Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

15
Mai18

O me engana que eu gosto do juiz Moro e do general Braga

Talis Andrade

Onde residem os ladrões do Brasil?

 

Sergio Moro, um juiz que imita Fernando Color na caça aos marajás, armado com a espada cega da justiça, procura os bruxos no Partido dos Trabalhadores, precisamente no Instituto Lula. Parece o general interventor de Temer, que faz o mesmo intinerário da polícia militar, a buscar os chefes do tráfico de drogas nas favelas dos miseráveis na ex-Cidade Maravilhosa, Capital do Samba, que virou Rock Rio. Quando a droga é transportada no helicoca do senador Perrella e morcegos negros da frota do assassinado PC Farias, que tem Alberto Youssef como sucessor.

 

O general do Exército Walter Souza Braga Netto, que lidera tropas em um regime capitalista, esquece o poder do dinheiro transportado pelos doleiros. Jamais quis ouvir Youssef. Assim como Moro jamais ameaçou os mil vezes milionários políticos do PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira.

 

Que palhaçada! Como é possível prender um chefe do tráfico sem ouvir um doleiro? Para realizar a intervenção militar, o general Braga solicitou 4,1 bilhões de reais, o preço de duas hidroelétricas vendidas por Temer, um bilhão a mais do valor que FHC entregou a Vale aos piratas internacionais. 

 

Onde está o dinheiro? Onde residem os bandidos do assalto ao Banco do Estado do Paraná - BanEstado, dos leilões quermesses da Vale do Rio Doce, do Pré-Sal, das hidroelétricas, das estatais de energia, de telefone, de água, de gás, dos tráficos de moedas, de minérios, de ouro, de diamantes, de nióbio, de plantas medicinais, de madeira nobre, de drogas, de armas, de pessoas ...? 

 

Procurem nos endereços dos bilionários, nas ruas mais caras do mundo, nos resorts de luxo, nos paraísos fiscais. Esta semana a imprensa estrangeira revelou que em Fisher Island, a ilha encantada das grandes fortunas dos EUA, dez por cento dos moradores são brasileiros.

 

Fisher Island – Um oásis de primeira classe

 

Por Sandra Prieto

-fisher-island 1.jpg

 

Fisher-Island-2.jpg

 

Fisher Island é uma ilha que se localiza no extremo sul de Miami Beach, logo ao norte do Porto de Miami, e de acesso restrito a moradores, convidados e hóspedes. Nenhuma estrada ou ponte conecta a ilha ao resto da cidade, a única maneira de chegar à Fisher Island é por balsa ou barco. O passeio é tão bonito quanto o lugar. André Agassi, Oprah Winfrey e Julia Roberts estão entre as celebridades que tem casa na ilha.

fisher island drive.jpg

panorâmica.jpg

panoramica2.jpg

 

A ilha foi criada em 1905 por um projeto de dragagem e recuperação da orla de Miami Beach. A construção de Fisher Island começou em 1919, quando Carl G. Fisher, um construtor, comprou a propriedade.

Depois de anos de batalhas judiciais e mudanças de proprietários, o desenvolvimento da ilha foi finalmente iniciado na década de 1980, trazendo uma arquitetura inspirada nos casarões originais de estilo espanhol. Embora não seja mais uma ilha de uma única família, Fisher Island ainda permanece algo inacessível...

tennis-courts.jpg

 

... tão exclusivo quanto foi nos dias iniciais de sua existência, fornecendo um refúgio de muita tranquilidade. A ilha contém mansões, um hotel resort, vários edifícios residenciais, um observatório e uma marina privada.

ilha.jpg

 

vida mansa.jpg

 

 

 

 

13
Mai18

Brasil um dos únicos grandes países agroexportadores que nunca fez reforma agrária

Talis Andrade

O escravo não era preso. A pena era transformada em açoite. A tortura a polícia reserva para os pobres sempre

 

Amanda Rossi entrevista Luiz Felipe de Alencastro

alencastro.jpg

Luiz Felipe de Alencastro, autor de 'Trato dos Viventes', é um dos maiores especialistas em escravidão

 

 

