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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

13
Jan21

D, de desídia; H, de hipocrisia e M de morticínio

Talis Andrade

hora h.jpg

 

por Fernando Brito

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O inepto general da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou ontem, afinal, a data do início da vacinação dos brasileiros contra a Covid-19.

Será, garantiu, “no dia D e na hora H’, como você vê no vídeo abaixo.

Dia “D”, de demorado, porque não temos a vacina com que se inaugurará a vacinação – a “migalha” de 2 milhões de doses “de Oxford” importadas da Índia – te temos a vacina que não poderá ser usada, por razões políticas, no início da vacinação: os milhões de doses “chinesas” guardadas no Instituto Butantã.

Hora “H” de hipocrisia, porque a análise das vacinas pela Anvisa está mergulhada num processo politizado desde antes mesmo da apresentação dos pedidos de registro de ambos os imunizantes.

Como foi – e continua sendo – atitude de bandido o charlatanismo de empurrar cloroquina e ivermectina goela abaixo dos manauaras, às voltas, de novo, com uma tragédia de grandes proporções.

Não é possível que, a esta altura, haja quem ainda leve a sério a intenção do governo em vacinar corretamente a população.

Até a Eliane Cantanhêde já percebeu que “o importante não é vacinar, é vacinar primeiro; não é ter doses para todos, basta uma única dose para a foto.”

Ninguém mais pode deixar de ver que o país está abandonado à sua desgraça, enquanto os idiotas discutem se é 65, 68 ou 78% uma eficácia que, do ponto de vista da imunização em massa é irrelevante do ponto de vista da saúde pública.

A Índia, de onde virá (virá?) a vacina importada às pressas pela Governo Federal, começa a vacinar 300 milhões de pessoas dia 16 e, para isso, as caixas frias já estão chegando aos principais centros do país. O material para a fazer-se aqui a tal “vacina de Oxford” não chegou e nem há data exata para chegar.

Vamos ficar na base da cloroquina até quando?

Esperem os números de hoje, depois do “descanso” do final de semana, onde nem para anotar mortes se conseguiu organizar uma rotina.

A morte não vai esperar a Anvisa.

cade vacina.jpg

Nota deste correspondente: A Associação Médica Brasileira, a Sociedade Brasileira de Infectologia, o Conselho Federal de Medicina sabem dos gastos inúteis, do charlatanismo, da demagogia criminosa com a cloroquina e dos feijões milagrosos, do satanismo do pastor Waldomiro. 

10
Jan21

Bolsonaro pega 100% das Coronavac e agora controla toda a vacina no Brasil

Talis Andrade

 

vacina bolsonaro.jpg

 

por Fernando Brito

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Quem duvidava que estava em curso o “Plano Mão Grande” de vacinação deve ler o anúncio, hoje, de que o Governo Federal passou a ser o dono de todas as vacinas Coronavac do Instituto Butantã, sejam as que vieram prontas ou as que estão sendo processadas em sua planta industrial em São Paulo.

Tradução, para os que ainda não entenderam, as secretarias estadual e municipais de São Paulo não podem receber diretamente, como previsto, o imunizante, mas só quando (e quanto) o General Eduardo Pazuello autorizar. Nada. Nem uma só dose.

Claro que, num mundo ideal, seria adequado que o governo federal fosse o único distribuidor de vacina, garantindo a partilha e a mobilização adequadas.

Mas o Brasil não só não é o “mundo ideal” quanto tem um Ministério da Saúde que não tem o menor empenho em vacinar, que não tem mais os comandos em mãos de técnicos capazes , que obedece cegamente a um presidente antivacina,, que não tem escrúpulos em mandar receitar remédios prescritos por charlatães e que foge – sim, é um detalhe, mas revelador – de publicar em seu site que os feijões curativos do tal Waldomiro Santiago são simples picaretagem.

Agora, são a Anvisa chefiada por um almirante e o Ministério ocupado por um general incompetente – até Jair Bolsonaro diz a seus auxiliares, segundo a Veja, que “não dá conta de mais nada” que decidirão, em caráter absoluto, quem e quando tomará as vacinas. Vacinas que não fizeram nada para obter, a não ser deixar a Fiocruz sozinha, diante de uma gigante como a Astrazêneca, lutando para obter os insumos – que não chegaram até agora – para produzi-las aqui, quem sabe para fevereiro, quem sabe para março e de recursos para reequipar-se, que saem a conta-gotas.

Foi pressão do anúncio da vacinação em São Paulo no dia 25 que levou o Ministério da Saúde aceitar apressar sua previsão original de vacinar apenas em março. Foi isso que empurrou o arranjo de tentar importar, às pressas, 2 milhões de doses fabricadas na Índia.

Não foram a pressa do Ministério em vacinar a população nem a pressão das mortes de brasileiros aos milhares.

Não se sabe o que fez João Doria e o Butantã entregarem, sem sequer a reserva de quantidades para a vacinação em São Paulo tudo o que tinham obtido sozinhos. Deixo que os crédulos e a velhinha de Taubaté acharem que não houve pressões usando a própria aprovação da vacina pela Anvisa. Conhecendo Bolsonaro e seu preposto na Saúde, acreditem se quiserem que o processo é “puramente técnico”.

O comando do “Plano Mão Grande” não é de Pazuello, é de Jair Bolsonaro . E, agora, comando absoluto, porque é o único que tem a arma para essa guerra: a vacina.

E os bobos confiando “nas instituições”, num tempo de métodos milicianos.

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