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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Nov20

De quantos estupros se compõe um estupro?

Talis Andrade

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Um estupro foi registrado no país a cada oito minutos em 2019

 
por Wilson Gomes /Cult
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O mundo está assim agora: a gente vai dormir na terceira década do século 21, mas no outro dia acorda lidando com problemas do início do século 20, quando não com questões e mentalidades que faziam parcamente sentido em algum ponto bem remoto do passado. Acho que era a isso que o filósofo Ernst Bloch chamava de acontemporaneidade, com o alfa privativo mesmo. Não é que as coisas sejam extemporâneas, fora do seu devido tempo, é que comportamentos e mentalidades típicas de temporalidades diferentes convivem e colidem, hoje, apesar de tudo. 

O fato é que há certas formas arcaicas de pensar e de existir que teimam em não ir embora e ficam nos assombrando, mesmo quando incompatíveis com o estágio esperado de progresso histórico e de evolução da humanidade. Mais que incompatíveis, são desmoralizantes, uma vez que jogam na nossa cara que a natureza humana reluta em abrir mão de comportamentos que hoje nos desumanizam, nos rebaixam. Olhando-nos no espelho e vendo tantas sobras de fases atrasadas, brutas e imorais da humanidade, quem acredita que o ser humano é fundamentalmente bom e pode melhorar tem um momento de ceticismo e vergonha. Muita vergonha.

Como não se sentir repugnado com o fato de que ainda em 2020 pelo menos metade da humanidade, as mulheres, tenham medo da outra metade, os homens, e tenham boas razões para temê-la? Falei “pelo menos metade” pois também as crianças, de ambos os sexos, poderiam basear em dados empíricos o medo do predador masculino, apesar de séculos de humanismo cristão, de Iluminismo e de democracia liberal. 

Dados, por certo, não faltam. A 14ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que no Brasil se estupra com uma frequência assombrosa. Um estupro foi registrado no país a cada oito minutos em 2019. “Registrado”, quer dizer, consignado em boletins de ocorrência por quem conseguiu coragem e teve recursos para tanto. Ninguém sabe quantos estupros, de fato, ocorrem, mas o número deve ser muito maior. Não é inquietante que no tempo que você leva para ler esta coluna pelo menos uma mulher ou menina esteja sendo estuprada no Brasil? Tem mais. 58% das vítimas de estupros registrados no ano passado eram crianças de até 13 anos. A maioria nem estava na rua ou exposta a estranhos, pois em 84% dos casos a própria casa é o suplício das mulheres e o estuprador é um conhecido da vítima, um familiar ou uma pessoa da sua confiança.  

É assustador e revoltante para todos os que creem em uma sociedade baseada em igualdade, liberdade e respeito à dignidade humana, os que estão convencidos de que cada um tem o direito de buscar a felicidade e de viver a sua vida como melhor lhe pareça. Mas gostamos de achar, para o conforto da nossa consciência, que somos um mar de civilização e respeito, com algumas ilhas eventuais de brutalidade e selvageria moral. Será mesmo?

Não faz muitas semanas e estávamos discutindo o caso de Robinho, o jogador de futebol, condenado na Itália por ter abusado sexualmente, em grupo, de uma garota bêbada em uma boate italiana. Não foram pouco os que saíram em defesa do jogador, alegando que, afinal, uma moça que se coloca em certas situações não teria o direito de alegar estupro quando recuperasse a consciência e percebesse que serviu aos caprichos sexuais dos machos que a cercavam. Candidamente, o jogador alegou absoluta inocência, pois, afinal, “tão somente” enfiou o pênis na boca de uma menina inconsciente; sexo, explicou, é apenas quando há penetração vaginal. Multidões correram em socorro do argumento do jogador, coitadinho, tão garoto, tão inconsciente, tão vítima da messalina italiana. 

Esta semana, uma nova história bizarra nos mesmos moldes veio à tona com a divulgação de uma sessão online de julgamento de um caso de estupro em Santa Catarina. Diferentemente da Itália, o acusado não foi condenado. O que se destaca no caso são as cenas de constrangimentos e humilhações da vítima a que todos puderam assistir em mídias digitais. Uma moça que havia sido abusada sexualmente em uma boate de ricos, depois de drogada e inconsciente, foi atacada ferozmente e humilhada pelo advogado do réu, sem que tenha sido devidamente defendida pelo juiz do caso. Independentemente do que eu pense da sentença, foi infame o que foi feito naquela sessão do tribunal à moça que foi buscar justiça. Assim como foi definitivamente infame o modo como todos se comportaram com ela naquele julgamento.

