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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Set18

A “LIBERDADE” DE EXPRESSÃO DOS JORNALISTAS E A FALSA ISENÇÃO DE UMA MÍDIA EMPRESARIAL EM UMA SOCIEDADE DIVIDIDA EM CLASSES

Talis Andrade

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por Afrânio Silva Jardim

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O que vamos tratar abaixo deve servir de explicação para a sórdida tentativa de “massacrar” um determinado candidato ao cago de Presidente da República pelos jornalistas da TV GLOBO NEWS, na noite de ontem. Isto não é jornalismo e sim campanha ideológica para agradar o patrão. Aliás, talvez eles estivessem expressando, indiretamente, as suas próprias ideologias. Não foi por outro motivo que foram escolhidos para trabalhar nesta emissora “golpista”.

 

Por sorte, o candidato, mestre em economia e doutor em filosofia, sendo professor de Ciência Política e com a experiência de Ministro da Educação em governos anteriores, soube responder a todas as maldosas perguntas dos entrevistadores, de forma serena e respeitosa, logrando tornar evidente a parcialidade eleitoral de todos eles e elas.

 

Vamos então a mais uma reflexão sobre a inexistente liberdade e isenção da imprensa. A autocensura é uma realidade em um país de alto índice de desempregados...

 

Em vários textos, publicados na minha “coluna” do site Empório do Direito, venho sustentando, com base nas lições de Caio Prado Junior, que a liberdade abstrata, que é uma das características das sociedades de mercado, é uma liberdade muito relativa, pois poucos podem realmente dela usufruir. A situação econômica neste tipo de sociedade é que dirá sobre a “extensão” desta liberdade burguesa.

 

Por outro lado, venho sustentando, ainda na esteira do magistério do grande filósofo acima mencionado, que não é o Estado, no mais das vezes, que suprime esta liberdade em nosso cotidiano.

 

Na verdade, durante a nossa vida, somos tolhidos no exercício desta liberdade abstrata por uma hierarquização das classes sociais decorrentes do sistema capitalista. Não dá para negar que, em razão dos contratos de trabalho, umas pessoas se submetem ao mando de outras pessoas. O patrão manda no empregado, restringindo a sua liberdade e fazendo-o submisso à sua vontade.

 

Na medida em que as pessoas têm “chefes”, são elas dependentes economicamente de seus patrões e ficam “condenadas” a serem submissas aos patrões, donos de sua vida financeira. Muitos, para não perderem o emprego, se tornam até bajuladores ou subservientes. Outros já foram contratados porque têm predisposição para fazer o “jogo” da empresa jornalística ...

 

Recentemente, o Sistema Globo de Comunicação nos mostrou claramente como se suprime a liberdade de seus empregados, proibindo que eles se manifestem sobre questões políticas e ideológicas em suas redes sociais particulares. Tal proibição está sendo chamada de "lei Chico Pinheiro", por ser este bravo jornalista o primeiro a ser "silenciado".

 

Assim, constatamos que eu e minha empregada doméstica podemos criticar ou elogiar o ex-presidente Lula pela internet, podemos criticar ou elogiar o senhor Temer. Entretanto, os jornalistas, atores e demais empregados (as) da Rede Globo estão silenciados pelo “patrão imperial”. Vale dizer, eles tiveram sua liberdade de expressão castrada, não pelo Estado, mas sim pela Rede Globo. Na iniciativa privada, é permitida a censura prévia ??? Já não basta a subserviente autocensura dos jornalistas destas grandes empresas???.

 

O estranho e insólito é constatar que aqueles, que defendem radicalmente a liberdade de imprensa, castram a liberdade de seus empregados de exteriorizarem os seus pensamentos, ainda que fora do local de trabalho. Pura hipocrisia. Puro autoritarismo.

 

Importante salientar que, através do texto supra, meu escopo principal não é criticar a Rede Globo, mas sim a falácia da plena liberdade na sociedade capitalista. Meu escopo é criticar a falácia da imparcialidade ideológica e política destes jornalistas.

 

Aliás, basta um mínimo de consciência crítica para constatar a hipocrisia e cinismo que campeia em nossa grande imprensa.

 

Na verdade, a Rede Globo somente tornou explícito o que está implícito nas relações de trabalho neste tipo de sociedade, onde o poder econômico não gosta de limites...

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16
Set18

Entrevista no Jornal Nacional revela a verdadeira face da Globo

Talis Andrade

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por Mário Augusto Jakobskind

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William Bonner e Renata Vasconcellos, demonstraram, ao conduzirem a entrevista com o candidato Fernando Haddad no Jornal Nacional, que estão longe de praticar jornalismo na verdadeira acepção da palavra. Fica evidente que cumprem uma missão, provavelmente determinada pela família Marinho.

 

O casal de âncoras interrompeu inúmeras vezes o entrevistado, em uma forma clara de tentar impedir o seguimento de seu raciocínio. Com isso, também impediram que Haddad apresentasse suas propostas, que é do preso político Luís Inácio Lula da Silva, que a família Marinho se esforça em combater.

 

Em um determinado momento Bonner não escondeu sua contrariedade quando o candidato lembrou que a Globo estava sendo investigada na Justiça, o que não quer dizer que ela pode ser acusada de antemão. Haddad desarmou a Globo, que é useira e vezeira de apresentar em seu noticiário políticos também investigados, sobretudo os do PT, como se fossem de antemão culpados.

