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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Ago21

GGN produz documentário sobre Caso Cancellier. Saiba como apoiar

Talis Andrade

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A autoimolação do reitor foi o mais relevante ato político visando interromper a marcha da intolerância que se apossou do País e que gerou alguns dos episódios mais abusivos da história da Justiça brasileira

 

O GGN, portal de jornalismo independente criado pelo jornalista Luis Nassif, lança na plataforma Catarse mais uma campanha de financiamento coletivo (crowfunding). Desta vez, para produzir um documentário sobre o caso de Luiz Carlos Cancellier, ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina. Este será o quarto projeto do gênero encampado pelo GGN. Entre 2019 e 2021, o veículo lançou outros três documentários inéditos sobre o modelo chileno de privatização da Previdência Social, a influência dos Estados Unidos na Lava Jato e o passado do ex-juiz Sergio Moro.

Clique aqui para apoiar com doações a partir de R$ 10.

Luiz Carlos Cancellier nasceu em maio de 1958. Ele tinha 59 anos quando suicidou-se, pulando do vão central de um shopping no centro de Florianópolis, em outubro de 2017. Foi o mais relevante ato político visando interromper a marcha da intolerância que se apossou do País e que gerou alguns dos episódios mais abusivos da história da Justiça brasileira.

Duas semanas antes da trágica morte, o reitor da UFSC fora preso temporariamente no âmbito da Ouvidos Moucos, a operação conduzida, na Polícia Federal, pela delegada Erika Marena, uma ex-Lava Jato chefiando mais de uma centena de policiais convocados em vários cantos do país.

O inquérito apurava supostos desvios no programa de educação à distância da UFSC no período anterior ao da posse de Cancellier. Era uma falsa denúncia, conforme se conferiu posteriormente. Mas serviu de motivo para mais um pacto macabro entre a delegada da PF, a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público Federal em Santa Catarina.

A perseguição e morte de Cancellier foi o mais significativo episódio desses tempos nebulosos. Contra Cancellier não havia provas de corrupção. Ainda assim, ele foi afastado da reitoria sob a alegação de tentar obstruir investigações na Corregedoria da Universidade.

Antes de partir, Cancellier deixou uma última carta na qual assinalou a devassa em sua “vida” e “honra”, além da perplexidade e do medo que sentia pelo modo como a investigação da PF estava sendo conduzida – com seletividade e sem espaço para contraditório e ampla defesa. Aqueles eram tempos em que o “ouvi dizer” sobrepunha-se à presunção de inocência até do ex-presidente da República mais popular da história brasileira.

Cancellier não resistiu ao que chamou na carta de “humilhação” e “vexame”. Saiu da vida para entrar na história como personagem de uma trama maior, que envolve um Brasil embriagado por operações policiais espetacularizadas pela grande mídia, abusos de autoridade e um caldo de retrocessos e autoritarismos no comando do País, abrindo a porteira para ataques à liberdade de cátedra e de expressão nas universidades públicas.

Este projeto de financiamento coletivo criado pelo GGN, de Luis Nassif, visa registrar, em vídeo, a história de Cancellier, o reitor cuja morte foi um grito contra a intolerância.

O vídeo será disponibilizado no canal do GGN no Youtube (www.youtube.com/tvggn). Os apoiadores terão acesso prioritário.

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14
Jul20

Um crime que foi esquecido: os responsáveis pela morte do reitor Cancellier

Talis Andrade

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Quase três anos depois, a reputação de Cancllier continua manchada pela covardia inominável das instituições em recusar a admitir o erro, formular um pedido público de desculpas, derradeira maneira de consolar familiares e amigos dele, e punir os responsáveis por esse crime

14
Set18

ACIOLI CANCELLIER: “PRECISO RESGATAR A HONRA DE MEU IRMÃO”

Talis Andrade

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Por Marcelo Auler, em seu blog - Há exatos 365 dias, a Polícia Federal, com o aval do Ministério Público Federal e da Justiça, deflagrava, a partir de Florianópolis (SC), a Operação Ouvidos Moucos. A pretexto de combater uma suposta corrupção – que não ficou clara até o momento – invadiram casas e prenderam seis professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC): o então reitor Luís Carlos Cancellier Olivo, e os professores Marcos Baptista Lopez Dalmau, Marcio Santos, Rogério da Silva Nunes, Gilberto de Oliveira Moritz, Eduardo Lobo.

 

A pedido da delegada federal Érika Mialik Marena e com a concordância do procurador da República André Stefani Bertuol, a juíza da 1ª Vara Criminal Federal de Florianópolis, Janaína Cassol Machado, ainda os afastou das funções da universidade, impedindo-os até de ingressarem no campus. Todos foram soltos no dia seguinte por decisão de outra magistrada, Marjôrie Cristina Freiberger, que substituía Janaina em licença médica.

 

Ao se sentir humilhado após ser preso, levado a um presídio, obrigado a vestir um macacão laranja como presidiário, ser acorrentado aos pés e, ainda por cima, se ver impedido de pisar na universidade à qual dedicou seus últimos 12 anos, Cancellier suicidou-se, em 2 de outubro, jogando-se do 7º andar de um shopping. Levava no bolso o bilhete com os dizeres reproduzidos na ilustração acima.

 

Um ano depois de todo o estardalhaço e humilhação que a Operação Ouvidos Moucos provocou, não houve qualquer denúncia judicial. No relatório do inquérito da Policia Federal nada ficou provado com relação a Cancellier. Apesar disso, a perseguição continua. A pedido da delegada Érika foi aberta investigação contra o atual reitor Ubaldo Cesar Balthazar e o seu chefe de gabinete, Áureo Mafra de Moraes, por conta de uma faixa exposta por manifestantes quando da fixação da foto de Cancellier na galeria de ex-reitores da UFSC, em dezembro passado.

