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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Fev19

BOLSONARO: A FALTA DE COMPOSTURA PRESIDENCIAL

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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A explosão trazida da Internet por um dos filhos, assustou e estarreceu, não apenas a opinião publica. Preocupou e movimentou toda a comunidade política. E articulou os 7 ou 8 generais que militarizaram o governo ou desgoverno. Qualquer analise ou comentário a respeito de Bolsonaro, leva á conclusão. Ele não tem o mínimo de condições para exercer a presidência da Republica.

A crise provocada pela cumplicidade ou subserviência com os filhos irresponsáveis, levou á pergunta irrespondível: que governo é esse? E o ministro Bebiano, Secretario da Presidência que pretendem demitir, (o numero 2 da hierarquia civil do Planalto) ganha apoios gerais, políticos e militares. Todos se movimentam, se reúnem, "pedem paz e tranquidade, em nome da governabilidade".

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Rodrigo Maia, prestigiadíssimo, coordenador principal das reformas, sem hostilidade mas conhecimento de causa, adverte: "Esse conflito pode atingir a tramitação das reformas". Enorme repercussão, até agora sem modificação.

Uma foto de Bolsonaro no Alvorada, 24 horas depois de deixar o hospital, com ministros, e como sempre mostrada logo nas redes, revela que a falta de compostura presidencial é alarmante e sem preocupação até no vestir e se apresentar. De chinelo, calça jeans amarrotada, camisa desabotoada e desamarrada.

Sabia que estava posando para milhões. Em toda a História da Republica, nenhum presidente se apresentou dessa maneira.

 

O FILME SOBRE MARIGUELA APLAUDIDO DE PÈ EM BERLIM

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Mais um sucesso de Wagner Moura como diretor. A vida, e a morte dele precisavam e mereciam um diretor como Wagner. Ele foi um dos 12 eleitos para a primeira constituinte direta, em 1945. Pela legenda do Partido Comunista Brasileiro, (o famoso "partidão") que tinha ainda 1 senador, o lendário Luiz Carlos Prestes.

Sobral Pinto, advogado de Prestes, depois, grande e incondicional amigo, avisou que o registro do PCB iria ser cassado, o que aconteceu.

E todos mergulharam na clandestinidade. Alguns, como Prestes, foram viver no exterior. Marighela se recusou a sair do Brasil, fez notável carreira de combatente, atingindo o ponto mais alto, na guerrilha do Araguaia.

Em plena ditadura, eram 60 contra 60 mil. Foram chamados para conversar uma trégua. Alguns, como Marighela, acreditaram, compareceram, foram cruel e covardemente assassinados.

Não tenho noticias sobre quando o filme será exibido no Brasil.

 

HOMOFOBIA

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Desde quarta-feira, o STF vem discutindo a criminalização dessa violência. Mas pela falta de limite para a duração de cada voto, algumas aulas, mas nenhuma conclusão. Há anos defendo que o Regimento interno do STF está arcaico e ultrapassado. Deviam fazer como na Suprema Corte dos EUA, cada voto tem que ter no máximo 25 minutos.

Aqui poderiam fazer uma adaptação. O ministro votaria em 25 minutos, o resto, sem limite, seria lido na Internet. Aliás, quando um ministro está votando, os outros 10, têm na sua frente o voto completo. Na quinta feira,o ultimo a votar foi Celso de Mello.Como sempre magistral, violentíssimo contra a homofobia. Mas não será seguido por todos.

Ainda teve tempo de criticar duramente a esdrúxula ministra Dalmares, que se notabilizou com a afirmação impensada, "meninos vestem azul, meninas vestem rosa". 24 horas depois de criticada pelo decano, numa entrevista, afirmou de forma ultrajante: "Meninas não podem ser criadas no Brasil, o país mais violento para elas. Os pais deveriam levá-las para o exterior".

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O ministro da Educação, estrangeiro naturalizado, rivaliza com a Dalmares, em matéria de barbaridades. Sua afirmação de agora, na Televisão: "o brasileiro é CANIBAL". Revoltada e representando o sentimento da comunidade, a ministra Rosa Weber, interpelou-o oficialmente. Agora ele tem prazo para explicar porque considera o brasileiro CANIBAL. Ainda bem.


55 ANOS DOS GENERAIS TORTURADORES DE 64, 55 ANOS DA DEMOCRÁTICA BANDA DE IPANEMA

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As ditaduras acabam, execradas para sempre. Apesar da amaldiçoada "anistia, ampla, geral e irrestrita". A Banda de Ipanema, exaltada e admirada, cada vez mais. Inspirada e com participação do primeiro time de intelectuais, atingiu e confraternizou com a comunidade.

Aquilo que o extraordinário JE de Macedo Soares, identificou como, "a patuleia vil e ignara das ruas, o povo".

As estrelas do Pasquim, descansavam do combate, deixavam a trincheira para desfilar.

55 anos eternos. Todo ano, perto do carnaval homenageiam alguém, geralmente ligado á musica. Neste 2019 o escolhido foi o cantor e compositor, Paulinho da Viola. Mais acertado, impossível. E ontem, ele, emocionado, "é a maior homenagem da minha vida".

