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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

14
Jan21

Pazuello e Bolsonaro só merecem o nome de ‘monstros de Manaus’

Talis Andrade

por Fernando Brito

- - -

O colapso no fornecimento de oxigênio para centenas ou milhares de brasileiros e brasileiras que estão internados nos hospitais de Manaus estava mais do que avisado e era mais do que sabido que isso causaria a morte de muitos deles, com os pulmões atacados pela infecção.

Os pedidos de ajuda à União – e também a outros estados – foram muitos e em vão.

Hoje, funcionários dos hospitais, desesperados, transportavam em macas os poucos cilindros que conseguiam ou que eram trazidos por parentes dos pacientes, arrumados sabe lá Deus como.

O Ministério da Saúde sabia do desastre iminente, o Ministro da Saúde sabia da tragédia anunciada e o presidente da República, com quem Pazuello tratou do assunto hoje cedo, sabia.

A fabricante White Martins, que tem fábrica em Manaus, não dá conta de uma demanda que quintuplicou em 5 dias e está pedindo ajuda para trazer mais cilindros da Venezuela, sem que se saiba de qualquer apoio diplomático para isso.

Ao contrário, o coronel Franco Duarte, representante do Ministério da Saúde no Amazonas (sim, um coronel) prefere colocar a culpa nos pacientes que “não está no leito de UTI” que, por ficar com o cilindro de oxigênio próximo a ele, abre a torneirinha para ampliar o fluxo e ter uma “sensação de bem estar”.

Só agora à noite estão chegando aviões da FAB com alguns cilindros, enquanto o Amazonas tenta “exportar” doentes para outros estados e coloca Manaus sob toque de recolher noturno, diante de mais um recorde de casos.

Que nome merece esta gente?

Os monstros de Manaus?

Como é que meteram o Exército Brasileiro metido neste genocídio sem que tenhamos generais que se indignem com a morte de seus compatriotas sufocados, sem ar, numa agonia horrenda.

Será que o “I can’t Breath” – “eu não posso respirar”, em inglês – vai ser o grito silencioso dos manauaras?

 

14
Jan21

O AMAZONAS PEDE SOCORRO! Toque de recolher em todo o Estado do Amazonas de 19h às 6h

Talis Andrade

 

Portal do Amazonas - O governador Wilson Lima anunciou, nesta quinta-feira (14/01), em pronunciamento nas redes oficiais do Governo do Amazonas, as ações frente ao recrudescimento da pandemia do novo coronavírus no estado, que incluem novas medidas de restrição, plano de abastecimento de oxigênio para as unidades hospitalares e remoção de pacientes para hospitais de outros estados.

As ações foram tomadas diante do quadro epidemiológico da Covid-19 no Amazonas. Segundo o governador, a ampliação das medidas de restrição visa a proteção da vida das pessoas. O novo decreto será publicado restringindo o transporte coletivo de passageiros em rodovias e rios e suspendendo a circulação de pessoas nas ruas, em todo o estado, entre às 19h e 6h.

“Estamos baixando um decreto suspendendo o transporte coletivo de passageiros entre as rodovias e os rios, exceto o transporte de cargas. Estamos também decretando o fechamento das atividades de circulação de pessoas, entre 19h e 6h da manhã, exceto atividades e transporte de produtos essenciais à vida. E aí teremos o funcionamento de farmácias, mas para entrega de delivery e entrega por demanda. A circulação de pessoas que trabalham em áreas estratégicas e essenciais como saúde, segurança pública e imprensa também fica assegurada”.

O Governo do Amazonas também iniciou a transferência de pacientes para unidades hospitalares de cinco estados. Para isso, além do translado desses pacientes, o governo montou um grupo de apoio psicossocial para pacientes e familiares.

“Estamos montando também um grupo de apoio para esses pacientes e familiares que irão se deslocar para os outros estados. Esse primeiro grupo irá para o estado de Goiás, e outros grupos irão para os estados do Piauí, Maranhão, Brasília, Paraíba e Rio Grande do Norte. E aqui quero agradecer a esses governadores, que num gesto humanitário, estão estendendo a mão para que os nossos irmãos possam ser acolhidos nessas regiões”.

