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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Jun21

Grupo de médicos assina manifesto contra Conselho Federal de Medicina

Talis Andrade

Mais de 100 profissionais assinam documento, que veio após vídeo em que presidente do CFM critica a CPI da Covid-19

 

 
Um grupo de centenas de médicos, incluindo Margareth Dalcolmo (foto em destaque), pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), fizeram um manifesto em que discordam da postura do Conselho Federal de Medicina (CFM). O documento, publicado na quinta-feira (3/6), afirma que o CFM se mostra contra “a apuração das responsabilidades e omissões para o enfrentamento da pandemia de Covid-19″.
 

Os médicos pedem que “nesse momento em que o padrão de transmissão da Covid-19 segue elevado, nossa atenção seja a necessidade de políticas baseadas na ciência e em boas práticas”.

O documento veio após o presidente do CFM, Mauro Ribeiro, divulgar um vídeo em que critica a CPI da Covid-19 e afirma que “não sabemos nada, temos todas as dúvidas do mundo”, o que justificaria o uso de tratamentos como a cloroquina. O vídeo foi compartilhado por Jair Bolsonaro nas redes sociais.

O médico e presidente do conselho é acusado pela 31ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul de não ter se apresentado para o trabalho na Prefeitura de Campo Grande por 28 meses entre de junho de 2013 a outubro de 2015.

Jair M. Bolsonaro
O Presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Dr. Mauro Ribeiro, classifica a CPI como tóxica e vergonhosa. Falta coragem moral para a maioria de seus integrantes para apurar desvios de recursos e ouvir autoridades como, p. ex., o Presidente do CFM.
 
 

Compromisso com a Vida, Compromisso com a Verdade

Como médicos, comprometidos com a melhoria da saúde no país, discordamos de posições do Conselho Federal de Medicina contrárias à apuração das responsabilidades e omissões para o enfrentamento da pandemia de covid-19. Nesse momento em que o padrão de transmissão da covid-19 segue elevado, nossa atenção se volta para a necessidade de políticas baseadas na ciência e boas práticas. Polarizações e divisões da categoria são contraproducentes. Consideramos relevante e apoiamos quaisquer iniciativas para mudar o rumo do dramático contexto epidemiológico e social do país. Precisamos somar esforços para fortalecer o SUS e a ciência brasileira, que conjugados são a melhor resposta para a pandemia. 

Se voce concordar com esse texto divulgue para seus colegas médicos para que circule e informe que muitos médicos se negam ser cúmplices desse desastre.

09
Mar21

Reinaldo Azevedo lembra que, com Lula, o Brasil alcançou o grau de investimento

Talis Andrade

Associações de jornalismo criticam divulgação de conversa de Reinaldo  Azevedo | Cotidiano | A Crítica | Amazônia - Amazonas - Manaus

Jornalista condena o terrorismo de mercado e cobra mais ética nos argumentos

247 – "Os mercados estariam assustados com Lula. Por quê? O Brasil passou a Grau de Investimento a 30 de abril de 2008, 6° ano do sua  gestão. Fato ou versão? Qual o medo? Não deve ser do socialismo, né? Ou da intervenção na Petrobras. Ou do morticínio em massa. Mais ética nos argumentos, sim?", postou o jornalista Reinaldo Azevedo, em suas redes sociais.

 

26
Jan21

Bolsonaro não é só mentiroso, ele despreza a vida

Talis Andrade

Jair Bolsonaro tem a compulsão da mentira e a frieza da insensibilidade.

Hoje disse “já somos o sexto país que mais vacinou no mundo” e que “brevemente estaremos nos primeiros lugares, para dar mais conforto à população e segurança a todos, de modo que a nossa economia não deixe de funcionar”.

Além da mentira (porque somos apenas o 50° país em percentagem da população vacinada. como você vê na tabela interativa do site Our World in Data, aqui), há, mesta frase, crueldade.

Então a importância da vacina que pode impedir a morte de mais de mil brasileiros por dia é “que a nossa economia não deixe de funcionar”?

As quase 220 mil mortes, para ele, não são dramáticas, não emocionam, não precisam ser as últimas que vão ceifar pais, mães, irmãos, companheiros, mas apenas um prejuízo dos negócios?

Um homem assim não tem a menor condição de liderar um país, menos ainda numa situação de guerra sanitária como a que nos encontramos.

Os generais brasileiros estão tendo todos os avisos possíveis de que passaram a servir a um genocida, a um organizador de milícias fundamentalistas, a quem é desperdício pedir moderação e foco na saúde da população, pois tudo o que concede dizer – “lamento, mas fiz o que era possível” – é mero cinismo e hipocrisia.

Sangue frio, uma virtude, não é o mesmo que alma fria, uma abominação que retirar a humanidade do comando, para o qual a vida dos comandados é apenas um mero detalhe, desprezível, em seus objetivos.

 

24
Jan21

Com quantos cadáveres se faz um genocídio?

Talis Andrade

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Por Domingos Barroso da Costa e Tarso Genro

A pergunta que introduz este texto parece-nos bastante pertinente diante da realidade de que coletivamente se padece na contemporaneidade brasileira. Afinal de contas, já vamos convivendo há cerca de um ano com a pandemia do novo coronavírus e, enquanto estas reflexões são desenvolvidas, já contabilizamos mais de 210.000 brasileiros mortos, o que nos aproxima do número absurdo de 1 morto em razão da Covid-19 a cada 1.000 brasileiros, sem qualquer expectativa de rápida contenção dessas cifras. Pelo contrário, o negacionismo que funda a postura de nosso governo federal face à pandemia e o falso dilema a partir do qual procura legitimar suas omissões indicam que nosso calvário tende a se prolongar indefinidamente, a absoluta ausência de planejamento confiável para a proteção e vacinação de nossa população corroborando nossas mais sombrias expectativas[i].

Na verdade o que está se configurando é uma provocação dolosa de genocídio, já flagrada por recente pesquisa promovida pela USP. Esta provocação dolosa, a partir de uma visão perversa de imunização da população (que seria garantida pelas defesas naturais de cada organismo individual) pretenderia obstar a irradiação da doença, depois de expandi-la de forma planejada. Trata-se de uma visão sanitária análoga à purificação racial proposta pelo nazismo, que elimina planejadamente uma parte da população racialmente “impura”, para celebrar as virtudes saudáveis (e arianas) da unidade superior da nação.