 

A entrevista no JN remete a um tema que dificilmente aparecerá nos debates, qual seja, a da democratização dos meios de comunicação, um quesito importante para a verdadeira democracia. É que as poucas famílias controladoras dos meios de comunicação evitam o aparecimento do tema nos debates. E quando a questão entra em cena, se voltam, de forma raivosa, com mentiras do tipo que os defensores da democratização querem censurar, quando acontece exatamente o contrário.

 

Para o avanço da democracia no Brasil é necessário que o tema democratização dos meios de comunicação seja debatido, para que a opinião pública seja informada, sem subterfúgios. Se isso não acontecer, o panorama seguirá como o atual e nas próximas eleições ocorrerão as mesmas aberrações com a acontecida no Jornal Nacional com Haddad e mesmo outros candidatos que não rezam pela cartilha da família Marinho.

 

Em suma, está na hora de o Brasil conhecer verdadeiramente o que é democracia, porque do jeito como caminham as entrevistas da campanha eleitoral de 2018 na mídia comercial estamos longe desse ideal.

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15
Set18

NÃO FOI ENTREVISTA, FOI INQUISIÇÃO

Talis Andrade

 

 

Hildegard Angel: Não foi feita uma única pergunta sobre programa de governo. Não é com o fim jornalístico a série com os candidatos? Não foi para ouvi-los que as TVs conseguiram diminuir o tempo do horário eleitoral e aumentar o de entrevistas com candidatos?

 

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Mauro Lopes: Haddad abriu a entrevista no Jornal Nacional lavando a alma do país e enfrentando o império em sua sede: "Boa noite, presidente Lula". Mais ainda, afirmou que quem deveria esta sentado na bancada de entrevistas não era ele, mas Lula. Coragem, fidelidade, firmeza.

A partir da saudação a Lula, dominou a cena e inverteu a lógica que presidiu as demais entrevistas conduzidas por William Bonner e Renata Vasconcelos: foi ele quem conduziu a entrevista, e não os executivos da Globo. Defendeu seu partido, defendeu seu programa e foi incisivo na crítica à Rede Globo, deixando claro ao país que a moleza acabou para a família Marinho.

Terminamos assim a semana: Haddad sobe como um foguete nas pesquisas e foi soberano na temida sabatina do Jornal Nacional, com uma performance consagradora.

Em apenas quatro dias como candidato, Haddad mostrou que é um digno representante de Lula no pleito e é muito mais que o tal "poste" com o qual propaganda da direita, de Ciro e da mídia conservadora tentou iludir o país.

O Brasil acorda sábado com um grande líder à frente do processo eleitoral: Fernando Haddad.

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Arcírio Gouvêa Neto: Como jornalista, diretor da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e secretário de uma comissão de defesa da liberdade de expressão, me sinto envergonhado vendo o jornalismo brasileiro acabar de ser vilipendiado e ultrajado por Willian Bonner e Renata Vasconcellos nesta sessão de inquisição aos melhores moldes dos inquisidores da Idade Média. Isso não foi e jamais será jornalismo.

Trabalhei em duas oportunidades no jornal O Globo, desfrutei da companhia de mestres do jornalismo da empresa e tenho certeza absoluta que mesmo os jornalistas do passado que lá trabalharam se vissem o que vi hoje estariam tão revoltados quanto eu. Uma coisa é você ter sua ideologia política na vida pessoal, outra coisa é você transportar essa ideologia à vida profissional, para seguir servilmente à determinação do patrão. Já vi muita gente boa se recusar a fazer um papel asqueroso como o dessa dupla essa noite e eu sou uma delas.

Sinto pelo trabalho correto e ilibado de velhos companheiros que deram a vida pelo engrandecimento da imprensa em nosso país e não mereciam o que aconteceu hoje. Acho que o mínimo que poderia ocorrer em um estado democrático de direito é sua população se indignar com o que houve essa noite.

Quem perde não é o PT e nem Lula ou Haddad é a liberdade do pensamento e da expressão de uma nação inteira.

Uma noite pra ser esquecida, diria Carlos Heitor Cony.

Infelizmente, o que estava em jogo ontem não era se Haddad sobreviveria, mas o bom jornalismo, imparcial e sério. É muito triste para uma nação assistir a um esquartejamento em cadeia nacional tendo o rótulo de jornalismo, de uma entrevista. A imprensa é um dos pilares de um estado democrático de direito e, em nosso país, está com seus alicerces completamente destruídos. Ela segue apenas a interesses ideológicos de seus donos.



 

15
Set18

Haddad enfrenta o jornal inimigo

Talis Andrade

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 Meme Diogo Ramalho

 

Mauro Lopes: Haddad briu a entrevista no Jornal Nacional lavando a alma do país e enfrentando o império em sua sede: "Boa noite, presidente Lula". Mais ainda, afirmou que quem deveria esta sentado na bancada de entrevistas não era ele, mas Lula. Coragem, fidelidade, firmeza.

A partir da saudação a Lula, dominou a cena e inverteu a lógica que presidiu as demais entrevistas conduzidas por William Bonner e Renata Vasconcelos: foi ele quem conduziu a entrevista, e não os executivos da Globo. Defendeu seu partido, defendeu seu programa e foi incisivo na crítica à Rede Globo, deixando claro ao país que a moleza acabou para a família Marinho.

