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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Jul20

A máquina de surrar e matar pobre

Talis Andrade

E porque pobres, em maioria negros e pardos

O melhor diagnóstico do que levou ao monstruoso caso da mulher que teve o pescoço demoradamente pisado por um policial militar em São Paulo foi feita pelo ex-ouvidor geral da polícia paulista, Benedito Mariano.

Ele lembrou que a “ocorrência” para a qual os PMs foram chamados era um simples caso de “perturbação do sossego” que nem crime é, mas simples contravenção penal (art. 42 da LCP) e que, nas áreas ricas, não gera outra atitude senão a abordagem e o pedido para que, como acontecia ali, de baixar o volume da música.

Tudo o que as imagens mostram, ali, porém, são armas sacadas e apontadas, pessoas jogadas ao chão e manietadas, submetida a toda a sorte de agressões.

Aliás, o “poderoso armamento” com que um dos presentes à cena filmada por câmaras de segurança era um rodo de chão, algo que não pode ser ameaçador para quem tem uma pistola na cintura.

João Doria reagiu dizendo que agressões policiais “não serão toleradas”. Reação que deveria ser gravada num disco arranhado de tantas vezes que é repetido, sem nenhuma consequência, exceto o fato de que a polícia, cada vez mais, tornou-se uma máquina de bater e e matar pobre. E porque pobres, em maioria negros e pardos.

No Fantástico, o PM disse que usou os “meios necessários”. Pisar o pescoço – e ficando num pé só, colocando todo o peso do corpo – de uma mulher de 51 anos é um meio necessário apenas para matar, como ficou evidente no caso do norte-americano George Floyd, cujo assassinato abalou os EUA e do mundo.

A polícia brasileira, sob os aplausos de uma elite que acham mesmo que “com pobre é na porrada”, tornou-se um escândalo de proporções mundiais.

Em tempo de pandemia, com as pessoas retidas em casa e impedidas de oferecer resistência, saltamos de patamar. Um levantamento de O Globo registra 1.198 mortes em decorrência de intervenções policiais em março e abril, 26% mais que as ocorridas nestes meses em 2019.

Essa é uma chaga de décadas no Brasil, que se desenvolveu com a demagogia ou a intimidação do governo e dos políticos, que ou prometiam mais polícia e mais brutalidade (mirar na cabecinha, não é?) ou se intimidavam ante o seu dever de puni-la.

Um único enfrentou – e pagou caro por fazer isso – esta vergonha. Faltam muitos, muitos Brizola para dizer que polícia não pode ser isso, mas há muitos dos que hoje se horrorizam com estas cenas que durante muito tempo se enganaram com o discurso de uma mídia que construiu, com sua cumplicidade, algo tão monstruoso.

 

 
05
Fev20

Bolsonaro estimula roubo de terras públicas

Talis Andrade

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Da Rede Brasil Atual

Estímulo à grilagem de terras públicas, perda de receitas, ampliação de conflitos no campo, desmatamento e severos impactos nas políticas de reforma agrária no país. Esses são alguns dos problemas identificados na Medida Provisória (MP) 910, de autoria do governo Bolsonaro, que pretende facilitar a concessão de títulos de propriedades rurais a ocupantes de terras públicas da União. Para a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), a MP é inconstitucional. E vai resultar em impactos sociais, econômicos e ambientais ainda mais graves que as leis 11.952/2009 e 13.465/2017, conhecidas como MPs da Grilagem.

“A lei de 2009 restringia sua incidência apenas ao território da Amazônia Legal. Já a lei de 2017 estendeu os seus limites para todo o país, mas restringindo a possibilidade de regularização às áreas registradas em nome do Incra”, alerta a PFDC. Com a nova MP 910, também são alcançadas as ocupações de áreas da União.

“Ou seja, em qualquer local do território será possível regularizar ocupação de até 2.500 hectares, incidente em área de domínio do Incra ou da União, com as mesmas normas inicialmente estabelecidas para a Amazônia Legal.” As duas normas são objeto de ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

A procuradoria afirma ainda que, além de não ser caminho para a promoção de justiça social, já que não atende aos objetivos da reforma agrária, a MP 910 pode estimular a ação de grupos criminosos especializados em se apossar de terras públicas e realizar a regularização posterior – procedimento conhecido como grilagem.
 
O órgão do MPF destaca que no caso da MP 910 não há nenhum estudo que evidencie que o grande volume de transferência de patrimônio público para o privado é medida de justiça e de atenção ao interesse comum. “Pelo contrário, a fragilidade das bases de dados fundiários oficiais revela que não é ainda possível determinar o número, a distribuição e o perfil dos imóveis que necessitam de regularização. Portanto, ela propõe uma alteração de lei vigente, com efeitos projetados até 2021, sem qualquer análise dos impactos positivos e negativos por ela gerados.”