 

 

 

13
Fev19

Ativista de causas ambientais é brutalmente torturada e assassinada em Nova Viçosa (BA)

Talis Andrade

Rosane Santiago Silveira é mais uma vítima do fascismo apadrinhado por Bolsonaro, para o qual é preciso acabar com o “ativismo ambiental xiita”

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por Jornalistas Livres 
Phillipe Pessoa

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Rosane Santiago Silveira, 59, lutadora de causas ambientais, culturais e de direitos humanos foi brutalmente torturada e assassinada no sul da Bahia, na cidade de Nova Viçosa no dia 29 de janeiro.

Ela foi encontrada morta dentro de sua casa, com pés e mãos atados e feridos, pano em volta do pescoço (indicando estrangulamento), duas perfurações por arma branca (possivelmente faca) e uma perfuração por arma de fogo na cabeça (possivelmente por trás). O caso foi inicialmente tratado como suposto latrocínio, embora objetos de valor, entre eles o notebook da vítima, não tenham sido levados, e dos claros indícios de tortura. O delegado Marco Antônio Neves, que chefia as investigações, alterou a hipótese para feminicídio, tortura e extermínio. A bancada do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) baiano está em contato com os responsáveis por desvendar o caso e trazer os autores do crime à justiça.

Rosane, conhecida carinhosamente por Rô Conceição, vivia há 18 anos em Nova Viçosa, onde vinha lutando para criar uma associação de proteção da ilha de Barra Velha (área de reserva ambiental extrativista) e denunciando exploração predatória nos conselhos locais e regionais. Integrava o Conselho da Reserva Extrativista de Cassurubá.

Rô nasceu em Vitória em 1960, tendo passado a maior parte da vida em Belo Horizonte, onde teve três filhos. Participou do movimento pela ocupação da moradia Borges da Costa, movimentos culturais, dos direitos humanos e sindicais. Foi criadora da cantina natural do Diretório Acadêmico do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde eram promovidos eventos artísticos, produção de alimentos conscientes e ponto de encontro de gerações de amigos e militantes. Foi sepultada no dia 31, no Bosque da Esperança em Belo Horizonte (MG).

O crime brutal reflete o início de um governo que vem extinguindo departamentos ministeriais responsáveis por questões ambientais e sinalizando flexibilização e enfraquecimento da fiscalização e penalização de crimes ambientais. Somam-se a isso as declarações dantescas do presidente eleito, de que pretende acabar com o que chamou de “ativismo ambiental xiita” e acabar com a “indústria de demarcação de terras indígenas”.

Rô Conceição junta-se às dezenas de ativistas ambientais assassinatos a cada ano no Brasil. O País liderou, em 2016 e 2017, ranking de assassinatos de ativistas ambientais segundo a ONG britânica Global Witness, que relatou 57 execuções em 2017. Sua família, amigos e todos aqueles que lutam por justiça social, clamam por respostas

 

 

22
Dez18

Confundido com assaltante que roubou R$ 50, Nelson foi à delegacia. Saiu seis meses depois

Talis Andrade
 
À esquerda o homem com quem Nelson, na foto à direita, foi confundido. Ilustração: Rodrigo Bento/The Intercept Brasil

CONFUNDIDO COM ASSALTANTE QUE ROUBOU R$ 50, NELSON FOI À DELEGACIA. SAIU 6 MESES DEPOIS.

21
Dez18

Supremo não é mais Supremo

Talis Andrade

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Por Marcelo Zero

Após a sua decisão liminar, que apenas reafirmava o que diz explicitamente a Constituição, o Ministro Marco Aurélio declarou que “se o Supremo ainda for o Supremo, minha decisão tem que ser obedecida”.

Não foi.

Contrariando as normas do próprio STF, que determinavam que a decisão só poderia ser revista pelo Plenário, Toffoli anulou-a.

Contribuiu para esse desfecho ilegal e inconstitucional a inoportuna e impertinente mobilização militar e a “grita” da mídia e de procuradores de convicção religiosa, que mentiram à população, afirmando que a liminar em defesa da Constituição libertaria da prisão cerca de 169 mil pessoas, inclusive perigosos homicidas.

Mentira grosseira, pois era óbvio que a liminar não beneficiaria presos perigosos submetidos à prisão preventiva, condenados por júri popular, aqueles que tem mais de uma condenação, etc....

Na Lava Jato, por exemplo, a liminar beneficiaria potencialmente apenas meia dúzia de bagrinhos.

Destaque-se que a hipótese de prisão em segunda instância só foi estabelecida em 2016.

Por acaso alguém acredita que, até aquela data, ninguém podia ser preso no Brasil? Nosso país tem a terceira taxa de encarceramento do mundo há bastante tempo. Prendemos muito e prendemos mal.

Não somos o país da impunidade, somos o país da punição cruel. Somos o país da tortura e somos o país das execuções extrajudiciais. E somos uma nação de gente cínica, hipócrita e cruel.

E, agora, somos um país no qual o Supremo não é mais Supremo.

O papel do Supremo é a defesa da Constituição, sobretudo das suas cláusulas pétreas, nas quais estão incluídos o devido processo legal e o amplo direito à defesa.

Desse modo, a defesa da Constituição é muito mais que a defesa de um texto legal.

