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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

27
Abr21

ONDE ESTÃO AS TRÊS CRIANÇAS DESAPARECIDAS EM BELFORD ROXO?

Talis Andrade

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Chico Alencar
@chico_psol
Lucas Matheus, 8 anos Alexandre da Silva, 10 anos Fernando Henrique, 11 anos Hoje, 27 de abril, faz quatro meses que três crianças, moradoras de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, estão desaparecidas.
 
09
Abr20

Ignorados pelos EUA, imigrantes ilegais apelam ao governo brasileiro por ajuda

Talis Andrade

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Brasileiros sem documentos não têm direito ao auxílio de US$ 1,2 mil aprovados recentemente pelo governo americano

 

por Mariana Sanches e Rafael Barifouse
Da BBC News 

Consultado, o Itamaraty informou que não teria como consolidar os números de pedidos de ajuda de brasileros em situação de "desvalimento" nos Estados Unidos em tempo hábil. Mas segundo a BBC News Brasil apurou, na última semana, apenas o consulado em Boston recebeu mais de 900 pedidos de ajuda, e o número tende a aumentar conforme a quarentena se prolongue.

"Nas últimas 48 horas, mais de cem brasileiros nos procuraram em busca de auxílio financeiro: quase ninguém pagou o aluguel, muita gente com criança pequena e há semanas sem receber nenhum dinheiro", afirma Tiago Prado, um dos líderes comunitários brasileiros na região de Boston que ajuda a organizar e encaminhar as demandas dessas pessoas para instituições de caridade e autoridades brasileiras.

Por decisão judicial, ordens de despejo estão suspensas por enquanto, e a orientação de ONGs e líderes comunitários é de que as pessoas deixem de pagar o aluguel e mantenham o dinheiro que têm em mãos para gastos com comida e remédio.

"Não posso pagar o aluguel e ficar sem ter o que comer", resume André*, de 27 anos, há cinco anos, morador de Nova York, a megalópole do Estado mais afetado pelo coronavírus, que responde sozinho por 150 mil casos.

A cidade está em quarentena total desde 22 de março. André perdeu o emprego de garçom antes disso, e viu todas as outras formas de trabalho desaparecerem. Sem recursos e sem visto, tomou uma decisão drástica: saiu de sua própria casa para sublocar o espaço e conseguir alguma renda.

Nesse período, foi morar com um amigo, dono de um restaurante, que tentar salvar o que restou do negócio apostando no delivery. Em troca do teto, André faz as entregas do restaurante. Ele diz que teme se contaminar, mas que não vê outra opção a não ser sair por aí com refeições sob o braço para arrumar um jeito de viver. André não possui convênio médico, e os EUA não contam com um sistema universal de saúde pública. Seu alívio é saber que o Congresso americano aprovou uma lei que obriga o Estado a custear testes e tratamento de saúde para quem contraia o vírus, independente de convênio ou de status migratório.

Embora a expectativa inicial seja de que a quarentena dure até o dia 30 de abril, André acredita que a situação vai se estender até o fim de junho, o que é provável, considerando-se que os EUA se converteram no novo epicentro global da doença no mundo. Hoje, a cada quatro infectados, um está no país: são mais de 400 mil contaminados e 15 mil mortos. E o pico da epidemia, de acordo com a projeção da Casa Branca, acontecerá por volta do dia 15 de abril. Transcrevi trechos. Leia mais 

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08
Abr20

O Papa: Deus converta os Judas de hoje, mafiosos e agiotas que exploram necessitados

Talis Andrade

Judas Iscariotes foi Predestinado a Trair Jesus Cristo ?

Na Missa esta quarta-feira (08/04), Francisco rezou ao Senhor a fim de que toque o coração dos que se aproveitam daqueles que se encontram necessitados nesta crise causada pela pandemia de coronavírus. Na homilia, falou da traição de Judas, daqueles que vendem as pessoas, inclusive seus entes queridos, para lucro pessoal

O Papa Francisco presidiu a Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, manhã desta quarta-feira (08/04) da Semana Santa. Ao introduzir a celebração, rezou pela conversão daqueles que neste momento exploram quem se encontra necessitado:

Rezemos, hoje, por aqueles que neste tempo de pandemia fazem comércio com os necessitados. Aproveitam-se da necessidade dos outros e os vendem: os mafiosos, os agiotas e tantos outros. Que o Senhor toque o coração deles e os converta.

