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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Ago20

A cloroquina e a fé do rebanho

Talis Andrade

cloroquina bozo.jpg

 

 

por Wilson Gomes/ Cult

- - -

Bolsonaro não consegue ter um titular no ministério da Saúde na fase mais grave da pandemia. Bolsonaro sequer consegue usar os recursos que o Congresso lhe autorizou a empregar para salvar vidas durante esta interminável crise de saúde pública, ao ponto de ter sido solicitado a dar explicações ao TCU por tão espantosa atitude. O presidente não conseguiu nem mesmo manter-se em isolamento social, para dar exemplo ao país, nas semanas em esteve infectado com o Sars-Cov-2. Tantas fez o moço que assim o descreveu a jornalista Vera Magalhães: “O presidente passeou de moto e sem máscara, cumprimentou garis e mostrou caixa de hidroxicloroquina para as emas do Alvorada. Pode parecer uma piada, mas não: esse foi o dia do presidente em isolamento”. Rá!

Na verdade não só parece como é uma piada. É tudo uma piada de mau gosto. Por pavor do PT e desprezo à política, os brasileiros resolveram eleger e empossar uma piada como presidente da República. Devem ter achado que estariam punindo alguém, os políticos em geral e o PT em particular, mas finalmente se revela que estavam gostosamente pregando uma peça em si mesmos e infligindo-se uma autopunição. 

Antes disso, correu o mundo uma foto do mandatário maior da República, segurando com as duas mãos uma caixa de cloroquina sobre a cabeça, diante de seguidores devotos e compungidos no que parecia uma missa campal no gramado do Palácio do Planalto. Quem está acostumado à missa católica, sabe que o gesto copiou o momento do ritual litúrgico, depois da consagração do corpo de Cristo, em que a hóstia é mostrada aos fiéis enquanto o sacerdote profere solenemente “eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”. Pois “eis a cloroquina divina, que tira a Covid do mundo”, repetiu o grão sacerdote do bolsonarismo, para a adoração da sua igreja. 

Claro, se você é um sujeito razoável e sensato, não estará entendendo por que a qualquer pergunta sobre o que fazer durante a pandemia se obtém de Bolsonaro uma única resposta: tomem cloroquina. E, o que é pior, vai considerar incrível como tem gente que acredita em cloroquina, ivermectina e hodroxicloriquina como soluções mágica para a Covid-19, contra a OMS e toda a ciência médica disponível. Mas, meus caros, as pessoas acreditam em alma imortal, reencarnação e em inferno, por que não acreditariam em pseudofármacos só porque a ciência os nega?

Mas, professor, o que tem a ver religião com cloroquina? A fé, meus amigos, a crença. O bolsonarista radical é hoje um sujeito com tamanha fé no seu líder que é capaz de acreditar no que ele diz mesmo que o conteúdo da sua crença seja absurdo e até por isso mesmo. Credo quia absurdum, já dizia a máxima de Tertuliano. Se Bolsonaro trocasse cloroquina por creolina ou jujubas, a crença dos seus seguidores mais radicais mudaria automaticamente de conteúdo, mas o suicídio intelectual e o fervor dos crentes seriam o mesmo.

E como em toda seita, há o pastor do rebanho, há os que compartilham com ele o sacerdócio e há os seus profetas. Alexandre Garcia, um ex-jornalista convertido de primeira hora ao bolsonarismo, estreou na CNN Brasil esta semana, declarando ser Bolsonaro a comprovação científica de que a cloroquina funciona e que “seus colegas repórteres” só falam mal da droga santificada porque alguém lhes manda dizer isso. 

Alexandre Garcia gosta de dar-se ares de um homem logicamente refinado e culto, quando a sua principal habilidade consiste em torcer ou esculpir os dados até que eles pareçam se encaixar com plausibilidades nas suas opiniões preconcebidas. O “raciocínio lógico” usado por Garcia para “provar cientificamente” que a cloroquina é a cura da Covid-19 que os pagãos do mundo não querem que seja do conhecimento de todos, é o fato de Bolsonaro ter tomado o remédio e sobrevivido. Só que isso que ele chama de lógica é geralmente refutado no primeiro dia de aula de Falácias Argumentativas. É uma falácia descarada, para dizer o mínimo. É como dizer que uma vez que quando o galo canta, o sol nasce, é o canto do galo que faz o sol nascer. É ridículo. 