 

Professores permanecem afastados – Tal perseguição levou o procurador da República Marco Aurélio Dutra Aydos a denunciar os dois pelo crime de injúria que eles não praticaram. Tanto que a denúncia foi rejeitada pela juíza Simone Barbisan Fortes, como mostramos em Juíza rejeita denúncia contra reitor e "adverte" agentes públicos.

 

Não satisfeito, o procurador insistiu no processo contra os dois, recorrendo da decisão da juíza. O comportamento de Aydos, por sua vez, chamou a atenção do representante da OAB no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Leonardo Acciolly da Silva, que oficiou ao corregedor geral do órgão, Orlando Rochadel, pedindo uma investigação sobre o caso.

 

Para Acciolly da Silva, o procurador "com consciência e vontade, desviou-se do interesse público e se utilizou do cargo público por ele ocupado para censurar a liberdade de expressão de acadêmicos, docentes e servidores da UFSC, movimentando todo o aparato de Justiça criminal para tutelar interesse próprio, com base em sentimento pessoal de justo ou injusto"(leia em Por querer censura na UFSC, procurador será investigado).

 

Mesmo sem que qualquer processo aberto contra eles, os demais professores atingidos pela Operação Ouvidos Moucos permanecem afastados de suas funções. Somente, às vésperas do primeiro aniversário da operação policial/midiática, na terça-feira (11/09) foi que a 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região atendeu parcialmente o mandado de segurança a favor do professor Marcos Baptista Lopez Dalmau. O autorizou a voltar às atividades, mas o manteve afastado do programa de Ensino à Distância (EaD) e do Laboratório de Produção de Recursos Didáticos para Formação de Gestores (LabGestão)”. Os outros quatro atingidos permanecem impedidos de pisar no campus.

 

Para lembrar a tragédia que se abateu sobre a sua família a partir do 14 de setembro do ano passado, o irmão do ex-reitor, Acioli Cancellier de Olivo, publicou uma Carta Aberta dirigida aos demais professores atingidos pela Ouvidos Moucos. No texto, que reproduzimos na íntegra abaixo, citando um artigo do jornalista Reinaldo Azevedo, publicado na Folha, ele afirma sobre a ação da Polícia Federal:

 

 

a violência da ação mudou drasticamente a vida de vocês e de suas famílias; foi o ato inicial de uma tragédia que nos levou o Cau, abalou profundamente nossa família, seus familiares, os amigos em comum, a UFSC e por que não dizer, o país inteiro que não se submete à ditadura dos tanques e togas, citando um jornalista.

 

Ao final, conclama:

 

Lutar pela recuperação da honra maculada de cada um é lutar pela garantia que nenhum ser humano seja julgado, condenado e executado sumariamente como vocês todos foram. Conclamo aos que não se conformam com o arbítrio, a se juntarem nesta escalada, pois citando o mesmo jornalista, ‘nas ditaduras, não há lugar para míopes inocentes’.

 

 

Nada muito diferente do que fala, nesta sexta-feira (14/09), Ricardo Kotscho em seu Balaio do Kotscho sobre as barbaridades que Hamilton Mourão, candidato a vice-presidente na chapa do capitão Jair Bolsonaro, anda pregando e prometendo. No artigo “Perigo à vista: general Mourão, vice do capitão, ameaça a democracia” ele cobra:

 

Cadê a sociedade civil que se mobilizou em 1984 contra a ditadura e pela volta da democracia com eleições diretas para presidente da República? Aonde se esconderam a OAB, a CNBB, a ABI e todas as outras entidades que arrostaram o regime do arbítrio já em seus estertores? (…) Agora que esta grande conquista da minha geração está novamente ameaçada, todo mundo vem mantendo um obsequioso silêncio diante do avanço escancarado do general Mourão contra o Estado de Direito.

 

Lutar pela recuperação da honra maculada de cada um é lutar pela garantia que nenhum ser humano seja julgado, condenado e executado sumariamente como vocês todos foram.

 

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Preocupado em punir o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Ubaldo Cesar Balthazar e o seu chefe de gabinete, Áureo Mafra de Moraes, pelo suposto crime de injúria contra a delegada da Polícia Federal Erika Mialik Marena, o procurador da República Marco Aurélio Dutra Aydos deverá ser investigado por ter, “com base em sentimento pessoal”, tentado “censurar a liberdade de expressão de acadêmicos, docentes e servidores” da universidade

 

CARTA ABERTA AOS PROFESSORES PRESOS COM O REITOR CANCELLIER

 

“Meus caros professores,

 

Há exatamente um ano atrás eu nunca havia ouvido falar de seus nomes.

 

Na manhã daquela quinta-feira fui acordado com um telefonema de uma amigo que me perguntava: Você é parente do reitor da UFSC ? Ao responder que eu era irmão, disse-me que ele acabara de ser preso.

 

Naquela manhã, quando a Polícia Federal invadiu as suas residências e a do Cau, a violência da ação mudou drasticamente a vida de vocês e de suas famílias; foi o ato inicial de uma tragédia que nos levou o Cau, abalou profundamente nossa família, seus familiares, os amigos em comum, a UFSC e por que não dizer, o país inteiro que não se submete à ditadura dos tanques e togas, citando um jornalista.

 

Daquela data em diante, seus nomes começaram a me soar familiares e mesmo sem conhece-los, uma empatia imensa me ligou a cada um de vocês; o sofrimento de cada um de seus familiares me fazia sofrer, pois refletia o sofrimento de cada uma dos meus.