Na homilia, Francisco comentou o Evangelho de Mateus (Mt 26,14-25), que nos fala da traição de Judas. Também hoje – disse o Papa – existem Judas, pessoas que traem, inclusive seus entes queridos, vendendo-os, para interesses próprios. Também hoje existem pessoas que querem servir a Deus e ao dinheiro, exploradores escondidos, aparentemente impecáveis, mas fazem comércio com as pessoas: vendem o próximo. Judas deixou discípulos, discípulos do diabo. Judas era apegado ao dinheiro: quem demasiadamente ama o dinheiro, trai. Mas é traído pelo diabo, que é um mau pagador e deixa no desespero. E caba por enforcar-se. O Papa pensou nos muitos Judas institucionalizados que hoje exploram as pessoas e também nos pequenos Judas que estão em nós: cada um de nós tem a possibilidade de trair, por amor ao dinheiro ou aos bens. A seguir, o texto da homilia transcrita pelo Vatican News:

Quarta-feira Santa é também chamada “quarta-feira da traição”, o dia no qual na Igreja se ressalta a traição de Judas. Judas vende o Mestre.

Quando pensamos no fato de vender pessoas, vem em mente o comércio feito com os escravos da África para levá-los para a América – uma coisa antiga –, depois o comércio, por exemplo, das jovens yazidis vendidas ao Isis: mas é coisa distante, é uma coisa… Também hoje pessoas são vendidas. Todos os dias. Existem Judas que vendem os irmãos e as irmãs, explorando-os no trabalho, não pagando o justo, não reconhecendo os deveres… Aliás, muitas vezes vendem o que têm de mais precioso. Penso que por comodidade, um homem é capaz de distanciar os pais e não mais vê-los, colocá-los numa casa de repouso e não ir visitá-los… vende. Há um ditado popular que, falando de pessoas assim, diz que “este é capaz de vender a própria mãe”: e a vendem. E então ficam tranquilos, foram distanciados: “Cuidem vocês deles…”

Hoje, o comércio humano é como nos primeiros tempos: se faz. E isso porquê? Jesus disse o porquê. Ele deu ao dinheiro uma senhoria. Jesus disse: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”, dois senhores. É a única coisa que Jesus coloca à altura e cada um de nós deve escolher: ou serve a Deus, e será livre na adoração e no serviço, ou serve ao dinheiro, e será escravo do dinheiro. Essa é a opção e muita gente quer servir a Deus e ao dinheiro. E isso não se pode fazer. Acabam fazendo finta de servir a Deus para servir ao dinheiro. São os exploradores escondidos que socialmente são impecáveis, mas por debaixo dos panos comercializam, inclusive com as pessoas: não importa. A exploração humana é vender o próximo.

Judas foi embora, mas deixou discípulos, que não são seus discípulos, mas do diabo. Não sabemos como foi a vida de Judas. Um jovem normal, talvez, e também com inquietações, porque o Senhor o chamou para ser discípulo. Ele jamais conseguiu sê-lo: não tinha boca de discípulo e coração de discípulo, como lemos na primeira Leitura. Era fraco no discipulado, mas Jesus o amava… Depois o Evangelho nos faz entender que ele gostava do dinheiro: na casa de Lázaro, quando Maria unge os pés de Jesus com aquele perfume tão caro, ele faz a reflexão e João ressalta: “Mas não disse isso porque amava os pobres, (mas) porque era ladrão”. O amor ao dinheiro o tinha levado para fora das regras, a roubar, e do roubar a trair é um passo, muito pequeno. Quem demasiadamente ama o dinheiro trai para ter mais ainda, sempre: é uma regra, é um dado de fato. O Judas garoto, talvez bom, com boas intenções, acaba traidor a ponto de ir ao mercado vender: “O que me dareis se vos entregar Jesus?” A meu ver, este homem estava fora de si.

Uma coisa que chama a minha atenção é que Jesus jamais lhe diz “traidor”; diz que será traído, mas não diz a ele “traidor”. Jamais o diz: “Va embora, vá embora, traidor”. Jamais! Aliás, lhe diz: “Amigo”, e o beija. O mistério de Judas… Como é o mistério de Judas? Não sei… Padre Primo Mazzolari o explicou melhor do que eu… Sim, me consola contemplar aquele capitel de Vezelay: como Judas acabou? Não sei. Jesus ameaça veementemente, aqui; grande ameaça: “Ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!” Mas isso significa que Judas está no Inferno? Não sei. Eu olho o capitel. E ouço a palavra de Jesus: “Amigo”.

Mas isso nos faz pensar em outra coisa, que é mais real, mais que hoje: o diabo entrou em Judas, foi o diabo a levá-lo a este ponto. E como acabou a história? O diabo é um mau pagador: não é um pagador confiável. Promete-lhe tudo, lhe mostra tudo e depois o deixa sozinho em seu desespero a enforcar-se.

O coração de Judas, inquieto, atormentado pela ganância e atormentado pelo amor a Jesus, um amor que não conseguiu fazer-se amor, atormentado com essa névoa, volta aos sumos sacerdotes pedindo perdão, pedindo salvação. “O que temos a ver com isso?” O problema é seu…”: o diabo fala assim e nos deixa no desespero.