A estatística, que não costuma fazer escolhas políticas, diz que a taxa de letalidade do Sars-Cov-2 no mundo é de cerca de 2% em média. Quer dizer que se todos os infectados tomarem água de coco gelada com abará é provável que 98% se recuperarão, mas se trocarem o delicioso medicamento por caldo de cana e pastel de feira o milagre será exatamente o mesmo. No caso do Brasil, a taxa de letalidade, uma das mais altas do mundo, está em torno de 7%.  A notícia deveria ser, então, que pelo menos 5% dessas mortes poderiam ter sido evitadas, se quem governa o país tivesse adotado as políticas públicas testadas e comprovadas como eficazes em toda parte. Mas não, no estilo Garcia de jornalismo tribal teríamos o seguinte comentário: “A prova científica da competência do Ministério da Saúde de Bolsonaro é que estamos curando 93% dos infectados pela Covid-19”.

O mundo está tão louco que a posição ideológica das pessoas passou a orientar decisões com relação a que remédio tomar, se usamos ou não máscara em público, se vacino ou não os meus filhos. A modernidade consistiu exatamente em vetar que a religião pudesse exorbitar, quer dizer, sair do ambiente onde os crentes precisamos dela, a saber, na nossa relação com o sobrenatural, com a morte e com o sentido da existência. Para as demais necessidades da vida temos outros recursos, como a ciência, a política e a economia. A extrema-direita, entretanto, transformou-se em uma nova religião civil: o seu sumo sacerdote é considerado infalível em matéria de política, economia e, vejam só, medicina e saúde pública. Deus se apiede de nós.

 

mariano cloroquina.jpg

 

22
Jun20

Com foto de Frias nu, Folha chama secretário de "novo homem do presidente"

Talis Andrade

Novo secretário de cultura nu foi capa da Folha de S. Paulo no dia do beijo do apresentador Márcio Garcia

 

homem sorrindo

O presidente Jair Bolsonaro escolheu o ator Mário Frias para a Secretaria Especial da Cultura. O ex-galã da novela Malhação substituirá a atriz Regina Duarte, que deixou o cargo há cerca de um mês. A nomeação foi publicada nesta sexta-feira (19) em edição extra do "Diário Oficial da União".

Este correspondente considera que o título é usual no jornalismo: o novo homem do presidente. No caso Bolsonaro, até que suaviza sua imagem homofóbica. Talvez essa a intenção do serviço de propaganda do palácio liberar o beijo de Márcio Garcia. Veja vídeo abaixo

Vera Magalhães
@veramagalhaes

A @folha que me desculpe, mas há milhares de formas e razões para criticar a indicação de Mário Frias para a Cultura, mas essa não é uma delas. Faz insinuação homofóbica, sexualiza o que não deve. E se fosse uma atriz nua? Sairia esse título? Não é assim que se ilumina o debate

BBC News revela quem é Mário Frias: O ator ficou conhecido nos anos 1990 no seriado adolescente 'Malhação', da Rede Globo.

Regina deixou o cargo na quarta (20/05), menos de três meses após ser nomeada. Ela saiu sob pressão da chamada "ala ideológica" do governo e após desgastes envolvendo nomes que escolheu para a pasta. Oficialmente, disse que pediu exoneração por sentir falta da família, que mora em São Paulo.

Sem experiência política prévia, Frias entrou no radar bolsonarista quando foi um dos poucos ex-globais a defender Regina Duarte na época de sua nomeação - ele, inclusive, esteve na posse da atriz.