 

Médica de Manaus fala sobre falta de oxigênio em hospital: 'O que vivi hoje nem nos piores pesadelos pensei que poderia acontecer'

 

Um novo surto da Covid-19 provocou colapso no sistema de saúde de Manaus, e unidades de saúde passaram a sofrer comfalta de cilindros de oxigênio. A médica residente Gabriela Oliveira, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), disse que a situação está caótica.

 

O que eu vivi hoje nem nos meus piores pesadelos eu pensei que poderia acontecer. Não ter como assistir paciente, não ter palavras para acalentar um familiar. Isso é uma coisa que vai ficar uma cicatriz eterna nos nossos corações", declarou.

 

Até esta quarta (13), mais de 5,8 mil pessoas morreram no estado com a doença. Por conta do colapso na Saúde, pacientes internados com Covid em Manaus vão ser transferidos para outros seis estados, informou o governador Wilson Lima.

A médica Gabriela Oliveira, assim como outros profissionais da linha de frente, também descreveu a situação como um cenário de guerra. De acordo com ela, a maioria dos profissionais que atuam nas unidades está trabalhando com carga dobrada.

 

Já não temos mais saúde mental pra lidar com a situação que Manaus está enfrentando. Hoje acordamos no nosso pior dia, a falta do oxigênio em algumas instituições nos deixou desesperados. É muito angustiante a gente não ter o que fazer", disse.
14
Out20

Covid-19: França adota toque de recolher em Paris e mais oito metrópoles de 21h a 6h

Talis Andrade

Macron TV.jpg

 


O presidente Emmanuel Macron anuncia toque de recolher na região de Paris e em oito metrópoles francesas, em entrevista em rede nacional no dia 14 de outubro de 2020.
 France 2


O presidente francês Emmanuel Macron anunciou nesta quarta-feira (14) as novas medidas do governo para conter a segunda onda da pandemia Covid-19, que já matou 33 mil pessoas no país. Um toque de recolher, que será aplicado em oito metrópoles francesas, além da capital, terá início à zero hora deste sábado (17) e vai durar pelo menos quatro semanas. As outras metrópoles atingidas são Grenoble, Lille, Lyon, Aix-Marselha, Rouen, Montpellier, Saint-Etienne e Toulouse.

Teatros, cinemas, bares e restaurantes terão de fechar imperativamente às 21h nestas cidades. A multa para quem for pego quebrando o toque de recolher é de 135 € (e de 1500 € em caso de reincidência). 

"O toque de recolher vai durar quatro semanas e iremos ao Parlamento para prorrogá-lo até 1º de dezembro. Seis semanas é o tempo que nos parece útil", disse o chefe de Estado em entrevista televisionado, especificando que a medida entraria em vigor no sábado à meia-noite

A decisão, explica o presidente, foi baseada em experiências feitas na Guiana Francesa e no departamento de Mayenne, que conseguiram frear a difusão do vírus. "No momento do confinamento, fomos um dos países que melhor acatou as medidas e é por isso que eu conto com os franceses como atores da luta contra a segunda onda", disse o presidente, chamando os cidadãos para a responsabilidade individual e coletiva. 

O chefe de Estado disse que não vai voltar a fechar escolas e empresas, como aconteceu no confinamento de março e abril. "No trabalho, nas escolas, colégios e universidades, a gente usa máscara e consegue se proteger. Mas é nos contatos mais festivos que a gente se contamina", disse o presidente, pedindo que os franceses evitem encontros "desnecessários" e não se reúnam em grupos de mais de seis pessoas em restaurantes e em lugares fechados. 

 
 

 

14
Jun20

O risco de acentuar as tendências autoritárias e populistas

Talis Andrade

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II - Omissão de dados da pandemia subestima inteligência da população, diz presidente da Transparência Internacional

Marcia Carmo entrevista Delia Ferreira Rubio
 

 

BBC News Brasil - A senhora disse em uma entrevista que a situação de emergência pode intensificar o viés autoritário. Na Argentina, o Poder Judiciário e o Congresso praticamente não funcionaram em grande parte da quarentena. No Brasil, vemos problemas frequentes do presidente com o Congresso ou com o Supremo Tribunal Federal. No Chile e no Peru, no âmbito da quarentena, foram implementados toques de recolher. Qual a sua visão sobre o que ocorre no Brasil e na região?