 

Fabianna Freire Pepeu: Trabalhei na Globo Nordeste. Gostava muito de fazer entrevistas. Mas, na qualidade de entrevistadora, era assim: eu perguntava e o entrevistado respondia. Quando eu julgava que o entrevistado tinha, digamos, driblado minha pergunta, eu insistia. Mas eu nunca disse ao meu entrevistado ou entrevistada que a sua resposta não servia aos meus propósitos, desclassificando sua fala. Eu não tinha propósitos. Também não fazia uma pergunta e, imediatamente, começava a falar por cima da fala da outra pessoa. Minha ideia era fazer uma entrevista. Entrevistar é deixar o outro se expressar, contar uma história ou mesmo uma mentira. Nem precisava ter trabalhado numa televisão pra saber disso, não é, minha gente? Apertar um entrevistado, ser crítico e ousado é algo bem diferente do que se viu hoje no Jornal Nacional com o presidenciável Fernando Haddad. Desconfio que William Bonner e Renata Vasconcellos não são jornalistas. Nunca foram. Em especial, nesse episódio, eles encarnaram uma versão arrumada e engomada de uma coisa muito feia chamada torturadores psicológicos. A gente usa essa expressão ‘tortura psicológica’ em algumas situações ou quando pessoas amigas, de maneira informal, nos aperreiam, mas isso é coisa séria, muito séria. Isso é extremamente violento. E é crime.

Vamos fechar o seguinte: não é Bozo o inimigo do Brasil, mas sim esse abjeto monstro chamado Globo. Enquanto isso não for mexido, nunca avançaremos. Mente; distorce; não permite que se fale, roubando a fala do outro; tripudia da verdade; nos lembra que chafurdamos numa estrada enlameada que parece não ter fim.

 

Ricardo Miranda: Não sei qual é o Brasil que William Bonner quer ver, mas certamente não é um em que Fernando Haddad possa responder às suas perguntas.

Teve jeito de interrogatório. Pior. Dos 27 minutos de entrevista – assisti diversas vezes para cronometrar -, 16 minutos foram com perguntas e interrupções de William e Renata Vasconcellos, sua parceira de palco. 16 minutos! Ou seja, Haddad teve 11 minutos. Em outras palavras, as perguntas e interrupções tomaram 60% do tempo. William Bonner fez 53 interrupções. Renata outras 19. Em diversos momentos falaram ao mesmo tempo que o candidato, impedindo seu raciocínio.

Mas não eram só perguntas. Bonner e sua coadjuvante de bancada no JN fizeram ilações, deram opiniões, citaram números contestáveis, ocuparam o tempo que podiam. Sempre com ar de deboche e colocando-se como porta-voz da verdade, Bonner indignou-se quando, quase perdendo a paciência, Haddad tentou diferenciar denunciado de réu, citando as Organizações Globo e, por exemplo, seus problemas com a Receita Federal.

 

 

 

 

13
Set18

A Globo, as eleições e a história como farsa

Talis Andrade

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 Globo perseguiu Dom Helder Câmara e fez campanha para que o brasileiro não recebesse o Prêmio Nobel da Paz

 

 

por Ayrton Centeno

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Todo mundo conhece a velha máxima de Marx, aquela que “a história só se repete como farsa”. No caso do Grupo Globo, a história desde o berço é uma farsa.  Em 1964, tratou como “democracia” a ditadura que despontava. Em 2016, tratou comoimpeachment, o golpe parlamentar/judicial/midiático de que foi parte faceira. Em 1984, tratou ato monumental pelas Diretas Já como se fosse a comemoração do aniversário de São Paulo. Em 2018, trata a candidatura deLula como se não existisse.

 

Líder disparado em todas as pesquisas, presente nas intenções de voto da maioria dos brasileiros e brasileiras, o ex-presidente não tem voz nem vez no Jornal Nacional. Mesma agenda de silêncio e apagamento conferida pela emissora a Fernando Haddad, seu vice. Não importa que a chapa Lula/Haddad/Manuela seja a única a juntar povo em qualquer lugar do país nesta campanha estranha e paradoxal.

 

É uma longa, elaborada e metódica dedicação à farsa que uma consulta à testemunha insuspeita – o próprio jornal O Globo – comprova sem maiores dificuldades. Não é a farsa pela farsa.  Ela se exaspera em tempos de campanha eleitoral mas está, a cada dia da história, a serviço dos interesses da família Marinho.

 

Pouca gente sabe mas, na trincheira da ditadura, O Globo trombou até com os Beatles. Em 1969, quando o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, fez uma conferência em Manchester, na Inglaterra e sugeriu aos jovens seguir o exemplo dos quatro de Liverpool e questionar “a forma monstruosa em que vivemos hoje com nossos falsos valores, contra a ridícula mecanização de tudo, inclusive do dinheiro”, o jornal partiu ao ataque.

 

Ilustrou matéria de 11 de abril daquele ano com uma foto do casal George Harrison e Patty Boyd saindo de um tribunal. E a legenda: “O beatle Harrison e sua loura: entorpecentes”. No editorial, deplorava-se que o arcebispo indicasse tais modelos. Harrison fora multado por posse de maconha, enquanto John Lennon e Yoko Ono eram criticados por posarem numa “experiência de amor público” em Amsterdam. Para o diário, os Beatles, os Rolling Stones e outros faziam “propaganda aberta da depravação”. Eram “fantásticas agências a serviço da corrupção de menores”, escandalizou-se.

