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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

25
Dez20

'Judiciário está destruindo a liberdade de imprensa no Brasil'

Talis Andrade

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por Luis Felipe Miguel

Luis Nassif, cujo portal GGN tem papel central na mídia independente no Brasil, está sendo estrangulando financeiramente por uma série de decisões judiciais arbitrárias.
 
Amaury Ribeiro Júnior, jornalista premiado e autor do livro A privataria tucana, foi condenado a quase oito anos de prisão em ação movida pela filha de José Serra.A privataria tucana (História Agora) por [Amaury Ribeiro Jr]
 
São dois casos, vistosos pelo peso dos nomes envolvidos, entre muitos outros. A liberdade de imprensa no Brasil está sendo destruída por ação do Judiciário.
 
Os grandes veículos, aqueles que estão prontos a gritar "censura!" diante de qualquer ideia de democratização da comunicação, praticamente ignoram o que está acontecendo.
 
Quando algum deles é atingido - quando algum juiz decide determinar a proibição da publicação de determinadas notícias, por exemplo - há um pequeno escarcéu. Mas diante dos ataques à imprensa independente, predomina o silêncio.
 
É o Judiciário dando, aqui também, sua contribuição para que deslizemos para uma ditadura.
 
Links aqui aqui para as reportagens.
 
- - -
Autor do livro Privataria Tucana, o jornalista Amaury Ribeiro Junior foi condenado com outras quatro pessoas pela juíza Barbara de Lima Iseppi, da 4ª Vara Federal de São Paulo, pela quebra dos sigilos fiscais de pessoas ligadas ao ex-senador José Serra e ao ex-vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge.
 
O sigilo fiscal só serve para esconder crimes contra o patrimônio público, crimes de improbidade, crimes contra a soberania nacional, recebimento de propina, o famoso toco, enriquecimento ilícito, a privataria tucana, o roubo dos fundos de pensão, o tráfico de moedas, o dinheiro do tráfico de pedras preciosas, tráfico de nióbio, a grana da venda de sentenças, da assinatura do precatório, do despejo coletivo, as botijas dos mais variados crimes encobertos pelo corporativismo e irmandades nos andares de cima no judiciário, no executivo e no legislativo.  
 
23
Set20

Dilma aponta as 12 mentiras contadas por Bolsonaro na ONU

Talis Andrade

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por Dilma Roussef

Praticamente não há uma sentença no discurso de Bolsonaro na ONU que não cometa pelo menos uma falsificação, uma manipulação, uma adulteração dos fatos. O Brasil que Bolsonaro descreve não existe, e não existe por causa dele.

As maiores florestas brasileiras ardem em chamas, com recordes de incêndios, e ele culpa os índígenas, que são as primeiras vítimas desses crimes ambientais.

Os maiores biomas do país são consumidos pelo desmatamento ilegal, e ele diz que exerce controle rigoroso sobre a ação dos destruidores das florestas, o que é falso.

O Brasil voltou a registrar a mazela da fome, que maltrata mais de 10 milhões de pessoas, e ele se jacta de estar alimentando o mundo.

Quase 140 mil brasileiros já morreram de Covid19, e ele diz que agiu com rigor para combater a doença. ao mesmo tempo em que culpa os governadores pelas mortes.

Bolsonaro dissimula de maneira contumaz e o faz por cálculo, não por ignorância. Mesmo quando fala na ONU, não é ao mundo que está se dirigindo, mas ao seus seguidores mais radicalizados, que ele mantém mobilizados à base de fake news e deturpações da verdade. Seu objetivo é manter a iniciativa política e a polarização. Foi assim que, na Itália dos anos 1910 e 1920 e na Alemanha dos anos 1930, o fascismo e o nazismo cresceram até chegar ao poder: mobilizando permanentemente uma minoria de seguidores agressivos, capazes de intimidar o campo democrático da sociedade.O mundo já não acredita em Bolsonaro. Parte dos brasileiros já não acredita nele. Mas não há sinal de que ele pretenda parar. Terá de ser parado.

É possível verificar pelo menos 12 falsificações que Bolsonaro apresentou ao mundo, ontem, no seu discurso.

1

A fala – “Desde o princípio, alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade.”