Depois, em 6 de maio, em uma entrevista à CNN Brasil, o ator voltou a defender a atriz, mas se disse disponível para o cargo. "Olha só, para ser bem direto para o Jair: para o que ele precisar, estou aqui", afirmou.

Na mesma entrevista o ator disse que quem assumisse teria que seguir a linha adotada pelo governo. "Se eu entrar numa novela e achar que tenho que fazer personagem engraçado, mas ele é dramático, alguém vai me corrigir. (Bolsonaro) quer ver a pasta numa direção e até agora não conseguiu."

A entrevista rendeu um convite para um encontro com o presidente. Os dois se encontraram em um almoço em que também estavam presentes empresários do ramo esportivo, um dia antes do anúncio da saída da então secretária. (Transcrevi trechos)

O ator José de Abreu criticou o beijo debochado de Márcio Garcia:
 
José de Abreu
@zehdeabreu
Decepção? Esse meu ex amigo virou isso! Fazer o que!

 

 

01
Jun20

O cavaleiro da desesperança

Talis Andrade
 
 
Vera Magalhães
@veramagalhaes
O presidente está fora de si. O país enfrenta uma pandemia, quase 30 mil já morreram. Ele passa o fim de semana brincando de rei do gado
 
 
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15
Mar20

A LEI DO CONTÁGIO Sergio Moro condena a irresponsabilidade de Bolsonaro no mano a mano com o povo, no corpo a corpo com o coronavírus

Talis Andrade

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Estadão
 
@Estadao
Bolsonaro atuou 'com requintes de sadismo' promovendo atos em meio a pandemia, diz presidente da OAB
Bolsonaro atuou 'com requintes de sadismo' promovendo atos em meio a pandemia, diz presidente da...
Orientado a ficar em isolamento, presidente foi ao encontro de manifestantes em Brasília e divulgou imagens de manifestações pró-governo nas redes sociais
politica.estadao.com.br
 
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Sergio Moro escreveu possíveis ações legais para evitar o contágio do coronavírus, que apagou depois de ver pela internet o capo Bolsonaro comandando marchas, em Brasília, contra o STF e o Congresso.
 
Mesmo assim Sergio Moro deixou, covarde e safadamente, sua críticas indiretas ao Presidente irresponsável, desequilibrado, inconsequente, transcrevendo recomendações do Ministério da Saúde.
 
Você está com sintomas de gripe e não sabe o que deve fazer?
O esclarece sua dúvida. Confira no vídeo.
 
#coronavírus #H1N1 #gripe #SUS #VacinaBrasil
Sergio Moro
@SF_Moro
Ministro da Justiça e Segurança Pública - sallus populi suprema lex esto
Brasília, Brasiljustica.gov.brJoined April 2019
 
Sergio Moro
@SF_Moro
 
Sergio Moro
@SF_Moro
 
Devido ao novo coronavirus, Senacon/MJSP recomenda que consumidores e aéreas ajustem eventual remarcação de viagens a turismo nos próximos 60 dias sem a cobrança de multa. A nota abaixo tem os detalhes. Force majeure.
Quote Tweet
Ministério da Justiça e Segurança Pública
 
@JusticaGovBR
·
Senacon recomenda que consumidor possa remarcar suas passagens sem custos. Veja todas as recomendações em: bit.ly/2vkIwIj
 
 
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Henrique Mandetta
@lhmandetta
 
Conto com cada um de vocês para a divulgação dessas importantes informações. Não há motivos para pânico! Basta que cada um faça sua parte com responsabilidade e empatia. Estamos atentos
Vera Magalhães
@veramagalhaes
 
E aqui estamos indo às ruas no #CoronaDay. Esse dia será lembrado nos livros de história. Podem anotar. 15/3/2020. Não é 2015, talkey? E a imagem do presidente cumprimentando pessoas em meio à pandemia irá para as páginas.
 
