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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

15
Out20

Polícia encontrou dinheiro nas nádegas do senador Chico Rodrigues e sujo de fezes (vídeos)

Talis Andrade

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25
Jul20

3 - A ofensiva das forças antifascistas

Talis Andrade

 

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III - Retrato do Brasil, em impasse perigoso

por Luiz Filgueiras e Graça Druck 

- - -

A indignação da sociedade civil com a tragédia sanitária e as ameaças golpistas se ampliou rapidamente, com a reação efetiva de suas organizações representativas (movimentos sociais, partidos políticos, associações profissionais, OAB, ABI etc.), inclusive com o início do retorno dos protestos e movimentos de rua antifascistas e antirracistas, apesar da pandemia. Nessas mobilizações surgiu uma importante novidade política: a presença das torcidas de futebol antifascistas; que passaram a confrontar os atos antidemocráticos bolsonaristas, cada vez menores – protagonizando protestos com forte valor simbólico e com grande visibilidade e repercussão. Adicionalmente, no início de julho, os entregadores de empresas de aplicativo fizeram a primeira greve nacional da categoria, reivindicando melhores condições de trabalho e remuneração – revelando e denunciando a nova realidade do trabalho precarizado nas atividades de comércio e serviços: a “uberização”.

Na mesma direção política, a parte mais importante da mídia corporativa e os outros poderes da República, em particular o STF, começaram a mudar de atitude frente aos descalabros dos neofascistas – tanto em razão da reação da sociedade civil e dos crescentes ataques sofridos, quanto pela percepção de que não haveria mais possibilidade de contemporização, sob a pena da mais completa desmoralização. Começou-se a dar um basta à tentativa de emparedamento por parte dos bolsonaristas.

Os fatos mais recentes falam por si mesmos; evidenciam as derrotas de Bolsonaro e de seus seguidores, e revelam que se está diante de uma nova conjuntura política, na qual as forças antifascistas passaram da defesa ao ataque – invertendo-se a direção do emparedamento: Bolsonaro e seu governo passaram a atuar de forma defensiva, para não serem afastados, derrotados definitivamente; a aproximação com o chamado “Centrão” para evitar o impeachment, com a distribuição de cargos no governo, é sintomática, sobretudo porque traz Bolsonaro para dentro da “velha política” e do “sistema”. Eis alguns desses fatos, os mais relevantes:

1- Fabrício Queiroz, velho conhecido da família Bolsonaro e assessor do senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro por muitos anos, quando este ainda exercia o mandato de deputado estadual, foi preso por ordem do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro. A prisão ocorreu no contexto da investigação sobre a prática, por parte de deputados, da conhecida “rachadinha” (que consiste na entrega de parte do salário de assessores aos parlamentares aos quais se vinculam). Mas essa investigação vai muito além, pois envolve os suspeitos (Flávio Bolsonaro, Queiroz e seus parentes) em lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, tendo Flávio como chefe. Para piorar, Queiroz foi preso em um sítio de propriedade do advogado da família Bolsonaro; além de os desdobramentos dessa investigação, em andamento, estar apontando para as íntimas relações existentes entre a família Bolsonaro e o crime organizado (as milícias) do Rio de Janeiro.

2- O Supremo Tribunal Federal (STF), dando continuação à investigação sobre a prática de fake news (crimes de calúnia, difamação, ameaças etc.), associada à milícia digital bolsonarista sob o comando de Carlos Bolsonaro, determinou o cumprimento de dezenas de mandatos de busca e apreensão em endereços localizados em vários estados e o levantamento dos sigilos bancário e telefônico, assim como a prisão, de deputados e dirigentes de sites bolsonaristas. Além disso, confirmou a legalidade do STF em abrir essa investigação, bem como concordou com a prorrogação dos trabalhos da CPI mista do Congresso Nacional que tem por objeto o mesmo tema.

3- O STF abriu outro inquérito, envolvendo a família Bolsonaro e sua base de apoio bolsonarista, que tem por objeto a realização de ações, atos e manifestações antidemocráticos, com ameaças e agressões às Instituições, em particular o próprio STF e o Congresso Nacional. Entre outros objetivos, esse inquérito visa identificar quem financia os atos pró-Bolsonaro que agridem o Estado de Direito e os outros poderes da República. Nesse inquérito Flávio Bolsonaro foi convocado a depor. Na sequência, esse mesmo tribunal deslegitimou a tentativa canhestra de Bolsonaro e de alguns de seus ministros de legalizarem constitucionalmente uma eventual intervenção militar golpista – justificada por um suposto papel “moderador” das forças armadas, obviamente inexistente, pois isto implicaria na existência de um quarto poder (o único armado!) da República.

4- O acampamento na esplanada dos Ministérios, de um grupelho paramilitar de extrema-direita, autointitulado “Trezentos do Brasil”, que conclamava os apoiadores de Bolsonaro a constranger e agredir o STF e o Congresso Nacional, foi desmontado, por ordem do governador do Distrito Federal. Na sequência o STF decretou a prisão preventiva de alguns dos seus integrantes, inclusive sua líder.

5- Depois de o STF reafirmar a inclusão do Ministro da Educação Abraham Weintraub no inquérito das fake news, e com o risco de sua prisão em razão de ofensas dirigidas ao STF, e também tendo em vista o seu desgaste em todas as áreas da sociedade civil e até mesmo dentro do governo, Bolsonaro se viu na obrigação de demiti-lo – apesar de o mesmo ser um dos principais militantes da “guerra cultural” bolsonarista e ter estreita proximidade com a família Bolsonaro.

