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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Fev21

Contra o negacionismo, o genocídio, iniciativa política e solidariedade

Talis Andrade

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por Manuela d’Ávila /SUL 21

Momentos como os que estamos vivendo na pandemia deveriam ensejar grande senso de unidade entre governos, sociedade civil e partidos políticos. Falamos de quase 250 mil brasileiras e brasileiros que não voltarão para casa, não abraçarão suas famílias vitimados por esse vírus que, ao que tudo indica, está cada vez mais veloz. Ocorre que, no Brasil de Bolsonaro, defender a vacinação e o protocolo sanitário celebrado globalmente, bem como a renda emergencial para famílias em situação de vulnerabilidade financeira passou a ser uma agenda de enfrentamento político e não de unidade.

Porto Alegre atravessa o momento mais difícil e triste da pandemia. As unidades de pronto-atendimento funcionam, em geral, mais de 250% acima da capacidade; profissionais da saúde estão exaustos, vivendo há mais de um ano a rotina imposta pelo coronavírus; o trabalho infantil toma conta de nossas ruas e a fome volta a ser uma realidade de milhares de famílias com o fim da renda emergencial que atendeu diretamente a mais de 320 mil porto-alegrenses que receberam pelo menos uma das parcelas. Sabemos que o bolsonarismo venceu as eleições municipais com o discurso de negação da pandemia e está impondo sua agenda em nossa querida cidade. Não podemos ignorar que, dentre outras razões, o ex-prefeito Nelson Marchezan não foi nosso adversário no segundo turno justamente por ter sido abandonado por setores econômicos em função das medidas que adotou para conter a pandemia. Nós fomos derrotados, apesar da lindíssima mobilização popular, pelo sistema de distribuição de notícias falsas que também passava pela mentira sobre como enfrentaríamos a pandemia. Digo isso para que não percamos de vista que esse foi o tema central da eleição e o estamos vendo tomar forma diante dos olhos com o caos no sistema de saúde e cinismo de um prefeito que diz não conhecer elementos que comprovem que o isolamento ajuda a enfrentar a pandemia. Diante desse quadro, é comum pensarmos que não há caminhos. Mas isso não é verdade. Caminhos existem e temos que percorrê-los! Penso que, enquanto oposição, precisamos enfrentar denunciando e organizando unitariamente medidas ao lado de nosso povo.

A primeira dessas medidas, em minha interpretação, é a construção de um comitê popular de enfrentamento à pandemia, que nos aponte rumos e nos ajude a monitorar a realidade, como deveria proceder o comitê gestor de crise da Prefeitura municipal: ouvindo especialistas em diversas áreas, como infectologistas, hospitais, educadoras, famílias, empresários. Não é possível que apenas o poder econômico tenha direito a falar e ser ouvido nessa cidade! Também é fundamental que pressionemos e mobilizemos pela articulação própria da vacina, bandeira defendida por nossa candidatura no processo eleitoral e ridicularizada por nossos opositores, que se mostra a única saída para enfrentarmos o negacionismo do governo federal. Precisamos vacinar prioritariamente quem esta se expondo em nosso nome! Se somos aqueles que defendem a classe trabalhadora, educadoras e trabalhadores essenciais devem ser vacinados com prioridade! Profissionais de limpeza urbana, caixas de supermercado, atendentes de farmácia não pararam nenhum único dia, assim como os profissionais de saúde da linha de frente.

O esforço do governo local para distribuir o fantasioso tratamento precoce, impedido judicialmente pela oposição, é mais um indício de sua associação com práticas que ignoram a ciência e causam mortes. Evidente que defendemos a imunização de toda a sociedade brasileira a partir do sistema único de saúde. Mas já tivemos tempo para entender que nacionalmente isso não ocorrerá na velocidade necessária para que salvemos tantas vidas quanto precisamos salvar. Precisamos que os governos estadual e municipal façam a sua parte. A oposição lutou na Assembléia para que isso acontecesse desde o debate da reforma tributaria. Precisamos fazer o mesmo em nível local. Reincorporar as trabalhadoras do IMESF, concursados e competentes, às unidades básicas de saúde, constituir com eles brigadas para esclarecer e conscientizar a população, testar e fazer a busca ativa de casos, todas são questões cruciais para diminuirmos o numero de casos inspirados no que revê resultados em outras cidades brasileiras e ao redor do mundo.

