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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Mar19

Carnaval brasileiro visto pelo mundo

Talis Andrade

carnaval .jpg

 

 

26
Fev19

Prefeita evangélica chama Nossa Senhora de amaldiçoada e diz que santa é culpada por falência do município

Talis Andrade

Cidades na Europa: Lourdes, na França, e Fátima, em Portugal.

No Brasil: Aparecida, Juazeiro do Norte.

São cidades que dependem das romarias religiosas.

O mundo todo está recheado de exemplos.  

Aí aparece a ignorância:

Micheline-Pinheiro.jpg

 

por Amara Alcântara

---

A prefeita de Saboeiro, Micheline Pinheiro (PSD), disse que a falência do município – sem dinheiro algum para os serviços públicos – é culpa de Nossa Senhora da Purificação, padroeira da cidade, a quem chamou de “amaldiçoada” .

Ela se refere à imagem da santa que foi inaugurada ainda na gestão do ex-prefeito Marcondes Ferraz em 2016.


Segundo a prefeita, todos os recursos municipais foram destinados à construção da estátua para incentivar o turismo religioso.


A declaração de Micheline tem repercutido mal tanto na comunidade católica quanto na evangélica. Intolerância religiosa não é a solução para Saboeiro.

 

28
Dez18

Flávio Bolsonaro diz que não sabia que seu funcionário era fantasma e morava em Portugal

Talis Andrade

funcionário turista bolsonaro.jpg“Ele está em Portugal, tem uns dois anos ou mais, 2015 por aí", disse o porteiro do edifício

 

O tenente-coronel da Polícia Militar do Rio, Wellington Servulo Romano da Silva, um dos funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro que fez depósitos na conta do motorista Fabrício Queiroz, passou 248 dias fora do Brasil durante o período de um ano e quatro meses em que estava formalmente lotado no gabinete. Neste tempo, em que estava morando em Portugal, ele recebeu todos os salários e gratificações. De acordo com a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Servulo Romano da Silva nunca tirou licença no período em que trabalhou na Casa.

O deputado disse que não sabia que seu funcionário, que depositava dinheiro na conta de Fabrício Queiroz, morava em Portugal.

Fabrício de Queiroz, ex-motorista de Flávio que, segundo relatório do Coaf, teve movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, recebia depósitos de nove funcionários do gabinete e, em seguida, sacava o dinheiro em espécie. Entre as operações de Queiroz estão depósitos na conta de Michelle Bolsonaro no valor total de R$ 24 mil. Saiba mais: (https://horadopovo.org.br/queiroz-recolhia-de-9-e-depositava-para-a-esposa-de-bolsonaro/ ).

 

Todos esses movimentos financeiros eram sincronizados e coincidiam com as datas de pagamento dos salários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro

 

Entre os depositantes na conta de Fabrício Queiroz está Wellington Servulo. Leia mais: ( https://horadopovo.org.br/movimentacoes-de-queiroz-eram-precedidas-de-depositos-de-funcionarios/ ).

A senhora Nanci Silva, mãe de Wellington Servulo, admitiu à imprensa que seu filho era, na verdade, um funcionário fantasma da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Ele esteve lotado, primeiro na vice-liderança do PP, partido do deputado Flávio Bolsonaro à época, e depois no gabinete do próprio deputado, mas morava em Portugal. Ela disse que o filho havia se mudado para Portugal “há aproximadamente dois anos, depois que a nora foi vítima de um sequestro”. O apartamento onde Wellington morava no Rio de Janeiro, também está vazio há cerca de dois anos.

Outra testemunha que também comprova que o funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro estava morando no exterior mas continuava recebendo pelo gabinete, é o porteiro do prédio onde ele morava. “Ele está em Portugal, tem uns dois anos ou mais, 2015 por aí. A família está toda lá, resolveram se mudar para lá”, disse o porteiro do edifício. Wellington foi nomeado em maio de 2015 para trabalhar como assessor de Flávio Bolsonaro.

Enquanto estava fora do Brasil, Wellington foi dispensado do trabalho na vice-liderança do PP. Nos registros da Alerj ele não aparece na lista de pagamentos nos meses de abril e maio de 2016. Mas, ele não foi demitido. Ele foi apenas remanejado. Em 18 de maio, Wellington foi nomeado para trabalhar diretamente no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro. Dois dias depois, embarcou no voo TAP 0070, das 22h45, com destino a Lisboa, para mais 15 dias no exterior. Em 15 de julho, Wellington viajou de novo: 45 dias longe do Brasil e do trabalho. Os salários continuaram a ser pagos.