6- Tudo isso somado a inúmeros recuos e derrotas paralelas ou anteriores no STF e no Congresso Nacional: entre outros, suspensão da nomeação, por parte de Bolsonaro, do diretor geral da Polícia Federal; devolução da Medida Provisória que autorizava o Ministro da Educação a nomear reitores desrespeitando a autonomia da Instituições Federais de Ensino Superior; desmascaramento da tentativa de falsificação dos números sobre a pandemia, com a obrigação do Ministério da Saúde voltar a divulgá-los conforme os protocolos e a prática internacional; e fim da transferência de recursos do programa bolsa-família para a área de publicidade do governo.

Em suma, de um recente equilíbrio de forças, no qual aparentemente Bolsonaro não conseguia viabilizar o seu autogolpe, mas que as forças antifascistas também não conseguiam empurrá-lo para trás, o quadro começou a mudar rapidamente, inclusive internacionalmente. Além das derrotas e recuos assinalados anteriormente, não pode haver dúvidas de que a possibilidade crescente de derrota de Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos, igualmente pela forma como enfrentou a pandemia e pelas grandes e generalizadas manifestações antirracistas ocorridas nas suas principais cidades, vem empurrando mais ainda Bolsonaro e o seu governo para a defensiva. (Continua)

04
Jul20

Le Monde: Queiroz e pesquisas negativas aliviam discurso de "arruaceiro" Bolsonaro

Talis Andrade

 

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Texto RFI /Rádio França Internacional

O discurso mais apaziguador adotado por Jair Bolsonaro nas últimas semanas reflete a perda da popularidade do presidente brasileiro, a má repercussão do governo nas exportações e a prisão de Fabrcio Queiroz. A análise é do jornal francês Le Monde, em reportagem publicada neste sábado (4). A imprensa internacional também destacou a decisão de Bolsonaro de barrar a obrigatoriedade do uso de máscaras contra a Covid-19 nos comércios e locais de culto.

“Teria ele decidido colocar um pouco de água na cachaça?”, ironiza o Le Monde, ao afirmar que o presidente brasileiro “mudou de tom” nas últimas semanas. “Mais silencioso que de hábito, o presidente de extrema direita e arruaceiro sem igual aliviou seu discurso, pela primeira vez desde o início de seu mandato”, afirma o texto, assinado pelo correspondente no Rio de Janeiro.

A mudança começou com a saída do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, substituído pelo nome “mais consensual” de Renato Feder, de perfil técnico. A reportagem lembra que é a segunda vez, em um mês, que Bolsonaro afaga o chamado Centrão com nomeações para o seu gabinete, depois de Fábio Faria ser designado ministro das Comunicações, em junho. O Centrão, lembra o Monde, “simboliza a velha política com a qual Bolsonaro decidiu que terá de governar”.

Além disso, o diário informa que o presidente estaria disposto a cortar mais dois de seus controversos ministros: o do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. “Fim das ameaças de golpe de Estado e das declarações cortantes sobre o coronavírus. O presidente agora prega a ‘cooperação, a paz e a harmonia entre os poderes’  (…) e homenageou, enfim, as vítimas do coronavírus”, cita o jornal.

 

Encurralado por Queiroz

A publicação francesa diz que "razões muito simples” explicam essa virada. A última pesquisa Datafolha indica que o presidente conserva a sua base eleitoral, com 32% de apoio, mas o índice de rejeição de seu governo cresceu nas últimas semanas, passando de 38%, em abril, para 44% agora.

Bolsonaro também teria cedido à pressão das Forças Armadas e do agronegócio, preocupados com os impactos da política ambiental de Brasília nas exportações do país. “Mas, principalmente, o caso Queiroz se aproximou perigosamente”, observa o jornal, ao resumir as suspeitas contra o ex-assistente do ex-deputado Flvio Bolsonaro no Rio de Janeiro

 

Veto ao uso de máscaras

máscara bandeira.jpg

 

Além de Le Monde, a imprensa internacional repercutiu em peso a decisão de Bolsonaro de vetar a lei que determinava a obrigatoriedade do uso de máscaras em comércios, indústrias e locais de culto no Brasil, assim como por funcionários de lojas. O ultraconservador também se opôs à distribuição da proteção para a população economicamente vulnerável. “Presidente Jair Bolsonaro afunda lei exigindo máscaras em público no momento em que o país ultrapassa 1,5 milhão de casos”, diz a emissora catari Al Jazeera.

"Ele se recusou a reconhecer a gravidade do surto de Covid-19 no Brasil, apesar de ser o segundo país com maior número de casos e mortes no mundo”, frisa a britânica BBC. “O chefe de Estado se aproximava frequentemente de multidões, sem máscaras”, lembra a matéria da agência AFP, publicada em jornais franceses como Le Figaro.

21
Abr20

STJ aponta fortes indícios de crimes e organização criminosa chefiada por Flávio Bolsonaro

Talis Andrade

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Flávio Bolsonaro e Queiroz, a velha política

 

 

O ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, afirmou que as decisões que decretaram a quebra de sigilo do filho mais velho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, o 01, foram ‘devidamente fundamentadas’. A afirmação foi feita pelo magistrado ao negar o pedido para suspender as investigações do caso Queiroz.  

Na decisão, Felix Fischer diz ainda que “ao contrário do que o recorrente informa, que a investigação tenha acontecido em face de pessoa politicamente exposta, com vazamento de seus dados fiscais e bancários por cerca de 10 anos, fato é que, conforme consignado nos presentes autos, a quebra de sigilo foi autorizada em duas decisões judiciais devidamente fundamentadas (no amparo em fortes indícios de materialidade e autoria de crimes; na suposta formação de grande associação criminosa, com alto grau de permanência e estabilidade na ALERJ; e, como se não bastasse, na imprescindibilidade da medida)”, informa O Estado de S.Paulo

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