Petra Costa
@petracostal
Intervenção médica já!
Apesar de apelo da Saúde, Bolsonaro toca nas mãos de apoiadores
O presidente contrariou uma recomendação da OMS de evitar usar as mãos em saudações para combater o alastramento do coronavírus no mundo
metropoles.com
 
marcia tiburi
@marciatiburi
Tratar o #coronavirus como algo banal significa praticar o « mal radical ». Na Idade Média se acreditava nos « reis taumaturgos » cujo toque curaria escrófulas. Agora um « presidente » espalha a peste? Que tempos apocalípticos...
 
Emir Sader
@emirsader
Bolsonaro abre guerra aos Poderes com irresponsabilidade sanitária - 15/03/2020 - Poder - Folha
Bolsonaro abre guerra aos Poderes com irresponsabilidade sanitária - 15/03/2020 - Poder - Folha
Cenas insólitas deste domingo fazem conversas sobre impeachment deixarem de ser tabu
folha.uol.com.br
 
 
06
Mar20

STF nega HC preventivo a Zambelli e Kicis, que fizeram ataque fascista a Gleisi

Talis Andrade

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O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento a dois habeas corpus preventivos em que as deputadas federais Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF) pediam que a Corte impedisse ‘qualquer coação ou restrição de liberdade’ por terem compartilhado nas suas redes sociais vídeo em que a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) é hostilizada ao deixar um hotel no Rio de Janeiro junto com sua filha. A informação é do jornal Estado de S.Paulo. 

Os HCs preventivos foram impetrados após a Gleisi apresentar petições à Corte pedindo envio de representação à Procuradoria-Geral da República para que as deputadas sejam denunciadas por apologia ao crime. Ao avaliar o caso, Lewandowski registrou que o recebimento de representação de Gleisi contra as Carla Zambelli e Bia Kicis não iria causar ‘constrangimento ou qualquer limitação às esferas de direitos’ das deputadas do PSL.

RAPHAEL VELEDA in Metropóles conta o barraco das duas deputadas do PSL, partido que elegeu Bolsonaro presidente:
 

A disputa entre as parlamentares se dá em torno de um vídeo divulgado no último domingo (01/03), que mostra Gleisi, acompanhada de uma filha menor de idade, sendo hostilizada e discutindo com militantes políticos em um hotel, inclusive com tentativas de agressão física.

Gleisi foi ao Supremo porque as colegas divulgaram as cenas com mensagens de apoio aos agressores. “As deputadas representadas parabenizam e incentivam os atos violentos praticados contra Gleisi Hoffmann, incitando que mais atitudes como essas se repitam. A atitude das deputadas extrapola consideravelmente os limites da liberdade de expressão e da legalidade”, registra a denúncia da petista.

"Eu, deputada Carla Zambelli, não tenho o hábito de aplaudir atitudes de intimidação frente à pessoas, principalmente quando estão em menor quantidade. Mas, nesse caso, bato palmas para os cidadãos, pois não vejo como intolerância. É a tal da lei do retorno", postou ela em seu facebook.

"Pessoas como ela, precisam entender que se não estão na prisão de fato, devem permanecer em prisão domiciliar e não devem ser bem vindas em qualquer lugar", afirmou ainda Carla.

A deputada federal Bia Kicis divulgou em suas redes sociais neste domingo (1) um vídeo que mostra as agressões verbais contra a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann. Na legenda, a deputada escreve:

“Perdoem-me por invadir o domingo de vcs com uma visão dos infernos mas tinha que compartilhar c/ vcs a amante mais querida do Brasil recebendo o amor que ela merece. E no final, ela não resiste e solta o nome que ela não consegue esquecer”, escreveu Kicis, em referência ao trecho do vídeo que mostra Gleisi chamando seus agressores de “Bolsonaro”.

 
Vera Magalhães
 
@veramagalhaes
 
Tem algo muito errado quando uma deputada federal comemora a agressão contra uma colega em frente à filha menor de idade. Deputada, visão do inferno é esse seu tuíte.