As medidas de isolamento precisam ser ampliadas, isso significa a busca pelo imediato achatamento da curva. Quanto mais rápido o remédio for aplicado, mais rápido estaremos em melhores condições. Um dos grandes temas relacionados a isso é a circulação de pessoas no sistema de transporte público da cidade: em plena pandemia, temos menos ônibus, com menos horários e, portanto, com mais gente. As pessoas que necessitam de transporte público para trabalhar são intensamente expostas ao vírus! Soluções imediatas – e, inclusive, judiciais – devem ser buscadas para garantir que em período de crise o dinheiro repassado pelos governos aos empresários do transporte coletivo seja usado para salvar vidas e não para proliferar o vírus.

Isso pode significar novas restrições de atividades nas cidades e em Porto Alegre. Todos queremos a cidade aberta e só não admite isso quem faz proselitismo eleitoral sobre corpos de pessoas queridas. Mas é preciso garantir condições para tanto! Temos que pressionar por uma agenda federal e local que proteja trabalhadores, rearticulando a renda emergencial e os empréstimos a pequenos e médios empresários. Mas há também uma agenda local relacionada à economia e ela não consiste em abrir tudo, custo o que custar desde o ponto de vista humano. Ela poderia significar articulação do microcrédito e da política de compras públicas governamentais pela administração local. Essas são políticas sérias que poderiam ajudar nossa economia a atravessar a tempestade que já é duradoura. Da mesma maneira, a prefeitura precisa imediatamente debater questões tributárias com o setor econômico da cidade, como bem sabemos um intenso debate na eleição girou em torno do IPTU. E agora?

O debate sobre escolas e seu funcionamento, em minha opinião, tem sido feito de forma atravessada já que não temos governos comprometidos com a educação, sobretudo das crianças mais pobres, maiores prejudicadas nesse contexto. Com a cidade funcionando completamente, a partir das medidas adotadas de maneira irresponsável pelo Prefeito, a verdade é que as crianças filhas das mulheres trabalhadoras cada vez mais tem menos para onde ir. Durante a pandemia milhares de trabalhadores nunca pararam (não apenas profissionais de saúde, me refiro a caixas de supermercado, trabalhadores de farmácias, profissionais de limpeza urbana) e as mulheres mais vulneráveis seguiram expondo suas crianças à doença. É verdade que escolas não são depósitos de crianças mas ambientes educacionais e também é verdade que nossa sociedade preferiu festas à proteger crianças e garantir suas escolas abertas. Mas imaginar que todas as crianças estão protegidas com as escolas fechadas é uma fantasia. Devemos correr atras do tempo! É preciso proteger as crianças vulneráveis, e para isso, em nosso programa de governo propúnhamos a renda emergencial de suporte a essas crianças.

Também é necessário exigir a rearticulação de medidas relacionadas à assistência social e ao combate a fome. Restaurantes e cozinhas comunitárias, por exemplo, faziam parte de nosso programa e precisam ser articulados com urgência pois, como dizia Betinho, quem tem fome tem pressa!

Enquanto lutamos no parlamento para que isso se concretize, a partir dos microfones da potente bancada oposicionista, precisamos ter consciência que nosso lugar não é o da desesperança, mas a luta social ao lado do nosso povo. É hora de nos somarmos às iniciativas de mobilização e organização popular, fazendo a nossa parte, rearticulando espaços de distribuição de alimentos e itens de higiene em nossas comunidades articulando com campanhas de conscientização sobre a permanência da pandemia. Diante de governos negacionistas e assassinos, lutar para que nosso povo siga vivo e sem fome, me parece tarefa de primeira hora.

"Contribua com a sua vida para que a gente salve a economia do município de Porto Alegre" (Sebastião Melo, genocida)

 
 
Manuela
@ManuelaDavila
Se alguém tem dúvidas sobre o que significa essa política de morte: contribua com sua vida para que a gente salve a economia
Manuela
Porto Alegre está entregue a quem nega a realidade do caos do sistema de saúde!

 

 

 
25
Mar20

Bolsonaro defende isolamento apenas para idosos e grupos de risco

Talis Andrade

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Alerta de riscos também para jovens

O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quarta-feira o isolamento parcial de pessoas em meio à pandemia do coronavírus. Em entrevista diante do Palácio da Alvorada, ele disse que apenas pacientes que fazem parte de grupos de risco, como idosos, devem ficar em isolamento domiciliar.