A procuradoria também aponta que não faz sentido criar uma nova legislação sobre o tema, considerando a que a aprovada em 2017 tem validade até dezembro de 2021. O que dá a entender que o único objetivo é facilitar ainda mais a regularização de terras que foram alvo de grilagem.

A norma também não aponta para o cumprimento nenhuma das metas de regularização fundiária estipuladas na Constituição Federal, como a reforma agrária, a garantia alimentar ou a diversificação da política agrícola. “A MP 910, a exemplo de suas antecessoras, está absolutamente dissociada de quaisquer dessas metas”, avalia a PFDC.

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13
Mai19

Por que o decreto de armas de Bolsonaro pode acabar sendo derrubado

Talis Andrade

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O presidente Jair Bolsonaro assinou hoje um decreto que flexibiliza as regras para registro, posse, porte e comercialização de armas e munições para colecionadores, atiradores esportivos e caçadores.

De acordo com o porta-voz do governo, Otávio Rêgo Barros, a medida trata da "desburocratização do mercado de armas e munições".

Em janeiro, Bolsonaro assinou um outro decreto que tratava da posse de armas, que é a autorização para manter uma arma de fogo em casa ou no local de trabalho.

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Decreto presidencial facilita que advogados, caminhoneiros e políticos portem armas de fogo carregadas

 

por Leticia Mori

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10
Mai19

Armas, armas, armas aos milhões

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Na edição de hoje, O Globo publica um levantamento importante feito pelos repórteres Natalia Portinari, Gustavo Maia, Jussara Soares, Marco Grillo, Marlen Couto e Bernardo Mello, comparando o número de portes de arma existente hoje no país e o número em potencial que eles podem alcançar com a liberação feita ontem pelo presidente da República.

São, hoje, 36.702 autorizações para portar armas, segundo a Polícia Federal, que as expede.

Se todos os que passam a ter direito a carregar armas de fogo – e agora de grosso calibre – a quantidade, em tese, chegaria a 21 milhões de pessoas.

572 vezes mais.

Claro que não chegará a este ponto, até porque a maioria das pessoas que vive em área rural não tem dinheiro para comprar uma arma.

Ainda assim, vamos multiplicar por 100 ou 200 vezes o número de armas sendo carregadas – e bem carregadas de balas –  nas ruas e estradas brasileiras.

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São 65,1 mil políticos com mandato, 900 mil caminhoneiros autônomos e mais de um milhão de advogados, com mais 255 mil caçadores e colecionadores, para os quais, em tese, se dirigia originalmente. E mais 18, 6 milhões de habitantes de áreas rurais,  segundo o decreto presidencial, poderiam andar com um revólver, uma pistola ou uma carabina por onde quisessem.

Mas quem está ligando que sejam mais algumas centenas ou milhares de vidas perdidas com este arsenal todo, ainda mais com cada um tendo direito a comprar  14 balas por dia para “brincar”?

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07
Mai19

Em meio à polêmica, Bolsonaro vai assinar decreto para facilitar importação e transporte de armas

Talis Andrade

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Os críticos dizem que é mais um passo para armar a população numa visão equivocada sobre segurança pública. Os defensores afirmam que é facilitar a vida de quem é autorizado por lei a ter armas. Em meio a esse debate, o presidente Jair Bolsonaro vai assinar nesta terça-feira (7) um decreto que permite que os CACs - colecionadores, atiradores esportivos e caçadores - levem as armas, em geral de suas casas para os locais de treino, já carregadas com munição.

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Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Os críticos dizem que é mais um passo para armar a população numa visão equivocada sobre segurança pública. Os defensores afirmam que é facilitar a vida de quem é autorizado por lei a ter armas. Em meio a esse debate, o presidente Jair Bolsonaro vai assinar nesta terça-feira (7) um decreto que permite que os CACs - colecionadores, atiradores esportivos e caçadores - levem as armas, em geral de suas casas para os locais de treino, já carregadas com munição.

A medida também vai flexibilizar as regras para posse, registro e comercialização de armas e munição para aqueles que têm a autorização do Exército, visando ainda desburocratizar e baratear a importação desse material. O porta voz da presidência Otávio Rego Barros disse que os detalhes do texto ainda estavam sendo fechados na noite dessa segunda-feira (6).

 

Finalizando detalhes

"Os detalhes estão sendo definidos. Foi fruto de um estudo envolvendo os ministérios da Defesa, Casa Civil, Justiça e Segurança Pública. O decreto vai regulamentar a lei sobre registro, porte, posse e comercialização. Trata também da desburocratização, comercialização e importação. Contempla a facilitação do transporte e aumento na munição, entre outros", afirmou Barros.

O porta-voz disse que a assinatura do decreto pelo presidente Bolsonaro será às 16h, horário de Brasília, e que o Planalto aguarda um evento com forte presença política. "O governo espera contar com grande número de parlamentares nessa cerimônia", disse Barros.

