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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Jun19

Os verdadeiros objetivos de Moro e Cia na Lava-Jato

Talis Andrade

 

O jornalista e escritor Ribamar Fonseca destaca foi graças a imprensa alternativa que o país teve conhecimento sobre as "ilegalidades cometidas nos porões da Lava-Jato", isso porque a chamada "grande imprensa, em especial a Globo, jamais divulgaria as trapaças armadas pela força-tarefa para tirar Lula da sucessão presidencial e eleger Bolsonaro presidente"

dallagnol permissão para tirar 2,5 bilhões vaza

 

por Ribamar Fonseca

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O jornalista Glenn Greenwald, que abriu a tampa do bueiro da Lava-Jato e deixou escapar o mau cheiro da podridão ali escondida, afirmou que Sergio Moro não se sustentará na cadeira  de ministro após as próximas revelações. Como o presidente Bolsonaro garantiu que tem confiança nele e até o condecorou depois do escândalo e o próprio ex-juiz já disse que não pedirá demissão, resta saber como se dará a sua queda, esperada por todo mundo. Na verdade, ele pode até continuar agarrado ao cargo como carrapato mas não conseguirá manter-se nele por muito tempo, pois no  dia 25 deste mês poderá ser declarado suspeito pela Suprema Corte, no julgamento do habeas corpus impetrado em favor de Lula. Sua exoneração da pasta da Justiça, porém, não será suficiente para puni-lo por tudo o que fez na Lava-Jato, não apenas contra o ex-presidente petista mas, sobretudo, contra o Brasil, quebrando grandes empresas da construção civil, destruindo a indústria naval, fragilizando a Petrobrás e provocando a demissão de milhares de trabalhadores. Deve-se a ele o desastre na economia brasileira.

Uma minoria que o defende, da qual fazem parte o presidente Bolsonaro, os ministros Roberto Barroso e Edson Fachin e o general Villas-Boas, consegue ver Moro por outro ângulo, o de benfeitor do país, como um super-herói no combate à corrupção. Ora, todas as pessoas, até mesmo os corruptos, defendem o combate à corrupção – o que fez a Lava-Jato conquistar a simpatia de todo mundo – mas  isso não pode servir de pretexto para o cometimento de todo tipo de ilegalidade, inclusive o desrespeito à Constituição, como fizeram os integrantes da força-tarefa. Por conta desse tema simpático à população muita gente procurou aparecer na mídia com esse discurso, uma forma de enganar os eleitores menos avisados. Apenas a título de ilustração, vale lembrar que esse foi o principal mote da campanha de Aécio Neves à Presidência da República: “Chegou a hora de dar um basta à corrupção”, ele berrava em seus discursos. Meses depois descobriu-se, graças ao empresário Joesley Batista, que ele era “o mais chato dos cobradores de propina”. Foi, inclusive, flagrado pedindo R$ 1 milhão ao dono da JBS.  Se ele não fosse descoberto certamente estaria ainda hoje enganando os trouxas que, lamentavelmente, esqueceram que os mecanismos de combate à corrupção, incluindo o fortalecimento da Policia Federal, foram implantados justamente no governo de Lula.

Na verdade, hoje todo mundo sabe que o combate à corrupção, cantado em prosa e versos pela Globo,  não passou de um biombo para esconder dos olhos do povo os verdadeiros objetivos da operação Lava-Jato: impedir Lula de voltar ao poder e entregar o pré-sal para os americanos, que estão por trás do golpe que destituiu a presidenta Dilma Roussef e da própria força-tarefa. Jornalistas e políticos já haviam denunciado a participação dos Estados Unidos nesses episódios, mas muita gente só passou a acreditar nisso quando Moro, em visita àquele país com Bolsonaro, foi à CIA. Fazer o quê? Visita de cortesia por quê? Não parece difícil adivinhar o motivo da visita, que agora ficou bem claro na conversa de Dallagnol com o ex-juiz, revelada pelo The Intercept, quando disse que “certos detalhes da operação dependem de articulação com os americanos”. Aliás, um procurador norte-americano já havia feito, em evento naquele país, rasgados elogios aos procuradores da Lava-Jato, inclusive ao então Procurador Geral Rodrigo Janot,  pela cooperação com eles. Vale lembrar ainda que tudo fez parte de um plano muito mais abrangente dos norte-americanos, não apenas de olho em nossas riquezas naturais, especialmente o petróleo, mas, também, preocupados com a independência do Brasil no governo Lula, que arrancou o nosso pais das garras do Tio Sam e o tornou uma nação respeitada no mundo inteiro, ombreando-se com as grandes nações como a Russia e a China no BRICS. O presidente brasileiro, inclusive, passou a ter voz nas questões mundiais. Era preciso, portanto, impedir a sua volta ao poder.

Se não existisse, hoje, imprensa alternativa ninguém tomaria conhecimento das ilegalidades cometidas nos porões da Lava-Jato, porque a chamada Grande Imprensa, em especial a Globo, jamais divulgaria  as trapaças armadas pela força-tarefa para tirar Lula da sucessão presidencial e eleger Bolsonaro presidente. Até o surgimento da Internet, que permitiu o nascimento de blogs, sites, etc, o povo brasileiro pensava pela cabeça dos Marinho, Frias, Mesquita e Civitta. Eram eles, através do noticiário distorcido dos seus veículos, que determinavam o que a população devia saber, escondendo o que lhes era conveniente e divulgando o que poderia produzir os efeitos que atendiam aos seus interesses políticos e econômicos. Hoje, com o advento das redes sociais, isso mudou e a Globo, por exemplo, já não dá as cartas como antigamente, porque a sociedade tem outras opções para se informar. Perdeu o poder que lhe permitia mandar e desmandar no país e eleger ou derrubar governos segundo seus interesses. Mesmo fragilizada, porém, sobretudo depois que Bolsonaro lhe cortou as verbas, a emissora do Jardim Botânico ainda tenta influenciar os brasileiros, mas só consegue algum sucesso com os imbecis.