As irregularidades foram encontradas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão detectou movimentação financeira suspeita nas contas de 75 servidores e ex-servidores de deputados estaduais do Rio de Janeiro. Entre eles, Fabrício Queiroz, um ex-assessor do deputado e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Queiroz recebia depósitos de nove funcionários do gabinete e em seguida fazia saques em espécie. A movimentação financeira atípica em suas contas bancárias somaram R$ 1,2 milhão, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Agora, surge o nome de Wellington Servulo, que também fez depósitos na conta de Queiroz, e que recebia mesmo morando foram do país.

Explicações dos envolvidos, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro

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“Abordam a movimentação na conta de meu ex-assessor, como se ele tivesse recebido R$ 1,2 milhões, quando na verdade foram R$ 600 mil que entraram mais R$ 600 mil que saíram de sua conta”, disse Flávio Bolsonaro. Vendo que o argumento não colou, ele acrescentou: “ainda assim um valor alto e que deve ser esclarecido por ele, que tomou a decisão de não falar com a imprensa e somente falar ao Ministério Público. Isso é ruim pra mim, mas não tenho como obrigá-lo”.

Jair Bolsonaro (PSL) falou nesta quarta-feira, 12, sobre o caso de Fabrício José Carlos de Queiroz que teve 1,2 milhão de reais em transações financeiras apontadas como suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ele disse que o problema dói.

O “problema” “dói no coração”, mas que cabe a Queiroz dar explicações à Justiça, a partir da próxima semana. “Se algo estiver errado, que seja comigo, com meu filho ou com Queiroz, que paguemos a conta deste erro, que não podemos comungar com erro de ninguém”, declarou o presidente eleito. “Dói no coração da gente? Dói, porque o que nós temos de mais firme é o combate à corrupção”, acrescentou. Com essa conversa toda, o leitor deve estar pensando: “firme no combate à corrupção, pero no mucho”.

“O que a gente mais quer é que seja esclarecido o mais rápido possível, sejam apuradas as responsabilidades, se é minha, do meu filho se é do Queiroz, ou de ninguém, porque, afinal de contas, o Queiroz não estava sendo investigado, foi um vazamento que houve ali. Não sou contra vazamento, não, tem que vazar tudo mesmo, nem devia ter nada reservado, botar tudo pra fora e chegar à conclusão”, disse ele, nitidamente incomodado com o “vazamento” das falcatruas envolvendo o gabinete do filho as contas de sua mulher.

 

 

07
Mar18

QUEM BANCA VIAGEM DE MORO PARA PRÊMIO DE UMA CÂMARA DE COMÉRCIO NÃO OFICIAL?

Talis Andrade

O jornalista Luis Nassif analisa em sua coluna no jornal GGN que o "juiz Sérgio Moro não para de viajar aos Estados Unidos. A viagem atual é de 14 dias. Em maio haverá a premiação da Câmara do Comércio Brasileiro-Americana. Não se trata de Câmara de Comércio Brasil-EUA, a oficial, mas de um balcão de lobby, sem a estrutura de uma verdadeira câmara de comércio oficial, que certifica documentos de exportação" para ele, "cada vez mais as ações da Lava Jato beneficiam os EUA" e "o último presente foi o novo ataque à indústria de carnes"; "Ficam várias questões no ar: quem paga a passagem e a estadia" ressalta

 

 

O jornalista Luis Nassif questiona, em sua coluna no jornal GGN, as constantes viagens do juiz Sérgio Moro aos Estados Unidos. "A viagem atual é de 14 dias. Em maio haverá a premiação da Câmara do Comércio Brasileiro-Americana. "Não se trata de Câmara de Comércio Brasil-EUA, a oficial, mas de um balcão de lobby, sem a estrutura de uma verdadeira câmara de comércio oficial, que certifica documentos de exportação" diz.

 

Para Nassif, a viagem deixa "várias questões no ar: quem paga a passagem e a estadia. Se for o próprio Moro, é esquisito. Se for o Judiciário, é inaceitável. Se for a Câmara do Comércio, é pior". Para ele, cada vez mais as ações da Lava Jato beneficiam os Estados Unidos e o último presente foi o novo ataque à indústria de carnes, beneficiando diretamente o segundo produtor mundial e nosso concorrente direto: os Estados Unidos", destaca.

