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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Set21

NAZISMO. Bolsonaro recebe negacionistas alemães em Brasília

Talis Andrade

Jair Bolsonaro dá entrevista a negacionistas alemães

Na entrevista, Bolsonaro repetiu mentiras e teorias conspiratórias

 

Presidente concedeu entrevista para dois propagadores de teorias conspiratórias ligados ao Querdenken, movimento negacionista e antivacinas que está na mira do serviço de inteligência alemão por laços com nazistas

 

 

  • por Jean-Philip Struck /DW

     

    O presidente Jair Bolsonaro se reuniu na primeira quinzena de setembro com dois membros da cena conspiracionista e negacionista da pandemia na Alemanha.

    Bolsonaro concedeu uma entrevista para Vicky Richter e Markus Haintz, ligados ao Querdenken ("pensamento lateral" em alemão), movimento que organizou no último ano protestos contra as medidas do governo alemão para frear a pandemia de covid-19. Em abril, o serviço de inteligência interno alemão colocou setores do movimento sob vigilância nacional por suspeita de "hostilidade à democracia e/ou deslegitimação do Estado que oferece riscos à segurança".

    A entrevista com Bolsonaro, concedida pelo presidente em Brasília, foi publicada em redes sociais ligadas a Richter e Haintz nesta segunda-feira (20/09).

    A dupla alemã também realizou entrevistas com o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo federal, e a deputada bolsonarista Bia Kicis. Os encontros foram registrados entre os dias 8 e 10 de setembro. A dupla também fez filmagens no ato antidemocrático de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, que contou com a participação de Jair Bolsonaro.

    Dupla de conspiracionistas

    Haintz se apresenta como "advogado, jornalista e ativista pela liberdade". Baseado na cidade de Ulm, ele é uma figura proeminente do movimento Querdenken e costuma usar os protestos negacionistas do movimento para discursar contra o governo alemão e medidas de isolamento. Em agosto, ele chegou a ser detido pela polícia durante um protesto em Berlim.

    Várias manifestações do Querdenken no último ano contaram com participação explicita de grupos neonazistas e de extrema de direita, além de seguidores do culto conspiracionista QAnon.

    Em abril, ao colocarem setores do Querdenken sob vigilância, as autoridades alemãs mencionaram que essas alas constituem ameaça por questionarem a legitimidade da democracia e do Estado alemão. As autoridades também citaram ligações entre o movimento Querdenken e os grupos de extrema direita Reichsbürger e Selbstverwalter, que negam a existência do Estado alemão ou não se consideram parte dele. O Facebook também já baniu dezenas de páginas ligadas ao Querdenken.

    Em outubro de 2020, Haintz foi demitido de uma faculdade de Biberach, onde atuava como professor, por causa das suas atividades no Querdenken. Um administrador da instituição afirmou à época da demissão que as declarações de Haintz legitimam a violência e que o advogado deveria "se envergonhar" pelo seu envolvimento no Querdenken.

    Em seus discursos e publicações no Telegram (ele possui 100 mil assinantes), Haintz pinta a Alemanha como "uma ditadura" sob a chanceler federal Angela Merkel. 

    No entanto, Haintz viu sua posição no movimento ser enfraquecida recentemente após alguns rivais internos passarem a espalhar boatos de que ele trabalha como informante do serviço secreto.

    Em uma publicação recente no Telegram, ele afirmou que há "um ataque global contra as liberdades" e que a sua viagem ao Brasil e outros países tinha como objetivo buscar aliados. Nos últimos dias, ele compartilhou no Twitter diversas publicações de Eduardo Bolsonaro e imagens das manifestações antidemocráticas do Sete de Setembro.

    Já Richter se apresenta como uma ex-militar da Bundeswehr (Forças Armadas da Alemanha) e possui vários canais negacionistas no YouTube, Twitter e Telegram, nos quais propaga conteúdo antivacinas e teorias conspiratórias. Em uma publicação no Telegram, ela afirmou que conversou com a ministra Damares Alves sobre "a elite cabalística por trás do tráfico de crianças" no mundo e "estupros rituais em comunidades indígenas", temas que ecoam teorias conspiratórias do culto QAnon.