Agora mesmo se esforça, em todos os seus noticiosos, para desacreditar as denúncias do jornalista Glenn Greenwald, através do The Intercept, sobre a trama montada pelo ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Força-Tarefa para condenar e prender Lula. Ao invés de focar nas graves revelações sobre o conluio entre juiz e procuradores, um escândalo que repercutiu no mundo inteiro, dá ênfase ao que chama de “ataque  criminoso de hackers” aos celulares dos integrantes da Lava-Jato. Ao invés de preocupar-se com o conteúdo das denúncias, como faria qualquer jornalista, insiste em criminalizar o responsável ou responsáveis pelos vazamentos. Era o mesmo o que acontecia no governo de Fernando Henrique que, ao invés de mandar investigar as denúncias sobre irregularidades em setores da sua administração, mandava a policia atrás dos responsáveis pelos vazamentos. Os Marinho, porém, estão perdendo tempo e espaço em seu mais importante noticioso, o Jornal Nacional, porque não conseguem mais convencer quase ninguém, razão pela qual o JN está perdendo audiência. Eles defendem Moro porque sabem que mais cedo ou mais tarde suas ligações com ele e com as atividades da força-tarefa virão a público através das revelações do The Intercept.

O que mais surpreende, no entanto, são declarações de autoridades que, por sua posição e conhecimento, deveriam ser menos partidárias. É o caso, por exemplo, do ministro Edson Fachin, segundo o qual “a Lava-Jato trouxe novo padrão normativo, jurídico e de natureza ética”. Então está explicado o seu comportamento no Supremo: para ele, cometer ilegalidades e violar a Constituição é o “novo padrão normativo, jurídico e de natureza ética” legado por Moro. Por isso, ele vota sempre de acordo com o ex-juiz e contra qualquer possibilidade de corrigir as injustiças cometidas contra Lula. Sem dúvida quem melhor expressou o sentimento, em relação ao seu ministro da Justiça, foi o presidente Bolsonaro: “O que Moro fez não tem preço”. Realmente, não tem mesmo. Ele que o diga. Além da gratidão explícita, o capitão tem mostrado com bastante ênfase a sua solidariedade ao ex-juiz: depois das revelações do The Intercept o carrega a tira-colo para toda parte, até para o estádio de futebol.

 

07
Mai19

CONDECORADO POR BOLSONARO, OLAVO AGORA INSULTA O GENERAL VILLAS-BOAS DE FORMA ASQUEROSA

Talis Andrade

 

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SE BOLSONARO FRACASSAR, FORÇAS ARMADAS VÃO PAGAR A CONTA, DIZ VILLAS BÔAS

 

247 - O ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que reagiu aos ataques aos militares, de Olavo de Carvalho, guru do presidente da República chamando-o de "Trotsky de direita" diz que esses ataques "passaram do ponto" e critica a postura de Carvalho de se arvorar a tutelar o país. Para ele, se o governo Bolsonaro não der certo, uma parte da conta será debitada aos militares.

 

Em entrevista à jornalista Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo, o general, considerado um dos nomes de maior influência e autoridade das Forças Armadas, foi o porta-voz da corporação na resposta aos ataques do guru de Bolsonaro ao ministro-chefe da Secretaria de Governo, general santos Cruz e aos militares em geral. Olavo de Carvalho eo seus acólitos de ultradireita no governo, incluindo os filhos de Bolsonaro, têm atacado sistematicamente militares de alta patente com cargos no governo, inclusive o general da reserva e vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

Villas Bôas hoje também está na reserva e ocupa um cargo de assessoria especial no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), cujo titular é o general Augusto Heleno.

Ele defende a presença de militares no governo, afirmando que "Bolsonaro entendeu que trazer militares para trabalhar em setores do governo seria uma cooperação importante para o restabelecimento da capacidade de gestão e a busca de combate à corrupção. Isso não significa que as Forças Armadas estão participando do governo, mas trazendo consigo seus valores".

O general Villas Bôas insiste em que Olavo de Carvalho "passou do ponto", "já vem passando do ponto há muito tempo, agindo com total desrespeito aos militares e às Forças Armadas".

Comenta sobre o baixo nível dos comentários e a grosseria de Carvalho: "É impressionante que ele, como um homem que se pretende culto e inteligente, desconhece normas elementares de educação. É também muito grave a maneira como ele se refere com impropérios a oficiais da estatura dos generais Mourão (vice-presidente da República), Santos Cruz (ministro da Secretaria de Governo) e Heleno (ministro) e aos militares em geral.

Villas Bôas vai fundo ao se referir à personalidade e às intenções do guru de Bolsonaro : "Às vezes, ele me dá a impressão de ser uma pessoa doente, que se arvora com mandato para querer tutelar o País".

Ressalvando que considera a posição de Bolsonaro como de "respeito, admiração e apoio às Forças Armadas", o general critica o guru Olavo de Carvalho e seus seguidores, incluindo os filhos do presidente. Considera os ataques às Forças Armadas um "resultado de uma certa influência do sr. Olavo num grupo importante de apoiadores de Bolsonaro".

Villas Bôas considera "uma inverdade que beira o ridículo" a tese dos olavistas de que os militares querem assumir o poder em dois anos, com o vice Hamilton Mourão e nega que o general Santos Cruz vá sair do governo o governo.

Ao final da entrevista, o general Villas Bôas faz uma constatação que já preocupa as Forças Armadas, o mundopolítico e parte da população: "Embora o que estejamos vivendo não represente as Forças Armadas no governo, mas pela importante presença dos militares em cargos de chefia, certamente uma parte da conta [se o governo não der certo] será debitada aos militares. 

Leia a íntegra 

 

A CROPOLOGIA DE OLAVO DE CARVALHO

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Na crise mais grave na ala militar do governo, o guru do clã Bolsonaro, Olavo de Carvalho, diz aquilo que o presidente gostaria de dizer mas não pode e manda um recado envolto em extrema agressividade ao general Villas-Boas, que sofre de grave doença. Olavo publicou em seu Twitter: "a quem me chama de desocupado não posso nem responder que desocupado é o cu dele, já que não para de cagar o dia inteiro."

Veja o Twitter de Olavo de Carvalho: 

Olavo de Carvalho@opropriolavo
 

A quem me chama de desocupado não posso nem responder que desocupado é o cu dele, já que não para de cagar o dia inteiro.

 

BOLSONARO DECLARA GUERRA AOS GENERAIS COM NOVO ELOGIO A OLAVO DE CARVALHO

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Um dia depois das agressões de Olavo de Carvalho aos generais Santos Cruz e Villas Boas, Jair Bolsonaro escolheu seu lado na guerra: o do 'guru' e astrólogo Olavo de Carvalho. Em sua conta no Twitter, Bolsonaro afirma que "Olavo, sozinho, rapidamente tornou-se um ícone verdadeiro fã para muitos. Seu trabalho contra a ideologia insana que matou milhões no mundo e retirou a liberdade de outras centenas de milhões é reconhecida por mim", postou.