 

Acontece que os Beatles e os Stones haviam ficado na linha de tiro contra Dom Hélder. Em 1969, o arcebispo era fortíssimo candidato ao Prêmio Nobel da Paz. E a figura mais odiada pela tirania. Justamente pela denúncia corajosa da censura, tortura e assassinatos no país. No ano anterior, sua casa fora metralhada por homens que gritavam “morte ao arcebispo vermelho!” Seria o primeiro Nobel brasileiro. Quatro vezes candidato, Dom Hélder, porém, nunca ganhou. Foi vítima de uma campanha difamatória, no Brasil e na Europa, movida por O Globo, o Estadão, o regime dos generais e parte do empresariado.

 

Carlos Marighella, o número 1 da ALN, foi emboscado e assassinado – recebeu 28 tiros e não portava nenhuma arma – em  4 de novembro de 1969. Dois dias depois, O Globo publicou o editorial O Beijo de Judas. Era um texto abjeto. Nele, jogava perseguidos contra perseguidos, ao dizer que os padres franciscanos Fernando e Ivo, sem “resistência moral”, haviam entregue Marighella . Omitia as condições em que as informações haviam sido obtidas. Fernando, por exemplo, tivera um arame enfiado na uretra…

 

Dez anos após o golpe, a família Marinho ainda não havia convenientemente percebido onde estava metida.  Fiel ao culto da farsa, no editorial “Fidelidade ao Regime”, O Globo celebrou a “medicina democrática” imposta pelos eventos de 1964. Não por acaso, em 1972, o então ditador, Garrastazu Médici, confessou que se sentia relaxado e feliz após ver o Jornal Nacional porque enquanto “o mundo está um caos, o Brasil está em paz”. Uma década depois, em 1984, veio outra exaltação: a democracia fora derrubada para “preservar as instituições democráticas”.

 

Tamanha luta braçal contra os fatos em nenhum momento pode ser chamada de “tragédia”—embora trágica para a reputação do conglomerado. Aos olhos do leitor/telespectador/ouvinte mais atento desde sempre foi farsesca.

 

Vinte e oito anos após o retorno da democracia, as Organizações Globo expuseram seu mea culpa pelo relacionamento carnal com a ditadura. O editorial veio na véspera do cinquentenário do regime militar. Sim, timing não é o forte dos Marinho. Dado seu comportamento em 2016, teremos novidades em 2066…

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30
Ago18

Lula venceu os indignos

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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A estas alturas do calendário eleitoral, um prognóstico parece inapelável: Lula, mesmo isolado e incomunicável no cárcere político, venceu a Globo e a Lava Jato, e criou um impasse monumental para a ditadura jurídico-midiática.

 

Roubar a eleição do Lula, tida como certa de ocorrer já no primeiro turno, agrava a ilegitimidade do regime de exceção e aumenta sobremaneira o custo político e social de manutenção da ditadura.

 

A posição da ONU endereçada ao Estado brasileiro, que exige respeito ao direito do Lula votar e ser votado, estreita muito a margem de manobra do bloco golpista.

 

A Lava Jato preparou à feição da Globo o álibi judicial para banir Lula e suas propostas eleitorais das entrevistas eleitorais e do noticiário da emissora e de toda a mídia cúmplice do regime. Este abuso, claramente discriminatório, evidencia a dimensão da brutal fraude que é a cobertura jornalística da eleição de 2018 no Brasil.

 

Essa violência contra Lula está sendo, porém, inócua e contraproducente. Apesar de banido do noticiário político e da crônica eleitoral e somente ser citado pejorativamente na imprensa como “preso por corrupção”, Lula é, contudo, onipresente na memória e na consciência de milhões e milhões de brasileiros e brasileiras que querem elegê-lo outra vez presidente do país.

 

O arbítrio fascista contra Lula produziu o efeito contrário ao planejado – tanto no Brasil como no estrangeiro. O establishment não só fracassou na tentativa de assassinar política e simbolicamente o Lula, como acabou por provocar a consumação da trajetória épica que o converteu, em plena vida, no maior mito heróico do povo brasileiro.

 

Lula resiste à dor imposta na masmorra de Curitiba porque “já não é um humano”, mas uma ideia de igualdade, esperança e justiça que se dissemina nas vozes e nos corações da maioria do povo.

 

A Globo e a Lava Jato conseguiram o feito extraordinário de recuperar a influência do Lula e do PT na sociedade brasileira aos patamares historicamente mais elevados – Lula com aprovação popular superior a 60%, e o PT voltando a ser, de longe, o Partido preferido por mais de 25% da população.

 

Lula derrotou a vilania e o fascismo da ditadura Globo-Lava Jato. Com sua dignidade, Lula venceu os indignos.

 

 

19
Ago18

Com Supremo, com tudo. Só esqueceram da ONU

Talis Andrade

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 Charge publicada em abril último no portal do PSDB

 

Affirmanti incumbit probatio
(Brocardo jurídico em desuso no Brasil)

por Carol Proner

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O silêncio do grupo Globo decide mais que qualquer juiz no Brasil. A tática agora é não pautar assuntos constrangedores ou aqueles que não podem ser sustentados sem o apelo à mentira. E é por isso que não há muitas linhas sobre o recente caso da ONU, assim como também passaram em branco os "golpes blancos en América latina" alertados pelo Papa Francisco na visita dos brasileiros ao Vaticano. Mas, in dubio, pode ser que as câmeras dos cinegrafistas da emissora tenham contraído uma espécie de vírus, no dia do registro da candidatura de Lula, e se esmeraram em imagens laterais, deixando fora de foco aproximadamente 30 mil pessoas.

