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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Dez20

O dedo podre de Sergio Moro para novos empregos

Talis Andrade

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Por Diogo Schelp

Tem gente com dedo podre para relacionamentos. Recorrentemente, escolhe namorar com pessoas que depois se revelam tóxicas, abusivas ou ciumentas. As coisas acabam sempre mal, com brigas, decepções e ódio eterno. Sergio Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justiça, por sua vez, ao ser anunciado esta semana como sócio-diretor da consultoria Alvarez & Marsal, demonstrou ter dedo podre para novos empregos.

Uma decisão desastrosa de gestão de carreira pode ser colocada na conta do azar ou de equívoco eventual. Duas seguidas já caracterizam comportamento recorrente.

A primeira vez em que o dedo podre de Moro para empregos entrou em ação foi em 2018, quando ele abandonou a carreira de juiz federal, do alto da sua fama por ter sido o responsável pelos julgamentos da Operação Lava Jato em Curitiba, para compor o gabinete ministerial do então recém-eleito presidente Jair Bolsonaro, na pasta de Justiça e Segurança Pública.

A&M e o “vale-tudo” em processos

É preciso diferenciar os serviços que a Alvarez & Marsal presta às empresas. A consultoria foi contratada como administradora nos processos de recuperação judicial da Odebrecht e da OAS. Trata-se de uma função burocrática, de interface entre a empresa que tenta evitar a falência e seus credores. A administradora judicial garante, por exemplo, o fluxo de informação entre empresa e credores, organiza assembleias para aprovação dos planos de recuperação, etc.

Mas a administradora judicial não se envolve diretamente nas estratégias de gestão da empresa em recuperação. Isso a Alvarez & Marsal faz, por exemplo, junto à Queiroz Galvão, que contratou a consultoria para cuidar de sua reestruturação financeira. Aí, sim, o risco de conflito de interesses se torna mais presente, pois cabe à consultoria aconselhar, definir estratégias, decidir como cortar custos, como se proteger de processos judiciais futuros e como enfrentar os credores.

Os consultores da Alvarez & Marsal são conhecidos no mercado pelas técnicas de vale-tudo com que buscam atingir suas metas — dentro das regras legais, mas com muito dedo no olho, puxão de cabelo e golpes pelas costas.

Editora Abril

Um exemplo emblemático foi a estratégia elaborada pela Alvarez & Marsal para a recuperação judicial da Editora Abril, em 2018. Os donos da empresa entregaram a administração do grupo para a Alvarez & Marsal em julho daquele ano, para fazer uma “reestruturação operacional”. Um mês depois, a Abril demitiu 804 funcionários e, após dez dias, entrou com pedido de recuperação judicial — antes de encerrado o prazo para pagar as indenizações trabalhistas. Com isso, não precisou pagá-las.

Ou seja, a Alvarez & Marsal desenvolveu uma estratégia, inédita no Brasil, de fazer uma demissão em massa seguida de calote trabalhista em massa, pois a partir do pedido na Justiça nenhuma dívida podia ser cobrada fora do processo de recuperação judicial. Uma manobra supostamente legal, mas definitivamente imoral.

Mais de 400 colaboradores que haviam sido demitidos antes e que estavam recebendo suas indenizações parceladas também levaram calote. Ex-funcionários morreram antes de receber seus direitos. Operários da gráfica ficaram sem ter do que viver. Muitos entraram em depressão.

Conheço bem essa história pois fui um dos mais de 1200 credores trabalhistas da recuperação judicial da Abril. Nos bastidores, os consultores da Alvarez & Marsal comportavam-se mal, muito mal. Executivos e diretores de redação eram recebidos com escárnio e arrogância pelos representantes da consultoria, que comemoravam abrindo garrafas de espumante quando alguém pedia demissão ou quando uma das etapas do seu plano para espremer os centavos dos funcionários demitidos era cumprida conforme o previsto.

Essa é a cultura da nova casa do ex-juiz Sergio Moro. Ele diz que vai ajudar as empresas “a fazer a coisa certa”. Espera-se que consiga. (Transcrevi trechos)

26
Out19

A bomba da Veja: "disse ter ouvido..."

Talis Andrade

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por Rogério Correia 

Capa da revista Veja traz reportagem requentando o tal “caso Celso Daniel”. Põe a tarja “exclusivo” para um texto que pode ser assim resumido: 

1) “Valério DISSE TER OUVIDO de um empresário que o ex-presidente foi o mandante do assassinato” 

 Adiante, Veja condiciona: 

 2) “SE Marcos Valério estiver dizendo a verdade..”  Por fim, um adendo da própria revista: 

 3) “O novo depoimento, EMBORA NÃO TRAGA NENHUMA PROVA CONCRETA (...)” 