Fato é que o Brasil ocupa hoje a segunda posição mundial no ranking macabro do número de mortos pela Covid-19, tendo à sua frente apenas os EUA[ii], não se podendo atribuir ao acaso a semelhança entre as (im)posturas dos governos de ambos os países e sua liderança nessa corrida pela morte[iii]. Tanto aqui, quanto lá – numa relação de servilismo histriônico do vassalo em relação ao senhor –, os chefes do Executivo federal dedicaram-se à construção de narrativas negacionistas em relação à ciência e a tudo que pudesse detê-los em seus esforços de esgotamento máximo das barreiras civilizatórias, marcadamente a favor de uma expansão bárbara dos interesses do mercado e de seus próprios. E, assim, aceleraram o quanto puderam os processos de devastação do meio ambiente, dos direitos humanos e, especialmente no caso do Brasil, de direitos trabalhistas – iniciada há mais tempo –, previdenciários, enfim do que resta do Estado de bem-estar social esboçado na Constituição de 1988.

Nesse contexto, confrontados com o obstáculo real representado pela pandemia, para contrabandear seus propósitos, ambos os (des)governos apressaram-se em constranger a população valendo-se de um falso dilema, em que a preservação da vida estaria condicionada à preservação da economia, do que se infere a óbvia inversão da relação de acessoriedade que se estabelece entre esses dois valores. Como bem lembra Joel Birman[i], com referência a Lacan[ii], tal inversão de valores remete às possibilidades que se abrem diante do seguinte imperativo, a expressar a abordagem do assaltante – com potencial de latrocida – à sua vítima: “a bolsa ou a vida!”. Ora, seja para o sujeito, seja para as sociedades, só há uma escolha possível diante de uma tal ameaça: a vida. E isso por um motivo óbvio: só pode gozar da bolsa – ainda que se perca o objeto, que é substituível por equivalentes – quem está vivo. Aliás, sem a vida humana, sequer existe a bolsa enquanto produto cultural que é – seja quando representa um saco em que se guardam coisas, seja quando reporta à bolsa de valores, templo maior do deus Mercado[iii] e do culto que lhe dedica o capitalismo financeiro.

Essa foi a lógica seguida por alguns países da Ásia e da própria Europa, cuja experiência demonstra que tanto melhor e mais rápida é a reação da economia quanto mais cedo se tomam e mais rigorosas são as medidas de isolamento social horizontal em contenção ao avanço da pandemia e preservação da vida. Trata-se, no mínimo, da escolha mais efetiva quando se tem em vista a redução dos muitos danos, inclusive econômicos, que inevitavelmente advirão como saldo da devastação promovida pela Covid-19.

Ocorre que o capitalismo em sua versão neoliberal selvagem – em que discursos demagógicos relativos aos costumes procuram camuflar uma pleonexia[iv] irrefreável – quer tudo pra si e pra já. São esses os ditames a que intransigentemente servem Estados Unidos e Brasil, de modo que a prevenção radical à propagação do novo coronavírus nos moldes acima descritos não foi a opção adotada por esses países, que, abertamente – com doses maiores ou menores de sadismo –, preferiram a bolsa – e as bolsas – às vidas que constituem sua população, com especial sacrifício daquelas postas às margens de suas economias que quotidianamente as expõem como matáveis, em dinâmica bem trabalhada por Achille Mbembe sob o nome de necropolítica[i].

Retomando Birman:

[…] o discurso político de assunção do imperativo da bolsa, no lugar do imperativo da vida, implica a recusa, pelo sujeito do reconhecimento, de algo que se impõe no registro perceptivo, isto é, no plano da realidade. Com efeito, com essa recusa, não foi reconhecido o imperativo éticofundamental da vida, que foi sacrificada em nome de cálculos políticos espúrios por parte de muitos governantes no contexto social pandêmico, de forma que o sadismo e a crueldade se impuseram efetivamente conjugados na escolha do imperativo econômico.[i]

As implicações da opção pela bolsa em detrimento da vida são muitas e graves, sendo deletérias à própria ideia de Estado. Afinal, reconhecida a vida humana como imperativo ético fundamental – tal qual faz Birman no excerto acima transcrito –, a exposição de uma população inteira à morte leva de arrasto à sepultura o próprio Estado que a promove, seja por ação, seja por omissão. Ao descumprir seu fundamento máximo – na medida em que se afirma como pressuposto dos demais –, que é assegurar a vida de seus cidadãos, o Estado colapsa e, numa alquimia sadeana, converte-se em anti-Estado. E é a isso que assistimos no Brasil: à conversão do Estado Democrático de Direito afirmado pela Constituição de 1988 em um anti-Estado sadeano, com a consequente ruína das instituições às quais caberia conter as ações e omissões governamentais que a tanto conduzissem, mas que parecem estuporadas diante do absurdo normalizado neste país cujo governo maior expõe sua população diariamente à indignidade e à morte, especialmente a parcela mais vulnerável em termos sociais e econômicos.

Ao invés de adotar as medidas de isolamento horizontal amplamente recomendadas pelas instituições competentes, o governo federal desse anti-Estado a que se reduziu o Brasil preferiu investir em uma espécie de doutrina macarthista tropical, que se dissemina a partir de uma narrativa amplamente negacionista de fortes traços paranoides, cuja trama, cerzida pela mentira, comporta desde discursos oficiais que recusam ou minimizam a pandemia, até a prescrição, pelo próprio chefe do Executivo federal e de seu ministro da saúde – um general, frise-se –, de um combo de medicamentos para o tratamento precoce da Covid-19, que, se não têm

efeitos curativos comprovados, por outro lado podem apresentar efeitos colaterais potencialmente graves e mais que atestados, especialmente no que diz respeito à cloroquina e à hidroxicloroquina.

Mas não é só. Além de prescrever medicamentos cuja ineficácia é afirmada pela própria ANVISA[i], o presidente dessa antirrepública em que se converteu o Brasil e seus sequazes proscreviam a vacinação, discurso subitamente alterado na medida em que a imunização foi convertida em importante capital político numa disputa estabelecida entre o atual chefe do Executivo federal e o governador do Estado de São Paulo, a qual tem em perspectiva a eleição presidencial de 2022.

E os desvios anticientíficos em relação às medidas adequadas ao combate eficaz à pandemia do novo coronavírus não param por aí. Também incluem o abandono dos pequenos e médios empreendedores, bem como da população pobre, a quem não foram destinados em medida suficiente os devidos auxílios e subvenções, com o que terminaram lançados à necessidade e, logo, compelidos à atividade, o que implica a continuidade da circulação das massas e, consequentemente, a rápida e descontrolada progressão da pandemia.