 

Grupos com afinidade no tema

Os CACs têm hoje mais de 250 mil licenças no país, número que cresceu muitos nos últimos anos. Esses grupos pressionavam o governo, com quem têm afinidade no tema, por novas regras. Foi o próprio presidente Bolsonaro quem antecipou o evento em que vai anunciar as novas regras quando cumprimentava turistas em Brasília, na saída do Palácio da Alvorada, no domingo. Um eleitor perguntou se o governo iria adotar medidas para atender os CACs.

"Vamos anunciar na terça-feira. Não vai ter quantidade limite de munição. E vai poder transportar arma municiada. E estamos quebrando o monopólio também", disse o presidente.

 

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06
Mai19

BOLSONARISMO INSTALA A LEI DA SELVA: AS MORTES DE 'BANDIDOS' ESTÃO LIBERADAS

Talis Andrade

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247 - O bolsonarismo está implantando uma cultura de massacre aos pobres no país, numa escalada vertiginosa. Acumulam-se episódios como o do governador Wilson Witzel que neste domingo (5) apareceu nas redes sociais disparando de um helicóptero contra uma comunidade carente em Angra dos Reis (RJ), a convocação também no domingo do senador Major Olímpio para policiais "sentarem o dedo contra esses malditos", a licença para matar que Bolsonaro pretende conceder aos aos ruralistas e que Moro também quer conceder aos policiais com seu "pacote anticrime". Tudo reforça a sensação de que o Brasil governado pelo extrema-direita se transformou em uma terra sem lei.

 

O governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSL) envolveu-se em mais uma operação com a polícia militar para "abater a bandidagem", como ele justificou.  Com esses pretexto, o governador e sua "equipe" dispararam dezenas de tiros contra comunidades carentes localizadas no município de Angra dos Reis (RJ). Na sequência ele foi se hospedar com a família no hotel de luxo Fasano, com diários de R$ 1.600,00 por pessoa. 

 

"Segundo disse Witzel, o alvo era a 'bandidagem'. Não se informou se a Polícia buscava um, dois ou dez criminosos; se respondia a alguma agressão em particular; se era uma operação para instalar bases policiais naquelas comunidades, expulsando, então, os tais bandidos. Uma coisa é certa: as balas que se despejavam lá de cima não tinham como distinguir a carne preta e pobre de inocentes da carne preta e pobre de culpados. A única coisa que se tem de certo é que cumpria à carne preta e pobre, culpada ou não, tentar se proteger da expedição comandada pelo próprio governador", denunciou o jornalista Reinaldo Azevedo. 

 

O ataque de Witzel aos mais pobres deixa juristas e defensores dos direitos humanos alarmados. "Witzel comete crime de lesa-humanidade", denunciou, em artigo, a jurista Carol Proner. 

 

Bandido bom é bandido morto

 

Em São Paulo, a carnificina aos mais vulneráveis tem como porta voz oficial o senador Major Olímpio (PSL) que, assim como Witzel, também é discípulo fervoroso do Bolsonarismo e da Rota, elite da PM paulista, que já causou inúmeras chacinas em comunidades.

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Em um vídeo compartilhado neste fim de semana, o parlamentar destaca a morte de dois policiais da Rota no último final de semana e convoca "policiais civis, federais, rodoviários, militares, guardas municipais a redobrar a atenção, a cautela, redobrem a munição e sentem o dedo nesses malditos". Quem dá tiro na polícia para matar tem mais é que morrer". "Se tiver que chorar, vai chorar é a mãe do bandido", diz ele

 

Apesar do discurso caloroso, Olímpio omite dados importante: seis a cada dez mortos pela polícia paulista são negros, segundo informa o Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A nível nacional, o País teve 5.012 mortes cometidas por policiais na ativa em 2017, como apontou o levantamento parte do Monitor da Violência. No entanto,  Bolsonaro e sua trupe segue ignorando dados importantes sobre a segurança pública. 

 

Bolsonaro e Moro: licença para matar 

 

No núcleo duro do governo federal, Bolsonaro e o ministro da Segurança Pública, Sérgio Moro seguem firmes para também aumentar as taxas de homicídos contra a população mais vulnerável. Na semana passada, Bolsonaro declarou oficialmente que irá conceder uma "licença para matar" aos latifundiários que tiverem, em um futuro, suas terras ocupadas por movimentos sociais. 

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"A autorização para se iniciar um genocídio contra os sem-terra é a face cavernosa e carcomida de um governo autoritário e inconsequente. O que o seu chefe deseja é dar aos pistoleiros a serviço dos latifundiários o mesmo poder que Moro está querendo dar aos policiais quando subirem os morros do Rio de Janeiro, por exemplo. Nos dois casos, os alvos da licença para o abate são os pobres", denunciou o jornalista Givandro Filho, em artigo. 