 O que deve ter ocorrido: prestes a fechar a revista e diante da possibilidade mais concreta de Lula livre proximamente, os editores de Veja tentam trazer mais uma denúncia do ex-ministro Palocci. Aí lembram a eles que Palocci já deu e não passa qualquer credibilidade. “Vamos ressuscitar o caso Celso Daniel então”. 

Pode apostar: não demorará e alguém ainda publicará que Lula mandou a Shell derrubar óleo no litoral do Nordeste... E não duvide que algum bolsominion vai babar com isso nos whatsapps da vida...  

Continuamos aqui a esperar uma continha bancária do Lula no exterior; um documento assinado por ele comprovando corrupção; um apartamentozinho (bunker) em que ele guardava dinheiro; uma gravaçãozinha em áudio ou vídeo em que o ex-presidente confesse crimes.   

Até agora, nada disso foi apresentado. Vamos lá, Veja, Globo, IstoÉ, Estadão, vamos lá Dallagnol e Sergio Moro: acharam coisa ruim de tanta gente (Aécio, Cunha, Temer, Gedel, Serra...), por que após tanto tempo não acham nada concreto do Lula?

TAL PAI, TAL FILHO

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26
Out19

Nem Moro levou a sério a capa da Veja

Talis Andrade

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Por Alex Solnik

Jornalistas pela Democracia 

Não tem pé nem cabeça a matéria de capa da Veja na qual o notório Marcos Valério tenta envolver Lula no assassinato de Celso Daniel.

Passados 17 anos, o pivô do mensalão, condenado a 50 anos de prisão, agora cumprindo semi-aberto resolveu contar ao Ministério Público de São Paulo ter ouvido do empresário Ronan Maria Pinto que, se não lhe dessem uma boa grana ele espalharia que Lula mandou matar o ex-prefeito de Santo André.

Essa é a única “prova” que Marcos Valério apresenta: a palavra (sem nenhuma prova) de um empresário corrupto que está preso. E a Veja faz disso uma capa com o título ”Passado explosivo”!

Ora, se Ronan, que está em cana, tem certeza que Lula foi o mandante por que não o delatou até agora e se livrou da sentença?

A motivação do assassinato é surreal: Celso Daniel teria fechado a torneira da prefeitura através da qual bancava a caravana de Lula pelo país.

Por isso, deveria morrer!

Só mafioso age dessa maneira.

O estranho é que Sérgio Moro, sempre tão empenhado em enquadrar o PT como “organização criminosa” ouviu essa denúncia da boca do Valério em 2018 e nem deu bola.

Outra coisa estranha é que Valério, segundo ele escalado para resolver “o problema com Ronan”, e que tinha canais de acesso ao Banco do Brasil, recorre a um banco privado para silenciar Ronan.

E esse banco privado topa a parada porque, em troca de R$12 milhões, ganharia um contrato com a Petrobrás de R$1,6 bi. O negócio do século!

Essa bobajada pode até vender revista, pode até ser investigada pelo Gaeco – o órgão policial do MP – mas não vai dar em nada. Além de, provavelmente, processos contra a revista.

O que se vai descobrir, depois de 17 anos que não foi revelado pela investigação exaustiva da polícia civil de São Paulo que, ao que se saiba, nunca foi controlada pelo PT e sim pelos tucanos e teria o maior interesse político em jogar essa conta em cima de petistas?

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26
Out19

Veja terá de responder por mais uma capa criminosa contra Lula

Talis Andrade
O Partido dos Trabalhadores e seus membros ofendidos por mais esta ação criminosa da revista Veja estão tomando, desde hoje, a medidas no âmbito da Justiça contra a publicação, seus proprietários, editores e o autor
 

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As mentiras reproduzidas como novidade na última edição da revista Veja já haviam sido vendidas pelo sr. Marcos Valério à Procuradoria Geral da República, em 2012, e foram repetidas à Lava Jato, em 2016, numa desesperada tentativa de envolver o ex-presidente Lula em mais uma falsa acusação. Em nenhum dos dois casos a impostura parou de pé, por ser história falsa, sem prova nem testemunho, apesar da obsessão macabra dos que tentam até hoje tirar proveito político do assassinato do prefeito Celso Daniel, em janeiro de 2002. Mas Veja foi longe demais, até para uma revista que sempre abusou de mentir sobre o PT, e terá de responder pelo crime que cometeu.