Trata-se de uma dinâmica perversa em que o Estado se afasta justo no momento em que deveria se afirmar, com o que abandona o cidadão à própria sorte e à sistemática do capitalismo neoliberal, de modo a promover a consumação da própria profecia. Afinal, sem o amparo do ente que deveria protegê-lo em situações extremas, assegurando seus direitos fundamentais, resta ao indivíduo tentar conciliar os termos excludentes do paradoxo e lutar pela bolsa, na tentativa de preservar a própria vida. E vale ressaltar que é o Estado que, ao abandonar o cidadão, lhe impõe a preservação da bolsa como condição de sobrevivência. Desvelam-se, então, as engrenagens desse anti-Estado que serve aos interesses de uma meta-estrutura à qual se dá o nome de Mercado, em cujo altar oferece em sacrifício seus cidadãos, que, compelidos a movimentar a economia – a defender a bolsa – para garantir a própria sobrevivência, terminam expostos à morte. Tem-se, aí, uma perversão completa e acabada da relação que legitima a existência do Estado, na medida em que o cidadão, ao invés de ter seus direitos fundamentais por ele assegurados, termina por ele instrumentalizado e posto a serviço de interesses que lhe são estranhos e inclusive contrários. Trata-se de uma espécie de Estado feitor, a serviço do Senhor Mercado.

Como muitos vêm apontando há bastante tempo, tudo indica que são muitos os crimes praticados ao longo do percurso até aqui resumidamente relatado, sejam comuns, sejam de responsabilidade. Aliás, eles antecedem a eleição. Quem não se lembra da cena em que o atual presidente, em campanha no Acre, segurava um pedestal como se fosse uma arma e açulava seus seguidores a “metralhar a petralhada”?[i] Em um contexto político no qual muitas agressões contra militantes de esquerda foram relatadas, incluindo uma agressão a relho no Rio Grande do Sul[ii], plenamente defensável a subsunção de uma tal conduta à prevista no art. 286 do Código Penal[iii]. Do mesmo modo, ainda no Título X da Parte Especial desse Código, parece-nos plausível o enquadramento, no tipo previsto no art. 287[iv], do enaltecimento apologético que o chefe do Executivo federal promove desde sempre e sem pudores em relação ao conhecido torturador Brilhante Ustra e seus atos criminosos.

Já no curso do mandato, ao propagandear tratamentos já declarados ineficazes pelas autoridades competentes em relação ao novo coronavírus e promover seguidas aglomerações, nas quais sequer utiliza máscara de proteção, bastante razoável a subsunção dos vários atos praticados pelo presidente de nossa antirrepública aos tipos previstos nos arts. 131, 132 e 268 do Código Penal[v].

No que concerne aos ditos crimes de responsabilidade, somente em razão das ações e omissões até aqui relatadas em violação ao dever de combater com eficácia a pandemia do novo coronavírus, muitas são as possibilidades de enquadramento. Para além das sabotagens narrativas às medidas de proteção à população e ao gasto com medicamentos ineficazes, temos os seguidos ataques à China, à democracia e ao Judiciário como exemplos de ações que se amoldam a condutas caracterizadoras de crimes de responsabilidade. Aliás, consideradas as muitas imposturas do chefe do Executivo federal, são vastas as possibilidades defensáveis de subsunção de suas condutas às previstas na Lei nº 1.079/50.

Fato é que, em outras circunstâncias, acusações sem justa causa[vi] foram motivo eficaz para a deposição de uma presidenta eleita, nada havendo que justifique essa absurda desigualdade de tratamento em contexto tão grave como o ora enfrentado.

Posto isso, retomamos o título deste texto para afirmar a plausibilidade de se sustentar que as ações e omissões descritas[vii] foram – e são – determinantes à morte de milhares de brasileiros, se não de todos os 210.000, ao menos de grande parte desse número absurdo, que não considera as cifras ocultas pela subnotificação, mas, mesmo assim, nos coloca em segundo lugar no infame ranking mundial de mortes pela Covid-19. E ao serem praticadas – no mínimo com assunção plena de risco evidenciada pelo contexto de pandemia – em detrimento de todo um grupo nacional, atingindo a vida de seus cidadãos, sua integridade física e mental, além de os submeterem intencionalmente a condições de existência capazes de ocasionar-lhes a destruição física total ou parcial, as condutas a que nos referimos, comissivas ou omissivas, se mostram adequáveis às previstas nas alíneas ab e c do art. 1º da Lei nº 2.889/56[i], caracterizando, portanto, o delito de genocídio, em toda sua hediondez afirmada pelo inciso I do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.072/90.

O cenário é calamitoso e convoca a união de todos que se oponham ao atual estado de coisas a fim de tentar conter os incomensuráveis danos impostos à sociedade brasileira, que nos encerram nas trevas de uma demagogia vulgar. Para tanto, o impedimento e a responsabilização dos responsáveis pelo genocídio que se descortina é urgente. Motivos para a apuração de responsabilidades sobram, alguns deles tendo sido aqui expostos.

No fim das contas, a luta é no sentido de retomar o processo civilizatório e fazê-lo prevalecer sobre a barbárie; de oxigenar a vida e desarmar a morte, proteger e imunizar a população antes que outras centenas de milhares de cidadãos sejam lançadas às ruas para perecer, privados de ar e com a bolsa nas mãos.

Ferrajoli, no seu clássico “Democracia e Garantismo” – no capítulo que trata do Direito e da Dor – faz a distinção entre as figuras da “dor sofrida” e da “dor infligida”, uma natural, outra decorrente da ação humana. Aduz aquele Mestre que “todos os direitos fundamentais são configuráveis como direitos à exclusão ou à redução da dor”; e o direito à liberdade, à vida e à integridade pessoal, são direitos atinentes “a prevenir a dor infligida.”  

Retomar o processo civilizatório no nosso Brasil mortificado pelas dores  da sanha demolidora do “mito” significa retirá-lo do poder, baseados na Lei e na Ordem, para submetê-lo aos Tribunais competentes. E daí alçar o país à condição de uma democracia constitucional estável, definitivamente imunizada das tentações doentias do fascismo e da naturalização das mentiras em sequência, que destroem o destino comum fundado na tolerância e na igualdade.

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[1] Mestre em Psicologia (PUC-Minas). Especialista em Criminologia (PUC-Minas) e Direito Público (UNIGRANRIO). Graduado em Direito (UFMG).

