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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Ago21

Estudo mostra consequências da violência armada à saúde mental dos moradores de favelas

Talis Andrade

Operação policial no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

Operação policial no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. © Rosilene Miolitti/Redes da Maré

Um estudo lançado segunda-feira (23) mostra como a saúde mental dos moradores de favelas pode ser afetada pela violência armada. A pesquisa “Construindo Pontes” avaliou o cotidiano dos habitantes do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, que frequentemente testemunham assassinatos, agressões e tiroteios, vivendo em um estado permanente de medo.

A ideia de realizar o estudo surgiu com a diretora da ONG Redes da Maré, Eliana Sousa Silva. Moradora do complexo, ela se interessou por investigar o estado da saúde mental dos moradores do local, expostos a uma violência armada cotidiana. Para realizar a pesquisa, ela convidou o britânico radicado no Brasil Paul Heritage, professor de Teatro e Artes Performáticas na Queen Mary University of London e diretor da People’s Palace Projects. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) também é uma parceira do trabalho.

No total, Eliana e Paul dedicaram três anos a investigações do dia a dia dos moradores das 16 favelas que compõem o Complexo da Maré, entre 2018 e 2020. Mais de 1.400 pessoas foram entrevistadas para o trabalho, que resultou em um levantamento quantitativo e qualitativo inédito.

Através deste trabalho foi feito um imenso apanhado sobre o perfil dos moradores da Maré, com dados sobre gênero, idade, cor, origem, nível de estudos e trabalho, mostrando, por exemplo que o local é composto por uma população jovem: 75% dos moradores da Maré tem menos de 50 anos. A pesquisa registrou também a violência armada que essas pessoas vivenciam no cotidiano: tiroteios, assassinatos, agressões, assaltos e até mortes de membros das famílias dos entrevistados nesses incidentes.

“É alarmante. Nossa pesquisa mostra essa exposição à violência armada que chamamos de ‘objetiva’, de fatos que ocorreram. Mas também queríamos saber mais sobre a violência ‘subjetiva’, como a sensação de medo, que é altíssima e constante nessas comunidades”, diz o professor Paul Heritage, em entrevista à RFI.

 

Medo permanente

O estudo avaliou, por exemplo, que 50,2% dos entrevistados vivem, na Maré, uma permanente preocupação de ser atingido por balas perdidas ou que seus familiares sejam alvo de projéteis (55,6%). Esse medo também cerceia as ideias e pensamentos: quase 50% das pessoas ouvidas se preocupa em emitir opiniões no local.

“Claro que tudo isso vai influenciar toda a vida da pessoa: a possibilidade de estudar, de ter um bom emprego, de cuidar de sua saúde física ou mental”, avalia o professor. Segundo ele, a incidência deste medo vem aumentando ao longo dos anos e prejudicando vários aspectos da vida dessas pessoas.

“Esse é um alerta para todos nós como sociedade porque a gente está criando uma geração que está perdendo a capacidade de ter uma vida saudável. Todas as sequelas vão além da violência armada, da pobreza e da restituição de direitos. Além disso, a pandemia de Covid-19 deu mais foco a essa questão de saúde mental”, reitera Heritage.

O professor diz que tem esperanças de mobilizar as autoridades para o problema. Na ausência de políticas públicas que tratem desta questão, a ONG Redes de Desenvolvimento da Maré vem criando iniciativas como a semana de conscientização de saúde mental “Rema Maré”.

A partir desta segunda-feira até o próximo sábado (28), debates, intervenções, webinários e performances artísticas acompanham o lançamento do estudo “Construindo Pontes”.

Charge mostra uma montagem fotográfica, que aparece um prato, garfo e faca sobre uma toalha de mesa listrada em verde amarelo. Sobre o prato, está um fuzil. A legenda da charge aparece a inscrição "Fuzil maravilha".

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18
Ago21

Senadores apresentam notícia-crime ao STF contra Aras por prevaricação

Talis Andrade

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247 - Os senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolaram no final da manhã desta quarta-feira (18) no Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, por prevaricação. 