Leia a íntegra da análise. Transcrevi de 247

 

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11
Jan18

A farra e o belo corpo da ministra Cristiane Brasil

Talis Andrade

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Jornal da Cidade - A ‘quase’ ministra Cristiane Brasil levou uma galera para Fernando de Noronha para uma inusitada e animada farra de Réveillon, pouco antes de ser indicada para a pasta do Trabalho.


Segundo o site Metropoles, pelo menos três amigas da deputada estavam no grupo e todas ficaram hospedadas no hotel da Força Aérea Brasileira, às expensas do erário.


O hotel da FAB que abrigou graciosamente Cristiane e amigas é bastante confortável, com seis suítes e uma piscina.


Estima-se que uma hospedagem similar na ilha, nessa época de final de ano, custaria em torno de R$ 30 mil. Fernando de Noronha é um dos destinos mais procurados pelas celebridades e grandes empresários.


Segundo um coronel, entrevistado sob a condição de anonimato, chefes de Estado se hospedam nesses estabelecimentos devido à segurança que eles oferecem.

“Se eu, que sou oficial, tentar me hospedar no hotel da Aeronáutica em Fernando de Noronha, não vou conseguir. Essa autorização é dificílima. É possível uma parlamentar pedir autorização e conseguir… mas, ainda, para as amigas?! É, no mínimo, estranho”, disse.
O desgaste do Réveillon é mais um fato para abalar o já conturbado episódio de posse da filha de Roberto Jefferson, que é, sem dúvida, a cara do pai, mas tem um belo corpo...
 
25
Out17

O roteiro de negligências que matou a turista espanhola na Rocinha

Talis Andrade

 

 

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                                                  María Esperanza Jiménez Ruiz

 

 

Polícia Civil pediu a prisão preventiva do tenente por homicídio doloso, mas juiz negou

 

 

por María Martín

 

 

María Esperanza Jiménez pagou 140 reais pelo passeio que acabou com sua vida. Era uma parte pequena dentro de uma viagem que passou por Bogotá, Buenos Aires e Foz do Iguaçu, e que devia ter terminando no Peru. Mas María Esperanza, de 67 anos, queria conhecer uma favela carioca. No último dia 20, ela, seu irmão e a cunhada desembarcaram no Rio de Janeiro; no domingo pediram para a guia responsável pelas suas atividades turísticas, Rosângela Reñones, uma visita a uma comunidade. Esperanza era a “mais empolgada” com o plano, disse à polícia Carlo Zaninetta, o motorista italiano responsável pelo trajeto. Era pela Rocinha, uma favela conflagrada, mas os espanhóis não sabiam isso. Na segunda-feria, María Esperanza foi morta pelo disparo de um policial militar.

 

Rosângela era a subcontratada de uma empresa locadora de carros com motorista, a Carioca Rio Tour, subcontratada pela Brasil Operadora que, por sua vez, era subcontratada da Exoticca, a agência espanhola que organizou toda a viagem da Espanha. “Nossos clientes reservaram uma viagem combinada Argentina, Brasil e Peru. Todos os serviços do Brasil foram contratados com a empresa local com a qual trabalhamos: Brasil Operadora. Nunca foi oferecido nem da Exoticca nem da Brasil Operadora um passeio às favela. E mais, a Brasil Operadora sempre nos desaconselhou a realizar esse passeio precisamente pelo risco que implica. É por isso que desconhecemos a empresa Carioca Rio Tour e desconhecemos como María Esperanza e seus acompanhantes concretizaram esta atividade”, disse a agência de viagens espanhola a este jornal.

 

No passeio na favela, suspeitas da polícia

 

Depois de recolher o grupo num hotel de Botafogo, o motorista levou os turistas à parte baixa da favela e combinou de aguardá-los enquanto eles passeavam pelas vielas de uma das maiores favelas de América Latina. Durante o tour, e por conta do tiroteio ocorrido uma hora antes, os espanhóis e a guia encontraram muito mais policiais do habitual, o que, paradoxalmente, os confortou, disseram em depoimento. 