Rubio - Não sou especialista no Brasil e, além disso, estou longe. Mas globalmente o que estamos vendo, como resultado da emergência, é a concentração de poder, de decisões, e isso é generalizado. Em alguns países, isso vai acompanhado de tendências mais autoritárias. Ou seja, ‘não só concentro o poder porque preciso, mas começo a tomar medidas que vão além das necessárias na emergência’. E quando isso ocorre com congressos, tribunais e organismos de controle que não funcionam, às vezes com o argumento de que como são empregados públicos as repartições estão fechadas.

Mas existem áreas do Estado que são essenciais. Se os supermercados puderam se organizar para abrir, por que os tribunais de um país não podem se organizar para funcionar também? Existem hoje direitos que estão limitados. Como o direito à mobilidade. Você não pode sair da sua casa, se não for por perto, ou se for para correr (no parque da cidade de Buenos Aires entre 20h e 8h). A emergência justifica algumas restrições, mas não uma limitação absoluta e sem limites. Os parâmetros internacionais em casos de emergência dizem que as limitações aos direitos devem ter um período de tempo.

Quando o presidente da Hungria (Viktor Orbán) definiu algo (poderes extraordinários na quarentena) sem limite de tempo, houve reação na Europa. O risco é transformar algo que é excepcional em regra. E as medidas não podem ser discriminatórias e têm que ser informadas de maneira clara e sujeitas a serem controladas. Na América Latina, ocorreram situações que não respeitaram essas regras.

 

BBC News Brasil - Por exemplo?

Rubio - Por exemplo, na Argentina chegaram a proibir a entrada de argentinos (que vinham do exterior). Isso gerou reações e foi corrigido. E, então, foram organizados voos para levá-los de volta ao país. As férias do Judiciário, ratificadas há poucos dias pela Suprema Corte, também colocam os direitos da cidadania em risco. O que observamos é que nos países onde as tendências autoritárias e populistas já estavam presentes, foram acentuadas. E nos países onde há mais democracia e sem essas tendências, começaram a ser acesas luzes de alerta de excesso ou de abuso de poder.

 

BBC News Brasil - Onde, por exemplo?

Rubio - No mundo, isso ocorreu em vários lados, em muitas declarações, como na Europa. Outro exemplo é o que ocorre na área dos aplicativos tecnológicos. Aqui na Alemanha foi discutido até que ponto o Estado poderia impor a uma pessoa o uso disso (rastreadores) e a decisão foi contrária a obrigatoriedade. A obrigatoriedade passava dos limites da pandemia, que é o objetivo central.

 

BBC News Brasil - Você usa a palavra ‘apidemia’.

Rubio - Sim, porque existe uma epidemia de aplicativos. Em muitos casos, seguindo o modelo do que a China ou a Coreia do Sul fizeram. Os aplicativos foram apresentados como se fossem a chave do sucesso, se é que podemos chamar de sucesso, nas respostas à pandemia. De todos os países democráticos, a Índia foi o único que implementou esses aplicativos. No restante dos países democráticos, os governos disseram ‘aqui está, podem usá-lo, se quiserem’, e com diferentes níveis de consentimento.

A covid-19 enfatizou ainda mais a importância da tecnologia. Não poderíamos estar falando agora (por Skype) se não fosse por ela. Muita gente e muitos setores da economia continuaram funcionando durante a quarentena. Mas do ponto de vista da liberdade de expressão, da vigilância sobre redes sociais, o suposto controle das fake news, alguns governos disseram ‘nós vamos definir o que é fake news’. É um risco. Um risco para a liberdade de expressão, para a liberdade de imprensa e para as redes sociais. A Argentina acaba de aprovar um protocolo de vigilância nas redes sociais que é inaceitável.

 

BBC News Brasil - O argumento oficial é a pandemia.

Rubio - Claro.

 

BBC News Brasil - O argumento é se as pessoas estão respeitando ou não as regras da quarentena.

Rubio - Na verdade é algo que já existia no governo anterior, de Macri (2015-19), apesar de agora esse setor se mostrar surpreso, mas fazia a mesma coisa. E agora uniram (o argumento) à emergência da covid-19. Uma das discussões hoje é se o setor de tecnologia deve ter regulações por parte do Estado, se é algo global ou se a própria sociedade a regulará. As regras são necessárias sim, mas as leis devem ser implementadas. (Continua)

 

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