BBC Brasil - Já se disse que as grandes transformações do Brasil ocorreram sem participação popular, pelas mãos da elite política e econômica. A independência, a abolição, a República. Mas isso é verdade para a abolição?
Alencastro - José Bonifácio de Andrada, que era uma espécie de primeiro-ministro logo depois da independência do Brasil, mandou um projeto para a Assembleia Constituinte, prevendo a abolição progressiva do tráfico e da escravidão. Já naquele momento, a classe dirigente, o corpo da administração imperial tinham perfeita noção de que manter o tráfico de escravos criaria um impasse. Porque a Inglaterra deixara claro que só reconheceria a independência se o Brasil acabasse com o tráfico. E o governo inglês, nessa época, tinha uma importância enorme. Era como se fosse a ONU (porque garantia o reconhecimento diplomático internacional), o FMI (porque emprestava dinheiro para o governo) e a OIT (porque vetava a importação de africanos, mão-de-obra essencial no Brasil) juntos, com uma força naval que desde a batalha de Trafalgar (1805) mandava em todos os mares.
Quando a Inglaterra começou a pressionar mais fortemente, os dirigentes brasileiros cederam, prometendo acabar com o tráfico a médio prazo. Em 1831 é votado o fim do tráfico. Porém, sobretudo no Rio, e em menor medida na Bahia e no Recife, se organizam redes comércio semiclandestino de escravizados africanos. Só em 1850 , o comércio de africanos acabou de fato. Acabou de uma vez. Caiu de 60 mil africanos desembarcados em 1849 para 6 mil em 1851. Como? Porque houve um conchavo entre traficantes e governo. Se amanhã acabar o tráfico de cocaína na Colômbia, não é porque o consumo de cocaína acabou e de um dia para o outro os policiais ficaram virtuosos.


BBC Brasil - Que conchavo foi esse?
Alencastro - Os traficantes foram prevenidos antes que o tráfico ia acabar e foram tirando o dinheiro. Houve uma negociação entre a classe dirigente (a administração imperial) e a classe dominante (os fazendeiros, as oligarquias regionais). O governo propôs uma lei de imigração para trazer trabalhadores rurais, uma estrada de ferro na região cafeeira - porque o transporte era feito em lombo de mula - e a redução das tarifas de exportação de café.


BBC Brasil - Depois que o tráfico acabou, qual passou a ser a estratégia do Império?
Alencastro - Quando acaba o tráfico de escravos, acaba a fonte de reprodução externo do sistema escravista. Depois há a Lei do Ventre Livre em 1871 (que declarou livres os filhos de mães escravas que nascessem a partir daquela data). Isso estanca outra fonte de reprodução da escravidão, que é a reprodução demográfica interna.

Dessa forma, houve uma estratégia gradualista para acabar com a escravidão.


Este gradualismo se resume nesta ideia: a escravidão acaba quando o último escravo morrer. Essa era a estratégia do Império. Aí ninguém perde dinheiro. Mas surge então o abolicionismo. É um movimento como as Diretas já!: abolição já! Não tem que esperar até o último escravo morrer para acabar com a escravidão. Vamos abolir já, e sem indenização para os proprietários de escravos. Joaquim Nabuco (político abolicionista) afirmou que o Brasil não tinha dinheiro para pagar os crimes que cometeu.

 

BBC Brasil - Qual foi a participação do movimento abolicionista? E o povo, participou?
Alencastro - O abolicionismo se acentuou na década de 1880. Há importante liderança negra. Luís Gama, André Rebouças, José do Patrocínio, que se batiam nos tribunais e nos jornais. Esses são os heróis. Também há muita gente anônima que participou. Houve movimentos organizados para dar fuga a escravos, por exemplo. Aqui em São Paulo, havia o grupo do Antônio Bento, os Caifazes. Havia um grupo em Recife, que ajudava os escravos a fugirem para o Ceará, onde a maioria dos municípios já não tinha mais escravos desde 1884, onde os escravocratas eram minoritários . Já o Rio de Janeiro era a província onde o escravismo era mais renitente. Em São Paulo, o oeste do Estado já estava apostando na imigração porque havia muita fuga, e a fuga é uma forma de revolta, dos escravos comprados no Nordeste. Essas ações acentuaram a crise do escravismo.


BBC Brasil - Também se falava de reforma agrária, dar terras para os ex-escravos.
Alencastro - A reforma agrária não estava na pauta da maioria dos abolicionistas. Foi uma radicalização de uma parte minoritária. André Rebouças, um engenheiro negro com muito prestígio, tinha um programa para criar um imposto territorial sobre as fazendas improdutivas e fundar cooperativas de pequenos camponeses. Nabuco, nos anos 1880, foi porta-voz dessas reinvindicações. Mas no final, a ideia de reforma agrária capotou.


