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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

24
Ago22

‘É impressionante que um país de escravidão tão longa tenha a autoconcepção de que não é violento’

Talis Andrade

Nem a democracia nem a República estão consolidadas", diz Lilia Schwarcz -  Controversia

 

 
Por Ana Ávila
 

 

Nos anos 1980, quando a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz começou a pesquisar questões raciais no Brasil, teve que começar por convencer os colegas de que tinha um problema de pesquisa. “Na época, essa era quase uma falsa questão. Como eu sou um pouco triste, como Lima Barreto, eu persisti no tema”, diz ela. O Brasil que sempre se acreditou uma democracia das raças, há 35 anos tinha ainda mais dificuldade de reconhecer as diferenças que viviam dentro de si. Quando Lilia propôs um censo etnográfico, dentro da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, foi acusada de estar criando discriminação. Mas, filha de imigrantes, nascida em uma família judia, seguiu.

Em 1988, ela foi uma das professores responsáveis por uma pesquisa da USP que perguntou aos brasileiros se tinham algum preconceito racial. Resultado: 96% disseram que não. À segunda pergunta – se o entrevistado conhecia alguém que tinha – 99% responderam que sim. “Quando a gente pedia para descrever o grau de preconceito, nós não pedíamos nomes, mas as pessoas queriam dar. Era sempre, ‘meu melhor amigo’, ‘minha mãe’, ‘minha avó’, ‘meu tio’. A gente brincava que todo brasileiro se sente uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados”, lembra ela.

Desde então, Lilia se tornou uma das maiores pesquisadoras do tema no país, dá aulas na USP e em Princeton, nos Estados Unidos, publicou livros como “O espetáculo das raças” e “Brasil: Uma biografia” (em co-autoria com Heloísa Starling) e agora lança “Triste visionário: Lima Barreto”, uma biografia que busca os traços sociais da vida de um dos mais importantes escritores brasileiros. Lima, escritor negro, que se dizia anarquista, a favor do maximalismo, a ala mais radical da Revolução Russa, era um autor fora da curva que, segundo sua biógrafa, pagou caro por suas posições junto à crítica da época.

De passagem por Porto Alegre, Lilia conversou com o Sul21 sobre o que faz o Brasil ser, ao mesmo tempo, o país da miscigenação e de tantos preconceitos e sobre o que a vida de Lima Barreto, na virada do século XIX para o XX, diz de nós.

 

Lilia Moritz Schwarcz: 'Não é um acaso que Lima Barreto vem sendo retomado  agora'Lima Barreto - Triste visionário - Dois Pontos

 

Sul21: O Brasil nunca teve apartheid na lei, mesmo assim, a segregação segue sendo um traço latente da nossa sociedade. Porto Alegre é apontada como a capital mais segregada do país, por exemplo. Como esse racismo silencioso nos atinge?

Lilia Moritz Schwarcz: Eu sempre digo que esse é um aspecto importante, que a gente não tenha nenhum apartheid na lei. Por outro lado, o Brasil foi o último país a abolir a escravidão, recebeu uma média de 50% dos africanos que saíram compulsoriamente do seu continente, teve uma lei curtíssima de inclusão social, que não previu qualquer tipo de aporte ou cuidado com essas populações. O que nós vimos no período pós-emancipação foi uma continuidade da escravidão, mas sem o sistema formal. Nada foi feito no sentido de mudar, pensando em programas de suporte, moradia, educação. Não houve nenhum projeto de inclusão dessas populações. Eu estudo um autor, o Lima Barreto, que justamente era uma voz isolada, que acusava a invisibilidade dos negros. Eu dei uma palestra na PUCRS, com quatro textos dele, brincando que o “negro não existe no Brasil”, porque basta não querer olhá-lo. Ele fala que existe esse processo de invisibilidade, não só das populações negras, mas também dos indígenas, das mulheres. O Brasil teve uma Constituição maravilhosa em 1988, uma constituição que previu a inclusão social. Nesses 30 anos, as pesquisas mostram que o Brasil não ficou um país mais justo. Para resumir, não temos uma discriminação no corpo da lei, mas a própria sociedade produz as suas regras e, nessa produção coletiva, a gente vai se revelando, como uma República muito falha, com instituições muito frouxas. Isso tudo são termômetros para medir a nossa democracia que vai muito mal, obrigada.

[Este correspondente como representante do Sindicato dos Jornalistas de Pernanbuco na Fenaj, participou de um congresso de jornalistas em Porto Alegre na década de 60/70, quando os profissionais de Recife mantiveram contato com embaixadas de todos os Estados. Era hora de almoço, e havia uma natural fraternidade, quando de repente um jovem negro começou a chorar. Ficamos todos espantados, porque o gaúcho confessou que nunca tinha sido tratado como 'igual' pelos confrades de Porto Alegre]

 

Sul21: Embora tenhamos resistência em aceitar, nós somos uma sociedade de preconceitos. Que traços contribuíram para isso?

Lilia: Eu sempre digo que o presente está cheio de passado. Mas, a gente tem que tomar muito cuidado com essa frase, porque eu também não estou propondo um comodismo. “Isso é o passado, nós recebemos isso, não há nada a fazer”. Ao contrário. A gente está recriando as políticas de racismo. O Brasil foi uma colônia, não se passa pelo fato de ser colônia, organizada a partir de grandes propriedades, que nos geraram práticas de mandonismo local, de protecionismo, de favores, sem consequências. O Brasil não só foi o último país a abolir a escravidão, como teve escravidão em todo o seu território. Isso cria uma naturalização de que o trabalho não é digno, que o trabalho manual não é bom. Há um preconceito que vem desse contexto. Em terceiro lugar, acho que temos que falar dos patrimonialismos. Nós herdamos essa burocracia pesada de Portugal, a recriamos, e temos esse costume de não acreditar nas leis. Há um provérbio da época da Colônia que diz “quem rouba muito é barão, quem rouba pouco é ladrão”. Nós estamos vivendo esse contexto. O patrimonialismo é o mau uso da verba pública, que é efetivada para fins privados. A corrupção é uma ponta desse iceberg. Ela deteriora as nossas instituições republicanas totalmente.

 

Sul21: Falando do passado, o Brasil tem um problema para lidar com a memória. Isso também contribui para esses traços?

Lilia: Há uma diferença entre memória e História. Eu acho que não só nossa História carrega invisibilidades, como nós temos uma memória coletiva e afetiva que vai desconhecendo a violência que impera no país. É impressionante que um país de escravidão tão longa, de um sistema que supõe a posse de um homem pelo outro, tenha uma autoconcepção de que não é um país violento. Esse é um país extremamente violento. Os dados mostram números de estupros, o que fazemos com as crianças, casos de pedofilia, como somos uma sociedade muito homofóbica. E, mesmo assim, a gente guarda a memória de que somos um país pacífico. Quando eu escrevi “Brasil: Uma biografia”, as pessoas diziam: “nós tivemos só uma guerra”. Como assim “só uma guerra”? Nós tivemos uma guerra reconhecida, que foi a Guerra do Paraguai (1864-1870). Mas, se você pensar a quantidade de quilombos, de revoltas, de insurreições, não há como ser um país pacífico diante dessa nossa realidade estrutural, dentro de uma desigualdade imensa. As pesquisas mais recentes mostram uma concentração dos benefícios públicos, que gera problemas na educação, na cultura, nas áreas que são centrais para qualquer sociedade cidadã, que gera violência. Ou a gente enfrenta essa questão, essa nossa memória que é tão recôndita, ou a gente vai continuar partilhando dessa desigualdade.