Ainda na postagem, Bolsonaro ressalta que "sua obra em muito contribuiu para que eu chegasse no Governo, sem a qual o PT teria retornado ao poder. Sempre o terei nesse conceito, continuo admirando o Olavo", escreveu. No fim do post, ele reserva uma linha meramente formal aos militares ao afirmar que "quanto aos desentendimentos ora públicos contra militares, aos quais devo minha formação e admiração, espero que seja uma página virada por ambas as partes", finaliza.

Leia o tweet de Bolsonaro:

Ver imagem no Twitter

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro
 

🇧🇷

 

Ontem, Bolsonaro havia dito que 'é tudo um time só', tentando minimizar a crise entre militares e olavistas, mas voltou a jogar gasolina na fogueira da crise ao apoiar explicitamente Olavo de Carvalho. Ele foi secundado por seu filho Eduardo Bolsonaro, que na manhã desta terça distribuiu um tweet com rasgados elogios ao 'guru' do clã". "Olavo @opropriolavo fala sobre o motivo do brasileiro ser pobre, do poderio bélico na América Latina, PT, FARC e cenário político regional. Só um detalhe: esse vídeo não é de hoje, é de 2005", diz Eduardo na postagem. 

09
Jan19

Militar ultraneoliberal e a jabuticaba

Talis Andrade

 

 
 
Por Bepe Damasco

Poucos dias de governo Bolsonaro já são suficientes para conhecermos parte significativa de suas entranhas, do jogo do poder que se dá a partir dos núcleos que o compõem, do papel de cada um desses grupos, das divergências reais e potenciais entre eles.

Na visão do arguto e sempre lúcido analista Luis Nassif, corroborada por outros respeitáveis comentaristas, o governo que resultou da ação política de militares e juízes, para cuja conquista Bolsonaro foi usado como cavalo de Tróia, se divide da seguinte forma:

Núcleo militar – Os militares ocupam, além da vice-presidência, sete ministérios importantes e, inebriados pela retomada do protagonismo político, trabalham para aprofundar e estender seu raio de ação e influência por meio da obtencão de cargos no segundo e terceiros escalões.

Núcleo fundamentalista e religioso – Formado por retardados mentais que rezam na cartilha de manicômio de Olavo de Carvalho – casos dos ministros das Relações Exteriores e da Educação –, ou vociferam teses oriundas de um fanatismo religioso de inspiração medieval, como a inacreditável ministra-pastora Damares.

Núcleo de Bolsonaro – Ao presidente, incapaz de articular, diante de câmeras e microfones, três frases consecutivas que façam algum sentido, cabe apenas o papel de disseminar fake news via twitter, com ataques ao PT, aos movimentos sociais e à esquerda, para manter viva a guerra ideológica da campanha eleitoral.Também integram esse time seus filhos, prontos para dar pitacos de teor fascista e obscurantista em todas as áreas, e o general Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
 
Núcleo do estado policial – Moro, como prêmio por ter alijado Lula das eleições, ganhou superpoderes que vão do controle da Polícia Federal ao Coaf (o que lhe permitirá monitorar a movimentação bancária de opositores e jornalistas), passando pela formulação e execução de políticas de segurança pública. Sua principal missão é consolidar o estado policial no país.

Núcleo rentista – Chefiado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, esse agrupamento de convicções ultraneoliberais não medirá esforços para liquidar direitos trabalhistas, previdenciários e sociais. De sua agenda consta também a venda de todo o patrimônio da nação. Testa de ferro dos banqueiros no governo, Guedes de tudo fará para honrar a confiança da banca.

Com algumas nuances, penso que essa seja mesmo a radiografia que mais se aproxima da realidade da divisão de poder em Brasília. O problema está na aposta de alguns de que os militares sejam capazes de, por conta de sua formação pautada na disciplina, hierarquia e racionalidade, imprimir um mínimo de moderação e impedir que os rumos do governo sejam 100% ditados pelo mercado.

Ledo engano. O sentimento nacionalista que marcou gerações das Forças Armadas ficou no passado. Não por acaso elas assistem passivamente à entrega do pré-sal, uma riqueza estratégica do país e que poderia ser o passaporte para o futuro do povo brasileiro, como dizia Lula, às petroleiras estrangeiras. Cabe lembrar que o almirante que assumiu a pasta das Minas e Energia prometeu durante sua cerimônia de posse priorizar a privatização da Eletrobrás.

Que não nos iludamos: o antipetismo visceral da caserna, que tomou o lugar do anticomunismo dos tempos da guerra fria e da doutrina da segurança nacional, empurrou a esmagadora dos militares de alta e baixa patente, da ativa e da reserva, para o ultraneoliberalismo, fenômeno que deve ser exclusividade nativa. 

Não é por outro motivo que o general Villas-Bôas, que não hesitou em pressionar e coagir o STF para manter Lula preso, se calou ante o congelamento de gastos sociais por 20 anos, a liquidação da CLT e, na certa, apoia a reforma da Previdência, desde que ela não mexa nos privilégios da tropa.
 
03
Jan19

Bolsonaro a Villas Bôas:"O que conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui"

Talis Andrade

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por Ricardo Della Coletta

El País 

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O presidente Jair Bolsonaro, o primeiro militar reformado a chegar ao poder pelo voto desde os anos 40, foi pessoalmente prestigiar a cerimônia de transmissão de posse do cargo de ministro da Defesa, e iniciou seu discurso com uma declaração de agradecimento dirigida ao atual comandante do Exército, general EduardoVillas Bôas: “Meu muito obrigado, comandante [do Exército, general Eduardo] Villas Bôas. O que nós já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui", disse.

O novo mandatário do Brasil, que tem hoje seu primeiro dia de trabalho depois de empossado, não deu qualquer detalhe adicional sobre a declaração. Villas Bôas, que deixa o cargo e sofre de doença degenerativa, é considerado um oficial respeitado e moderado. Sua passagem mais controversa foi ter se manifestado no Twitter um dia antes do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal, falando contra a "impunidade". Na ocasião, o decano do STF, Celso de Mello, repudiou a manifestação.