 

Vamos falar francamente: não precisamos de professores de direito internacional para explicar que a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU vincula, obriga e gera responsabilidade. Para os que têm alergia ao direito internacional, fiquemos com a prata da casa, temos leis de sobra para assegurar os direitos políticos do candidato, leis constitucionais amplamente respaldadas pela legislação-base, sem contar a antecedência, a jurisprudência e a velha e boa "prudência" de não deixar escoar direitos irreparáveis.

 

Para começo de conversa, a decisão da ONU espelha a legislação pátria: o mandamento decorre dos direitos e garantias constitucionais e da tradição democrática e responsável do direito eleitoral que, mesmo nas brechas da lei que pune quem não tem "ficha limpa", é cuidadoso com o direito-síntese mais importante do nosso sistema político: o direito de votar e ser votado.

 

A decisão da ONU complementa o que já temos, mas também é um alerta para que, caso alguma autoridade tenha esquecido de aplicar a lei no curso de um processo não justo, que momentaneamente acalme-se e acautele esses direitos que, não por acidente, são chamados de fundamentais. Em suma, teve um dia ruim? Ficou com vontade de ligar para o carcereiro da Polícia Federal de Curitiba e exigir descumprimento de uma ordem judicial? Lembre-se que a ONU está de olho em você e, com base numa vontade que o Estado brasileiro exarou em 2009, aderindo, via Decreto Legislativo, ao mecanismo de fiscalização universal de direitos civis e políticos, a decisão é mandatória: um imenso "cumpra-se" que abarca a responsabilidade de todo o Estado brasileiro e não somente de um juiz que cometeu crime, mas ainda não foi afastado.

 

Não prefiro a ironia como forma de escrita, ainda mais quando estamos vivendo no limite do aceitável, quando há gente fazendo greve de fome para que outros não padeçam em consequência de uma crise total que vive o nosso país. Mas por vezes, diante do arbítrio com altas doses de cinismo, recorremos ao sarcasmo para encarar os principais responsáveis pelo agravamento da crise democrática e soberana, pois estão todos nus.

 

Sob os olhos do mundo, o Brasil se transformou, entre todas as tentativas em curso na América Latina, no case mais escandaloso de perseguição midiático-judicial a um líder político. Escandaloso porque erraram a mão, exageraram e provocaram uma forte reação popular e internacional. O processo de combate à corrupção, preparado para mascarar a trama via "legitimação pelo procedimento", foi desmascarado logo na origem do chamado Caso Lula, tanto pela defesa do ex-Presidente quanto por argutos juristas que identificaram e denunciaram a prática de lawfare e os atos de exceção no sistema de justiça.

 

Hoje é transparente o vínculo entre o golpe jurídico-midiático-parlamentar contra Dilma e o ativismo jurídico-midiático contra Lula, processos paralelos e complementares que engolfaram a democracia não apenas pelo comprometimento das eleições de 2018, mas também por revelar limites dramáticos do modelo: agora, amarrando bem – com supremo, com tudo – é possível apear presidentes ou encarcerar candidatos para evitar o acontecimento da democracia. Só se esqueceram dos expertos da ONU.

 

Nos encontros que temos tido com juristas e cientistas políticos de outros países, essa é a dura mensagem que o caso brasileiro está transmitindo: um alerta para todos os países que vivem a ilusão do acordo possível entre os valores liberais do (neo)constitucionalismo e os direitos dos povos historicamente desgraçados. Na hora certa, quando o mandamento do (neo)contratualismo se resume a "não pactar com a democracia" – racionalidade pós-democrática – os elitismos, incluindo o elitismo judicial, se levantam e falam grosso com los de abajo. É aí que teremos que enquadrar qualquer projeto de reforma do judiciário que se preze, mas isso é assunto de futuro.

 

Por enquanto, devemos celebrar. Essa decisão cautelar da ONU é muito boa para a resistência democrática, já que temos consciência de que se trata de acúmulo para fortalecer um momento mais adiante. Como já não acreditamos na justiça, será mesmo por diversão que acompanharemos a decisão do ministro Barroso arbitrando a proibição dos direitos inalienáveis de Lula, apesar da decisão-espelho da ONU. Ele vai tratar a entidade como o Cabo Daciolo trata a URSAL, provavelmente fazendo coro com o Bolsonaro, que a considera covil de comunistas.

 

Tentando imaginar a embaraçosa situação dos perpetradores do golpe e daqueles que agora têm nas mãos o destino de tudo isso – não só do Lula-Livre, mas de suas próprias biografias – talvez, se pudessem voltar no tempo, teriam feito tudo com mais capricho: quem sabe um juiz menos acusador, um Ministério Público menos power point, desembargadores menos apressados, ministros da Suprema Corte menos vaidosos e uma mídia menos canastrona. Poderiam ter chegado lá pisando no povo, naturalmente, mas com elegância.

 

 

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19
Ago18

Juiz Sérgio Moro é cúmplice da roubalheira tucana e um dos autores do golpe

Talis Andrade

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por Emanuel Cancella

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Moro deixou pela estrada muita gente boa que apostava em sua boa fé e o chamavam de “Meu Herói”. Eu, de pronto, duvidei das boas intenções de Moro, não por empirismo ou espiritismo, mas por sua trajetória.

 

Por outro lado, muita gente, principalmente nos sindicatos, até duvidava de Moro, mas se calou com medo. E tinham razão, Moro intimou as pessoas que o criticavam como exemplo o blogueiro, Eduardo Guimarães, e dois  sindicalistas: eu e Roberto Ponciano.