 

Sul21: O que diferencia esse racismo à brasileira, de outros países como os europeus, Estados Unidos, África do Sul?

Lilia: A primeira coisa que a gente tem que deixar claro é que nenhum racismo é bom. Estou lendo agora, porque vou comentar a exposição do Jonathas Andrade, que é pautada numa pesquisa [sobre raça e classe], do Charles Wagley, encomendada pela Unesco, [nos anos 1950]. Ele fala exatamente que o racismo no Brasil é mild. É leve. Em geral, o suposto é: 1) que não temos apartheid, porque não temos na lei; 2) que temos um preconceito de marca, ou seja, em vez de ter preconceito na origem, vemos no fenótipo, se a pessoa é branca e manipulamos a cor social. Essa manipulação de cor social, depende da circunstância, do contexto, do local. O Lima Barreto descreve seu principal vilão, o Cassi, casado com a Clara dos Anjos (livro homônimo): “Cassi é branco para a linguagem do subúrbio, mas quando ele toma o trem da Central, ele é negro como são os brasileiros”. No Brasil, a gente manipula a cor. Há quem diga que isso é um racismo mais fluído. Eu discordo. Acho que são outras maneiras de falar de hierarquia. São maneiras de tentar driblar a ideia e dizer que nosso preconceito é menor, que, na verdade, nós não temos, que não há problema de raça no Brasil. Basta ver os dados do Censo, pra entender que raça é um plus. Os negros são mais discriminados no transporte, na saúde, no lazer, nas taxas de nascimento e morte. Não me parece que é um racismo leve.

 

Sul21: Tu trabalhas com o conceito de “raça social”. Pode explicá-lo melhor?

Lilia: Muita gente acha que não devemos ter cotas, porque só existe uma raça, a humana. Eu concordo. Biologicamente, o conceito de raça não se sustenta. O que me interessa como antropóloga e historiadora é entender não o conceito da biologia, mas como nós, brasileiros, manipulamos o conceito de raça. Mesmo que não exista o conceito biológico, nós, no nosso dia-a-dia, produzimos essas diferenças e chamamos de raça. As professoras colocam alunos negros no fundo da classe, porque dizem que eles são menos inteligentes e não precisam ficar na frente, porque não vão aprender. Eu já ouvi crianças dizendo que queriam ser anjos, mas que as professoras não deixam porque anjos precisam ser brancos. As batidas policiais param muito mais negros do que brancos. As grandes autoridades do dia-a-dia, porteiros de shopping, hotéis, bancos, só brecam pessoas negras. Então, ok, temos que concluir que raça é uma só, raça humana, mas tem que concluir também que a sociedade produz uma segunda natureza. E essa segunda natureza se enraiza em nós, como se fosse realidade. Vamos discutir pra sempre que a biologia não existe ou vamos enfrentar essa realidade? Por isso que eu chamo de raça social.

 

Sul21: Falando em cotas raciais, por que no Brasil temos tanta resistência para aceitá-las e por que tantos casos de fraude? A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por exemplo, acaba de anunciar uma comissão para checar a auto-declaração de alunos cotistas, para evitar isso. 

Lilia: Eu tenho uma defesa por cotas há muito tempo. Não só porque acho que, com esse passado todo de que falamos, é preciso igualar para desigualar, mas, eu também defendo cotas pelo lado “positivo”, que é conviver com as diferenças. Eu trabalho com um grupo na USP que se chama “Mais é mais”. Trabalhamos com alunos negros, alunos que tiveram pelo menos três anos em escola pública, e a gente tenta fazer com que eles fiquem na universidade. Não basta só entrar. A experiência que eu tenho é que eles me ensinam muito, porque falam de lugares e experiências que eu não conheço. [Sobre as fraudes], o que a gente tem é que construir uma sociedade mais cidadã para, de alguma maneira, evitá-las. O primeiro trabalho é de conscientização, não é de persecução, porque há muito moralismo na nossa sociedade. Não se trata de atacar aquela pessoa que fez, mas de atacar essa sociedade que permite que aquela pessoa faça. Eu fico muito mais preocupada com esse trabalho mais amplo, para a sociedade, para que ela entende a importância das cotas. Essa comissão de verificação é uma comissão que me apavora. Porque eu estudei o século XIX, eu estudei as teorias de darwinismo racial, elas podem virar políticas de humilhação. Como você vai comprovar [sua raça]? Vai constranger? Vai constranger. Vai impedir? Não vai impedir. Fizemos uma primeira etapa, instituímos as cota, agora precisamos conseguir aprimorá-las.

 

Sul21: Tu estudaste essa questão do racismo científico no Brasil no livro “O espetáculo das raças”. Pode falar um pouco sobre esse período?

Lilia: Estudei as instituições científicas e culturais do século XIX: institutos históricos, museus etnológicos, faculdades de Medicina e de Direito. Estarrecida, notei que o Brasil da democracia racial estava a um passo do apartheid social. E que essas teorias do darwinismo racial eram de grande penetração na nossa sociedade. Elas ganham força no momento de desmontagem da escravidão e criam uma outra forma de desigualdade, na minha opinião, mais severa, que é uma desigualdade pautada na biologia. A suposição dessas teorias é que, não só as raças corresponderiam a realidades diferentes, mas a mestiçagem corresponderia à degeneração do indivíduo e da nação. Existiam alguns estigmas para comprovar essa degeneração: tuberculose, alienação, tatuagem, anarquismo e uma culpabilização dos traços das populações afro-brasileiras. O que vai acontecer é que essas teorias propõem modelos de apartheid social. As teorias ficam fortes entre 1880 até 1930 e, em 1950, elas ainda eram parte do currículo da Academia de Polícia e das faculdades de Direito. Então, o passado é bem próximo.

 

Sul21: Como o racismo científico influenciou a biografia de Lima Barreto?