 

Cau se foi. Seu gesto nos doeu muito. Mas, em seguida, atentamos que o fez não por sua imagem enlameada, mas para mostrar a cada um de seus carrascos, que não se pode tirar o que de mais importante um homem digno possa ter: a honra.

 

Passamos a nos orgulhar daquele gesto corajoso e heroico.

 

Se no dia 14 de setembro de 2017, arrancaram da cama um homem digno, o cadáver que nos devolveram 18 dias após, não o reconhecemos.

 

Não por seus ossos estraçalhados; não por sua carne dilacerada; não por sua face desfigurada.

 

Não o reconhecemos porque aquele cadáver não tinha a mínima semelhança da pessoa que o Cau fora em vida: honrado, humanista, generoso e solidário.

 

Um ano se passou e, em todos esses dias, minha luta tem sido em uma única direção: resgatar a honra de meu irmão. Buscar que o Estado reconheça que seus agentes erraram. Erraram em caluniá-lo; erraram em humilhá-lo; erraram em castrá-lo, apartando daquilo que ele mais se orgulhava, servir a UFSC.

 

Meus caros amigos, se assim posso chamá-los, pois um sentimento de amizade e fraternidade nos uniu pela tragédia. Meus irmãos: vocês foram também vítimas da mesma injustiça; injustiça que não os levou deste mundo, mas que certamente causou perdas e danos irreparáveis.

 

Quem lhes irá devolver as angústias, sofrimentos e dores que cada um de vocês passou neste último ano? Quem devolverá a cada um de seus entes queridos a alegria de viver, o brilho nos olhos e o sorriso que minguaram nestes 365 dias? Quem irá garantir que a sua tão esperada reintegração a UFSC ocorra sem traumas? Quem poderá dizer que vocês poderão ensinar, orientar e frequentar o meio acadêmico com a segurança de homens honestos e dignos, sem a certeza de um dedo acusador na figura de um aluno ou de seus próprios pares?

 

Em ocasião recente fiz uma analogia, que reitero: O Cau morreu, vocês sobreviveram. Mas esta sobrevida, sem a reparação integral da honra e dignidade feridas, equivale a uma morte em vida.

 

Tramita no Congresso Nacional projeto de Lei que pune o abuso de autoridade, cujo relator no Senador, Roberto Requião, a denominou de Lei Cancellier.

 

Mas não podemos esperar. A cada dia que passa, sem a devida reparação da honra de cada um de vocês, um pouco de cada um morre.

 

Então, meus queridos amigos e irmãos, nesta data simbólica, uno meus pensamentos aos seus; nosso familiares são solidários aos seus familiares. E me comprometo, a cada dia, com mais intensidade, envidar esforços na luta pela ressignificação do Cau e de todos vocês.

 

Lutar pela recuperação da honra maculada de cada um é lutar pela garantia que nenhum ser humano seja julgado, condenado e executado sumariamente como vocês todos foram.

 

Conclamo aos que não se conformam com o arbítrio, a se juntarem nesta escalada, pois citando o mesmo jornalista, “nas ditaduras, não há lugar para míopes inocentes.”

 

Um fraterno abraço”,

Acioli Cancellier de Olivo

 

 

 

29
Ago18

O terrorismo policial na Universidade de Santa Catarina marca a ferro e fogo os 50 anos da invasão da Universidade de Brasília

Talis Andrade

O golpe de 2016 vai repetindo o prende e arrebenta da ditadura militar de 1964. Os togados esperavam emplacar um candidato, mas o ministro Joaquim Barbosa provou que não tinha votos para síndico de prédio, e o herói Sergio Moro a cada dia que passa se cerca de mais seguranças, e evita as ruas do povo com medo de ser vaiado. Recentemente, temendo um escracho no Shopping da Barra em Salvador, Moro, palestrante de recinto fechado, fez um juiz de vara comercial tachar uma multa diária de cem mil reais para "quaisquer tipos de atos de tumulto, vandalismo, violência, agressões ruidosas, lançamentos de objetos, ameaça, protesto, sedição, conturbação, desordem e repúdio violento, interdição de ruas, passagens, trânsito de veículos e tráfego de pessoas, no interior das dependências do shopping, e fora delas", por ocasião do simpósio promovido por delegados da Polícia Federal, que se realizou nos dias 23 e 24, "sob pena de desobediência à ordem judicial". Até para falar para policiais, Moro necessita amordaçar o povo em geral. Veja esse vídeo de manifestação da classe média, dias antes da chegada de Moro em Salvador. 

Manifestantes ludibriam justiça de Salvador e vaiam Moro em Hotel
O juiz proibiu manifestações no Shopping Barra, sob pena de multa de R$ 100 mil/dia. Manifestantes encontraram Moro no hotel, onde não havia proibição

 

De nada adiantou a proibição pelo juiz de direito Carlos Cerqueira Júnior, da 6ª Vara Cível e Comercial, de realização de ato pró-Lula no Shopping Barra em Salvador, enquanto por lá estivesse acontecendo evento que contava com a presença de Sérgio Moro entre outras autoridades.

 

Para não levar multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento da medida, resolveram mudar o local da manifestação, e foram para a porta do hotel, na noite desta quarta-feira (22), onde se hospedavam os participantes do o III Simpósio Nacional de Combate à Corrupção, o que acabou por ser mais eficiente, de acordo com os manifestantes.