“O comportamento desidioso do Procurador-Geral da República fica evidente não só pelas suas omissões diante das arbitrariedades e crimes do presidente da República, mas também pelas suas ações que contribuíram para o enfraquecimento do regime democrático brasileiro e do sistema eleitoral e para o agravamento dos impactos da Covid-19 no Brasil, além de ter atentado direta e indiretamente contra os esforços de combate à corrupção no país. O conjunto de fatos demonstra patentemente que o Procurador-Geral da República procedeu de modo incompatível com a dignidade e com o decoro de seu cargo”, argumentam os senadores.

O pedido foi enviado ao gabinete da ministra Cármen Lúcia, que deverá encaminhar o caso ao Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Cármen Lúcia já é relatora de um processo sobre os ataques de Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral e, por esta razão, recebeu nesta quarta-feira a manifestação dos senadores.

O pedido é motivado, de acordo com os senadores, pela omissão de Aras em relação aos ataques ao sistema eleitoral brasileiro, além das recusas do PGR de atuar em relação ao dever de defender o regime democrático brasileiro e ao dever de fiscalizar o cumprimento da lei no enfrentamento à pandemia da Covid-19.

 

13
Mar19

O capitão, o major e o tiroteio em um escola de Suzano

Talis Andrade

 

livro arma polícia pm professor estudante protest

 

O senador Major Olímpio (PSL-SP) se manifestou nesta quarta-feira, 13, no Senado, sobre o ataque de dois atiradores, que deixou 10 mortos em uma escola de Suzano (SP).

Segundo o senador bolsonarista, se os professores estivessem armados na escola, a situação poderia ter sido "minimizada". "Se tivesse um cidadão com uma arma regular, dentro da igreja, da escola, professor, servente, policial aposentado trabalhando lá, poderia ter minimizado o tamanho da tragédia", afirmou Major Olímpio.

Professores armados na sala de aula simbolizam a selvageria do governo paralelo em São Paulo, e das milícias no Rio de Janeiro. 

Apesar da propaganda belicista, o senador não disse como o professor vai arranjar dinheiro para comprar uma arma de fogo. Imagina o senador, que desconhece a realidade brasileira, aonde um servente vai comprar um revólver?  

Um pastor pode, sim, adquirir armamentos e contratar capangas, para pregar o amor cristão. 

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De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, pouco antes da tragédia em Suzano, Bolsonaro, durante um encontro com jornalistas, disse que está preparando um projeto para ser encaminhado ao Congresso flexibilizando o porte de armas pela população.

Segundo ele, a regra sobre o porte de armas não pode ser tão "rígida" como atualmente, embora não tenha fornecido maiores detalhes sobre o texto que pretende encaminhar ao Congresso sobre o assunto.

No encontro, ele também disse dormir com uma arma ao lado da cama porque teme a existência de "riscos" no Palácio do Alvorada, apesar da existência de um forte esquema de segurança no local.

Em janeiro, como um de seus primeiros atos de governo, Bolsonaro fez Sergio Moro editar um decreto flexibilizando a posse de armas pela população sob a alegação de que isso ajudaria a combater a violência.

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, um dos atiradores - informa o Diário de Notícia de Portugal - costumava partilhar imagens com arma nas redes sociais. No facebook, o adoescente revelava-se um amante de armas, um apoiante do presidente Jair Bolsonaro e um fã da série Walking Dead.

Sobre Marielle Franco, assassinada no ano passado, Guilherme curtiu um post da página do delegado Roberto Monteiro que diz "trate bandidos como vítimas, e um dia a vítima será você".

 

 

13
Mar19

Mataram oito na escola onde estudaram

Talis Andrade

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Guilherme Monteiro, 17 anos, e Luiz Castro, 25, que tinham estudado na Professor Raul Brasil, na pacata cidade de Suzano, mataram o tio do primeiro, duas coordenadoras e cinco adolescentes no massacre

 

Por João Almeida Moreira

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Dois antigos alunos de uma escola pública de Suzano, pacata cidade de 300 mil habitantes a 34 quilómetros de São Paulo, mataram oito pessoas, das quais cinco menores, e feriram dez, na manhã desta quarta-feira (13 de março). Os atiradores, Luiz Castro, 25 anos, e Guilherme Monteiro, 17, também morreram. A polícia científica está a investigar se os homicidas se suicidaram ou se foram abatidos por três agentes da força tática da polícia paulista quando tentavam entrar no centro de línguas da escola, onde dezenas de alunos se encontravam.