Lilia: O Lima Barreto viveu nesse período de desmontagem do Império, sobretudo durante a Primeira República, nesse período que a gente chama de pós-emancipação. Um período que prometeu muita inclusão social e entregou muita exclusão. Eu sempre dou esse exemplo, acho ele muito forte, nós somos uma República cujo Hino Nacional é do Império. “Ouviram do Ipiranga, às margens plácidas”. Que eu saiba, quem estava no Ipiranga, era Dom Pedro II, não era [Marechal] Deodoro [da Fonseca]. Nós temos um Hino da República, que diz: “nós nem cremos que escravos outrora, tenham havido em tão nobre país”. É só um pequeno exemplo, junto com todos os outros que eu dei, de invisibilidade social. Lima Barreto foi um escritor que falou o tempo todo sobre discriminação, a nível pessoal e a nível coletivo também, acusou o tempo todo o racismo e era leitor do darwinismo racial. Por isso, foi muito perseguido também e escanteado. Diferente de outros escritores, ele tinha seu lado de intelectual propriamente dito. Uma pessoa que se pronunciava, que comparecia, que clamou muito por direitos, que era contra a política dos Estados Unidos e a favor dos africanismos, em um momento em que nem se reconhecia a existência de um problema. Era como plantar no deserto.

 

Sul21: Qual a importância de discutir a biografia dele hoje? Com novas perguntas em cima dela, como tu tens falado?

Lilia: Lima Barreto tinha uma biografia fundamental, escrita por Francisco Assis Barbosa, em 1952, e também tem críticos sensacionais. Uma questão que eu sempre digo para meus alunos, quando a gente vai fazer um projeto, é que uma parte dele é definir um objeto. Vamos dizer que meu objeto é Lima Barreto. A outra parte, tão fundamental quanto, é definir que questões você fará para seu objeto. A gente tem que fazer a mesma coisa para as sociedades contemporâneas. Eu perguntei ao Lima, com os textos dele, sobre questões como o racismo, feminismo, gênero, região, classe social, geração (o fato de Lima se definir como “dos novos” e se opor a Machado de Assis).

 

Sul21: Por que a escolha pelo título “Triste Visionário”, que parece carregar uma contradição em si?

Lilia: Eu fiz de propósito, porque a biografia toda é marcada por essa perspectiva de um personagem muito ambíguo, muito contraditório, como somos todos nós. Francisco de Assis Barbosa escreveu em um momento em que ninguém conhecia Lima Barreto. Ele tinha que construir esse personagem, apresentar como uma vítima da sociedade. E ele foi, mas no livro eu tento mostrar que nem sempre ele tinha uma postura de admirar. Ele foi muito contra João do Rio e a questão da homossexualidade, por exemplo. Era uma pessoa com projeto de entrar na literatura pela via do contra, que nem sempre era agradável. Além da contradição entre “triste” e “visionário”, você tem a contradição dos próprios termos. Triste é uma pessoa caída, chateada, é um termo que Lima Barreto usa muito. Mas, em São Paulo e no Rio, quando a gente fala que uma pessoa é triste, é também porque ela não desiste. Se pensar em visionário, pode pensar em alguém à frente de seu tempo, mas se pegar no Lima mesmo, ele usa visionário no “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, quando Floriano Peixoto, que é o único personagem histórico propriamente dito, entra no romance e os dois têm uma conversa ríspida, porque Policarpo quer introduzir o tupi-guarani como língua nacional. Floriano diz: “Policarpo, tu és um visionário”. Então, para o Lima, visionário é uma pessoa de visão, mas é também uma pessoa louca, ensandecida. Floriano não está fazendo um elogio. Tentei dar essa ambiguidade nessa relação dos termos.

 

Sul21: Sobre a importância dele, na literatura? Por que passado quase um século da morte dele, a presença de escritores negros com destaque na literatura brasileira ainda é tão escassa?

Lilia: O professor Alfredo Bose tem uma definição que eu gosto muito. Ele diz que Lima Barreto, Luis Gama e Cruz e Sousa não se conheceram, mas existe um fio existencial que os une. Esse fio é a dor e é a experiência das populações negras, no Brasil. Se você pensar em 1890, no censo, 50% da população era negra. No censo de 1900, tiraram o critério racial para não constatar que a população seria muito mais, se você pensar na subnotificação. Lima Barreto vai falar em um momento em que, a despeito da população afro-descendente ser majoritária, você conta em uma mão os autores que diziam fazer uma literatura negra. Eu não acredito que existe uma literatura negra como forma. O que existe, na minha opinião, é uma literatura como a de Lima que, primeiro, dá protagonismo para personagens negros. Segundo, as situações que vivem esses personagens negros fazem enorme diferença na narrativa. O que é muito importante. E terceiro, ele descreve com imenso cuidado a cor dos personagens. Ou seja, para ele, a raça importa.

 

Sul21: Que história dele tu achas que ajuda a resumir quem foi Lima Barreto?

Lilia: Há muitas histórias. Eu adoro uma definição dele, que ele diz que no Brasil, não há povo, só há público. Ele não podia imaginar a internet, mas nunca foi tão atual essa ideia de que aqui não há povo, só público. Tem uma passagem que eu gosto muito, quando foram fazer uma recepção na Embaixada do Chile e ele foi convidado. Todo mundo entrava, ninguém pedia convite, mas pra ele pediram. Então, ele escreveu: ‘para mim, pediram convite, e eu não gostei’.

20
Jun22

Amazônia – sob o domínio do crime

Talis Andrade

Milícia | Sindicato dos Bancários

 

O desmonte do Estado brasileiro serviu como salvo conduto e encorajou todo tipo de crime

 

por Gerson Almeida /A Terra É Redonda

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O assassinato de Dom Phillips e de Bruno Pereira é resultado do desmonte deliberado e metódico das instituições do Estado brasileiro, responsáveis pelas políticas de fiscalização ambiental, pela proteção das terras indígenas e de seus povos. É, assim, uma tragédia anunciada e estimulada em incontáveis declarações de bolsonaro, que comemora que “o Ibama não atrapalha mais, pessoal”, em ato no qual exaltou a gestão de Ricardo Sales, o ex-ministro do meio ambiente que agia para aproveitar a tragédia da Pandemia e as incertezas do povo com a própria sobrevivência para “passar a boiada”.

Não há como escamotear que esse trabalho de desmonte serviu como salvo conduto e encorajou todo o tipo de crime, como mostram os sucessivos recordes de desmatamento, o crescimento da violência contra os povos indígenas, do tráfico de drogas, do garimpo ilegal e dos assassinatos de lideranças que lutam e resistem contra estas ilegalidades. É o que aponta a Comissão Pastoral da Terra, ao demonstrar que “houve uma intensificação dos conflitos durante o governo Temer e um salto assustador no governo bolsonaro, que se mantém numa média anual de cerca de 1.900 conflitos por terra a cada ano”.

Entre tantas questões, este crime brutal revela o quanto é funcional para o governo, cuja orientação fascista é cada vez mais evidente, agir para que o Estado nacional perca a soberania territorial de imensas áreas e abra espaço para que diferentes facções do crime organizado dominem esses territórios. E não apenas na Amazônia.

