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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

03
Jun22

A biografia do covarde

Talis Andrade

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  • por Ruy Castro

 

Há dias, neste espaço (12/5), comparei Jair Bolsonaro àquele menino covarde que chuta um coleguinha pelas costas e, quando este reage, corre e vai pedir socorro ao irmão mais velho, chorando e dizendo-se agredido. Um garoto desses, se renitente na prática, será uma ameaça em adulto. No futuro, deem-lhe poder e um irmão mais velho —as Forças Armadas— e você terá Jair Bolsonaro.

Tenho alguma experiência na produção de biografias e me pergunto se e quando farão uma biografia à altura (ou à baixeza) de Bolsonaro. Primeiro será preciso encontrar um autor capaz de superar a revolta e repugnância que o personagem inspira, a fim de conferir ao trabalho a objetividade que a biografia exige. Depois, vencer a resistência das fontes de informações —muita gente sabe de horrores sobre ele, mas quantos se atreverão a contar? Bolsonaro é vingativo, sua índole é a do cão hidrófobo e, mesmo enjaulado e de focinheira, ainda terá força nos próximos anos para ir à forra contra quem o desagradar. Ou alguém duvida de que, mesmo sem ele, agentes avulsos de sua hidrofobia continuarão ativos?

Sempre acreditei que apenas a pessoa morta deveria ser biografada, e por um motivo óbvio: o de que só então sua história estará completa. Mas, no caso de Bolsonaro, é urgente a exceção. É preciso expô-lo o mais depressa possível, antes que a escalada de seu banditismo torne irrelevantes vilanias precoces. Tudo deve ser apurado, desde sua infância de menino covarde no interior de São Paulo até seu arrebatamento em desfilar de moto com 500 homens às suas costas, um deles atracado-lhe à garupa.

Informo desde já que não farei essa biografia. Ela exige um profissional mais jovem, com disponibilidade total e heroica determinação para chafurdar na merda.

Mas coloco-me à disposição para orientar, dar palpites e aconselhar a que se trabalhe de máscara, com o nariz tapado.

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TRIBUNA DA INTERNETImage

TRIBUNA DA INTERNET

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Covarde, Bolsonaro troca vidas por votos no Congresso | Partido dos  TrabalhadoresA mídia internacional e o risco Bolsonaro - Sinpro GoiásDesta vez exageraram com Bolsonaro! - OrlandoPassos.comNáufrago da Utopia: CARLA JIMÉNEZ: "BOLSONARO NÃO TEM HONRA NEM RESPEITO,  TEM ATITUDES DE UM COVARDE, DE UM SABOTADOR NACIONAL"

19
Abr22

Imprensa francesa: Escândalo do Viagra "embaraça extrema direita brasileira"

Talis Andrade

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Bolsonaro minizou a compra de milhares de comprimidos de Viagra pelo exército. AFP - EVARISTO SA

O escândalo da compra, pelo governo federal, de mais de 30 mil pílulas de Viagra e próteses penianas para o benefício de militares brasileiros, revelado na segunda-feira (11), “embaraça ao mais alto ponto o poder de extrema direita de Jair Bolsonaro”, aponta o jornal francês Le Monde nesta sexta (15).

O diário ressalta que os valores envolvidos "ainda não são claros, mas podem chegar a dezenas de milhares de euros”, o suficiente para incendiar as redes sociais no país. Le Monde relata que os internautas criticam, não sem ironia, que o caso denota “uma república das bananas dirigida por militares nostálgicos da dicta-dura”.

Outros, nota o jornal, ficaram indignados com o fato de que o governo não hesitou em encomendar Viagra, “mas bloqueou por meses a compra de vacinas contra a Covid-19”.

“Depois do Viagra, milhares de próteses penianas encomendados pelas Forças Armadas no Brasil”, diz o título de uma reportagem da agência AFP no site 20 Minutes. O governo está com dificuldades para justificar a compra e “ninguém acreditou” na desculpa de que as pílulas eram destinadas a tratar casos de hipertensão arterial pulmonar, frisa Le Monde.

Suposta virilidade é arma política de Bolsonaro

 

Já Bolsonaro tenta minimizar o assunto, dizendo que “não tem a menor importância”. “Virilista com orgulho, o presidente do Brasil fez da defesa da masculinidade uma das suas principais armas”, comenta o jornal francês, lembrando que o presidente “gosta de se apresentar como ‘imbrochável'”, apesar do cotidiano tumultuado no Planalto.

O escândalo já é relatado na imprensa francesa desde a quarta-feira (13). Le Figaro informou que Bolsonaro ainda comentou que o número de comprimidos de Viagra é “insignificante”, já que se destinam a "três exércitos”. O presidente também não perdeu a oportunidade de criticar a imprensa, que, segundo ele, “não sabe do que está falando”.