Ela é, na realidade, a defesa da democracia e, num sentido ainda maior, a defesa da civilização contra a barbárie. Contra a barbárie institucional.

Na relação invariavelmente assimétrica entre sujeitos individuais e coletivos e o Estado, são os primeiros que necessitam de proteção, a proteção dos direitos e das garantias individuais, a proteção da Justiça, face ao monopólio legal da força que o último possui.

No Brasil, após a cassação da liminar de Marco Aurélio, não há mais dúvida (para aqueles que ainda a tinham) de que essa proteção se esfumou, tal qual motorista de deputado do baixo clero.

Ficou claro, escancarado, após o episódio, que o sistema jurídico agora está a serviço de um projeto político que se apossou do aparelho de Estado e criou um Estado de exceção seletivo, que produz presos políticos e decisões oportunistas e teleológicas.

A decisão de permitir a prisão em segunda instância, contrariando o texto claro e explícito da Constituição, foi construída para prender Lula e afastá-lo da disputa eleitoral, ganha pelo neofascismo, que premiou Moro com o cargo de superministro da “Justiça”.

Tal decisão inconstitucional e antidemocrática já sobreviveu, incólume, a pronunciamentos contrários da ONU, de desembargadores e, agora, de ministro do Supremo.

Entretanto, esse Estado de exceção seletivo não foi erigido para prender a pessoa física de Lula.

Pois Lula, como diz Mujica, outro grande ex-presidente, não é uma pessoa; é uma causa.

Assim, o que o neofascismo brasileiro quer, com essa prisão política e esse Estado de exceção, é impedir a reação popular a um projeto antipopular e antinacional.

O projeto político que se apossou do aparelho de Estado e das instituições exige o sacrifício da Constituição, tanto na dimensão dos direitos políticos quanto dos sociais.

Exige, portanto, o sacrifício dissimulado da democracia.

E exige também o sacrifício de princípios civilizatórios, para instituir a barbárie de um ultraneoliberalismo que fará do Brasil laboratório político para um tipo de capitalismo que não se mostra mais compatível com a democracia, bem como para implantar a selvageria de um neofascismo baseado num fundamentalismo medieval.

Nesse quadro, o Supremo não é mais Supremo; é carimbador de decisões de primeira instância.

A Carta Magna não é mais Magna; é texto nanico, portaria a ser interpretada pelos interesses de ocasião.

A democracia não é mais democracia, é biombo, simulacro, para um Estado de exceção.

E a civilização, criada pelo pacto social, não é mais civilização; é barbárie destinada a implodir a convivência social pacífica e regrada e impor a violência como instrumento de contenção dos conflitos.

O Brasil enfrenta um apocalipse demente. Como o personagem Kurtz, da novela de Joseph Conrad, Coração das Trevas, e do filme de Coppola, Apocalyse Now, as forças obscurantistas romperam com todas as regras e estão enlouquecidas pelo poder, a adulação de seguidores fanáticos e a sede da riqueza fácil.

Aos democratas que sobrevivem, resta a lucidez última do moribundo Kurtz, que exclamava às trevas do seu mundo cruel e enlouquecido, sem Supremo, sem direitos, sem democracia: o Horror...o Horror....

* Artigo escrito com Wilmar Lacerda.

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13
Nov18

ESTAMOS VIVENCIANDO DIAS SOMBRIOS PARA O NOSSO FRÁGIL ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Talis Andrade

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por Afrânio Silva Jardim 

Não se trata de lamentar uma derrota eleitoral. Minha preocupação, após a publicação dos resultados das recentes eleições, é com a manutenção do nosso precário Estado Democrático de Direito. Estas duas semanas após o pleito eleitoral podem servir de sinal de alerta para o que pode ocorrer, no futuro, com a nossa sociedade.

 

Na verdade, mesmo os fatos que antecederam as eleições se mostravam como sintomas de futuras anormalidades em termos de preservação do que temos de democrático em nossos sistemas político e jurídico.

 

Desta forma, coloco, nesta coluna, três breves e recentes textos, onde manifesto minha perplexidade sobre a precariedade da democracia como valor essencial à nossa sociedade.

 

1 - AINDA NÃO ABSORVI ESTE TREMENDO CHOQUE !!!

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Não consigo entender como isto pode ter acontecido.

 

Pergunto: alguém sabe de algum país que, em toda a nossa história, tenha eleito para o cargo de Presidente uma pessoa que tenha declarado publicamente, de viva voz e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à eliminação de adversários ideológicos, ser favorável à atuação de grupos de extermínio e ser favorável à ditaduras militares ???

 

Alguns governantes totalitários até ordenaram ou consentiram com estas brutalidades, mas de forma escondida e dissimulada. Não foram eleitos dizendo que endossam isto !!!

 

Que povo é o nosso povo, que referenda estes atos de terror ???

 

Não podemos achar que isto é normal !!! Não podemos deixar de nos indignar !!! Não podemos pensar que isto é fato consumado ou página virada !!!


Isto terá consequências sérias e graves no futuro próximo.

 

Por isso, de forma lícita, proporcional e correta, devemos nos preparar para uma eficaz defesa dos nossos direitos e da democracia política e social.

