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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

09
Fev20

Estados Unidos propõem ‘comandar’ leilões do petróleo do Brasil

Talis Andrade

Acordada com Bolsonaro e Trump, iniciativa escancara submissão do governo aos interesses estadunidenses

moro petrobras tio sam.jpg

 

Os Estados Unidos vão oferecer ajuda ao Brasil para modelagem de leilões de petróleo, destaca matéria do jornal Valor, nesta segunda-feira, 3. A iniciativa estadunidense é uma reação ao último leilão realizado pelo governo que contou apenas com a participação de empresas chinesas. “Estamos prontos, tanto no nível de governo para governo quanto para o setor privado, para ajudar no que for possível”, disse o secretário de Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette.

Que engraçado! o Brasil é doutor em leilões de petróleo, desde os tempos de Fernando Henrique, que realizou cinco leilões para entrega do nosso petróleo. Cansei de escrever sobre esse entreguismo de quinta-coluna. São centenas de posts. Tantos que hoje prefiro transcrever. Veja aqui no blogue AndradeTalis. E aqui no blogue O Jornaleiro 

Classificaca esse leilões fajutos, de leilões quermesses.  

E de sacanagens as investigações do justiceiro quinta-coluna Sergio Moro

No mais, os colunistas e âncoras e apresentadores de TV comendo verbas do governo, e assim todos eles morrem podres, podre-de-rico.  

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“Nós vimos o que aconteceu no último leilão [de petróleo]. Nós entendemos claramente por que alguns investidores podem ter evitado. É justo dizer que o ministro Bento [Albuquerque, ministro de Minas e Energia] também reconhece algumas questões que estavam envolvidas naquele leilão. E nós estamos prontos para ajudar, caso desejem, na criação de novos leilões, que possam produzir resultados mais propícios aos desejos do governo”, afirmou ao jornal o secretário de Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette.

Ainda, segundo o jornal, o governo estadunidense “também enxerga possibilidade de parceria com o Brasil para desenvolvimento do setor de exploração e produção não convencional de gás natural”. O secretário estadunidense também comentou sobre a permissão do governo brasileiro permitir a participação de empresas estrangeiras na mineração de urânio no país. Outro alvo dos Estados Unidos é a exploração do gás de folhelho no Brasil, para que o buscam estabelecer parcerias.

O secretário está no Brasil para participar da primeira reunião do Fórum de Energia Brasil-Estados Unidos (Usbef), no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira. Neste primeiro encontro do fórum, o tema principal é a indústria de energia nuclear, além de fontes renováveis e petróleo e gás. Segundo o secretário, as companhias americanas têm interesse em todos os serviços relacionados ao urânio no Brasil. O fórum é resultado da reunião ocorrida em março de 2019 pelos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, durante reunião em Washington.

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03
Abr19

O desmonte do programa nuclear brasileiro

Talis Andrade

O ENTREGUISMO DA LAVA JATO

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por Thiago Flamé 

 

Alvo de dez inquéritos, Michel Temer já esperava ser preso. Segundo informações divulgadas na imprensa, porém, foi uma surpresa a ordem de prisão ter partido do juiz Marcelo Brettas, por conta dos contratos que envolvem a usina Angra 3 e não pela questão dos portos ou pela delação de Joesley da JBS.

A estatal Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás, é alvo da Lava Jato desde o início da operação. Na sua primeira derrota importante no STF, ainda em 2015, a operação foi desmembrada, e a parte relativa à Eletronuclear saiu de Curitiba e foi para o Rio de Janeiro, ficando nas mãos de juiz Marcelo Brettas. Na época ainda não se tinha uma dimensão que essa operação surgida nos laboratórios do Departamento de Estado dos EUA estendia seus tentáculos muito além de Curitiba, e que Brettas seria um dos maiores cruzados da operação.