Pensemos nos muitos Judas institucionalizados neste mundo, que exploram as pessoas. E pensemos também no pequeno Judas que cada um de nós tem dentro de si na hora de escolher: entre lealdade ou interesse. Cada um de nós tem a capacidade de trair, de vender, de escolher o próprio interesse. Cada um de nós tem a possibilidade de deixar-se atrair pelo amor ao dinheiro ou aos bens ou ao bem-estar futuro. “Judas, onde estás?” Mas, a pergunta, a faço a cada um de nós: “Tu, Judas, o pequeno Judas que tenho dentro: onde estás?”

O Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando a fazer a Comunhão espiritual. A seguir, a oração recitada pelo Papa:

Aos vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e vos ofereço o arrependimento do meu coração que mergulha no seu nada na Vossa santa presença. Eu vos adoro no Sacramento do vosso amor, a inefável Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que meu coração vos oferece. À espera da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-vos em Espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em vós, espero em vós. Amo-vos. Assim seja.
Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada uma antiga antífona mariana Ave Regina Caelorum (“Ave Rainha dos Céus”):

Ave, Rainha do céu; ave, dos anjos Senhora; ave, raiz, ave, porta; da luz do mundo és aurora. Exulta, ó Virgem gloriosa, as outras seguem-te após; nós te saudamos: adeus! E pede a Cristo por nós!

 

13
Nov19

Brasileiros que idolatram Bolsonaro comandam rede de prostituição e tráfico humano em Londres

Talis Andrade

Família brasileira é presa por comandar império de prostituição e drogas em Londres. Na internet eles colecionavam elogios por ostentar Rolls Royce, Ferrari e Lamborghini. E criticavam a corrupção no Brasil com postagens antipetistas e lavajatistas. “Os corruptos piram”, diziam

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Bandido Raul Sacchi fez campanha para Bolsonaro

 

Kiko Nogueira, DCM

A BCC deu matéria sobre uma gangue familiar presa em Londres por comandar uma ‘império’ que compreendia bordéis, prostituição e drogas.

Nas redes sociais eles colecionavam elogios de parentes, amigos e curiosos por ostentar com jetskis, um Rolls Royce, uma Ferrari e uma Lamborghini.

Numa das cidades mais caras do mundo, criticavam a corrupção no Brasil com postagens antipetistas e lavajatistas. “Os corruptos piram”, diziam.

O que a BBC não fala é quem era o ídolo dos bandidos: Jair Bolsonaro, claro. No Facebook do trio, o mito é onipresente.

O casal de paulistas Flavia Xavier-Sacchi (23) e Renato Dimitrov Sacchi (43), e o irmão dele, Raul Sacchi (49), foram condenados e presos.

Flavia e Renato confessaram a culpa e pegaram 8 anos de prisão. Raul pegou 9 anos e dois meses de cana. A quadrilha empregava pelo menos outros cinco brasileiros e faturava milhões de libras por ano, segundo a Scotland Yard, que trabalhou por mais de um ano com agentes infiltrados à paisana no esquema, descrito como "uma rede sofisticada de prostíbulos, pelos quais vendiam drogas e controlavam prostitutas, gerando lucros acima de um milhão de libras" - ou mais de cinco milhões de reais - por ano.

Toda a investigação começou a partir da denúncia de uma jovem brasileira, que procurou a polícia em abril de 2017.
A mulher, cuja identidade foi preservada, contou que foi forçada a trabalhar nos bordéis da quadrilha durante dois meses e que os brasileiros diziam que matariam a família dela no Brasil, caso ela tentasse deixar a prostituição. Com ajuda de autoridades britânicas, ela conseguiu fugir - a polícia, por sua vez, começou a visitar os bordéis e flagrar funcionários vendendo drogas, especialmente cocaína.

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Casal Flávia-Renato Sacchi e Raul Sachi

 

As batidas policiais continuaram e outros quatro brasileiros - Maria Carvalho, Tony Simão, Henim Almeida e Anna Paula De Almeida Prudente - foram presos por participação no esquema.

A família Sacchi foi presa em 7 meses antes do julgamento, em fevereiro deste ano. Na casa de Renato e Flavia, a polícia encontrou £ 50 mil libras (ou mais de R$ 250 mil) em dinheiro, dois tasers e uma lata de gás de pimenta - os artefatos eram usados, junto a bastões de beisebol, na segurança dos prostíbulos.

Em aparelhos de telefone confiscados, os investigadores encontraram uma série de trocas de mensagens pelo WhatsApp em que os réus discutiam métodos de segurança e detalhes sobre a operação dos bordéis. Em um dos grupos, Raul Sacchi escreveu: "Não existe isso de garotas cansadas. Elas estão ali para trabalhar."