"Vou conversar com ele [o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta] e tomar a decisão. Cara, você tem que isolar quem você pode. Você quer que eu faça o quê? Eu tenho o poder de pegar cada idoso e levar para um lugar? É a família dele que tem que cuidar dele no primeiro lugar", disse o presidente.

Bolsonaro ainda criticou as medidas restritivas adotadas por governadores para diminuir a circulação de pessoas no país, adotando tom similar ao de seu pronunciamento nacional da véspera. Segundo o presidente, as medidas estaduais prejudicam a economia e podem criar instabilidade democrática porque geram uma atmosfera de caos no país.

Na terça, em seu terceiro pronunciamento sobre o coronavírus em menos de 20 dias, Bolsonaro atacou a imprensa e acusou meios de comunicação de espalharem "histeria" no país, além de criticar as medidas já aplicadas por governadores para conter o avanço da pandemia.

O presidente voltou a chamar a covid-19 de "gripezinha" e afirmou que idosos são o grupo de risco, alegando que mortes entre menores de 40 anos são raras e que 90% da população não apresentará sintomas da doença se for infectada.

"Jovens também podem morrer de coronavírus"

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O presidente do Instituto Robert Koch, Lothar Wieler, alertou contra o comportamento despreocupado de muitos jovens e disse que eles também podem ficar gravemente doentes de covid-19. "Jovens também podem morrer disso", afirmou. 

Em redes sociais, muitos jovens alemães expressam despreocupação por causa da idade e marcam encontros nas chamadas corona-partys, literalmente "festas do corona".

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04
Mar20

Na Bíblia, a fome é uma praga

Talis Andrade

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 As bancadas da bala, da Bíblia, do boi, nas assembléias legislativas, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, no governo Bolsonaro, consideram a fome como um castigo divino para os que possuem a marca de Caim: a pele negra.

Escreve Thais Pinhata:

"Ainda que a  Alimentação seja reconhecida pela Constituição Federal como um direito humano, e hoje expressa em seu artigo sexto (fruto da EC 64/2010) criando para o Estado Brasileiro a obrigação de respeito, proteção, promoção e provimento de alimentação adequada para população, os números de pessoas em vulnerabilidade alimentar só crescem.

Ao longo das últimas duas décadas, diversas políticas públicas foram criadas para resolver a questão, mesmo antes de sua alocação nos direitos fundamentais constitucionais. Essas ações, que iniciaram de forma esparsa e foram  intensificadas com a criação do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome que, a partir de 2003, dispensou uma maior atenção aos problemas do semiárido, com a construção de centros de capacitação e uma rede de cisternas. 

Essas ações, fundamentais para a saída do Brasil do Mapa da Fome em 2014 perderam força com a reorganização extinção de ministérios levada a cabo nos últimos anos, sobretudo no primeiro semestre de governo Bolsonaro, com a diminuição do orçamento de políticas agrárias e de redistribuição de terras e de renda que agravou índices sociais,  aumentando significativamente o número de pessoas em situação de extrema pobreza – aquelas cuja renda é inferior a R$230 por mês-no país, trazendo o Brasil, mais um vez, para o Mapa da Fome.

Estimativas da ONU indicam que das cento e oito milhões de pessoas que convivem diariamente com ela no mundo, pelo menos nove milhões estão no Brasil. Dentre elas, cerca de sete milhões não têm sequer perspectiva de quando será sua próxima refeição, ao passo as demais estão em lares em que para que alguns comam, outros deixarão de comer. 

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23
Set19

Famílias de crianças mortas pela polícia contestam versões de Witzel e Sérgio Moro

Talis Andrade

Witzel, Moro, Bolsonaro, Doria são os chefes da extrema direita nazi-fascista-integralista, e canditados à presidência do Brasil em 2023

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247 -  Cinco famílias de crianças que foram assassinadas pela Polícia Militar contestam a versão de Sergio Moro, de que as mortes foram "incidentes infelizes" e também a versão oficial do governo do Rio de Janeiro, que reforça que as mortes são consequências de oficiais que atuaram “em confronto” . Na última sexta-feira, a política de necrofilia do governador Wilson Witzel causou mais uma vítima: Ágatha Felix, de apenas 8 anos,  foi enterrada neste domingo (22) sob protestos e comoção. 