 

Não podemos nos render ao arbítrio, caso contrário, seremos "atropelados" pela barbárie. Povo com medo é povo subjugado.

 

2 - ISTO JAMAIS OCORRERIA EM UM PAÍS VERDADEIRAMENTE CIVILIZADO !!!

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Como diz o povo: "não mais se fazem magistrados como antigamente" ...

 

1- O que faz com que um juiz aceite ser nomeado Ministro e aceite ser comandado por um Presidente da República que declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínio, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos e ser favorável a ditaduras militares ???

 

2 - Como este juiz pode se explicar aos seus antigos colegas da magistratura e da comunidade acadêmica, tendo aceitado sua nomeação como Ministro e ser comandado por um Presidente da República que declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínios, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos, e ser favorável a ditaduras militares ???

 

3 - Que legitimidade moral tem um juiz para condenar o maior líder popular do país por corrupção se ele aceitou ser nomeado Ministro e comandado por um Presidente da República que declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínios, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos, e ser favorável a ditaduras militares ???

 

4 - Como este juiz pode aceitar fazer parte de um governo em que o Presidente da República declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínios, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos, e ser favorável a ditaduras militares ???

 

5 - O que faz um juiz, que declara à imprensa de que jamais entraria na política, aceitar ser nomeado Ministro e aceitar ser comandado por um Presidente da República que declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínios, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos e ser favorável a ditaduras militares ???.

 

Tais declarações do truculento presidente estão todas publicadas em vídeos no Youtube e são do conhecimento do público em geral.

 

Acho que tudo isso pode ser debitado à fragilidade do ser humano, cujas vaidade e ambição são defeitos quase sem limites.

 

3 - UM JUIZ FEDERAL NA ILEGALIDADE !!!

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Embora não tenha sido exonerado do cargo de juiz federal, Sérgio Moro encontra-se em atividade política e partidária, trabalhando na formatação do novo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para tanto, faz negociações políticas, articulando-se com várias lideranças do atual governo e com vários partidos políticos. Dá entrevista à imprensa, tratando de temas políticos e de governo. Ademais, já recebe ordens do capitão eleito !!!

 

Isto é um papel adequado para um magistrado do Poder Judiciário ???

 

Todos sabem que a Constituição da República proíbe expressamente que qualquer juiz desempenhe alguma atividade política ou partidária.

 

Evidentemente que as suas férias não o eximem de cumprir a Constituição, pois ele continua no cargo de juiz federal e continua recebendo os respectivos vencimentos.

 

O mais cínico é que, para tentar contornar esta inconstitucionalidade, o juiz Sérgio Moro negociou não ser nomeado oficialmente pelo senhor Temer como membro da equipe de transição do capitão eleito.

 

Efetuará as atividades de transição de forma "clandestina" ...

 

Eles não diziam que "a lei é para todos" e que "ninguém está acima da lei"??? Talvez eles pensem que a Constituição não é lei...

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02
Nov18

Filho de Bolsonaro compara Moro a Ustra

Talis Andrade

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O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) comparou Sérgio Moro com o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador da Ditadura Militar (1964-1985).

 

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"Agora a esquerda mais do que nunca vai tentar demonizar Moro, exatamente como fizeram com o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra", escreveu o parlamentar em sua conta no Twitter.

 

O pai do congressista, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), já exaltou o coronel, durante a votação do golpe contra Dilma Rousseff, em abril de 2016, na Câmara dos Deputados. Ao proferir seu voto, ele disse que o coronel é o "pavor de Dilma Rousseff" (veja aqui).

 

Ustra é apontado como responsável por ao menos 60 mortes e desaparecimentos em São Paulo durante a ditadura e foi denunciado por mais de 500 casos de tortura cometidos nas dependências do Doi-Codi entre 1970 e 1974.

 

A Lava Jato de Curitiba, comandada por Moro, já foi acusada de praticar tortura psicológica para adiquirir provas testemunhais de presos sob vara. 

 

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02
Nov18

Sexologia política: sobre Bolsonaro, Frota, Jean Wyllys e Pabllo Vittar

Talis Andrade

  1. Marcia Tiburi
Sexologia política: sobre Bolsonaro, Frota, Jean Wyllys e Pabllo Vittar
(Arte Revista CULT)
 

 

Entre os discurso de ódio que andam por aí e os discursos de resistência, precisamos investir em compreensões que possam nos acordar e criar condições para desmontar o avanço do fascismo entre nós e, assim, nos demais países do mundo. O autoritarismo é uma forma perversa de exercício de poder e, quando se torna política de Estado, além de fator cultural, após ter sido legitimado pelo voto, por mais que devesse ter sido repudiado eticamente por ele, torna-se uma questão ainda maior.

 

Por isso, peço a paciência do leitor e da leitora para as colocações que vêm a seguir. Elas podem parecer longas, mas são apenas um começo de conversa que pode nos ajudar a entender o que se passa agora e o futuro que vem a galope empunhando uma bandeira com suástica ou coisa parecida. Cada vez mais devemos nos acostumar a conversas longas e, inclusive, sempre que possível, voltar a elas.