[1] Ex-Ministro da Justiça, da Educação e ex-Governador do Rio Grande do Sul.

[1] Como amplamente noticiado, e a evidenciar todo o cinismo que envolve o descaso do Executivo federal em relação à saúde da população brasileira, lembramos que o governo federal chegou a anunciar o início da imunização com vacinas que não foram efetivamente adquiridas da Índia. A pirotécnica operação logística propalada não tardou a se converter em pantomima. Por todas: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2021/01/16/apos-fracasso-na-importacao-de-vacina-aviao-que-iria-a-india-decola-de-viracopos-para-levar-oxigenio-ate-manaus.ghtml

[1] https://valorinveste.globo.com/mercados/internacional-e-commodities/noticia/2021/01/03/coronavirus-hoje-mundo-tem-11-milhao-de-novos-casos-em-2021-e-176-mil-mortes.ghtml

[1] Referimo-nos à administração Trump.

[1] BIRMAN, Joel. O trauma na pandemia do coronavírus. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020.

[1] LACAN, Jacques. O seminário. Livro 11, Os quatro conceitos da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar., 1988.

[1] DUFOUR, Dany-Robert. O divino mercado: a revolução cultural liberal. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2008.

[1] DUFOUR, Dany-Robert. Pléonexie. [dict.: “Vouloir posséder toujours plus] Lormont : Le Bord de léau, 2015.

[1] MBEMBE, Achille. Necropolítica: biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. São Paulo: n-1 edições, 2020.

[1] Op. cit. p. 44.

[1] Por todas: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/01/17/diretores-da-anvisa-dizem-que-vacina-e-necessaria-porque-nao-ha-tratamento-precoce-contra-a-covid.ghtml

[1] Por todas: https://exame.com/brasil/vamos-fuzilar-a-petralhada-diz-bolsonaro-em-campanha-no-acre/

[1] Por todas: https://www.sul21.com.br/lula-pelo-rs/2018/03/mst-a-silenciosa-linha-de-frente-de-seguranca-da-caravana-de-lula/

[1]  Art. 286 – Incitar, publicamente, a prática de crime:

Pena – detenção, de três a seis meses, ou multa.

[1] Art. 287 – Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:

Pena – detenção, de três a seis meses, ou multa.

[1] Art. 131 – Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio:

Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Art. 132 – Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:

Pena – detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.

Art. 268 – Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa:

Pena – detenção, de um mês a um ano, e multa.

[1] Nesse sentido, dentre tantos outros: GOMES, Ciro. Por que o golpe acontece?. In: JINKINGS, Ivana; DORIA, Kim; CLETO, Murilo (orgs.). Por que gritamos golpe?: para entender o impeachment e a crise política no Brasil. Coord. São Paulo: Boitempo, 2016. p. 39-41.RAMOS, Beatriz Vargas; PRANDO, Camila. Algo além do rito do processo de impeachment. In: PRONER, Carol; CITTADINO, Gisele; TENENBAUM, Marcio; RAMOS FILHO, Wilson (orgs.). A resistência ao golpe de 2016. Bauru: Canal 6, 2016. p. 53-56; RAMOS, Beatriz Vargas; MOREIRA, Luiz. Ingredientes de um golpe parlamentar. PRONER, Carol; CITTADINO, Gisele; TENENBAUM, Marcio; RAMOS FILHO, Wilson (orgs.). A resistência ao golpe de 2016. Bauru: Canal 6, 2016. p. 57-60.

[1] Às quais acrescentamos as muitas omissões identificáveis como causas concorrentes para a calamidade que atinge o sistema de saúde de Manaus, em que cidadãos morrem pela falta de oxigênio que se pode atribuir ao absoluto descaso do poder público em todas suas esferas, especialmente diante das informações que dão conta da ciência prévia da União quanto aos limites do abastecimento e sua escassez crítica. Por todas: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/01/governo-bolsonaro-ignorou-alertas-em-serie-sobre-falta-de-oxigenio-em-manaus.shtml

[1] Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal:

  1. a) matar membros do grupo;
  2. b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo;
  3. c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial

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05
Jan21

Artista é atacada nas redes após esculpir vagina: “Mentalidade equivocada”

Talis Andrade

Juliana Nolari

A criação da artista Juliana Notari, uma "vulva ferida" de 33 metros em um parque artístico em Pernambuco, gerou polêmica na internet

 
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Em meio a um museu a céu aberto no agreste pernambucano, a artista plástica Juliana Notari lançou a sua mais nova criação. Trata-se de uma “vulva ferida” de 33 de metros de altura, 16 de largura e 6 metros de profundidade. A peça se chama Diva. Fruto de um trabalho performático que a artista fazia em paredes, a imagem trabalha as questões de gênero e a natureza.
 
“A arte para dialogar com questões que remetem a problematização de gênero, a partir de uma perspectiva feminina aliada a uma cosmovisão que questiona a relação entre natureza e cultura na nossa sociedade ocidental falocêntrica e antropocêntrica”, contou Juliana.
 
Para ela, a vagina representa desperta algo sagrado. “Eu busco tratar da reflexão acerca da desigualdade de gênero e também da destruição do planeta Terra, como entidade e ser vivo. A vulva representa o nascimento, de onde vem a vida, e a obra construída na terra relembra para onde todos vão após a morte, de volta à natureza”, explicou Juliana em entrevista ao Metrópoles.Image
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Foi necessária a mão-de obra de 20 engenheiros para dar vida à peça, que levou mais de 11 meses para ficar pronta no parque artístico botânico Usina de Arte, em Água Preta, no município da Zona da Mata Sul, em Pernambuco.
 
 
 
26
Nov20

Meu voto domingo (29): sim à vida

Talis Andrade

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por Selvino Heck /Sul 21

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Vou votar na vida no domingo, 29 de novembro. Vamos todas e todos votar na vida em Porto Alegre, São Paulo, Belém, Recife, Caxias do Sul, Pelotas, Juiz de Fora, Vitória, Fortaleza e outras cidades com segundo turno nas eleições municipais. Vida em primeiro lugar, sempre!

Há candidatos a prefeito que dizem que a economia vem em primeiro lugar. E, portanto, na visão deles, é preciso flexibilizar as regras em relação à pandemia do coronavírus, abrir todo o comércio, liberar os espaços da noite para os jovens, reabrir as escolas. Afinal, o importante para eles, fundamental e único, é o lucro do capital. Ou, dizem eles, não fazendo isso, o desemprego, que já era crescente antes da pandemia, vai aumentar, os prejuízos serão maiores, e assim por diante. Afinal, como diz o Presidente da República, morrer vamos todas e todos um dia!