 

“A manifestação no hotel foi ótima, eles foram pegos de surpresa. Causamos o maior constrangimento a ele (Moro) e aos demais que estavam lá. Dissemos tudo que tinha pra ser dito”, revelou porta-voz do diretório acadêmico dos estudantes de Direito da Universidade Federal da Bahia.

 

O golpe de 2016 faz da Universidade Federal de Santa Catarina um laboratório, professores e estudantes sofrem os horrores da uma renovada Operação Condor, que algemou as mãos e acorrenntou os pés do reitor Cancellier, colocado nu em uma cela de presos comuns. Prática adotada pela Lava Jato. Torturar os presos sob vara para que se tornem delatores. Delatores à Aloysío Nunes, `a Cabo Anselmo. A tortura psicológica levou o reitor ao suicídio.  

 

 

PERCURSOS 30 ANOS DA CONSTITUIÇÃO

50 anos da invasão da Universidade de Brasília

A luta por democracia ontem e hoje

29
Ago18

Caso reitor Cancellier: Terrorismo policial descambou para intimidação inaceitável do judiciário

Talis Andrade

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247 – A abertura de inquérito para investigar o professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Aureo Mafra de Moraes, que prestou homenagens ao reitor morto em um programa de TV da universidade, caracteriza um processo intimidatório, diz a seção ‘O que a Folha pensa’, do jornal Folha de S. Paulo. Para o jornal, isso demonstra o despreparo das autoridades para lidar com a democracia.

 

“Não vinham sendo poucos, nem insignificantes, os indícios de abuso de autoridade na Operação Ouvidos Moucos, que investiga supostas irregularidades na Universidade Federal de Santa Catarina. Como se sabe, a investida policial levou à prisão, em setembro de 2017, do reitor da instituição, acusado de tentar obstruir o esclarecimento dos fatos. Libertado depois de 18 dias, Luiz Carlos Cancellier encontrou a própria morte, ao atirar-se do sétimo andar de um shopping de Florianópolis.

(...)

Num programa televisivo feito por alunos da UFSC, o professor Aureo Mafra de Moraes fazia homenagens ao reitor morto, tendo atrás de si cartazes que propagavam a versão de que seu suicídio fora causado pelas acusações de que fora vítima —nenhuma delas, aliás, comprovada até agora. Faixas condenando o abuso de poder e indagando sobre quem teria matado o reitor também apareciam, com fotos da delegada Erika Marena e de uma juíza. Esse gênero de protesto, legítimo em qualquer democracia, e ainda mais num ambiente de liberdade como é o de uma instituição acadêmica, motivou iniciativas de claro conteúdo intimidatório."

Leia mais aqui.

 

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26
Ago18

GOLPE, CORPORATIVISMO E TERRORISMO POLICIAL: MPF encampa perseguições e denuncia novo reitor da UFSC

Talis Andrade

Procura dor Marco Aurélio Dutra Aydos pré-condena o reitor Ubaldo Balthazar e Áureo Moraes por "ferirem a honra da delegada" Érika Marena, responsável pela prisão abusiva de Cancellier

 

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Procurador do MPF denuncia novo reitor e chefe de gabinete da UFSC por não coibirem manifestação contrária aos abusos de poder

 

Não se faz golpe sem terrorismo policial, sem assédio judicial, sem prisões políticas, tortura e mortes. Érica Marena - cria do torturador delegado Tuma, fundador da Polícia Federal, parceiro do assassino Fleury - pré-julgando, abusiva e criminosamente coloca humilhantes apelidos nas operações policialescas, foi promovida para ocupar um cargo da máxima confiança do três vezes secretário de Segurança de São Paulo, o corrupto nazi-fascista Michel Temer. Marena nomeou a inquisição de Cancellier de "ouvidos moucos". Os covardes, acostumados aos abusos de autoridade, suicidaram o íntegro e honrado reitor, e continuam com as perseguições dentro das universidades porque odeiam a inteligência e a cultura. Transcrevo  de Raquel Wandelli:


Apesar das manifestações generalizadas no país condenando a perseguição a professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Ministério Público Federal no estado encampou as intimidações da Superintendência da Polícia Federal. Na tarde desta sexta-feira, o procurador da República, Marco Aurélio Dutra Aydos denunciou o reitor recém-empossado, Ubaldo César Balthazar, 65 anos, e o chefe de gabinete da Reitoria, Áureo Mafra Moraes, 54 anos, por terem permitido manifestação da comunidade universitária com uma faixa que “fere a honra funcional da delegada Érika Mialik Marena”, responsável pela prisão abusiva do reitor que levou o então Luiz Carlos Cancellier ao suicídio.

 

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Reitor Ubaldo Balthazar, recém-empossado, jurista de conduta ilibada, é o novo perseguido pelos agentes federais em Santa Catarina

 

Dizendo-se “amparado nos elementos de convicção colhidos no inquérito” da PF, o procurador extrapola a mera apresentação da denúncia ao propor a condenação dos réus com uma pena de detenção de “40 dias a oito meses” e uma indenização por danos morais de no mínimo R$ 15 mil para cada réu, estipulada pela ofendida que, segundo ele, “se mostra bem razoável”. Na prática, Balthazar e seu chefe de gabinete são incriminados por não terem proibido à força protesto pacífico da comunidade universitária contra a prisão abusiva e a suspensão dos direitos jurídicos que levaram o reitor Luiz Carlos Cancellier à morte. Na denúncia, o procurador afirma que a faixa “As faces do poder”, com a foto da delegada Érika Marena e de outros agentes federais questionados pelos abusos em cerimônia que comemorava os 57 anos de aniversário da UFSC, ofende a “honra funcional” da atual superintendente da PF de Sergipe. Os Jornalistas Livres apuraram que pelo menos dois procuradores do MPF em Santa Catarina estão insatisfeitos com a intervenção indevida do órgão neste e em outros processos contra professores e dirigentes da UFSC, jornalistas e militantes sociais que criticaram os abusos de poder relacionados à prisão e morte do reitor Luiz Carlos Cancellier. Apesar da conduta de procuradores vedar manifestação político-partidária, Marco Aurélio Aydos participou das manifestações pela interrupção do mandato democrático de Dilma Rousseff e fez campanha em sua página do Facebook pelo impeachment.