O restante do breve discurso de Bolsonaro na cerimônia foi marcado por elogios às forças armadas e à carreira militar, além de críticas veladas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois de citar ações dos ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco que, segundo Bolsonaro, valorizaram as carreiras militares, Bolsonaro emendou: “Depois tivemos o outro governo, vocês sabem qual foi Tivemos alguns problemas, mas prosseguimos a nossa jornada”, disse.

“Como regra, fomos um tanto quanto esquecidos, porque as forças armadas são na verdade um obstáculo para os que querem usurpar do poder”, acrescentou. “O tempo passou, as FAs sofreram um brutal desgaste junto à classe política, mas não junto ao povo brasileiro, que continuou acreditando em nós”, concluiu.

 

23
Nov18

Toffoli e a tutela militar

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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Quando foi anunciado como Ministro da Defesa por Bolsonaro em 13/11/2018, o general Fernando Azevedo e Silva exercia o cargo de Assessor Especial, nível CJ-3, no gabinete do presidente do STF, Dias Toffoli [Portaria de nomeação nº 265, de 27/9/2018].
 
 
Não é o caso de se questionar as habilidades, o caráter ou os atributos profissionais do ex-Chefe do Estado-Maior do Exército; mas sim de se interrogar sobre a presença, no mínimo insólita, de um general do Exército como Assessor Especial da presidência da Suprema Corte – fato, aliás, sem precedentes nem mesmo nos períodos ditatoriais.
 
 
A tutela militar do STF 
 
 
Circula na internet texto do advogado Paulo Carvalhosa denunciando que o STF esteve sob intervenção militar durante o período eleitoral. Detalhe: o citado autor não esconde seu anticomunismo, e o saite que repercutiu o texto tem clara inclinação anticomunista.
 
 
No texto, o advogado sustenta que a imposição do general Azevedo e Silva a Dias Toffoli teria sido decidida em “reunião de urgência” do Alto Comando das FFAA na noite de 6 de setembro, realizada horas após o ataque à faca a Bolsonaro:
 
 
reunião foi presidida pelo general Eduardo Villas Bôas, […] que buscou aplacar os ânimos, porque já tinha oficial graduado pronto para pôr a tropa na rua em direção à Brasília.
 
 
O oficialato, especialmente um, da ativa, declarou em alto e bom som, para quem quisesse e não quisesse ouvir, que não havia mais poderes republicanos no País e, que o Executivo e o Legislativo haviam perdido toda e qualquer legitimidade para governar, até porque havia o risco do STF, aparelhado pelo MDB, PT e PSDB, libertar o Lula e os demais réus da Lava-Jato, colocando-os na rua para fazerem campanha, acuando assim, mais ainda, a candidatura de Bolsonaro, sobrevivesse ele, ou não, ao atentado, até porque a soltura de Lula chamaria todas as atenções para o fato, desviando-se a atenção pública do tentado assassinato de Bolsonaro, àquela altura, lutando para sobreviver.
 
 
Passava das altas horas quando a solução provisória foi sugerida por um pequeno colegiado de militares moderados: colocar um general da reserva, porque se fosse da ativa, ofenderia e o clamor seria muito maior, que conhecesse a tropa e o oficialato, e fosse calmo, convincente, culto, político e cerebrino, no seio do STF, recaindo a escolha sobre Fernando Azevedo e Silva”.
 
 
É provável que a reunião, com o clima nervoso relatado, tenha de fato acontecido na noite daquele 6 de setembro. A decisão de nomear o general Azevedo e Silva no STF, porém, não foi tomada naquela circunstância; já tinha sido decidida 3 dias antes.
 
 
Em 3/9/2018 o saite da Marinha informou que “O ministro Dias Toffoli, do STF, está prestes a assumir o comando da mais alta corte do país e começa aos poucos montar a sua equipe de assessoria. Uma das ações do ministro tem sido sinalizar com as Forças Armadas. Ele teria entrado em contato com o Comandante-Geral do Exército, General Eduardo Villas Bôas, e pedido uma indicação para compor a sua assessoria pessoal. Conforme as informações, o General atendeu o ministro e apontou um nome de confiança”.
 
 
A reportagem da Marinha estranhamente também abordou temas que extrapolam a alçada das FFAA definida pela Constituição brasileira. Em um trecho, diz que “Em seu gabinete, o ministro encontrará vários assuntos polêmicos para resolver, um deles, por exemplo, é a prisão após a condenação em segunda instância. O ministro pretende voltar nesse assunto no mês de março de ano que vem e uma nova votação pode ser feita, criando ânimos nos advogados dos réus da Operação Lava Jato”.
 
 
A reportagem finaliza com uma advertência: “Toffoli, em várias de suas decisões, se mostrou favorável a um novo entendimento sobre a prisão após a condenação em segunda instância, entretanto, por várias vezes, ele foi vencido pela resistência de Cármen Lúcia. Os procuradores da Operação Lava Jato e o juiz federal Sérgio Moro são defensores da prisão em segunda instância e, para eles, mudar a jurisprudência do tribunal, seria retroceder no combate à corrupção”.
 
 
Também no dia 3/9, reportagem do G1 noticiou que “O nome que Villas Bôas indicou é o do general de Exército Fernando Azevedo e Silva”.
 
 
Os afagos do Toffoli aos militares

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Toffoli não tem brilho jurídico próprio e, do ponto de vista jurídico e intelectual, é tíbio demais para alguém que ocupa o cargo de juiz da Suprema Corte.
 
 
Examinando-se a atuação conivente do Toffoli nos momentos de ofensa à Constituição que levaram ao golpe, à instalação do Estado de exceção e à farsa jurídica que impediu a eleição do Lula, a indicação dele para o STF revelou-se um equívoco mortal do governo Lula.
 
 
Por razões que a vida ainda se encarregará de esclarecer, Toffoli enganchou-se numa aliança com o colega Gilmar Mendes, de quem se tornou dependente e linha auxiliar na política interna do STF – lugar que lhe assegurou sobrevivência institucional e progresso na carreira.
 