Em 1 de abril de 2018 escreveu Renato Sacchi: "PT a maior organização criminosa do mundo"; em 5 de setembro de 2018 confessou: Ä certeza que fiz a escolha certa só aumenta. #Eu voto Bolsonaro 17". Confira aqui
18
Ago19

Após sete meses, Damares não gastou um centavo com a Casa da Mulher Brasileira

Talis Andrade

Apesar de orçamento de mais de 13 milhões de reais, ministra não desembolsou recursos para o programa de atendimento a mulheres vítimas de violência

18
Abr19

A cada hora, oito pessoas desaparecem no Brasil

Talis Andrade
Presidenta da ONG Mães da Sé
aponta descaso do poder público

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Pelo menos oito pessoas desaparecem por hora no Brasil, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública para uma pesquisa do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O levantamento mostra que, de 2007 a 2016, 693.076 boletins de ocorrência registraram o sumiço de pessoas, uma média de 190 por dia.

O estado de São Paulo lidera as estatísticas do período, com 242 mil desaparecimentos. Na avaliação da presidenta da ONG Mães da Sé, Ivanize Santos, o quadro, além de preocupante, é resultado direto do descaso com que são tratados os casos pelas esferas governamentais. "Nós vivemos no estado mais rico da federação e que não tem políticas públicas voltadas para o amparo às famílias que perderam um ente querido por desaparecimento", afirma Ivanize, em entrevista ao Seu Jornal, da TVT (vídeo abaixo).

Há 23 anos na luta pela causa, desde que sua filha, então com 13 anos, desapareceu, Ivanize cobra do poder público o cumprimento da legislação definida, por exemplo, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que, no artigo 87, atribui ao município a responsabilidade de criar mecanismos para a localização de jovens desaparecidos. "Quem é que sai prejudicado com essa ausência, abandono e negligência? Somos nós", lamenta a presidenta da ONG Mães da Sé.

Em 2017, o ano terminou com 82.684 registros de desaparecimentos, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública – naquele ano a média foi de 226 desaparecimentos por dia no país.

 

12
Fev19

Papa Francisco: "Um Grito pela Vida" no Brasil

Talis Andrade

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No Angelus deste último domingo, o Papa Francisco recordou o Dia de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Seres Humanos, celebrado em 8 de fevereiro, festa de Santa Josefina Bakhita.

Ao rezar com os fiéis na Praça S. Pedro a oração a Santa Bakhita, o Pontífice fez também um apelo aos governos para que enfrentem com decisão as causas deste flagelo.


Porém, Francisco recordou que todos "podemos e devemos colaborar, denunciando os casos de exploração e escravização de homens, mulheres e crianças".

 

Um Grito pela Vida

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É justamente nesta linha que trabalha a Rede “Um Grito pela Vida” no Brasil.


A Rede de religiosas se dedica sobretudo no setor da prevenção, como explica a Ir. Glória Caixeta, falando de modo especial do núcleo de Manaus: Ouça a reportagem aqui

 

Papa pede para combater e denunciar tráfico de seres humanos

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"Eu faço um apelo especialmente aos governos, para que sejam enfrentadas com decisão as causas deste flagelo e as vítimas sejam protegidas", foi o pedido do Pontífice no Angelus deste Domingo.
Jackson Erpen – Cidade do Vaticano
Após rezar o Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Papa Francisco recordou que há dois dias, na memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita, realizou-se o quinto "Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas", e fez um forte apelo aos governos para combaterem este mal. Muitas religiosas que trabalham com esta realidade estavam na Praça, entoando o lema em alta voz e aplaudindo o Pontífice:

“O lema deste ano é 'Juntos contra o tráfico' (aplausos na Praça). Mais uma vez! (fiéis repetem): 'Juntos contra o tráfico'! Não esqueçam isto. Convida a unir forças para vencer este desafio. Agradeço a todos que lutam nesta frente, em particular tantas religiosas. Eu faço um apelo especialmente aos governos, para que sejam enfrentadas com decisão as causas deste flagelo e as vítimas sejam protegidas. Todos, porém, podemos e devemos colaborar denunciando os casos de exploração e escravização de homens, mulheres e crianças".
Oração pedindo a intecessão de Santa Bakhita

 

Oração pedindo a intecessão de Santa Bakhita

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O Santo Padre enfatizou que "a oração é a força que sustenta o nosso esforço comum", motivo pelo qual convidou os presentes a rezarem juntos com ele a oração a Santa Josefina Bakhita, que havia sido distribuída precedentemente aos presentes na Praça São Pedro:
"Santa Josefina Bakhita, que quando criança foste vendida como escrava e tiveste que enfrentar dificuldades e sofrimentos indescritíveis.
Uma vez libertada da escravidão física, encontraste a verdadeira redenção no encontro com Cristo e sua Igreja.
Santa Josefina Bakhita, ajuda todos aqueles que estão presos na escravidão.
Em nome deles, intercede junto ao Deus da misericórdia, de modo que as cadeias de seu cativeiro possam ser quebradas.
Que Deus mesmo possa libertar todos aqueles que foram ameaçados, feridos ou maltratados pelo tráfico de seres humanos. Leva alívio àqueles que sobrevivem a esta escravidão e ensina a eles a ver Jesus como modelo de fé e esperança, de forma que possam curar suas feridas. Te suplicamos para rezar e interceder por todos nós: para que não caiamos na indiferença, para que abramos os olhos e possamos olhar as misérias e as feridas de tantos irmãos e irmãs privados de sua dignidade e de sua liberdade e ouvir o seu clamor de ajuda. Amém".