 

Nesse momento, permanecemos em um pesadelo. Venceu o voto dos autoritários. Dos que apoiam os torturadores e assassinos e, nesse ato, se igualam a eles. Inclusive dos que são a favor do estupro que, como bem lembrou Luiz Eduardo Soares, sempre fez parte da tortura. Nesse contexto, surge a esperança de pessoas que parecem “inocentes”. Elas acreditam que o novo presidente não vá cumprir o que prometeu. A quantidade impressionante de brasileiros que vota em um político esperando que ele não cumpra o que promete é de estarrecer. É incompreensível. Mas será mesmo? Será que as pessoas esperam por isso mesmo? Serão realmente inocentes quanto ao que aprovam?

 

Votar em quem não vai realizar o que promete, quando sempre votamos – ou nos pareceu lógico votar – em quem tem as melhores propostas, realmente é de dar um nó na cabeça de quem faz análises lógicas. O eleitor não está, nesse momento, apenas desmoronando a lógica e a racionalidade e sendo ilógico ou irracional. Há muito mais por trás disso. Vamos analisar apenas um aspecto altamente esclarecedor.

 

Há tempos sabemos que é preciso estudar mais a sexualidade.

 

O que acontece no Brasil de hoje é efeito de uma manobra envolvendo a sexualidade da população a partir da sexualidade do parlamento. Não considerem essa hipótese um exagero. Nossos hábitos mentais preferem subestimar o poder do sexo, o que faz com que ele se mantenha em um nível inconsciente e, justamente por isso, livre de culpa ou responsabilidade. Eu gostaria de sinalizar sobre sua validade, já que se trata de introduzir no contexto uma nova ciência, a sexologia política. E essa ciência nos obriga a lidar justamente com as culpas e os jogos de poder envolvendo a armadilha do sexo.

 

Por sexualidade entendemos o conjunto dos discursos e práticas, a compreensão e o fenômeno, o imaginário e o simbólico, o consciente e o inconsciente que regem a vida sexual da população. Quanto ao inconsciente, talvez não haja uma categoria tão atual para descortinar a realidade brasileira.

 

Consciente ou inconsciente: sobre escolher o pior

 

Antes de seguirmos, vamos nos colocar a questão da relação entre consciente e inconsciente para entender por que o povo escolheu o pior nesta última eleição e o que está em jogo nessa escolha. A maioria dos eleitores escolheu um presidente que só prometeu matar e destruir. Ele prometeu o horror.

 

Quem considerava o PT ruim, preferiu algo pior. Não parece muito lógico, mas é. De uma complicada lógica dialética. Trata-se de uma escolha consciente e inconsciente ao mesmo tempo. Consciente e inconsciente são conceitos básicos. Não precisamos aqui usar um conceito de inconsciente ligado a instintos ou pulsões de morte, vamos falar dos processos mais simples, das formas simples da mentalidade em vigência na vida e na linguagem cotidiana. Por “consciente” vamos definir aquilo sobre o que temos acordo, aquilo que podemos saber ou aquilo que fazemos porque sabemos. Por inconsciente vamos entender aquilo que não sabemos ou que fazemos sem saber, mas que, ao mesmo tempo, no fundo, também de alguma modo sabemos.

 

Conscientemente, os cidadãos e cidadãs escolheram em nível federal e em alguns estados, como o Rio de Janeiro, aquele que vai realizar a ideia de que “bandido bom é bandido morto”. Escolheu-se alguém que promete a morte alheia. No entanto, inconscientemente, o que se escolheu é realmente matar. Quando alguém vota ou apoia um candidato, sempre o faz esperando que o Estado realize aquilo que cada um faria se estivesse no lugar do governante. Assim, quando se vota em alguém que promete escolas, é porque também faria escolas. E quando se vota em quem promete matar, concorda-se com o ato de matar. Apoiando um candidato, apoia-se o seu projeto.

 

O inconsciente atua em nossas vidas quando não sabemos, ou também quando parecemos não saber. Uma das principais funções da consciência é acobertar o inconsciente. Assim, aqueles que dizem “não acreditar” nas promessas de morte, apenas dizem que não acreditam. Não há nenhuma prova de que não acreditem, mas há uma fala que promete não acreditar. Isso porque toda fala carrega uma promessa em potencial. Há falas que são promessas diretas, mas mesmo as falas comuns trazem promessas indiretas, por isso não confiamos em certas pessoas e nem sabemos por quê. Porque algo nelas nos sinaliza para um “efeito” em nível da linguagem que pode nos comprometer.

 

Não há nenhuma garantia de que o candidato eleito não vá cumprir suas promessas. Nesse sentido, essa crença de que ele não vai fazer o que promete não apenas acoberta como também justifica a escolha, liberando da responsabilidade e da culpa que há de vir sobre as mortes prometidas. À medida que pessoas são mortas em larga escala, o sentimento de culpa vai precisar de uma álibi na consciência. E esse álibi será a frase “é inacreditável que isso esteja acontecendo”, que já circula por aí e continuará cumprindo seu papel.

 

Em 2017, publiquei um livro em que falei muito da capitalização desse tipo de discurso que parece brincadeira. Falava da performance política de Michel Temer, mas fazia análises sobre o poder de Bolsonaro e João Doria, que avançam cada vez mais como líderes públicos quanto mais absurdos se tornavam suas falas e atos, todos vazios, mas hipnotizantes. Analistas que subestimaram a situação achando que Bolsonaro era um simples imbecil têm se retratado. Também eles foram vítimas do inconsciente.