 

Moro, que a cada diz decepciona mais os seus fãs, segue na mesma linha de seu chefe e seu pacote anticrime nada mais é que dar mais poder aos policiais "matarem em nome da lei", pois irá ampliar a legítima defesa para homicídios cometidos no trabalho. 

 

As propostas de alteração para legítima defesa, nos artigos 23 e 25 do Código Penal, possibilitam que, em caso de homicídios, a Justiça possa reduzir a pena pela metade ou até deixar de aplicar a punição caso a morte  tenha sido motivada por “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.

 

Na prática é a licença para matar em um país que já possui elevadas taxas de homicídios sem respostas. Especialistas e líderanças dos movimentos sociais criticam duramente a proposta de Moro. 

11
Jan19

BOLSONARO VAI LIBERAR DUAS ARMAS POR PESSOA

Talis Andrade

Turma de Sergio Moro já redigiu decreto

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Sergio Moro não perdeu tempo. Para agradar o capitão presidente, Sergio Moro botou o Ministério da Justiça e da Segurança para virar dez dias na redação do decreto que facilita a posse de armamento de fogo e prevê que o interessado possa ter até duas armas.

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247 - O presidente Jair Bolsonaro deve assinar nos próximos dias o decreto que facilita a posse de armamento de fogo e prevê que o interessado possa ter até duas armas, de acordo com uma versão preliminar do texto. O limite ainda pode ser ampliado caso seja comprovada a necessidade. A previsão é que o texto seja publicado na próxima semana.

Pesquisa Datafolha divulgada em agosto apontou que 58% dos eleitores do Brasil acreditam que a posse de armas deve continuar proibida. Outro levantamento, divulgado este mês de janeiro, mostrou 56% dos entrevistados se disseram contrários ao porte legal estendido a todos os cidadãos - posse é quando a pessoa mantém sob sua guarda uma arma de fogo, podendo ser em casa ou no trabalho, por exemplo. Porte de arma possibilita ao cidadão sair na rua com a arma junto ao corpo.

Se ficar comprovada a "efetiva necessidade" de armamento, poderão ter direito a duas armas: agentes públicos de segurança e de administração penitenciária, e agentes públicos envolvidos no exercício de atividades de poder de polícia administrativa ou de correição em caráter permanente.

Também poderão ter acesso a armamento residentes em áreas urbanas com altos índices de violência - mais de dez homicídios por 100 mil habitantes; titulares ou responsáveis legais de estabelecimentos comerciais; colecionadores, atiradores e caçadores, devidamente registrados no Comando do Exército.

Segundo o STB, que divulgou o teor do texto com a possibilidade de duas armas por pessoa, o governo deve manter regras já existentes, como ter 25 anos de idade ou mais e não possuir antecedentes criminais. Continuam obrigatórios o exame psicológico e realizar curso em clube de tiro continuarão obrigatórios.

De acordo com as regras atuais, podem ser adquiridas espingardas calibre 20, 28, 36, 32 e 12; revólveres calibres 22, 36 e 38; rifles calibre 22; carabinas calibre 38; e pistolas calibres 32, 22 e 380. O cidadão também poderá comprar munições e carregadores.

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27
Out18

Os preconceituosos saem do armário

Talis Andrade

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por Rodrigo Martins
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As pedras portuguesas da calçada do Largo do Arouche, no Centro de São Paulo, amanheceram tingidas de sangue na terça-feira, 16. Identificada apenas como “Priscila”, a travesti havia sido esfaqueada durante a madrugada. Após ser atacada em um bar, ela cambaleou até a porta de um hotel, onde implorou por socorro.


Levada para a Santa Casa, não resistiu à hemorragia e morreu a caminho do hospital. Um crime lamentavelmente comum nessa região da cidade, não fosse pelas circunstâncias políticas. Moradores relatam ter ouvido a gritaria que precedeu o crime.


“Com Bolsonaro presidente, a caça aos veados vai ser legalizada”, teria dito um dos agressores, segundo o relato de diferentes testemunhas ouvidas pela mídia na condição de anonimato.
 

Investigado pelo 3º Distrito Policial da capital paulista, o crime soma-se a dezenas de ataques violentos atribuídos a apoiadores do presidenciável do PSL. Às vésperas do primeiro turno, a transexual Jullyana Barbosa foi espancada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Ex-vocalista do grupo Furacão 2000, ela caminhava por uma passarela sobre a Via Dutra quando ambulantes começaram a gritar: “Bolsonaro vai ganhar para acabar com os veados, essa gente lixo tem que morrer”.


Bastou confrontá-los para começarem as agressões. “Perguntei por que eles me chamaram de lixo e disse que mereço respeito. Foi aí que um deles pegou a barra de ferro numa barraca e começou a me agredir. Na primeira pancada eu fiquei tonta e caí. Logo depois vieram mais três, quatro homens dando socos e chutes”, disse ao jornal O Dia.