 

Intenção de oração para fevereiro: rezar pelas vítimas do tráfico

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“Mesmo que tentemos ignorá-la, a escravidão não é algo de outros tempos", alertou o Santo Padre no vídeo da Rede Mundial de Oração do Papa, com a intenção de oração para o mês de fevereiro. "Perante esta trágica realidade, não podemos lavar as mãos se não quisermos ser, de certa forma, cúmplices destes crimes contra a humanidade”.
O Pontífice ressalta ainda que “não podemos ignorar que hoje há escravidão no mundo, tanto ou talvez mais do que antes. Rezemos pelo acolhimento generoso das vítimas do tráfico de pessoas, da prostituição forçada e da violência”.
São milhões de pessoas obrigadas a fugir diariamente de suas terras, devido à guerra, fome, perseguições políticas, religiosas ou situações de pobreza extrema, enfrentando abusos de todo tipo. O que por outro não vemos são as organizações criminosas que lucram com isso, escravizando homens, mulheres e crianças, no trabalho ou sexualmente, para o comércio de órgãos, para fazê-los mendigar ou entrar na delinquência. Veja vídeo

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15
Mai18

O me engana que eu gosto do juiz Moro e do general Braga

Talis Andrade

Onde residem os ladrões do Brasil?

 

Sergio Moro, um juiz que imita Fernando Color na caça aos marajás, armado com a espada cega da justiça, procura os bruxos no Partido dos Trabalhadores, precisamente no Instituto Lula. Parece o general interventor de Temer, que faz o mesmo intinerário da polícia militar, a buscar os chefes do tráfico de drogas nas favelas dos miseráveis na ex-Cidade Maravilhosa, Capital do Samba, que virou Rock Rio. Quando a droga é transportada no helicoca do senador Perrella e morcegos negros da frota do assassinado PC Farias, que tem Alberto Youssef como sucessor.

 

O general do Exército Walter Souza Braga Netto, que lidera tropas em um regime capitalista, esquece o poder do dinheiro transportado pelos doleiros. Jamais quis ouvir Youssef. Assim como Moro jamais ameaçou os mil vezes milionários políticos do PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira.

 

Que palhaçada! Como é possível prender um chefe do tráfico sem ouvir um doleiro? Para realizar a intervenção militar, o general Braga solicitou 4,1 bilhões de reais, o preço de duas hidroelétricas vendidas por Temer, um bilhão a mais do valor que FHC entregou a Vale aos piratas internacionais. 

 

Onde está o dinheiro? Onde residem os bandidos do assalto ao Banco do Estado do Paraná - BanEstado, dos leilões quermesses da Vale do Rio Doce, do Pré-Sal, das hidroelétricas, das estatais de energia, de telefone, de água, de gás, dos tráficos de moedas, de minérios, de ouro, de diamantes, de nióbio, de plantas medicinais, de madeira nobre, de drogas, de armas, de pessoas ...? 

 

Procurem nos endereços dos bilionários, nas ruas mais caras do mundo, nos resorts de luxo, nos paraísos fiscais. Esta semana a imprensa estrangeira revelou que em Fisher Island, a ilha encantada das grandes fortunas dos EUA, dez por cento dos moradores são brasileiros.

 

Fisher Island – Um oásis de primeira classe

 

Por Sandra Prieto

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Fisher Island é uma ilha que se localiza no extremo sul de Miami Beach, logo ao norte do Porto de Miami, e de acesso restrito a moradores, convidados e hóspedes. Nenhuma estrada ou ponte conecta a ilha ao resto da cidade, a única maneira de chegar à Fisher Island é por balsa ou barco. O passeio é tão bonito quanto o lugar. André Agassi, Oprah Winfrey e Julia Roberts estão entre as celebridades que tem casa na ilha.

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A ilha foi criada em 1905 por um projeto de dragagem e recuperação da orla de Miami Beach. A construção de Fisher Island começou em 1919, quando Carl G. Fisher, um construtor, comprou a propriedade.

Depois de anos de batalhas judiciais e mudanças de proprietários, o desenvolvimento da ilha foi finalmente iniciado na década de 1980, trazendo uma arquitetura inspirada nos casarões originais de estilo espanhol. Embora não seja mais uma ilha de uma única família, Fisher Island ainda permanece algo inacessível...