    Outras publicações ecoam o discurso radical da base bolsonarista e parecem ter a intenção de apresentar o presidente brasileiro para o público extremista alemão. Nessas publicações, Bolsonaro aparece como "perseguido" pelo Judiciário e "boicotado" pela imprensa internacional. "O fato de que ele enfrenta comunistas e globalistas desagrada os poderosos", diz uma publicação.

    Outras mensagens tem teor ainda mais conspiracionista, afirmando falsamente que "sete ministros do STF" chegaram a "fugir temporariamente do país" por medo de serem presos por Bolsonaro. Outros textos elogiam a gestão negacionista de Bolsonaro durante a pandemia.

    A dupla alemã Vicky Richter e Markus Haintz também participou da fundação do partido Die Basis, uma agremiação negacionista da pandemia surgida em 2020 e que afirma ter quase 30 mil membros. A legenda chegou a disputar uma eleição regional em março, mas não obteve votação expressiva. Richter e Haintz deixaram o partido no início de setembro após disputas internas.

Vicky Richter entrevista a ministra Damares Alves

Vicky Richter entrevista a ministra Damares Alves

Palco para negacionismo

Na entrevista com a dupla alemã, que se estendeu por uma hora, Bolsonaro repetiu mentiras e teorias conspiratórias que ele já havia propagado durante o último ano.

Ele afirmou falsamente que hospitais inflacionaram o número de doentes com covid-19 para receber mais dinheiro, atacou a Coronavac – a vacina promovida pelo governo de São Paulo, chefiado pelo seu rival João Doria –, defendeu tratamentos ineficazes e potencialmente perigosos contra a doença – como a cloroquina – e até mesmo chás medicinais.

Ele também sugeriu que a melhor forma de se proteger contra o vírus é ser contaminado, reiterando novamente a tese da imunidade de rebanho pela infecção. "Eu disse para as pessoas não terem medo, que enfrentassem o vírus", disse Bolsonaro. "A liberdade é mais importante que a vida", completou, quando falava sobre sua oposição à vacinação obrigatória.

Bolsonaro também reclamou da TV Globo, se apresentou como "perseguido", defendeu o armamento da população e mentiu sobre não haver escândalos de corrupção em seu governo.

Já na entrevista com Eduardo Bolsonaro, a dupla Haintz-Richter abordou temas como voto impresso e as manifestações antidemocráticas do Sete de Setembro. O deputado aproveitou a oportunidade para espalhar mentiras sobre as urnas eletrônicas, reclamar da imprensa e se queixar da China.

A entrevista de Richter com Damares, por sua vez, abordou inicialmente a biografia da ministra, mas logo passou para temas mais caros a grupos conspiracionistas. Richter parecia especialmente interessada em práticas de povos indígenas. Damares afirmou que alguns indígenas têm práticas de "estupro coletivo como prática cultural" e "estupro como castigo" para mulheres.

Em uma pergunta, Richter afirmou à ministra que há "uma grande cabala" mundial por trás do "tráfico de crianças" e perguntou se Damares não tinha medo de enfrentar esses supostos grupos. "Eu recebo muitas ameaças de morte", respondeu Damares.

O termo cabala era originalmente usado para se referir à mística judaica, mas com o tempo antissemitas passaram a usar o termo como sinônimo para "conspiração" ou "complô". Esse uso de forma derrogatória costuma ser usado tanto por antissemitas quanto por seguidores do culto QAnon. 

A dupla ainda se encontrou com a deputada de extrema direita Bia Kicis, uma aliada próxima de Bolsonaro. Eles discutiram supostos riscos da aplicação de vacinas em grávidas e uso de máscaras. "O uso de máscaras faz você perder sua identidade", disse Kicis, que regularmente publica conteúdo negacionista nas redes. "Eu desejo que os conservadores se aliem e construam uma rede", afirmou a deputada para os alemães. "Precisamos nos manter juntos e lutar contra o comunismo."