Desde o início do ano, a onda de intolerância não para de crescer. Do atentado a tiros contra a caravana de Lula ao esfaqueamento de Bolsonaro por um desequilibrado, foram registradas dezenas de crimes por motivação política no País, boa parte deles ainda não esclarecida pelas autoridades.


Com o tsunami eleitoral bolsonarista, a violência política ganhou proporções aterradoras. Na noite de 7 de outubro, horas após o capitão conquistar mais de 49,2 milhões de votos, a funcionária pública Paula Guerra, de 37 anos, foi surrada em um bar do Recife.


Enquanto uma mulher a agredia, outros três homens imobilizaram os garçons para impedir que eles prestassem socorro. Com hematomas no rosto e escoriações pelo corpo, ela fraturou o braço e foi submetida a uma cirurgia. O motivo da fúria? A servidora havia criticado Bolsonaro, além de usar buttons com os dizeres “ele não” e “lute como uma garota”.


Na mesma noite, pela madrugada, o compositor e mestre capoeirista Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, foi assassinado em Salvador. Em um bar, o autor de Badauê, música gravada por Caetano Veloso, havia declarado voto no petista Fernando Haddad.


Eleitor de Bolsonaro, o barbeiro Paulo Sérgio Santana, de 36 anos, iniciou uma discussão, antes de sair do local, buscar uma faca e voltar para atacar Moa, de 63 anos. Foram 12 golpes, todos pelas costas. Concluído na quarta 17, o inquérito policial confirmou que o crime fora motivado por divergência política.


Sepultado ao som de berimbaus, Mestre Moa foi homenageado por milhares de cidadãos na última terça-feira 16 no Largo do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Vestidos de branco, capoeiristas e ativistas do Movimento Negro participaram do ato, embalado pelos grupos Ilê Aiyê, Olodum e Filhos de Gandhy, após a tradicional missa celebrada às terças na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.


Termômetro da escalada de intolerância, um levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV identificou mais de 2,7 milhões de publicações no Twitter repercutindo notícias sobre agressões físicas e ameaças por divergências político-ideológicas em apenas quatro dias, logo após o primeiro turno. Nos 30 dias que antecederam a votação, o total de tuítes relacionados ao mesmo tema foi de 1,1 milhão.


Diante da multiplicação de casos, a Open Knowledge Brasil e a Agência Pública lançaram a plataforma #VítimasDaIntolerância para recepcionar denúncias de agressões físicas e ameaças durante o período eleitoral.


Nenhum dado pessoal é solicitado, apenas links para fontes confiáveis. São igualmente aceitos relatos divulgados em redes sociais, que são mantidos em um banco de dados separado para posterior checagem da veracidade.


Outra iniciativa é um mapeamento feito pelo site Opera Mundi, em parceria com o Observatório do Autoritarismo e ativistas do movimento LGBT. “Até a noite da terça-feira 16, havia mais de 100 denúncias checadas.


A relação inclui somente casos noticiados pela mídia e relatos em redes sociais que pudemos confirmar por meio de registros fotográficos, vídeos ou com apuração própria”, explica o jornalista Haroldo Ceravolo, responsável pela iniciativa.


De acordo com ele, oito em cada dez ataques conferidos foram cometidos por apoiadores de Bolsonaro. “Não há dúvida de que essa violência tem lado. Além disso, as vítimas preferenciais são mulheres, negros e LGBTs, populações que sempre foram alvo do discurso de ódio do presidenciável do PSL.”


Preocupada com a onda de violência, a ONG Conectas tem procurado as autoridades para cobrar uma resposta do Estado. “A Defensoria Pública de São Paulo aceitou criar um canal online para acolher denúncias. Em paralelo, tivemos uma reunião com o Comando-Geral da Polícia Militar para pedir uma ação preventiva. Da mesma forma, estamos em contato com a Procuradoria-Geral de Justiça, cobrando a responsabilização dos agressores”, afirma o advogado Rafael Custódio, coordenador do programa de Justiça da Conectas.


“Lamentavelmente, Bolsonaro tem um longo histórico de manifestações homofóbicas, racistas e misóginas. Parte de seus eleitores parece se sentir encorajada com esse discurso para agredir, ameaçar e insultar. Liberdade de expressão tem limite, e esse limite é ultrapassado quando você comete um crime.”
 

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O êxito eleitoral do capitão também parece ter encorajado grupos neonazistas a sair do armário. Nos últimos dias, diversas universidades públicas e privadas foram alvo de pichações com mensagens de ódio contra minorias.


Na segunda-feira 8, ao descer de um ônibus em Porto Alegre, uma jovem de 19 anos foi agredida por três homens, que usaram um canivete para desenhar uma suástica em seu dorso. A vítima usava uma mochila com as cores do movimento LGBT.
 