 

Com o grupo no carro, o motorista foi pegar a curva do Largo do Boiadeiro, uma região comercial, embora também ponto de venda de drogas, quando três policiais deram a ordem para que ele parasse. O veículo não parou. Entre os agentes estava o soldado Luís Eduardo de Noronha, que disparou para o alto, e o tenente Davi dos Santos Ribeiro, que atingiu duas vezes o veículo matando Esperanza com um tiro no pescoço. O oficial se defendeu dizendo que atirou no chão. Os dois chegaram a ser presos em flagrante nesta segunda.

 

O policial não deveria ter disparado

 

Não há protocolo policial que justifique o procedimento adotado pelos agentes, embora a Polícia Militar do Rio venha enfrentado vários episódios nos quais fica evidente que há abordagens nas quais dispara antes de perguntar. Em outubro de 2015, por exemplo, a PM matou dois rapazes que estavam em uma moto ao confundir um macaco hidráulico com um fuzil.

 

Nesta terça-feira, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do tenente por homicídio doloso [com intenção de matar] qualificado, mas um juiz negou sua prisão.

 

Ninguém no carro viu o sinal dos agentes. Só souberam que algo não ia bem quando ouviram o primeiro tiro. Depois, um segundo e, depois, um terceiro, que fez tremer o veículo. A van branca que ia na frente acelerou, e o italiano, por instinto, também. Uns 30 metros depois cerca de 15 policiais o detiveram. “Sai do carro, filho da puta, desce, desce!”, gritaram. “Por que não parou?! Estávamos correndo atrás de você gritando para você parar!”. Só quando o irmão de Esperanza foi sair do veículo, percebeu que ela tombou no banco. No hospital Miguel Couto apenas certificaram o óbito. “Foi uma situação realmente surreal, sem sentido nenhum, e estou muito abalado”, escreveu o motorista ao EL PAÍS, após se recusar a falar sobre o caso.

 

A morte de Esperanza, a quarta de um turista estrangeiro numa favela do Rio no último ano, escancarou uma sequência de negligencias. As de uma operadora turística que coloca em risco seus clientes, e as da polícia militar do Rio – a que mais mata e a que mais morre do Brasil – que, apesar de o carro dos espanhóis não apresentar nenhum risco, atirou. Transcrevi trechos. Leia mais 

 

 

25
Out17

Tribunal solta policia suspeito de balear turista espanhola em favela do Rio de Janeiro

Talis Andrade

 

 

Um tribunal brasileiro determinou hoje que o tenente da Polícia Militar apontado como o autor do tiro que matou uma turista espanhola na última segunda-feira na favela da Rocinha, no Rio de janeiro, fosse solto.

 

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Sapo 24 - O tenente Davi dos Santos Ribeiro, de 30 anos, conseguiu a liberdade após uma audiência em que o juiz considerou que o acusado “não é uma ameaça” para as testemunhas e também tem uma “ficha de serviço exemplar”.

 

O agente havia sido preso hoje após prestar depoimento e levado para aguardar a audiência judicial.

 

A turista espanhola María Esperanza Jiménez, de 67 anos, morreu após ser baleada no pescoço enquanto estava num veículo na Rocinha com o irmão e a irmã, um guia brasileiro e o motorista do carro.

 

Inicialmente a polícia local disse que o carro tinha avançado numa barreira sem respeitar a ordem para parar, mas todos os ocupantes do veículo disseram em depoimento que não havia sinal indicando a barreira.

 

O carro em que viajava Maria Esperanza e os outros turistas espanhóis foi atingido por dois tiros.

 

A Polícia Civil apreendeu a arma do tenente e a de um soldado que estava com ele na hora do incidente, para exames periciais.

 

Os turistas espanhóis chegaram à favela depois de contratar um pacote numa agência de turismo, mas asseguraram às autoridades que não foram alertados pela empresa sobre os riscos do passeio.

 

Uma lei promulgada pela ex-Presidente Dilma Rousseff em 2014 proíbe policias de atirarem se um veículo não respeitar um bloqueio, exceto numa situação de “risco de morte ou lesão”, facto que inicialmente indica que os agentes não respeitaram a lei.

 

O Rio de Janeiro vive uma onda de violência, que mobilizou autoridades locais e federais para conter a ação de traficantes nas favelas da cidade.

 

Uma das comunidades que tem sofrido com o recrudescimento da violência na capital carioca é justamente a favela da Rocinha.

 

Face à incapacidade da polícia local para controlar a situação, o Governo federal enviou em agosto 8.500 militares para ajudar a impedir conflitos entre traficantes que disputam o controlo das favelas e do mercado de venda de drogas no Rio de Janeiro. 