Não é novidade para ninguém a relação estreita do clã bolsonaro com as milícias que controlam numerosas territórios nos centros urbanos, uma relação cultivada por anos e acentuada a partir da chegada de bolsonaro à presidência. Por exemplo, em apenas quatro anos o deputado estadual (RJ), Flávio Bolsonaro, aprovou 495 moções e concedeu 32 medalhas a policiais militares, policiais civis, bombeiros, guardas municipais e membros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica (A República das Milícias, de Bruno Paes Manso). Entre os homenageados aparecem os mais conhecidos milicianos, como o ex-policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Adriano Magalhães Nóbrega, o Capitão Nóbrega, acusado de liderar o Escritório do Crime, de ser chefe da milícia do Rio das Pedras e suspeito de assassinar a vereadora Marielle Franco e o Anderson. Adriano recebeu uma moção de louvor em 2003 e a medalha Tiradentes em 2005, sempre por iniciativa de Flávio, que, também, contratou a esposa de Adriano para o seu gabinete.

 

Amazon.com.br eBooks Kindle: A república das milícias: Dos esquadrões da  morte à era Bolsonaro, Manso, Bruno Paes

 

Como afirmou Bruno Paes Manso, “a vida pública do clã bolsonaro é um rastro das suas afinidades com os milicianos mais perigosos do Rio”. Eleito presidente da república, o clã parece estar trabalhando com afinco para que essas relações sejam ampliadas, não apenas com o estímulo ao armamento e desestímulo ao controle dessas armas e munições, como agindo para os infratores. Exemplo é a ação de Salles no ministério do meio-ambiente ao fazer de tudo para que as 15 maiores autuações em área desmatada (cerca de 400 mil hectares) não resultassem em pagamento de qualquer valor, segundo denúncia da WWF-Brasil.

Como é amplamente conhecido e fartamente documentado, há vastos territórios nas grandes cidades do país nos quais a soberania territorial do Estado foi substituída pelo domínio de diferentes grupos e facções ligadas principalmente ao tráfico de drogas e às milícias. Essas organizações criminosas submetem os moradores das áreas sob seu controle à um código de conduta próprio, no qual seus chefes concentram o papel de acusadores, juízes e promotores. Elas exercem um típico poder tirano, apoiado nas armas e na imposição do medo e, não por acaso, são as principais beneficiárias da facilitação da circulação de armas, munições e com o afrouxamento das regras que permitem o seu rastreamento. É possível compreender isto, senão como um convite ao crime e à impunidade?

Esses grupos atuam a partir de um comando altamente centralizado, muito organizado e fortemente armado, com ramificações cada vez extensas em diferentes setores da sociedade, o que lhes permite acumular poder econômico suficiente para avançar sobre o poder político e buscar consolidar um projeto próprio de poder.

Esta realidade é bem diferente da idealizada pelo pensamento liberal e consagrada no ordenamento democrático, que compreende o Estado como a única fonte “do direito de recorrer à força”. Max Weber, por exemplo, identifica o monopólio da violência como o elemento principal da legitimidade do poder estatal. Para ele, o Estado é “uma comunidade humana que se atribui (com êxito) o monopólio legítimo da violência física, nos limites de um território definido”, mas o que confere legitimidade para esse exercício do monopólio da força é o respeito às normas constitucionais, que devem orientar todas as ações dos agentes públicos, da burocracia estatal.

No Estado democrático de direito, portanto, não há legitimidade em qualquer ação não abrigada, rigorosamente, pelos preceitos constitucionais. O domínio é o da lei e não o da vontade ou arbítrio de nenhum indivíduo, seja qual for a posição que ocupe. Fora da legalidade democrática toda violência é abusiva, pois é o seu respeito que diferencia a civilização da barbárie. Sem compromisso com a democracia, as ações do atual governante estimulam a ampliação da violência política no país.

Não nos enganemos, o objetivo de bolsonaro e dos vários interesses criminosos que sabem ser protegidos pelas suas ações, é o de avançar na produção do caos e tentar amedrontar a nação e, ato contínuo, apresentar-se como o líder capaz de trazer o país à ordem. Uma ordem autoritária, amplamente excludente e claramente identificada com a experiência dos regimes fascistas.

 

Um setor dos ruralistas já age como se milícia fosseMilícia pelo Brasil - Nando Motta - Brasil 247

Há quatro anos atrás, a Caravana de Lula na região Sul teve que alterar seu roteiro por falta de garantias de segurança. Havia uma ação organizada por ruralistas de extrema-direita que agiam, orgulhosamente, como jagunços e milicianos, usando caminhões, tratores, pedras e relhos para bloquear a livre circulação de Lula e agredir seus apoiadores.

Um caso emblemático ocorreu em Bagé, quando o presidente da Associação Rural Bagé, Rodrigo Moglia, liderou um protesto para impedir a visita de Lula à uma universidade criada no seu próprio governo. O então prefeito de Bagé, Divaldo Lara (PTB) e a senadora Ana Amélia Lemos (PSD) fizeram discursos acalorados e saudaram a violência política contra os adversários, exaltando o uso de pedras, ovos e relhos como instrumentos legítimos da política. Adriano da Nóbrega não faria discurso melhor.

Episódios como estes não param de acontecer – como o assassinato de Dom Phillips e de Bruno Pereira confirmam – mostrando que o bolsonarismo e suas milícias podem tentar estender para todo o país a mesma tirania e medo que já impõem sobre as populações nas áreas em que a soberania territorial do Estado foi substituída pelo poder territorial das organizações criminosas. Essa tentativa de “miliciarização” da campanha eleitoral não significa necessariamente a expansão territorial das milícias, mas a adesão de setores sociais da direita a algumas das suas práticas, como aconteceu contra a Caravana de Lula do sul, em 2018. O exemplo mais recente é o de Uberlândia, em 15 de junho, quando um drone jogou veneno sobre as pessoas presentes em ato público de Lula e as constantes tentativas de intimidação das atividades públicas de Lula nesta pré-campanha.

A expressiva liderança de Lula em todas as pesquisar de opinião e o grande arco de forças democráticas que está sendo construído em seu apoio para derrotar bolsonaro e o bolsonarismo, mostra que a larga maioria da sociedade não quer que o Brasil seja transformado numa grande Rio das Pedras, ou Vale do Javari. Ao contrário.

O dilema incontornável que as forças políticas e sociais do país terão que enfrentar é a de respeitar a soberania popular e atuar para que as eleições sejam feitas em condições democráticas, ou se vão render-se ao desejo dos bolsões golpistas de tutelar o processo, como o ofício do ministro da defesa ao presidente do TSE revela. No processo eleitoral deste ano, a luta será por recuperar o estado democrático de direito, a justiça social e a soberania nacional, o que só poderá acontecer com a derrota de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo.

Geuvar on Twitter: "Democracia em vertigem #nazismo #golpistas  #entreguistas #charge #milícia https://t.co/CeBQMBh9Pb" / Twitter

16
Jul20

A máquina de surrar e matar pobre

Talis Andrade

E porque pobres, em maioria negros e pardos

O melhor diagnóstico do que levou ao monstruoso caso da mulher que teve o pescoço demoradamente pisado por um policial militar em São Paulo foi feita pelo ex-ouvidor geral da polícia paulista, Benedito Mariano.