O que aconteceu naquele tribunal foi gravíssimo no presente e para o futuro. Chama-se vitimização secundária ou revitimização, e consiste em submeter a pessoa estuprada a ondas sucessivas de humilhação e dor. A segunda vitimização costuma se dar na família ou na própria delegacia – e as delegacias de mulheres foram criadas como forma de reconhecer e mitigar o fato. A terceira vitimização pode acontecer na opinião pública, seja na esfera pública tradicional, produzida pela cobertura dos jornais que muitas vezes transforma a vítima em culpada, quanto nas formas não tradicionais das mídias digitais, onde os feios, sujos e malvados concorrem para ver quem tira mais pedaços de quem teve a ousadia de denunciar o violador e ir buscar o amparo da Lei. 

Às vezes temos ainda uma outra onda de revitimização, ainda mais repugnante quando se dá, como neste caso, no espaço institucional onde a vítima deveria ter do seu lado a força do Estado e não ser violada e humilhada sob o olhar complacente de quem deveria fazer-lhe justiça.

 

Já é suficientemente grave
para o Estado de Direito a
vitimização secundária nas
delegacias de polícia e na
esfera pública, mas a
revitimização em um
tribunal é um escândalo.

 

 

O curioso deste caso é que enquanto uma parte da sociedade ficou chocada com os eventos e pediu que os envolvidos fossem responsabilizados, outra parte refazia o processo na esfera pública para condenar a moça estuprada. Como tudo no Brasil, de vacina a jogos de futebol, até os estupros foram politizados e se tornaram objeto de polarização, mesmo que nada tenha a ver com política partidária. Agora, se você é de esquerda, de centro, e até da direita civilizada, fica do lado de quem sofreu o estupro e acha que haverá justiça se houver condenação e punição social; se você é bolsonarista, transforma o estuprador em vítima e o estuprado em réu, como nos dois exemplos acima. 

Foi assim que Rodrigo Constantino, por exemplo, o comentarista que se tornou a voz mais engajada do bolsonarismo em mídias digitais, 600 mil seguidores no Twitter, 300 mil no Facebook, legiões de fãs na Jovem Pan, na Record e em mais uns três veículos da imprensa, fez da causa o seu palanque. Em lives e tuítes, condenou as “feministas amargas lutam [que] pelo ‘direito’ de tomar todas num quarto com homens, consentir em fazer sexo bêbada, e depois bancar a vítima de estupro, sem aceitar ainda a opinião dos outros de que tem comportamento indecente”, disse. 

Para este lado moral e político do Brasil, do qual Constantino é a face mais visível e abusada, há mulheres respeitáveis e há as outras, que não têm o direito de alegar terem sido estupradas mesmo não tendo concordado com o sexo a que foram submetidas, posto que se colocaram em situações que “a decência” não autorizaria. Não é que os bolsonaristas defendam o estupro. Antes, creem demonstrar isso cabalmente uma vez que defendem a castração química dos violadores e o porte de armas para mulheres como forma de impedir o estupro. Os que defendem que o estupro é um tipo penal que não se aplica a todas as relações sexuais não consentidas com qualquer mulher, mas apenas com as mulheres que obedecem ao código de decência do bolsonarismo. 

Depois finge-se não se entender por que tantas vítimas de estupro sofrem caladas, às vezes por ano, mas não denunciam o crime. Denunciar para serem julgadas e revitimizadas? Ou por que tantas vítimas não resistem à violência do estupro somada à projeção das outras violações que sofrerão por consequência, e se suicidam. No Brasil do século 21, infelizmente, por causa de dessa mentalidade, um estupro é sempre composto de muitos estupros. 

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O delegado, o promotor, o juiz esqueceram o suicídio de Thalia Mendes Meireles, 16 anos. O caso se deu no Maranhão. Não culparam o boto cor-de-rosa. E sim a 'baleia azul', que estava na onda.

A menina foi estuprada quando tinha onze anos.