A verdade – Bolsonaro negou a gravidade da doença. Tratou-a com desdém, afirmando que era uma gripezinha. Não tomou medidas efetivas para garantir o emprego, propôs R$ 200 de auxílio emergencial e foi apenas diante da pressão da sociedade e da iniciativa da oposição no Congresso que acabou sendo aprovado o valor de R$ 600. Por culpa do governo, o Brasil foi o país que menos aplicou testes. Bolsonaro foi contrário ao isolamento e distanciamento social, ele próprio promovendo e participando de aglomerações e desprezando o uso de máscaras. Defendeu e expandiu a produção de cloroquina, enquanto deixava de adquirir analgésicos para a implantação de tubos respiratórios nos doentes graves.

2

A fala – “Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da Federação. Ao Presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o País.”

A verdade – Bolsonaro vem se escondendo por trás de uma decisão do STF que, supostamente, transferia o poder de enfrentar a Covid-19 para estados e municípios. Trata-se de uma versão inverídica e absurda, pois há uma clara obrigação constitucional da Presidência da República de coordenar ações diante da gravidade da crise sanitária, que já matou 138 mil pessoas; também somos uma Federação e, assim, há o dever intransferível de a União articular a ação dos 26 estados, o Distrito Federal e os 5.570 municípios. O Supremo nunca eximiu o governo federal do dever de agir, nem transferiu seu poder. Apenas deu a estados e municípios o direito de também tomar decisões sobre medidas sanitárias, de isolamento e de distanciamento social, segundo suas circunstâncias específicas.

3

A fala – “Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior: concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1000 dólares…”

A verdade – Não houve arrojo, mas mesquinharia. Bolsonaro tentou impor um auxílio emergencial de apenas R$ 200 por mês. O auxílio só foi de R$ 600 por decisão do Congresso, proposta pelo PT e demais partidos de oposição, impondo uma derrota ao governo. Bolsonaro insinua, na fala, que pagou mil dólares por mês. Mas mesmo somadas, as parcelas do auxílio emergencial estarão longe de totalizar mil dólares. Se cumprir o que anunciou, o governo terá pago, até o fim de dezembro, 5 parcelas de R$ 600 e no máximo 4 parcelas de R$ 300. Isto totalizará, na melhor hipótese, R$ 4.200, muito abaixo de mil dólares, que são R$ 5.470. A iniquidade do governo também se fez sentir no tratamento dado aos que têm direito ao auxilio emergencial, na forma de milhões de exclusões injustificadas, atrasos, filas e aglomerações nas agências da Caixa, aplicativos que não funcionam — um labirinto burocrático que transformou a busca por ajuda num grande sofrimento.

4

A fala – “[Nosso governo] assistiu a mais de 200 mil famílias indígenas com produtos alimentícios e prevenção à Covid.”

A verdade – Do projeto aprovado no Senado de apoio às comunidades indigenas, Bolsonaro vetou artigos que obrigavam o governo federal a fornecer água potável, material de higiene e limpeza e cestas básicas às aldeias. Em outro momento, proibiu a entrada de equipes da organização Médicos sem Fronteiras nas comunidades indigenas.

5

A fala – “Não faltaram, nos hospitais, os meios para atender aos pacientes de covid.”

A verdade – O governo federal falhou fragorosamente no planejamento e na distribuição de máscaras, EPIs e respiradores aos hospitais de todo o país. A testagem é uma das mais baixas do mundo. A falta de testes suficientes é uma das causas de o Brasil ter se tornado um dos epicentros da doença no mundo. A maior parte dos recursos federais destinados ao combate à pandemia nos estados não foi liberada de fato, segundo várias reportagens. A maioria das máscaras e equipamentos prometidos não chegou aos hospitais e os estados e prefeituras foram obrigados a agir por conta própria. Faltaram equipamentos e medicamentos nos hospitais, sobrou cloroquina nas prateleiras do ministério da Saúde, comandando por um militar especializado em logística.

6

A fala – “O caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas. Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação.”

A verdade – Praticamente todos os casos de incêndios na Amazônia e no Pantanal identificados ou suspeitos de ação criminosa foram cometidos por fazendeiros, grileiros e invasores de terras públicas e reservas florestais e terras indigenas. Sentiram-se autorizados para tal diante do desmonte das políticas de contenção do desmatamento e da fiscalização. Os caboclos e os indígenas são, sabidamente, vitimas dos incêndios e do desmatamento criminosos, não seus autores. Dados obtidos pelo sistema de monitoramento da NASA mostram que 54% dos focos de incêndios na Amazônia estão relacionados ao desmatamento. No Pantanal, organizações de proteção ambiental informam que incêndios iniciado em 9 fazendas particulares destruiram 141 mil hectares, quase a área da capital de São Paulo. Cinco destas fazendas estariam sendo investigadas pela PF.

7

A fala – “Lembro que a Região Amazônica é maior que toda a Europa Ocidental. Daí a dificuldade em combater, não só os focos de incêndio, mas também a extração ilegal de madeira e a biopirataria. Por isso, estamos ampliando e aperfeiçoando o emprego de tecnologias e aprimorando as operações interagências, contando, inclusive, com a participação das Forças Armadas.”

A verdade – A extração ilegal de madeira e os incêndios criminosos não são combatidos devidamente por causa da leniência deliberada do governo Bolsonaro, que desde ao assumir desautorizou, fragilizou e desmontou a fiscalização, assim como cometeu ataques contra o INPE, tendo, inclusive, demitido seu diretor, um dos cientistas mais respeitados do Brasil. O ministério do Meio Ambiente não apenas suspendeu o trabalho de fiscalização, e cancelou operações, como tem protegido os verdadeiros criminosos ambientais. Chegou a trazer a Brasília, em aviões da FAB, para reunião com o ministro, um grupo de garimpeiros ilegais que atuava em reserva indígena. Em famosa reunião ministerial, filmada e divulgada, o ministro defendeu que o governo aproveitasse a distração criada pela pandemia para, como disse, “passar a boiada” de decretos e portarias que facilitem os crimes ambientais.  

8

A fala – “Somente o insumo da produção de hidroxicloroquina sofreu um reajuste de 500% no início da pandemia.”

A verdade – No Brasil e no mundo, a comunidade científica séria e conceituada alertou o tempo todo, desde o início da pandemia, para o fato de que a cloroquina e a hidroxocloroquina não têm eficácia contra a Covid19, em nenhum estágio da doença, e podem, ao contrário, acarretar efeitos colaterais que levam à morte. Até mesmo Trump, a quem Bolsonaro imitou agindo como garoto-propaganda de um remédio perigoso, abandonou a defesa da cloroquina e, para livrar-se do medicamento que parou de indicar, despachou o estoque para o Brasil.

9

A fala – “No campo humanitário e dos direitos humanos, o Brasil vem sendo referência internacional.”

A verdade – Só se for referência negativa. Desde a posse de Bolsonaro, a situação dos Direitos Humanos no Brasil vem se deteriorando, a ponto de provocar advertências da Alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, que denunciou a miliarização de instituições civis, a violência policial, e ataques a ativistas, líderes comunitários e jornalistas.

10

A fala – “Em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle.”

A verdade – Não há nenhuma conclusão ou prova de que a Venezuela tenha contribuído para o derramamento de óleo no Atlântico, trazido pelas correntes marítimas à costa brasileira. O que ficou demonstrado, sobejamente, foi a demora e a inação do governo brasileiro, que levou quase três meses para tomar as primeiras providências em relação ao desastre que atingiu o litoral de 10 estados.

11

A fala – “No primeiro semestre de 2020, apesar da pandemia, verificamos um aumento do ingresso de investimentos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo.”

A verdade – A imprensa informa hoje que do ano passado para cá houve, na verdade, uma queda de 30% nos Investimentos Estrangeiros Diretos no Brasil. E nos primeiros oito meses deste ano o Brasil sofreu uma fuga recorde de capitais, que chegou a US$ 15,2 bilhões. Outra notícia dá conta de que, por causa do estado de paralisia do MEC desde a posse de Bolsonaro, o país deixou de receber os repasses de um empréstimo de US$ 250 milhões do Banco Mundial para dar suporte à reforma do ensino médio.

12

A fala – “O homem do campo trabalhou como nunca, produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas. O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado.”

A verdade – O Brasil de fato continua sendo um grande produtor e exportador agropecuário, mas dilapidou a agricultura familiar, que até 2014 era responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelo povo brasileiro. Por esta e outras escolhas de índole neoliberal, o Brasil voltou a registrar a calamidade da fome, que aumentou em 43,7% em cinco anos, atingindo mais de 10 milhões de brasileiros.

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31
Jan19

De testes de DNA à convocação de policiais aposentados, magnitude da tragédia pressiona Brumadinho

Talis Andrade

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Vista aérea do Cemitério Parque das Rosas, em Brumadinho. DOUGLAS MAGNO

 

Quanto mais os corpos permanecem na lama, mais difícil é a identificação das vítimas.

Polícia Civil terá base para recolher material para exames de DNA e da arcada dentária

Desesperada em busca de notícias do irmão, Vanessa da Cruz foi na manhã desta terça-feira ao Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte. Desde sexta-feira ela não sabe nada de Adriano Wagner da Cruz de Oliveira, que trabalha como mecânico de uma empresa terceirizada na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, onde a barragem da mineradora Vale rompeu espalhando lama e morte a apenas 60 km da capital mineira. “Estamos agoniados, com as mãos atadas. Mas vim hoje porque quero que isso acabe logo, já são cinco dias que estamos na espera, no desespero”, disse na frente do IML, para onde os corpos das vítimas da tragédia estão sendo encaminhados –84 mortes foram confirmadas e, segundo o balanço mais recente, ainda há 276 desaparecidos. Vanessa foi ao IML para pedir que antecipassem seu exame de DNA para ajudar na identificação de Adriano. “Se essa foi a vontade de Deus, quero que isso acabe da forma certa, quero poder enterrar o meu irmão”, completou com a voz embargada.

O drama das famílias só cresce enquanto também aumenta a pressão nos serviços públicos obrigados a atender uma tragédia dessa magnitude. Brumadinho vive uma corrida contra o tempo. Cada segundo importa não apenas para se localizar sobreviventes, mas também para se identificar as vítimas. "A Polícia Civil empreende esforços para a identificação de todas as vítimas. Mas com o passar do tempo, alguns [fatores] dificultadores vão surgir", afirmou o delegado Luiz Carlos Ferreira, em uma entrevista coletiva na tarde de segunda, 28 de janeiro. Ele aponta, por exemplo, que quanto maior a demora, mais difícil é manter as impressões digitais, que foram utilizadas até agora para identificar os corpos das pessoas que morreram. A partir da próxima quarta, um posto de atendimento será montado para que os parentes de desaparecidospossam fornecer dados como material para a comparação de DNA e radiografias e relatórios odontológicos para possibilitar a identificação de vítimas pela arcada dentária.

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O número elevado de vítimas do rompimento da barragem da mineradora Valetambém impõe desafios estruturais para o trabalho de identificação dos corpos.Como o número de mortos e desaparecidos passam de 300, foi necessário um reforço de conteiners frigoríficos para manter os corpos no IML de Belo Horizonte. Uma força tarefa foi montada no local, com o cadastro de policiais aposentados que estão se voluntariando para auxiliar os que estão na ativa. Na manhã desta terça, quatro peritos de Brasília chegaram ao Instituto Médico Legal para auxiliar os 88 profissionais que atuam na identificação e liberação dos corpos das vítimas do desastre.

A Polícia Militar também suspendeu todas as atividades de sua academia de polícia para reforçar o policiamento em Brumadinho, onde há boatos de saques em casas que foram esvaziadas após o rompimento da barragem. A polícia diz que nenhum caso foi registrado oficialmente, mas afirma que o patrulhamento na área rural foi ampliado e uma base comunitária extra foi montada para o registro de ocorrências. O município de cerca de 40.000 moradores tem 250 policiais destacados no momento, além de um patrulhamento constante feito por helicópteros.

A disputa contra o tempo também aumenta a ansiedade das famílias, que se mantêm em compasso de espera. Qualquer mínimo sinal é capaz de trazer expectativas que se frustram logo depois. No fim da tarde de segunda, um forte choro de um grupo de familiares de uma desaparecida tomou conta da Estação de Conhecimento, o local em que os parentes das vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, estão recebendo assistência e passam o dia aguardando notícias dos resgates. Desta vez, as lágrimas eram de alegria, já que os parentes de Nathália de Oliveira Porto de Araújo diziam ter conseguido a localização do celular da estagiária de administração e isso os fazia acreditar que ela estava viva. A família gritava de emoção e agradecia a Deus. A boa notícia acendeu a esperança das dezenas de familiares de outros desaparecidos que estavam no local. Minutos depois, no entanto, os familiares foram informados que ela não tinha sido encontrada.

Quem se agarra à esperança também é a mãe do mecânico Adriano Wagner da Cruz de Oliveira. Vanessa da Cruz, no IML de BH nesta terça, explica que a mãe viajou para Brumadinho logo que soube do rompimento da barragem da Vale e continua no local para ter mais informações do filho. Ela também acredita, segundo Vanessa, que uma boa notícia pode chegar. Morador de Nova Lima, na Grande BH, Adriano tem uma filha de 16 anos que está grávida e em choque com o desaparecimento do pai. Vanessa relembrava como estava o irmão na última vez que o viu: barba longa, brinco... Tentava pensar em algo diferente que pudesse ajudar os médicos a identificá-lo. Remexer nas lembranças aumentava sua dor. “Até agora não consigo acreditar no que está acontecendo”, lamentava.

A nova rotina de tristeza e ansiedade é também marcada por informações desencontradas, além de  falsas informações sobre localizações de pessoas que chegaram até o Corpo de Bombeiros. Segundo o porta-voz da corporação, Pedro Aihara, pelo menos três boatos circularam em Brumadinho. “Fomos muito prejudicados no dia de hoje com veiculação de informações falsas. Tivemos notícias que algumas pessoas estariam perdidas em áreas de mata, inclusive com pessoas passando coordenadas. Deslocamos equipes para os locais, mas nada foi constatado”, disse. Aihara explicou ainda que muitas vezes os celulares dos desaparecidos continuam em funcionamento e podem emitir sinal mesmo não estando com a pessoa. “Às vezes, um parente ligou para a pessoa e o celular pode ter chamado, mas não significa que ela esteja viva”, explicou.

 

 

14
Jun18

Para proteger bandidos que delataram, Moro atropela órgãos brasileiros usando lei dos EUA

Talis Andrade

A justiça entreguista de Sergio Moro, que faz as empresas brasileiras devedoras de bilionárias dolarizadas multas ao Estados Unidos, chega ao absurdo de usar leis do Tio Sam. 

 

Moro age como se fosse um xerife estadunidense no Brasil vassalo, país que saiu do Primeiro Mundo do BRICS, para voltar ao Terceiro Mundo, dependente do FMI, que dita os cortes nos serviços essenciais, para fazer caixa para pagar os juros sobre juros da dívida estrangeira. 

 

A Pátria Amada está sendo fatiada e entregue aos corsários e piratas. O que sobrou da feira de Fernando Henrique, vende o golpe de Temer, de Cunha, de Renan, de Richa, de Aécio, da corriola de Curitiba.

 

O golpe foi dado para vender o verde da Floresta da Amazônia, das esmeraldas, o Azul dos aquíferos, dos rios represados das usinas de energia, e o amarelo ouro. 

 

Nada se faz para conter o tráfico de nossas riquezas. Dos minérios estratégicos. Do raro nióbio. Do petróleo. De madeira nobre. De diamantes. De plantas medicinais. Rico pobre Brasil importador de gás, de gasolina, de medicamentos, de água, de trigo, de arroz, de feijão... Eta País dominado. País sem lei. Da vergonhosa gozação de Moro de usar a chibata do Tio Sam para punir desafetos. De abusar da Lei de Tio Patinhas para lavar o dinheiro sujo dos seus criminosos de estimação. 

 

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Jornal GGN - O juiz de piso Sérgio Moro decidiu ir além das suas atribuições em Curitiba para proteger empresas e delatores de processos que tramitam nos órgãos de controle federais. Como a decisão que ele tomou não tem precedentes no Brasil, ele precisou apelar para o direito dos Estados Unidos para embasar sua opinião. É o que denúncia a Folha de S. Paulo desta quarta (13).

Moro decidiu que não vai mais emprestar provas da Lava Jato para órgãos como Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas da União, Advocacia Geral da União, Cade e Banco Central, que processam empresas que atuaram no esquema de corrupção na Petrobras em busca de ressarcimento aos cofres públicos. Só a AGU cobra R$ 40 bilhões pelos danos provocados pelas empreiteiras.

O juiz argumentou que é preciso “proteger o colaborador ou a empresa leniente contra sanções excessivas de outros órgãos públicos, sob pena de desestimular a própria colaboração de acordos.”

Como não há jurisprudência no Brasil, Moro recorreu ao direito americano, dizendo que nos EUA é “proibido uso da prova colhida através da colaboração premiará contra o colaboradores em processos civis e criminais.”

Mas, segundo a própria Folha, Moro foi além. Ele não só proibiu o uso de delações mas também de informações que foram obtidas pela Lava Jato antes dos acordos. O juiz blindou todo o material que tenha sido enviado aos órgãos de controle pelos procuradores.

O jornal destacou que ainda não há uma avaliação segura sobre o impacto dessa decisão de Moro sobre as investigações em andamento.

 

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