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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

19
Jun17

ANNABEL LEE DE POE, por Joan Baez e Thereza Rocque da Motta

Talis Andrade

TRADUÇÃO DE THEREZA ROCQUE DA MOTA

 

annabel.jpg

 Annabel Lee, por Abigail Larson

 

Há muitos e muitos anos,
num reino junto ao mar,
havia uma moça
chamada Annabel Lee,
que só vivia com um pensamento,
de amar e ser amada por mim.

 

Eu era criança e ela era criança,
neste reino junto ao mar,
mas nosso amor era maior que o amor -
o meu e o de Annabel Lee,
um amor que os serafins do Céu
começaram a invejar.

 

E foi essa a razão por que, há muito,
neste reino junto ao mar,
surgiu um vento de uma nuvem, gelando
a minha bela Annabel Lee.
E seus nobres parentes vieram
e a levaram de mim,
para fechá-la numa tumba
neste reino junto ao mar.

 

Os anjos, não tão felizes no Céu,
continuaram a nos invejar,
Sim! Esta foi a razão (como todos sabem,
neste reino junto ao mar)
por que o vento surgiu da nuvem à noite
gelando e matando a minha Annabel Lee.

 

Mas nosso amor era mais forte que o amor
daqueles mais velhos que nós -
daqueles mais sábios que nós -
e nem os anjos do Céu acima,
nem os demônios no fundo do mar
jamais poderão separar minha alma da alma
da bela Annabel Lee.

 

Pois o luar sempre me traz sonhos
da bela Annabel Lee,
e as estrelas no céu me trazem o olhar
da bela Annabel Lee;
e, assim, por toda a noite, me deito ao lado
da minha amada, querida, minha noiva, minha vida,
em seu sepulcro junto ao mar -
em sua tumba junto ao murmúrio do mar.

bel.jpg

It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.

 

I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea,
But we loved with a love that was more than love—
I and my Annabel Lee—
With a love that the wingèd seraphs of Heaven
Coveted her and me.

 

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsmen came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

 

The angels, not half so happy in Heaven,
Went envying her and me—
Yes!—that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

 

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we—
Of many far wiser than we—
And neither the angels in Heaven above
Nor the demons down under the sea
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee;

 

For the moon never beams, without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise, but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling—my darling—my life and my bride,
In her sepulchre there by the sea—
In her tomb by the sounding sea.

 

images.jpg baez.jpg

Annabel Lee cantado por Joan Baez

https://www.youtube.com/watch?v=AIGj3CZ3uPQ

 

 

31
Mai17

de Thereza Rocque da Motta

Talis Andrade

thereza_christina_motta2.jpg

 

LIRA XXIII

 

Passou, passou o dia,
passou como nuvem,
branca e imensa
que cobre a montanha
e a faz desaparecer.

 

Passou o trinta de maio,
passou o dia de minhas bodas,
caiu a promessa por terra,
caíram os homens feridos,
caíram as cabeças de tantos
que passaram.

 

Fiquei reclusa em meu quarto,
fiquei presa no tempo,
fiquei retida entre os versos
não escritos,
palavras entre meus lábios
que eu não disse.

 

Nada mais foi dito,
nada mais houve.
Passei ao dia seguinte
como o primeiro passo
para dentro da morte,
aquela que seria
o resto de minha vida.

 

Nada mais vi
senão teus olhos claros,
nada mais ouvi
senão tua voz
em tuas liras

 

que serão lidas
para sempre.

 

Fui tua musa,
tua bela Marília,
a Marília de tuas liras
tão amadas.
Que mais serei
senão aquela
que te amou,
que foi a noiva idílica
de teus poemas?

 

Nunca fui outra,
nunca fui
senão eu mesma:
Marília branca,
Marília pura,
Marília noiva,
Marília silenciosa,
Marília única de teus versos.

 

Deste-me um anel que se perdeu.
Deste-me tua palavra que se foi.
Deste-me teu olhar que se lançou
no horizonte.

 

Partiste, e fiquei a te esperar,
mesmo sem nunca mais ver-te.

 

Para mim, jamais partiste.
Para mim, tu voltaste.
Para mim, nunca me deixaste.

 

---

Ouro Preto, 30/05/2013 – 20h50m, dia marcado para o casamento de Marília e Tomás Antônio Gonzaga, preso cinco dias antes acusado de fazer parte da Inconfidência Mineira, em 1789.

in "As liras de Marília", de Thereza Rocque da Motta, Ibis Libris, 2013.

 

 

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