 

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Na quinta-feira 11, o banheiro de um curso pré-vestibular da capital paulista foi vandalizado, com uma pichação a pregar a “morte aos negros, gays e lésbicas”. No domingo 14, uma capela de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio de Janeiro, amanheceu com suásticas na fachada.


No mesmo dia, durante um ato de apoiadores de Bolsonaro, uma bandeira usada por supremacistas brancos dos EUA foi hasteada na Avenida Paulista, em São Paulo. Diante desse histórico, não surpreende a manifestação de apreço de um ex-líder da Ku Klux Klan.


“Ele [Bolsonaro] soa como nós”, disse em seu programa de rádio David Duke, um dos rostos mais conhecidos da organização que aterroriza a população negra americana desde o século XIX.


Inicialmente, Bolsonaro tentou lavar as mãos. Lamentou os “excessos” de apoiadores, mas disse não ter como os controlar. “O que eu tenho a ver com isso?”, chegou a dizer, ao ser indagado sobre a morte do mestre de capoeira.


Depois, o presidenciável do PSL afirmou dispensar o voto de quem pratica violência. Não sem antes acusar, sem provas, a existência de “um movimento orquestrado forjando agressões para prejudicar sua campanha”.


Foram os bolsonaristas, no entanto, que foram pegos na mentira. Nas redes sociais, alastrou-se a imagem de uma senhora com hematomas no rosto que, segundo a postagem, teria sido agredida por petistas “quando gritou Bolsonaro”.


A foto era da atriz Beatriz Segall, falecida em setembro. Os sinais eram decorrentes de um acidente do qual foi vítima há anos, quando tropeçou em uma calçada no Rio. O filho da artista, Sergio Segall repudiou a fraude. “Foi um ato de covardia”, resumiu.


O acirramento das tensões políticas é especialmente preocupante diante da promessa de Bolsonaro de facilitar o porte de armas no Brasil, alerta Renato Sérgio de Lima, professor da FGV e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


“Cerca de um terço dos homicídios no País ocorre por razões pessoais, como brigas domésticas e discussões no trânsito. Com as pessoas armadas, é grande a probabilidade de esses conflitos serem resolvidos na bala.”


Pesquisador do Ipea, Daniel Cerqueira é autor de numerosos estudos que comprovam a temeridade da proposta. Cada ponto porcentual de aumento da quantidade de armas em circulação nas ruas representa um crescimento de 2% nas taxas de homicídios.


Com 63.880 mortes violentas registradas em 2017, o Brasil poderia ter um número de assassinatos ainda maior, até 12% superior, caso não estivesse em vigor o Estatuto do Desarmamento.
 

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“A maior disponibilidade de armas de fogo faz diminuir o seu preço no mercado ilegal, permitindo o acesso da mesma ao criminoso desorganizado. Segundo a CPI das Armas no Rio, quase 18 mil armas foram extraviadas ou roubadas de empresas de segurança privada em dez anos. Além disso, as chances de um indivíduo armado sofrer homicídio, ao ser abordado por criminosos, é 56% maior”, afirma Cerqueira. “Não há qualquer evidência científica de que possuir um revólver aumenta a segurança da família. Ao contrário, as chances de você ser vítima de homicídio ou de praticar suicídio são cinco vezes maiores. A cada ano morrem 1,3 mil crianças nos EUA em acidentes com armas de fogo.”
 

Segundo Lima, os brasileiros ainda não perceberam que as propostas de Bolsonaro acenam para uma omissão ainda maior do governo federal na área. “Em vez de assumir parte da responsabilidade, ele incentiva a população a se armar e garantir a própria defesa. Só que uma pistola custa entre 5 mil e 10 mil reais, valor inacessível para a grande maioria. Até aqui, ele só se dispôs a investir nas Forças Armadas, para reforçar o patrulhamento das fronteiras. Para as polícias, a única promessa é dar carta-branca para matar em serviço, sem punições”, diz. “Em um país com níveis epidêmicos de violência, é a receita certa para uma tragédia ainda maior.”
 

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Naylson Brasil disse...

Se você é mulher, cristão, negro e quer paz, veja este vídeo antes de votar amanhã 

 


https://www.facebook.com/mauro.nadvorny/videos/10215557644868116/

https://www.youtube.com/watch?v=QHvN63pV2p8

24
Out18

O risco de um defensor da ditadura, da tortura e do extermínio dos diferentes se tornar o presidente do maior país da América do Sul

Talis Andrade

Bolsonaro é uma ameaça ao planeta

 
 

Jair Bolsonaro, chamado nas redes sociais de “o coiso”, não é uma ameaça apenas ao Brasil, mas ao planeta. O candidato de extrema direita, que liderou o primeiro turno das eleições no Brasil, com o voto de quase 50 milhões de brasileiros, pode vencer no segundo turno, em 28 de outubro. Se ele se tornar presidente do Brasil, já avisou que pretende seguir Donald Trump e anunciar a retirada do Brasil do Acordo de Paris. Ele e seus apoiadores também já anunciaram várias medidas que abrirão a Amazônia ao desmatamento. A floresta, que já teve 20% de sua cobertura vegetal destruída, está perigosamente perto do ponto de virada. A partir dele, a maior floresta tropical do mundo se tornará uma região com vegetação esparsa e baixa biodiversidade. E o combate ao aquecimento global se tornará quase impossível.