Estou com o Papa Francisco e a Encíclica ‘Fratelli Tutti – Somos todos irmãos e todas irmãs – Sobre a Fraternidade e a Amizade Social’, onde ele anuncia: “17. Cuidar do mundo que nos rodeia e sustenta significa cuidar de nós mesmos. Mas precisamos nos constituir como um ‘nós’ que habita a Casa Comum. Um tal cuidado não interessa aos poderes econômicos que necessitam dum ganho rápido. Frequentemente as vozes que se levantam em defesa do meio ambiente são silenciadas ou ridicularizadas, disfarçando de racionalidade o que não passa de interesses particulares.”

Segundo os defensores do capitalismo, preservar a Amazônia e o meio ambiente é prejudicial aos negócios e à riqueza da Nação. Assim como, para os bancos e o grande capital, cuidar da vida de todas e todos em meio à pandemia, especialmente a vida de idosos, jovens e crianças, afeta e prejudica a economia e o lucro.

Se os governos implementarem políticas públicas beneficiando o conjunto da população, se propuserem, por exemplo, a taxação de grandes fortunas e uma renda básica da cidadania, a suposta oposição entre economia e vida estará superada. E será possível enfrentar as consequências da pandemia, esperar até que chegue uma vacina salvadora, ao mesmo tempo garantir comida na mesa de todas as brasileiras e todos os brasileiros, e condições de fazer a necessária travessia.

Diz mais o Papa Francisco: “106. Para se caminhar rumo à amizade social e à fraternidade universal, há que fazer um reconhecimento basilar e essencial: dar-se conta de quanto vale um ser humano, de quanto vale uma pessoa, sempre e em qualquer circunstância. 107. Todo ser humano tem direito de viver com dignidade e desenvolver integralmente, e nenhum país pode negar-lhe este direito fundamental.”

Já morreram quase 200 mil brasileiras e brasileiros desde março deste ano pela pandemia. 200 mil vidas perdidas. E, tudo indica, está começando a segunda onda do coronavírus no Brasil. Portanto, é fundamental que a sociedade se prepare, as famílias se preparem, com todos os cuidados necessários, para evitar mais mortes e mais sofrimento.

Colocar a vida em primeiro lugar faz-se ainda mais urgente em tempos de intolerância, ódio e violência. Basta lembrar a vida do Beto, o trabalhador negro João Alberto Silveira Freitas, barbaramente assassinado em 19 de novembro, um dia antes do Dia da Consciência Negra, dentro um supermercado em Porto Alegre. E, inacreditavelmente, um general que é vice-presidente da República é capaz de dizer: “Digo com toda tranquilidade: não existe racismo no Brasil.”

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Vidas negras importam! Clamou a candidata Manuela D’Ávila: “Qual pessoa branca você viu ser vítima dessa violência?” Gritou o candidato Guilherme Boulos: “Até quando?”

São mortes demais, mortes injustas. Muita dor, muita tristeza. A luta por uma sociedade justa e mais igual, sem discriminação, sem violência contra mulheres e assassinatos de jovens negros e negras, sem racismo, está em primeiríssimo lugar.

Estou, ainda e sempre, com o Papa Francisco e sua ‘Fratelli Tutti – Somos todos irmãos e todas irmãs’: “8. Sonhemos como uma única humanidade, como caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos alberga a todas e todos, cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a própria voz, mas todas irmãs e todos irmãos.”

Por isso, meu voto em 29 de novembro, sem qualquer dúvida e com toda convicção, será a favor da vida, a favor da liberdade, a favor da esperança, a favor da justiça, a favor da igualdade, por terra, trabalho e teto, como propõe a Sexta Semana Social Brasileira, num grande e coletivo ‘Mutirão pela Vida’.

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23
Nov20

AVANÇANDO PARA A VITÓRIA: O POVO GANHARÁ SÃO PAULO E O BRASIL

Talis Andrade

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Por Francisvaldo Mendes

É sim simbólico, estrutural e materialmente para as pessoas em São Paulo viverem melhor, ter Boulos e Erundina no segundo turno. Uma resposta que amplia os ventos positivos da América. Uma resposta que anima multidões a se organizarem e se sentirem sujeitos da vida. Uma resposta que altera com dignidade, potência e criatividade a correlação de forças no país. A resposta Boulos e Erundina impacta diretamente de forma favorável para a maioria das pessoas que vivem na cidade de São Paulo. Mas é fundamental que tenhamos profunda nitidez que o impacto é favorável na consciência e na vida da grande maioria das pessoas que vivem no Brasil. Essa multidão de explorados, oprimidos e dominados que são sujeitos e como tal precisamos coletivamente nos construir”. Essas palavras, apresentadas semana passada, em nossas contribuições de reflexões para a sociedade, a esquerda e, especificamente, as pessoas que constroem o PSOL, se mostraram possíveis. Vamos avançar para a vitória.

Não há dúvidas que a marca, o sentimento e o fluido de Boulos e Erundina no segundo turno de São Paulo reforça todos os ventos favoráveis que apareceram para a vida e para a democratização nos últimos tempos. Não há dúvidas, e o frio dos números não nos deixam errar, que houve crescimento político, eleitoral e de espaço no Estado. Não ocupamos o Estado para reforçar a prática de morte, dominação, controle e organização da exploração; papel que cumpre o Estado no capitalismo com todas as variáveis. Ocupamos para abrir fissuras, feridas fortes para o poder e aberturas para a vida que ampliem a disposição e o fôlego das pessoas para viverem como sujeitos nesse mundo.

Somente seguindo os números e as manchetes divulgadas é possível ter marcas de satisfação, alegrias e disposição. Afinal, o PSOL, nesse quadro que a necropolítica predomina, ampliou sua votação em aproximadamente 35% e isso é uma resposta assertiva, profunda e evidente que tem em São Paulo sua principal Marca. Não é a única. Temos Edmilson em Belém, que não apenas foi para o segundo turno, mas chegou na frente e trouxe toda a cultura acumulada coletivamente da CABANAGEM, como exemplo e impulso de fortalecimento.