BBC Brasil - Por quê?
Alencastro - A maior parte do movimento republicano fechou com os latifundiários para trazer imigrantes que trabalhassem nas fazendas e não mexer na propriedade rural. Essa virada dos republicanos jogou Nabuco, Rebouças e outros no escanteio e os fez apoiar a monarquia até o fim. Depois disso, (no livro) "Minha Formação" (1900), Nabuco renega sua juventude abolicionista e faz uma declaração monarquista que constitui uma das frases mais infames da história da política brasileira: "Tenho convicção de que a raça negra por um plebiscito sincero e verdadeiro teria desistido de sua liberdade para poupar o menor desgosto aos que se interessavam por ela, e que no fundo, quando ela pensa na madrugada de 15 de novembro (data da proclamação da República), lamenta ainda um pouco o seu 13 de maio".

abolicionista_reboucas.jpg

André Rebouças defendia dar terras para os escravos que fossem libertos

 

 

BBC Brasil - O projeto de reforma de Rebouças e Nabuco poderia ter ido para frente?
Alencastro - A relação de forças não era favorável. Não havia um movimento camponês a favor da reforma agrária, ou uma base popular lutando pelo o direito à terra. No final das contas, o Brasil é um dos únicos grandes países agroexportadores que nunca fez reforma agrária.


BBC Brasil - Além do campo, também havia muita escravidão nas cidades?
Alencastro - Se você somar a proporção de escravos no Rio com Niterói, você tem uma concentração urbana de escravos que não existiu em nenhum outro lugar no mundo, só no Império Romano. No Brasil, a escravidão também tinha essa característica urbana, em uma escala que não ocorreu nas Américas. A escravidão marcava as cidades. Em 1849, o Rio tinha 260 mil habitantes, 110 mil dos quais eram escravos. Isso dá 42% da população.


BBC Brasil - Como foi o dia seguinte à abolição? O que aconteceu com os escravos que se viram livres em 13 de maio de 1888, mas sem compensações, sem apoio do Estado para começar uma vida nova?
Alencastro - Na sequência da abolição, a mão de obra imigrante vai aumentando. Muitos ex-escravos ficam fora do mercado de trabalho na zona rural e, em parte, nas cidades. Mesmo sendo brasileiros, os ex-escravos não tiveram cidadania plena, porque a sua quase totalidade era analfabeta, e o voto do analfabeto foi proibido em 1882, ainda no Império. Este ferrolho para excluir os negros livres e os ex-escravos também atingiu os brancos pobres e analfabetos, como é óbvio. Até 1985, quando o voto deles foi permitido.


BBC Brasil - A escravidão foi um processo de muita violência. Essa violência usada contra os negros acabou quando a escravidão chegou ao fim?
Alencastro - A Constituição brasileira de 1824, no art. 179, proibiu punir crimes com castigo físico. A partir daquele momento, não se podia mais torturar - a inquisição portuguesa havia institucionalizado a tortura como prova, até a pessoa confessar. Vem então o Código Criminal de 1830 que especifica no art. 30: se o condenado for escravo ele não vai para a cadeia, a pena é transformada em açoite. Isso porque se o escravo fosse para cadeia, causaria uma perda de mão-de-obra e dinheiro para o seu senhor. Assim, o escravo era açoitado publicamente, humilhado, torturado. Depois, semanas depois, quando estivesse reestabelecido (do açoitamento), o escravo voltava a trabalhar. Então, a tortura foi legal no Brasil até 1888, mas só para os escravos. Quando a abolição ocorre, a polícia já estava habituada a bater neles. Neles e nos brancos desfavorecidos. Como no caso do voto do analfabeto citado acima, os mecanismos da repressão escravista contaminam a sociedade inteira. Leia mais 

tortura proibida contra brancos.jpg

 

A tortura era proibida contra brancos; para os escravos, a punição era o açoite

12
Abr18

PROFISSIONAIS DO SEXO REPUDIAM OSCAR MARONI E MANIFESTAM APOIO A LULA

Talis Andrade

 

maroni 1.jpg

oscar-maroni 3.jpg

bahamas_club_ 1.jpg

Maroni 2.jpg

 

 

 

 

A Associação Mulheres Guerreiras de Campinas lançou uma carta de repúdio ao empresário Oscar Maroni, um dos maiores empresários voltados à prostituição de luxo no país e que deu uma festa, distribuindo cerveja grátis, no dia em que Lula foi preso; as trabalhadoras falam sobre respeito e dignidade sobre seus corpos; numa cena grotesca da festa, ele expôs o corpo nu de uma profissional do sexo, num cenário em que aparece vestido de presidiário

 

 

 

por Vanessa Ramos - A Associação Mulheres Guerreiras de Campinas lançou nesta quarta-feira 11 uma carta de repúdio ao pré-candidato ruralista nas próximas eleições, Oscar Maroni, um dos maiores empresários voltados à prostituição de luxo no país.