Ele lembrou que a “ocorrência” para a qual os PMs foram chamados era um simples caso de “perturbação do sossego” que nem crime é, mas simples contravenção penal (art. 42 da LCP) e que, nas áreas ricas, não gera outra atitude senão a abordagem e o pedido para que, como acontecia ali, de baixar o volume da música.

Tudo o que as imagens mostram, ali, porém, são armas sacadas e apontadas, pessoas jogadas ao chão e manietadas, submetida a toda a sorte de agressões.

Aliás, o “poderoso armamento” com que um dos presentes à cena filmada por câmaras de segurança era um rodo de chão, algo que não pode ser ameaçador para quem tem uma pistola na cintura.

João Doria reagiu dizendo que agressões policiais “não serão toleradas”. Reação que deveria ser gravada num disco arranhado de tantas vezes que é repetido, sem nenhuma consequência, exceto o fato de que a polícia, cada vez mais, tornou-se uma máquina de bater e e matar pobre. E porque pobres, em maioria negros e pardos.

No Fantástico, o PM disse que usou os “meios necessários”. Pisar o pescoço – e ficando num pé só, colocando todo o peso do corpo – de uma mulher de 51 anos é um meio necessário apenas para matar, como ficou evidente no caso do norte-americano George Floyd, cujo assassinato abalou os EUA e do mundo.

A polícia brasileira, sob os aplausos de uma elite que acham mesmo que “com pobre é na porrada”, tornou-se um escândalo de proporções mundiais.

Em tempo de pandemia, com as pessoas retidas em casa e impedidas de oferecer resistência, saltamos de patamar. Um levantamento de O Globo registra 1.198 mortes em decorrência de intervenções policiais em março e abril, 26% mais que as ocorridas nestes meses em 2019.

Essa é uma chaga de décadas no Brasil, que se desenvolveu com a demagogia ou a intimidação do governo e dos políticos, que ou prometiam mais polícia e mais brutalidade (mirar na cabecinha, não é?) ou se intimidavam ante o seu dever de puni-la.

Um único enfrentou – e pagou caro por fazer isso – esta vergonha. Faltam muitos, muitos Brizola para dizer que polícia não pode ser isso, mas há muitos dos que hoje se horrorizam com estas cenas que durante muito tempo se enganaram com o discurso de uma mídia que construiu, com sua cumplicidade, algo tão monstruoso.

 

 
05
Fev20

Bolsonaro estimula roubo de terras públicas

Talis Andrade

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Da Rede Brasil Atual

Estímulo à grilagem de terras públicas, perda de receitas, ampliação de conflitos no campo, desmatamento e severos impactos nas políticas de reforma agrária no país. Esses são alguns dos problemas identificados na Medida Provisória (MP) 910, de autoria do governo Bolsonaro, que pretende facilitar a concessão de títulos de propriedades rurais a ocupantes de terras públicas da União. Para a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), a MP é inconstitucional. E vai resultar em impactos sociais, econômicos e ambientais ainda mais graves que as leis 11.952/2009 e 13.465/2017, conhecidas como MPs da Grilagem.

“A lei de 2009 restringia sua incidência apenas ao território da Amazônia Legal. Já a lei de 2017 estendeu os seus limites para todo o país, mas restringindo a possibilidade de regularização às áreas registradas em nome do Incra”, alerta a PFDC. Com a nova MP 910, também são alcançadas as ocupações de áreas da União.

“Ou seja, em qualquer local do território será possível regularizar ocupação de até 2.500 hectares, incidente em área de domínio do Incra ou da União, com as mesmas normas inicialmente estabelecidas para a Amazônia Legal.” As duas normas são objeto de ações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

A procuradoria afirma ainda que, além de não ser caminho para a promoção de justiça social, já que não atende aos objetivos da reforma agrária, a MP 910 pode estimular a ação de grupos criminosos especializados em se apossar de terras públicas e realizar a regularização posterior – procedimento conhecido como grilagem.
 
O órgão do MPF destaca que no caso da MP 910 não há nenhum estudo que evidencie que o grande volume de transferência de patrimônio público para o privado é medida de justiça e de atenção ao interesse comum. “Pelo contrário, a fragilidade das bases de dados fundiários oficiais revela que não é ainda possível determinar o número, a distribuição e o perfil dos imóveis que necessitam de regularização. Portanto, ela propõe uma alteração de lei vigente, com efeitos projetados até 2021, sem qualquer análise dos impactos positivos e negativos por ela gerados.”

A procuradoria também aponta que não faz sentido criar uma nova legislação sobre o tema, considerando a que a aprovada em 2017 tem validade até dezembro de 2021. O que dá a entender que o único objetivo é facilitar ainda mais a regularização de terras que foram alvo de grilagem.

A norma também não aponta para o cumprimento nenhuma das metas de regularização fundiária estipuladas na Constituição Federal, como a reforma agrária, a garantia alimentar ou a diversificação da política agrícola. “A MP 910, a exemplo de suas antecessoras, está absolutamente dissociada de quaisquer dessas metas”, avalia a PFDC.

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13
Mai19

Por que o decreto de armas de Bolsonaro pode acabar sendo derrubado

Talis Andrade

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O presidente Jair Bolsonaro assinou hoje um decreto que flexibiliza as regras para registro, posse, porte e comercialização de armas e munições para colecionadores, atiradores esportivos e caçadores.

De acordo com o porta-voz do governo, Otávio Rêgo Barros, a medida trata da "desburocratização do mercado de armas e munições".

Em janeiro, Bolsonaro assinou um outro decreto que tratava da posse de armas, que é a autorização para manter uma arma de fogo em casa ou no local de trabalho.

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Decreto presidencial facilita que advogados, caminhoneiros e políticos portem armas de fogo carregadas

 

por Leticia Mori

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10
Mai19

Armas, armas, armas aos milhões

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Na edição de hoje, O Globo publica um levantamento importante feito pelos repórteres Natalia Portinari, Gustavo Maia, Jussara Soares, Marco Grillo, Marlen Couto e Bernardo Mello, comparando o número de portes de arma existente hoje no país e o número em potencial que eles podem alcançar com a liberação feita ontem pelo presidente da República.

São, hoje, 36.702 autorizações para portar armas, segundo a Polícia Federal, que as expede.

Se todos os que passam a ter direito a carregar armas de fogo – e agora de grosso calibre – a quantidade, em tese, chegaria a 21 milhões de pessoas.

572 vezes mais.

Claro que não chegará a este ponto, até porque a maioria das pessoas que vive em área rural não tem dinheiro para comprar uma arma.

Ainda assim, vamos multiplicar por 100 ou 200 vezes o número de armas sendo carregadas – e bem carregadas de balas –  nas ruas e estradas brasileiras.