Sergio Moro é o ministro da Justica e Segurança Pública do capitão Jair Bolsonaro, que tem o apoio das igrejas evangélicas, da operação lava jato e da grande imprensa. Doria representa os banqueiros e grandes empresas estrangeiras. 

Além da Ágatha, outras cinco crianças foram vítimas de balas disparadas pela PM, como informa o portal G1. 

Kauê Ribeiro dos Santos, de 12 anos, foi baleado durante operação policial no Chapadão, na Zona Norte do Rio

Victor Almeida, de 7 anos, foi morto a tiros junto com a mãe e a irmã dentro de casa em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio

Kauã Rozário, de 11 anos, foi atingido por uma bala perdida na comunidade da Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio

Kauan Peixoto, de 12 anos, foi baleado durante confronto entre PMs e criminosos na comunidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense

Jenifer Silene Gomes, de 11 anos, foi baleada na porta do bar da mãe em Triagem, na Zona Norte do Rio

As famílias das cinco crianças alvejadas contestam a versão oficial do governo e buscam respostas. 

No dia 16 de março, Kauan Peixoto, de 12 anos, morreu depois de ser baleado no abdômen, na perna e pescoço, durante uma operação da PM na Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense.

Kauan tinha saído de casa pra comprar um lanche, quando foi atingido. A mãe dele, Luciana Pimenta, é cabeleireira e trabalha como frentista para ajudar a cobrir as despesas. 

Ao portal  G1, ela afirma que não possui respostas concretas: "A gente não sabe quem matou o Kauan, a única resposta que eu tenho é que está em investigação ainda. O sentimento é que a gente não tem justiça. A lei do estado do RJ é lenta. Todo dia você liga a televisão e mataram uma criança, mataram um adolescente, mataram um pai de família, e a família não tem resposta", diz.

Em 7 de setembro, Kauê Ribeiro dos Santos, de 12 anos, morreu após ser atingido na cabeça, no Complexo do Chapadão, na Zona Norte. A família diz que ele vendia balas e estava voltando pra casa. A PM contestou a versão e falou que o menino era suspeito e teria entrado em confronto com a polícia.

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11
Ago19

Realidade cruel: desemprego e fome atingem o Brasil

Talis Andrade

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por Maria Fernanda Garcia 

 

O Brasil está vivendo uma de suas piores fases, com aumento do desemprego. A taxa de desemprego no Brasil ficou em 12,7% no trimestre encerrado em março deste ano, atingindo 13,4 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Comparando com o trimestre anterior, de outubro a dezembro de 2018, o número de pessoas desempregadas aumentou em 1,2 milhão de pessoas.

Para ter uma dimensão do que representa o número de desempregados no Brasil, basta compararmos à população de alguns países. Ele é maior do que a população inteira da Bolívia (11,4 milhões) e representa mais que o dobro da população da Costa Rica, que é de 5 milhões de habitantes.

Com milhões de desempregados no país, a fome também tende a aumentar. O relatório internacional ‘O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018′, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), mostrou que a fome atingia 5,2 milhões de pessoas no Brasil em 2017. Os números agora podem ser bem maiores, já que no ano dessa pesquisa, a última do tipo, o Brasil tinha 12,3 milhões de desempregados. 1,1 milhão a menos do que agora.

O Relatório Luz da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, realizado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil, diz que o avanço da pobreza, o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos, a alta do desemprego e o corte de pessoas beneficiadas pelo Bolsa Família contribuíram para o aumento de famintos no Brasil.

24
Mar19

Bolsonaro no Chile: "Devemos beijar a informalidade porque a nossa mão-de-obra talvez seja uma das mais caras do mundo"

Talis Andrade

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Jair Bolsonaro encerra neste sábado (23) sua visita de três dias ao Chile. Após um encontro com o presidente chileno, Sebastián Piñera, em Santiago, Bolsonaro é o convidado de honra de um almoço com a presença de líderes parlamentares e referências políticas chilenas. Antes de se reunir com o Piñera, o presidente brasileiro participou de um café da manha com empresários chilenos e mandou um recado para Rodrigo Maia. Ele acusou “os que resistem a avançar com a reforma da Previdência de "não quererem largar a velha politica". Depois da reforma da Previdência, Bolsonaro quer reforma trabalhista que "beire a informalidade".