 

Ele não apenas comemorou a prisão política de Luiz Inácio Lula da Silva no último sábado (7), com comentários incentivando o assassinato do ex-presidente dentro da prisão, como também ofereceu cerveja gratuita e expôs o corpo nu de uma profissional do sexo, num cenário em que aparece vestido de presidiário.

 

A imagem viralizou nos últimos dias pela internet, tendo como cenário de fundo as imagens do juiz Sérgio Moro e da ministra Cármen Lúcia, como numa espécie de altar de adoração após o resultado de uma prisão injusta e arbitrária.

 

Na carta, as mulheres reforçam a luta pela garantia de seus corpos e por dignidade e, ainda, manifestam apoio a Lula. "Nós temos lado nessa luta e o nosso lado é contrário a esse machismo que violenta, machuca e mata corpos e mentes diariamente". Em outro trecho afirmam que "existe um Lula em cada uma e em cada um de nós e as suas ideias e seus sonhos seguirão conosco eternamente."

 

Para a ex-ministra de Políticas para Mulheres do governo eleito de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, as atitudes de Maroni, que não se resumem a este fato, são um retrato do golpe que, segundo ela, é machista, discriminatório e preconceituoso. "Este golpe e esta prisão injusta, comemorados por este senhor que usa as mulheres como objeto de uso sexual é mais uma representação da violência estrutural da sociedade brasileira, que é de classe, de gênero e racial", avalia.

 

NOTA DE REPÚDIO À AGRESSÃO SOFRIDA PELA MULHER E PROFISSIONAL DO SEXO COMETIDA PELO EXPLORADOR OSCAR MARONI

Nós, da Associação Mulheres Guerreiras, profissionais do sexo de Campinas e unidas por respeito, vimos através desta nota registrar nosso repúdio à atitude do empresário paulista Oscar Maroni, dono da casa liberal Bahamas Club, zona sul de SP, no que diz respeito à agressão à profissional do sexo.

 

Estão sendo veiculados na mídia fotos e vídeos desse suposto empresário, em que o mesmo exibe uma mulher nua, sendo agredida na sua dignidade como mulher e como profissional do sexo. Nestas imagens e vídeos, a profissional tem a sua boca tapada e é segurada com gestos grosseiros e agressivos pelo empresário, numa clara atitude machista, oferecendo a mulher como presa aos "homens de bem", defensores da moral e dos bons costumes que comemoravam a prisão do ex-presidente Lula em frente ao seu estabelecimento.

 

É visível que a mulher e profissional do sexo ali exposta está contrariada, envergonhada com a atitude do empresário e tenta se desvencilhar da humilhação pública. E para completar o cenário grotesco, ao fundo estão expostas as fotos do juiz Sérgio Moro e da Ministra do STF, Carmem Lúcia. Tudo no seu devido lugar.

 

Nós, profissionais do sexo, somos trabalhadoras e trabalhadores sérios, exigimos respeito no exercício do nosso trabalho e não aceitamos ser tratadas e tratados como objetos. Lutamos diariamente pela garantia de nossos direitos e por dignidade. Nós temos lado nessa luta e o nosso lado é contrário a esse machismo que violenta, machuca e mata corpos e mentes diariamente.

 

Vale lembrar que foram esses sentimentos de machismo, de violência e de ódio que derrubaram a presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff sem crime algum; que encarceraram Lula sem nenhuma prova, contrariando a Constituição; e que querem calar as vozes daqueles/as que ousam a se levantar em críticas e protestos contra esse fascismo que cresce a cada dia nesse país. Vale lembrar que é esse mesmo ódio que tenta calar as ideias e os sonhos de Luiz Inácio Lula da Silva de construir um país mais justo e mais igualitário para cada um e cada uma.