 

A denúncia do procurador reproduz a acusação da Polícia Federal, que abriu inquérito para investigar o chefe de gabinete e professor do Curso de Jornalismo da UFSC, Áureo Mafra de Moraes, por ter concedido uma entrevista à TV UFSC mantendo a faixa no fundo em que aparecem também os titulares regionais do Ministério Público Federal, o procurador-chefe André Bertuol, a juíza que autorizou o pedido de prisão, Janína Cassol, o superintendente da Controladoria Geral da União, Orlando de Castro e o corregedor geral da UFSC, Rodolfo Hickel do Prado, que intrigou o reitor na PF acusando-o de tentar obstruir as investigações. O órgão não se deteve com as manifestações no país sobre o caráter abusivo e corporativista da Polícia Federal nas intimidações contra o chefe de gabinete da UFSC, endossando a ação contra ele, como ofereceu denúncia também contra o reitor Ubaldo Balthazar, considerado um jurista de conduta irretocável, que nunca foi repreendido ou processado em sua carreira acadêmica.

 

No sábado (17/8), ao nomear a equipe de gestão da UFSC, o reitor disse que seu sonho era que a universidade perdesse o medo e recuperasse sua liberdade e sua harmonia. Em entrevista exclusiva aos Jornalistas Livres, ele e o chefe de gabinete afirmaram que a UFSC não se intimidaria mais, que lutaria contra os novos abusos de poder contra o reitor e os demais professores afastados da universidade sem provas e se mobilizaria para defender a sua autonomia. “Estamos vivendo um momento de total violação do Estado de Direito e das garantias jurídicas do cidadão”, acrescentou Moraes. Balthazar também anunciou que, no seu devido tempo, a universidade entraria com medidas jurídicas para reaver a honra e a justiça para o reitor Luiz Carlos Cancellier, cujo suicídio vai completar um ano no dia 2 de outubro. Na cerimônia de posse, o presidente da Andifes Reinaldo Centoducatte, ofereceu o apoio incondicional de todas as instituições federais contra a violência sofrida pela UFSC.


Manifestação do dia 18 de dezembro na UFSC que deu origem às investidas da PF , agora agasalhadas pelo MPF
Ao vir à tona na grande mídia e na mídia independente, as perseguições da PF contra o reitor Balthazar, que foi obrigado a depor no inquérito contra seu chefe de gabinete, foram condenadas pela OAB, pela Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior, por dirigentes de diversas entidades e instituições democráticas e até pelo ministro do STF Gilmar Mendes, segundo quem o ministro da Justiça Torquato Jardim deveria tirar satisfações da PF sobre esse tipo de intimidação inaceitável, de quem “não tem o menor cuidado com a honra dos outros”. Todavia, ao respaldar a indignação pública de tantos setores jurídicos e instituições democráticas, o ministro Gilmar Mendes não foi processado nem denunciado pelas suas declarações à imprensa. Faltou coragem?

 

Segundo informações na Reitoria, a ofensiva do MPF de Santa Catarina já era aguardada, pois o órgão vinha agindo junto com a Polícia Federal para encobrir os crimes de abuso de poder da desastrosa “Operação Ouvidos Moucos”, tendo inclusive feito intimidações pessoais contra a vice-reitora Alacoque Erdmann Lorenzini para revogar a exoneração do corregedor geral. Sobre o novo capítulo desse pesadelo kafkiano, o chefe de gabinete Áureo Moraes confirmou que a intimidação já era esperada: “Estamos tranquilos porque em nenhum momento ofendemos as instituições, a Polícia Federal, o judiciário ou o Ministério Público. Não há o que temer”. Moraes acrescentou que tanto ele quanto o reitor, que viajou para uma formatura no Campus da UFSC de Araranguá, no Sul do Estado, defendem autonomia constitucional da universidade, o fortalecimento da democracia e o respeito à liberdade e ao direito de expressão da comunidade no ambiente universitário. “Não nos cabe censurar as reações em’ protesto aos abusos que sofremos, nem cercear esse tipo de manifestação que partiu da comunidade, e não da reitoria”.

 

Detido em casa de manhã cedo por 105 policiais, ainda enrolado numa toalha de banho, sem nenhum processo constituído, nem direito à defesa, o também jurista Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que nunca respondeu a um processo administrativo sequer, foi banido do cargo de reitor e proibido de se aproximar da universidade. Ele cometeu suicídio no dia 2 de outubro,18 dias após ser preso acorrentado nos pés e algemado nas mãos e ter sido humilhado nu diante dos outros presos

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Todos os estudantes, todos os professores sabem os nomes dos perseguidores e torturadores que algemaram as mãos e os pés e desnudaram e assassinaram Cancellier

 

 

 

Em entrevista exclusiva aos Jornalistas Livres, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão afirmou qualificou a ação proposta pelo procurador como absolutamente sem substância e incabível. Segundo ele, não se pode considerar uma alegação de injúria pessoal, no caso contra a delegada Érika Marena, como uma questão de interesse público, que mereça a mobilização de um órgão como o MPF. “É CLARAMENTE uma atuação CORPORATIVISTA, ABUSIVA, sem a MÍNIMA CONSIDERAÇÃO PELA DOR DA COMUNIDADE pela perda de Cancellier. É um sinal de DESUMANIDADE e sobretudo de ABUSO DE AUTORIDADE!”