Depois de muitos estupros, preferiu a morte. Deixou um lindo poema em prosa como carta de despedida:

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22
Nov18

A escola sem partido e a nova adolescente no Brasil sem incesto, estupro e prostituição infantil

Talis Andrade

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No Brasil, a cada minuto uma pessoa é estuprada. São registrados uma média de 164 casos por dia. Um número alto, mas que segundo especialistas é menor do que o real. Estima-se que 90% das vítimas nunca registre queixa, o que elevaria o número total para 600.000 estupros por ano. E a subnotificação não existe apenas na esfera criminal, mas na da saúde também. "No ano de 2016 foram 23.000 vítimas atendidas no SUS, ao passo que 49.500 procuraram a Polícia (dados da publicação de pesquisadores do IPEA “Atlas da Violência 2018”). Em 2017 foram 60.000 vítimas que buscaram a Polícia, mas o Ministério da Saúde ainda não totalizou os dados de atendimentos no SUS em 2017. E aqui estamos falando de estupros. O IPEA, no mesmo estudo, estima que 90% das vítimas não procuram o Poder Público", relata o procurador Pedro Antonio de Oliveira Machado, responsável por um inquérito que investigou a aplicação da lei do minuto seguinte. Após a investigação, o Ministério Público Federal criou um canal para que as vítimas possam denunciar os serviços que não seguirem os protocolos de atendimento previstos em lei.

 

Leia mais aqui. “Nós identificamos uma série de problemas [no ciclo de atendimento às vítimas]”, afirma o procurador Machado. “Um dos maiores era a falta de informação, especialmente para as vítimas, que não sabem a quem recorrer. Mas mesmo no âmbito dos profissionais do Sistema Único de Saúde também havia falta de informação”, diz.

 

O Brasil da bancada da Bíblia e da família tradicional esconde que “pobreza e abusos estimulam casamentos infantis no Brasil. País tem cerca de 90 mil crianças de 10 a 14 anos casadas, segundo Censo 2010. Pesquisa traça perfil de uniões”, destaca reportagem da BBC Brasil.

 

“Um dos temas mais constrangedores ao Brasil, não apenas à própria sociedade brasileira, como no âmbito internacional, é a existência da chamada prostituição infantil. A despeito de todos os esforços do Estado no enfrentamento deste problema, há a permanência de uma realidade hostil para muitas crianças – principalmente meninas – nas regiões mais pobres do país: segundo a UNICEF, em dados de 2010, cerca de 250 mil crianças estão prostituídas no Brasil”, escreve Paulo Silvino Ribeiro. Para as ONGs, são 500 mil crianças  de 7 a 14 anos que vendem o corpo por um pedaço de pão. Quinhentas mil meninas sem escola e sem partido. Leia mais. 

 

No Brasil existe uma cultura do incesto - que não é crime - aceitável em várias comunidades do Norte e do Nordeste. Um caso símbolo o da poetisa menina Thalia Mendes Meireles, violentada pelo pai desde os 12 anos. "Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além", escreveu na sua carta de suicídio. O pai, dono de supermercados no Maranhão, com o apoio da justiça e da polícia, culpou a onda da baleia azul, que substituiu a lenda do boto como justificativa da gravidez de uma criança.

 

Provocar o fim da própria vida está entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, há um suicídio a cada 45 minutos. Pelos dados da OMS, o suicídio é a sétima maior causa de morte entre jovens de 10 a 14 anos de idade. 

 

A escola sem partido ajudou a eleger Jair Bolsonaro presidente, quando o programa mais correto seria escola sem curra. Que as crianças são as maiores vítimas de estupro no Brasil, segundo o Atlas da Violência de 2018 . O estudo, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que 50,9% dos casos registrados de estupro em 2016 foram cometidos contra menores de 13 anos de idade. Além disso, em 32,1% dos casos, as vítimas foram adultos, e em 17%, adolescentes. Os estupros, inclusive curras, que acontecem dentro das escolas são abafados ou camuflados como bullying.  

 

 

 

03
Set18

Os golpistas matam

Talis Andrade

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A crise mata. Mata por falta de medicamentos e de socorro médico. 

 

A crise mata por falta de alimentos. Pobreza encurta a vida mais que obesidade, álcool e hipertensão. O Brasil, com os golpistas, voltou ao mapa da fome.