 

Diante da atitude covarde e insana desse empresário golpista, repudiamos veementes seus atos machistas, misóginos e criminosos. Lamentamos profundamente que a Lei que "que deve ser para todos", infelizmente, ainda não alcançou isso. Em tempo, nos solidarizamos com a mulher trabalhadora e profissional do sexo pela violência sofrida e reafirmamos que a nossa luta não vai parar, pois existe um Lula em cada uma e em cada um de nós e as suas ideias e seus sonhos seguirão conosco eternamente.

 

ASSOCIAÇÃO MULHERES GUERREIRAS DE CAMPINAS/SP
Campinas, 11 de abril de 2018

 

20
Jan18

Peru: Papa denuncia violência contra as mulheres

Talis Andrade

manchete.jpg

 

 

Puerto Maldonado, 19 jan 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco denunciou hoje no Peru a violência contra as mulheres, alertando em particular contra o contra o tráfico de pessoas e a exploração sexual, num encontro com milhares de pessoas em Puerto Maldonado.


“Não se pode ver como normal a violência contra as mulheres, achá-la normal, não se faz da violência contra as mulheres algo natural, mantendo uma cultura machista que não aceita o papel de protagonista da mulher nas nossas comunidades”, alertou, perante os peregrinos reunidos na capital da região de ‘Madre de Dios’ [Mãe de Deus].


“É triste constatar como, nesta terra que está sob a proteção da Mãe de Deus, muitas mulheres são tão desvalorizadas, desprezadas e sujeitas a violências sem fim”, prosseguiu.
O Papa disse ter ficado satisfeito por ver, ao chegar a Puerto Maldonado, um cartaz que convida cada cidadão a estar “atento contra o tráfico”.


“Na realidade deveríamos falar de escravatura: escravatura laboral, escravatura sexual, escravatura para fins de lucro”, precisou.


“Não nos é lícito virar cara para o outro lado e deixar que tantas mulheres, especialmente adolescentes, sejam espezinhadas na sua dignidade”, insistiu.


Na região sudeste do Peru, junto à Amazónia, Francisco falou de uma Igreja sem fronteiras, que defende os que são considerados como habitantes da “terra de ninguém”.


“Não sois terra de ninguém. Esta terra tem nomes, tem rostos: tem-vos a vós”, observou.


O Papa realçou o facto de o nome da região remeter para a Virgem Maria, “uma Mãe” para os católicos, que os faz ter a certeza de que “há filhos, há família, há comunidade”.


A intervenção alertou para as consequências da “cultura do descarte” que, ao ser aplicada aos recursos naturais, os explora até ao fim.


“As próprias pessoas são tratadas com esta lógica: são usadas até ao exaurimento e depois deixadas como inúteis”, advertiu o pontífice.

 

Francisco recordou quem emigrou para a Amazónia seduzido pelo “brilho promissor da extração do ouro”, que considerou “um falso deus, que pretende sacrifícios humanos”.


“Os falsos deuses, os ídolos da avareza, do dinheiro, do poder corrompem tudo. Corrompem a pessoa e as instituições; e destroem também a floresta”, alertou.

13
Dez17

Uma rede de adoções ilegais envolvendo os netos de Edir Macedo

Talis Andrade

“No caso das adoções ilegais da Igreja Universal, o Estado português também deve ser investigado”

 

por Regiane Oliveira/ El País/ Espanha

 

 

Foram sete meses de investigação em segredo absoluto até que a equipe da emissora portuguesa TVI colocou no ar o primeiro capítulo de uma série de reportagens que denuncia a existência de uma rede de adoções ilegais envolvendo os netos do líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Edir Macedo, um das maiores denominações cristãs do Brasil presente em quase 200 países. Batizada de O segredo dos deuses  , a investigação levou o Ministério Público do país a abrir inquérito para investigar o suposto esquema. As repórteres Alexandra Borges e Judite França, que participaram da investigação, responderam às perguntas do EL PAÍS sobre os bastidores da reportagem.


Pergunta. Como vocês chegaram a esta história?

Resposta. Nós estávamos investigando outro assunto ligado aos negócios da IURD. Era uma reportagem empresarial sobre suposto enriquecimento ilícito e tropeçamos na história dos netos. Ouvimos que Edir Macedo havia escolhido os filhos adotados por sua filha Viviane [Freitas] e que os meninos eram portugueses. Achamos estranho porque não é fácil uma estrangeira adotar uma criança em Portugal. Além do mais, a legislação portuguesa não permite que se escolha a criança a ser adotada. E fomos investigar.