 

Empossado em 27 de julho pelo novo ministro da Educação, Rossieli Soares, Ubaldo César Balthazar foi eleito em fevereiro deste ano para substitui o reitor morto após sua prisão preventiva em presídio de segurança máxima, quando teve sua reputação devassada por um processo calunioso sobre o roubo de R$ 80 milhões alimentado na mídia e nas páginas oficiais da Polícia Federal.

 

Detido em casa de manhã cedo por 105 policiais, ainda enrolado numa toalha de banho, sem nenhum processo constituído, nem direito à defesa, o também jurista Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que nunca respondeu a um processo administrativo sequer, foi banido do cargo de reitor e proibido de se aproximar da universidade.

 

Ele cometeu suicídio no dia 2 de outubro,18 dias após ser preso acorrentado nos pés e algemado nas mãos e ter sido humilhado nu diante dos outros presos.

 

Deixou um bilhete no bolso com os dizeres “Minha morte foi decretada no dia em que fui banido da universidade!!!”.

 

Em outro bilhete destinado somente aos familiares, afirmou que não era mais capaz de suportar a dor pelo processo de perseguição jurídica e midiática a que fora submetido.

 

Continue lendo aqui e veja que o nazi-fascismo avança cada vez mais na rasteira de juízes, delegados e procuradores que fazem "ouvidos moucos" para as denúncias de venda de delações premiadas. Uma indústria. Uma delação custa cinco milhões de dólares revelou o bandido que não quis pagar Tacla Durán. Um mil e 63 colaborações de bandidos registra a Lava Jato da corriola de Curitiba. Erika Marena nomeou a primeira operação da Lava Jato, quando presa uma quadrilha de traficantes de drogas e de diamantes. Quadrilha que tem como capo AlbertoYoussef. Dessa máfia desapareceram toneladas de cocaína. Também desapareceram os diamantes. E todos os mafiosos estão incrivelmente soltos e mais ricos, os bens legalizados, que a Lava Jato lava mais branco.   



30
Jul18

Uma perseguição de covardes

Talis Andrade

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Perseguir um jornalista professor é fácil, porque neste Brasil do golpe capitalista, vale o prende e arrebenta seletivo. A polícia federal jamais vai prender ninguém da família Frias, proprietária da Folha de S. Paulo, nem seus jornalistas empregados.

 

No mais, um delagado da Polícia Federal tem um salário de fazer inveja a qualquer professor universitário com os títulos de bacharel, mestrado e doutorado. 

 

Vou transcrever do 247/ Folha de S. Paulo:

 

A abertura de inquérito para investigar o professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Aureo Mafra de Moraes, que prestou homenagens ao reitor morto em um programa de TV da universidade, caracteriza um processo intimidatório, diz o jornal Folha de S. Paulo; para o jornal, isso demonstra o despreparo das autoridades para lidar com a democracia

 

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A abertura de inquérito para investigar o professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Aureo Mafra de Moraes, que prestou homenagens ao reitor morto em um programa de TV da universidade, caracteriza um processo intimidatório, diz a seção ‘O que a Folha pensa’, do jornal Folha de S. Paulo. Para o jornal, isso demonstra o despreparo das autoridades para lidar com a democracia.

 

“Não vinham sendo poucos, nem insignificantes, os indícios de abuso de autoridade na Operação Ouvidos Moucos, que investiga supostas irregularidades na Universidade Federal de Santa Catarina. Como se sabe, a investida policial levou à prisão, em setembro de 2017, do reitor da instituição, acusado de tentar obstruir o esclarecimento dos fatos. Libertado depois de 18 dias, Luiz Carlos Cancellier encontrou a própria morte, ao atirar-se do sétimo andar de um shopping de Florianópolis.

(...)

Num programa televisivo feito por alunos da UFSC, o professor Aureo Mafra de Moraes fazia homenagens ao reitor morto, tendo atrás de si cartazes que propagavam a versão de que seu suicídio fora causado pelas acusações de que fora vítima —nenhuma delas, aliás, comprovada até agora. Faixas condenando o abuso de poder e indagando sobre quem teria matado o reitor também apareciam, com fotos da delegada Erika Marena e de uma juíza. Esse gênero de protesto, legítimo em qualquer democracia, e ainda mais num ambiente de liberdade como é o de uma instituição acadêmica, motivou iniciativas de claro conteúdo intimidatório."

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27
Jul18

Denunciados os abusos da polícia, delegada que prendeu Cancellier manda investigar professor da UFSC

Talis Andrade

luiz carlos cancellier.jpg

 

 

 

A delegada Erika Marena pediu uma investigação contra o professor da UFSC Aureo Mafra de Moraes, alegando ter sido alvo de difamação, calúnia e ataque à honra.

 

A delegada foi quem inventou o sensacionalismo dos apelidos para as operações da Lava Jato, modismo  que, muitas vezes, constitui uma forma gaiata de desmoralizar a priori os investigados.

 

 O humor negro da delegada - promovida por Michel Temer a chefe de polícia do Espírito Santo - já foi elogiado e criticado pela imprensa.

 

Vejamos expressões para fazer ouvidos moucos: mandar às favas, ir pentear macacos, chatear o Camões, tapar os ouvidos.

 

A delegada Erika ao batizar a investigação de "ouvidos moucos" julgou que o reitor Cancellier não queria ouvir a justiça. 