 

Escreve Jeana Laura da Cunha Santos: "Segundo o anuário estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou novo recorde com 63.880 mortes violentas intencionais em 2017, uma média de 30,08 mortes por 100 mil habitantes, um morticínio superior ao de países em conflitos armados; a mortalidade materna voltou a crescer no Brasil, registrando, em 2016, 64,4 óbitos de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos; os subocupados e desempregados no país somam 26 milhões de pessoas, um quarto da força de trabalho de 104 milhões; 84% dos trabalhadores estão com problemas financeiros e 32% dos brasileiros que pedem empréstimo pessoal o fazem para pagar dívidas".

 

Há uma estística que o governo Temer esconde: o aumento de suicídios.

 

O jornal O Tempo publicou ontem: 

 

Minas Gerais tem média de três casos de suicídio por dia


Estado registrou aumento de 14,4% dos autoextermínios cometidos em 2017 em relação a 2016. 

 

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A revelação mineira causa espanto que a imprensa brasileira sempre engavetou as notícias sobre suicídio.  É um tema tabu apesar do sensacionalismo escandaloso da Polícia Federal com a onda da Baleia Azul. Vide o suicídio da menina poetisa Thalia Mendes Meireles, abusada sexualmente pelo pai desde os doze anos. 

 

 

 

06
Dez17

Pessoas que denunciaram abusos sexuais merecem ser eleitas Personalidades do Ano?

Talis Andrade

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 Thalia Mendes

 

 

 

No Brasil da tradição do incesto que não é crime, da cultura do estupro, o conformismo cristão, a naturalidade de conviver com 500 mil prostitutas infantis, e considerar normal que a metade dos jovens de 16 a 25 anos seja sexualmente doente. 

 

Quando uma criança aparece grávida foi o boto, quando sequestrada coisa do papa-figo, e quando se suicida foi pelo prazer masoquista de ser torturada durante 50 dias pela baleia azul. São crimes jamais investigados como acontece nas mortes por bala perdida. Como acontece no caso da estudante poetisa Thalia Mendes, 15 anos, que denunciou às autoridades dois anos de abuso sexual praticados pelo pai José Meireles da Silva, dono de supermercado que continua solto e a vítima enforcada. 

 

Pessoas que denunciaram abusos sexuais eleitas Personalidade do Ano pela Time

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Impensável que a imprensa brasileira siga o exemplo: As pessoas que nos últimos meses denunciaram casos de assédio e abuso sexual, num movimento colectivo denominado "#MeToo", surgido nos Estados Unidos, foram nomeadas "Personalidade do Ano", pela revista norte-americana Time

 

 

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Lusa - Na capa da próxima edição da Time surgem cinco mulheres, entre as quais a actriz Ashley Judd e a cantora Taylor Swift, que quebraram o silêncio, denunciaram casos em que foram vítimas de assédio sexual e fizeram com que milhares de outras pessoas partilhassem histórias semelhantes.



Nas redes sociais, e de uma forma geral na Internet, acabou por sobressair um movimento colectivo espontâneo de denúncia e partilha com a designação #MeToo (#EuTambém), mas, para o editor Edward Felsenthal, da revista Time, isso é só "parte do retrato" sobre assédio e abuso sexual.



"É a mudança social mais rápida a que assistimos em décadas", disse Edward Felsenthal, quando anunciou esta quarta-feira a escolha de "Personalidade do Ano", deixando para trás figuras como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o residente da China, Xi Jinping, e o jogador de futebol americano Colin Kaepernick.

 

Um dos casos mais mediáticos envolveu o produtor norte-americano Harvey Weinstein, acusado de assédio e abuso sexual por mais de oitenta mulheres, entre as quais várias estrelas de Hollywood, como Gwyneth Paltrow, Ashley Judd e Angelina Jolie.

Depois destas denúncias, através de investigações pelo jornal The New York Times e a revista The New Yorker, e que levaram Harvey Weinstein a ser despedido da empresa que co-fundou e à sua expulsão de várias associações e organizações, nomeadamente da Academia de Hollywood, outros casos foram surgindo.

Entre os acusados de assédio e abusos sexuais, mas também de má-conduta sexual, estão actores como Kevin Spacey e Dustin Hoffman, o ex-presidente da Amazon Studios Roy Price, os realizadores Brett Ratner e James Toback, os jornalistas Charlie Rose, Glenn Thrush e Matt Lauer, o fotógrafo Terry Richardson e o comediante norte-americano Louis C.K.

No Reino Unido, o deputado Kelvin Hopkins, do Partido Trabalhista, foi suspenso por alegado assédio sexual, o ministro da Defesa, Michael Fallon, demitiu-se por comportamento impróprio com uma jornalista, e outros dois ministros foram acusados de assédio.