 

Guimarães foi através da extinta Condução Coercitiva, muito usada na ditadura militar, e retomada no golpe de 2016. E novamente extinta pelo STF. Assim o recado de Moro estava dado, bateu levou!

 

Minha 1ª intimação foi na véspera do lançamento do livro A Outra Face de Sérgio Moro – Acobertando os Tucanos e Entregando a Petrobrás, mas o livro saiu.

 

Minha desconfiança em relação ao juiz Sergio Moro foi focada principalmente devido ao escândalo do Banestado em 2003. Segundo o senador Requião, em discurso no plenário do Senado: “O maior escândalo de corrupção no país não foi o Mensalão, o petrólão, foi o do Banestado que surrupiou meio trilhão de reais dos cofres públicos. Um escândalo exclusivamente tucano e nenhum deles foi preso”. E o chefe da investigação foi o juiz Sergio Moro (1).

 

Desconfiei também porque Moro foi premiado pela Globo. Lógico que para dar-lhe visibilidade. Essa mesma Globo comparava a Petrobrás a um paquiderme e chamava os petroleiros de marajás, numa dobradinha com o tucano FHC em seu governo que tentava, a qualquer custo, privatizar a Petrobrás. Não conseguiu, na ocasião!

 

Como diria Sherlock Holmes, elementar meu caro Watson, se Moro estava com a Globo, Moro não veio salvar a Petrobrás, mas sim facilitar sua entrega. Mas a imprensa, para ludibriar a sociedade, diz que a Lava Jato veio para combater a corrupção e para salvar a Petrobrás.

 

É importante também deixar claro o papel golpista da Lava Jato: foi de vazamento de delação premiada da operação Lava Jato que saiu a farsa, às vésperas da reeleição de Dilma, que dizia que Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobrás. Embora o TSE tenha proibido a divulgação do fake News, a revista Veja publicou em matéria de capa e o Jornal Nacional da Globo ainda replicou (2).

 

Os delegados da Lava Jato, no blog de campanha de seu candidato, Aécio Neves, chamaram Dilma de “Anta” (7). Se não respeitam uma senhora que era naquele momento a presidenta do Brasil, vão respeitar a lei?

 

Seguindo nas irregularidades, foi o próprio Moro que assumiu o grampo e o vazamento ilegal do telefonema da então presidenta Dilma para o ex-presidente Lula (3).

 

Moro, na Lava Jato, que investiga a Petrobrás, toma o mesmo rumo da investigação do Banestado: delação premiada contra os tucanos não vale.

 

Tucanos como FHC, Anastasia, Serra e Aloysio Nunes,  entre outros, nunca as delações contra eles são validadas e ninguém muito menos viu vazamento de delação de tucano. Com destaque para o tucano Aécio Neves, embora  recordista de delações na Lava Jato, nunca sequer foi molestado, e continua senador da República, livre, e pode ser candidato.

 

Aécio mesmo sendo recordista de delações na Lava Jato, como deboche, cobra arrependimento de Lula (4).

 

Para mostrar a ligação umbilical de Moro com os tucanos, em novembro de 2016, protocolei denúncia de omissão da Lava Jato em relação à gestão criminosa de FHC e Pedro Parente na Petrobrás. Até hoje sem reposta. Veja denúncia na íntegra (8).

 

Mas Moro, chefe da Lava Jato, do combate à corrupção, na Petrobrás, permitiu que o tucano Pedro Parente, mesmo sendo réu, desde 2001, quando deu um rombo bilionário na companhia, assumisse a presidência da companhia (5).

 

Vale lembrar que para entrar Petrobrás só através de concurso público e o candidato se submete à investigação social, ou seja, jamais alguém réu que tenha dado prejuízo na companhia, como Parente, poderia fazer parte de seus quadros.

 

E Pedro parente, com a certeza da impunidade, e contando com a omissão da Lava Jato, ainda mandou pagar R$ 2 BI ao banco J.P. Morgan de um empréstimo que só venceria em 2022 . E Parente é sócio do banco (6).

 

O fato é que Moro, com apoio da mídia, não responde a nenhum dos escândalos, joga tudo para baixo do tapete. Na verdade, a Lava Jato há muito deixou de ser uma operação: E se cobrir com lona, vira circo; se trancar a porta, vira hospício.

 

moro banestado.jpg

 

 

Fonte:

1https://www.ocafezinho.com/2015/10/03/requiao-relembra-banestado-roubalheira-tucana-desviou-meio-trilhao/

2https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,tse-proibe-veja-de-fazer-propaganda-de-capa-com-dilma-e-lula,1582467

3http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/03/pf-libera-documento-que-mostra-ligacao-entre-lula-e-dilma.html

4https://www.brasil247.com/pt/247/minas247/255474/Recordista-em-dela%C3%A7%C3%B5es-A%C3%A9cio-Neves-cobra-arrependimento-de-Lula.htm

5https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2016/06/presidentes-da-petrobras-e-do-bndes-sao-reus-em-acao-por-rombo-bilionario-9872.html

6http://www.jb.com.br/pais/noticias/2018/05/25/banco-presidido-por-socio-de-pedro-parente-recebeu-r-2-bi-da-petrobras-diz-revista-eletronica-2/

7https://www.brasil247.com/pt/247/parana247/160325/Delegados-da-Lava-Jato-atacam-PT-na-internet.htm

8http://www.fnpetroleiros.org.br/noticias/3901/petroleiro-denuncia-a-operacao-lava-jato-ao-mpf-veja-na-integra-teor-da-denuncia-protocolada-ontemmoro

18
Ago18

Ditadura em tempo real

Talis Andrade

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por Jeferson Miola
 
 
O arbítrio e a exceção jurídica caracterizam uma ditadura. A ditadura pode ser militar, civil-militar ou, ainda, jurídico-midiática, como a ditadura instalada com o golpe de 2016 com o impeachment fraudulento da Presidente Dilma.
 