 

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ultradireitista que flerta com o fascismo já anunciou que pretende fundir o ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura e que o ministro desta aberração será “definido pelo setor produtivo”. O que Bolsonaro chama de “setor produtivo” é tanto o agronegócio quanto os grileiros, criminosos que se apropriam de terras públicas na base da pistolagem. No Brasil, parte do agronegócio se confunde com a grilagem e é representado no Congresso pelo que se chama de “bancada do boi”.

 

Essa frente, que reúne parlamentares de diferentes partidos conservadores, tem atuado fortemente nos últimos anos para avançar sobre as áreas protegidas da Amazônia. Querem transformar terras indígenas e áreas de conservação, hoje as principais barreiras contra a devastação da floresta, em pasto para boi, latifúndio de soja e mineração. Nesta eleição, anunciaram seu apoio a Jair Bolsonaro. O Partido Social Liberal (PSL) de Bolsonaro, que deverá engordar a “bancada do boi”, passou de um para 52 deputados, tornando-se o segundo maior partido da Câmara a partir de 2019.

 

Bolsonaro já garantiu aos grandes fazendeiros e grileiros que vai “segurar as multas ambientais”. "Não vai ter um canalha de fiscal metendo a caneta em vocês!”, discursou em julho. “Direitos humanos é a pipoca, pô!” Também já disse que não haverá “nem um centímetro a mais para terras indígenas” e defendeu que as já demarcadas possam ser vendidas. Entusiasta da ditadura que controlou o Brasil entre 1964 e 1985, ele também já declarou que vai “colocar um ponto final no ativismo xiita ambiental”. O candidato, que exalta a tortura, afirma que “as minorias têm que se curvar à maioria” ou “simplesmente desaparecer”.

 

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Apenas a possibilidade de ser eleito tem funcionado como uma espécie de autorização para desmatar a floresta e matar aqueles que a protegem. Vários casos de violência contra lideranças e assentamentos de camponeses ocorreram na Amazônia nesta eleição. O Brasil já é o país mais letal para defensores do meio ambiente. Com Bolsonaro, os conflitos devem explodir.

 

Em 8 de outubro, autores do relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertaram que o aquecimento global não pode ultrapassar 1,5°C. Meio grau a mais multiplicaria os riscos de seca, inundações, calor extremo e pobreza para centenas de milhões de pessoas. Alertaram também que só há 12 anos para reverter esse processo. Doze anos. A floresta amazônica é essencial para controlar o aquecimento global. E Bolsonaro já anunciou medidas que vão colocá-la abaixo.

 

Como o debate foi sequestrado no Brasil, o maior risco quase não é mencionado ou é simplesmente ignorado. Dentro do país. E também fora, onde o silêncio de governos e parlamentos da maioria dos países sobre a ameaça que assombra o Brasil é uma vergonha de dimensões globais.

 

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Se não for por posicionamento humanitário, representado pelo risco de um defensor da ditadura, da tortura e do extermínio dos diferentes se tornar o presidente do maior país da América do Sul, que pelo menos seja por cálculo: o Brasil pode estar se tornando um país cada vez mais periférico em vários sentidos, mas a Amazônia é central no debate mais importante deste momento histórico e que atravessa todos os outros temas: o climático.

 

Quem acredita que a possibilidade de o Brasil ser governado por um homem declaradamente racista, misógino e homofóbico é apenas mais uma bizarrice da América Latina não compreendeu que, em tempos de aquecimento global, a ameaça alcança a sua porta.

 

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16
Out18

O que predominou foi a mentira no WhatsApp, diz Haddad sobre campanha de Bolsonaro

Talis Andrade

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RFI - O candidato à presidência, Fernando Haddad, acusou seu adversário de extrema-direita, Jair Bolsonaro, favorito nas pesquisas, de fomentar "a violência" e "a cultura do estupro", além de difundir mentiras via WhatsApp.

 

Entrevista exclusiva à AFP

 

"Meu adversário fomenta violência, inclusive a cultura do estupro, ele chegou a dizer para uma colega do parlamento que não a estuprava porque não o merecia. Você quer uma sinalização mais violenta do que essa em relação à sociedade?", alertou Haddad em uma entrevista exclusiva para a AFP em São Paulo.