No início desta semana, a Ópera Metropolitana de Nova Iorque suspendeu toda a colaboração com o maestro James Levine, alvo de denúncias de agressões sexuais.

Roy Moore, o candidato republicano a senador pelo Estado do Alabama, nos EUA, foi denunciado por assédio sexual de menores, mas mantém a candidatura, com apoio público do presidente Donald Trump, embora o Partido Republicano já tenha pedido a sua renúncia às eleições de 12 de Dezembro.

 

22
Nov17

A censurada morte de uma linda adolescente que escrevia poesia

Talis Andrade

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No Brasil os jornalistas sofrem assédio judicial, têm a morte anunciada, são presos e assassinados. O terrorismo contra a imprensa explica o silêncio sobre vários crimes. Explica porque a imprensa de São Luís jamais publicou uma linha sobre a morte da poetisa Thalia Mendes Meireles, 15 anos, em Monção, e estudante da escola Horas Alegres, em Santa Inês. Thalia foi encontrada morta na Quinta-Feira Santa, e desde os 12 anos sofria abusos sexuais do pai José Meireles da Silva, dono de supermercado em Igarapé do Meio, Maranhão.

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Na foto, José Meireles pousa com João Nojosa de Souza. Thalia morreu na noite do dia 13.04.2017, no dia seguinte, Sexta-Feira da Paixão, a imprensa publicava a nota do CDL.

20
Nov17

Estupro, a estratégia de desacreditar a vítima é intolerável

Talis Andrade

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A imprensa vendida do interior do Maranhão, e o silêncio cúmplice dos jornalistas da capital São Luís, um bando de safados. Desacreditaram Thalia Mendes Meireles (foto), que teve sua beleza violentada pelo próprio pai, que teve sua juventude roubada por uma morte anunciada por várias tentativas de suicídios. Os meios de comunicação seguiram o que foi ditado por blogueiros de Monção, Santa Inês e Igarapé do Meio. Todos vendidos ao filicida, estuprador e incestuoso dono de supermercados José Meireles da Silva. Grave, sem que a polícia investigue - a culpa sobra para o governador do Maranhão -, sem que a justiça se sinta culpada - com a palavra o presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão -, que a estudante Thalia Mendes antes de morrer, aos 15 anos, denunciou às autoridades competentes que vinha sofrendo ameaças e agressões sexuais desde os 12 anos. Foi uma morte anunciada a da estudante e poetisa Thalia Mendes, uma morte mais do que prevista no Brasil da tradição do incesto, e da cultura do estupro. O Brasil precisa ter a mesma indignação da Espanha. O jornal El País, com o título de Manada, escreve um editorial hoje denunciando que "a estratégia da defesa de desacreditar a vítima é intolerável". Leia /p>

15
Nov17

O estuprador de Thalia solto e o de Thayná preso

Talis Andrade

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 O estuprador José Meireles da Silva continua solto na cidade de Igarapé do Meio, sem que as autoridades e a imprensa do Maranhão apresentem qualquer explicação para tanto descaso e irresponsabilidade. Quando se sabe que todo tarado sexual sempre volta a atacar.

 

José Meireles estuprou a própria filha Thalia Mendes Meireles, que morreu na Quinta-Feira Santa deste ano, aos 15 anos, em Monção.

 

Thalia estudava na escola Horas Alegres em Santa Inês, e era violentada desde os doze anos, e deixou carta historiando os abusos sexuais. 

 

Inteligente, estudiosa, Thalia escrevia um romance.  Leia no arquivo deste Correpondente as poesias de Thalia.  

 

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Para um criminoso ser preso no Brasil, que tem uma tradição de incesto, que não é crime, e uma cultura de estupro, se faz necessária a movimentação da família, dos moradores do bairro, e dos colegas de escola da vítima. 

 

Foi o que aconteceu no caso da estudante Thayná Andressa de Jesus Prado, de 12 anos, que estava desaparecida desde o dia 17 de outubro, quando foi vista pela última vez no bairro Universal, em Viana, na Grande Vitória.


Thayná morava no bairro Ipanema, vizinho ao bairro Universal. Desde o dia que a menina desapareceu, a mãe dela, Clemilda Aparecida de Jesus, começou uma busca incansável.