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Por Márcio Resende, enviado especial da RFI a Santiago

Antes de ser recebido no Palácio La Moneda, sede do governo chileno, pelo presidente Sebastián Piñera, Jair Bolsonaro se reuniu-se com empresários chilenos para detalhar o cenário econômico que pretende para o Brasil, com as reformas que abram o terreno para os investimentos estrangeiros.

Bolsonaro indicou que, depois da reforma da Previdência quer uma reforma trabalhista que desburocratize a economia com empregos que beirem a informalidade. "A nossa equipe econômica também trabalha numa reforma para desburocratizar a nossa economia, para desregulamentar muita coisa e, na questão trabalhista, nós devemos beijar a informalidade porque a nossa mão-de-obra talvez seja uma das mais caras do mundo. Uma CLT que não se adequa mais à realidade", afirmou.

Sobre a reforma da Previdência, Bolsonaro mostrou-se confiante. "Temos chance, sim, de sair dessa situação que nós encontramos com as reformas. E a primeira delas, a mais importante é essa da Previdência", afirmou confiante.

Em meio ao anúncio do presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, que anunciou que não fará mais a interlocução do governo com a Câmara para aprovar a reforma previdenciária, Bolsonaro mandou um recado: "Os atritos que acontecem no momento, mesmo estando eu calado fora do Brasil, é porque alguns, não são todos, não querem largar a velha política", acusou.

Novas críticas ao sistema do voto eletrônico

Aos empresários chilenos, Bolsonaro voltou a questionar o voto eletrônico, mesmo tendo ganho as eleições. "Mesmo com um sistema eleitoral duvidoso, que utiliza as urnas eletrônicas, nós conseguimos chegar à Presidência", vangloriou-se.

Os jornalistas foram acusados de serem doutrinados pela esquerda. "É difícil encontrar um jornalista da grande imprensa que possa discutir conosco de igual para igual. Eles têm viés de esquerda. Estão doutrinados demais", criticou.

Também supôs que, se não tivesse ganho as eleições, o presidente brasileiro não estaria no Chile, mas na Venezuela. "Se o Haddad tivesse ganho as eleições, ele não estaria aqui, estaria conversando com o Maduro", comparou.

Após o café-da-manhã com os empresários chilenos, Jair Bolsonaro foi recebido pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, com quem manteve uma reunião privada a sós. Em seguida, um outro encontro, com a participação dos demais membros dos dois governos foi realizado.

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10
Fev19

Incêndio no Flamengo, clube mais rico do país, acende alerta de segurança em categorias de base

Talis Andrade

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incêndio no alojamento do Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, que resultou em dez jogadores mortos e três feridos na manhã desta sexta-feira, é a maior tragédia já vivida pelo futebol carioca, mas também um acontecimento emblemático. A tragédia no clube mais rico do país, que tem orçamento anual de 750 milhões de reais e investiu mais de 100 milhões em contratações na última janela de transferências, exibe, até agora, elementos que mostram como o Flamengo não estava em dia com as exigências legais. Também liga o sinal de alerta sobre as condições dos jogadores mantidos em categorias de base, sobretudo em equipes menores – ou nas mais de 700 filiadas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

 

(...)Por sua vez, a prefeitura do Rio informou que a área incendiada, descrita pelo clube como estacionamento no último projeto remetido às autoridades, não constava como edificação de dormitório no licenciamento municipal vigente nem tinha alvará de funcionamento.

Enquanto o módulo destinado aos atletas das categorias de base recebia ajustes finais para acomodá-los, garotos com idades entre 14 e 17 anos ficavam alojados em uma estrutura provisória de contêineres, onde o fogo teria começado. Peritos avaliam as causas do incêndio, mas, inicialmente, trabalham com a hipótese de curto-circuito no ar condicionado de um dos quartos. 

 

Embora o Flamengo seja um dos 42 clubes, em meio aos mais de 700 filiados à CBF, que contam com o Certificado de Clube Formador, atribuído às equipes que cumprem requisitos básicos para trabalhar com jovens atletas, não há um mecanismo de fiscalização do cumprimento das regras após a certificação, que, na maioria dos casos, vale por dois anos. “Se uma tragédia dessa magnitude acontece no Flamengo, imagine o risco corrido por crianças e adolescentes invisibilizados nos clubes pequenos?”, questiona Ana Christina Brito Lopes, especialista em direitos da infância no esporte.