Há exemplos e marcas simbólicas que permitem um ambiente para um grande abraço em todo o país e fazer da diversidade a grande unidade de convivência para a esquerda em favor da dignidade humana e da vida. E esse fluido pode, e muito, ser ampliado. Em alguns locais são evidentes essas marcas, afinal, para além de disputar a cidade de São Paulo, que é exemplo para capitalistas falarem de desenvolvimento, os ares de liberdade, democracia e dignidade humana disputarão Belém, Porto Alegre, Recife, e chega com ventos estimulantes em todo o país.

Mas agora é hora de fazer com que esse passo importante, simbolicamente e nos sentidos políticos, ganhem a vida também empiricamente. Eleger as prefeituras das capitais, onde há fôlego de disputar em favor a vida, faz com que os ventos ocupem com rajadas de energia todo o Brasil. Mais que isso, precisa haver transformações criativas das vitórias eleitorais em consciência, participação, articulação e disputa para ampliar formação, organização e atuação da maioria das pessoas. Justamente essa maioria, essa multidão que se levantou, precisa seguir com passos firmes e assertivos e cabeças erguidas para que a democratização do país, em todas as suas bases, dimensões e significados, nos tomem como um grande mar.

Nosso movimento aponta no caminho correto e agora, todas as vitórias, que envolvem o projeto político, são vitórias da maioria que vivem da venda de sua força de trabalho. Todas as vitórias criarão a grande gira pela transformação do país em favor da vida e da dignidade humana. Todas as vitórias serão tecidas, bordadas e costuradas em unidade. Não é hora para disputas egóicas. É sim a hora para uma grande disputa que leve a conquistas coletivas, profundas e com grande nível de participação popular e sentimento consciente de participação na grande maioria das pessoas.

É isso que as pessoas em São Paulo sentem quando Boulos e Erundina andam pela cidade, circulam em áreas digitais e aprecem nas artes populares espalhadas pelas ruas: sentem identidade, identificação e unidade para fazer viver. Esses sentimentos precisam ganhar o país em larga escala. Eleger todos que indicam melhores prefeituras tem como favorável o oxigênio que pulsa e vibra em São Paulo. Mas é necessário soprar, avançar, superar, coletivamente e com a mais profunda convivência solidária todas as marcas impostas pelo capitalismo contra a vida.

Eleger em todas as capitais que disputamos pelo Brasil é sim um carimbo fundamental de nossas potência e força. E quem disputa são as pessoas e não as siglas partidárias, essas são veias de transmissão para que o sangue circule com a maior liberdade e sem obstruções. Assim cada vitória precisa ter uma unidade coletiva. Vamos juntar a vitória eleitoral que teremos em São Paulo, com a vitória de Belém, com a vitória de Porto Alegre, com a vitória em Recife, com a vitória em todos os lugares que uma faísca puder se tornar uma grande chama pela dignidade humana. Vamos incendiar com energia positiva e contribuir para que a multidão, a grande maioria das pessoas, levantem a cabeça e sejam sujeitos de um novo país. É isso, vamos ganhar as eleições e coletivamente construir um projeto político coletivo, unificado e com a mais rica, plural e criativa inteligência em favor da humanidade. Vamos transformar a favor da vida!

09
Out20

Papa Francisco cita Vinicius

Talis Andrade

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O papa Francisco fez uma referência ao Samba da Bênção durante sua fala deste domingo, em Roma. "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida", repetiu a frase feita por Vinicius de Moraes para o samba de Baden Powell, lançado no álbum do poeta de 1967, durante a leitura de uma forte encíclica batizada 'Todos Irmãos'. Sua fala defendeu o direito às migrações, cobrou uma reforma da Organização das Nações Unidas e do sistema financeiro mundial. 

Vinicius e Baden estariam sorrindo de satisfação, não apenas pela deferência eclesiástica de Francisco com a citação da música para falar sobre a importância de se aprender a viver na diversidade racial e cultural, mas também pelo poder de expansão territorial de um samba de terreiro. Ao ser citada no Vaticano por um papa, a figura mais importante no catolicismo depois do próprio Jesus Cristo, Samba da Bênção sai das giras para entrar na missa 53 anos depois de sua criação.

Francisco se ateve ao verso mais, digamos, ecumênico. Não é preciso nem ter religião para entender o que Vinicius quis dizer com sua frase sobre encontros e desencontros. Mas, cuidado santidade. Se a tropa de choque dos conservadores que caminha a seu lado sonhando com sua deposição for mais à fundo, vai acusá-lo de quebra de decoro religioso ao descobrir que Samba da Bênção tem os dois pés no Candomblé. Vejamos o que diz o poeta Vinicius alguns versos adiante, quando chega o momento de se pedir bênção a torto e a direito: "A bênção, meu bom Cyro Monteiro você, sobrinho de Nonô / A bênção, Noel, sua bênção, Ary / A bênção, todos os grandes sambistas do Brasil / Branco, preto, mulato / Lindo como a pele macia de Oxum."

Oxum, a orixá das cachoeiras, a entidade que reina sobre as águas doces, é considerada a senhora da beleza, da fertilidade, do dinheiro, da sensibilidade e do poder feminino. Mamãe Oxum. Vinicius, que se intitulava "o branco mais preto do Brasil" e Baden, convertido no final da vida a uma igreja evangélica, estavam com todos os santos das religiões de matrizes africanas à flor da pele. Um ano antes de criarem os versos citado pelo papa, haviam lançado o antológico álbum Os Afro-Sambas, calma Vaticano, com Canto de Ossanha, Canto de Xangô, Bocoché, Canto de Iemanjá, Tempo de Amor, Canto do Caboclo Pedra-Preta, Tristeza e Solidão e, atenção, Lamento de Exu, uma figura que muitos sacerdotes juram ainda ser, equivocadamente ou estrategicamente, o próprio diabo.

O papa Francisco levou para os metros quadrados mais reverenciados da Igreja Católica os versos de uma canção de matriz afro-religiosa. Pecado? Jamais, diriam os progressistas. Do lado dos terreiros, ninguém sai dizendo para ninguém cantar música gospel ou hinos católicos. Afinal, como disseram Vinicius de Moraes e Baden Powell em 1967, "a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida." O mundo de Francisco encontrou o mundo de Vinicius.