Beatrix von Storch ao lado de Jair Bolsonaro e do marido dela

Bolsonaro e deputada de ultradireita Beatrix von Storch em julho

 

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro e seu filho Eduardo e a deputada Bia Kicis se reúnem com alemães do espectro político populista e extremista de direita. Em julho, o presidente recebeu no Planalto a deputada alemã de ultradireita Beatrix von Storch. Filiada à AfD, Von Storch é uma figura influente da ala arquiconservadora e cristã do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem membros acusados de ligações com neonazistas. Uma organização ligada ao partido também chegou a ser colocada sob vigilância dos serviços de inteligência alemães no início do ano. Neta do antigo ministro das Finanças de Adolf Hitler, Von Storch ficou conhecida na Alemanha por publicações e afirmações xenófobas.

À época, o encontro com a deputada alemã causou ultraje entre organizações judaicas brasileiras.

19
Jul21

Registros mostram 400 filhas pensionistas de militares como sócias de empresas milionárias

Talis Andrade

BAILE DA ILHA FISCAL? NÃO! É AGORA!

 

Levantamento mostra filhas de ex-integrantes das Forças Armadas que são sócias em companhias com capital social acima de R$ 1 milhão. Parasitas de luxo. Em 2020, foram destinados R$ 19,3 bilhões para todos os grupos de dependentes de militares

 
 
Sócias de empresas com capital social acima de R$ 1 milhão, 400 mulheres recebem pensões [do governo brasileiro] por serem filhas solteiras – ao menos no papel – de militares no Brasil.
 
No total, a União pagou R$ 3,62 milhões para essas beneficiárias em fevereiro deste ano, último mês com dados disponíveis sobre o pagamento aos pensionistas militares no país.
 

Mantida essa média, em um ano, R$ 43 milhões seriam desembolsados pelo governo apenas para esse grupo [de mulheres, a maioria amancebadas, ou casadas apenas no religioso, e muitas vezes com filhas que também receberão pensões vitalías] . 

Em 2020, foram destinados R$ 19,3 bilhões para todos os grupos de dependentes de militares.

Cada uma das beneficiárias recebeu, em média, R$ 9.052,06 em fevereiro. A maior pensão paga dentro desse grupo pertence a Janette Braga Sampaio de Queiroz. Viúva e filha de militar, ela acumula os benefícios e recebeu R$ 36.198,18 brutos. Janette aparece como sócia na Laq Participações LTDA, empresa baseada no bairro do Leblon, na cidade do Rio de Janeiro, que consta com capital social de R$ 2,8 bilhões.

Além dessa empresa, ela é sócia de outras 11 com capital social menor. Um pedido de contato com Janette foi enviado ao e-mail registrado junto à Laq Participações LTDA, mas até a publicação desta reportagem nenhuma resposta foi dada.

Realizada pelo (M)Dados, núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles, a análise contou com o cruzamento de duas bases de dados públicas: de pensionistas militares e de sócios de empresas brasileiras.

Publicada no Portal da Transparência no último dia 27, a base de pensionistas no Brasil só foi divulgada após a Fiquem Sabendo, agência de dados especializada na Lei de Acesso à Informação (LAI), cobrar a publicidade do conteúdo ao Tribunal de Contas da União (TCU). A relação de sócios de empresas brasileiras está disponível no Brasil.Io, iniciativa colaborativa que libera dados públicos.

Autor de livros jurídicos sobre direito previdenciário militar, o professor Maurício Fariña explica que a pensão é um “direito adquirido” e dentro da legalidade. Segundo o docente, a questão de manutenção das pensões, entretanto, pode ser reavaliada: “A natureza que originou esse benefício foi o desejo de proteção a essas filhas. Esse direito é legal, constitucional, porém, diante do cenário atual, nós precisamos avaliar se é moralmente aceito”, analisa.

[Veja aqui os nomes das filhas pensionistas militares sócias em empresas milionárias. Parasitas de luxo de um Brasil com milhões de miseráveis e pobres, os sem teto, os sem terra, os sem nada da vida severina.

Para manter tais privilégios de casta, nada republicanos, as constantes ameaças de golpe militar]

Ilustração: Baile da Ilha Fiscal? Não! É agora. Totonho

12
Jan21

Ao bajular, André Mendonça atesta seu despreparo

Talis Andrade

JOSÉ PEDRIALI: Com Mendonça, Ministério da Justiça passa a espionar  opositores de Bolsonaro

por Marcelo Auler

- - -

Errar é humano. Persistir no erro, burrice 

(ditado popular)

André Mendonça, ministro da Justiça do desgoverno de Jair Bolsonaro, ao insistir – pela terceira vez – em acionar um aparato policial para investigar jornalistas por discordar de suas manifestações críticas, além de evidenciar a burrice, demonstra seu despreparo para o cargo. Seja pelo erro jurídico ou, o que é mais grave, pelo atentado à democracia, através da busca de uma censura dissimulada.