Charges de Zé DassilvaCharges – Sinergia SP | CUTCharges – Sinergia SP | CUTViagra | BLOG DO AMARILDO . CHARGE CARICATURACharge do Zé Dassilva: "Jovem, aliste-se!" | NSC Total

TRIBUNA DA INTERNET | Sob o signo da Liberdade

Deputado questiona Sérgio Reis sobre prótese peniana com dinheiro público

Deputado pergunta a Sérgio Reis sobre prótese peniana feita com dinheiro  público | Celebridades | iGImage

Frank Maia
tá meio demais, né?O Deputado Elias Vaz, do PSB de Goiás, e o senador Jorge Kajuru, do Podemos do mesmo estado, pedirão investigação ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal (MPF) para determinar por que o Exército comprou 60 próteses penianas infláveis no valor de R$ 3,5 milhões.

O Portal da Transparência e o Painel de Preços do governo federal apontam que foram feitos três pregões eletrônicos no ano passado para comprar os produtos, cujo comprimento varia entre 10 e 25 centímetros.Lubrificante Íntimo Siliconado Veludão - YouTube

O escândalo das compras de itens pelas Forças Armadas, que vão desde a aquisição de comprimidos de Viagra, próteses penianas e botox, ganha um novo contorno com a revelação de que os militares brasileiros licitaram R$ 37 mil para comprar centenas de bisnagas de gel lubrificante íntimo entre os anos de 2019 e 2020.Meme Sexshop | Disney characters, Character, Disney princess

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11
Abr22

O Brasil em pânico institucional

Talis Andrade

 

 

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Lenio Luiz Streck
Fórum da Liberdade RS pergunta: você é livre para discordar? Minha Resposta: Sim, mas não para mentir e fazer fake News.. Não para pregar AI-5 e pedir fechamento do STF. Há rádios no RS que fazem isso todos os dias, em nome da liberdade de opinião. Estarão no fórum! Da liberdade!Charge: Passando a mão. Por Aroeira
Min.Rosa Weber dizendo para a AGU que ela - AGU - não deve se comportar como advocacia de governo! A AGU podia dormir sem essa. Como é fácil desfigurar instituições no Brasil. Quando será resgatada a função da AGU? Veja-se a procuradoria da UFPB defendendo o reitor. E assim vai.
Charge do Zé Dassilva: Bíblia | NSC Total
Leio que reuniões do Ministério da Educação eram consagradas pelos pastores Arilton e Gilmar! É! Banho de descarrego. Eles iam lá para isso! Senha para ingresso: “em o nome”. Contra-senha: “ do senhor Jesus”. Brasil progride com fé. Demais!!!
Charge do Zé Dassilva: Milagre!!! | NSC Total
Fabiano faz a pergunta fatal! Aliás, Deltan deve muitas respostas. Por ex, sobre os dólares debaixo da banheira! Quem falou disso foi a mãe dele nos diálogos Intercept. Mãe não mente! Mãe é sagrada!

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Fabiano Silva
Mas você constituiu um fundo para isso Delta! Aliás, a fundação era para isso? Para ajudar na sua campanha!? Pq no contrato estava escrito que era para patrocinar interesses políticos no combate à corrupção. Era para te patrocinar? Conta para a gente

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Polícia Federal pede prazo para o caso “Bolsonaro e divulgação da fake de que vacina tem relação com AiDS”. Realmente, muito “complexa” a investigação. Será que Bolsonaro falou isso? Céus. Que dúvida atroz! Prova pericial? Esse Brasil só reiventando! É a “Independência” da PF…!

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moro rasgou constituição para prender lula ele

 
 
 
26
Mar22

Mostra tua cara

Talis Andrade

 

Você acha que a aids ficou na década de 1980? A doença ainda persiste. E as mesmas ideias preconceituosas, estereótipos e discursos conservadores também

A manchete de 1988 intitulada “Paciente zero”, a respeito da aids nos Estados Unidos, transpassa uma ideia da realidade da época. Mas são os rabiscos agressivos em vermelho na imagem [“Pervertido” apontando para a foto de Gaetan Dugas] que realmente expõem o que de certa forma ainda é atual. O estereótipo do homem gay como culpado e ao mesmo tempo vítima da doença.

No livro “Doença como metáfora / AIDS e suas metáforas”, Susan Sontag explica que encarar a aids metaforicamente seria vê-la como uma espécie de peste, condenação moral da sociedade. Essa manchete não é um acaso. Mas foi a forma encontrada de aterrorizar a população e reforçar a homofobia e as pautas conservadoras. A liberdade sexual, que é luta constante da comunidade LGBTQIA+, naquele momento foi ameaçada pelo vírus e pelo preconceito.

A metáfora da aids era o castigo desse grupo, tido como merecedor – pelo comportamento fora dos padrões sociais impostos. Mas, ao contrário do que pensavam, a doença não tinha cara. Enquanto o número de mortes de pessoas LGBTQIA+ aumentava, o governo norte-americano se mantinha calado.

A situação não foi muito diferente no Brasil – com a narrativa conservadora de terror e os homens gays como a “cara” da aids.

 

Estava tudo bem. Praia, festas, amor; ficar com quem quisesse quando quisesse. A liberdade estava finalmente chegando, e os brasileiros ansiavam por ela. A doença estava longe, não era motivo de preocupação. Até que ela atingiu, e não foi só pela saúde que as vítimas tiveram que lutar.

