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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

07
Out22

Os efeitos da mistura entre política e religião

Talis Andrade

O aumento da participação de grupos religiosos conservadores na política ao longo das últimas décadas é analisado na nova edição da Plural – Revista de Ciências Sociais 

 

Ensaios analisam estratégia de grupos conservadores no Brasil para moldar a sociedade de acordo com suas crenças

 

 

por Gabriela Caputo

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Às vésperas da eleição de 2018, o apoio do jornal Folha Universal – ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) – ao então candidato à Presidência da República Jair Messias Bolsonaro não se deu de forma explícita, mas através dos temas das matérias publicadas, que repetiam os mesmos jargões da campanha do candidato, como a necessidade de acabar com a “velha política”, a defesa dos “valores da família tradicional” e o combate ao comunismo. Além disso, a presença quase exclusiva de Bolsonaro na Rede Record de Televisão, emissora vinculada à Iurd, ratificava a condição de candidato apoiado por aquela instituição religiosa.

Essa bem-sucedida estratégia de um grupo religioso em favor da eleição do atual presidente da República é analisada no artigo O Discurso Eleitoral da Igreja Universal do Reino de Deus e a Ascensão de Bolsonaro, assinado por Fabrício Roberto Oliveira e Cáio César Martins e publicado na nova edição da Plural – Revista de Ciências Sociais, editada por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Lançada em julho passado, a revista traz o dossiê Religião, Cultura e Política Entre o Progressismo e o Conservadorismo, com 11 artigos de pesquisadores de diferentes instituições que analisam as relações entre religião e política no Brasil atual.

Um dos artigos do dossiê aborda o programa Escola Sem Partido e sua relação com o fundamentalismo religioso. Depois de analisar documentos e declarações de defensores daquele programa, os autores do artigo – Erick Padilha de Oliveira e David Oliveira – concluem que o Escola Sem Partido pode ser entendido como uma ação de afirmação de fundamentalistas religiosos que procuram dominar a política e a educação visando à formação de um modelo de sociedade que seja o reflexo de suas crenças.

Por isso, os autores consideram que tanto o fundamentalismo religioso como o programa Escola Sem Partido representam uma ameaça à democracia e à concepção de sociedade pluralista hoje em vigor no Brasil – especialmente no que se refere a grupos minoritários que não baseiam suas condutas na doutrina religiosa predominante. “A formação dos cidadãos em um território e o modo como se organizam as instituições de ensino podem refletir o caráter, autoritário ou democrático, do Estado”, escrevem Erick e David Oliveira. “As tradições culturais no Brasil, sejam elas religiosas ou não, precisam ser respeitadas e pensadas dentro de uma concepção de pluralidade e de laicidade. Portanto, para se fortalecer uma concepção democrática de mundo, é fundamental se buscar reforçar um modelo de educação que seja capaz de dialogar com isso.”

Os outros artigos do dossiê são igualmente reveladores dos conflitos provocados pela mistura entre religião e política no Brasil atual. O artigo que abre o dossiê, Dimensões Religiosas da Radicalização Política no Brasil Contemporâneo, de Brenda Carranza, Renan Santos e Luiz Jácomo, mostra como essa mistura contribui para o radicalismo. “A radicalização política tem sido a tônica da governabilidade institucional e da participação popular nas relações de poder, e nesse ínterim a dimensão religiosa tem se tornado cada vez mais saliente”, escrevem os autores.

Já o artigo A Quem Pertence o Termo “Católicas”?: Direito e Mídia como Arenas e Estratégias do Neoconservadorismo parte de um estudo de caso. As autoras Maria José Rosado Nunes, Olívia Bandeira e Gisele Cristina Pereira tratam da ação judicial movida pelo Centro Dom Bosco de Fé e Cultura (CDB) – uma associação de leigos católicos – contra as Católicas pelo Direito de Decidir (CDD). Segundo o CDB, o termo “católicas” deveria ser retirado da razão social da CDD, uma vez que a defesa dos direitos sexuais e reprodutivos seria incompatível com os ideais da religião. Além de documentos judiciais, também são considerados materiais veiculados nas mídias sociais religiosas.

Com temática semelhante, o artigo Aborto e Ativismo “Pró-Vida” na Política Brasileira, de Ana Carolina Marsicano e Joanildo Burity, traz reflexões sobre a atuação de grupos políticos conservadores a respeito do aborto a partir do perfil dos parlamentares brasileiros. No artigo, os autores mostram que “através de determinada política sexual o discurso conservador do mundo religioso católico e evangélico ‘pró-vida’ se vê reafirmado e reproduzido pelo conservadorismo político que compõe o cenário político contemporâneo no Brasil”.

Outros artigos partem de casos específicos para explorar a relação religião-política. Christina Vital da Cunha, em Cultura Pentecostal em Periferias Cariocas: Grafites e Agenciamentos Políticos Nacionais, analisa a performance artística utilizada como estratégia por jovens marginalizados que se engajam em lutas sociais. Em Conflitos entre Democracia Parlamentar e Religião Reacionária na Câmara Municipal de Fortaleza, Emanuel Freitas da Silva e Emerson Sena trabalham com enunciados políticos nas redes sociais para compreender “a legitimação do campo religioso cristão e a legitimação política a partir desse campo”. Por sua vez, Marcelo Camurça, em Conservadores x Progressistas no Espiritismo Brasileiro: Tentativa de Interpretação Histórico-Hermenêutica, discute como o plano político também repercute nos debates internos das religiões, onde disputas discursivas são estabelecidas.

A Influência da Religião na Atuação de Damares Alves na Organização das Nações Unidas (ONU), artigo de Jordana de Moraes Neves e Rafael de Oliveira Wachholz, examina a influência da agenda religiosa da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, analisando seus discursos na ONU. “Problematiza-se de que maneira os valores religiosos da ministra se relacionam com os constrangimentos de uma esfera social pautada por regras laicas e seculares”, resumem os autores.