Luiz trabalhava como auxiliar de jardinagem com o pai em Guaianases, uma cidade a 14 quilómetros de Suzano. Segundo um tio, nunca tinha dado problemas e ocupava os tempos livres a jogar e a ver futebol, torcendo pelo clube local Corinthians e pelo clube espanhol Barcelona. Disse ainda o familiar que na véspera do massacre, Luiz dissera ao pai que não iria trabalhar por se estar a  sentir mal.

Guilherme vivia com o avô - a avó morreu há quatro meses - e as duas irmãs porque os pais são toxicodependentes. Até ao ano letivo passado - que terminou em dezembro - estudava na escola que atacou. Segundo os professores, era tranquilo. O avô também disse que o neto nunca lhe deu problemas, nem com drogas ou de outro tipo. Colegas que escaparam do ataque, por sua vez, disseram que no último fim de semana ele já os tinha ameaçado - "fiquem alerta", avisou. Acrescentaram que Guilherme se costumava fotografar com armas nas redes sociais e que não tinham ideia de que ele sofresse bullying.

Um tinha vergonha das borbulhas, o outro era jardineiro: os atiradores da escola de São Paulo

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, que completaria 26 no sábado, eram ex-alunos da escola na cidade de Suzano em que mataram oito pessoas e feriram nove. O nono e o décimo óbitos da tragédia são os próprios Guilherme e Luiz, que ou se suicidaram ou foram atingidos pelos agentes da força tática que invadiram a escola e os encurralaram, informação a ser confirmada pelos exames periciais.

Segundo um tio de Luiz, o seu sobrinho trabalhava com o pai em Guaianases, cidade a 14 quilómetros de Suzano, e nunca havia dado problemas. Ontem, entretanto, pedira ao pai para não trabalhar por não se estar a sentir bem. Em conversa com a revista Veja, Américo Castro falou de "um garoto tranquilo, que gostava de jogar à bola com os amigos, torcia para o Corinthians em criança e mais recentemente se dizia do Barcelona".

O advogado da família, Fabrício Tsutsui, diz que na família, constituída maioritariamente por gente idosa, todos estão chocados com o ataque e com a morte de Luiz. Segundo o jurista, o atirador era auxiliar de jardinagem.

Guilherme morava com duas irmãs mais novas e os avós - a avó morreu morreu já quatro meses. O avô, porém, afirma que o neto "sempre foi bonzinho, nunca teve problemas com drogas nem deu trabalho", ao contrário dos pais, ambos dependentes químicos. Sem se identificar, contou à imprensa que pagava um tratamento de pele ao neto, que tinha vergonha das borbulhas tradicionais na sua idade.

Uma das vítimas do massacre foi um tio seu, dono de uma empresa de aluguer de automóveis nas imediações da escolha.

Colegas que escaparam do massacre desta quarta-feira relatam, no entanto, que no fim-de-semana Guilherme havia dito num centro comercial para eles "ficarem alerta". Afirmam que o atirador não sofria bullying e que costumava partilhar imagens com arma nas redes sociais. No facebook, o adoescente revelava-se um amante de armas, um apoiante do presidente Jair Bolsonaro e um fã da série Walking Dead.

Sobre Marielle Franco, assassinada no ano passado, Guilherme curtiu um post da página do delegado Roberto Monteiro que diz "trate bandidos como vítimas, e um dia a vítima será você".

Os dois frequentaram a Escola Professor Raul Brasil, sendo que Guilherme saiu, por iniciativa própria, no final do ano passado.

 

22
Jul18

Fracasso da intervenção militar: Rio aumentou para 18 o número de tiroteios por dia

Talis Andrade

 

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Um relatório de atividades do aplicativo Fogo Cruzado, que registra incidência de tiroteios na região do Rio de Janeiro, apontou que a capital fluminense tem 18 tiroteios por dia. A Sputnik Brasil conversou com a criadora do projeto, a jornalista Cecília Oliveira, que comenta o aumento no número de tiroteios durante a Intervenção Federal no Rio.