A população LGBTQIA+, especialmente os homens gays, viraram alvos. O grande sensacionalismo na imprensa – chamando a aids de “peste gay”, por exemplo – inflou o preconceito e o medo. Se a economia do país fosse prejudicada, seria culpa deles. Se o sistema de saúde colapsasse, seria culpa deles. Se mulheres e crianças contraíssem a doença, seria culpa deles. Se morressem, bom, bem-feito.

“Não tenho nenhuma direção, é horrível, eu simplesmente não sei o que fazer, vazio.” As palavras do artista cearense Leonilson, no início dos anos 1990, refletem a situação dos soropositivos. Sem saída, acometidos pela solidão e sem apoio de ninguém além dos seus. A sociedade não queria olhar para eles, desviava os olhos. Até que não pôde mais ignorar.

 

No meio de tanta desinformação, temor, veio um grito: Cazuza revelava que era soropositivo. Esse primeiro grito mudou a trajetória da aids no Brasil: agora ela não estava mais às margens, estava no centro da sociedade. Um homem jovem, promissor, popular, cheio de vida. Apesar de tudo, ele não perdeu essa vivacidade.

“Eu acho que a aids caiu como uma luva no modelinho da direita e da Igreja”, disse Cazuza, no programa “Cara a Cara”, em 1988. Ele via as campanhas contra a aids não como algo para trazer esperança para quem estava doente, eram “propagandas da morte”. Dizer “a aids mata” ou “a aids não tem cura” servia mais para condenar o infectado do que para realizar um trabalho de prevenção.

Cazuza não queria ser associado a isso, a essa visão da aids como sentença de morte. Por isso ele continuou compondo e cantando. Sua música levou a vivência como soropositivo mais longe: “O meu tesão/ Agora é risco de vida/ Meu sex and drugs não tem nenhum rock and roll”.

E as pessoas ouviram: sua honestidade trouxe a pauta para a discussão pública. Graças à pressão de movimentos sociais, o Brasil organizou uma resposta eficiente à epidemia. No começo, o que eram apenas redes de solidariedade e apoio se transformou em reconhecimento internacional ao programa de acesso universal aos medicamentos antirretrovirais implantado no país.

A doença, porém, não foi embora. E o preconceito, também não.

 

 

A mídia, a família e os amigos, todos diziam que eles iriam morrer. Porém, muitos sobreviveram e o que restou foi o isolamento e a dor. A manchete acima é de 2012, mas o sentimento ainda persiste. A discriminação se dá de diferentes formas em diversos ambientes. A perda do emprego, a exclusão de atividades sociais e os comentários preconceituosos. Enquanto essa for a realidade de pessoas que vivem com HIV, a discussão será necessária. O debate precisa de vozes dispostas a quebrar paradigmas. Mostrar a cara não é fácil, mas é necessário.

A questão é que o tema precisa estar em evidência para que o preconceito possa ser combatido. Ainda hoje é um tabu. As medidas de saúde públicas e de exames são pouco divulgadas e o senso comum sobre a doença continua arcaico. A primeira reação diante de um teste positivo de HIV não deveria ser de medo ou desespero, mas de saber que não se está sozinho e que o tratamento é eficiente e de fácil acesso.

Felizmente, mais figuras públicas têm se pronunciado sobre o diagnóstico positivo nos últimos anos e mostrado que é possível ter uma boa qualidade de vida apesar dele. Desde jogadores de basquete a personalidades de reality shows: o HIV não deve mais ser visto como uma condição restrita à determinada sexualidade ou a um estilo de vida. Precisamos que ela não seja mais chocante do que o diabetes, por exemplo, e que seus portadores não sejam alvo de julgamentos.

A aids ainda existe, não é um problema que já foi resolvido e podemos esquecer. Ela está presente na sociedade, afeta milhares de pessoas e precisa ser discutida, não empurrada para debaixo do tapete: evoluímos demais para cometer esse erro novamente. A aids não tem cara, mas os portadores do HIV não são invisíveis. Temos que ver seus rostos, ouvir suas histórias e não deixar que uma doença de 40 anos atrás os impeça de viver em liberdade.

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SAIBA MAIS

19
Jan22

A campanha do ódio em ação

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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Reportagem de Jamil Chade e Lucas Valença, no UOL, mostra tratativas do “gabinete do ódio” para adquirir tecnologias de espionagem israelense. Uma das empresas procuradas, que atende pelo sugestivo nome de DarkMatter (em português significa “matéria escura”), desenvolveu dispositivos que podem invadir computadores e celulares, mesmo com os aparelhos desligados.

Essas movimentações prenunciam que os mecanismos de disparo em massa de mentiras por aplicativo, largamente utilizados em 2018, serão brincadeira de criança perto do que estará, agora, ao alcance das quadrilhas que apoiam o chefe miliciano. Indicam também como a campanha de reeleição de Bolsonaro poderá atuar totalmente fora do radar do TSE, deixando os concorrentes a comer poeira e as instituições a enxugar gelo.