No artigo Em Nome do Laico, do Cisma, da Liberdade Religiosa, Amém, Bruno Curtis Weber explora a noção de “laicidade às avessas”, em que atores religiosos defendem a não intervenção do poder público na esfera religiosa, porém acionam o Estado para garantir certos privilégios na mesma área.

Em A Nova Institucionalidade Brasileira e os Riscos às Práticas Afrorreligiosas, Valdevino dos Santos Júnior discute a marginalização de religiões de matriz africana, em oposição aos grupos religiosos cristãos, dominantes na política e cada vez mais inseridos na institucionalidade. O autor expõe a dificuldade de manifestação dessas religiões no território brasileiro.

Além do dossiê, a nova edição da revista Plural conta ainda com três seções: Artigos, Resenha e Tradução. Em Artigos, dois ensaios tratam da produção do conhecimento em sociologia e de experiências artísticas em Salvador (BA). Resenha destaca o livro Marx Selvagem, do professor Jean Tible, do Departamento de Ciência Política da FFLCH, publicado no ano passado pela Editora Autonomia Literária. Em Tradução, são publicadas as versões em português de dois ensaios de autores estrangeiros – Kant, Autoridade e Revolução Francesa, do filósofo norte-americano Sidney Axinn (1923-2018), e Dinheiro – Um Meio Simbolicamente Generalizado da Comunicação? – Sobre a Doutrina do Dinheiro na Recente Sociologia, do sociólogo alemão Heiner Ganßmann.

Capa da nova edição da Plural – Revista de Ciências Sociais, que traz dossiê sobre política e religião no Brasil – Foto: Divulgação

 

A nova edição da Plural – Revista de Ciências Sociais (volume 28, número 1, 2021), que traz o dossiê Religião, Cultura e Política Entre o Progressismo e o Conservadorismoestá disponível na íntegra para download gratuito no site da publicação.


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26
Jan22

Com ajuda da Record uma concessão do governo, Igreja Universal amplia campanha de demonização da esquerda

Talis Andrade

Mundo da Meire: Provas de que Edir Macedo Investe o Dinheiro dos Dízimos E  Ofertas em Boas Obras

 

O sentimento anti-esquerda permeia as igrejas da Universal. Na Record, de Edir Macedo, há uma "cruzada para reeleger" Jair Bolsonaro

 

247 - Texto publicado nesta semana no site da Igreja Universal apresenta razões pelas quais "um cristão de verdade não pode nem deve compactuar com ideias esquerdistas". O material ideológico lista cinco supostas diferenças entre a forma de pensar de uma pessoa cristã e uma de esquerda, defendendo a ideia de que são incompatíveis, informa o jornalista Maurício Stycer, no UOL.

O texto é encerrado com uma frase do bispo billionário Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, fundador da igreja e proprietário do Grupo Record, da RecordTV e várias outras empresas: "Se você se diz cristão e ainda vota na esquerda, há apenas duas possibilidades: ou você não segue realmente os ensinamentos do cristianismo ou os segue e ainda não entendeu o que a esquerda é verdadeiramente".

O sentimento anti-esquerda permeia as igrejas da Universal, onde o discurso é pró-Bolsonaro, pró-extrema direita. Na emissora, há uma "cruzada para eleger" o chefe de governo, segundo o jornalista Juremir Machado. O Jornal da Record chegou a exibir uma série de reportagens em que acusa, sem provas, o PT e seus dirigentes de terem sido financiados pelo narcotráfico. Quando existe denúncia que a Record foi complada com o dinheiro do tráfico internacional de cocaína. Conheça várias reportagens sobre mercadores do templo. Idem sobre religião

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06
Dez21

Globo, Folha, Veja e Estadão são irresponsáveis e apoiam o ex-juiz ladrão, o suspeito e parcial acusado de crimes

Talis Andrade

 

por Davis Sena Filho

Após ser julgado e ser considerado pela maioria dos ministros do STF um  magistrado de primeira instância incompetente, injusto, parcial e suspeito, assim como tratado por grande parte da sociedade brasileira como um juiz "ladrão", o "tribunal" irresponsável e inconsequente, além de ser formado pela imprensa de mercado mais corrupta do mundo ocidental, resolveu apoiar o ex-juizeco de Maringá, cujo o nome Marreco tem a alcunha de Sérgio Moro.

É inacreditável a petulância, ousadia e prepotência dos coronéis midiáticos e de imprensa deste País desigual, violento e injusto, responsáveis diretos pelo atraso do Brasil e por todos os retrocessos acontecidos na história da República, porque famiglias como as do Marinho, Civita, Mesquita e Frias, juntamente com seus sócios e lugares-tenentes tem sistematicamente, no decorrer da história, sabotado os interesses do Brasil, além de fomentar e promover golpes de estado, de maneira a bloquear qualquer intenção de desenvolvimento, soberania e emancipação do povo brasileiro.

Trata-se, em verdade, da mais corrupta imprensa de negócios privados que se tem notícia no mundo, porque age diuturnamente como um instrumento recalcitrante no que tange à luta contra o desenvolvimento nacional, sempre a agir e atuar como porta-voz da alta burguesia de predicados escravistas e associada, como já ressaltei mil vezes, ao grande capital internacional e, principalmente, aos interesses de estado dos partidos conservadores dos Estados Unidos, o Democrata e o Republicano, que são irmãos siameses, no que é relativo ao imperialismo e à proliferação de guerras e invasões países, principalmente por causa de gás e óleo.

Agora, tal imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?!) vem com esse papo furado, essa conversa para boi dormir de "terceira via", de forma cínica e hipócrita, quando sabemos que os magnatas bilionários de imprensa e de todas as mídias cruzadas e monopolizadas estão entre os principais protagonistas do golpe bananeiro e de terceiro mundo de 2016, sendo que esses cafajestes são também os responsáveis pela destruição da economia do País e pela ascensão do fascismo, na pessoa tenebrosa de Jair Bolsonaro e seus generais estúpidos, mas profundamente vaidosos e ambiciosos.