Erra juridicamente por não existir o que investigar. Além de não haver crime, o jornalista – no caso, Ruy Castro – nem tem motivos para negar a autoria do artigo, publicado na Folha de S.Paulo, insinuando a opção do suicídio a Donald Trump e a Jair Bolsonaro. O fez, na mais pura ironia, ao apontar o ato extremo como a forma mais fácil de os dois entrarem para a História, tal como ocorreu com Getúlio Vargas.
 

Um texto límpido e claro, sem dar margem a qualquer tipo de dúvida. Logo, sem haver o que investigar. Da mesma forma como independe de confirmação a republicação da ideia de Castro por Ricardo Noblat, em sua rede social. Portanto, não há razão para pedir à Polícia Federal a instauração de uma investigação/inquéritos. O que buscariam saber do autor? Sua fonte de inspiração? Pela ideia do ministro, a polícia gastará tempo, recursos humanos e financeiros para obter um resultado já conhecido. Um desvio dos agentes federais de funções mais importantes.

Enxergar no artigo de Castro um incentivo ao suicídio é um exagero. Típico de vassalos que desejam puxar saco dos superiores. Principalmente em se tratando de Trump e Bolsonaro, duas figuras que, pelo que sabemos e por tudo o que o próprio presidente brasileiro afirma, não têm o hábito de ler jornais. Provavelmente, se lessem, não entenderiam a ironia.André Mendonça persegue imprensa

Olhos vedados aos crimes de fato

Muito mais importante, tal como sugeriu o ex-prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, seria o ministro da Justiça enxergar nos discursos negacionistas de Bolsonaro – desfazendo as recomendações cientificas do mundo inteiro para o enfrentamento da pandemia – um incentivo ao suicídio coletivo de parcela da população. Daqueles fanáticos que o seguem, como gado amestrado.

Ele incentiva o suicídio coletivo quando desacredita de uma doença que vitimou 200 mil brasileiros. Alardeia uso de medicamento mundialmente reconhecido como ineficiente. Ou ao provocar, por simples prazer, aglomerações, colocando em risco quem vai atrás dele. A maioria se o uso de máscaras, que Bolsonaro também despreza.

São atitudes mais graves do que a simples sugestão ao suicídio mencionada em um artigo de jornal. Mas a estas atitudes do presidente defensor de um genocídio, Mendonça não se mostra atento. Não enxerga. Ou, o pior, finge não enxergar.
 

Tentativa fracassada de intimidar jornalistasChargistas prestam solidariedade a Aroeira, atacado pelo governo Bolsonaro

Ao tentar intimidar Aroeira, Noblat e todos os demais chargistas e jornalistas, o ministro da Justiça provocou efeito contrário.

Além do erro jurídico propriamente dito, o ministro comete um erro político. Afinal, ao acionar – ou, ao menos, ameaçar – a polícia contra jornalistas, ele simplesmente está tentando intimidá-los. Quer, de forma dissimulada, censurar a livre expressão de ideias. Algo inconstitucional.

Repete o erro cometido em junho passado, com o cartunista Aroeira, por conta de uma charge que não lhe agradou. Tanto Aroeira, como o próprio Noblat, que reproduziu o desenho, foram ameaçados por Mendonça com a famigerada Lei de Segurança Nacional, do tempo da ditadura.

Um mês depois ele recorreu ao mesmo texto legal ditatorial tendo como alvo o colunista da Folha, Hélio Schwartsman. Por ele ter dito que torcia pela morte de Bolsonaro, quando este anunciou sua contaminação pela Covid. Esta sua tentativa foi barrada no Superior Tribunal de Justiça.
 

Ou seja, duas medidas fracassadas. Ainda assim, ao que parece o despreparado ministro não percebeu que ao tentar perseguir Aroeira, o efeito foi contrário. Acabou provocando centenas de reproduções da mesma charge por cartunistas de todos os recantos do país e até do exterior. Ou seja, contribuiu para que a crítica humorística ao presidente tivesse uma repercussão ainda maior. Nem isso, porém, foi capaz de levá-lo a desistir de continuar tentando intimidar jornalistas.