Talvez seja a confiança de Bolsonaro em esquemas criminosos que explique seu comportamento, em alguns aspectos, pouco compatível com o de quem busca a recondução ao cargo. Ele nunca demonstra compaixão pelas vítimas de tragédias. Ao contrário, exibe frieza e desdém, como fez durante as enchentes na Bahia e em Minas Gerais e como tem feito ao longo da pandemia, chegando ao cúmulo de negar vacinas para crianças.

Bolsonaro já deu o tom da violência que vai estimular nos próximos meses. Em recente pronunciamento, ameaçou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra com o excludente de ilicitude, uma licença para matar, a ser dada para policiais que ajam “sob violenta emoção”. A proposta foi derrotada no Congresso, mas ainda é defendida pela bancada da bala.

É tudo na mesma linha do “vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre” e “petralhada, vai tudo vocês (sic) para a ponta da praia [gíria para lugar de execução de presos políticos na ditadura]”. O golpista emite sinais eloquentes de que não aceitará a derrota e de que tudo fará para tumultuar as eleições. Nossas instituições estão preparadas para detê-lo?

Gabinete do ódio negociou programa espião para usar contra opositores, diz  fonte do UOL - Hora do Povo

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18
Jan22

Está chegando a hora de acertarmos as contas com Bolsonaro

Talis Andrade

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O mensageiro da morte, agora, ameaça levar a Covid-19 para o Suriname

 

 

Faz um ano que começou no Brasil a vacinação contra a Covid-19. Ela deve-se ao governador João Doria (PSDB), de São Paulo, porque o presidente Jair Bolsonaro era contra.

O país tem agora 78,3% de sua população vacinada com alguma dose, e 68,6% com duas ou com a dose única. É o 54º colocado no ranking do Our World in Data dos países que mais se vacinaram.

Registre-se o empenho de Bolsonaro em retardar a vacinação, causando mortes que poderiam ter sido evitadas. Foi bem-sucedido desde que o vírus surgiu na China em dezembro de 2019.

Não foi naquele ano, nem em março de 2020, quando o vírus matou aqui pela primeira vez, nem em janeiro de 2021, quando o primeiro brasileiro foi vacinado, que Bolsonaro disse com orgulho:

Da minha parte, eu não tomei vacina e não vou tomar vacina. É um direito meu e de quem não quer tomar. Até porque os efeitos colaterais e adversos são enormes.”

A declaração foi feita por ele há pouco mais de um mês, precisamente em 8 de dezembro. Há apenas seis dias, ele disse ser contra a vacinação infantil devido aos seus “efeitos colaterais”.

Como 79% dos brasileiros são a favor de vacinar as crianças, e 81% da apresentação de comprovante de vacinação para a entrada em locais fechados, Bolsonaro, ontem, deu o dito pelo não dito.

Ao seu modo cínico e debochado, queixou-se em entrevista a uma emissora de rádio do Espírito Santo:

“Deixo bem claro: foi o nosso governo que comprou 400 milhões de doses de vacinas. Continuam me acusando de ser contra a vacina, mas como? Se comprei 400 milhões de doses?”

Um apanhado de 15 afirmações feitas por ele nos últimos 15 meses confirma o que Bolsonaro quer que esqueçamos:

2 de setembro de 2020 – “Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina.”

21 de outubro de 2020 – “Para o meu governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser comprovada cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificada pela Anvisa. O povo brasileiro não será cobaia de ninguém.”

5 de dezembro de 2020 – “Como sempre, eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto-final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto-final.”

17 de dezembro de 2020 – “Se você virar um jacaré, problema seu. Se você virar super-homem, se nascer barba em mulher ou algum homem começar a falar fino, eles não vão ter nada a ver com isso.”

19 de dezembro de 2020 – “A pressa da vacina não se justifica porque você mexe com a vida das pessoas, você vai inocular algo em você.”

7 de janeiro de 2021 – “Vocês sabem quantos por cento da população vai tomar vacina? Pelo que eu sei, menos da metade vai tomar.”

11 de fevereiro de 2021 – “Quando eu falei remédio lá atrás, levei pancada. Nego bateu em mim até não querer mais. Entrou na pilha da vacina. O cara que entra na pilha da vacina, só a vacina, é um idiota útil. Nós devemos ter várias opções.”

4 de março de 2021 – “Tem idiota que a gente vê nas redes sociais, na imprensa, [dizendo:] ‘Vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe. Não tem [vacina] para vender no mundo.”

17 de junho de 2021 – “Eu estou vacinado entre aspas. Todos que contraíram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz que a própria vacina, porque você pegou vírus para valer. Quem pegou o vírus está imunizado, não se discute.”

14.out.2021 – “Por que obrigar criança a tomar vacina? Qual a chance de uma criança, por exemplo, contrair o vírus e ir a óbito? […] Parece, não quero afirmar, que é o lobby da vacina.”

7 de dezembro de 2021 – “A gente pergunta: por que o passaporte vacinal? Essa coleira que querem botar no povo brasileiro. Cadê nossa liberdade? Prefiro morrer do que perder minha liberdade.”

19 de dezembro de 2021 – “Vacina para criança: primeiro, só autorizado pelo pai. Se algum prefeito, governador, ditador aí quiser impor, é outra história, mas, por parte do governo federal, tem que ter a autorização dos pais. Tem que ter uma receita médica.”