Ultimamente os empregados (jornalistas) de confiança dessa imprensa comercial e privada estão a fazer uma grande esforço para limpar a barra suja de seus patrões e deles mesmos, porque são os legítimos e autênticos autores do jornalismo de perseguição e guerra, a transformar a nobre ação de informar o público em política e ideologia — o Partido da Imprensa —, a entregar um produto noticioso corrompido aos cidadãos deste País, pois edificado para poucos se locupletar, a gerar com isso, nada mais e nada menos, o verdadeiro e genuíno jornalismo de esgoto.

Por sua vez, após oito anos que o País está irremediavelmente dividido, com a sociedade desde 2013 a agir de forma intolerante e feroz, praticamente separada em dois blocos políticos, porque sabedora que apenas dois atores principais vão disputar as eleições para valer, que são os pré-candidatos Lula e Bolsonaro, aí vem o Grupo Globo e seus péssimos congêneres do jornalismo a apostar numa ridícula "Terceira Via", como se todo mundo fosse idiota como eles pensam que é o cidadão comum deste País de "elites" calhordas, corruptas e canalhas.

A burguesia que deseja a continuidade da roubalheira que é a política econômica de Paulo Guedes, que está a entregar o patrimônio público à iniciativa privada, além de favorecer a quem já é rico com a criminosa dolarização da economia nacional. A verdade é que os barões midiáticos querem um político de direita ou de extrema direita no lugar do bárbaro Bolsonaro, mas que tenha um pouco de verniz e civilidade.

A burguesia brasileira é tão pilantra e safada, que não se importa de apoiar um camaleão perigoso como o Sérgio Moro para assumir a Presidência, contanto que ele tenha bons modos à mesa e ao se reportar ao público, independente de sua voz de marreco e de seus crimes e ambição anacrônicos a quem desde o início da magistratura cometeu ilegalidades que até hoje são blindadas pela Justiça e pela imprensa burguesa, que o apoia a despeito de seu caráter fascista, parcial e mentiroso.

Moro é considerado "suspeito" pela mais alta corte do Brasil. No exterior, esse sujeito é considerado um agente da CIA, bem como um golpista que "trabalhou" por cerca de um ano para uma empresa de recuperação de empresas falidas ou em recuperação, a exemplo da Odebrecht, a maior empresa de engenharia do Brasil, que tinha um corpo de funcionários e trabalhadores quase dez vezes maior que o Grupo Globo.

O Marreco, que na verdade é um inútil, que extinguiu, segundo o Dieese, cerca de 4,4 milhões de postos de trabalho, ao invés de estar preso e, com efeito, responder por seus graves crimes, dentre eles os de conspiração contra Lula e Dilma, tornou-se candidato a presidente da República, além de se comportar de forma messiânica, como se o assunto "corrupção" fosse o único problema do Brasil, que é um País cuja direita sempre usou tal tema para enfrentar e dar golpes em presidentes trabalhistas e de esquerda, como um verdadeiro mantra.

Considerado traidor pelo grupo de Bolsonaro e com uma ambição política e vaidade pessoal desmedidas, Moro é agora o preferido de grupos familiares da imprensa venal, que consideram o Brasil apenas como um lugar onde se pode ganhar muito dinheiro e a explorar eternamente a mão de obra barata, porque a maioria desses empresários e seus familiares mora no exterior e, por seu turno, são desprovidos de empatia com os interesses do Brasil, além de combater qualquer projeto para o País de soberania e independência, pois lhes basta dominar um território que lhes serve apenas como um fazendão exportador, o que é o ideal para esse tipo de gente desde o Brasil Colônia.

Evidentemente que Moro terá sérios problemas, sendo que mais por parte de Bolsonaro do que por parte de Lula, que não disputa o eleitor realmente direitista, porque seu campo é a esquerda, a centro-esquerda e o centro, quiçá setores da centro-direita muito insatisfeitos com os rumos da economia e que se sentem muito incomodados com o resultado econômico de suas empresas ou de seus negócios.

A verdade é que o centro é o Lula e o Lula é o centro, independente do que pensam os principais atores da política nacional. A possível formalização de uma aliança entre Lula e Geraldo Alckmin mexe muito com os humores da imprensa burguesa de alma escravagista e entreguista, mas de pendores imperiais perante o povo brasileiro. A realidade é que o problema é do baronato golpista da imprensa acostumada a falar sozinha e que hoje tem de dividir a opinião e o combate político com a internet.

Os coronéis midiáticos não têm mais a hegemonia de opinião e notícias, e terão de suor litros para emplacar o Moro como um político amador a carregar acusações de crimes nas costas. A credibilidade de Sérgio Moro escorre para o ralo imundo da Lavo Jato, o antro de delinquentes, que serão ao seu tempo punidos por seus graves crimes, com ou sem direito a terem manchetes da imprensa de mercado mais corrupta e golpista do mundo ocidental. 

Imprensa que apoia ex-juiz suspeito para sem ter moral governar o País, suspeita o é; assim como praticamente de jornalismo parcial, a exemplo do próprio Moro como magistrado punido pelo STF. É isso aí.

Sérgio A J Barretto
@SergioAJBarrett
Então a filha de 2 anos do Deltan virou empresária? Pelo jeito, perseguir o Lula rendeu fortuna para esse bandoImage

 

13
Fev20

Record, Globo e o "capitão Adriano"

Talis Andrade

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Por Pedro Simon Camarão
Fundação Perseu Abramo

Domingo é o dia em que as principais emissoras de TV apresentam suas revistas eletrônicas. Na TV Globo, é o Fantástico. Na Record, o Domingo Espetacular. Ambos os programas exibiram reportagens sobre a morte do ex-policial militar carioca Adriano Magalhães da Nóbrega. Adriano é ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro e foi expulso da corporação em 2014. Ele era procurado porque integrava um grupo de assassinos profissionais identificado como Escritório do Crime e ainda seria dirigente de um grupo de milicianos que explora a comunidade da Muzema, na zona Oeste do Rio de Janeiro.