 
Antes de assumir a presidência do STF e depois, já no cargo, Toffoli passou a afagar os militares ao assumir a agenda política que interessa ao alto comando das FFAA na conjuntura:
 
 
– em julho, abandonou seu entendimento original e comprometeu-se a pautar somente em 2019 o julgamento da inconstitucionalidade de prisão antes de sentença condenatória transitada em julgado. Comprometeu-se, em última análise, em manter a exceção jurídica para deixar Lula em cárcere político por um longo tempo;
 
 
– em setembro, nomeou o general Azevedo e Silva Assessor Especial e cassou ilegalmente decisão do colega Ricardo Lewandowski que autorizava Lula conceder entrevistas à Folha de São Paulo e ao El País – ou seja, instaurou a censura prévia da imprensa, cassou a liberdade de expressão e sequestrou os direitos civis e políticos do Lula;
 
 
– em outubro, “decretou” a mudança da historiografia brasileira ao afirmar que “Hoje, não me refiro nem mais a golpe nem a revolução. Me refiro a movimento de 1964”. Neste caso, Toffoli adula as FFAA com nível tal de submissão inalcançável até para a Rede Globo.
 
 
– em novembro, permaneceu em necrótico silêncio diante da grave declaração do general Villas Bôas confessando que ameaçou o STF em comportamento idem ao filho do Bolsonaro: “Eu reconheço que houve um episódio em que nós estivemos realmente no limite, que foi aquele tuíte da véspera da votação no Supremo da questão do Lula”.
 
 
Conviria a Dias Toffoli prestar explicações à sociedade. Primeiramente, a respeito das razões e motivações que justificariam a inédita nomeação de um general para assessorar a Suprema Corte do país.
 
 
E, em segundo lugar, ele poderia esclarecer acerca dos motivos que, 45 dias depois da nomeação, tornaram desnecessária a assessoria do general. Deu-se por encerrada alguma missão ou etapa de missão? E, neste caso, qual missão?
 
 
O assanhamento dos militares na arena política e a luta que travam por espaços no poder de Estado e na república infringe o artigo 142 da Constituição brasileira.
 
 
Toffoli precisa deixar claro se está sendo conivente com o avanço do militarismo como poder de mando real, ou se é refém de uma “ditadura eleita”, que tutela o STF e todo o judiciário.
 
 
19
Set18

Eleições e tutela militar

Talis Andrade

 

Na melhor das hipóteses, ocorrendo as eleições, assistiremos o avanço da tutela militar sobre o sistema político, seja para moderar o PT como governo, seja para moderar o PT e os movimentos sociais como oposição ao governo

 

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Por Aloysio Castelo de Carvalho

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A última manifestação militar de cunho político no governo Dilma, com grande repercussão na opinião pública, ocorreu em agosto de 2015, no Dia do Soldado, em torno da declaração do general de Exército Mourão, então comandante do Comando Militar do Sul, hoje candidato à vice-presidente na chapa do capitão Bolsonaro pelo Partido Social Liberal. O general Mourão afirmou diante da tropa, em Porto Alegre, que ainda tínhamos inimigos internos, mas que eles se enganavam achando que os militares estavam desprevenidos. Ao analisar o discurso do general, o historiador José Murilo de Carvalho publicou em O Globo um artigo no qual exaltava o silêncio das Forças Armadas como a característica positiva da crise política. Disse ainda que a ausência de manifestações de chefes militares da ativa era a garantia de que não haveria abalos constitucionais. E concluiu, de forma equivocada, que poderia haver até impeachment da presidente, mas não golpe.

 

Quando empregou o termo golpe, o historiador se referiu, evidentemente, ao golpe civil-militar de 1964. Ocorre que o termo golpe passou a ser usado de forma mais ampla, sendo também associado ao processo de impeachment da presidente Dilma. Ganhou representatividade nos debates públicos a ideia de que o impeachment sem fato determinado, sem crime da responsabilidade, afrontou a norma constitucional e representa a ruptura da ordem jurídica, devendo ser considerado um golpe.

 

Como compreender a participação dos militares na crise política atual e no âmbito da disputa interpretativa se o impeachment foi um golpe?

 

Acreditamos que a maior visibilidade das atuações das instituições envolvidas com o processo político jurídico que levou ao julgamento do impeachment da presidente Dilma, sobretudo as instituições comprometidas diretamente com a tomada de decisão sobre o caso - a Câmara dos Deputados, o Senado e o Supremo Tribunal Federal – não diminui a importância do papel de vigília que as Forças Armadas têm desempenhado sobre o sistema político nem, tampouco, retira a responsabilidade da instituição militar sobre o desfecho da crise em curso.

 

Inicialmente é preciso lembrar que a Constituição de 1988, no que trata das funções das Forças Armadas, manteve na essência antigas cláusulas constitucionais, cabendo-lhes a garantia da lei e da ordem e também a dos poderes constitucionais. Uma vez que às Forças Armadas, segundo a Constituição vigente, foram atribuídas o papel de zelar pela segurança interna e externa, elas continuaram a manter as condições para julgar se devem ou não intervir em situações de crise, como sempre fizeram desde a instituição da República. Enfim, os militares continuaram, após sua retirada do exercício direto do poder, em 1985, a controlar posições estratégicas do aparelho de Estado, a exercer influência política e a deter prerrogativas incompatíveis com o regime democrático.

 

Seria um equívoco sustentar que uma instituição poderosa como as Forças Armadas, de importância vital na condução dos destinos do Estado, não estivesse processando, entre seus comandantes chefes, uma constante avaliação da atual crise política. Essa observação pode ser confirmada pela declaração do comandante-geral do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, divulgada no dia 19 de abril de 2016, Dia do Exército, no Centro Universitário de Brasília (Uniceub). O general refutou a possibilidade de intervenção das Forças Armadas na atual crise política. Segundo o general:

 

“As Forças Armadas não existem para fiscalizar governos nem para derrubar governos. Temos de contribuir para a legalidade, dar condição para que as instituições continuem trabalhando e encontrem caminhos para superar o que estamos vivendo. Vimos que os embates (políticos) tem sido acirrados, mas as instituições estão funcionando”

 

Embora Villas Bôas tenha dito que a intervenção militar em 1964 foi um erro das Forças Armadas, qual o real significado das palavras do general, se não quisermos cair na armadilha do discurso não intervencionista? A avaliação apresentada pelo general do Exército era representativa das Forças Armadas e estava de acordo com os argumentos e decisões tomadas pelas instituições envolvidas no processo de impeachment da presidente Dilma. Segundo o general, a crise política estava sendo enfrentada com base nas regras constitucionais. Se impeachment se consolidasse, argumentou, a modificação dos ocupantes na direção do governo teria seguido o curso de um processo legal. Nesse sentido, associar as palavras do general a uma posição de não intervencionismo das Forças Armadas na crise política que levou ao impeachment é uma falácia. O intervencionismo das Forças Armadas se expressou através do consentimento com todo o processo político jurídico que destituiu a presidente Dilma. Ou seja, as Forças Armadas validaram o processo político que levou ao impeachment da presidente Dilma, diferentemente da intervenção direta ocorrida em 1964, quando a instituição militar tomou o Estado e mudou as regras políticas.