Veja é falsa desde a capa até o ponto final da matéria. Apresenta como se fosse “recente” um depoimento prestado por Marcos Valério em 17 e 18 de outubro do ano passado e que não gerou desdobramentos. Mente ao dizer que o caso Celso Daniel “foi reaberto” a partir daquele depoimento, pois nenhum novo procedimento foi gerado, até porque os supostos fatos narrados estariam prescritos. Omite que Valério fracassou em outras tentativas de chantagem. E, como é hábito no jornalismo gângster, publicou calúnias e falsidades sem dar chance de resposta aos ofendidos.

Veja esconde dos leitores que nem mesmo a Lava Jato, notória pela perseguição a Lula, encontrou elementos para reabrir o caso e que a “Operação Carbono 14” (lançada em 1º. de abril de 2016 com objetivo de envolver falsamente Lula e o crime de Santo André) foi o maior fracasso da perseguição movida por Sergio Moro e pelos procuradores no âmbito da Lava Jato. Das nove pessoas então acusadas com estardalhaço, cinco tiveram de ser inocentadas por Moro, porque simplesmente não havia crime a ser apurado, e as demais passaram a responder por outras acusações.

Veja esconde ainda que outra manobra frustrada para envolver Lula no caso, desta vez em 2017, foi revelada pelo site Intercept na série Vaza Jato. Em 13 de março daquele ano, Sergio Moro repassou a Deltan Dallagnol uma queixa da então deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), segundo a qual os promotores do Ministério Público de São Paulo “não estariam interessados” no caso de Marcos Valério. Foi em decorrência dessa intervenção indevida e ilegal da Lava Jato que os promotores de São Paulo ouviram Valério duas vezes, em 17 de abril de 2017 e em outubro de 2018, segundo nota oficial do MPSP. E nada disso transformou mentira em verdade.

A capa da Veja enoja e ofende. Brota no mesmo pântano onde nasceram tantas outras mentiras contra o PT e suas lideranças. Revela o desespero dos que não aceitam o fato de que a farsa judicial contra Lula está desmoronando, depois de cinco anos da mais sórdida e mais intensa campanha que já se fez nos meios de comunicação contra um líder político na história desse país.

O Partido dos Trabalhadores e seus membros ofendidos por mais esta ação criminosa da revista Veja estão tomando, desde hoje,  medidas no âmbito da Justiça contra a publicação, seus proprietários, editores e o autor da matéria. O mesmo ocorrerá a todos que reproduzirem a falsidade com intenção de caluniar. Da mesma forma que estamos certos de que a verdadeira Justiça virá para Lula, com a anulação da sentença parcial, injusta e ilegal de Sergio Moro, temos de acreditar que os crimes cometidos contra a verdade e a dignidade também serão punidos com o rigor da lei.

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores

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26
Out19

Como Veja pretende sair da capa falsa sobre Lula?

Talis Andrade

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por Luis Nassif

Segundo Joaquim Carvalho, do DCM, a fonte da revista Veja para a capa desta semana – sobre suposta denúncia de Marcos Valério implicando Lula na morte de Celso Daniel – foi a deputada Mara Gabrilli, cujo pai foi dono de linhas de ônibus no ABC.

Mara não é fonte confiável. Ela mente. E faz parte de uma família envolvida com transporte público, setor que não é dos mais transparentes no trato com a política, e que tinha disputas pesadas com a prefeitura do PT em São Bernardo. Nem sei as razões, se tinha motivos legítimos ou não. Mas, como fonte, ela mente.

Foi o que ocorreu com ela no presídio da Papuda, quando Deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara foram avaliar as condições da cela dos presos do mensalão.

Por ser cadeirante, Gabrilli não teve acesso à cela de José Dirceu. Mesmo assim, na saída, procurou repórteres e divulgou versões falsas, prontamente aceitas por jornais como O Globo. Segundo ela, os deputados teriam encontrado Dirceu assistindo o jogo entre Real Madri e Bayern em uma televisão de plasma, ficando sozinho em uma cela de 23 m2 com micro-ondas, fogareiro e chuveiro com água quente.