27 de dezembro de 2021 – “A questão da vacina para crianças é uma coisa muito incipiente, o mundo ainda tem dúvidas, e não vêm morrendo crianças que justifique uma vacina emergencial.”

6 de janeiro de 2022 – “A vacina será de forma não obrigatória. Então, ninguém é obrigado a vacinar o teu filho. Se é não obrigatória, nenhum prefeito ou governador poderá impedir o garoto ou a garota de se matricular nas escolas por falta de vacina.”

12 de janeiro de 2022 – “Trezentas e poucas crianças. Lamento cada morte – ainda mais de crianças, que a gente sente mais –, mas não justifica vacinação, pelos efeitos colaterais adversos que essas pessoas têm.”

A próxima viagem internacional de Bolsonaro será ao Suriname nesta quinta-feira (20/1). Dos 52 integrantes da equipe precursora que voariam para lá, 10 contraíram o vírus.

Quer dizer: não basta ter dado passe livre ao vírus para que matasse quem tivesse de morrer no Brasil, ele pode pôr em risco, no Suriname, a saúde dos que o receberem, e a sua comitiva.Image

O mensageiro da morte não liga para a própria vida desde que escolheu ser paraquedista e antes de o Exército dispensá-lo por conduta antiética, acusado de pretender jogar bombas em quartéis.

O médico responsável pela internação de Bolsonaro no último dia 3, o cirurgião Antônio Luiz Macedo, aconselhou Michelle, a primeira-dama, a pôr um cadeado na moto dele.

“O presidente não pode fazer força também por um bom tempo, a força pode fazer o abdome torcer”, explicou Macedo. Há dois dias, Bolsonaro passeou de moto em Brasília.

Se não tem amor à vida, o problema é dele. Ameaçar a vida alheia, porém, é um problema que afeta a todos os seus governados. Está próxima a hora de acertarmos as contas com Bolsonaro.

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25
Dez21

Um libelo contra Herodes

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

A entrevista de Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa, ao jornal O Globo é um dos libelos mais duros que já se fez a um governo e, um dia, será usado nos tribunais deste país.

Em três “perguntas” ele atira sobre o governo Bolsonaro e seu ministro da Saúde a responsabilidade consciente pela morte de crianças (e de adultos) por conta da Covid-19.

“O ministério [ da Saúde] precisa apresentar à sociedade a justificativa do porquê de nós mantermos inalterada uma estatística macabra. Nós temos 301 crianças mortas na faixa de 5 a 11 anos desde a chegada da Covid até o início de dezembro. Nesses 21 meses, numa matemática simples, nós teríamos um pouquinho mais de 14 mortes de crianças ao mês, praticamente uma a cada dois dias.”

“Se (a consulta pública, usada pelo Ministério para adiar a vacinação infantil) é uma ferramenta tão necessária, por que não foi usada em relação às outras faixas etárias, às outras vidas?”

A terceira pergunta é sobre as opiniões de pessoas que não trabalham com a análise vacinal: de que maneira isso pode influenciar numa decisão que é eminentemente técnica?

Torres termina as perguntas com uma direta e simples: “o que mais falta” para se iniciar a vacinação das crianças, uma vez que todas as entidades médicas e sanitárias a aprovaram?

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Torres responsabiliza diretamente Jair Bolsonaro de instigar as ameaças que os funcionários da Anvisa recebem, todos os dias, e que já somam mais de 170:

Tivemos uma [manifestação presidencial] em 16 de dezembro, que foi o pedido, dito por ele oficioso, quanto a nomes de envolvidos. A frase em si, palavra após palavra, se retirada do contexto, pode parecer apenas o exercício do supremo mandatário do país, no livre direito, de solicitar a informação que julgar necessária. Mas, quando essa frase é colocada no contexto, na entonação e em tudo o que foi dito naquela live, se entende que a intenção não era essa. Não era uma intenção apenas de saber os nomes.(…) No dia 19 de dezembro, o senhor presidente disse que é “inacreditável o que a Anvisa fez”, ou seja, reitera o sentido que deu na declaração do dia 16. Não há dúvida quanto ao que ocorreu nessa sequência de duas declarações, com intervalo de três dias, em que as ameaças se tornaram ainda mais profusas.

Como aqui já se fez, Torres compara as mortes pela Covid com acidentes aéreos:

Nós estamos com um avião caindo por dia de óbitos de Covid-19 em todas as faixas etárias. Imagina você como repórter noticiar na segunda-feira “um avião caiu”. Aí você, na terça-feira, diz de novo: “um avião caiu”. Na quarta-feira, você diz de novo: “um avião caiu”. Na quinta-feira, você diz de novo: “um avião caiu”. Estou sendo repetitivo para que as pessoas entendam o que estamos falando. É irresponsável dizer que a pandemia acabou. Quem diz isso deveria falar à família dos mortos desses aviões que caem todo dia. Todo dia um avião cai em território nacional…

O diretor-presidente da Anvisa diz que não são casuais estas situações inexplicáveis: para ele, há um “perfeito alinhamento político” entre o que faz (e deixa de fazer) o Ministério da Saúde e a vontade do presidente da República.