 

Há, todavia, um outro dado que joga por água abaixo as análises segundo as quais as Forças Armadas brasileiras estariam experimentando um novo papel na atualidade, mais adequado às democracias contemporâneas. Com o afastamento de Dilma, o governo Temer assumiu uma agenda governamental comprometida com o projeto neoliberal a fim de promover um novo choque de capitalismo no país. Ao fracasso do governo Temer em recuperar o crescimento econômico e melhorar os indicadores sociais somou-se o fracasso da coalizão golpista em impedir Lula e o PT de influenciar o processo eleitoral. Com Haddad em segundo lugar na corrida presidencial e com possibilidade de vitória no segundo turno, a eleição passou a ser alvo de questionamento pelo representante da extrema direita, capitão Bolsonaro. Em vídeo gravado no hospital, o candidato clamou pelo golpe e afirmou que o PT estaria no comando de uma fraude eleitoral para obter a vitória nas eleições presidenciais. Dessa forma, Bolsonaro repercutiu as palavras do general Villas Boas que passou a questionar a legitimidade das eleições após a tentativa de assassinato do candidato do Partido Social Liberal.

 

O que se assiste não é necessariamente uma conspiração para a execução de um golpe nos moldes de 1964. Trata-se de uma tentativa intimidar as forças democráticas e, ao mesmo tempo, ampliar o espaço para a ingerência das Forças Armadas no processo político. Na melhor das hipóteses, ocorrendo as eleições, assistiremos o avanço da tutela militar sobre o sistema político, seja para moderar o PT como governo, seja para moderar o PT e os movimentos sociais como oposição ao governo.

 

Se esse cenário se confirmar, estaríamos vivenciando a materialização de um dos aspectos do projeto de distensão/abertura, comandado pelos generais Geisel e Figueiredo, entre 1974 e 1985. A liberalização previa a retirada das Forças Armadas direção do Estado e a sua substituição por um esquema civil de confiança baseado no partido do governo, de modo a preservar os interesses institucionais das corporações. Como integrantes do aparelho de Estado, os militares deveriam continuar a exercer influência sobre as questões em discussão pelos atores do sistema político e da sociedade civil, a fim de garantir um poder político voltado, sobretudo, para bloquear a participação popular autônoma e moderar sua força tanto na constituição de governos quanto na formação das suas decisões.

 

A tutela militar sempre fez parte do universo ideológico dos dirigentes de 1964. Devemos lembrar que a liberalização anunciada pelo regime representou, em linhas gerais, a retomada do projeto do presidente Castelo Branco, do qual Geisel fora um dos artífices. Os dirigentes militares encaminharam as mudanças liberalizantes de modo que o aparelho militar pudesse se retirar gradativamente do exercício direto do Estado sem, no entanto, perder a capacidade de influenciar as decisões governamentais. Não foi outro o motivo da promulgação de uma lei de anistia, no governo Figueiredo, que enfatizava a fórmula do esquecimento dos atos repressivos praticados no passado. Ao não permitir qualquer revisão judicial de suas ações, o aparelho militar protegeu sua autonomia, reforçando o sentimento de impunidade e de imunidade das Forças Armadas. A sociedade, por sua vez, deixou de conhecer, naquele momento da transição, os agentes diretamente implicados nas atrocidades cometidas e as engrenagens dos aparatos repressivos, fundamentais na sustentação do regime militar. Como não foram cobradas responsabilidades pelos atos repressivos, a instituição militar não foi colocada no centro de um amplo debate nacional sobre os papéis que vinha cumprindo na esfera política e a opinião pública não colocou em discussão os valores éticos necessários para a construção de uma autêntica democracia.

 

A construção da democracia no Brasil hoje exige respeito às normas constitucionais, de modo que o poder militar em toda a sua expressão recolha-se às suas atribuições profissionais e subordine-se à autoridade de um governo civil legitimado nas urnas.

 

18
Set18

GENERAL VILLAS BOAS CHANTAGEIA A JUSTIÇA

Talis Andrade

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por Luiz Eduardo Soares

 

O tuíte do general Villas Boas, comandante do Exército, é a maior chantagem à Justiça desde a ditadura. O Supremo tem, agora, uma arma apontada contra os juízes: ou votam contra o HC de Lula e pela prisão em segunda instância, ou… ou o que, general? Traem a pátria? Traem o interesse público? Contrariam suas convicções pessoais? Desagradam sua corporação?

 

Se o ministro Fachin tinha sido ameaçado, agora teria razões para denunciar a chantagem. Vivemos uma sequência de ataques à democracia e à independência dos poderes. Marielle e Anderson assassinados, a caravana de Lula agredida com tiros e impedida, pela violência, de seguir viagem, a mídia ensandecida porque a direita não encontra um candidato viável.

 

Querem o quê? Prender Lula? Se não bastar, pretendem o quê? Suspender as eleições ou neutralizá-la com o parlamentarismo tirado do bolso do colete nas vésperas do pleito? O que muita gente boa parece não entender é que o impeachment, na atmosfera envenenada por um antipetismo patológico, abriu caminho para que saíssem do armário todos os espectros do fascismo.

 

Não sou petista: sou anti-anti-petista. O anti-petismo é o ingrediente que faz as vezes do anti-semitismo, na Alemanha nazista. O anti-petismo identifica O CULPADO de todas as perversões, o monstro a abater, o bode expiatório, a fonte do mal. O anti-petismo gerou o inimigo e gestou a guerra político-midiática para liquidá-lo, guerra que se estende, sob outras formas (mas até quando?), às favelas e periferias, promovendo o genocídio de jovens negros e pobres, e aniquilando a vida de tantos policiais, trabalhadores explorados e tratados com desprezo pelas instituições.

 

Há um fio de sangue que liga as palavras ameaçadoras do general, interferindo na autonomia do Supremo, na véspera do julgamento do Habeas Corpus de Lula, a agenda regressiva que cancela direitos, as balas contra a caravana de Lula e a execução de Marielle e Anderson. Os autores não são os mesmos, e existem contradições entre eles, mas há uma linha de continuidade porque todas ocorrem no cenário de degradação institucional criado pelo anti-petismo e nele se inspiram.

 

Ser contrário ao anti-petismo, mesmo não sendo petista, é necessário para resistir ao avanço do fascismo. Os que votaram pelo impeachment e, na mídia, incendiaram os corações contra Lula e o PT, sem qualquer pudor, não tendo mais como recuar, avançam ao encontro da ascensão fascista, que ajudam a alimentar, voluntária e involuntariamente. Não podemos retardar a formação de ampla aliança progressista pela democracia, uma frente única anti-fascista.

 

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15
Set18

Silêncio de Temer na prática estimula militares a pressionar e apavorar a Nação

Talis Andrade

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por Mário Augusto Kakobskind
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No Uruguai o Presidente Tabaré Vasquez ordenou a prisão por 30 dias do comandante do Exército, Guido Manini Ríos. Motivo, o militar fez críticas ao projeto de reforma da aposentadoria militar e ainda considerou que o Ministro do Trabalho, Ernesto Murro, não estava bem informado sobre seus efeitos.
 
Já no Brasil o comandante do Exército, Villas Bôas declarou o que declarou, muito pior que o militar uruguaio, e nada aconteceu, porque o lesa pátria Michel Temer ficou em silêncio total. Villas Bôas foi aplaudido pelo candidato Geraldo Alckmin, o que não chega a ser uma surpresa, por se tratar de quem se trata.
 
Na verdade, o candidato Ciro Gomes, pelo menos até agora, foi o único a criticar Villas Bôas chegando a afirmar que se fosse no governo dele o militar perderia o cargo e poderia ser preso.
 
É por aí que se deve responder aos militares que seguem se considerando tutores da nação e volta e meia fazem declarações que levam o povo a temer e se preocupar com esse tipo de  declaração.
 
É preciso acabar com isso e fazer com que Villas Bôas e demais militares não repitam as declarações que deixam a população brasileira preocupada. É preciso lembrar também que  abril de 1964, quando ocorreu o primeiro golpe de estado, não pode se repetir, até mesmo guardando-se as devidas diferenças entre aquele tempo e o momento de 2018.
 
Na verdade, o silêncio de Temer na prática estimula a repetição do tipo de declaração feita por Villas Bôas.
 
Vale assinalar também que o Uruguai atravessou uma ditadura e nem por isso o Presidente Tabaré Vasques, que ocupa o cargo de forma legítima, através do voto, silenciou.
 
No Brasil com um Presidente ilegítimo e lesa pátria como Temer na prática se estimula os militares a se pronunciarem de forma a preocupar quem tem memória e não quer ver o país mergulhado em ainda maior retrocesso institucional que o atual.
 
Em suma, enquanto quem as Forças Armadas devem respeitar, ou seja, o Presidente da República, silenciar diante da pressão das declarações de Villas Bôas, o Brasil seguirá correndo riscos de maiores retrocessos institucionais.
 
Por isso é necessário a população brasileira ficar alerta. Até porque, se o empresariado apoiar os militares, a história poderá se repetir, mesmo como farsa.
 
Nesse sentido é urgente e necessário fazer duras críticas aos militares que ainda se consideram tutores da nação. E, claro, ficar atento ao posicionamento de grupos empresariais.
13
Set18

Lição de Democracia: URUGUAI MANDA PRENDER COMANDANTE DO EXÉRCITO POR DAR OPINIÃO SOBRE LEI

Talis Andrade

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O comandante em chefe do Exército do Uruguai, Guido Manini Ríos, ficará preso por 30 dias porque opinou sobre um projeto de lei proposto pelo governo do país. De acordo com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, [o militar] atua de boa fé e com a lealdade institucional que devem ter as Forças Armadas, mas se equivocou". "Em função disso, sofreu sanções", afirmou Vázquez, segundo declarações difundidas no portal da Presidência. O governo tenta passar no Parlamento uma reforma do sistema de pensões militares e uma nova lei orgânica para as Forças Armadas. A sanção foi imposta na segunda-feira (10).

 

A Presidência afirma na internet que, segundo a Constituição e outras normas locais, os militares “não podem interferir com opiniões sobre projetos de lei”. O artigo 77 da Constituição do Uruguai estabelece que os militares em atividade deverão se abster de "fazer parte de comissões ou de clubes políticos, de subscrever a manifestos de partidos, de autorizar o uso de seu nome e, de modo geral, de executar qualquer outro ato público ou privado de caráter político, exceto o voto".

 

A punição ao militar imposta aconteceu um dia após o chefe das Forças Armadas no Brasil, general Eduardo Villas Bôas, opinar sobre política e dizer que os militares não aceitariam a candidatura Lula. "O pior cenário é termos alguém sub judice, afrontando tanto a Constituição quanto a Lei da Ficha Limpa, tirando a legitimidade, dificultando a estabilidade e a governabilidade do futuro governo e dividindo ainda mais a sociedade brasileira. A Lei da Ficha Limpa se aplica a todos", disse ele em entrevistaà jornalista Tânia Monteiro.

 

Também muito grave foi apoiar as declarações do capitão Jair Bolsonaro e do general Mourão, oficiais da reserva candidatos a presidente e vice-presidente, idolatrando o torturador coronel Ustra, e promovendo a apologia da violência: "Heróis matam". 

 

Escreve Flávia Marreiro, in El País, Espanha: "Nos últimos dois anos, Mourão vinha criticando o poder político, algo inusual para alguém da ativa desde a redemocratização. Em setembro passado defendeu publicamente uma intervenção militar e, em dezembro, disse que o Governo Michel Temer só estava de pé porque mantinha 'um balcão de negócios' e disse que, se o Judiciário não agisse, era melhor os militares fazerem. Esse histórico recente não impediu Mourão de se despedir da carreira no prestigioso cargo de secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército, responsável pelo orçamento da força. Fez ainda seu último discurso como general em uma concorrida cerimônia no Salão de Honras do Comando Militar do Exército, em Brasília, no qual decidiu nada menos do que chamar de 'herói' o coronel Carlos Brilhante Ustra (1932-2015). Ustra foi chefe de um importante centro da repressão durante a ditadura militar e reconhecido como torturador pela Justiça brasileira e pelo relatório oficial da Comissão Nacional da Verdade, de 2014." Leia mais

 

O candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, afirmou nesta quarta-feira, durante sabatina promovida pelos jornais O GLOBO, Valor Econômico e a revista Época, que os militares não participarão de forma política de seu governo, caso seja eleito. Ele também criticou Jair Bolsonaro, do PSL, e seu vice, o General Mourão, a quem chamou de 'jumento de carga'.