O chefe da polícia federal revelou, pouco mais de 1 mês da arbitrariedade ocorrida no domingo de 8 de julho, que recebeu ordens criminosas da procuradora-geral da república [Raquel Dodge] e do presidente do tribunal de exceção da Lava Jato [Thompson Flores] para descumprir mandado de soltura concedido por juiz federal a Lula.
 
O juiz Gelbran Neto [que, em realidade, atua como agente partidário dos golpistas sem-voto], por sua vez, confessou a amigos que espezinhou a letra fria da Lei para impedir a liberdade do Lula naquele dia.
 
Antes dessas revelações recentíssimas, já se conheciam outras tantas manipulações judiciais armadas por Sérgio Moro, procuradores, policiais federais e trf4 para processar e condenar Lula numa farsa jurídica burlesca, que a história muito em breve haverá de revelar todos seus bastidores, inclusive a ingerência estrangeira.
 
A última aprontada do Moro para prejudicar Lula deu-se no dia 14 de agosto, com a decisão excepcionalíssima de suspender para depois das eleições o depoimento do Lula, agendado há meses para ocorrer em 14 de setembro.
 
É, sem dúvida, um ato flagrante de prejuízo ao réu de ação criminal, mas também é revelador do caráter político da prisão ilegal do Lula, perpetrada para tentar assegurar viabilidade eleitoral ao bloco golpista, que não tem voto para vencer legitimamente a eleição, mas conta com a força do arbítrio judicial e do totalitarismo midiático liderado pela Globo.
 
Neste 15 de agosto, a candidatura do Lula foi registrada no tse. Menos de 4 horas depois do registro, já tinha 1 pedido de impugnação formulado pela procuradora-geral da república [que foi pinçada pelo Temer do segundo lugar da lista tríplice da pgr para executar serviços sujos], e também já havia sido escolhido o relator do pedido – por coincidência, o mais lavajateiro integrante do stf.
 
As verdades e entranhas da última ditadura do Brasil [1964/1985], que também contou com o apoio e ativismo central da Rede Globo, só foram levadas ao conhecimento público depois de quase 20 anos.
 
Desta vez, contudo, a verdade sobre a ditadura midiática-jurídica-policial está sendo revelada praticamente em tempo real, passo a passo dos movimentos de exceção.
 
Seus operadores centrais, que atuam como kamikazes a mando do establishment, já abandonaram qualquer pudor para alcançar o objetivo fundamental, que é impedir a restauração democrática e a reconstrução social e econômica do país por meio da eleição do Lula, dada como certa em qualquer cenário eleitoral.
 
Em tempos de democracia efetiva, estes personagens que atentam contra a ordem constitucional não só seriam exonerados dos cargos públicos que desonram, como seriam presos.
18
Ago18

Os fake news do governo Temer sobre ONU-Lula

Talis Andrade

 

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Em represália à ONU, o Brasil recusou enviar tropas em missões de paz na República Centro-Africana e na República Democrática do Congo, onde confrontos entre grupos paramilitares já causaram milhares de mortes e obrigaram cerca de 700 mil pessoas a abandonar seus lares.

 

O governo golpista joga pesado. Por despreparo ou diversionismo, Itamatary e Ministério da Justiça do governo Temer desqualificaram a decisão da ONU, e insinuaram que o Comitê de Direitos Humanos foi aparelhado. O principal jornal da Globo, porta-voz de Michel Temer, repercutiu as "mentiras e ofensas" , para desqualificar a importância da decisão da ONU, com repercussões no Brasil e no mundo. 

 

O Itamarati tem pressionado o governo da Noruega, para evitar que Lula receba o Nobel da Paz. Inclusive usado o petróleo do pré-sal como moeda de troca. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, sempre foi um político sem escrúpulos, inclusive foi um infiltrado, do delegado Fleury, na guerrilha urbana de São Paulo. 

 

Jornal GGN - Apesar no impacto no cenário nacional e internacional, a notícia de que o Estado Brasileiro foi obrigado pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU a garantir os direitos políticos de Lula e sua participação na eleição presidencial deste ano ganhou míseros 1 minuto e 26 segundos no Jornal Nacional nesta sexta-feira (17).

 

Por volta das 15h, a defesa de Lula concedeu uma coletiva de imprensa onde explicou a várias emissoras de TV o motivo que leva o Brasil a ter de encarar o comunicado da ONU como uma decisão judicial, e não uma "recomendação". Mas o principal jornal da Globo escondeu de seu público essa entrevista dos advogados de Lula e só repercutiu os posicionamentos de órgãos do governo Temer que mais parecem Fake News, para usar o termo da moda.

 

O JN sequer se deu o trabalho de produzir uma matéria sobre a determinação da ONU. A notícia foi lida rapidamente pelos apresentadores, com destaque para as notas do Itamaraty e do ministro da Justiça Torquato Jardim. Por despreparo ou diversionismo, ambos os órgãos do governo Temer trataram de desqualificar a ONU e insinuaram que o Comitê de Direitos Humanos foi aparelhado.