Em qualquer país do mundo, o que diz Barra Torres tem densidade suficiente para que se abram processo contra Jair Bolsonaro e Marcelo Queiroga por crime de responsabilidade contra o direito essencial à Saúde.

É público, está num grande jornal, o que falta para que o Ministério Público abra inquérito para que se respondam as perguntas formuladas por Barra Torres. É claro, porém, que não irá a lugar nenhum, mesmo que se vá bater ao STF pedindo que se apurem e atribuam as responsabilidade pela inação do presidente e de seu ministro.

Ao menos, não agora. Mas, amanhã, o libelo de Barra Torres há de ser ouvido num tribunal.Image

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08
Nov21

Vinte e um cientistas rejeitam medalha oferecida por Bolsonaro

Talis Andrade

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Vinte e um cientistas, dos 30 homenageados, rejeitaram a medalha da Ordem Nacional do Mérito Científico, deferência do presidente Bolsonaro

 
Um dos nove cientistas que aceitaram a medalha da Ordem Nacional do Mérito Científico está ele mesmo, o tudo, o Messias, o mito, o Jair Bolsonaro falso cientista e falso médico, charlatão que receitou medicamentos para Covid - 19, curandeiro que divulgou falsas curas em país que o governo federal, notadamente quando da militarização do Ministério da Saúde matou milhares e milhares de pessoas. No Brasil passam dos 600 mil mortos as vítimas do genocídio bolsonarista. 
 

O jornalista Alex Solnik escreveu:

O mais esquisito não foi Jair Bolsonaro ter concedido a Jair Bolsonaro a Medalha de Ordem Nacional do Mérito Científico, na categoria grão-mestre, a mais alta honraria atribuída a pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação no Brasil. O mais esquisito foi Jair Bolsonaro ter aceito"

 

O repúdio de vinte e um cientistasImage

Vinte e um cientistas brasileiros renunciaram à medalha da Ordem Nacional do Mérito Científico, dada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em decreto assinado nessa quinta-feira (4/11). No texto, ministros do governo e diversos cientistas foram condecorados com a honraria, que reconhece contribuições científicas e técnicas para o desenvolvimento da ciência no Brasil.

A recusa ocorre em repúdio ao chefe do Palácio do Planalto que, ao longo da pandemia de Covid-19, duvidou da eficácia de vacinas, induziu a tratamentos sem efeito e minimizou medidas de isolamento.

04
Nov21

O indiciamento do presidente por crimes contra a humanidade

Talis Andrade

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por Marcelo Semer

O presidente da República está prestes a ser indiciado pelo cometimento de diversos delitos, inclusive crimes contra a humanidade, pela intencional e desastrada condução das políticas públicas em face da pandemia do coronavírus, que levaram o país ao podium mundial de mortos, com mais de seiscentas mil vidas perdidas. 

Até agora, Bolsonaro tem sido beneficiado por um conjunto de diques de contenção: de um lado, o Procurador Geral da República, escolhido a dedo, fora das indicações da carreira, e que tem levado o Ministério Público Federal, sempre tão combativo, ao silêncio, quando não à defesa do próprio governo; de outro, o presidente da Câmara dos Deputados, a quem aliou-se politicamente, mediante a concessão de cargos e verbas, que mantém devidamente engavetados dezenas de pedidos de abertura de impeachment. 

Outros presidentes não tiveram a mesma sorte: Michel Temer chegou a ser denunciado criminalmente pelo então procurador-geral Rodrigo Janot; Dilma Roussef sofreu a vindita do deputado Eduardo Cunha (afastado e condenado pela Justiça e por seus pares, mas só depois de comandar o impeachment) e Fernando Collor de Mello sofreu tanto o processo político quanto o criminal. 

Enfim, com um relatório altamente fundamentado, depois de seis meses de funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado, que ouviu mais de 60 pessoas, e nutrido por consistentes pareceres jurídicos, as acusações contra Jair Bolsonaro são em gênero, número e grau, muito mais lesivas e impactantes do que as que suportaram seus antecessores. 

É hora, então, de se aguardar para saber se, afinal de contas, as instituições permanecem mesmo funcionando. Ou se o sistema político-jurídico de blindagem vai jogar as mais sérias imputações até então deduzidas contra um presidente da República para debaixo do tapete. E se a mídia, que tanto se escandaliza com gastos além do teto, apontará, com igual destaque, a indignidade dos omissos.

O que se apurou em meses de comissão parlamentar, e paralelamente em fundados estudos a ela encaminhados, como por exemplo o do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da USP coordenado pelos professores Deisy Ventura e Fernando Aith, é que os drásticos resultados da pandemia no país decorreram de opções políticas tomadas pessoalmente pelo presidente da República. 

Assim, as enormes dificuldades para a efetivação do isolamento social por aqui foram consequências diretas do esforço em sentido contrário empreendido por Jair Bolsonaro, seja na edição de decretos que buscaram liberar atividades comerciais ao máximo, seja pela luta política e jurídica contra as medidas de isolamento nos Estados, seja no exemplo quase cotidiano do presidente, ele mesmo, sem intermediários, promovendo aglomerações à sua volta. 