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... tão exclusivo quanto foi nos dias iniciais de sua existência, fornecendo um refúgio de muita tranquilidade. A ilha contém mansões, um hotel resort, vários edifícios residenciais, um observatório e uma marina privada.

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13
Mai18

Brasil um dos únicos grandes países agroexportadores que nunca fez reforma agrária

Talis Andrade

O escravo não era preso. A pena era transformada em açoite. A tortura a polícia reserva para os pobres sempre

 

Amanda Rossi entrevista Luiz Felipe de Alencastro

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Luiz Felipe de Alencastro, autor de 'Trato dos Viventes', é um dos maiores especialistas em escravidão

 

 

BBC Brasil - Já se disse que as grandes transformações do Brasil ocorreram sem participação popular, pelas mãos da elite política e econômica. A independência, a abolição, a República. Mas isso é verdade para a abolição?
Alencastro - José Bonifácio de Andrada, que era uma espécie de primeiro-ministro logo depois da independência do Brasil, mandou um projeto para a Assembleia Constituinte, prevendo a abolição progressiva do tráfico e da escravidão. Já naquele momento, a classe dirigente, o corpo da administração imperial tinham perfeita noção de que manter o tráfico de escravos criaria um impasse. Porque a Inglaterra deixara claro que só reconheceria a independência se o Brasil acabasse com o tráfico. E o governo inglês, nessa época, tinha uma importância enorme. Era como se fosse a ONU (porque garantia o reconhecimento diplomático internacional), o FMI (porque emprestava dinheiro para o governo) e a OIT (porque vetava a importação de africanos, mão-de-obra essencial no Brasil) juntos, com uma força naval que desde a batalha de Trafalgar (1805) mandava em todos os mares.
Quando a Inglaterra começou a pressionar mais fortemente, os dirigentes brasileiros cederam, prometendo acabar com o tráfico a médio prazo. Em 1831 é votado o fim do tráfico. Porém, sobretudo no Rio, e em menor medida na Bahia e no Recife, se organizam redes comércio semiclandestino de escravizados africanos. Só em 1850 , o comércio de africanos acabou de fato. Acabou de uma vez. Caiu de 60 mil africanos desembarcados em 1849 para 6 mil em 1851. Como? Porque houve um conchavo entre traficantes e governo. Se amanhã acabar o tráfico de cocaína na Colômbia, não é porque o consumo de cocaína acabou e de um dia para o outro os policiais ficaram virtuosos.


BBC Brasil - Que conchavo foi esse?
Alencastro - Os traficantes foram prevenidos antes que o tráfico ia acabar e foram tirando o dinheiro. Houve uma negociação entre a classe dirigente (a administração imperial) e a classe dominante (os fazendeiros, as oligarquias regionais). O governo propôs uma lei de imigração para trazer trabalhadores rurais, uma estrada de ferro na região cafeeira - porque o transporte era feito em lombo de mula - e a redução das tarifas de exportação de café.


BBC Brasil - Depois que o tráfico acabou, qual passou a ser a estratégia do Império?
Alencastro - Quando acaba o tráfico de escravos, acaba a fonte de reprodução externo do sistema escravista. Depois há a Lei do Ventre Livre em 1871 (que declarou livres os filhos de mães escravas que nascessem a partir daquela data). Isso estanca outra fonte de reprodução da escravidão, que é a reprodução demográfica interna.

Dessa forma, houve uma estratégia gradualista para acabar com a escravidão.


Este gradualismo se resume nesta ideia: a escravidão acaba quando o último escravo morrer. Essa era a estratégia do Império. Aí ninguém perde dinheiro. Mas surge então o abolicionismo. É um movimento como as Diretas já!: abolição já! Não tem que esperar até o último escravo morrer para acabar com a escravidão. Vamos abolir já, e sem indenização para os proprietários de escravos. Joaquim Nabuco (político abolicionista) afirmou que o Brasil não tinha dinheiro para pagar os crimes que cometeu.

 

BBC Brasil - Qual foi a participação do movimento abolicionista? E o povo, participou?
Alencastro - O abolicionismo se acentuou na década de 1880. Há importante liderança negra. Luís Gama, André Rebouças, José do Patrocínio, que se batiam nos tribunais e nos jornais. Esses são os heróis. Também há muita gente anônima que participou. Houve movimentos organizados para dar fuga a escravos, por exemplo. Aqui em São Paulo, havia o grupo do Antônio Bento, os Caifazes. Havia um grupo em Recife, que ajudava os escravos a fugirem para o Ceará, onde a maioria dos municípios já não tinha mais escravos desde 1884, onde os escravocratas eram minoritários . Já o Rio de Janeiro era a província onde o escravismo era mais renitente. Em São Paulo, o oeste do Estado já estava apostando na imigração porque havia muita fuga, e a fuga é uma forma de revolta, dos escravos comprados no Nordeste. Essas ações acentuaram a crise do escravismo.