Muita gente deve saber que Adriano da Nóbrega não é apenas um miliciano carioca. O Escritório do Crime é o grupo acusado pela execução da vereadora do PSOL (RJ) Marielle Franco, crime que continua sem solução mais de um ano após ter ocorrido. Embora tenha sido citado nas apurações sobre a morte de Marielle, o miliciano não é apontado como um dos suspeitos. O que levou o ex-capitão do Bope aos noticiários mais recentemente foi a sua ligação com o clã Bolsonaro. O atual senador, Flávio Bolsonaro, prestou homenagens ao policial com moções de louvor na Assembleia Estadual do Rio de Janeiro quando ainda era deputado estadual. A primeira foi em 2003. O comportamento do miliciano foi elogiado por Flávio Bolsonaro. A segunda foi em 2005. Flávio concedeu a medalha Tiradentes ao PM, a mais alta honraria da Alerj. Na época da homenagem Adriano estava preso acusado de assassinar um guardador de carros que denunciou a ação de milicianos.

A ligação de Adriano com os Bolsonaro vai além. A mãe e a esposa do miliciano foram empregadas por Flávio Bolsonaro como assessoras parlamentares. As duas são investigadas por participação no esquema de “rachadinhas” que seria articulado por outro assessor de Flávio, o Fabrício Queiroz. De acordo com as investigações, Adriano também receberia parte do dinheiro do esquema.

Todos os fatos elencados até aqui, certamente, são de interesse público, objetivo fundamental do jornalismo. Entretanto, constam apenas na reportagem apresentada pela TV Globo. A reportagem exibida pelo Fantástico durou cerca de 5 minutos, mas não exibiu a imagem de Flávio Bolsonaro, apenas mencionou o senador. Já a foto de Fabrício Queiroz foi exibida. A reportagem do Domingo Espetacular teve apenas 2 minutos e não fez qualquer menção ao clã Bolsonaro. Nada. O programa apenas indicou que o miliciano poderia ter ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

É óbvio que os interesses políticos de cada uma das emissoras influenciam o conteúdo dos programas jornalísticos. Nesse caso, fica evidente que a TV Globo, emissora que vem sendo atacada por Jair Bolsonaro desde o período eleitoral em 2018 e que perdeu enormes quantias de verba publicitária estatal desde o início do atual governo, tenta gerar desconfiança sobre o clã Bolsonaro. É bem verdade que não é necessário fazer qualquer “malabarismo” no texto. Os fatos são fortes. Por outro lado, a TV Record, emissora que vem recebendo mais verba do governo e que é de propriedade de Edir Macedo - líder da Igreja Universal que declara apoio incondicional a Jair Bolsonaro -, não toca no assunto e priva sua audiência do direito de se informar.

A diferença de abordagem mostra que os veículos de informação constroem sentidos completamente diferentes sobre os mesmos fatos. O tema tratado aqui é apenas um. Diariamente, Globo e Record, bem como as outras empresas de comunicação, apresentam as notícias de acordo com seus próprios interesses.

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30
Jan20

Bolsonaro da dinero a medios amigos

Talis Andrade
 Un estudio en Brasil revela la distribución discrecional de publicidad estatal
 

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El gobierno del presidente ultraderechista brasileño, Jair Bolsonaro, está privilegiando alevosamente con los fondos públicos de la publicidad a tres empresas de televisión que funcionan como su sostén, en una reproducción de un modelo totalmente discrecional, como el de Argentina y otros países, según un estudio publicado en medios no convencionales.
 
El trabajo, difundido en el espacio Tijolaço, un medio que agrupa a comunicadores progresistas, muestra que las cadenas Bandeirantes, STB y Record se vieron beneficiadas con un incremento de los fondos públicos, que administra la Secretaría de Comunicación Social, durante 2019, el año en que empezó la gestión de Bolsonaro. Las tres tuvieron subas en comparación con 2018.
 
La nota, firmada por Fernando Brito, deja en evidencia una paradoja muy singular para la realidad brasileña: el grupo Globo, el más grande del país, y que fue decisivo para la gran operación política y judicial que causó el derrocamiento de la presidenta Dilma Rousseff y el encarcelamiento y proscripción de Luiz Lula da Silva, es el más perjudicado.
 
El texto dice que se verifica un “inexplicable favoritismo” del gobierno por las cadenas Record y Bandeirantes en la publicidad estatal. “Gústese o no de Globo”, escribe Brito, las cifras muestran que ese grupo, si bien está en un período de retroceso, “todavía retiene poco más de la mitad de la audiencia” en el total nacional.
 
Agrega que las decisiones para publicitar en una u otra estación se adoptan básicamente según el número de personas que verán el mensaje, un criterio que sin embargo es discutido en Brasil y otras partes del mundo, donde esa ecuación es puesta en discusión con la necesidad de que los Estados se comprometan en la existencia y desarrollo de una amplia gama de medios, no solo los convencionales y comerciales, como lo establecen los estándares internacionales reivindicados por la Organización de Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (UNESCO).
 
Brito expresa de hecho que puede haber “variaciones” en el parámetro por él enunciado, por ejemplo cuando se hacen “recortes de públicos” a los que se desea alcanzar específicamente.
 
El texto, que cita una publicación previa de Folha de São Paulo, destaca los beneficios recibidos por el grupo del obispo Edir Macedo, fundador de la Iglesia Universal del Reino de Dios, convertida en una corporación para la intervención política, económica y comunicacional, aliada del presidente ultraderechista, racista y misógino, y propietaria del grupo mediático Record.
 