O uso de máscara, talvez a mais bem sucedida das profilaxias não farmacológicas contra a disseminação do vírus, foi bombardeado diuturnamente pelo presidente, que: não a usava na maioria de seus eventos políticos (tanto que restou autuado em diversos deles); criticava sua eficácia, com base em fake news (como a live em que sugeria ser o apetrecho responsável pela redução da oxigenação do sangue); e como se não bastasse retirava à força, máscaras de crianças em plena aglomeração. Por fim, sugeriu inúmeras vezes que o ministro da Saúde providenciasse ato normativo para abolir a obrigatoriedade de seu uso, ainda sob patamares incipientes de imunização.

A imunização, aliás, foi o maior entre seus pecados capitais. 

Constituiu um gabinete paralelo que simulou subsídios científicos para dar sustentação à tresloucada tese da imunização de rebanho, pela qual nenhuma medida seria realmente necessária para contornar uma epidemia que se esvairia por si só, assim que atingisse um certo patamar de contaminação. O deputado Osmar Terra passou um ano e meio fixando datas próximas para o “fim da pandemia”, que o presidente repetia em rede nacional, sem se ater ao fato de que: a-) mesmo as pessoas já contaminadas poderiam ser novamente infectadas; b-) mais de um milhão e meio de brasileiros teria morrido na espera de que todos pudessem ser naturalmente imunizados -o que, aliás, não aconteceu em lugar nenhum do planeta mesmo depois de quase dois anos de pandemia.

À custa da defesa desta tese -inúmeras vezes enunciada pelo presidente- atrasou-se enormemente a aquisição de vacinas, postergando-se a imunização -e, com isso, ampliando exponencialmente o número de mortos. Bolsonaro disse não à “vacina chinesa”, o que atrasou por meses o início da imunização e, ao mesmo tempo, ignorou dezenas de ofertas da Pfizer, buscando pretextos jurídicos ou econômicos para negar sua compra. À inquietação da população que via o tempo passar e as mortes se multiplicarem, seu ministro da Saúde, aquele que expressamente dizia ser o homem que lhe obedecia, indagava: “para que tanta ansiedade?”.

Sua luta contra a vacina tem perdurado mesmo depois da inequívoca comprovação do sucesso contra o vírus. Bolsonaro fez questão de desfilar na Assembleia Geral das Nações Unidas como o único chefe de Estado não vacinado e, ainda após apresentação do relatório da CPI, teve tempo para a disseminação de mais uma mentira maliciosa, relacionando o vírus da AIDS à imunização. 

Considerando que ainda metade do país ainda não está totalmente vacinada e mais de vinte milhões de brasileiros estão com a segunda dose atrasada, a persistência da luta contra a vacina certamente significará mais mortes.  Estivesse o presidente já sendo processado criminalmente em alguma das milhares de varas pelo país, uma reiteração delituosa tão desbragada certamente justificaria a decretação da prisão preventiva.

Mas se isolamento, máscaras e vacinas eram ignorados de forma sistemática, o presidente da República, com o aval tabajara de seu gabinete paralelo, tentou construir com medicamentos sabidamente ineficazes, um álibi para o negacionismo: o kit covid, do qual o presidente foi, mais uma vez, o principal garoto propaganda. 

Para empurrar a cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina garganta abaixo dos brasileiros, ele fez anúncio em cadeia nacional, gastou fábulas por meio das coniventes Forças Armadas, demitiu dois de seus ministros da saúde resistentes à farsa e, sob o abrigo cúmplice da direção do Conselho Federal de Medicina, bateu-se pela “autonomia médica” como reforço a seu charlatanismo. Como a CPI expôs de forma contundente, o braço privado de seu gabinete paralelo, a Prevent Senior, obrigava seus médicos a ministrar tais remédios, ao mesmo tempo em que escondia números daqueles que morriam após o tratamento. 

De outro lado, uma falsa sobrenotificação de mortes, também havia sido propagandeada pelo presidente, após adulteração de suposto estudo do Tribunal de Contas da União, por meio de um relatório renegado, que chegou às suas mãos coincidentemente pelo filho de um grande amigo.

Conseguir o feito de ultrapassar a marca de 600.000 mortos (atrás apenas dos Estados Unidos, por enquanto) não foi fácil: foi um verdadeiro tour de force do governo Bolsonaro, capitaneado pelo presidente em pessoa: provocações a governadores, pressão sobre Judiciário, ostensiva publicidade paga com o dinheiro público e uma subterrânea rede de propagação de fake news, repleta de tentáculos em diversos veículos de mídia, blogs, templos etc.

Pode ser que essas milhares de almas tenham sido perdidas como um instrumento para vitaminar sua própria sobrevivência política, evitando que a desaceleração na economia colocasse à prova suas promessas eleitorais -teriam sido, ademais, mortes em vão, porque tem sido justamente o retardo na redução de mortes e casos, que mais prejudica o país, inclusive na economia.