Era mentira. Os demais deputados afirmaram que a cela era pequena, um pouco maior que as demais porque nela estavam todos os sentenciados do mensalão. A cela tinha goteiras, o chuveiro era de água fria, igual os demais chuveiros do presídio. Mas a informação foi escondida pelos veículos de mídia, na pior fase da história da imprensa brasileira.

Quem me assegurou que Gabrilli mentiu foi a própria superintendente dos serviços penitenciários do Distrito Federal, Larissa Feitosa, enteada de Gilmar Mendes, em um período em que o próprio Gilmar era adversário implacável do governo petista.

Veja sabia que Gabrilli não é fonte confiável, que ela mente. Deu uma capa factoide, segundo a qual Valério teria ouvido do próprio Lula que o PT estaria sendo alvo de chantagem do empresário Ronan Maria Pinto, e que o prefeito de São Bernardo, Celso Daniel, precisaria ser eliminado.

A história se autodestruía pela inverossimilhança. Mesmo que Marcos Valério tivesse dito isso, a versão não se sustentava. Lula tinha uma precaução obsessiva com qualquer cena, ou diálogo, que pudesse gerar mal-entendidos. Só terraplanistas poderiam acreditar que ele combinaria a morte de um prefeito do seu partido com um operador mineiro, ligado aos tucanos, com o qual não tinha a menor intimidade.

Mas o factoide é mais grave. Segundo três testemunhas centrais, Valério não fez qualquer ilação do crime com Lula. O delegado que fez o inquérito desmentiu, o empresário mencionado como autor de chantagens desmentiu, o promotor desmentiu. Em nenhum momento, a delação de Valério fez qualquer menção à participação de Lula.

Na imprensa corporativa, o único veículo que repercutiu a capa – ainda assim, com uma matéria isenta – foi o Estadão, mostrando que publicações como Veja e IstoÉ foram alijadas do círculo de auto referência da mídia corporativa. Diferentemente do período em que a revista liderou o mundo das fake news, fazendo o trabalho sujo para que os demais veículos repercutissem.

Como ficam agora os bravos colegas que pretendiam recuperar a imagem da revista? Não podem insistir na versão de Lula encomendando a morte de Celso Daniel, por ridícula, a não ser que pretenda recuperar os leitores do jornalismo de esgoto que praticavam, e que hoje estão se dando melhor em redes de WhatsApp. Não farão autocrítica, porque não haveria nenhuma explicação plausível para a barriga. Apenas continuarão a tocar o féretro, levando a revista para o fim inexorável.

Pena que uma bandeira das mais relevantes, a inclusão de pessoas com deficiência, tenha como uma das porta vozes uma deputada que mente.

 

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26
Out19

Como e por que Veja construiu a farsa que aponta Lula como mandante da morte de Celso Daniel

Talis Andrade

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Rodrigo Pinho de Bossi

 

por Joaquim de Carvalho

DCM 

A capa da revista Veja desta semana é uma farsa, construída com ajuda de quem quer influir no julgamento sobre a prisão a partir da condenação em 2ª instância.

“O Marcos Valério nunca afirmou que Lula é o mandante do assassinato de Celso Daniel”, disse ao DCM o delegado Rodrigo Pinho de Bossi, a autoridade que tomou o depoimento que Veja utiliza para construir a versão de que o ex-presidente está envolvido na morte do ex-prefeito de Celso Daniel.

“A Veja está querendo influir no julgamento da 2ª instância, e nessa farsa posso dizer, com certeza, que há a ação de Mara Gabrilli”, afirmou, em referência à senadora do PSDB que é filha de um empresário do setor de ônibus que admitiu, em depoimento a uma CPI de Santo André, que participou, conscientemente, do esquema de corrupção que existia na cidade mesmo antes da administração petista.

Desde a morte de Santo André, no entanto, Mara Gabrilli tem feito de um caso de corrupção uma trama de violência política, e colocando seu pai (e a si mesma) como vítima. Rodrigo Bossi de Pinho sabe do envolvimento de Mara Gabrilli na farsa que Veja constrói porque foi procurado nesta semana por ela. “Mara Gabrilli me ligou diversas vezes essa semana, tentando me influenciar a liberar o vídeo da oitiva. Não dei”, contou.

“Sabia que eles estavam tentando influenciar no julgamento do STF”, acrescentou.

Mesmo assim, o vídeo não contém nenhuma declaração que liga Lula ao assassinato de Celso Daniel.

“O Marcos Valério jamais disse ‘foi o Lula’. Ele disse que o Ronan (Maria Pinto, empresário do setor de transporte em Santo André) ameaçava dizer que foi ele. São coisas completamente diferentes”, afirmou o delegado, hoje aposentado em razão de um câncer em estágio avançado.