Intimidação destacada, nesta segunda-feira, em nota do Observatório da Liberdade de Imprensa do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB):

A abertura de investigações policiais sobre artigos escritos pelos jornalistas Rui Castro e Ricardo Noblat é mais uma atitude deste governo de intimidação da imprensa e contra a liberdade de expressão. Criminalizar opiniões, parábolas ou críticas ao governante não é admissível dentro do estado de direito. Goste-se ou não dos artigos, é preciso maturidade democrática para conviver com críticas”.

Em outras palavras, além do desconhecimento jurídico em si, o ministro demonstra falta de maturidade democrática. Revela o lado totalitário do desgoverno a que serve. O mesmo que tenta defender postagens antidemocráticas nas redes sociais de seus fanáticos seguidores, que tendem ao fascismo. As mensagens, mesmo antidemocráticas, eles defendem, mas enxergam como criminosas as ironias, “parábolas ou críticas”.

Não será com ameaças desta espécie que o desgoverno Bolsonaro e seus puxa sacos intimidarão jornalistas, na tentativa de os calarem. Em especial os mais calejados, que enfrentaram os tempos de ditadura militar.

Restaria até a opção de um processo contra o jornalista. No caso concreto, uma ação fadada ao insucesso, diante do direito constitucional de Castro, Noblat, ou qualquer outra pessoa exercer a chamada liberdade de expressão. Um preceito constitucional que lhes garante o espírito crítico. Aquilo que Mendonça parece não reconhecer ser do jogo democrático. Porém, a iniciativa de um processo – mesmo sabendo-se sem chances de prosperar – teria que ser do próprio atingido. Jamais seria possível a terceiros, como Mendonça, mais interessados em bajular o chefe.
 

De todo este episódio, que logo cairá no esquecimento, ficará apenas seu patético atestado de despreparo para o cargo de ministro da Justiça que ocupa. Atestado emitido pelo próprio punho. Uma espécie de autoconfissão. Deplorável.

Foi assim que 8 artistas reagiram à ameaça do governo de censurar um  chargista

Nota deste correspondente: O recomendável para Trump e Bolsonaro: a eutanasia involuntária, que os dois megalomaníacos, gananciosos, calculistas, autoritários, macromaníacos amam demais a própria vida sempre às custas do povo em geral. 

No Brasil da fome, do salário mínimo do mínimo, do desemprego, das aposentadorias humilhantes do pé na cova. No Brasil da peste, das doenças do Terceiro Mundo, da extrema pobreza, da malária, do dengue, da tuberculose, da hanseníase, da esquistossomose, da helmintíase, da tracoma, da pandemia da Covid-19 por falta de vacina, de imunização que já acontece em mais de 50 países. No Brasil da morte, do genocídio de jovens negros, do holocausto indígena, das 500 mil prostitutas infantis, dos filhos da rua, das balas perdidas, do tráfico de crianças, do tráfico de órgãos, do agrotóxico, do fogo nas florestas, do oléo nas praias, da falta de saneamento, da falta de água encanada, das palafitas, das favelas, dos sem terra, dos sem teto. No Brasil da guerra, do governo paralelo, do governo assassino, do governo ausente, da justiça paralela, da justiça cara, da justiça ppv, dos justiceiros, do linchamento, das milícias, do terrorismo policial, da intervenção militar, da polícia que mata, dos grileiros. No Brasil das quatro Bestas do Apocalipse, do sadismo das elites, Bolsonaro reina. 

23
Set19

Famílias de crianças mortas pela polícia contestam versões de Witzel e Sérgio Moro

Talis Andrade

Witzel, Moro, Bolsonaro, Doria são os chefes da extrema direita nazi-fascista-integralista, e canditados à presidência do Brasil em 2023

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247 -  Cinco famílias de crianças que foram assassinadas pela Polícia Militar contestam a versão de Sergio Moro, de que as mortes foram "incidentes infelizes" e também a versão oficial do governo do Rio de Janeiro, que reforça que as mortes são consequências de oficiais que atuaram “em confronto” . Na última sexta-feira, a política de necrofilia do governador Wilson Witzel causou mais uma vítima: Ágatha Felix, de apenas 8 anos,  foi enterrada neste domingo (22) sob protestos e comoção. 