Mas o fato é que olhando retrospectivamente, todos os pilares que o governo Bolsonaro apresentou a partir de 2019, quando iniciou sua gestão, justificavam as condutas que viriam a desenvolver na pandemia: 

a-) a ânsia pela desregulamentação e esvaziamento do poder fiscalizatório, e o predomínio de uma suposta liberdade de matar e desmatar, se casam perfeitamente com a repulsa tão consistente quanto inexplicável, ao uso da máscara protetora e do respeito às regras sanitárias; 

b-) o terraplanismo com que se tentou reescrever a história do país -e por mais incrível que parecesse, também a geografia- reflete-se no contínuo negacionismo acerca da gravidade da pandemia, aliada à propagação de inúmeras teorias da conspiração, com as quais, entre outras providências grotescas, propagou-se o boato de enterros com caixões vazios, emulou-se a invasão a hospitais para desvelar a “mentira” da lotação dos leitos e reproduziu-se a abjeta expressão “vírus chinês”, propositadamente hostil; 

c-) o pensamento mágico que circunda a imagem do presidente (a consideração de “mito” mesclado com a visão de um escolhido) incorporam-se no apego desmesurado ao tratamento precoce e a ideia de um fármaco salvador que ajudaram a compor a tônica do negacionismo (não é tão grave se é curável); 

d-) o darwinismo social, a ideia de que só os mais fortes sobrevivem impulsiona a aceitação da imunidade de rebanho, traduzida pela lógica de que todos os brasileiros iriam pegar a doença e apenas os mais fracos, os que tem comorbidade ou não tem “histórico de atleta” seriam mortos ou sequelados. A ânsia de cravar essa diferenciação levou o presidente a reclamar, em reunião ministerial, de atestado de óbito de um militar (por não darem destaque às comorbidades), a chamar de “bundões” os jornalistas pelo sedentarismo e aduzir a repulsa ao “país de maricas”; 

e-) a inserção no horizonte internacional, a partir da adesão ao antiglobalismo trumpista, conduzido, sobretudo, pelo então chanceler Ernesto Araújo, levou o governo à colisão com a OMS e o desprezo a quaisquer iniciativas globais, o que viria também a dificultar a inserção no mercado das vacinas. 

A visão de mundo do bolsonarismo é um conjunto destes elementos: a política da destruição, a lógica da irracionalidade que estimula o fanatismo, o retorno a um passado idílico sem amarras politicamente corretas, em que os fortes possam prevalecer sem perder tempo para cuidar dos ficam pelo caminho. A reverência às milícias e o desprezo aos indígenas mostra bem de que lado da morte o presidente se posiciona. 

Mas seja por fidelidade à racionalidade da destruição, seja para minorar desgastes eleitorais, o fato é que milhares de vidas foram sacrificadas por interesses menores, políticos ou pessoais, a partir de decisões que nasceram no círculo mais íntimo do poder. 

Rigorosamente todas as ações contrárias ao bom senso e lesivas à saúde, ostentam as digitais de Jair Bolsonaro -as mesmas que, por justiça, agora se espera sejam colhidas em seu indiciamento.

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28
Out21

Relatório da CPI computa a Bolsonaro ao menos 78 anos de prisão em diversos crimes

Talis Andrade

Cpi da Covid Especial Ninja

Quando nós da Mídia NINJA nos dispomos a cobrir as audiências da CPI da Covid não imaginávamos o que viria pela frente. Em suas 57 audiências foram dezenas de depoimentos.

Foram ao menos 1576 requerimentos aprovados, recebeu 2720 documentos. O colegiado possui uma lista de quase 70 investigados, entre eles dois ministros da saúde, o atual Marcelo Queiroga, e o ex-ministro Eduardo Pazuello. O relatório final também propõe o indiciamento do líder do governo Bolsonaro na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), dos ex-ministros Ernesto Araújo e Fábio Wajngarten, além dos atuais ministros Onyx Lorenzoni (Trabalho), Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e Braga Neto (Defesa). O presidente Jair Bolsonaro foi enquadrado em ao menos 9 crimes.

Durante esses quase seis meses de trabalho podemos concluir que a CPI concluiu bem parte de seu papel, ao impedir a corrupção na compra de vacinas, ao forçar o governo federal a acelerar a imunização tirando a gestão Bolsonaro da inércia, além de ter publicizado os erros e omissões que fizeram parte da trágica gestão da pandemia no Brasil.

Em 27 de abril, quando a CPI da Covid iniciou seus trabalhos, o Brasil contabilizava apenas 6% dos brasileiros com a imunização completa (duas doses). Em 20 de outubro, data de apresentação do relatório, esse percentual subiu para mais de 50%, o que consequentemente teve como resultado a queda do número de internações e óbitos.

Para que a CPI não acabe em pizza é essencial a cobrança da sociedade civil brasileira pela punição daqueles que contribuíram, direta ou indiretamente, para a elevada mortalidade da pandemia no Brasil. Esperamos que as autoridades competentes não cedam um milímetro na responsabilização frente as mais de 600 mil mortes no Brasil. Transcrevi trechos. Veja mais

 

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