 

Em 2012, a morte de Wendel Junior Venâncio da Silva, de 14 anos, durante um teste nas categorias de base do Vasco motivou ações de dano moral coletivo movidas por MPT e MPE contra o clube carioca, que ainda recorre de condenação no processo em instâncias superiores. A equipe não contava com médicos de prontidão no local do teste e, segundo vistoria realizada nas instalações, abrigava garotos em dormitórios precários. Transcrevi trechos. Leia mais 

 

10
Jan19

48 MILHÕES DE BRASILEIROS, NÃO CONTRIBUEM PARA A PREVIDÊNCIA

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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Vivem totalmente ABAIXO da linha da pobreza. Não têm como viver ou sobreviver, ninguém liga para eles. Os números são oficiais, a equipe montada por Bolsonaro, que não sai das manchetes, nem lembra ou fala sobre o assunto. Vou repetir, para que os responsáveis (?) resolvam ou decidam que esse é um terrível e cruel problema prioritário.

12 milhões estão desempregados ha anos. Nem procuram mais, sabem que não encontram.

15 milhões, mau ou bem, têm que viver com biscates de 145 reais mensais. 21 milhões tem biscates um pouco maior, conseguem 330 reais mensais.

Essa é a assustadora realidade nacional.

PS- Baixinho, membros do governo garantem: "Esse problema só pode ser resolvido, com investimento e desenvolvimento".

 

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22
Nov18

A escola sem partido e a nova adolescente no Brasil sem incesto, estupro e prostituição infantil

Talis Andrade

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No Brasil, a cada minuto uma pessoa é estuprada. São registrados uma média de 164 casos por dia. Um número alto, mas que segundo especialistas é menor do que o real. Estima-se que 90% das vítimas nunca registre queixa, o que elevaria o número total para 600.000 estupros por ano. E a subnotificação não existe apenas na esfera criminal, mas na da saúde também. "No ano de 2016 foram 23.000 vítimas atendidas no SUS, ao passo que 49.500 procuraram a Polícia (dados da publicação de pesquisadores do IPEA “Atlas da Violência 2018”). Em 2017 foram 60.000 vítimas que buscaram a Polícia, mas o Ministério da Saúde ainda não totalizou os dados de atendimentos no SUS em 2017. E aqui estamos falando de estupros. O IPEA, no mesmo estudo, estima que 90% das vítimas não procuram o Poder Público", relata o procurador Pedro Antonio de Oliveira Machado, responsável por um inquérito que investigou a aplicação da lei do minuto seguinte. Após a investigação, o Ministério Público Federal criou um canal para que as vítimas possam denunciar os serviços que não seguirem os protocolos de atendimento previstos em lei.

 

Leia mais aqui. “Nós identificamos uma série de problemas [no ciclo de atendimento às vítimas]”, afirma o procurador Machado. “Um dos maiores era a falta de informação, especialmente para as vítimas, que não sabem a quem recorrer. Mas mesmo no âmbito dos profissionais do Sistema Único de Saúde também havia falta de informação”, diz.

 

O Brasil da bancada da Bíblia e da família tradicional esconde que “pobreza e abusos estimulam casamentos infantis no Brasil. País tem cerca de 90 mil crianças de 10 a 14 anos casadas, segundo Censo 2010. Pesquisa traça perfil de uniões”, destaca reportagem da BBC Brasil.

 

“Um dos temas mais constrangedores ao Brasil, não apenas à própria sociedade brasileira, como no âmbito internacional, é a existência da chamada prostituição infantil. A despeito de todos os esforços do Estado no enfrentamento deste problema, há a permanência de uma realidade hostil para muitas crianças – principalmente meninas – nas regiões mais pobres do país: segundo a UNICEF, em dados de 2010, cerca de 250 mil crianças estão prostituídas no Brasil”, escreve Paulo Silvino Ribeiro. Para as ONGs, são 500 mil crianças  de 7 a 14 anos que vendem o corpo por um pedaço de pão. Quinhentas mil meninas sem escola e sem partido. Leia mais. 