 

P. Como foi o processo de apuração?

R. Não foi fácil fazer a investigação porque em Portugal os processos de adoção são secretos. Começamos tentando contatar pessoas que saíram da IURD, porque quem está dentro da instituição não fala. Descobrimos que as adoções estavam protegidas por acordos de confidencialidade entre os participantes, para que nenhuma informação sobre o processo viesse a ser conhecida. Contatamos pessoas que trabalharam no lar onde as crianças foram adotadas. São pessoas que perceberam que haviam feito coisas erradas e por isso guardaram documentos da época.

 

 

P. Quais foram as maiores dificuldades?

R. Foram sete meses batendo às portas, juntando informações. Teve mães que morreram lutando pelos filhos. Apuramos que cerca de dez crianças foram adotadas nesse esquema. Algumas já estavam nas rédeas da rede quando a mãe conseguiu resgatá-las. É o caso de uma africana que teve malária e deixou seus filhos no lar da IURD para fazer o tratamento. Quando voltou, eles não queriam entregar as crianças, dizendo que ela precisava de advogado. Mas ela resistiu. Outras mães foram à polícia, mas não foram levadas a sério.

 

P. Por que não?

R. São mulheres vulneráveis, com histórico de problemas, algumas já conhecidas pela polícia. Vítimas de violência doméstica. Sem relações estáveis e cujos pais não queriam saber das crianças. Algumas eram dependentes químicas.

 

P. E como vocês chegaram às mães

R. Chegar às mães foi mais complicado. Algumas pessoas com quem conversamos guardaram o nome das mães e das crianças. Mas não conseguimos encontrar todas. Também entrevistamos a babá portuguesa que viveu nos Estados Unidos quase três anos na casa do Edir Macedo e que nos contou sobre como era a vida das crianças.

 

P. O que vocês descobriram que as levou a entender que as adoções foram ilegais?

R. A filha do bispo escolheu as crianças por fotografia, com base em características que a interessavam, o que em Portugal é proibido. Viviane não esconde essa informação. Em seu blog, ela falava que adotou as crianças porque eram parecidas com Júlio Freitas, seu marido. Em Portugal, a Segurança Social te apresenta a criança, com base em diretrizes como idade. A pessoa que quer adotar e a criança têm seis meses para se conhecerem. Sempre de forma vigiada. Como a IURD era dona do lar, eles não passaram por esse processo e fizeram uma desvinculação forçada dos pais biológicos. Descobrimos um conjunto de mentiras que foi passado para o Tribunal [de Família e Menores de Lisboa], como as crianças serem tipificadas como soropositivos, sendo que a mãe biológica é doadora de sangue. Além disso, o tribunal não sabia que elas seriam levadas em aviões privados para fora de Portugal. Nem que seriam separadas. Viviane ficou com duas crianças e outra foi entregue para adoção de um bispo.

Vivi1.jpg

Viviane e Júlio Freitas 

 

P. Mas o tribunal sabia que as crianças estavam sendo adotadas pela filha de Edir Macedo?

R. O tribunal pensava que estava atribuindo as crianças para guarda de uma portuguesa e não para a filha do bispo. Essa mulher é alguém de confiança do bispo Macedo, uma testa de ferro.

 

P. Como o Ministério Público ficou sabendo da história?

R. Nós tivemos que abrir a história para a Procuradoria porque queríamos ter acesso aos documentos administrativos sobre a adoção. Eles analisaram e informaram que abririam um processo crime, antes mesmo de a reportagem ir ao ar.

 

P. Vocês tentaram falar com os jovens que foram adotados?

R. Claro. Fizemos um pedido na IURD em Portugal. Eles nos passaram o contato com o advogado que representa a IURD. E responderam que as adoções foram legais. Agora estão pedindo direito de resposta e tentando desqualificar o bispo Alfredo Paulo [um dos entrevistados], que por sete anos foi responsável pela IURD em Portugal e outros dezoito países da Europa. Mas ele não sabia do caso. Ele criou um blog e fala sobre a IURD [blog A outra face]. Ele não sabia. Foi surpreendido com o caso de Portugal. Apenas nos contou sua experiência ao adotar e disse que achava que os meninos da Viviane tinham vindo de Portugal.