 

Ex-chefe de gabinete de Cancellier, Moraes virou alvo da Polícia Federal. Foi denunciado - com o golpe reapareceram os dedos duros que lembram os tempos de chumbo da ditadura militar de 64 - de ter criticado o abuso de autoridade da delegada. 



Marena foi quem mandou prender Cancellier sob a suspeita de obstrução de Justiça. O então reitor cometeu suicídio e deixou uma carta colocando a atuação da Ouvidos Moucos em xeque.

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes se pronunciou sobre o suicídio do reitor Cancellier de Olivo, o Cau, como era conhecido.

 

Segundo Mendes, “o falecimento de Cancellier serve de alerta sobre as consequências de eventual abuso de poder por parte das autoridades”. Mendes defendeu também que o CNJ, o CNMP e o Ministério da Justiça atuem no caso da morte do reitor. 

 

Ele ainda afirmou, em seu Twitter: “Não estou antecipando responsabilização, mas o caso demonstra que, algumas vezes, sanções vexatórias são impostas sem investigações concluídas. O sistema de justiça precisa de extremo cuidado para que excessos não sejam cometidos. Estamos lidando com a vida e a dignidade das pessoas.”

 

O procurador-geral do estado de Santa Catarina, João dos Passos Martins Neto, também alertou para o abuso de autoridade do Ministério Público e da Polícia Federal no caso. “As informações disponíveis indicam que Cancellier padeceu sob o abuso de autoridade, seja em relação ao decreto de prisão temporária contra si expedido, seja em relação à imposição de afastamento do exercício do mandato, causas eficientes do dano psicológico que o levaram a tirar a própria vida”, escreveu.

 

Leia também: “A UFSC era tudo para ele, a sua vida, o seu orgulho”, diz irmão de Cancellier

 

Há alguns meses, a PF apresentou o relatório da investigação sem indiciar Cancellier nem indicar qualquer prova de enriquecimento ilícito no suposto esquema de desvio de recursos na UFCS. Embora a PF diga que as irregularidades teriam ocorrido entre 2008 e 2016, Cancellier foi o único reitor enquadrado.



A operação despertou críticas e fomentou debates sobre abuso de autoridade. No Senado, Roberto Requião prometeu batizar a lei que tenta punir autoridades que pratiquem atos que excedem suas atribuições ou para fins de perseguição política como Lei Cancellier.

 

A "Segunda Morte de Reitor da UFSC"

 

Em abril último, escreveu Marcelo Fleury:

 

A revista Veja traz informações e conclusões sobre as 6 mil páginas do inquérito da Operação Ouvidos Moucos. A NSC TV também teve acesso aos documentos.

 

No texto, repórteres da revista dizem que não há provas substanciais. Afirmam que, no relatório, "o esquema criminoso" revelou-se, na verdade, "um punhado de funcionários de médio escalão envolvidos numa teia de operações miúdas e amadoras".

 

"Não há um depoimento peremptório, um documento inequívoco, uma prova cabal (...). Chegam a fazer referências a comentários e fofocas. A revista trata o tema como a "segunda morte de reitor da UFSC".

 


Agora, a PF decidiu voltar-se contra o professor de jornalismo Aureo Mafra de Moraes. O inquérito foi solicitado por Marena em 22 de janeiro de 2018, depois que o agente federal Renato Rocha Prado informou à direção da PF em Santa Catarina sobre a existência de uma reportagem feita pelos alunos da universidade. Nela, Moraes concede uma rápida entrevista na frente de uma faixa com o rosto da delegada e a seguinte frase: “Agentes públicos que praticaram abuso de poder contra a UFSC e que levou ao suicídio do reitor." Foi o suficiente para desagradar os entusiastas dos métodos da Ouvidos Moucos.



A partir de uma notícia do DCM, veja o vídeo que deu início ao inquérito abusivo da PF:

 

27
Jul18

NÃO AO ABUSO DE PODER PF continua intimidando e ameaçando professores da UFSC

Talis Andrade

reitor-da-ufsccancellier.jpg

 

 

“Agentes públicos que praticaram abuso de poder contra a UFSC e que levou ao suicídio do reitor”

O professor Aureo Mafra de Moraes, chefe de gabinete da reitoria está sendo investigado há cinco meses sob a suspeita de atentado contra a honra da delegada Erika Mialik Marena

 

A Polícia Federal continua intimando e ameaçando professores na UFSC, mesmo depois da morte do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Desta vez a investigação recai sobre o professor de jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Aureo Mafra de Moraes, chefe de gabinete da reitoria. Ele está sendo investigado há cinco meses sob a suspeita de atentado contra a honra da delegada Erika Mialik Marena. As informações são da Folha de S.Paulo.

 

Policiais federais instauraram inquérito contra o professor por terem visto indícios de crimes de calúnia e difamação numa reportagem da TV UFSC, produzida por alunos, sobre o evento de aniversário de 57 anos da universidade, em dezembro.

 

O vídeo, de quase três minutos, mostra os festejos e registra “manifestações em defesa da universidade pública” e homenagens a Cancellier.

 

Aureo aparece na gravação em duas pequenas entrevistas. A primeira, de seis segundos de duração, resume-se a uma frase incompleta por causa da edição. “[A] reação da sociedade a tudo aquilo que nos abalou neste ano”, diz, numa referência à morte do reitor. Os policiais federais viram aí um indício de crime porque, atrás dele, havia uma faixa com críticas aos responsáveis pela Ouvidos Moucos.