BBC Brasil - Também se falava de reforma agrária, dar terras para os ex-escravos.
Alencastro - A reforma agrária não estava na pauta da maioria dos abolicionistas. Foi uma radicalização de uma parte minoritária. André Rebouças, um engenheiro negro com muito prestígio, tinha um programa para criar um imposto territorial sobre as fazendas improdutivas e fundar cooperativas de pequenos camponeses. Nabuco, nos anos 1880, foi porta-voz dessas reinvindicações. Mas no final, a ideia de reforma agrária capotou.


BBC Brasil - Por quê?
Alencastro - A maior parte do movimento republicano fechou com os latifundiários para trazer imigrantes que trabalhassem nas fazendas e não mexer na propriedade rural. Essa virada dos republicanos jogou Nabuco, Rebouças e outros no escanteio e os fez apoiar a monarquia até o fim. Depois disso, (no livro) "Minha Formação" (1900), Nabuco renega sua juventude abolicionista e faz uma declaração monarquista que constitui uma das frases mais infames da história da política brasileira: "Tenho convicção de que a raça negra por um plebiscito sincero e verdadeiro teria desistido de sua liberdade para poupar o menor desgosto aos que se interessavam por ela, e que no fundo, quando ela pensa na madrugada de 15 de novembro (data da proclamação da República), lamenta ainda um pouco o seu 13 de maio".

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André Rebouças defendia dar terras para os escravos que fossem libertos

 

 

BBC Brasil - O projeto de reforma de Rebouças e Nabuco poderia ter ido para frente?
Alencastro - A relação de forças não era favorável. Não havia um movimento camponês a favor da reforma agrária, ou uma base popular lutando pelo o direito à terra. No final das contas, o Brasil é um dos únicos grandes países agroexportadores que nunca fez reforma agrária.


BBC Brasil - Além do campo, também havia muita escravidão nas cidades?
Alencastro - Se você somar a proporção de escravos no Rio com Niterói, você tem uma concentração urbana de escravos que não existiu em nenhum outro lugar no mundo, só no Império Romano. No Brasil, a escravidão também tinha essa característica urbana, em uma escala que não ocorreu nas Américas. A escravidão marcava as cidades. Em 1849, o Rio tinha 260 mil habitantes, 110 mil dos quais eram escravos. Isso dá 42% da população.


BBC Brasil - Como foi o dia seguinte à abolição? O que aconteceu com os escravos que se viram livres em 13 de maio de 1888, mas sem compensações, sem apoio do Estado para começar uma vida nova?
Alencastro - Na sequência da abolição, a mão de obra imigrante vai aumentando. Muitos ex-escravos ficam fora do mercado de trabalho na zona rural e, em parte, nas cidades. Mesmo sendo brasileiros, os ex-escravos não tiveram cidadania plena, porque a sua quase totalidade era analfabeta, e o voto do analfabeto foi proibido em 1882, ainda no Império. Este ferrolho para excluir os negros livres e os ex-escravos também atingiu os brancos pobres e analfabetos, como é óbvio. Até 1985, quando o voto deles foi permitido.


BBC Brasil - A escravidão foi um processo de muita violência. Essa violência usada contra os negros acabou quando a escravidão chegou ao fim?
Alencastro - A Constituição brasileira de 1824, no art. 179, proibiu punir crimes com castigo físico. A partir daquele momento, não se podia mais torturar - a inquisição portuguesa havia institucionalizado a tortura como prova, até a pessoa confessar. Vem então o Código Criminal de 1830 que especifica no art. 30: se o condenado for escravo ele não vai para a cadeia, a pena é transformada em açoite. Isso porque se o escravo fosse para cadeia, causaria uma perda de mão-de-obra e dinheiro para o seu senhor. Assim, o escravo era açoitado publicamente, humilhado, torturado. Depois, semanas depois, quando estivesse reestabelecido (do açoitamento), o escravo voltava a trabalhar. Então, a tortura foi legal no Brasil até 1888, mas só para os escravos. Quando a abolição ocorre, a polícia já estava habituada a bater neles. Neles e nos brancos desfavorecidos. Como no caso do voto do analfabeto citado acima, os mecanismos da repressão escravista contaminam a sociedade inteira. Leia mais 

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A tortura era proibida contra brancos; para os escravos, a punição era o açoite

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Abr18

PROFISSIONAIS DO SEXO REPUDIAM OSCAR MARONI E MANIFESTAM APOIO A LULA

Talis Andrade

 

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A Associação Mulheres Guerreiras de Campinas lançou uma carta de repúdio ao empresário Oscar Maroni, um dos maiores empresários voltados à prostituição de luxo no país e que deu uma festa, distribuindo cerveja grátis, no dia em que Lula foi preso; as trabalhadoras falam sobre respeito e dignidade sobre seus corpos; numa cena grotesca da festa, ele expôs o corpo nu de uma profissional do sexo, num cenário em que aparece vestido de presidiário

 

 

 

por Vanessa Ramos - A Associação Mulheres Guerreiras de Campinas lançou nesta quarta-feira 11 uma carta de repúdio ao pré-candidato ruralista nas próximas eleições, Oscar Maroni, um dos maiores empresários voltados à prostituição de luxo no país.