Rodrigo Bossi de Pinho tem os vídeos do depoimento de Marcos Valério porque o acordo de delação premiada foi feito com ele, depois de uma tentativa frustrada com representantes do Ministério Público, tanto o estadual de Minas Gerais quanto o federal.

A alegação para a falta de interesse do Ministério Público é que faltaria credibilidade a Marcos Valério. Rodrigo Bossi de Pinho, no entanto, tem razões para suspeitar que os motivos são outros. Valério denuncia um esquema de corrupção que envolve políticos de partidos de A a Z, mas não só. Também há autoridades do Judiciário, órgãos de imprensa, peritos, policiais.

“Não existiu mensalão do PSDB ou mensalão do PT. Existe um caixa construído com dinheiro de quem se beneficia de desvios e de decisões do Estado para manter as coisas como são”, afirmou.

Segundo ele, a delação de Valério tem relatos importantes, inclusive sobre desvios a partir do processo de semiprivatização da Cemig, a estatal de energia de Minas Gerais, em 1998, que envolve a cúpula do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Mas, sobre isso, Veja silenciou, e preferiu investir na farsa de Lula como mandante do assassinato de Celso Daniel.

“Todo investigador de homicídios parte da motivação. Eu fui delegado de homicídios durante seis anos. Não há motivação pra Lula matar Celso, como também não havia para Celso delatar o esquema. Celso arrecadava para o PT conscientemente”, disse.

“Ele descobre que Sombra e Ronan estavam com um esquema criminoso, arrecadando do crime organizado, e botando parte do dinheiro no bolso. O Celso também seria o ministro, no lugar do Palocci. Qualquer problema, então, seria resolvido interna corporis. Não havia motivação pra matar, pois o Celso não ia jogar sujeira no ventilador. Então, só sobra motivação pro Sombra (Sérgio Gomes da Silva, já falecido, que foi amigo do ex-prefeito de Santo André) e pro Ronan.

São hipóteses que o delegado traça, mas esta é uma investigação de que ele não se ocupou. Em São Paulo, a Polícia Civil investigou o caso duas vezes, e concluiu que foi crime comum.

“Toda vez que este assunto retorna é para desviar a atenção de algo presente e relevante. Foi crime comum, mas os radicais insistem nas teorias da conspiração”, comentou, por sua vez, o delegado Marcos Carneiro Lima, do DHPP, também ele sentindo no ar o cheiro da armação por conta do julgamento sobre a prisão a partir da condenação em 2ª instância.

Lula não reivindicou esse julgamento, embora ele seja alcançado pela possível decisão do STF em favor do princípio constitucional da presunção de inocência, que está na essência da questão da 2ª instância.

Rodrigo Bossi de Pinho reafirmou: “Repito: o Marcos Valério nunca disse que foi o Lula. E isso já tem um ano. A Veja faz parecer que foi agora”, disse.

É armação.

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26
Out19

A Veja faz um trabalho sujo

Talis Andrade

 

Por Leandro Fortes

Jornalistas pela Democracia

 

O fato de terem exumado, pela enésima vez, o cadáver de Celso Daniel para atingir Luiz Inácio Lula da Silva revela o total esvaziamento de opções, dentro da direita golpista instalada no Poder Judiciário, para atacar o ex-presidente petista. Que tenha sido a Veja o veículo escolhido para mais esse trabalho sujo, chega a ser entediante, de tão previsível.

O crime contra Celso Daniel, ocorrido há 17 anos, foi investigado meia dúzia de vezes pela polícia tucana de São Paulo, mas nem assim chegaram a qualquer ligação entre Lula e o PT com o homicídio, encerrado como ocorrência de crime comum. Ainda, assim, a cada eleição presidencial, de 2002 para cá, o caso foi desenterrado, apresentado como prova de um propalado gangsterismo petista que, apesar da nação de idiotas que nos tornamos, nunca colou.

Agora, quando o Supremo Tribunal Federal indica que Lula será libertado, por estar preso ilegalmente depois de condenado sem provas, o Ministério Público de São Paulo pegou um Palocci de estimação para colocar no pau-de-arara: o publicitário Marcos Valério, artífice dos chamados mensalões do PSDB e do PT, condenado a 37 anos de cadeia.