Samba da Bênção

 
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
 
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
 
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí?
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor e pra ser só perdão
 
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
 
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
 
Feito essa gente que anda por aí brincando com a vida
Cuidado, companheiro
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom ninguém vai me dizer que tem sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu e assinado embaixo
Deus, e com firma reconhecida
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
 
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
 
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
 
Eu, por exemplo, o capitão do mato Vinícius De Moraes
Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha, tu que choraste na flauta, todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antônio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido, que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra, parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento e ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo, que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos, que não és um só, és tantos como
Tantos como o meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá, a bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
 
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
 
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
 
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Ele é negro demais no coração
Ele é negro demais no coração
Ele é negro demais no coração
27
Jul20

MANIFESTO DA CIÊNCIA PELA VIDA PLENA!

Talis Andrade

 

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Cientistas se unem para lutar contra o descaso do governo com a vida

Atualmente, o Brasil está classificado como um dos epicentros mundiais da crise de saúde. A expansão da doença provocada pelo Coronavírus não cessa. No dia 25 de julho, foram registrados mais de três milhões e duzentos mil de casos de infecção e mais de oitenta e cinco mil mortos.

O desenrolar dessa crise é dramático e se acentua diariamente.

A ausência de políticas públicas coordenadas pelo governo federal desnuda a desigualdade econômica e social brasileira.

A piora dos indicadores econômicos e das condições de saúde atinge frontalmente os segmentos mais vulneráveis da população.

As instituições e as pessoas signatárias deste Manifesto denunciam a política institucional de negação da vida, por todas as formas e meios. 

Necropolítica é a negação da vida, da vida do negro, da vida da mulher, da vida dos idosos, da vida das crianças e adolescentes, da vida do LGBTQI+, da vida do indígena e dos quilombolas, da vida do imigrante, da vida do pobre, da vida do opositor político, da vida do sertanejo, da vida do trabalhador, da vida nas periferias, da vida no trânsito, da vida nos biomas, da vida cultural, da vida dos ecossistemas aquáticos.

Denunciam-se, neste documento, a destruição das instituições do Estado Democrático de Direito; o negacionismo da ciência no contexto da pandemia; a destruição das políticas culturais; a destruição do patrimônio ambiental; o abandono das políticas de desenvolvimento nacional e regional; a asfixia financeira e orçamentária com destruição de direitos sociais; a destruição dos ativos naturais; a venda e a alienação indiscriminada dos ativos públicos; a perseguição política e a deslegitimação das universidades públicas e centros de pesquisa; e o estímulo e a disseminação do ódio e violência como prática política e cultural.

O que está em jogo são as nossas vidas e das novas e futuras gerações. 

Nesse contexto, o Brasil precisa de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para o enfrentamento dos principais problemas emergentes (Covid-19), urgentes (econômico e social) e estruturais (subdesenvolvimento e desigualdades).

O seu escopo deve conter o papel do protagonismo que a região Nordeste vem assumindo no atual contexto, por meio de seus entes federativos no apoio às respectivas populações.

O Estado voltado para uma política de desenvolvimento nacional é a chave para recuperar o atraso em que o Brasil se encontra.

Os governos da região Nordeste têm, portanto, uma grande janela de oportunidade nessa direção.

A proposta do Consórcio Nordeste e do seu Comitê Científico insere-se como instrumento de governança e de formulação e execução políticas públicas compatíveis com as ideias de Celso Furtado. 

A inspiração foi a partir das estratégias furtadianas – baseadas no então projeto inovador, que foi a criação da Sudene, instituindo o Conselho Deliberativo do Nordeste, composto por todos os governadores da região, pelos ministérios da área econômica e demais instituições de desenvolvimento econômico regional, a exemplo do BNB, da Codevasf, DNOCS, CHESF, entre outros.

Em apoio à consecução desse projeto e de iniciativas similares, propomos a construção da Rede Nordeste formada por Instituições de Ensino Superior, Centros de Pesquisas, Organizações, Intelectuais, Cientistas e Formadores de Opinião, principalmente por meio da criação de pactos político-institucionais preocupados com o desenvolvimento regional, que permitam a cooperação em múltiplas escalas com os governos estaduais e municipais, em articulação com o Consórcio Nordeste e demais atores cuja missão institucional é o progresso econômico e social da região.

Convocamos os atores políticos, sociais e econômicos a se unirem à comunidade de Ciência, Tecnologia e Inovação do Nordeste nesta luta pela Vida Plena em defesa do desenvolvimento humano, sustentável e democrático, o qual considere a segurança alimentar e nutricional, o combate à fome, a economia solidária e arranjos produtivos locais para geração de emprego e renda, o fortalecimento e expansão do Sistema Único de Saúde, a educação pública de qualidade, o combate ao analfabetismo, a inclusão digital como instrumento de coesão social e cidadania e investimentos em infraestrutura econômica e social.

Destacamos que a construção de um Projeto Desenvolvimento Nacional e Regional voltado, essencialmente, para os reais problemas da sociedade brasileira encontrou em Celso Furtado um mestre ousado e inovador nos planos cultural, ambiental, econômico, social e político, notadamente voltado para o combate das desigualdades entre as regiões e pela integração nacional. 

Nordeste, 26 de julho de 2020. 

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ASSINATURAS DO “MANIFESTO DA CIÊNCIA PELA VIDA PLENA!” 

.INSTITUCIONAIS 1. SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência 2. ABRUEM – Associação Brasileira de Universidades Estaduais e Municipais 3. Consórcio Pernambuco Universitas UPE,UFPE,UFRPE,UFAPE,IFPE,IFSertão,UFAPE, UNICAP 4. FAPsNE – Rede Nordeste das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa 5. ABED – Associação Brasileira de Economistas pela Democracia 6. IPF – Instituto Paulo Freire 7. APD – Associação de Advogadas e Advogados pela Democracia 8. CNTU – Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários 9. ABJD – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia INDIVIDUAIS 

1. Miguel Nicolelis, cientista, professor da Universidade de Duke/EUA, co-coordenador do Comitê 

Científico do Consórcio Nordeste 2. Sérgio Rezende, cientista, professor da UFPE, co-coordenador do Comitê Científico do Consórcio 

Nordeste, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia 3. Tânia Bacelar, professora emérita da UFPE 4. Bernardo Boris Vargaftig, professor da USP e membro da Academia Brasileira de Ciências 5. Pedro Henrique de Barros Falcão – Universidade de Pernambuco ( UPE) 6. Antonio Guedes Rangel Júnior – Reitor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) 7. Cícero Nicácio do Nascimento Lopes – Reitor do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) 8. Vicemário Simões – Reitor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) 9. Carlos Guedes – Reitor do Instituto Federal de Alagoas (IFAL) 10. Odilon Máximo – Reitor da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) 11. Fábio Guedes Gomes – UFAL/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas 