Agressores identificados

Neste domingo (1), pelo Twitter, Gleisi expôs o casal que participou das agressões. Ela postou um print do Facebook com uma foto deles e escreveu:

“Este é o casal da tentativa de nos agredir no RJ. Ele deveria contar a verdade sobre o q aconteceu e não se vangloriar de um feito inexistente. Mesmo assim, a foto é válida para a identificação e o processo que irão responder. Valeu”.

Gleisi Hoffmann@gleisi

Este é o casal da tentativa de nos agredir no RJ. Ele deveria contar a verdade sobre o q aconteceu e não se vangloriar de um feito inexistente. Mesmo assim, a foto é válida para a identificação e o processo que irão responder. Valeu!

Ver imagem no Twitter
 

 

 
 
 
27
Fev20

Reinaldo Azevedo: “Não temos governo, mas um esgoto a céu aberto”

Talis Andrade

foda-se _cellus.jpg

 

 

Da Coluna de Reinaldo Azevedo no UOL.

 

Nunca, mas nunca mesmo, devemos cometer o erro de apostar que haverá um recuo, no campo da agressão, da ofensa e do crime, oriundo de Jair Bolsonaro, de seus filhos, da parte de seu ministério que compõe a escória mais asquerosa que a política já viu e das milícias virtuais que lhes dão apoio. Não! Eles sempre serão mais abjetos hoje do que foram no dia anterior e menos do que serão no dia seguinte.

A jornalista Vera Magalhães tornou-se o alvo da vez da canalha toda ao revelar que, num grupo de bolsonaristas que reúne diversos, digamos, tipos de apoiadores do presidente — há lá até aqueles que se confundem ou que são confundidos com profissionais da imprensa —, um empresário se dispôs a financiar caminhões de som para uma manifestação marcada para o dia 15. Mais: afirmou ter feito o mesmo durante a campanha.

A extrema-direita, com o incentivo do presidente e de seus filhos, sob o estímulo original do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete da Segurança Institucional, prega, entre outras aberrações, que os militares intervenham no Congresso e no Supremo.

 

(…)

Não temos um governo, mas um esgoto a céu aberto. Mais uma vez, o ódio à democracia e à imprensa livre se soma à misoginia.

(…)

21
Fev20

Petardo: Ataque misógino repercute no mundo

Talis Andrade

 

banana gorila bolsonaro _thiagolucas.jpg

 

Por Altamiro Borges

O ataque misógino do "capetão" contra a jornalista Patrícia Campos Mello segue repercutindo na mídia internacional. O "chefe de bando", como foi rotulado em duro editorial da Folha, foi alvo de críticas do jornal espanhol El País: “Nunca um presidente foi tão vulgar com uma mulher”. 

*** 

Já a Associated Press, que tem seus textos reproduzidos em 2.830 veículos noticiosos no mundo, afirma que Bolsonaro repetiu “acusação desmascarada contra uma das jornalistas mais importantes do país”, gerando “críticas de defensores da liberdade de imprensa e até de aliados”. 

*** 

No duro editorial intitulado “Sob ataque aos 99”, a Folha golpista finalmente descobre que Bolsonaro é um fascista perigoso. “O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando”, acusa o jornal. “Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária". 

*** 

No Estadão, Vera Magalhães – outra celebridade jornalística que ajudou a chocar o ovo da serpente fascista no país – afirma que Bolsonaro quebrou o decoro do cargo ao atacar a repórter da Folha e sugere a possibilidade da abertura de processo de impeachment contra o "capetão". 


*** 

A serviçal do Estadão cobra providências das autoridades e diz que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade “no ataque frontal, vil, pusilânime e abjeto que desferiu contra Patrícia Campos Mello ao repetir insinuações de cunho misógino, sexista e já desmentidas por documentos”. 

*** 

Já em O Globo, Miriam Leitão – musa dos golpistas e porta-voz dos neoliberais no país – afirma que “ao caluniar e difamar uma jornalista com uma afirmação machista e insinuação sexual, ele não atinge só a Patrícia Campos Mello. Num efeito bumerangue, Bolsonaro desrespeita o próprio cargo que ocupa" 

*** 

Manchetes nos jornalões. Folha: "Cid Gomes investe contra PMs amotinados e é baleado no CE"; Estadão: "Cid Gomes investe contra PMs amotinados e é baleado"; O Globo: "Acusado de chantagem por Heleno, Congresso reage". Militares voltam ao centro do debate político. Mais força ou desgaste? 