Esta empresa tiene una porción publicitaria estatal que multiplica al menos por cuatro lo que le correspondería recibir en términos de volumen de audiencia en comparación con la que Globo reúne.
 
Globo, con su red nacional de televisión, sus periódicos, radios, revistas y espacios en internet, fue crucial para el desplazamiento del poder del Partido de los Trabajadores, al que combatió en todas sus gestiones. Sin su accionar, la denominada operación Lava Jato no habría llegado a los resultados que obtuvo, en especial las causas, sentencias y proscripción de Lula da Silva, favorito indiscutible para ganar las elecciones de 2018, que depositaron al neofascista Bolsonaro en el poder.
 
Es que, como ocurrió también en Argentina, en ocasiones Globo lanzaba versiones y acusaciones de corrupción contra dirigentes del PT con las cuales los jueces, muy especialmente Sergio Moro -hoy ministro de Justicia de Bolsonaro-, lanzaban pesquisas, investigaciones y requisitorias a la vez ampliamente difundidas por el sistema mediático. A veces era al revés: Moro hacía llegar sospechas y acusaciones a Globo, para que las amplificara a escala nacional.
 

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17
Set19

Filho de Edir Macedo é condenado por humilhar massagista no Twitter

Talis Andrade

O juiz de Direito Marcelo Augusto Oliveira, da 41ª vara Cível de SP, condenou Moyses Macedo – filho do bispo Edir Macedo - a pagar R$ 40 mil, a título de dano moral, para uma massagista que prestava serviços na TV Record. O magistrado verificou que o jovem proferiu ofensas contra a mulher no Twitter.

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Na ação, a massoterapeuta contou que, em uma das sessões de massagem que prestou ao jovem, teria sido xingada e humilhada por ele, com a posterior publicação de um tweet repleto de ofensas e de palavras de baixo calão.

Dano moral

Ao analisar o caso, o magistrado afirmou que só poderia julgar o caso com relação às publicações. O juiz constatou a veracidade das postagens em razão da ausência de negativa expressa do jovem sobre elas e da repercussão que ganhou a publicação nas mídias digitais.

Para ele, o autor se aproveitou de sua posição de superioridade hierárquica, já que é filho do dono da emissora, e “julgou-se no direito de fazer pouco da honradez da autora, diminuindo-a e menosprezando-a, em privado e em público, de forma ignóbil e abjeta, com a única finalidade de humilhá-la”, afirmou.

“É o bilinguis maledictus de que fala a Bíblia.”

Assim, julgou procedente a ação para condenar o jovem ao pagamento de R$ 40 mil para reparação dos danos morais.

Veja a íntegra da decisão.

04
Set19

Bolsonaro de joelhos

Talis Andrade

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Em culto neste domingo (1º.set.2019), Edir Macedo, bispo da Igreja Universal Reino de Deus e dono do Grupo Record e da Record TV, disse ao presidente Jair Bolsonaro que sabe o que é ser alvo de críticas da mídia.

“Vamos continuar orando pelo nosso presidente. A mídia toda é contra ele. E eu sei o que é isso, porque nós vivenciamos o inferno da mídia, das pancadarias dela. Porque ela é uma imprensa marrom [termo pejorativo usado para se referir ao sensacionalismo]. Mas eu estou aqui”, disse Edir Macedo, sob aplausos, no Templo de Salomão, em São Paulo.

Na ocasião, o bispo chamou o presidente para ir até o altar para ser “consagrado”. Ao ir, o Bolsonaro foi acompanhado do bispo Renato Cardoso e de 2 seguranças.

“Vamos consagrá-lo como o profeta Samuel 1 dia consagrou o rei Davi. Nós vamos consagrá-lo”, disse Edir Macedo. O religioso disse ainda que iria fazer o que não foi possível fazer com “com 1 determinado candidato que veio a ser presidente”, em referência ao ex-presidente Lula.

“Aquele candidato veio a ser presidente, mas não nos deu o direito de fazer o que o senhor queria que eu fizesse. Mas o senhor escolheu este homem para liderar os mais de 210 milhões de pessoas neste país”, afirmou.

Bolsonaro ficou de joelhos, enquanto Edir Macedo mantinha as mãos sobre a sua cabeça.

Após a oração, o religioso afirmou que Bolsonaro “vai arrebentar”. No momento, Bolsonaro enxugou lágrimas dos olhos. 

“Se ele for fracassado, você será fracassado, nós seremos fracassados, como nós temos sido fracassados por conta dos desmandos, desleixos e injustiças que nós tivemos nesse país até aqui”, afirmou o líder da igreja Universal.

Assista ao momento da oração (7min14seg):

 

 

Mais cedo, Bolsonaro visitou, acompanhado da comitiva presidencial, todo o Templo de Salomão, inaugurado em 2014. 

In Wikipédia: Nascido em família católica, Edir Macedo praticou a religião durante a infância, até se converter ao protestantismo evangélico aos 19 anos. Fundou a IURD, juntamente com seu cunhado Romildo Ribeiro Soares, em julho de 1977. A partir da década de 1980, a igreja se tornaria um dos maiores grupos neopentecostais brasileiros. A RecordTV foi comprada por Macedo em 1989, e sob seu comando, o Grupo Record viria a se tornar uma das maiores conglomerações de mídia no Brasil. É autor de vários livros de caráter espiritual, destacado-se Nos Passos de Jesus e Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?. Seus livros já ultrapassaram a marca de 10 milhões de exemplares comercializados, o que o torna um dos autores com maior venda de livros no Brasil. Seu blog oficial recebe mais de 4 milhões de visitas por mês.