 

P. Se o caso já se tornou público, por que as mães não aparecem nas imagens?

R. Por proteção, as mães não são identificadas. O MP sabe quem elas são. E a IURD também. O maior problema em Portugal são os fanáticos. Nossa página da Internet está sendo invadida. Acreditamos que por ordens do bispo. Temos provas de que foi um processo ilegal. Mas o caso não é sobre a IURD. Se fosse a Igreja Católica, daríamos a mesma cobertura. Quem levou as crianças é que tem que responder. Não fizeram em benefício da igreja, mas em benefício próprio. Mas é mais fácil se esconder atrás do escudo da IURD.

 

P. Vocês alegam que o lar era ilegal, mas admitem que o próprio departamento de Segurança Social mandava crianças para lá...

R. Esse lar só veio a ter convênio com o Estado a partir de 2004. A própria Segurança Social não sabia que era ilegal. Há uma responsabilidade do Estado português a ser investigada, porque aqui não se pode entregar uma criança do jeito que foi feito.

 

P. Não é a primeira vez que a IURD é envolvida em investigações e nunca houve uma condenação. Qual a expectativa com esse caso?

R. No passado houve tentativas de investigação sobre o dinheiro da IURD em Portugal. Mas nunca deu em nada. Em 1995, lembro que a IURD tentou comprar um cinema no Porto, mas enfrentou resistência local e passaram a fazer as coisas na calada. Desta vez, o MP ficou muito intrigado e deve levar até as últimas consequências. É mais fácil investigar adoção do que o dinheiro. As testemunhas já confirmaram que vão falar em Juízo, mas sabemos que alguns crimes estão prescritos.

 

P. De quais crimes estamos falando?

R. Os meninos foram entregues como encomenda e hoje isso é classificado como tráfico de criança. Mas esse crime não estava tipificado na lei na época. O tráfico de crianças entrou na lei apenas em 2007. Muitos defendem que o que aconteceu foi um sequestro, já que as mães nunca autorizaram a adoção. Mas a investigação vai além de Viviane e Edir Macedo. Agora que saiu a reportagem, estamos recebendo e-mails de pessoas que tinham filhos no lar e eles desapareceram. Com as novas denúncias, continuaremos investigando.

 

P. A reportagem mostra que a política de adoção é algo defendido pela IURD. Por quê?

R. Júlio Freitas e Renato Cardoso, maridos das filhas de Edir Macedo, fizeram vasectomia por orientação da IURD. Mas as filhas do bispo queriam filhos. A saída encontrada por Macedo foi a história de que todos da igreja poderiam adotar. Eles vendem a família perfeita, que, inclusive, ao invés de botar criança no mundo, adota. O lar foi o veículo que eles encontraram para facilitar o processo. A única coisa que não conseguimos explicar é por que adotar em Portugal, se, talvez, eles tivessem mais facilidade no Brasil.

 

 

 

16
Nov17

Uma adolescente estadunidense de 19 anos vende a virgindade por 3 milhões de dólares e as crianças brasileiras por um pedaço de pão

Talis Andrade

virgindade giselle .jpg

Uma modelo norte-americana vendeu sua virgindade por 3 milhões de dólares (aproximadamente R$ 9,6 milhões) para um empresário de Abu Dhabi. Apenas identificada como Giselle, a jovem de 19 anos, fez a transação através de um site de leilões alemão. "Eu nunca imaginei que o lance chegaria tão alto. É um sonho que se tornou realidade", disse Giselle ao jornal Daily Mail. Ela declarou estar contente com o resultado e afirma que vai usar o dinheiro para pagar os custos da faculdade, comprar uma casa nova e viajar pelo mundo. Três milhões por uma única relação, o preço da estadunidense. No Brasil, 500 mil crianças, diariamente, têm cerca de oito a dez relações por dia com diferentes parceiros, e o dinheiro fica com os negociantes da noite, inclusive do turismo sexual realizado até em hotéis de cinco estrelas. Não estão nesta contagem maldita das 500 mil escravas sexuais, as meninas que vendem o corpo por um pedaço de pão no Brasil da tradição do incesto que não é crime, da cultura do estupro, da curra nas escolas, do casamento de menores, de campanhas entre estudantes do primeiro grau para as meninas perderam a virgindade antes mesmo da primeira menstruação.

virgindade .jpg

A jovem Giselle foi muito criticada por sua decisão, mas se defendeu dizendo que o que fez foi um ato de emancipação sexual. "Sou eu que decido se quero perder a virgindade com alguém que eu não amo", explicou.