 

Mas o problema do inconsciente é ainda mais complexo. Em um nível ainda mais oculto, o que aquele que apoia um projeto de matança em massa deseja no fundo, ou seja, no inconsciente, é morrer.

 

Um rombo na subjetividade

 

Todos os que vociferam contra a vida alheia querem não apenas que os outros morram, mas querem também morrer. Não é à toa que a metáfora do “vazio” sirva tanto àqueles que não pensam, quanto aos deprimidos. São rombos diferentes na subjetividade apenas porque avançam tratados de formas diferentes. Não quero dizer com isso que o vazio não seja conhecido de cada pessoa capaz de refletir sobre si mesma. Ao contrário. Mas há um vazio mais profundo, aquele do próprio eu, de quem não foi ajudado a existir, de quem não teve apoio escolar, familiar, cultural. Há subjetividades realmente esfaceladas, para as quais não sobrou uma gota de humanidade. Os fascistas de Estado ou potenciais todos têm um profundo rombo na subjetividade, ele constitui um complexo de inferioridade. Esse rombo interno é ocultado por um véu de agressividade que se torna estilo de ser e de viver. Daí o escândalo da agressividade consciente de figuras como Jair Bolsonaro. Ele deveria tê-la ocultado, mas a fez aparecer, encantando as multidões como se fosse algo místico, mágico. Daí sua mitificação.

 

Ora, o que uma subjetividade fascista deseja é o que ela justamente projeta para fora de si por meio da linguagem e de atos. O desejo de morrer. Ela sabe quais são seus próprios crimes. Sabe de seus pecados quando se trata de alguém religioso. Deus também é uma imagem de acobertamento do inconsciente criminoso para os que vociferam a morte e falam a Deus. O inconsciente que deseja matar. Sabe também que não há deus suficiente para isso, por isso escolhe um deus alucinante que possa conter todos os outros que deliram com o mesmo desejo. Não há drogas suficientes, não há dinheiro suficiente para conter esse desejo. E qualquer um que detenha esse desejo (seja a esquerda ou o papa) é o mal que vem castrar esse desejo que suplantou todos os outros. No entanto, isso não vem do nada. Um fascista experimentou rebaixamentos terríveis em sua infância. Uma imagem desse rebaixamento – que se confunde com a imagem do cúmulo do ódio sublimado – que pode fazer surgir uma subjetividade fascista está na menina que, no colo de Jair Bolsonaro, aprende a fazer um revolver com os pequenos dedos inocentes. A brutalidade de Bolsonaro esconde o grande abuso sobre uma criança. Um abuso que o abusador adulto não desconhece em sua própria pele, na criança que um dia ele foi. Outros seguem cometendo o mesmo abuso e autorizados pelo grande líder.

 

E porque sentem vontade de matar e vontade de morrer, porque o sentimento de culpa está ali para destruir e precisa ser calado, o fascista se entrega à sua performance de horror, imitando o chefe para quem terceirizou a ação de destruir. Esse é o motivo fundamental que faz pessoas que em tudo são vítimas em potencial, se devotarem ao próprio algoz.

 

Alguém pode achar esse tipo de análise um pouco cruel, porque é nosso hábito mental acreditar que a sociedade é consciente e que tendemos ao bem de todos, o que é uma grande hipocrisia. Verdade, no entanto, é que tendemos ao lugar para o qual formos levados. Por isso, é sempre melhor se deixar levar pelo respeito, pela dignidade, pela compaixão.

 

Do sexo, da misoginia e da homofobia à fama

 

Dito tudo isso, podemos falar do uso político da sexualidade nos últimos anos. Não foi por acaso que Dilma Rousseff foi objeto de tanta misoginia. Sexo é uma categoria de análise tanto quanto gênero e ajuda a entender o seu caso. Mas também ajuda a entender Bolsonaro.

 

O Presidente da República recém eleito era apenas um deputado menor, caricato, como tantos outros que vemos por aí há anos “mamando” no Congresso Nacional, para usar uma expressão do povo. Cresceu na opinião pública desde suas violências para com o deputado Jean Wyllys e Maria do Rosário.

 

O ódio dos deputados homofóbicos a Jean Wyllys e dos sexistas e machistas contra Maria do Rosário não deve ser analisado como simples espontaneidade do preconceito. A espontaneidade não é um argumento quando se trata de tantos grupos envolvidos com projetos de poder. A orientação para a homofobia e a misoginia não é espontânea quando se trata de poder. Sobretudo se associarmos o neopentecostalismo das novas igrejas do mercado a isso.

 

A homofobia mostra-se hoje como um padrão bastante manipulável. Ela não é mais rejeitada. Foi com Jean Wyllys, mas não será mais assim. A eleição de uma figura como Alexandre Frota mostra que as pessoas mais moralistas não têm apenas rejeição, mas também atração pela homossexualidade. Desde que o homossexual seja autoritário e, principalmente, cínico. Aqueles que votaram acreditando na “família tradicional procriadora” logo perceberão que os gays estão autorizados, mas apenas dentro do armário, como sempre. O ódio a Jean Wyllys vem também do seu orgulho gay, de ele ser o único deputado que assume sua orientação sexual de maneira ética e saudável. Se todos tivessem que assumir, seu negócio de “família tradicional, deus, etc” cairia por terra. Nenhuma novidade na sociedade que prefere a hipocrisia. Ela se livra da responsabilidade.