Sergio Moro é o ministro da Justica e Segurança Pública do capitão Jair Bolsonaro, que tem o apoio das igrejas evangélicas, da operação lava jato e da grande imprensa. Doria representa os banqueiros e grandes empresas estrangeiras. 

Além da Ágatha, outras cinco crianças foram vítimas de balas disparadas pela PM, como informa o portal G1. 

Kauê Ribeiro dos Santos, de 12 anos, foi baleado durante operação policial no Chapadão, na Zona Norte do Rio

Victor Almeida, de 7 anos, foi morto a tiros junto com a mãe e a irmã dentro de casa em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio

Kauã Rozário, de 11 anos, foi atingido por uma bala perdida na comunidade da Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste do Rio

Kauan Peixoto, de 12 anos, foi baleado durante confronto entre PMs e criminosos na comunidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense

Jenifer Silene Gomes, de 11 anos, foi baleada na porta do bar da mãe em Triagem, na Zona Norte do Rio

As famílias das cinco crianças alvejadas contestam a versão oficial do governo e buscam respostas. 

No dia 16 de março, Kauan Peixoto, de 12 anos, morreu depois de ser baleado no abdômen, na perna e pescoço, durante uma operação da PM na Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense.

Kauan tinha saído de casa pra comprar um lanche, quando foi atingido. A mãe dele, Luciana Pimenta, é cabeleireira e trabalha como frentista para ajudar a cobrir as despesas. 

Ao portal  G1, ela afirma que não possui respostas concretas: "A gente não sabe quem matou o Kauan, a única resposta que eu tenho é que está em investigação ainda. O sentimento é que a gente não tem justiça. A lei do estado do RJ é lenta. Todo dia você liga a televisão e mataram uma criança, mataram um adolescente, mataram um pai de família, e a família não tem resposta", diz.

Em 7 de setembro, Kauê Ribeiro dos Santos, de 12 anos, morreu após ser atingido na cabeça, no Complexo do Chapadão, na Zona Norte. A família diz que ele vendia balas e estava voltando pra casa. A PM contestou a versão e falou que o menino era suspeito e teria entrado em confronto com a polícia.

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25
Ago18

Bolsonaro não é caso para TSE ou STF. É para o Juizado de Menores

Talis Andrade

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por  FERNANDO BRITO 

 

Está cada vez mais difícil suportar o grau de retrocesso mental que vive a classe média brasileira.

 

Não há explicação plausível para que aceitem e prestigiem um energúmeno que diz e faz o que disse e fez ontem Jair Bolsonaro, em Araçatuba.

 

Mas aceitam e aplaudem que diz que criança não pode ver nudez artística, mas pode “brincar” e treinar com um “trezoitão”.

 

Falar o que falou (está aí em cima, na reprodução do Estadão) a uma criança de cinco anos de idade – e dizer, também, que, nesta mesma idade, punha seus filhos para atirarem com armas “de verdade” (arma real, “não é de ficção, não, nem de espoleta”) não é opinião,  é crime.

 

É criar uma exposição a pequenas crianças, naturalmente sem discernimento entre fantasia e realidade, a produzirem tragédias. Qualquer pai que, por necessidade ou opção, tenha uma arma e filhos nesta idade sabe que elas tem de ser tratadas como tabu – algo que nunca se deve tocar.

 

Num país em que o Ministério Público chega a revirar latas de lixo atrás de algo que possa servir para acusar candidatos de esquerda, há um estranho silêncio de suas excelências diante deste tipo de crime.

 

Não é, repito,  é um “delito de opinião”. O porte, posse ou uso de armas de fogo por crianças é crime e é criminoso (artigo 286 do Código Pena,) quem ” incitar, publicamente, a prática de crime “. E o Ministério Público tem a obrigação legal de agir.

 

Para a sorte de Bolsonaro, o crime que cometeu com seus filhos, dando-lhes uma arma de verdade para que atirassem aos 5 anos de idade, já prescreveu porque seria mais um (este, o do artigo 242 do Estatuto da Criança e do Adolescente – “vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo” – que o candidato diz que vai jogar na latrina).