Assim, do nada, sem uma única prova e evidência, Valério "decidiu" acusar Lula de mandante do assassinato de Celso Daniel. Um dia depois do voto da ministra Rosa Weber que poderá retirá-lo da cadeia.

Se esse é o arsenal que resta contra Lula, um admirável mundo novo se anuncia, pois.

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08
Out19

Veja ressuscita o "Tutóia Hilton" da ditadura

Talis Andrade

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por Fernando Morais

Ao publicar uma nota chamando de “Spa milionário” o cubículo de 22 metros quadrados em que Lula está injustamente preso há um ano e meio, a revista Veja desta semana reprisa o sórdido colunista Cláudio Marques, que em 1975 afirmava que Vladimir Herzog deveria ser levado para o “Tutóia Hilton” – o DOI-CODI que funcionava na rua Tutóia e onde Vlado foi assassinado.
 
Veja mente ao dizer que a prisão de Lula em Curitiba já custou aos cofres públicos R$ 6 milhões. Isso significaria, se fosse verdade, um custo diário de R$ 12 mil. É mentira.

A única despesa diária da Federal com o ex-presidente se resume à quentinha da hora do almoço – que nem sempre consome, já que às vezes familiares e advogados costumam levar almoço para ele. Lula comprou (ou compra) e paga do próprio bolso, por meio de seus advogados, a televisão aberta que usa, os dois gaveteiros para guardar seus pertences, a tampa do vaso sanitário, o papel higiênico e os rolos de papel chuga, sabonetes, o café, o pão, a esteira de ginástica (adquirida numa loja de objetos usados de Curitiba) e uma cômoda.

Embora uma simpática funcionária apareça algumas vezes por semana para a faxina, a limpeza diária é feita pelo próprio presidente (obsessivo com higiene e organização), que mantém dentro de um balde plástico, sob o guarda-roupa, pagos por ele, escovões, sabão, produtos de limpeza e panos de chão que Lula usa diariamente para manter a cela limpa.

Para ter água fresca e filtrada, e para conservar os alimentos perecíveis, Lula pediu a instalação de uma mini geladeira na cela. Negado o pedido, ele foi obrigado a comprar um cooler elétrico, que funciona como frigobar, e, semanalmente, renova o estoque de garrafinhas de plástico de água mineral. Com seu próprio dinheiro.

Os R$ 6 milhões inventados por Veja seriam suficientes para comprar meio milhão de quentinhas, cuja unidade custa, em média, treze reais.

Veja perde o dono, mas não perde o vício.
06
Jul19

Ih, esqueci a prova!, diz a Dra. Laura! Olha o prazo!, grita Moro!

Talis Andrade

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Por Lenio Luiz Streck

Caso Intercept. Não sou eu que volto ao assunto; o assunto é que volta a mim. Impossível não falar sobre isso. Esta semana a revista Veja mostra o modo como o trabalho da Lava Jato era, mesmo, feito em equipe. O juiz comandava tanto a operação que chegou a chamar atenção várias vezes do MP: cuidado com o prazo, é de 3 dias! Avisa a Laura que faltou uma prova! Veja lá! E Dallagnol: vou lhe mandar umas jurisprudências para ajudar a prender melhor! Um idílio jurídico. Um jus-idílio. Mas tudo na “normalidade”.

Revelações, agora da Veja, reforçam a parcialidade do então juiz Moro. Podem falar o que quiserem. Podem dizer que é produto de hacker etc. Mas não conseguirão esconder o que os diálogos revelam: a parcialidade do juiz e o conluio deste com a acusação. Simples assim.

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Vale a leitura de todos os diálogos. A gravidade é lancinante. Para um resumo, abro aspas para o que diz a revista Veja:

“Fora dos autos (e dentro do Telegram), o atual ministro pediu à acusação que incluísse provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Além disso, revelam os diálogos, comportou-se como chefe do Ministério Público Federal”.

“Na privacidade dos chats, Moro revisou peças dos procuradores e até dava bronca neles”.

Pausa para uma infusão de rubiácea. Vamos de novo. Recuperemos o folego.

Moro mandou a acusação incluir provas, interferiu em ordem de operações, Moro pressionou para que delações não andassem. Comportou-se como chefe do MPF.

Lembrando: quem diz isso é a Veja, que, durante muito tempo, embarcou na narrativa lavajatista.

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Lembrando: vale a leitura de todos os diálogos. A gravidade é latente. Com isso, quero dizer que não preciso, aqui, copiar e colar todas as conversas – conversas que, “palavra por palavra, [...] são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave” (sic – Veja).