O relatório do aplicativo registra um período de 2 anos, entre os dias 5 de julho de 2016 e 5 de julho de 2018. No total, foram registrados 13.287 tiroteios na região. O número é considerado alto e retrata uma situação que se tornou corriqueira no cotidiano local.

 

"É aí que está o problema. Já não nos surpreende mais. É um coisa tão cotidiana que ou você já esteve em uma situação em que se viu ali literalmente no meio do fogo cruzado ou você conhece alguém que já passou por isso", afirma Cecília Oliveira.

 

Cecília conta que o projeto surgiu a partir de uma reportagem que ela escrevia no final de 2015. Ao buscar informações sobre tiroteios no Rio de Janeiro, ela não encontrou dados sobre a questão. Daí surgiu a ideia de coletar os dados e criar uma plataforma capaz de agregá-los.


Hoje, o Fogo Cruzado também atua além do Rio de Janeiro, na zona metropolitana de Recife-PE.

 

O aplicativo é um serviço que aponta em tempo real locais onde há incidência de tiroteios. O usuário do aplicativo pode escolher a região sobre a qual quer receber as informações e se manter a par dos possíveis conflitos.

 

A jornalista Cecília Oliveira declarou à entrevista que a escolha do Rio de Janeiro seria pelo alto índice de tiroteios na região. Já o Recife, pelo alto índice de homicídios, que ultrapassa os números cariocas.

 

Apesar da confiança no serviço, ela lança um alerta de que o número de tiroteios registrados pelo aplicativo não retrata fielmente a realidade.

 

"Apesar de ter todo esse número, e mais de 13 mil tiroteios é muita coisa, a gente tem plena convicção de que esses números são subnotificados. Nós trabalhamos com três fontes de informação. Os usuários nos enviam informação e a gente mapeia informação do órgãos policiais e da imprensa. Então, assim, se ninguém mandou para a gente a notificação, se a imprensa não cobriu esse evento e se as polícias não receberam essa informação [a ponto de não] se tornar uma ocorrência policial que foi publicizada, essa informação 'não existe'", ressalta.

 

Apesar da subnotificação, aponta Cecília, desde que o aplicativo foi lançado, os responsáveis percebem um aumento constante no número de ocorrências.


Para que haja exatidão nos registros, as informações coletadas passam por um processo de checagem rígido, que inclui cruzamento de dados e uso de scripts. Com isso, a organização procura evitar registros duplos e registros falsos.

 

Ela ainda afirma que o período da Intervenção Federal no Rio de Janeiro não demonstrou mudança nesse processo de aumento das ocorrências de tiroteios registrados pelo aplicativo. Cecília também acrescenta que os números do Fogo Cruzado demonstram que houve mais tiroteios em algumas regiões específicas. É o caso da Cidade de Deus e do Complexo do Alemão.

 

Período da Intervenção Federal registra aumento de tiroteios

 

O maior aumento do número de tiroteios registrados ao longo dos 2 anos registrados no relatório ocorreu justamente entre o 2º semestre de 2017 e o 1º semestre de 2018, com um acréscimo de 74% nos tiroteios.

 

O período coincide com a implementação da chamada Intervenção Federal no estado do Rio de Janeiro pelo governo de Michel Temer (MDB), que passou a valer no dia 16 de fevereiro de 2018 e vai até o final do ano.

 

Para a fundadora do Fogo Cruzado, isso demonstra que a medida do Governo Federal não surtiu o efeito desejado. Porém, ela destaca que esse não foi o primeiro momento em que o Exército atuou na segurança pública do estado.

 

"Fica parecendo que só em 2018 é que a gente vai contar com a presença das Forças Armadas e na verdade não é assim. O Rio de Janeiro já tinha acessado a Lei de Garantia [da Lei e da Ordem], a GLO, e já estava recebendo as Forças Armadas desde o meio do ano passado", afirma.

 

Ela ainda conclui, ressaltando que a presença do Exército na segurança pública do estado não é uma novidade, assim como não são os tiroteios.

 

"Então de fato, a gente precisa que as coisas sejam planejadas. A Intervenção de agora não foi planejada. Tanto que você pode acompanhar e perceber que orçamento chegou muito depois, o orçamento ainda não foi empenhado. […] Quando você faz uma coisa assim meio que no susto, é claro que não vai dar certo. Você precisa planejar essas situações".

 

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