 

“Agentes públicos que praticaram abuso de poder contra a UFSC e que levou ao suicídio do reitor”, dizia o cartaz que estampava fotos de Erika Marena, da juíza Janaína Cassol, que decretou a prisão de Cancellier, e do procurador da República André Bertuol, responsável pela operação no Ministério Público Federal.

 

Não ao abuso de poder

 

Também no vídeo aparecem uma faixa (“Não ao abuso de poder”) e pequenos cartazes onde se lê “Universidade rima com verdade e liberdade. Quem matou o reitor?”.

 

Não foi feita nenhuma menção à delegada nas entrevistas. Ao falar de Cancellier, Aureo diz que uma placa em sua homenagem “é um tributo a uma pessoa que nos deixou de forma tão trágica, tão abrupta, e que tinha um compromisso gigantesco com esta instituição, colocando no lugar de honra que todos os reitores desta instituição têm guardado, que é a galeria dos reitores”.

 

Aureo foi intimado pelo delegado Germando Di Ciero Miranda, no mês passado, para que ele apontasse os responsáveis pelo evento, por autorizar a entrada dos cartazes e por colocá-los visíveis atrás dos entrevistados. Aureo declarou não saber responder essas questões e afirmou que a universidade não interfere e nem cerceia manifestações.

 

O delegado terminou a oitiva advertindo o professor. Ele estaria obrigado a comunicar a Polícia Federal sobre eventuais mudanças de endereço.

 

Cancellier

 

A morte de Cancelilier causou grande revolta na comunidade acadêmica, bem como amigos, parentes e a população de Santa Catarina, pois ela seria um efeito direto dos “métodos” da Polícia Federal e do Ministério Público no país. Ele era investigado na operação Ouvidos Moucos, que apura irregularidades na aplicação de recursos federais para o curso de ensino à distância. Ele foi acusado, junto com outros seis investigados, de desviar R$80 milhões. Ele chegou a ser preso em agosto e foi solto em setembro, mas afastado da reitoria da Universidade. Desde então, passava por tratamento psicológico.

 

Em uma carta que escreveu no mês passado, Cancellier contou que foi acusado sem provas e sem direito a plena defesa, revelando, assim, as prováveis causas que o levaram a fazer tratamento psicológico e, agora, ao seu suicídio.

 

Operação Ouvidos Moucos

 

A delegada Erika deflagrou, em setembro de 2017, a operação Ouvidos Moucos da PF, que apurou supostos desvios de recursos federais na universidade. A delegada participou da Lava Jato, em Curitiba, até fevereiro de 2017, quando se transferiu para Florianópolis.

 

O reitor havia sido preso 18 dias antes de se suicidar pela delegada, que o acusou de obstrução de Justiça —o reitor não era suspeito de desvios de recursos.

 

À época, Cancellier negou qualquer irregularidade e deixou um bilhete póstumo no qual responsabilizava a operação policial pelo suicídio. O professor Aureo nunca foi incriminado na operação.

 

Leia mais sobre o caso Cancellier:

Gilmar Mendes: morte de reitor alerta para abuso de autoridade

Médica diz que suicídio de ex-reitor da UFSC foi provocado por assédio moral insuportável

“Reitor foi exposto sem nenhum motivo justificável”, diz Lula em nota

Delegada que deu nome à Lava Jato foi responsável pela prisão que levou ao suicídio reitor de Santa Catarina

 

27
Jul18

TEIXEIRA: ‘AÇÃO DA PF CONTRA UFSC É COISA DE ESTADO DE EXCEÇÃO’

Talis Andrade

Reitor é encontrado morto 

 

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O reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier de Olivo encontrado morto

 

 

 

247 - O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) criticou a iniciativa da Polícia Federal, que investiga há cinco meses o professor de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Aureo Mafra de Moraes, chefe de gabinete da reitoria. A corporação quer saber se ele praticou atentado contra a honra da delegada Erika Mialik Marena, responsável pelo pedido de prisão do ex-reitor Luis Carlos Cancellier de Olivo, vítima de prisão arbitrária, que o levou a cometer suicídio.

 

"São escandalosos os atos da PF nesse caso. Coisa típica de regime autoritário e de estado de exceção. Querem processar por abuso de autoridade quem protesta contra o abuso de poder? A condução coercitiva do Reitor Cancellier foi ilegal e inconstitucional", escreveu o parlamentar no Twitter.

 

De acordo com informações da Folha, o inquérito agora contra o professor foi instaurado porque policiais federais viram indícios de crimes de calúnia e difamação numa reportagem da TV UFSC. Aureo aparece na gravação em duas pequenas entrevistas. Na primeira há uma frase incompleta por causa da edição. “[A] reação da sociedade a tudo aquilo que nos abalou neste ano”, diz, numa referência à morte do reitor.

 

Os policiais federais viram aí um indício de crime porque, atrás dele, havia uma faixa com críticas aos responsáveis pela Ouvidos Moucos. "Agentes públicos que praticaram abuso de poder contra a UFSC e que levou ao suicídio do reitor", dizia o cartaz que estampava fotos de Erika Marena, da juíza Janaína Cassol, que decretou a prisão de Cancellier, e do procurador da República André Bertuol, responsável pela operação no Ministério Público Federal.

 

Também no vídeo aparecem uma faixa (“Não ao abuso de poder”) e pequenos cartazes onde se lê “Universidade rima com verdade e liberdade. Quem matou o reitor?”. O chefe de gabinete da reitoria não faz menção à delegada nas entrevistas.

o reitor foi encontrado morto cancellier.jpg

 

Florianopolis Notícias publico a foto acima com a legenda: "O reitor foi encontrado morto no vão central de um shopping no Centro da Capital".  - Foto Michael Gonçalves/ND Confira

 

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