 

Jair Bolsonaro é, não há outra palavra, um imbecil perigoso.

 

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15
Mai18

O me engana que eu gosto do juiz Moro e do general Braga

Talis Andrade

Onde residem os ladrões do Brasil?

 

Sergio Moro, um juiz que imita Fernando Color na caça aos marajás, armado com a espada cega da justiça, procura os bruxos no Partido dos Trabalhadores, precisamente no Instituto Lula. Parece o general interventor de Temer, que faz o mesmo intinerário da polícia militar, a buscar os chefes do tráfico de drogas nas favelas dos miseráveis na ex-Cidade Maravilhosa, Capital do Samba, que virou Rock Rio. Quando a droga é transportada no helicoca do senador Perrella e morcegos negros da frota do assassinado PC Farias, que tem Alberto Youssef como sucessor.

 

O general do Exército Walter Souza Braga Netto, que lidera tropas em um regime capitalista, esquece o poder do dinheiro transportado pelos doleiros. Jamais quis ouvir Youssef. Assim como Moro jamais ameaçou os mil vezes milionários políticos do PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira.

 

Que palhaçada! Como é possível prender um chefe do tráfico sem ouvir um doleiro? Para realizar a intervenção militar, o general Braga solicitou 4,1 bilhões de reais, o preço de duas hidroelétricas vendidas por Temer, um bilhão a mais do valor que FHC entregou a Vale aos piratas internacionais. 

 

Onde está o dinheiro? Onde residem os bandidos do assalto ao Banco do Estado do Paraná - BanEstado, dos leilões quermesses da Vale do Rio Doce, do Pré-Sal, das hidroelétricas, das estatais de energia, de telefone, de água, de gás, dos tráficos de moedas, de minérios, de ouro, de diamantes, de nióbio, de plantas medicinais, de madeira nobre, de drogas, de armas, de pessoas ...? 

 

Procurem nos endereços dos bilionários, nas ruas mais caras do mundo, nos resorts de luxo, nos paraísos fiscais. Esta semana a imprensa estrangeira revelou que em Fisher Island, a ilha encantada das grandes fortunas dos EUA, dez por cento dos moradores são brasileiros.

 

Fisher Island – Um oásis de primeira classe

 

Por Sandra Prieto

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Fisher Island é uma ilha que se localiza no extremo sul de Miami Beach, logo ao norte do Porto de Miami, e de acesso restrito a moradores, convidados e hóspedes. Nenhuma estrada ou ponte conecta a ilha ao resto da cidade, a única maneira de chegar à Fisher Island é por balsa ou barco. O passeio é tão bonito quanto o lugar. André Agassi, Oprah Winfrey e Julia Roberts estão entre as celebridades que tem casa na ilha.

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A ilha foi criada em 1905 por um projeto de dragagem e recuperação da orla de Miami Beach. A construção de Fisher Island começou em 1919, quando Carl G. Fisher, um construtor, comprou a propriedade.

Depois de anos de batalhas judiciais e mudanças de proprietários, o desenvolvimento da ilha foi finalmente iniciado na década de 1980, trazendo uma arquitetura inspirada nos casarões originais de estilo espanhol. Embora não seja mais uma ilha de uma única família, Fisher Island ainda permanece algo inacessível...

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... tão exclusivo quanto foi nos dias iniciais de sua existência, fornecendo um refúgio de muita tranquilidade. A ilha contém mansões, um hotel resort, vários edifícios residenciais, um observatório e uma marina privada.

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10
Mai18

“De 8.500 brasileiros adotados por franceses, metade pode ter sido de maneira ilegal”

Talis Andrade

por Elcio Ramalho

 

 

A ONG Voix des Adoptés (Voz dos Adotados, em português) criada em 2005 por Céline Giraud, adotada no Peru, tem quatro estruturas espalhadas na França dedicadas especialmente às crianças adotadas no Brasil. 

 

“Todos os adotados da Associação são maiores de idade. É o momento no qual a vontade de conhecer seus familiares e suas origens se concretiza. Na infância e na adolescência esse desejo também existe, é natural de toda pessoa, não apenas dos adotados, mas é na idade mais madura que se concretiza o desejo de conhecer o Brasil, do abrigo onde viveram, a família e, em primeiro lugar, a mãe”, explica a especialista, que trabalha com adoções há quase 30 anos.