Em 24 de maio de 1992, foi preso após um culto realizado em um antigo templo da igreja localizado no bairro paulista de Santo Amaro, acusado de charlatanismoestelionato e curandeirismo. Ele foi solto onze dias depois, e as acusações foram posteriormente arquivadas por falta de provas. Em 2009, novamente foi alvo de denúncias, acusado pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, mas estas acusações foram anuladas porque o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo entendeu que a matéria deveria ser julgada pela Justiça Federal. Em 2011, fora denunciado pelo Ministério Público Federal em São Paulo pelos crimes de formação de quadrilha para lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em 2013 ele ainda estava sendo processado por autoridades norte-americanas, bem como as autoridades venezuelanas por fraude e lavagem de dinheiro.

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Foi apontado pela revista norte-americana Forbes como o pastor mais rico do Brasil, quando a publicação estimou seu patrimônio em 1,1 bilhão de dólares.

Em dezembro de 2017, uma série de reportagens produzida pelo canal português de TV a cabo TVI24 revelou que Edir Macedo, sua família, e a Igreja Universal do Reino de Deus mantiveram uma rede de tráfico internacional de crianças em Portugal, onde diversas crianças foram retiradas ilegalmente do convívio com os seus pais biológicos e foram posteriormente entregues a membros da Igreja Universal, inclusive às próprias filhas de Edir Macedo, Cristiane Cardoso e Viviane Freitas.

Expansão da IURD e o rompimento com R. R. Soares

A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), ou apenas Universal, é uma denominação cristã, com sede no Templo de Salomãona cidade de São Paulo, Brasil. Fundada em 9 de julho de 1977 no Rio de Janeiro por Edir Macedo e Romildo Ribeiro Soares, tornou-se o maior e mais representativo grupo neopentecostal brasileiro.Segundo estimativas do censo de 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a IURD tem mais de seis mil templos, doze mil pastores e um milhão e oitocentos mil fiéis ao redor do país.

Rede Aleluia, a qual pertence a Igreja Universal, possui mais de setenta e seis emissoras de rádio AM e FM, que cobrem mais de 75% do território nacional, e mais de vinte retransmissoras da TV Universal. Leia mais

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08
Jan19

MENTIROSO CONTUMAZ, BARRIGONA, LAVAGEM CEREBRAL

Talis Andrade

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por Mirson  Murad

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O prefeito ausente, Marcelo Crivella, mentiroso contumaz, que já assassinou muita gente por desprezo e abandonada dentro e às portas dos hospitais municipais. Que não paga os salários devidos aos funcionários da prefeitura, que não dá colégio para as criancinhas que ousam morar na ex-Cidade Maravilhosa, agora em campanha para sua reeleição... ha!ha!ha, declarou que vai fazer 25 operações ortopédicas diariamente e finaliza a declaração afirmando ter acabado de receber a informação de terem sido feitas nesse dia 45 operações dessas.

Mentiroso contumaz, o "bispo" não pode aprovar nenhuma dessas ditas cirurgias. Aí fica a pergunta: - Será que existe,ainda, algum imbecil que pretenda dar seu voto para essa ignóbil criatura? Quem viver,verá!

A TV Bandeirante insiste em sua barriga que, pelo tempo de gestação, já virou barrigona, com "anúncio cultural" onde afirma que quase 200 milhões de pessoas falam o idioma português tendo entre mais outros 8 países o Brasil e Portugal. Ora bem, senhores da BAND, só no território brasileiro somos 206 milhões de pessoas portanto, provavelmente somos 250 milhões e não apenas 200 milhões.

A TV Globo faz lavagem cerebral do povo brasileiro com as vinhetas "agro e pop tá na Globo" iludindo a população de que o Brasil não precisa, não depende de um vigoroso parque industrial. Que a vocação, o futuro do nosso Brasil continental está nos agronegócios apenas. Isso fica bem claro, subliminarmente. Ou não? Me engana que gosto. Como gosto!

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27
Nov18

O poder assustador dos evangélicos, a vassalagem de Bolsonaro a Malafaia, Edyr Macedo, e agora ao ministro colombiano

Talis Andrade

por Helio Fernandes

Edir Macedo o comedor de moedas.jpg

 

 

Já era conhecida a ligação do candidato com a cúpula comprometida da Universal. Bolsonaro usava e abusava da TV-Record, de propriedade do bilionário Macedo. (A propósito, de onde vem essa fortuna fabulosa? Há 10 anos, Macedo pretendia ser candidato a presidente da Republica, manipulando seu sobrinho Crivella. Fracassou e o sobrinho acabou prefeito desmoralizado).

 

A TV-Record não tem audiência nem prestigio, mas servia para os "recados" tenebrosos do capitão candidato. Deu uma entrevista, garantindo espetacularmente: "Meu primeiro ato como presidente, será nomear 11 ministros para o Supremo, assim não perco nenhuma". Ninguém viu, só este repórter e membros de órgãos de comunicação, que transcreveram.

 

Eleito, foi fazer uma visita ao presidente do STF, Dias Toffoli e disse numa entrevista assistida por todo o país: "Presidente, venho visitá-lo muito, quero consultá-lo quando tiver que tomar uma decisão importante". Nossa, que mudança de comportamento. Mas a transformação foi ampla, geral e irrestrita, igual a do "presidente" Geisel em 1979, para tornar inocentes, os generais torturadores e assassinos de 1964 a 1985.

 

O capitão candidato fugiu dos debates. Mas enquanto os outros candidatos debatiam, ele, no mesmo momento aparecia numa entrevista na TV-Record. Não importa que fosse gravada, tremenda demonstração de falta de caráter, compostura, convicções.

 

O "pastor" Malafaia, assíduo conselheiro do capitão, teve uma demonstração de apoio inédita. Na TV, só os dois, Bolsonaro e Malafaia, 48 horas depois da vitoria, o presidente eleito AGRADECENDO ao "pastor". Informalmente, com os braços em volta dos ombros dele, carinhosamente. Cena inesquecível, embora a transmissão estivesse muito ruim.

 

A propósito, de que vive o Malafaia?