 

Ele não apenas comemorou a prisão política de Luiz Inácio Lula da Silva no último sábado (7), com comentários incentivando o assassinato do ex-presidente dentro da prisão, como também ofereceu cerveja gratuita e expôs o corpo nu de uma profissional do sexo, num cenário em que aparece vestido de presidiário.

 

A imagem viralizou nos últimos dias pela internet, tendo como cenário de fundo as imagens do juiz Sérgio Moro e da ministra Cármen Lúcia, como numa espécie de altar de adoração após o resultado de uma prisão injusta e arbitrária.

 

Na carta, as mulheres reforçam a luta pela garantia de seus corpos e por dignidade e, ainda, manifestam apoio a Lula. "Nós temos lado nessa luta e o nosso lado é contrário a esse machismo que violenta, machuca e mata corpos e mentes diariamente". Em outro trecho afirmam que "existe um Lula em cada uma e em cada um de nós e as suas ideias e seus sonhos seguirão conosco eternamente."

 

Para a ex-ministra de Políticas para Mulheres do governo eleito de Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, as atitudes de Maroni, que não se resumem a este fato, são um retrato do golpe que, segundo ela, é machista, discriminatório e preconceituoso. "Este golpe e esta prisão injusta, comemorados por este senhor que usa as mulheres como objeto de uso sexual é mais uma representação da violência estrutural da sociedade brasileira, que é de classe, de gênero e racial", avalia.

 

NOTA DE REPÚDIO À AGRESSÃO SOFRIDA PELA MULHER E PROFISSIONAL DO SEXO COMETIDA PELO EXPLORADOR OSCAR MARONI

Nós, da Associação Mulheres Guerreiras, profissionais do sexo de Campinas e unidas por respeito, vimos através desta nota registrar nosso repúdio à atitude do empresário paulista Oscar Maroni, dono da casa liberal Bahamas Club, zona sul de SP, no que diz respeito à agressão à profissional do sexo.

 

Estão sendo veiculados na mídia fotos e vídeos desse suposto empresário, em que o mesmo exibe uma mulher nua, sendo agredida na sua dignidade como mulher e como profissional do sexo. Nestas imagens e vídeos, a profissional tem a sua boca tapada e é segurada com gestos grosseiros e agressivos pelo empresário, numa clara atitude machista, oferecendo a mulher como presa aos "homens de bem", defensores da moral e dos bons costumes que comemoravam a prisão do ex-presidente Lula em frente ao seu estabelecimento.

 

É visível que a mulher e profissional do sexo ali exposta está contrariada, envergonhada com a atitude do empresário e tenta se desvencilhar da humilhação pública. E para completar o cenário grotesco, ao fundo estão expostas as fotos do juiz Sérgio Moro e da Ministra do STF, Carmem Lúcia. Tudo no seu devido lugar.

 

Nós, profissionais do sexo, somos trabalhadoras e trabalhadores sérios, exigimos respeito no exercício do nosso trabalho e não aceitamos ser tratadas e tratados como objetos. Lutamos diariamente pela garantia de nossos direitos e por dignidade. Nós temos lado nessa luta e o nosso lado é contrário a esse machismo que violenta, machuca e mata corpos e mentes diariamente.

 

Vale lembrar que foram esses sentimentos de machismo, de violência e de ódio que derrubaram a presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff sem crime algum; que encarceraram Lula sem nenhuma prova, contrariando a Constituição; e que querem calar as vozes daqueles/as que ousam a se levantar em críticas e protestos contra esse fascismo que cresce a cada dia nesse país. Vale lembrar que é esse mesmo ódio que tenta calar as ideias e os sonhos de Luiz Inácio Lula da Silva de construir um país mais justo e mais igualitário para cada um e cada uma.

 

Diante da atitude covarde e insana desse empresário golpista, repudiamos veementes seus atos machistas, misóginos e criminosos. Lamentamos profundamente que a Lei que "que deve ser para todos", infelizmente, ainda não alcançou isso. Em tempo, nos solidarizamos com a mulher trabalhadora e profissional do sexo pela violência sofrida e reafirmamos que a nossa luta não vai parar, pois existe um Lula em cada uma e em cada um de nós e as suas ideias e seus sonhos seguirão conosco eternamente.

 

ASSOCIAÇÃO MULHERES GUERREIRAS DE CAMPINAS/SP
Campinas, 11 de abril de 2018

 

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