O que vou fazer hoje, pois, é um pouco diferente.

Como também devem ter feito os leitores, acompanhei as repercussões das sessões do ministro Moro na Câmara e no Senado.

Eis, então, minhas perguntas ao ministro Sergio Moro. Ao Dallagnol, nem pergunto. Vou direto a quem atuou como seu chefe.

Ministro, o senhor foi juiz e bem sabe o que diz o artigo 254 do CPP; pergunto: o senhor entende que, ao indicar testemunhas, ao recomendar notas à imprensa, ao opinar sobre a ordem de fases de operação da polícia judiciária, não aconselhou a acusação? Em caso negativo – e imagino que seja, já que o senhor não se declarou suspeito –, peço que explique qual é o raciocínio por meio do qual o senhor desvincula os verbos “indicar” e “recomendar”, atitudes inegáveis diante dos diálogos, do verbo “aconselhar”.

Em síntese, ministro, pergunto de muito boa-fé e espero uma resposta no mesmo sentido: sua conduta não contrariou em nada o que diz o Código de Processo Penal?

Com relação à alegação de que um hacker pode ter adulterado as mensagens – não sei por que um hacker adulteraria mensagens que não indicam nenhuma irregularidade, mas enfim, eu aceito o argumento...! –, e especialmente na medida em que o senhor diz não mais ter as mensagens, pergunto, então, de forma bem específica: o senhor alertou ou não alertou o procurador Deltan sobre ter faltado um elemento na denúncia de Zwi Skornicki? Ou Dallagnol, ao cobrar da Dra. Laura a tal prova, teria inventado que o senhor cobrara (d)ele, só para mostrar à sua colega Laura um grau de intimidade com o juiz da causa? É uma das duas. Tertius non datur.

O senhor cobrou ou não cobrou uma manifestação tempestiva do MPF em resposta a habeas corpus impetrado por réu? Essas são coisas bem específicas; sequer é necessário ter boa memória. Em se tratando de um magistrado, doutor em direito, tenho certeza que o senhor é capaz de recordar.

Em síntese, ministro, o senhor disse ou não disse? Diretamente, sem tergiversações. Sem “pode ser”, “talvez”, “entretanto”, “mas”, “contudo”, “todavia”. Disse ou não?

Ministro, o senhor sugeriu ou não que a operação envolvendo o almirante Othon ficasse para o dia 20? Isso é bem específico. Dá pra lembrar.

Ministro: o senhor é um grande defensor das delações premiadas. Foi o senhor quem colocou essa locução nos dicionários midiáticos daqui. Seu projeto anticrime deixa isso muito claro. Pergunto – e, de novo, isso é bem específico: o senhor foi ou não contra a delação de Eduardo Cunha?

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Ministro: por que o senhor era contra uma delação de Cunha? Não foi sempre o senhor um grande defensor das delações? Repito, porque isso é grave e eu gostaria mesmo de saber. O Brasil quer saber. Por que o senhor não gostaria de uma delação do ex-deputado Eduardo Cunha?

Ministro: o senhor não entende como aconselhamento suas dicas sobre postura midiática a Deltan e demais procuradores com base no que disse um apresentador de TV? Que não se diga que não houve isso; o apresentador atestou.

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Pausa. De novo. Vejam o perigo de traçarmos a linha do absurdo sempre mais pra lá: um apresentador de TV aconselha um juiz que aconselha um procurador sobre modos de se portar na mídia.

Ministro Moro: o senhor, assumidamente, inspirou-se na operação Mãos Limpas. Acontece que, na Itália, o juiz que inspirou a operação era um juiz de instrução. O senhor, então, inspirou-se em um juiz de instrução; isso é legítimo no sistema acusatório?

Ministro, essa é bem direta também: qual é a razão para a quebra de sigilo de um jornalista?

Pronto. É isso que precisamos saber. São essas respostas que o Brasil quer ouvir.

Ainda, ao final, uma coisa: o senhor bancaria um projeto de lei no qual ficasse estabelecido que condutas como essas da Lava Jato reveladas por Intercept e divulgadas pela Folha e pela Veja, são perfeitamente lícitas e normais e que, portanto, podem ser universalizadas, isto é, utilizadas em todos os fóruns e tribunais da República? Podemos alterar o CPP nesse sentido, para que pelo menos os advogados, a partir de agora, saibam como fazer? Poderão os advogados também entrar nesse “jogo”? Eis a questão.