 

Agora surge o terceiro personagem, que tomou de assalto a fortaleza de Bolsonaro. É o colombiano, apresentado precisamente por Malafaia e Edyr Macedo. Antes, os dois vetaram o nome mais credenciado para o cargo, coordenado e praticamente referendado por Onix Lorenzoni, futuro Chefe da Casa Civil e Ministro Extraordinário da Transição.

 

Mauro Ramos, um dos maiores e mais respeitados educadores, diretor do Instituto de Educação Ayrton Senna, foi afastado por dois neófitos, antes mesmo de ser nomeado. O colombiano é um dos fracassos anunciados. O Instituto de Educação só ia ceder Mauro Ramos por patriotismo. O colombiano, é o apogeu do anti-patriotismo.

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PS - Em poucos dias, Bolsonaro já conversou demoradamente com o ministro colombiano, três vezes. Em que língua se entenderam, e não por diferença idiomática.

PS2 - O colombiano é super intelectual, o que não o ajuda em nada como Ministro. Bolsonaro totalmente "desintelectualizado".

PS3 - O contraste, que compromete Bolsonaro. Olavo de Carvalho, é tido e havido como guru do presidente eleito, ha anos.

PS4 - Podem se surpreender: até hoje não se encontraram uma única vez.

PS5- E se falaram uma única vez pelo telefone. Olavo telefonou, Bolsonaro atendeu.

27
Out18

CHEFE DO JORNAL DA RECORD PEDE DEMISSÃO E DECLARA VOTO EM FERNANDO HADDAD

Talis Andrade

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247 - Em meio a informações de que a Rede Record tem pressionado seus jornalistas a fazerem reportagens positivas do candidato Jair Bolsonaro (PSL), apoiado pelo bispo Edir Macedo, dono da emissora, a jornalista Luciana Barcellos pediu demissão de seu cargo de chefe de redação do Jornal da Record essa semana e, nesta sexta-feira 26, declarou seu voto em Fernando Haddad em uma postagem nas redes sociais.

 

No texto, ela não esclarece o motivo da saída, mas afirma que Haddad não foi sua opção no primeiro turno e que votar no candidato neste domingo "não é assinar cheque em branco para o PT, não é isentar o PT da responsabilidade de não ter feito a autocrítica. É defender o nosso direito de seguir em frente. E pra nós, jornalistas, votar no Haddad é também defender o direito de exercer livremente a profissão".

 

"Ninguém é racista ou homofóbico só da boca pra fora. Ninguém defende tortura só porque é "meio doido". Não existe fascismo "light"", critica ainda Luciana. Em outro post, do dia 20 de outubro, ela fala sobre o pedido de demissão, agradecendo aos colegas de trabalho. "A decisão de pedir desligamento não foi das mais fáceis. Mas a vida às vezes exige que a gente assuma riscos", escreve.

 

Nessa mesma data, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo denunciou pressões abusivas que os jornalistas da Record vêm sofrendo para privilegiar a candidatura de Bolsonaro. A entidade diz ter recebido "denúncias de vários jornalistas da Rede Record – televisão, rádio e portal de notícias R7" e "torna público, como exige seu dever de representação da categoria, o inconformismo desses profissionais com as pressões inaceitáveis e descabidas em uma empresa de comunicação".

 

EXCLUSIVO: Tudo sobre o apoio vergonhoso e imoral da TV Record – e seu dono, o bispo Edir Macedo – a Jair Bolsonaro


De forma escancarada, usando a TV Record e o portal de notícias R7, o líder da Igreja Universal do Reino de Deus faz a propaganda do candidato da extrema direita. Leia aqui o império do terror patronal 

 

Edir Macedo o comedor de moedas.jpg

 

 

Leia abaixo os dois posts da jornalista e a nota do Sindicato:

Profissão da qual me orgulho 

Postagem de Luciana Barcellos do dia 20/10:

 

Me despeço da RecordTV com um agradecimento às equipes com as quais dividi esses últimos oito anos. A equipe guerreira do Record Notícias lá no início. Os madrugadores dos jornais matutinos - o horário era dificil mas o time e o trabalho, incríveis. A equipe do Cidade Alerta que é mestre em trabalhar ao mesmo tempo com seriedade e alegria. A redação do Rio com quem vivi a experiência profissional mais vibrante da minha vida - vou pra sempre sentir saudade de vocês. Nesse último ano e meio, a equipe talentosa e apaixonada do Jornal da Record com quem errei, acertei e aprendi. No meio dessa caminhada, duas coberturas inesquecíveis com o pessoal do esporte em Guadalajara e Londres. E diariamente, em São Paulo e no Rio, os momentos mais eletrizantes do dia com os companheiros de switcher. A decisão de pedir desligamento não foi das mais fáceis. Mas a vida às vezes exige que a gente assuma riscos.
Obrigada por todos os muitos e carinhosos telefonemas e mensagens dos últimos dias. Os tempos são duros mas agradeço - mesmo - por terem me ajudado a construir o respeito que tenho pela nossa profissão. Uma profissão da qual me orgulho e na qual acredito. Beijos

 

É a democracia, é o que queremos 

Postagem de Luciana Barcellos desta sexta-feira 26:

 

O Haddad não foi o meu candidato no primeiro turno. Mas agora o que está em jogo aqui é maior do que nossas primeiras escolhas. É a democracia, é o que queremos para nossos filhos, sobrinhos, netos, amigos, para todos os nossos afetos . É o que queremos de bom também para quem a gente nem conhece pessoalmente. Ninguém é racista ou homofóbico só da boca pra fora. Ninguém defende tortura só porque é "meio doido". Não existe fascismo "light". Algumas pessoas próximas e muito queridas não querem o obscurantismo mas também não se sentem à vontade para votar no PT. Peço respeitosamente que reflitam, que reconsiderem. Não anulem, não votem em branco, não ajudem a eleger o Bolsonaro. Votar no Haddad não é assinar cheque em branco para o PT, não é isentar o PT da responsabilidade de não ter feito a autocrítica. É defender o nosso direito de seguir em frente. E pra nós, jornalistas, votar no Haddad é também defender o direito de exercer livremente a profissão. #viravoto#haddad13


Sindicato denuncia pressões abusivas sobre os jornalistas da Rede Record
Emissora assedia profissionais para privilegiar candidatura de Bolsonaro

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) recebeu denúncias de vários jornalistas da Rede Record – televisão, rádio e portal de notícias R7 – de que estão sofrendo pressão permanente da direção da emissora para que o noticiário beneficie o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e prejudique o candidato Fernando Haddad (PT). A entidade torna público, como exige seu dever de representação da categoria, o inconformismo desses profissionais com as pressões inaceitáveis e descabidas em uma empresa de comunicação.