Tendo como alvo principal a Petrobras, a Lava Jato na sua cruzada pró EUA também bombardeou a programa nuclear brasileiro. A obra da usina Angra 3, paralisada desde a década de oitenta, foi retomada como parte do PAC ao final do segundo governo Lula. A reativação das obras em Angra faziam parte da retomada do programa nuclear, a cargo da Eletronuclear, que tomou impulso com os acordos assinados com a França em 2008 para a construção de um submarino nuclear, projeto acalentado pela marinha e pelas forças armadas desde a década de setenta. Os contratos envolvendo o submarino nuclear com a França, o maior na história das forças armadas brasileiras em valores não podia deixar de incomodar os EUA.

A Lava Jato tem três operações em curso que investigam as obras de Angra 3. A Operação Radiotavidade, Irmandade e Pripyat. Os maiores contratos para a construção da usina, os mesmos da década de oitenta que foram reativados pelo governo Lula sem novas licitações, envolvem multinacionais europeias, alemãs, suecas, holandesas, mas principalmente francesas, com as empreiteiras brasileiras envolvidas nos escândalos da Petrobras, Odebrecht e Camargo Correia e Andrade Gutierrez.

A operação que levou o ex-presidente Michel Temer à prisão na última quinta feira, que se encerrou com a sua liberação na noite de ontem, é um desdobramento dessas três operações. O esquema de corrupção era um sistema de repasse de verbas através de empresas laranjas que levavam o dinheiro da propina para o MDB, via Argeplan, a empresa do coronel Lima, e para a diretoria da Eletronuclear, entre outras formas, através da empresa Aratec, ligada ao Almirante Othon, presidente da Eletronuclear desde 2005.

Se Michel Temer e Moreira Franco são os políticos ilustres presos pela Lava Jato, o coronel Lima é o operador que liga os caciques do MDB às obras de Angra 3, o almirante Othon é a peça que liga as prisões desta quinta feira ao conjunto do programa nuclear, uma disputa geopolítica que remonta aos anos setenta. Apesar do MPF pedir a prisão do almirante, o juiz Brettas negou o pedido. O início das obras em Angra, contou com o apoio inicial dos EUA, que pouco tempo depois reviu a posição de fornecer material radioativo ao Brasil, que se voltou à Alemanha para seguir o projeto nuclear, sob protesto dos EUA. A mesma Alemanha boicotou o acordo de transferência tecnológica com o Brasil, o que levou no final do governo Geisel a Marinha lançar o chamado programa nuclear paralelo, um programa secreto à época. Othon não é qualquer pessoa. Foi um dos líderes desse programa nuclear paralelo, sigiloso, que levou o Brasil a dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio, apesar da resistência dos EUA.

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A Lava Jato também investiga o programa do submarino nuclear e o consórcio entre a estatal francesa DCNS com a Odebracht, que passaria por esquemas parecidos com os de Angra 3, envolvendo também o almirante Othon. Essa linha de investigação surge das delações da Odebrecht e de Antonio Palloci. Outra operação em curso, a Operação Submarino, deflagrada agora em fevereiro de 2019, com mandados de busca e apreensão no Centro Tecnológico da Marinha, investiga contratos firmados com a holandesa Bilfinger Maschinembau GMBA & CO (MAB).

As prisões deflagradas pela Lava Jato na última quinta tem um duplo objetivo. No plano imediato é uma demonstração de força da operação que vinha acumulando derrotas no STF e tendo o pacote de segurança de Moro secundarizado por Rodrigo Maia. Essa disputa entre a Lava Jato e Maia como representante da casta política, marca o embate diante de dois métodos distintos para seguir com um mesmo objetivo do golpismo em derrotar o movimento de massas: uma que utiliza os métodos da Lava Jato para disciplinar o Congresso e garantir os votos à reforma da previdência (com Moro e os procuradores de Curitiba); e outra que quer garantir esses votos com os velhos métodos do "toma lá dá cá" da velha casta política. Ao mesmo tempo é um prosseguimento dos objetivos mais estratégicos da Lava Jato, que é golpear todas as tentativas do Brasil sob o lulismo em barganhar maiores margens, ainda que pequenas, de autonomia. O programa nuclear e as relações de troca de tecnologia com a França, na alça de mira da Lava Jato, eram peças importantes destas tentativas.

 

06
Out17

Por que os militares golpistas não defendem Othon Silva?