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05
Jul19

Moro orientava ilegalmente ações da Lava Jato, revelam Veja e The Intercept

Talis Andrade

A revista Veja trouxe fatos gravíssimos sobre a atuação de Sergio Moro como magistrado

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Mig - A revista Veja, em parceria com o site The Intercept Brasildivulga mensagens inéditas mostrando que o ex-juiz Federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça, cometeu irregularidades enquanto magistrado. São fatos gravíssimos sobre a atuação de Sergio Moro.

Os jornalistas Glenn Greenwald, Edoardo Ghirotto, Fernando Molica, Leandro Resende e Roberta Paduan assinam reportagem nesta sexta-feira, 5, que analisou mais de 649 mil mensagens e concluiu:

Fora dos autos (e dentro do Telegram), o atual ministro pediu à acusação que incluísse provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Além disso, revelam os diálogos, comportou-se como chefe do Ministério Público Federal, posição incompatível com a neutralidade exigida de um magistrado. Na privacidade dos chats, Moro revisou peças dos procuradores e até dava bronca neles.

A reportagem informa que em uma conversa de 28 de abril de 2016 Sergio Moro orientou os procuradores a tornar mais robusta uma peça. Dallagnol avisa à procuradora Laura Tessler que o juiz o havia alertado sobre a falta de uma informação na denúncia de um réu: “Laura no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do Musa e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e da tempo. Só é bom avisar ele”.  “Ih, vou ver”, responde a procuradora. No dia seguinte, o MPF incluiu um comprovante de depósito de 80 mil dólares feito por Skornicki a Musa. O magistrado aceita a denúncia minutos depois do aditamento, citando precisamente na decisão o documento que havia pedido.  

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O hebdomadário aponta que, do conjunto do material analisao, o que se depreende "é uma evidente parceria na defesa de uma causa", especialmente nas conversas entre Moro e Dalla­gnol. Em 2 de fevereiro de 2016, reporta a revista, o então juiz escreve a ele: “A odebrecht peticionou com aquela questao. Vou abrir prazo de tres dias para vcs se manifestarem”. Dalla­gnol agradece o aviso. Moro se refere ao questionamento da Odebrecht à Justiça da Suíça a respeito do compartilhamento de dados, incluindo extratos bancários, da empresa naquele país. Moro pede notícias a Dalla­gnol no dia 3. “Quando sera a manifestação do mpf?”, pergunta. “Estou redigindo, mas quero fazer bem feita, para já subsidiar os HCs que virão. Imagino que amanhã, no fim da tarde”, responde o procurador. No dia seguinte, Dalla­gnol informa a Moro que a peça estava quase pronta, mas dependia ainda da revisão de colegas. “Protocolamos amanha, salvo se for importante que seja hoje. Posso mandar, se preferir, versão atual por aqui, para facilitar preparo de decisão”, escreve. Moro tranquiliza Dalla­gnol: “Pode ser amanha”. No dia 5, prazo final, por volta das 15 horas, Dalla­gnol manda pelo Telegram ao juiz a peça “quase pronta”. A situação é completamente irregular.

"Em vez de se comunicarem de forma transparente pelos autos, juiz e procurador usam o Telegram. Como se não bastasse, o chefe da força-tarefa ainda envia a Moro uma versão inacabada do trabalho para que o juiz possa adiantar a sentença." Veja e The Intercept Brasil

Tratava-se, como apontam Veja e The Intercetp, de uma via de mão dupla: Dalla­gnol dá dicas sobre argumentos para garantir uma prisão, como revela conversa de 17 de dezembro de 2015. Moro informa que precisa de manifestação do MPF no pedido de revogação da prisão preventiva de José Carlos Bumlai, pecuarista e amigo de Lula. “Ate amanhã meio dia”, escreve. Dalla­gnol garante que a ação será feita e acrescenta: “Seguem algumas decisões boas para mencionar quando precisar prender alguém…”. "À luz do direito, é tão constrangedor quanto se Cristiano Zanin Martins fosse flagrado passando a Moro argumentos para embasar um habeas­-corpus a favor de Lula", afirma a revista.

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Até o momento, além de não confirmar que as conversas de fato ocorreram, Sergio Moro tem insistido que tais conversas são rotina.

Migalhas reuniu, em site exclusivo, todas as informações e desdobramentos dos vazamentos envolvendo a operação Lava Jato. Acesse: vazamentoslavajato.com.br

 

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