 

A pressão interna para favorecimento do candidato do PSL tem origem no anúncio feito em 29 de setembro passado, pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, proprietário da emissora, de que passava a apoiar Bolsonaro à Presidência. A partir daí, o noticiário começou a dar uma guinada, ainda antes do primeiro turno eleitoral. Um momento importante foi a entrevista com Jair Bolsonaro levada ao ar em 4 de outubro, no mesmo momento em que sete outros candidatos à Presidência realizavam um debate na TV Globo, com a ausência do líder nas pesquisas.

 

Outras expressões dessa virada são decisões de não colocar em rede reportagens relevantes – exibidas em afiliadas – barradas na grade de noticiário nacional da emissora, por avaliações de que poderiam prejudicar Bolsonaro ou ajudar Haddad. O portal R7 também passou a ser dirigido a favor do candidato do PSL de forma explícita: por vários dias seguidos, os destaques da rubrica "Eleições 2018" na home se dividiam entre reportagens favoráveis a Bolsonaro e reportagens negativas a Haddad.

 

As pressões internas pela distorção do noticiário tomaram a forma de assédio a diversos jornalistas. A tensão na redação tornou-se insuportável para alguns profissionais. O fato já foi divulgado por sites jornalísticos.

 

Concessão pública

 

Nesta situação, deve-se lembrar em primeiro lugar que um canal aberto de televisão é uma concessão pública outorgada pelo governo federal, o que se subordina às disposições do artigo 5º da Constituição brasileira, inciso XIV, que assegura a toda a população o acesso à informação. No contexto de uma eleição, e no âmbito do jornalismo, isso significa o direito da sociedade a receber uma informação precisa, bem apurada, equilibrada, que contribua para qualificar a compreensão das propostas em jogo e dos compromissos e interesses envolvidos em cada candidatura. Em outras palavras, o cidadão deve ter acesso a uma cobertura eleitoral que valorize o bom jornalismo, reportando os fatos de forma correta, independentemente do candidato envolvido. Isso vale mesmo se o veículo tiver posicionamento político explícito, a favor de quaisquer dos candidatos, o que não deveria interferir em sua função jornalística.

 

Para balizar a atuação dos profissionais, existe o ferramental próprio da profissão, que inclui o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, no qual o jornalista é orientado a "divulgar os fatos e informações de interesse público" e a não se "submeter a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação".

 

É preciso considerar que a Rede Record é uma empresa privada, para a qual a legislação prevê o "poder diretivo" do empregador sobre os funcionários. Isso funciona para o conjunto das relações de trabalho, mas o jornalismo está entre as profissões que exigem relativa autonomia por sua própria natureza (como acontece, por exemplo, com os professores). O compromisso do profissional com o "acesso à informação", cláusula pétrea da Constituição, deve ser preponderante quando existe um conflito.

 

O Sindicato dos Jornalistas atua para garantir as prerrogativas profissionais nas relações de trabalho, e busca inserir nas Convenções Coletivas uma "cláusula de consciência", que diz, resumidamente, que, em "respeito à ética jornalística, à consciência do profissional e à liberdade de expressão e de imprensa", o jornalista tem o direito de "recusar a realização de reportagens que firam o Código de Ética, violem sua consciência e contrariem a sua apuração dos fatos". Pela cláusula, o profissional poderia ainda se opor ao uso de material produzido por ele em reportagem coletiva (inclusive para preservar sua relação com fontes) e recusar a associação de seu nome ou imagem a trabalho jornalístico com o qual não queira se associar. As empresas de rádio e televisão recusam-se a aceitar esta cláusula essencialmente democrática, deixando o terreno livre para exercer sobre os jornalistas pressões abusivas, decorrentes de interesses privados que contrariam o direito público à informação.

 

Repúdio

 

Em defesa do direito à informação correta e equilibrada na cobertura das eleições, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo repudia as pressões feitas pela direção da Record e exige o respeito à autonomia de apuração e edição dos jornalistas da empresa. Em função da situação, adota ainda as seguintes providências:

 

a) respeitando a autonomia da Comissão de Ética do SJSP, reforça o pedido para que a direção da Record endosse o "Protocolo Ético para o Segundo Turno das Eleições 2018", enviado pela Comissão de Ética para a chefia do jornalismo de todas as empresas de comunicação do Estado;

 

b) solicita uma reunião imediata com a empresa para expressar diretamente sua posição e reivindicar garantias de que as pressões sobre os jornalistas serão interrompidas o quanto antes;

 

c) insiste desde já com as empresas de rádio e televisão do Estado para que, nas negociações da campanha salarial deste ano (data-base em 1º de dezembro), seja incluída a cláusula de consciência, integrante da pauta de reivindicações;

 

d) decide inserir as denúncias relativas à Rede Record no dossiê que prepara para entregar ao Ministério Público dos Direitos Humanos sobre a violação de garantias profissionais dos jornalistas no atual período eleitoral; e

 

e) coloca-se à disposição de todos os jornalistas da emissora para fazer debates, reuniões e adotar todas as medidas necessárias para garantir o respeito à autonomia profissional a que todos os jornalistas, e cada um, têm direito.

São Paulo, 19 de outubro de 2018

Direção - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

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