*** 

O ataque a Cid Gomes pela PM encapuçada repercute no mundo nos despachos da Associated Press, EFE, Deutsche Welle e AFP. "A imagem do país, que vem sendo exposta negativamente desde o Golpe de 2016, ganha agora as cores de um faroeste caboclo", registra o jornalista Olímpio Cruz. 

*** 

O laranjal perdeu qualquer veleidade. A Comissão de Ética da Presidência arquivou apuração contra Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação Social. Sua empresa tem contratos com TVs que recebem publicidade oficial. Só mesmo os otários acreditam na "ética" bolsonarista!
13
Fev20

850 mulheres jornalistas repudiam ataques à repórter Patrícia Campos Mello

Talis Andrade

 

Violences sexistes. Et les médias? 1Por Tiago Angelo

ConJur

Cerca de 850 mulheres jornalistas assinaram nesta quarta-feira (12/2) um manifesto repudiando os ataques sofridos pela jornalista da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello. Durante CPMI das Fake News, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da Yacows, disse que a profissional teria feito insinuações sexuais para conseguir informações para uma reportagem. 

Patrícia Campos Mello foi a responsável por revelar que empresas estavam enviando mensagens em massa pelo WhatsApp durante as eleições de 2018. Entre as empresas envolvidas na prática, que é ilegal, está justamente a Yacows.

Em reportagem, Patrícia Campos Mello mostrou que empresas usavam WhatsApp para disparo de mensagens em massa

 

A carta foi idealizada por Vera Magalhães, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. O documento foi assinado por jornalistas dos principais veículos de comunicação do Brasil, entre elas, Miriam Leitão, Mônica Bergamo e Bela Megale. 

"Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações", afirma o manifesto.

Ainda segundo o documento, "é inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como WhatsApp para disseminar fake news". 

As declarações feitas pelo ex-funcionário da Yacows ocorreram nesta terça-feira (11/2). "Quando eu cheguei na Folha de S. Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?", disse Hans no Congresso.

Em uma extensa reportagem, a Folha desmentiu ponto a ponto as alegações do depoente, inclusive a de que a repórter teria feito insinuações. De acordo com a matéria, o ex-funcionário é que teria convidado Patrícia para um show. A repórter, no entanto, ignorou a mensagem. 

Em nota divulgada pela Folha, a advogada Taís Gasparian, que defende o jornal, disse que cabe reparação à jornalista pelas declarações. "A ilação de que a jornalista teria sugerido a troca de matéria por sexo causa danos a ela, não apenas porque se trataria de um desvio de natureza ética da profissão como também por atingir sua condição feminina", diz Gasparian. 

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou os ataques contra Patrícia Campos Mello e criticou o deputado Eduardo Bolsonaro, que endossou as alegações feitas por Hans. 

“É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia”.

Leia a íntegra da carta assinadas por mulheres profissionais da imprensa

Manifesto em repúdio aos ataques à jornalista Patricia Campos Mello
Nós, jornalistas abaixo assinadas, repudiamos os ataques sórdidos e mentirosos proferidos em depoimento à CPMI das Fake News por Hans River, ex-funcionário da empresa Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens de WhatsApp, à jornalista da Folha de S.Paulo Patricia Campos Mello

Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações. 

É inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como WhatsApp para disseminar fake news.

Nós, jornalistas e mulheres de diferentes veículos, repudiamos com veemência este ataque que não é só à Patricia Campos Mello, mas a todas as mulheres e ao nosso direito de trabalhar e informar.  Não vamos admitir que se tente calar vozes femininas disseminando mentiras e propagando antigos e odiosos estigmas de cunho machista. 

Clique aqui para ler o manifesto

 

 

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