(FAPEAL) 12. Tarcísio Pequeno Dora – UFCE/Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e 

Tecnológico (FUNCAP) 13. Márcio Costa – UESC/Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (FAPESB) 14. Roberto Germano – UFPB/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa da Paraíba(FAPESQ) 15. Antônio Cardoso do Amaral – UFPI/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Piauí 

(FAPEPI) 16. Fernando Jucá – UFPE/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Pernambuco 

(FACEPE) 17. André Santos – IFPI/ Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão (FAPEMA) 18. Gilton Sampaio – UERN/Presidente da Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa do Rio Grande 

do Norte (FAPERN) 19. José Heriberto Pinheiro Vieira – Presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa e Inovação 

Tecnológica do Estado de Sergipe (FAPITEC) 20. Ana Cláudia Arruda Laprovitera – Presidente do Conselho Regional de Economia de Pernambuco 21. Paulo Fernando de Moura B. Cavalcanti Filho – Professor da UFPB, Coordenador Geral do Acordo 

PLADES-PB (UFPB-Governo da Paraíba) 22. Adroaldo Quintela – ABED 23. Sérgio Storch – Frente Interreligiosa Dom Paulo Evaristo Arns por Justiça e Paz 24. Juliana Bacelar – Professora da UFRN 25. José Farias Gomes Filho – ABED 26. Aristides Monteiro Neto – IPEA/Anipes 27. Fernanda de Lourdes Almeida Leal, UFCG. Diretora do Centro de Humanidades/UFCG, líder do 

Grão – Grupo de Estudos e Pesquisas Infâncias, Educação Infantil e Contextos Plurais. 28. José Sérgio Gabrielli de Azevedo, professor da UFBA, ex-presidente da Petrobras e ex-secretário de Planejamento da Bahia.

30
Mai20

Só quem perdeu uma vida preciosa bem próxima de si entende no coração o valor da vida

Talis Andrade

 

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III - Bolsonaro é Moloque, o deus que exigia o sacrifício de vidas

 

Diante da crise do novo coronavírus, o presidente eleito por ampla maioria evangélica prega o contrário de todo o mundo, afirmando que a doença causada pelo vírus é uma “gripezinha” e que a economia é mais importante que vidas humanas, em uma dicotomia que nenhum país civilizado no mundo sequer discutiu por entender que vidas perdidas não se recuperam, mas a economia sim. Só quem perdeu uma vida preciosa bem próxima de si entende no coração o valor da vida e o buraco que causa a perda de uma.

Vou abrir meu coração aqui, pois o que eu puder fazer para dissuadir as pessoas a verem o erro e a cegueira a que estão submetidas, eu o farei.

Em 2006, eu já era um pastor com um ministério consolidado. Após ter lutado intensas batalhas contra desvios da fé e da ética cristã em nosso meio, resolvi não mais depender unicamente do sustento advindo do trabalho eclesiástico e, portanto, já havia entrado para o serviço público. Estava casado há 13 anos com a mulher que foi meu primeiro grande amor, com uma filha de 11 anos e um filho de cinco. Um dia antes de minha filha completar 12 anos, com sua festa pronta na casa da minha mãe, ela e minha esposa morreram afogadas em uma lagoa em Jaguaruna, Santa Catarina.

Na ânsia de tentar salvá-las e ao mesmo tempo impedir que meu filho de cinco anos entrasse na água e também sucumbisse, não obtive êxito no salvamento e ali, naquele dia, meu mundo entenebreceu, e a vida passou a não ter sentido para mim. Se não fosse o fato de meu filho ter sobrevivido a tudo isso e restado para mim como um presente de Deus, eu acredito que eu teria dado fim a minha vida no dia seguinte. Pensei nessa possibilidade inúmeras vezes. Mas lembrava do meu pequeno filho, ao lado no carro dos bombeiros, dizendo a mim que agora não tinha mais mamãe e a mana e que era somente ele e eu. Ele foi a causa primária de eu ter mantido minha vida. A perda de uma vida fez eu largar o ministério pastoral, só retornando em 2010. Fiquei recluso, reexaminando a minha fé.

Nesse período, para a provação ser maior e mais dolorida, “irmãos” na fé diziam que isso ocorreu comigo como castigo por eu enfrentar e denunciar “ungidos de Deus” e que a “mão de Deus pesou sobre mim”. Só um psicopata não revira toda a sua fé e teologia e a coloca em prova ante uma situação grave como essa. Posso dizer que passei pelo vale da morte a que Davi se refere no Salmo 23 e o fundo do poço onde José foi lançado pelos seus irmãos.

Por mais que nunca tenha acreditado na tola e herética teologia da prosperidade, eu ainda reservava no meu subconsciente uma fé, um fio de esperança de que coisas horríveis como essa não aconteceriam comigo. Mas aconteceram, e eu passei por esse vale e vi do outro lado a figura de um Deus que passei a conhecer mais intimamente após as ainda pendentes escamas de ilusões terem sido removidas dos meus olhos. É uma dor e um processo duro, que nem todos conseguem passar vivos e que não te deixam sem marcas. Tenho elas até hoje dentro de mim.

Por que conto tudo isso? Eu lamento, mas muitos evangélicos que hoje apóiam cegamente um homem como se fosse um mito, um presidente como se messias fosse, ou perecerão como tantos outros apoiadores ou não apoiadores ou também perderão pessoas próximas. Essa é a realidade triste, inconteste e inevitável que seria ainda pior se os governadores de vários estados estivessem agido conforme as ideias de Bolsonaro. Esse vírus não respeita fé e nem ideologia. No entanto, quando a tragédia é resultado de um acidente, onde nós não colaboramos ou não nos omitimos, a possibilidade de sairmos com a mente sã é bem maior do que quando colaboramos ou nos omitimos ante a tragédia anunciada.

Lembro do caso do menino Wesley Parker, nos EUA. Ele era diabético e seus pais evangélicos, cegos por uma crença na cura divina, negaram dar insulina ao seu filho levando-o a morte. O caso virou livro “We Let Our Son Die” (“Deixamos nosso filho morrer”), escrito pelo pai da criança Larry Parker. Nesse caso, os pais passaram por um vale que poucos conseguem passar e sair dele vivos. Quando saem, jamais terão fé em nada, nem em si mesmos, além de sofrerem o escárnio e a vergonha de todos ao seu redor. (Continua)

 

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