Talis Andrade

por Natália Pimenta

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Já que a ameaça de um golpe militar é um tema do momento, vale a pena tocar numa questão importante, mas pouco discutida, envolvendo membros das forças armadas. A relação entre o vice-almirante Othon Silva e os militares golpistas. Melhor dizendo, por que os militares não defendem Othon?

 

Por que Othon deve ser defendido vamos explicar a seguir.

 

Othon Silva é um senhor de 78 anos, condenado pela Operação Lava Jato a 43 anos de prisão. A acusação, evidentemente, é corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa (!) e congêneres. Mas o motivo real da perseguição é de natureza muito diversa: Othon é o principal responsável pelo desenvolvimento do programa nuclear brasileiro, tendo criado um método nacional para enriquecimento de urânio e trabalhado no desenvolvimento de um sistema de propulsão nuclear para submarinos. O programa no qual trabalhava foi fechado em 1994, logo antes do início do governo FHC. Não por acaso, já que esse governo foi totalmente pró-imperialista e resultou em um retrocesso de décadas no que diz respeito à independência do País e à sua indústria.

 

 

O próprio Othon denunciou que os Estados Unidos estavam espionando o Brasil em razão do programa nuclear, o que ficou patente após as denúncias de Snowden e de que veio a público que a própria presidente Dilma Rousseff era alvo de espionagem.

 

Em 2005, durante o governo Lula, o programa nuclear foi retomado e Othon assumiu a presidência da Eletronuclear. As obras de Angra 3 foram retomadas após 23 anos de abandono.

 

Ao ler essa coluna muitos podem ter aguçado o preconceito em relação à utilização da energia nuclear. Mas não se trata aqui de discutir se essa é a melhor forma de energia ou não, se ela deve ser erradicada ou se devemos desenvolvê-la. O que importa para essa discussão é que esta é uma poderosa forma de energia que o imperialismo, em especial o norte-americano, não quer que o Brasil, nem nenhum outro país atrasado, domine.

 

Os Estados Unidos estão armados até os dentes e sabem que passar do domínio da energia nuclear para fins pacíficos para seu uso para fins bélicos é apenas um pulo. E esse é seu grande receio.

 

Othon é o pai do programa nuclear brasileiro; a pessoa com maior compreensão do problema, que dominava a tecnologia e todos os aspectos do trabalho.

 

Levando tudo isso em consideração, não dá para acreditar que a Lava Jato condenou o vice-almirante por corrupção. É uma perseguição, a mando dos EUA, e uma ameaça a todos que ousam se levantar contra o domínio do imperialismo.

 

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Agora, cabe a questão: por que os militares golpistas, “intervencionistas”, não defendem Othon? Teriam duplo motivo para isso: a perseguição e condenação de um militar e a própria questão “nacionalista”. Afinal, não foi um grande serviço à pátria o que ele prestou?

 

Isso não acontece porque os “patriotas” verde-amarelos e os militares fascistas não defendem a independência do Brasil. São treinados nos EUA e mantêm íntima relação com esse país e sua chegada ao poder seria apenas uma maneira de garantir que os interesses norte-americanos prevaleçam.

 

Enquanto os militares bradam contra os “comunistas” e ameaçam intervir na situação política, não se vê o mesmo empenho na defesa da Amazônia que está para ser vendida, na defesa do petróleo e das nossas riquezas naturais, nem na entrega das estatais.

 

Falam apenas em “corrupção”, que é um pretexto para que possam intervir.

 

Ao ignorar o caso de Othon, deixam não apenas de defender o que poderia ser encarado por eles como a perseguição a um militar como afirmam que não lhes interessa o programa nuclear.

 

Ou seja, para eles não interessa possuir uma arma poderosíssima contra os inimigos externos. Afinal, o verdadeiro inimigo deles é o “inimigo interno”, leia-se, o povo brasileiro. Os sindicalistas, os trabalhadores, os que lutam pelos seus interesses, aqueles que estão indefesos e pouca resistência podem oferecer diante dos fuzis e tanques militares.

 

 

 

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