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São 65,1 mil políticos com mandato, 900 mil caminhoneiros autônomos e mais de um milhão de advogados, com mais 255 mil caçadores e colecionadores, para os quais, em tese, se dirigia originalmente. E mais 18, 6 milhões de habitantes de áreas rurais,  segundo o decreto presidencial, poderiam andar com um revólver, uma pistola ou uma carabina por onde quisessem.

Mas quem está ligando que sejam mais algumas centenas ou milhares de vidas perdidas com este arsenal todo, ainda mais com cada um tendo direito a comprar  14 balas por dia para “brincar”?

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07
Mai19

Em meio à polêmica, Bolsonaro vai assinar decreto para facilitar importação e transporte de armas

Talis Andrade

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Os críticos dizem que é mais um passo para armar a população numa visão equivocada sobre segurança pública. Os defensores afirmam que é facilitar a vida de quem é autorizado por lei a ter armas. Em meio a esse debate, o presidente Jair Bolsonaro vai assinar nesta terça-feira (7) um decreto que permite que os CACs - colecionadores, atiradores esportivos e caçadores - levem as armas, em geral de suas casas para os locais de treino, já carregadas com munição.

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Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Os críticos dizem que é mais um passo para armar a população numa visão equivocada sobre segurança pública. Os defensores afirmam que é facilitar a vida de quem é autorizado por lei a ter armas. Em meio a esse debate, o presidente Jair Bolsonaro vai assinar nesta terça-feira (7) um decreto que permite que os CACs - colecionadores, atiradores esportivos e caçadores - levem as armas, em geral de suas casas para os locais de treino, já carregadas com munição.

A medida também vai flexibilizar as regras para posse, registro e comercialização de armas e munição para aqueles que têm a autorização do Exército, visando ainda desburocratizar e baratear a importação desse material. O porta voz da presidência Otávio Rego Barros disse que os detalhes do texto ainda estavam sendo fechados na noite dessa segunda-feira (6).

 

Finalizando detalhes

"Os detalhes estão sendo definidos. Foi fruto de um estudo envolvendo os ministérios da Defesa, Casa Civil, Justiça e Segurança Pública. O decreto vai regulamentar a lei sobre registro, porte, posse e comercialização. Trata também da desburocratização, comercialização e importação. Contempla a facilitação do transporte e aumento na munição, entre outros", afirmou Barros.

O porta-voz disse que a assinatura do decreto pelo presidente Bolsonaro será às 16h, horário de Brasília, e que o Planalto aguarda um evento com forte presença política. "O governo espera contar com grande número de parlamentares nessa cerimônia", disse Barros.

 

Grupos com afinidade no tema

Os CACs têm hoje mais de 250 mil licenças no país, número que cresceu muitos nos últimos anos. Esses grupos pressionavam o governo, com quem têm afinidade no tema, por novas regras. Foi o próprio presidente Bolsonaro quem antecipou o evento em que vai anunciar as novas regras quando cumprimentava turistas em Brasília, na saída do Palácio da Alvorada, no domingo. Um eleitor perguntou se o governo iria adotar medidas para atender os CACs.

"Vamos anunciar na terça-feira. Não vai ter quantidade limite de munição. E vai poder transportar arma municiada. E estamos quebrando o monopólio também", disse o presidente.

 

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06
Mai19

BOLSONARISMO INSTALA A LEI DA SELVA: AS MORTES DE 'BANDIDOS' ESTÃO LIBERADAS

Talis Andrade

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247 - O bolsonarismo está implantando uma cultura de massacre aos pobres no país, numa escalada vertiginosa. Acumulam-se episódios como o do governador Wilson Witzel que neste domingo (5) apareceu nas redes sociais disparando de um helicóptero contra uma comunidade carente em Angra dos Reis (RJ), a convocação também no domingo do senador Major Olímpio para policiais "sentarem o dedo contra esses malditos", a licença para matar que Bolsonaro pretende conceder aos aos ruralistas e que Moro também quer conceder aos policiais com seu "pacote anticrime". Tudo reforça a sensação de que o Brasil governado pelo extrema-direita se transformou em uma terra sem lei.

 

O governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSL) envolveu-se em mais uma operação com a polícia militar para "abater a bandidagem", como ele justificou.  Com esses pretexto, o governador e sua "equipe" dispararam dezenas de tiros contra comunidades carentes localizadas no município de Angra dos Reis (RJ). Na sequência ele foi se hospedar com a família no hotel de luxo Fasano, com diários de R$ 1.600,00 por pessoa. 

 

"Segundo disse Witzel, o alvo era a 'bandidagem'. Não se informou se a Polícia buscava um, dois ou dez criminosos; se respondia a alguma agressão em particular; se era uma operação para instalar bases policiais naquelas comunidades, expulsando, então, os tais bandidos. Uma coisa é certa: as balas que se despejavam lá de cima não tinham como distinguir a carne preta e pobre de inocentes da carne preta e pobre de culpados. A única coisa que se tem de certo é que cumpria à carne preta e pobre, culpada ou não, tentar se proteger da expedição comandada pelo próprio governador", denunciou o jornalista Reinaldo Azevedo. 

 

O ataque de Witzel aos mais pobres deixa juristas e defensores dos direitos humanos alarmados. "Witzel comete crime de lesa-humanidade", denunciou, em artigo, a jurista Carol Proner. 

 

Bandido bom é bandido morto

 

Em São Paulo, a carnificina aos mais vulneráveis tem como porta voz oficial o senador Major Olímpio (PSL) que, assim como Witzel, também é discípulo fervoroso do Bolsonarismo e da Rota, elite da PM paulista, que já causou inúmeras chacinas em comunidades.

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Em um vídeo compartilhado neste fim de semana, o parlamentar destaca a morte de dois policiais da Rota no último final de semana e convoca "policiais civis, federais, rodoviários, militares, guardas municipais a redobrar a atenção, a cautela, redobrem a munição e sentem o dedo nesses malditos". Quem dá tiro na polícia para matar tem mais é que morrer". "Se tiver que chorar, vai chorar é a mãe do bandido", diz ele

 

Apesar do discurso caloroso, Olímpio omite dados importante: seis a cada dez mortos pela polícia paulista são negros, segundo informa o Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A nível nacional, o País teve 5.012 mortes cometidas por policiais na ativa em 2017, como apontou o levantamento parte do Monitor da Violência. No entanto,  Bolsonaro e sua trupe segue ignorando dados importantes sobre a segurança pública. 

 

Bolsonaro e Moro: licença para matar 

 

No núcleo duro do governo federal, Bolsonaro e o ministro da Segurança Pública, Sérgio Moro seguem firmes para também aumentar as taxas de homicídos contra a população mais vulnerável. Na semana passada, Bolsonaro declarou oficialmente que irá conceder uma "licença para matar" aos latifundiários que tiverem, em um futuro, suas terras ocupadas por movimentos sociais. 

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"A autorização para se iniciar um genocídio contra os sem-terra é a face cavernosa e carcomida de um governo autoritário e inconsequente. O que o seu chefe deseja é dar aos pistoleiros a serviço dos latifundiários o mesmo poder que Moro está querendo dar aos policiais quando subirem os morros do Rio de Janeiro, por exemplo. Nos dois casos, os alvos da licença para o abate são os pobres", denunciou o jornalista Givandro Filho, em artigo. 