 

No Brasil existe uma cultura do incesto - que não é crime - aceitável em várias comunidades do Norte e do Nordeste. Um caso símbolo o da poetisa menina Thalia Mendes Meireles, violentada pelo pai desde os 12 anos. "Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além", escreveu na sua carta de suicídio. O pai, dono de supermercados no Maranhão, com o apoio da justiça e da polícia, culpou a onda da baleia azul, que substituiu a lenda do boto como justificativa da gravidez de uma criança.

 

Provocar o fim da própria vida está entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, há um suicídio a cada 45 minutos. Pelos dados da OMS, o suicídio é a sétima maior causa de morte entre jovens de 10 a 14 anos de idade. 

 

A escola sem partido ajudou a eleger Jair Bolsonaro presidente, quando o programa mais correto seria escola sem curra. Que as crianças são as maiores vítimas de estupro no Brasil, segundo o Atlas da Violência de 2018 . O estudo, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que 50,9% dos casos registrados de estupro em 2016 foram cometidos contra menores de 13 anos de idade. Além disso, em 32,1% dos casos, as vítimas foram adultos, e em 17%, adolescentes. Os estupros, inclusive curras, que acontecem dentro das escolas são abafados ou camuflados como bullying.  

 

 

 

20
Jan18

Francisco alerta para sofrimento de menores e indiferença dos adultos

Talis Andrade

Incansável, o papa Francisco celebrou neste sábado (20), em Trujillo, 560 quilômetros ao norte de Lima, sua primeira missa no Peru, acompanhado por milhares de pessoas em uma praia da cidade histórica de Huanchaco, paraíso dos surfistas, onde se amarram os "caballitos de totora", embarcações tradicionais de pescadores em forma de canoa.


Em sua homilia, o papa condenou a "insegurança", a "violência organizada" e a "pistolagem". 

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Puerto Maldonado, Peru, 19 jan 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco visitou hoje um lar para crianças em risco na localidade peruana de Puerto Maldonado, no sudeste do país, alertando para o sofrimento das crianças, a que muitos adultos ficam indiferentes.


“O vosso olhar e a vossa vida requerem um compromisso e esforços cada vez maiores para não ficarmos cegos ou indiferentes perante tantas outras crianças que sofrem e passam necessidade. Não há dúvida, vós sois o tesouro mais precioso de que devemos cuidar”, disse às crianças do Lar «O Principezinho» e de outras instituições da região amazónica do Peru.


O ‘Hogar’ foi fundado pelo sacerdote suíço Pe. Xavier Arbex, que vive no Peru há 50 anos, e hospeda 35 crianças dos 4 aos 15 anos.


Para chegar ao local, o Papa atravessou estradas de terra, num percurso acompanhado por centenas de pessoas.


Depois das danças e de uma encenação das crianças, Francisco disse ter sentido “muita alegria” por poder ter feito esta visita, falando dos mais pequenos como um “tesouro” a preservar.

 

“Perdoai as vezes que nós, grandes, não o fazemos ou não vos damos a importância que mereceis”, declarou.


Francisco falou das “noites tristes” que muitas crianças passam, com saudades dos pais, e as suas “feridas”, apresentando o exemplo dos que superaram estas dificuldades como “uma luz de esperança”.


“Tudo o que vós, jovens, puderdes fazer, como vir estar com eles, jogar, passar o tempo, é importante. Sede para eles, como dizia o ‘Principezinho’, as estrelinhas que iluminam a noite”, pediu.


O Papa agradeceu ao padre Xavier, aos religiosos e religiosas, às missionárias leigas que realizam um “trabalho fabuloso” neste lar.


“Fico feliz ao ver que tendes um lar onde sois acolhidos, onde vos ajudam, com carinho e amizade, a descobrir que Deus vos segura nas suas mãos e coloca sonhos no vosso coração”, confessou.


O pontífice desafiou os jovens a preservar as suas tradições, a conversar com os avós e a estudar, mantendo as “raízes”.


“Precisamos de vós autênticos, jovens orgulhosos de pertencer aos povos amazónicos e que oferecem à humanidade uma alternativa de vida autêntica”, declarou.


Após este encontro, o Papa almoça no centro pastoral ‘Apaktone’ de Puerto Maldonado com nove indígenas, representantes dos povos da Amazónia.

 

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