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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

22
Nov21

Zambi

Talis Andrade

 

 

zambi rei.jpg

 

A Segunda Morte

por Talis Andrade

 

Para que os negros

não sonhassem 

com o reino livre

dos quilombos

os negros

não semeassem 

nenhuma esperança

mudaram o nome

de Zambi

Pela farsa do nome

trocado

pairasse a dúvida da existência

de um reino encantado

rodeado de palmeiras

o sonhado oásis

no deserto afastado

 

Negro fica no teu canto

Zambi nunca existiu

Zambi alucinada assombração

de todo negro fujão

Zambi maculo de negro

gemendo de saudade

Zambi conversa de bebo

piração de quem vê

almas penadas

danação de quem vê zumbis

nas rodopiantes danças

dos pais de santo

 

Negro fica no teu canto

Zambi nunca existiu

 

- - -

Talis Andrade, Vinho Encantado p. 133, Livro Rápido, Olinda, 2004

Ilustração Zambi, Praça da Sé, Pelourinho, Salvador

22
Nov21

Bernardo Vence Zambi

Talis Andrade

Busto que inspirou a estátua de Zumbi.

por Talis Andrade

 

Para escapar

das correias no lombo

Zambi construiu

longe de Olinda

o Quilombo da Liberdade

 

O reino livre de Zambi

guerreou contra os espanhóis

os holandeses os portugueses

e Zambi voltou a Olinda

 

Zambi voltou a Olinda

a cabeça espetada

na ponta de uma lança

A cabeça salgada

uma orelha cortada

a pedido da rainha

uma incestuosa

louca rainha

A cabeça salgada

com sal grosso

o grosso sal

que espanta as almas

e enfiada na boca

a rola cortada

por satânico prazer

covarde humilhação

de um capitão-do-mato

 

Bernardo Vieira de Melo

cavalgou Olinda

com a empáfia vitoriosa

de caçador de negros

Bernardo Vieira de Melo

cavalgou Olinda

ostentando em uma lança

uma lança ornada de fitas

a cabeça de um rei

um rei coroado

numa guerra sem fim

 

- - -

Talis Andrade, Vinho Encantado p. 131, Livro Rápido, Olinda, 2004

Ilustração busto que inspirou estátua de Zambi

 

23
Ago20

A LUA DE LORCA

Talis Andrade

 

poets.org — Six drawings by Federico García Lorca (1898-1936)


Federico:
- Que tem teu divino
coração de festa

A menina:
- Tenho uma rosa
uma linda rosa
amarela

Federico:
- Ai menina
não se faça
tão bela

A menina:
- O sol
me fez assim
hoje é manhã
de primavera

Federico:
- Ai menina
a noite
uma longa noite
me espera

A menina:
- Triste sina tua
querer a lua
que no céu
sorri distante

Federico:
- Ai menina                                                                                                                                                muito mais triste
não saber
se de verdade
desejo a lua
como amante

 

- - -

Talis Andrade, Vinho Encantado, p. 31, Livro Rápido, 2004, Recife

Ilustração Federico García Lorca

21
Ago20

UNTURA

Talis Andrade

capa_vinho_encantado.jpg

 

 

 

Cantar cantar
cantigas de amor
cantigas de amigo
O canto entorpece
a dor O canto
enxuga o pranto
que se sente
pelo amor ausente

Cantar cantar
cantigas de amor
para a amante
cantigas de louvor
para os amigos
O canto alegra
a vida
que a felicidade
é compartida

Vem cantar comigo
minha amiga meu amigo
que não existe
prazer solitário
A felicidade é solidária
advém da relação
de um corpo
com outros corpos
da nossa satisfação
com tudo que floresce
no circulo de um jardim

 

- - -

Vinho Encantado, p. 29, Livro Rápido, 2004, Recife

Ilustração Capa de Luciana Cavalcanti a partir de detalhe da decoração do teto da Abadia de Santo Domingo de Silos ( Séc XV Burgos) 

 

16
Jul17

Cantigas de amor cantigas de amigo

Talis Andrade

UNTURA

 

do livro

 

capa_vinho_encantado.jpg

 

Cantar cantar

cantigas de amor

cantigas de amigo

O canto entorpece                                                                                                                      

a dor O canto

enxuga o pranto

que se sente

pelo amor ausente

 

Cantar cantar

cantigas de amor

para a amante

cantigas de louvor

para os amigos

O canto alegra

a vida

que a felicidade

é compartida

 

Vem cantar comigo

minha amiga meu amigo

que não existe

prazer solitário

A felicidade é solidária

advém da relação

de um corpo

com outros corpos

da nossa satisfação

com tudo que floresce

no círculo de um jardim

 

 

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