 

Moro, que a cada diz decepciona mais os seus fãs, segue na mesma linha de seu chefe e seu pacote anticrime nada mais é que dar mais poder aos policiais "matarem em nome da lei", pois irá ampliar a legítima defesa para homicídios cometidos no trabalho. 

 

As propostas de alteração para legítima defesa, nos artigos 23 e 25 do Código Penal, possibilitam que, em caso de homicídios, a Justiça possa reduzir a pena pela metade ou até deixar de aplicar a punição caso a morte  tenha sido motivada por “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.

 

Na prática é a licença para matar em um país que já possui elevadas taxas de homicídios sem respostas. Especialistas e líderanças dos movimentos sociais criticam duramente a proposta de Moro. 

11
Jan19

BOLSONARO VAI LIBERAR DUAS ARMAS POR PESSOA

Talis Andrade

Turma de Sergio Moro já redigiu decreto

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Sergio Moro não perdeu tempo. Para agradar o capitão presidente, Sergio Moro botou o Ministério da Justiça e da Segurança para virar dez dias na redação do decreto que facilita a posse de armamento de fogo e prevê que o interessado possa ter até duas armas.

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247 - O presidente Jair Bolsonaro deve assinar nos próximos dias o decreto que facilita a posse de armamento de fogo e prevê que o interessado possa ter até duas armas, de acordo com uma versão preliminar do texto. O limite ainda pode ser ampliado caso seja comprovada a necessidade. A previsão é que o texto seja publicado na próxima semana.

Pesquisa Datafolha divulgada em agosto apontou que 58% dos eleitores do Brasil acreditam que a posse de armas deve continuar proibida. Outro levantamento, divulgado este mês de janeiro, mostrou 56% dos entrevistados se disseram contrários ao porte legal estendido a todos os cidadãos - posse é quando a pessoa mantém sob sua guarda uma arma de fogo, podendo ser em casa ou no trabalho, por exemplo. Porte de arma possibilita ao cidadão sair na rua com a arma junto ao corpo.

Se ficar comprovada a "efetiva necessidade" de armamento, poderão ter direito a duas armas: agentes públicos de segurança e de administração penitenciária, e agentes públicos envolvidos no exercício de atividades de poder de polícia administrativa ou de correição em caráter permanente.

Também poderão ter acesso a armamento residentes em áreas urbanas com altos índices de violência - mais de dez homicídios por 100 mil habitantes; titulares ou responsáveis legais de estabelecimentos comerciais; colecionadores, atiradores e caçadores, devidamente registrados no Comando do Exército.

Segundo o STB, que divulgou o teor do texto com a possibilidade de duas armas por pessoa, o governo deve manter regras já existentes, como ter 25 anos de idade ou mais e não possuir antecedentes criminais. Continuam obrigatórios o exame psicológico e realizar curso em clube de tiro continuarão obrigatórios.

De acordo com as regras atuais, podem ser adquiridas espingardas calibre 20, 28, 36, 32 e 12; revólveres calibres 22, 36 e 38; rifles calibre 22; carabinas calibre 38; e pistolas calibres 32, 22 e 380. O cidadão também poderá comprar munições e carregadores.

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27
Out18

Os preconceituosos saem do armário

Talis Andrade

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por Rodrigo Martins
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As pedras portuguesas da calçada do Largo do Arouche, no Centro de São Paulo, amanheceram tingidas de sangue na terça-feira, 16. Identificada apenas como “Priscila”, a travesti havia sido esfaqueada durante a madrugada. Após ser atacada em um bar, ela cambaleou até a porta de um hotel, onde implorou por socorro.


Levada para a Santa Casa, não resistiu à hemorragia e morreu a caminho do hospital. Um crime lamentavelmente comum nessa região da cidade, não fosse pelas circunstâncias políticas. Moradores relatam ter ouvido a gritaria que precedeu o crime.


“Com Bolsonaro presidente, a caça aos veados vai ser legalizada”, teria dito um dos agressores, segundo o relato de diferentes testemunhas ouvidas pela mídia na condição de anonimato.
 

Investigado pelo 3º Distrito Policial da capital paulista, o crime soma-se a dezenas de ataques violentos atribuídos a apoiadores do presidenciável do PSL. Às vésperas do primeiro turno, a transexual Jullyana Barbosa foi espancada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Ex-vocalista do grupo Furacão 2000, ela caminhava por uma passarela sobre a Via Dutra quando ambulantes começaram a gritar: “Bolsonaro vai ganhar para acabar com os veados, essa gente lixo tem que morrer”.


Bastou confrontá-los para começarem as agressões. “Perguntei por que eles me chamaram de lixo e disse que mereço respeito. Foi aí que um deles pegou a barra de ferro numa barraca e começou a me agredir. Na primeira pancada eu fiquei tonta e caí. Logo depois vieram mais três, quatro homens dando socos e chutes”, disse ao jornal O Dia.


Desde o início do ano, a onda de intolerância não para de crescer. Do atentado a tiros contra a caravana de Lula ao esfaqueamento de Bolsonaro por um desequilibrado, foram registradas dezenas de crimes por motivação política no País, boa parte deles ainda não esclarecida pelas autoridades.


Com o tsunami eleitoral bolsonarista, a violência política ganhou proporções aterradoras. Na noite de 7 de outubro, horas após o capitão conquistar mais de 49,2 milhões de votos, a funcionária pública Paula Guerra, de 37 anos, foi surrada em um bar do Recife.


Enquanto uma mulher a agredia, outros três homens imobilizaram os garçons para impedir que eles prestassem socorro. Com hematomas no rosto e escoriações pelo corpo, ela fraturou o braço e foi submetida a uma cirurgia. O motivo da fúria? A servidora havia criticado Bolsonaro, além de usar buttons com os dizeres “ele não” e “lute como uma garota”.


Na mesma noite, pela madrugada, o compositor e mestre capoeirista Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, foi assassinado em Salvador. Em um bar, o autor de Badauê, música gravada por Caetano Veloso, havia declarado voto no petista Fernando Haddad.


Eleitor de Bolsonaro, o barbeiro Paulo Sérgio Santana, de 36 anos, iniciou uma discussão, antes de sair do local, buscar uma faca e voltar para atacar Moa, de 63 anos. Foram 12 golpes, todos pelas costas. Concluído na quarta 17, o inquérito policial confirmou que o crime fora motivado por divergência política.


Sepultado ao som de berimbaus, Mestre Moa foi homenageado por milhares de cidadãos na última terça-feira 16 no Largo do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Vestidos de branco, capoeiristas e ativistas do Movimento Negro participaram do ato, embalado pelos grupos Ilê Aiyê, Olodum e Filhos de Gandhy, após a tradicional missa celebrada às terças na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.


