Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

07
Dez21

Moro usa chapéu de couro de bandido cangaceiro imaginando ser de vaqueiro nordestino

Talis Andrade

 

 

Lampiao foto.jpg

Lampião

A cabeça de Lampião – BLOG DO VLAD

Cabeças cortadas, a de Lampião entre dois chapéus de cangaceiro, o dele e o de Maria Bonita, numa exposição macabra em museu de Salvador.

lampiao historia.jpg

 

Vaqueiro do Nordeste - Candido Portinari — Google Arts & Culture

Vaqueiro, por Portinari

missa dos vaqueiros pernambuco.jpeg

 

 (Foto: Divulgação)AILUSTRAÇÃO-MIssa-dos-Vaqueiros-2017-4-533x300 - Blog do Roberto Gonçalves

Tradicional Missa do Vaqueiro de Serrita, Pernambuco

Moro vai ao Nordeste, usa chapéu de cangaceiro e é massacrado nas redesMoro com chapéu de couro

18
Abr18

ADEUS MENINA

Talis Andrade

 

 

vaqueiro.jpg

 

Preto Velho tá de canseira no corpo

de bobeira no juízo

Não tem vista para vigiar a noite

os olhos escurecem na mira do fuzil

As mãos não têm força para empunhar o machado

deitar a mata no chão

segurar o cabo da enxada

limpar o mato as ervas daninhas

derrubar o gado na vaquejada

amansar uma mumbanda assanhada na ramada

botão em flor no ponto de desabrochar

menina flor desejosa de ser desfolhada

para viver solta sem cabresto

marrã virada na lua furando cerca

coisa de gente moça

de quem não se acostuma com o curral

 

Preto Velho não tem gosto na cachaça

não faz roda de coco para uma umbigada  

não tem voz nem inspiração para um improviso

a rima fácil o verso cantado no ponteio da viola

Perdeu a ginga da dança

não tem xaxado nos pés

o poder de prostrar um inimigo

com um rabo de arraia

na capoeira

no passo do frevo

 

Ora rezando ora resmungando pelos cantos

arengando com as almas penadas

que despachou para o outro mundo

Preto Velho lambe as feridas

Chegou o tempo de fazer um serviço

o patrão não tenha mandado

O tempo de sumiço

voltar a ser menino

cavalgar sem sela e arreios

na lonjura não mais ver o adeus

da menina na janela não mais ver

 

---

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps. 34/35

18
Abr18

O SERTÃO LIBERTADO

Talis Andrade

ANTÔNIO CONSELHEIRO e o POVO.jpg

 

Neste apartado mundo

as palavras são secas

secos os corpos

 

Neste mundo seco

o sermão do peregrino

possuía a força

de uma enchente no rio

derrubando as cercas

derrubando os mourãos

pelourinhos em que a polícia

os padres os fazendeiros

prendiam e seviciavam

os vaqueiros destemidos

os camponeses foragidos

 

Neste mundo seco

o peregrino construiu uma cidade

pelo milagre da oração

Sua palavra era doce

como a água de uma fonte

doce como a água de um açude

 

Na secura da terra

a liberdade criou raízes

raízes verdejantes

E foi chegando gente

foi chegando gente

de todos os recantos 

O peregrino construiu

da noite para o dia

a segunda maior cidade

para o espanto da Bahia

 

Foi um marco nunca visto

uma ousadia que precisava

ser contida

Os jagunços apareceram

com os trabucos

A polícia apareceu

com os fuzis

O exército com os canhões

 

As expedições da prepotência

três vezes derrotadas

três vezes debandaram

deixando para trás

armamentos e cadáveres

 

A escaramuça dos frades

e fazendeiros

virou guerra

a guerra do fim do mundo

 

Canudos está perdida

Era a guerra da Igreja

contra os heréticos

Da República

contra os zumbis

do rei menino

Dom Sebastião

Era a guerra dos latifundiários

contra a multiplicação

dos frutos repartidos

 

Derrubaram as casas

Derrubaram a igreja

Degolaram camponeses

e vaqueiros os guerreiros

de Antonio Conselheiro

Degolaram mulheres e crianças

Degolaram os sonhos

de um paraíso

aqui na terra

 

Morto Antonio Conselheiro

profeta de Deus

os caracarás e urubus

passaram a voar

sobre o Vale do Vaza-Barris

 

Morto Antonio Conselheiro

o corpo desenterrado

para ser fotografado

e degolado

dos camponeses o esquerdo

de correr os rios secos

os desolados campos

onde nada se vê

nenhuma alma

nenhum palmo

de terra verde

por mais mundo

que se andeje

 

A correr os rios secos

a correr os caminhos secos

nenhum pedaço de terra

os nascidos pobres

haverão de ter

 

---

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps 29/33

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub