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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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25
Nov20

No Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher balanço mundial do fenômeno é “desolador”

Talis Andrade

Violences faites aux femmes - Moyo Studio.jpg

25 de novembro é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Getty Images - Moyo Studio
 

RFI - Com as restrições mundiais impostas pela pandemia do novo coronavírus, nenhum país fica à margem da explosão colateral de agressões machistas e o fenômeno da violência contra a mulher se agravou em todo o mundo, informa a ONU. O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu nesta quarta-feira (25), Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, que as vítimas “não fiquem sozinhas” e denunciem as agressões.

De acordo com dados da ONU Mulheres divulgados no fim de setembro, as medidas de lockdown levaram a um aumento das denúncias ou pedidos de ajuda por violência doméstica de 30% no Chipre, 33% em Singapura, 30% na França e 25% na Argentina.

Na Nigéria e na África do Sul os estupros registraram forte alta, no Peru aumentaram os desaparecimentos de mulheres, enquanto no Brasil e México os feminicídios estão em alta. Na Europa as associações que ajudam as mulheres vítimas de violência estão sobrecarregadas.

Lockdown favoreceu violência doméstica3919, un numéro de téléphone pour lutter contre les violences faites aux  femmes

Em todos os países, obrigados a decretar medidas de restrições aos deslocamentos para frear a propagação do vírus, as mulheres e as crianças ficaram isoladas em lares inseguros. "A residência é o local mais perigoso para as mulheres", reiteraram em abril 30 associações marroquinas, que exigiram do governo uma "resposta urgente" ao problema.

Heena, uma cozinheira de 33 anos que mora em Mumbai (Índia), afirma que se sentiu "presa em sua própria casa", com um marido desempregado, consumidor de drogas e violento. "Durante a quarentena, ele passava o dia no telefone, jogando, me batendo ou abusando de mim", contou a indiana à AFP.

Em 15 de agosto, o marido a agrediu de maneira ainda mais violenta, diante do filho de sete anos, e a expulsou de casa durante a madrugada. "Eu não tinha para onde ir. Eu mal conseguia andar pois ele me bateu muito", relata a mulher, que não teve coragem de fazer uma denúncia na polícia por medo de ser mal atendida.

Atualmente, ela luta para voltar a ver o filho, mas "os tribunais não estão funcionando ainda 100% por causa da Covid", lamenta Heena, que não vê o filho há quatro meses.

Medidas insuficientes

Mercredi 25 novembre 18h : Tou·tes place du Capitole contre les violences  faites aux femmes - La CGT Educ'action 31

Em todo o mundo, com as instituições funcionando parcialmente e com os fechamentos de empresas e de espaços culturais, esportivos e escolas, as vítimas ficaram sem locais de refúgio. Além disso, há o impacto econômico do vírus em muitas famílias.

"Assistimos a uma perigosa degradação da situação socioeconômica das famílias após o lockdown, com mais situações de pobreza, que podem levar a reações violentas", destaca Hanaa Edwar, da Rede de Mulheres Iraquianas, que há 10 anos pede uma lei contra a violência doméstica no país.

A longo prazo, as consequências do coronavírus nos direitos das mulheres podem ser muito graves. Em julho, a ONU advertiu que seis meses de restrições sanitárias poderiam comportar 31 milhões de casos adicionais de violência sexista no mundo, sete milhões de gravidezes não desejadas, além de colocar em risco a luta contra a mutilação genital feminina e os casamentos forçados.

Brasil

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou 648 feminicídios no primeiro semestre de 2020, 1,9% a mais que no mesmo período de 2019. O governo criou uma campanha para estimular as mulheres agredidas a denunciar a violência, mas, segundo o FBSP, as medidas para acompanhar as vítimas continuam sendo "insuficientes".

Em todo o mundo, apenas um em cada oito países adotou medidas para atenuar os efeitos da pandemia na vida de mulheres e crianças, afirma a ONU Mulheres.

Na Espanha, as vítimas conseguiram alertar as autoridades de forma discreta com a senha "Máscara 19" nas farmácias, que foram um dos poucos estabelecimentos autorizados a abrir durante a quarentena. Na França foram criados pontos de contato, administrados por associações, em supermercados.

"As mulheres que nos procuraram estavam em situações perigosas, que se aproximavam do insuportável. O isolamento teve um efeito tabu sobre o fenômeno", afirma Sophie Cartron, diretora adjunta de uma associação que atuou em um centro comercial da região de Paris.

Mobilização Lutte contre les violences faites aux femmes : - Mairie du 10ᵉ

Neste ano, justamente devido às restrições sanitárias em vigor em vários países, a tradicional mobilização de 25 de novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, é incerta.

"Não poderemos nos manifestar para expressar nossa revolta ou caminhar para lutar juntas, mas pelo menos faremos com que nossas vozes sejam ouvidas, virtual e visualmente", afirmou em Paris o movimento feminista Planning Familial.

Na manhã desta quarta-feira, em um vídeo publicado nas redes sociais, o presidente francês Emmanuel Macron pediu que as mulheres, vítimas de violência, “não fiquem sozinhas” e utilizem “os dispositivos de alerta”, para denunciar, e os “locais de alojamento existentes”, para se proteger. Macron garantiu que acabar com a violência contra as mulheres é “a grande causa de seu mandato”.

A cada ano, cerca de 220.000 mulheres são vítimas de violência doméstica na França e 93.000 sofrem estupro ou tentativa de estupro. O feminicídio está em alta no país. Em 2019, 146 mulheres foram assassinadas por seus maridos ou ex-companheiros, 25 a mais do que no ano anterior.

(Com RFI /AFP)

Dites NON aux violences faites aux femmes ! | ONG CARE France

03
Jan20

Terrorista que atacou Porta dos Fundos envolvido com tráfico de mulheres

Talis Andrade

eduardo fauzi porta dos fundos.jpg

 

Foragido da Justiça brasileira, o empresário Eduardo Fauzi Richard Cerquise, de 41 anos, pode estar envolvido com outros crimes além do ataque contra a produtora do grupo Porta dos Fundos, segundo informações publicadas pela mídia nesta sexta-feira.

A 10ª Delegacia da Polícia Civil de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, segue investigando o ataque feito contra a produtora no dia 24 de dezembro, na véspera do Natal, e apura a possibilidade de Fauzi também estar ligado ao tráfico de mulheres.

A informação foi publicada pela revista Época e tem como base o depoimento de uma dançarina, que teria acusado o empresário de estar envolvido com o tráfico de mulheres. Embora o suspeito não tenha nenhum inquérito contra si por esse motivo, a polícia deverá apurar a acusação.

A investigação ainda não chegou nessa fase. Priorizaremos o ataque e a identificação dos autores. Caso as informações cheguem nesses dados, iremos decidir se continuamos ou encaminhamos para outra unidade da polícia", contou um dos investigadores à revista.
 

Informações da polícia e imagens obtidas pela TV Globo confirmaram que Fauzi embarcou para a Rússia por volta das 16h30 do dia 29 de dezembro – um dia antes da Justiça determinar a sua prisão como um dos suspeitos pela participação no ataque com coquetéis molotov contra a produtora, localizada em Botafogo.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o delegado Marco Aurélio de Paula Ribeiro, responsável pelo caso, listou a longa ficha corrida de Fauzi e revelou algumas informações sobre o suspeito, até o momento o único identificado pelo ataque.

        Ele é uma pessoa violenta, com diversas ameaças, até lesão corporal", afirmou o delegado ao jornal, referindo-se a uma acusação de agressão física contra a ex-mulher. Fauzi também foi condenado no ano passado por dar um soco no então secretário de Ordem Pública da Prefeitura do Rio, Alex Costa, há seis anos.
 

Ainda de acordo com a publicação, Fauzi pratica artes marciais, fala russo e morou por cinco anos na Rússia. Em 2019 ele esteve em Moscou em três oportunidades, já que tem um filho de 3 anos com uma namorada russa.

Anteriormente, o Itamaraty informou que Brasil e Rússia possuem um acordo de extradição, e que daria andamento a um pedido formal do juiz responsável pelo caso. Segundo o SBT, a passagem de retorno de Fauzi ao Brasil está marcada para o próximo dia 29 de janeiro. [Transcrito do Sputnik]

 

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