 

A relação que se tem com a homossexualidade é ambígua da esquerda à direita. A hipocrisia ajuda a acobertá-la. Por isso, enquanto a direita odeia Jean Wyllys, que a politiza, adora Alexandre Frota, que não a politiza, embora sua inscrição sexual seja pública e notória. A hipocrisia é um véu necessário para manter tudo como está, por isso também uma figura como Frota se torna tão essencial nesse momento. Ele funciona como uma prova – ao nível consciente – de que não há homofobia no governo que há de vir desde que se esteja do lado do opressor. Desse modo, não será a homossexualidade que será punida, mas a homossexualidade do outro. Com corrupção já acontece isso. Não é a corrupção que será punida, mas a corrupção do outro. A lógica do fascismo é a do cinismo: dois pesos e duas medidas para confundir os que ainda acreditam em regras e princípios ou para agradar os que se sentem contemplados com o jogo.

 

Por fim, e pedindo perdão por escrever tanto em uma época em que os “textões” estão estigmatizados, precisamos falar de Pabllo Vittar.

 

O que ela tem a ver com isso? Pabllo Vittar, como acontece com mulheres, trans e travestis, move as ambiguidades próprias do desejo de todos os recalcados. Não é por acaso que o Brasil é o país que mais mata homossexuais e pessoas trans e travestis, muito antes do fascismo eleito.

 

Bolsonaro tem uma tarefa para a qual não está preparado e, como em relação a tudo o mais, não prometeu nada. A tarefa de livrar seus eleitores do desejo por pessoas como Pabllo Vittar. Um desejo insuportável, mas tão insuportável que é mais forte que o cidadão o manifesta. Há várias pessoas que dizem votar em Bolsonaro para que não precisem mais ver Pabllo Vittar na televisão. Se o cidadão que vocifera contra a artista não gostasse simplesmente da sua obra, poderia desligar a televisão. A televisão não é uma obrigação. Ninguém será punido por não ver televisão. Ou seja, o que a move é o desejo. Mas quem tem um desejo que não pode escolher, um desejo autoritário, um desejo que não negocia consigo mesmo, pode precisar de um “freio”. Em função da imensidão desse desejo, ele precisará de um país inteiro autoritário, de um ditador na presidência, de um ditador maluco assassino a garantir a paz do seu desejo. No entanto, ele poderia simplesmente desligar a televisão com um controle remoto. Ou trocar de canal.

 

Para esse eleitor, que são milhões, é preciso muita mais do que um ditador. Por mais que prometa matar meio mundo, por mais que prometa vender o Brasil, acabar com todos os direitos do povo, tornar a vida dos cidadãos um inferno econômico e social, ele não poderá resolver o desejo em relação à imagem de Pabllo Vittar, ao que ele representa.

 

Mesmo que se destrua a televisão, que se matem todas as travestis, que se matem as mulheres, que se matem os críticos, os psicanalistas, os educadores, que se queimem os livros, que se implante a escola sem partido e que os imbecis de plantão continuem falando de “ideologia de gênero” sem saber o que dizem, mesmo que se exploda o Brasil com uma bomba atômica ou guerra civil, o desejo por Pabllo Vittar é indestrutível.

 

Nem Bolsonaro poderá curar esse desejo.

 

Pena que um mundo tenha que ser aniquilado porque alguém não pode, livremente e de maneira amorosa, viver de bem com o seu desejo.

 

Então, precisamos começar tudo de novo. Se tivermos tempo, uma sexologia política pode nos ajudar.


> Leia a coluna de Marcia Tiburi, toda quarta-feira, no site da CULT
 
26
Out18

Ato contra a ditadura se transforma em comício para Haddad em Fortaleza

Talis Andrade

por Silvano Mendes / RFI

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Militantes que sobreviveram à tortura e à repressão participaram o ato contra a ditadura em Fortaleza RFI
 
 

Essa quinta-feira (25) marcou os 43 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog, vítima da ditadura militar. A data foi lembrada em Fortaleza com um ato político em defesa da democracia, no qual o palanque contou com a presença de sobreviventes da tortura, além de estudantes, jornalistas e militantes de vários partidos, que aproveitaram o momento para defender a candidatura de Fernando Haddad no segundo turno da eleição presidencial.

 

Enviado especial a Fortaleza

 

Ao som de canções engajadas, como Tropicália, de Caetano Veloso, ou Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio, centenas de pessoas se reuniram na praça Gentilândia para homenagear o jornalista morto em um quartel do exército em São Paulo, em um episódio que se tornou um dos símbolos dos anos de chumbo no Brasil. Várias testemunhas vivas dessa época, muitas delas vítimas da repressão, estavam presentes e se sucederam no microfone durante o evento, intitulado “Ditadura Nunca Mais”.