 

 

 

24
Out17

O encontro da turista espanhola com a polícia que mata no Rio de Janeiro em guerra

Talis Andrade

No Brasil das 500 mil prostitutas infantis a necessidade de denunciar o turismo sexual.

 

Igualmente predatório e vergonhoso o turismo sádico de quem se delicia com a miseria alheia. Dos que se arriscam a realizar o chamado turismo da miséria, esquecidos que o Rio de Janeiro, ex-Cidade Maravilhosa, virou uma praça de guerra. 

 

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 A polícia mata. Para cada policial morto, o preço do fuzilamento de dez civis. Como acontecia nos países ocupados pelos nazistas na Segunda Grande Guerra.

 

O turismo da miséria é uma criação de João Dória, atual prefeito de São Paulo.

 

Escreve Joaquim de Carvalho:

 

"Quando era presidente da Embratur, João Doria tentou implantar no Brasil uma novidade na indústria do turismo. É verdade que, na sua época, a estatal publicou em revistas estrangeiras anúncios com mulheres em trajes mínimos, na praia, um convite subliminar ao turismo sexual.

 

Mas esta já era uma prática na empresa.

 

O que nunca havia sido sequer cogitado é tornar a seca e a miséria no Nordeste um atrativo turismo para os moradores do Centro-Sul do Brasil.

 

Doria inovou."

 

Assim foi oficialmente criado o turismo da miséria. Que apenas vingou no Rio de Janeiro, sob a proteção das milícias, bandos armados formados por policiais da ativa, aposentados e expulsos, demitidos da função pública por graves crimes cometidos.

 

 

 

 

O voyeurismo indigente dos turistas que fazem safári humano na Rocinha

 

por Kiko Nogueira

 

Um grupo de vinte turistas franceses foi à Rocinha levado por um profissional da empresa Favela Tour, especializada no ramo.

 

 

Por razões óbvias, não puderam entrar. Ficaram na passarela projetada por Oscar Niemeyer tirando fotos e fazendo selfies.

 

Segundo o Globo, uma moradora comentou: “É uma sensação estranha! Parece que somos seres de espécie diferente. Nem com um clima desse que estamos vivendo agora os turistas deixam de visitar a Rocinha”.

 

Esse tipo de “turismo” é comum e rende dinheiro. É um safári humano, que mistura voyeurismo com um grau baixo de idiota e falta de empatia.

 

Na Colômbia, por exemplo, o passeio para as Islas del Rosario, no Caribe, é atravessado por favelas.

 

Os barqueiros param próximos a um píer numa delas, de onde meninos magros e pobres dos barracos saltam.

 

Eles nadam até perto da embarcação e gritam: “Amigo, amigo! Dinheiro, amigo! Money!” O pessoal, rindo, arremessa moedas na água.

 

Quando os garotos não conseguem pegá-las na superfície, eles, bons mergulhadores, um tanto desesperados, vão em busca delas no fundo. Lembram os “peixinhos” do imperador Tibério em Capri.

 

Os turistas, provavelmente, acham que fazem uma boa ação. Ou não acham nada. Se refletissem, veriam que não passa de um show de humilhação.

 

A Rocinha tem jipes que perfazem um roteiro organizado por gente da “comunidade”. Tudo com a autorização do tráfico. A África do Sul tem tours no meio da miséria do Cape Flats e para o Soweto, em Johannesburgo.

 

Existem dezenas de agências especializadas em passeios por “comunidades carentes” do Rio.

 

Ao invés de elefantes e girafas, as pessoas fotografam gente subindo e descendo as vielas, os bares “pitorescos”, ouvem uma batucada, tomam uma cachaça, procuram sexo.

 

Ao voltar para casa, o sujeito tem uma história para contar sobre como sobreviveu num dos lugares mais perigosos do mundo. Ou acha que, sei lá, fez antropologia e conheceu o “Brasil real”.

 

Existe um interesse legítimo em usar o turismo para ajudar. O nome que se deu a isso é “volunturismo”. O viajante se engaja em atividades sociais ou ambientais.

 

O que é bem diferente de assistir de camarote, com uma câmera na mão, num esquema com traficantes, aos miseráveis, atirando-lhes esmolas como se fossem sardinhas para focas, achando que essa é uma contribuição para um mundo mais bacana, ou só mais uma diversão incluída no pacote.

 

 

 

 

 

 

 

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