 

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Bolsonaro, que obteve no primeiro turno 46% dos votos, contra 29% de Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), propõe liberalizar o porte de armas para combater a criminalidade, um dos temas mais controversos da campanha.

 

Para Haddad, o escolhido do ex-presidente Lula para substituí-lo na corrida à presidência enquanto cumpre pena de prisão em Curitiba, trata-se de uma resposta com limitações.

 

"Ninguém suporta bandidagem. A questão é que as propostas do Bolsonaro, que são pouquíssimas, inclusive na área em que ele se diz especialista, não vão resolver", disse o ex-prefeito de São Paulo, de 55 anos.

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"Armar a população não vai resolver”

 

"Armar a população não vai resolver. Quem tem que prestar o serviço de segurança publica é o Estado. E, se o Estado não está prestando o serviço corretamente, nós temos que adequar o serviço. A minha proposta é que o governo federal, que hoje cuida pouco da segurança, passe a cuidar e a assumir parte das responsabilidades, sobretudo em relação ao crime organizado", acrescentou.

 

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Bolsonaro, de 63 anos, do Partido Social Liberal (PSL), começou o segundo turno com a ampla vantagem de 58% das intenções de votos, contra 42% para Haddad, segundo a pesquisa do Datafolha.

 

Além da vantagem nas intenções de voto, o ex-capitão conta com o apoio das bancadas da Câmara vinculadas ao agronegócio, às igrejas evangélicas e aos defensores do porte de armas, o que poderá viabilizar a governabilidade.

 

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Haddad, por outro lado, obteve o apoio tímido da centro-esquerda, incluindo o candidato Ciro Gomes, do PDT, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, com 12,5% dos votos, e de quem esperava maior engajamento na reta final da campanha.

 

 

"Acredito que a determinação do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e do PSB (Partido Socialista Brasileiro) foi decisiva. Eu espero um apoio muito mais firme do PDT (Partido Democrático Trabalhista). Espero, inclusive do Ciro. Mas o apoio foi dado. O engajamento na campanha é uma coisa que depende de outras variáveis. Agora toda a centro-esquerda está unida em torno da minha candidatura, inclusive o movimento social", ressaltou.

 

No entanto, Haddad, que é professor de Ciência Política e Políticas Públicas, acredita que Bolsonaro perderá a eleição e que ele encontrará canais de diálogo com o Legislativo.

 

"Um professor tem muita mais chance de abrir um diálogo do que alguém como meu adversário, que nunca vi chamar ninguém para dialogar, que nunca aprovou nada relevante em 28 anos de mandato", afirmou.

 

Haddad ressaltou que Bolsonaro "sempre incitou a violência"

 

"Imagina uma pessoa que tem como herói um dos maiores torturadores do continente. Essa pessoa é que lidera as pesquisas, mas vai perder", declarou.

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 Coronel Brilhante Ustra, torturador e assassino de presos políticos na ditadura militar de 64, que teve o apoio de Bolsonaro como terrorista da extrema direita

 

“Mentiras” via WhatsApp

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O candidato do PT criticou ainda a forma como Bolsonaro, conhecido por sua retórica misógina, homofóbica e racista, faz campanha, sobretudo por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp.

 

 

"Acho que o que predominou foi a mentira, não foi o WhatsApp. Se ele tivesse usado o WhatsApp para falar a verdade eu não teria nenhum problema com a campanha dele. O problema é que nós já entramos com não sei quantas ações judiciais para tirar do ar os vídeos que a campanha dele produz falando mentiras a respeito de mim e da minha vice (Manuela d'Ávila). O trabalho de desfazer uma mentira é muito maior do que de falar a verdade", reclama.

 

"Não sei de onde vem tanto dinheiro para tanta mensagem de WhatsApp, porque ele não declara os custos disso, dando a impressão de que é tudo voluntário", questiona.

 

"Erros" do PT

 

Outra estratégia eleitoral de Bolsonaro é vincular Haddad à perpetuação da corrupção, já que o PT foi um dos partidos mais atingidos pela operação Lava Jato.

 

Haddad reconheceu que seu partido cometeu "erros" quando esteve no poder, mas lembrou que nesses 13 anos de governo Lula e Dilma fortaleceram os órgãos de combate à corrupção que permitiram à polícia e à justiça avançar nas investigações.

 

"Se você perguntar qual foi o governo que mais equipou o Estado para combater a corrupção, foi o nosso. Nosso governo não botou nada para baixo do tapete".

 

"Eu compartilho a mesma visão da sociedade de que a corrupção é uma coisa intolerável, mas Bolsonaro em 28 anos no Congresso federal não fez nada, em área nenhuma. Ele só grita contra as coisas, mas o que ele propõe não tem consistência nenhuma", disse.

 

 

(Da AFP)

 

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