 

Praticamente todos os discursos foram pontuados por frases em apoio ao candidato do Partido dos Trabalhadores para a presidência, Fernando Haddad, mas também contra Jair Bolsonaro, cuja possível vitória no próximo domingo (28) é vista por muitos na manifestação como um risco de restabelecimento de uma nova forma de ditadura. “A morte de Herzog foi o fruto de tudo o que nós queremos afastar do Brasil hoje”, declarou a ex-prefeita de Fortaleza e deputada federal do PT, Luzianne Lins. “Estamos aqui para honrar o Brasil verdadeiro, o país solidário, generoso, de um povo com o coração aberto para receber o mundo. E não um Brasil tomado pelo ódio, como ele quer que seja a cara de nosso país para o resto do mundo”.

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Dois pontos percentuais por dia

 
 

O Ceará foi o único estado do Brasil a não eleger nem Haddad nem Bolsonaro no primeiro turno. Ao optar por Ciro Gomes, os cearenses criaram o suspense sobre quem vai ficar com os votos do candidato do PDT, que chegou em terceiro na corrida eleitoral. “Temos três dias para conquistar os 6% que faltam para a virada”, gritavam os militantes, em alusão àsúltimas pesquisas de opinião, que apontam uma queda de 18 para 12 pontos de diferença entre os dois candidatos. Para eles, a estratégia agora é seduzir os indecisos e conseguir ganhar 2 pontos percentuais por dia, até domingo.

 

Estudantes e militantes também participaram da manifestação RFI
 

 

Para isso, vários partidos – principalmente de esquerda – se mobilizam para ajudar a eleger Haddad, mesmo se nem todos concordam com a política dos petistas. “Nós fomos críticos ao governo do PT, mas compreendemos que as pessoas que querem lutar por direitos e democracia devem votar em Haddad, mesmo com críticas”, explicou o deputado estadual do PSOL Renato Roseno, um dos mais fervorosos durante a manifestação desta quinta-feira. “A gente não quer que as pessoas votem esquecendo as críticas ao petismo. Esse é um voto que deposita confiança, mas deposita também cobrança e exigências. Até para eu ser um opositor crítico à Haddad, para que ele avance em reformas que não fizeram ainda nos anos passados, eu voto nele”, explica.

 

Nos bastidores, alguns militantes criticam a falta de um apoio mais firme de Ciro Gomes. “Ele deveria ter subido em um palanque com Haddad”, disseram alguns. Muitos esperam, inclusive, que Ciro se pronuncie nesta sexta-feira (26), quando volta para Fortaleza após uma viagem pela Europa. Militantes já estão se organizado para esperá-lo no aeroporto às 20h, pelo horário local.

 
 
26
Out18

PRESIDENTE NACIONAL DE IGREJA EVANGÉLICA PEDE VOTO EM HADDAD

Talis Andrade

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O pastor evangélico Ricardo Gondim declarou, em um vídeo nesta quinta-feira (25), apoio ao candidato do PT à presidência Fernando Haddad.

 

Gondim conhecido por suas posições em relação aos direitos humanos e de minorias. Presidente do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos e autor de diversos livros, ele contou que teve seu pai preso pela Ditadura Militar, em 1964, e que sua mãe, então grávida de gêmeos, perdeu uma das crianças.

 

"Não estamos em um período de eleição normal, o que está em jogo é a possibilidade de uma ditadura de extrema-direita, de fascismo. Minha opção agora é em Haddad, não só por ele, mas pela democracia e pelo futuro do Brasil", disse o pastor.

 

 

 

25
Out18

Eliane Brum: "Bolsonaro, nega a democracia"

Talis Andrade

 

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247 - A escritora Eliane Brum manifestou indignação com os argumentos e a expressão usada pelo ministro do Superior Tribunal Eleitoral para justificar a proibição da cena da apologia à tortura de Jair Bolsonaro (PSL) usada no programa de Fernando Haddad (PT). O ministro usou a palavra 'distopia' como argumento para a suspensão das imagens e Brum classifica o erro semântico como afirmação da autoverdade do ministro. Para Brum, o país vive um delírio de "normalidade" que devasta a compreensão da própria magistratura sobre os riscos à civilização que estão sendo impostos pela brutalidade política. 

 

Em seu artigo, publicado no jornal El País, Brum alerta: "estamos ferrados. Não apenas porque um ministro do TSE diz que é simulado aquilo que é real, mas porque este tem sido o comportamento de uma grande parcela das instituições e também da imprensa. Simula-se no Brasil que a distopia não é real. E se faz isso simulando que esta é uma eleição "normal", uma eleição entre dois projetos distintos, mas igualmente legítimos".

 

E chama a atenção para o que esta em jogo: "esta é uma eleição em que um candidato, Fernando Haddad, por mais ressalvas que se possa ter a ele e ao seu partido, tem um projeto democrático, e o outro candidato, Jair Bolsonaro, nega a democracia. É estranho disputar uma eleição e ao mesmo tempo negar a democracia? É estranho. Esta é uma das contradições da democracia, e ela se expressou diversas vezes ao longo da história e se expressa com muita força nos dias atuais, com exemplos como Rodrigo Duterte, nas Filipinas, e Recep Tayyip Erdogan, na Turquia".

 

 

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