Termômetro da escalada de intolerância, um levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV identificou mais de 2,7 milhões de publicações no Twitter repercutindo notícias sobre agressões físicas e ameaças por divergências político-ideológicas em apenas quatro dias, logo após o primeiro turno. Nos 30 dias que antecederam a votação, o total de tuítes relacionados ao mesmo tema foi de 1,1 milhão.


Diante da multiplicação de casos, a Open Knowledge Brasil e a Agência Pública lançaram a plataforma #VítimasDaIntolerância para recepcionar denúncias de agressões físicas e ameaças durante o período eleitoral.


Nenhum dado pessoal é solicitado, apenas links para fontes confiáveis. São igualmente aceitos relatos divulgados em redes sociais, que são mantidos em um banco de dados separado para posterior checagem da veracidade.


Outra iniciativa é um mapeamento feito pelo site Opera Mundi, em parceria com o Observatório do Autoritarismo e ativistas do movimento LGBT. “Até a noite da terça-feira 16, havia mais de 100 denúncias checadas.


A relação inclui somente casos noticiados pela mídia e relatos em redes sociais que pudemos confirmar por meio de registros fotográficos, vídeos ou com apuração própria”, explica o jornalista Haroldo Ceravolo, responsável pela iniciativa.


De acordo com ele, oito em cada dez ataques conferidos foram cometidos por apoiadores de Bolsonaro. “Não há dúvida de que essa violência tem lado. Além disso, as vítimas preferenciais são mulheres, negros e LGBTs, populações que sempre foram alvo do discurso de ódio do presidenciável do PSL.”


Preocupada com a onda de violência, a ONG Conectas tem procurado as autoridades para cobrar uma resposta do Estado. “A Defensoria Pública de São Paulo aceitou criar um canal online para acolher denúncias. Em paralelo, tivemos uma reunião com o Comando-Geral da Polícia Militar para pedir uma ação preventiva. Da mesma forma, estamos em contato com a Procuradoria-Geral de Justiça, cobrando a responsabilização dos agressores”, afirma o advogado Rafael Custódio, coordenador do programa de Justiça da Conectas.


“Lamentavelmente, Bolsonaro tem um longo histórico de manifestações homofóbicas, racistas e misóginas. Parte de seus eleitores parece se sentir encorajada com esse discurso para agredir, ameaçar e insultar. Liberdade de expressão tem limite, e esse limite é ultrapassado quando você comete um crime.”
 

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O êxito eleitoral do capitão também parece ter encorajado grupos neonazistas a sair do armário. Nos últimos dias, diversas universidades públicas e privadas foram alvo de pichações com mensagens de ódio contra minorias.


Na segunda-feira 8, ao descer de um ônibus em Porto Alegre, uma jovem de 19 anos foi agredida por três homens, que usaram um canivete para desenhar uma suástica em seu dorso. A vítima usava uma mochila com as cores do movimento LGBT.
 
 

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Na quinta-feira 11, o banheiro de um curso pré-vestibular da capital paulista foi vandalizado, com uma pichação a pregar a “morte aos negros, gays e lésbicas”. No domingo 14, uma capela de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio de Janeiro, amanheceu com suásticas na fachada.


No mesmo dia, durante um ato de apoiadores de Bolsonaro, uma bandeira usada por supremacistas brancos dos EUA foi hasteada na Avenida Paulista, em São Paulo. Diante desse histórico, não surpreende a manifestação de apreço de um ex-líder da Ku Klux Klan.


“Ele [Bolsonaro] soa como nós”, disse em seu programa de rádio David Duke, um dos rostos mais conhecidos da organização que aterroriza a população negra americana desde o século XIX.


Inicialmente, Bolsonaro tentou lavar as mãos. Lamentou os “excessos” de apoiadores, mas disse não ter como os controlar. “O que eu tenho a ver com isso?”, chegou a dizer, ao ser indagado sobre a morte do mestre de capoeira.


Depois, o presidenciável do PSL afirmou dispensar o voto de quem pratica violência. Não sem antes acusar, sem provas, a existência de “um movimento orquestrado forjando agressões para prejudicar sua campanha”.


Foram os bolsonaristas, no entanto, que foram pegos na mentira. Nas redes sociais, alastrou-se a imagem de uma senhora com hematomas no rosto que, segundo a postagem, teria sido agredida por petistas “quando gritou Bolsonaro”.


A foto era da atriz Beatriz Segall, falecida em setembro. Os sinais eram decorrentes de um acidente do qual foi vítima há anos, quando tropeçou em uma calçada no Rio. O filho da artista, Sergio Segall repudiou a fraude. “Foi um ato de covardia”, resumiu.


O acirramento das tensões políticas é especialmente preocupante diante da promessa de Bolsonaro de facilitar o porte de armas no Brasil, alerta Renato Sérgio de Lima, professor da FGV e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


“Cerca de um terço dos homicídios no País ocorre por razões pessoais, como brigas domésticas e discussões no trânsito. Com as pessoas armadas, é grande a probabilidade de esses conflitos serem resolvidos na bala.”


Pesquisador do Ipea, Daniel Cerqueira é autor de numerosos estudos que comprovam a temeridade da proposta. Cada ponto porcentual de aumento da quantidade de armas em circulação nas ruas representa um crescimento de 2% nas taxas de homicídios.


Com 63.880 mortes violentas registradas em 2017, o Brasil poderia ter um número de assassinatos ainda maior, até 12% superior, caso não estivesse em vigor o Estatuto do Desarmamento.
 

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“A maior disponibilidade de armas de fogo faz diminuir o seu preço no mercado ilegal, permitindo o acesso da mesma ao criminoso desorganizado. Segundo a CPI das Armas no Rio, quase 18 mil armas foram extraviadas ou roubadas de empresas de segurança privada em dez anos. Além disso, as chances de um indivíduo armado sofrer homicídio, ao ser abordado por criminosos, é 56% maior”, afirma Cerqueira. “Não há qualquer evidência científica de que possuir um revólver aumenta a segurança da família. Ao contrário, as chances de você ser vítima de homicídio ou de praticar suicídio são cinco vezes maiores. A cada ano morrem 1,3 mil crianças nos EUA em acidentes com armas de fogo.”
 

Segundo Lima, os brasileiros ainda não perceberam que as propostas de Bolsonaro acenam para uma omissão ainda maior do governo federal na área. “Em vez de assumir parte da responsabilidade, ele incentiva a população a se armar e garantir a própria defesa. Só que uma pistola custa entre 5 mil e 10 mil reais, valor inacessível para a grande maioria. Até aqui, ele só se dispôs a investir nas Forças Armadas, para reforçar o patrulhamento das fronteiras. Para as polícias, a única promessa é dar carta-branca para matar em serviço, sem punições”, diz. “Em um país com níveis epidêmicos de violência, é a receita certa para uma tragédia ainda maior.”
 

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Naylson Brasil disse...

Se você é mulher, cristão, negro e quer paz, veja este vídeo antes de votar amanhã 

 


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