 

Segundo Ciro, seu projeto de país "não existe sem Forças Armadas fortes", mas evocou a Constituição para criticar, de forma dura, a intromissão de líderes militares da ativa na vida política nacional:

 

- Sob ordem da Constituição, eu mando e eles obedecem. Quero as Forças Armadas modernas, poderosas, mas militar não fala em política no meu governo - afirmou.

 

Ao falar sobre declarações do general Villas Boas, comandante do Exército, que questionou a legitimidade do futuro governo, Ciro disse que o militar sofreria consequências caso o pedetista fosse presidente:

 

- Estaria demitido e provavelmente pegaria uma "cana".

 

- Mas deixa eu explicar, ele está fazendo isso para tentar calar a voz das "cadelas no cio" que embaixo dele estão se animando com essa barulheira. Esse lado fascista da sociedade brasileira - afirmou Ciro, subindo o tom das críticas também ao vice na chapa de Jair Bolsonaro:

 

- Esse general Mourão, que é um jumento de carga, tem uma entrada no Exército e agora se considera tutor da nação. Os brasileiros têm que deixar muito claro que quem manda no país é o povo - disse Ciro, que também criticou os filhos de Bolsonaro.

 

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Os filhos de Bolsonaro, candidatos a senador e a deputado federal, são admiradores do coronel Ustra, assassino e torturador, inclusive, de crianças  

 

 

 

 

11
Set18

Os generais de Temer não admitem volta da esquerda ao poder

Talis Andrade

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Os generais de Michel Temer decidiram que a esquerda não voltará ao poder. Usarão os meios necessários para consolidar a farsa do impeachment, o golpe que derrubou Dilma Rousseff. Os únicos meios que os gorilas conhecem: a força bruta, a repressão, a censura, o pega para capar do coronel Brilhante Ustra, do delegado Sérgio Fleury, que os "heróis matam" depois de torturar. 

 

Se esta a decisão da lei das selvas, por que a farsa das eleições, da legalização dos partidos de esquerda, o teatro de que o Brasil continua um país democrático, e de que teremos eleições livres? 

 

Se os generais ameaçam que a esquerda não voltará ao poder, não existe mais a garantia da posse dos eleitos pelo voto direto, secreto e soberano do povo em geral. Que voltou a valer a matemática nazi-fascista: o voto de um general vale mil votos de uma lavadeira.

 

Pobre Brasil! Não existe golpe sem presos políticos, tortura e morte. Fica justicada a morte de Marielle Franco. 

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O papa Francisco e a mãe de Marielle  

 

 

 

 

Cúpula militar não admite volta da esquerda ao poder

por Valter Pomar

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Há 45 anos, num 11 de setembro, o presidente Salvador Allende foi derrubado por golpistas dirigidos por um general de quem se dizia ser profissional e legalista.
 
Domingo, dia 9 de setembro de 2018, o general Villas Boas, comandante do exército brasileiro, apontado por alguns como profissional e legalista, concedeu mais uma entrevista, desta vez ao jornal O Estado de São Paulo.
 
Nesta entrevista, o general Villas Boas opinou sobre o processo político e eleitoral brasileiro.
 
A entrevista atualizou e aprofundou opiniões manifestadas anteriormente pelo general, como na entrevista concedida ao Valor, em fevereiro de 2017.
 
A esse respeito, ler aqui:
 
A entrevista dada no dia 9 de setembro de 2018 confirmou os alertas feitos no texto disponível no seguinte endereço:
 
Um governo democrático deveria demitir o general, porque suas posições são inaceitáveis.
 
Mas não são posições surpreendentes.
 
Ele é o principal porta-voz da cúpula das forças armadas brasileiras.
 
E na cúpula das forças armadas predomina a decisão de impedir, pelos meios que forem necessários, que a esquerda volte a governar o Brasil.
 
Não é apenas contra Lula.
 
Não é apenas contra o PT.
 
É contra o direito de escolhermos, livremente, quem vai presidir o Brasil.
 
Mais uma comprovação de que “eleição sem Lula é fraude”.
 
O Partido dos Trabalhadores reagiu, de maneira clara e enérgica, às declarações de Villas Boas.
 
A esse respeito, ver esta nota:
 
Qual o objetivo do general, ao dar estas declarações neste exato momento? Há várias hipóteses.
 
Qual o efeito que estas declarações terão sobre a atual conjuntura política e eleitoral? Também há várias hipóteses.
 
Mas uma coisa é certa: a cúpula das forças armadas está operando abertamente. Algo parecido ocorreu em 1989.
 
Outra semelhança entre 2018 e 1989 é a movimentação de setores do empresariado, dos meios de comunicação e dos partidos tradicionais, no sentido de apoiar ou pelo menos estabelecer pontes com a candidatura da extrema direita.
 
A adoção do parlamentarismo e a independência oficial e formal do Banco Central podem ajudar nesta movimentação, impulsionada por diversos fatores: a) o medo diante da resiliência de Lula e do PT; b) a preocupação diante da impopularidade das candidaturas preferidas pela cúpula golpista; c) certo atavismo típico da classe dominante; d) os índices de Bolsonaro nas pesquisas de opinião.
 
O que pode bloquear seu crescimento nas camadas populares é mostrar que ele defende políticas que prejudicam o povo.
 
Em síntese: mostrar que Bolsonaro é Temer, tanto quanto as demais candidaturas golpistas.
 
A repercussão do atentado ajuda a manter em evidência o candidato da extrema-direita, compensando seu pouco tempo no horário eleitoral gratuito.
 
E também parece contribuir para consolidar o núcleo duro do seu eleitorado, suficiente por enquanto para garantir a passagem para o segundo turno.
 
O atentado também contribui para “legitimar” a violência contra a militância da esquerda. Vide os tiros disparados também no dia 9 de setembro contra Renato Freitas, candidato a deputado estadual do PT no Paraná.
 
E por falar nisso, vale a pena voltar às declarações do general Villas Boas na já citada entrevista de 9 de setembro.
 
Segundo o general, Bolsonaro “tem apelo no público militar”, uma vez que “procura se identificar com questões que são caras às Forças”, além de ter “senso de oportunidade aguçada”.
 
Isto foi dito acerca de alguém que há poucos dias prometeu “metralhar a petralhada”.
 
Não podia ser mais claro.
 

 

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