"O fato de mulheres poderem fazer o que quiserem com seus corpos e terem a coragem de viver suas sexualidades livres de críticas é uma forma de emancipação", defendeu. Um funcionário de comunicação do site de leilões anunciou que a página "possui um vídeo onde meninas de todo o mundo falam sobre as razões para vender a virgindade". Segundo um funcionário do site de leilões, a proposta só mostra que a demanda por virgens no mundo dos empresários é alta. O segundo lance mais alto foi feito por um ator de Hollywood.

Giselle disse que tinha planejado vender sua virgindade antes de descobrir sobre Escortes da Cinderela, mas decidiu que era mais seguro trabalhar com uma agência. A agência aumentou a fama mundial após o leilão em 2016 de Aleexandra Khefren, um modelo romeno de 18 anos que vendeu sua virgindade por 2,3 milhões de euros (£ 2 milhões) para um empresário sem nome de Hong Kong. Vinte por cento de cada leilão são cobrados pela Escravidão de Cinderela, de acordo com a mídia local. O homem por trás do site de escortes mais famoso da Alemanha é Jan Zakobielski, de 27 anos, que administra o negócio de Dortmund, e compara a virgindade de uma mulher com um "vinho muito antigo" ou um "carro de luxo". Um porta-voz da Cinderella Escorts disse: "No nosso site, você encontrará um vídeo onde meninas de todo o mundo falam sobre os motivos para vender sua virgindade. "O alto lance para o leilão de Giselle nos mostra quão alta é a demanda por virgens. Pessoas empresárias de todo o mundo estão participando.

13
Nov17

A justiça e o trabalhador no seu devido lugar

Talis Andrade

AUTO_jarbas.jpg

 

Ato inaugural José Cairo Junior, juiz do trabalho da Bahia, proferiu dura sentença contra um empregado no sábado (11), baseando-se na nova legislação trabalhista.

 

Não deu. O funcionário havia processado o empregador por ter sido assaltado a mão armada pouco antes de sair para a firma. Pedia R$ 50 mil, mas foi obrigado a desembolsar R$ 8.500 por litigância de má-fé e pelas custas da ação.

Folha de S. Paulo

 

 

Para você entender melhor a lei trabalhista, o ato da pedra inaugural do juiz José CAIRO Junior, a pedra jogada nos trabalhadores vigiados pela justiça do trabalho

 

ivan.jpg

 

 

Na escravidão legal existiam os castigos corporais aprovados por Lei. A justiça nomeava e considerava o escravo uma "peça".

 

O que é legal não é tortura.
A tortura psicológica é mais eficaz que a física.

 

O que é um juiz hoje ?
Um capataz .
Um capataz das grandes e médias empresas.


Assim os tribunais do trabalho provam para as elites a necessidade de continuarem existindo.

 

AUTO_edcarlos-1.jpg

 

 

Na escravidão quem perseguia os escravos fugitivos?
Os tenentes do exército brasileiro.


Foi a revolta dos oficiais - que não queriam mais exercer esse ofício sujo - que deu força para a princesa Isabel assinar a Lei Áurea, hoje letra-morta com a reforma trabalhista de Temer.

Foi assinar e perder o trono.
Perdeu para a ditadura implantada por Deodoro, que considerado frouxo, foi substituído por outro marechal, o Floriano.
Uma ditadura militar que ficou devendo a reforma agrária para os negros sem terra.

 

AUTO_brum.jpg

 

 

Os negros libertos foram substituídos pelos emigrantes. Camponeses e operários 'brancos' de diferentes países.
Os negros são considerados inferiores porque descendentes de escravos.
Acontece que os branquelos com nomes europeus, asiáticos, judeus e árabes, que comandam a economia, a política, a justiça, as forças armadas do Brasil são todos descendentes desses emigrantes, que retirantes das guerras, da fome, do desemprego, dos holocaustos raciais, do fanatismo religioso, da perseguição de governos ditatoriais fugiram para o Brasil para realizar o trabalho escravo, para substituir o negro escravo nos serviços humilhantes e pesados. Essa ascendência pobre, tão escrava quanto a negra africana, todos negam.

 

Se Rui Barbosa queimou os arquivos da escravidão para negro rico se passar por branco, o mesmo faz hoje as elites desse Brasil de mãe índia estuprada, de mãe negra fecundada para parir filhos para vender no mercado de escravos legalizado pela justiça do trabalho e pela justiça ppv

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D