 

AS FAKE NEWS

 

Um dos âncoras do JN leu ao vivo a nota do Itamaraty que diz que não recebeu da ONU, em momento algum, qualquer aviso prévio ou "pedido de informação" acerca da decisão liminar, como se estivesse totalmente alheio ao que está em pauta no órgão internacional.

 

Ocorre que a liminar foi concedida pelo Comitê da ONU nesta sexta (17) no âmbito de um processo em que o governo Temer, em nome do Estado Brasileiro, já se manifestou mais de uma vez. Ou seja, o Itamaraty tem conhecimento da ação em questão. O que ocorreu foi que, sem analisar o mérito dessa reclamação feita por Lula contra os abusos da Lava Jato, a ONU concedeu uma decisão liminar, portanto em caráter emergencial, para garantir que o ex-presidente não tenha nenhum direito prejudicado de maneira irreversível (no caso, ser excluído da eleição), enquanto o processo na ONU não é julgado no mérito - fato que só se dará no próximo ano. O JN não explicou nada disso.

 

A defesa de Lula, aliás, lembrou que o Estado Brasileiro já foi notificado para permitir que se tome qualquer medida que venha a prejudicar direitos fundamentais do ex-presidente.

 

Ainda reproduzindo o Itamaraty, o JN divulgou: "As conclusões [da ONU] têm caráter de recomendação, não têm efeitos jurídicos." Entrando na posição do ministro da Justiça, reforçou: "(...) a decisão da ONU não tem relevância jurídica."

 

Na entrevista concedida pelos advogados de Lula, porém, ficou claro que o Brasil não foi obrigado a aderir ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, tendo reafirmado esse compromisso em 2009. Fez isso de maneira voluntária, e a consequência é que se submeteu à jurisdição dos órgãos internacionais que tomam decisões com base nesse pacto. É o caso do Comitê de Direitos Humanos da ONU.

 

Inclusive, no julgamento no Supremo da ADPF 320, que envolve a Lei da Anistia, a Procuradoria Geral da República defendeu o efeito vinculante das decisões internacionais quando há tratados assinados pelo Brasil. Assim sendo, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são obrigados a respeitar as determinações e cumprir os requerimentos.

 

Ignorando esse fato, o ministro da Justiça emplacou - com ajuda do JN - a ideia de que a decisão da ONU é uma "intromissão política e ideológica indevida em tema técnico legal" que compete exclusivamente ao Brasil e que existe "manipulação sectária" no Comitê, que "não é integrado por Países, mas por peritos que exercem a função de forma pessoal."

 

Primeiro, se o Brasil aderiu voluntariamente ao Pacto Internacional, já se submeteu a determinações da ONU em outros casos e, ainda por cima, respondeu ao processo que Lula move atualmente no Comitê de Direitos Humanos sem questionar a jurisdição da corte internacional, não há que se falar em "intromissão indevida".

 

Ademais, não dá para reclamar da "intromissão" ao sabor da crise. Romper com o tratado requer um procedimento que levaria, no mínimo, 3 meses, de acordo com o Decreto 311/2009.

 

Além disso, a ideia de que há "manipulação" e agentes decidindo de "forma pessoal" é uma tentativa clara de desqualificar o Comitê, inclusive manchando sua imagem de independencia e competência técnica.

 

Em verdade, e isto não foi lido pelo Jornal Nacional, a nota do Alto Comissariado da ONU sobre a decisão do Comitê em favor da candidatura de Lula diz que o colegiado é formado por especialistas independentes. São 18 membros "de alto caráter moral e reconhecida competência no campo dos direitos humanos" que "são eleitos para um mandato de quatro anos pelos Estados partes, de acordo com os artigos 28 a 39 do Pacto." Ou seja, eles são eleitos por 18 países diferentes, incluindo EUA, Itália, Portugal, França, Japão, Canadá, Alemanha, Israel e outros. O Brasil não tem cadeira no Comitê.

 

O JN repercutiu que eles decidirem de "forma pessoal", dando a entender, pela linha do ministro da Justiça, que foram subjetivos e que são manipuláveis, mas a ONU afirma que eles "servem em sua capacidade pessoal [por conta do conhecimento exibido em seus currículos] e podem ser reeleitos se nomeados", por seus respectivos países.

 

ASSESSORIA DE LULA RECLAMA DAS MENTIRAS

 

Em nota pública, a assessoria de Lula disse que o JN deu apenas 15 segundos para a decisão mais importante, do Comitê da ONU, e usou 45 segundos "para uma nota mentirosa do Itamaraty e mais 20 segundos com declarações do ministro da Justiça ofensivas à ONU".

 

A assessoria ainda expôs a íntegra da nota que o PT enviou ao jornal:

 

"Desde 2009, o Brasil está obrigado, por lei, a cumprir as decisões do Comitê de Direitos Humanos da ONU, como esta que determina o direito de Lula disputar as eleições. É o Decreto Legislativo 311 do Congresso Nacional. O resto é falsidade. O ministro da Justiça mostrou que não conhece a Justiça. E o Itamaraty mostrou que não respeita os tratados internacionais. É vergonhoso que o Brasil tenha chegado a este vexame mundial, como consequência da perseguição a Lula."

 

O âncora do telejornal leu apenas a frase "o ministro da Justiça mostrou que não conhece a Justiça."

 

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