ao Brasil", sublinha o jornal. 

Além disso, Le Monde lembra que o líder da extrema direita deve se beneficiar da retomada econômica prevista para 2022 no Brasil, anunciado como um ano de festa, com a volta do Carnaval, a Copa do Mundo do Catar e o bicentenário da independência do país. "Todos esses eventos comemorativos podem dar uma vantagem ao presidente no poder", avalia a coluna. 

Sem guinada à esquerda

Outro ponto fundamental, para Le Monde, é que o Brasil não deu uma guinada à esquerda. "Ao contrário: em uma sociedade cada vez mais conservadora e violenta, marcada pela ascensão dos evangélicos", o PT é visto com maus olhos por uma parte da população e continua sendo vinculado à imagem de um partido corrupto. 

A coluna ressalta que diante de uma crise econômica, social e moral, o Brasil precisa, urgentemente, não apenas de um novo presidente, mas de um grande presidente. "Figura considerável da história do país, Lula é o único que encarna hoje essa esperança. Mas a um ano e meio das eleições, o jogo não está ganho", conclui.

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No Brasil, que se tornou o segundo país a superar a marca das 500.000 mortes por Covid-19, o aumento das contaminações diárias confirma a chegada de uma terceira onda. AP - Silvia Izquierdo

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