 

O problema, segundo ela, é que muitas vezes esses jovens se encontram sem nenhuma referência. Uma vez desarquivado o processo no Brasil, começa um longo trabalho para localizar os parentes por meio de telefonemas, pesquisas na internet e até nas redes sociais. “Em muitos casos conseguimos localizar”, disse na entrevista à RFI Brasil.

 

“Adoção à brasileira”

 

Não há registro do número exato, mas segundo Anna Christina, pelo menos 8.500 crianças brasileiras foram adotadas por famílias francesas a partir dos anos 1980. A estimativa é baseada em dados da EFA (Infância e Famílias de Adoção, em tradução livre), uma federação de 92 associações de famílias adotivas na França e do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), efetivado no Brasil somente em 2008, apesar de previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

 

A dificuldade de estabelecer uma estatística precisa se deve ao longo período em que crianças do Brasil foram adotadas por famílias estrangeiras por meios ilegais e utilizando redes de traficantes de pessoas.

 

“Muitos estrangeiros foram, de certa forma, enganados, mas também tiraram proveito de alguns esquemas de tráficos de crianças. Pessoas se aproveitaram de um sistema menos controlado na época e pediam dinheiro para os estrangeiros”, afirmou.

 

Segundo Anna Christina, muitas famílias pagavam entre US$ 10 mil e US$15 mil para conseguir uma criança rapidamente. O esquema previa o registro da criança já com os nomes dos pais franceses, que alegavam às autoridades que ela havia nascido dentro de casa, como um parto anônimo.

 

A prática, conhecida como “adoção à brasileira”, se tornou um obstáculo para os que pretendem identificar seus familiares biológicos.

 

De acordo com Anna Christina, nos últimos 15 anos no Brasil, predominou uma estimativa de que cerca de metade das crianças que vieram à França possam ter sido adotadas de maneira ilegal ou por meio de redes de traficantes até 2008.

 

Desde então, com a instalação do CNA, as adoções por casais internacionais ficou mais organizada. “Eles só adotam crianças que não encontram pais adotivos no Brasil, que são, em sua maioria, grupos de três irmãos ou mais, ou crianças maiores e adolescentes. Os brasileiros preferem crianças menores e até de dois irmãos”, afirma.

 

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31
Dez17

#NãoAdotoEsteSilêncio sobre as adoções ilegais da Igreja Universal denunciadas pela TVI de Portugal. Veja todas as reportagens

Talis Andrade

 

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Durante 10 dias, a TVI de Portugal emitiu a série informativa de jornalismo de investigação “O Segredo dos Deuses” denunciando vários casos de adoções ilegais e de tráfico ilegal de crianças por parte da Igreja Universal do Reino de Deus, a IURD.

 

Os casos denunciados deram origem à abertura de um processo no Ministério Público de Portugal, mas as entidades públicas envolvidas nas adoções ilegais, a Segurança Social e a Santa Casa da Misericórdia, bem como a generalidade da classe política, remeteram-se ao silêncio sobre os factos apresentados, que escandalizam todos nós. Isso acontece em Portugal.

 

No Brasil, O Ministério Público nem aí. 

 

Como se pode adotar este silêncio? Um lar ilegal serviu de base para adoções ilegais de crianças por parte dos bispos da IURD, entre os quais estão os netos do poderoso bispo Edir Macedo, dono da Universal, da Record, do Banco Renner.  As crianças foram roubadas às famílias com base em mentiras, falsificações de documentos, omissões deliberadas do interesse das mães nas crianças que eram escolhidas por catálogo fotográfico, o que é ilegal, com base em relatórios falsos de técnicas da Segurança Social, viajando para outros países em jato privado, às escondidas.

 

Veja aqui todas as reportagens de investigação O Segredo dos Deuses.

 

A maioria dos casos tem cerca de 20 anos e só agora as mães das crianças perceberam o que lhes aconteceu. Os filhos desapareceram e ninguém as ajudou. À época, ninguém as quis ouvir.


Também fica evidenciado o racismo. As crianças loiras e de olhos azuis eram as mais cobiçadas.

 

 

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