 

Ademir Lúcio Ferreira, que teve a prisão decretada por sequestrar a menina Thayná, também é acusado de um outro caso, de sequestro seguido de estupro. 


O crime aconteceu três dias antes do sequestro de Thayná.

 

O delegado Lorenzo Pazolini, da DPCA, disse que a menina de 11 anos também foi abordada no bairro Universal, em Viana. A adolescente havia saído de casa para ir ao supermercado a pedido da mãe.
Ademir estava no mesmo Gol prata em que foi visto abordando Thayná. O acusado ofereceu uma carona para ela até o supermercado, mas assim que a menina entrou, desviou o caminho.


Segundo as investigações, ele levou a adolescente para um depósito de material de construção, onde estuprou a adolescente dentro do carro. Ela foi abandonada no meio da rua depois do crime e precisou ser hospitalizada.

 

A menina ainda estava internada até o final da última semana, segundo o delegado, que não soube informar o estado de saúde dela atualmente. 

23
Set17

Professora presa após fazer sexo com quatro alunos adolescentes e o caso da estudante poetisa Thalia Mendes Meireles

Talis Andrade

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Jessie Lorene Goline ao lado do marido

 

Professora casada é presa por fazer sexo com quatro adolescentes, sendo que três deles são seus próprios alunos. Se condenada, ela pode pegar de dez a 40 anos de prisão ou até prisão perpétua

 

 

Hediondo, o holocausto, o comércio e o cativeiro e o tráfico e o trabalho escravo de 500 mil prostitutas infantis no Brasil, e ninguém vai preso.


Mais grave a tradição do incesto, que não é crime no Brasil.


Preocupante, inquietante e dramático os estupros de crianças e adolescentes nas escolas, nas igrejas, e ninguém vai preso.


Quando as violências sexuais resultam em suicídio, policiais, juízes, promotores, professores, jornalistas colocam a culpa na lenda da baleia azul, que no Brasil prendeu um negro quilombola camponês na Bahia, e um pedreiro também pobre e analfabeto no Rio de Janeiro. Vide o caso da estudante, poetisa Thalia Mendes Meireles, 15 anos, aluna da Escola Horas Alegres, em Santa Inês, Maranhão

 

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 Thalia era forçada a trabalhar como modelo e vendedora da rede de supermercados de José Meireles da Silva, seu próprio pai incestuoso e estuprador desde quando a linda menina tinha apenas doze anos 

 

Pragmatismo Político - Jessie Lorene Goline, de 25 anos, de Arkansas (EUA), que dava aula de Artes na Marked Tree High School, foi presa na quarta-feira (20) depois que o pai de um dos adolescentes a denunciou para a polícia. Ela agora enfrenta acusações de abuso sexual em primeiro grau. As informações são do Daily Mail.


Quando a polícia interrogou um dos menores, o jovem revelou que Jessie (que na foto acima aparece ao lado do marido) mandava mensagens de cunho sexual, que se tornaram cada vez mais picantes. “Queria ir para cama com você, mas você é muito jovem”, foi uma das primeiras. Posteriormente, a professora pediu que ele fosse ao apartamento dela, onde acabaram transando.


Outro adolescente declarou que a mulher chegou a buscá-lo na escola e o levou para sua casa, onde acabaram fazendo sexo duas vezes. Esse mesmo jovem declarou que outro estudante teria aparecido no local na mesma noite, de acordo com a emissora “KAIT-TV”.


Jessie confirmou as acusações, mas disse acreditar que um dos adolescentes tinha 18 anos, quando na verdade “era muito mais novo do que dizia”. Os atos ocorreram de janeiro a abril de 2016.


A professora foi presa nesta quarta-feira, mas acabou liberada no mesmo dia após pagar uma fiança de aproximadamente R$ 15 mil. O julgamento da mulher está marcado para o dia 31 de outubro. Se condenada, Jessie pode pegar de dez a 40 anos de prisão ou até prisão perpétua.

 

 

 

 

 

15
Ago17

"Por que não pergunta como foi meu dia na escola?"

Talis Andrade

 

Na carta suicida, Thalia Mendes Meireles, 15 anos, escreveu:

 

"As pessoas passam a vida inteira julgando tudo que vêem. Jogam palavras que não voltam, olhares que machucam, rejeitam, maltratam, usam. Isso dói, tá legal? O ser humano vai guardando isso dentro de si até formar uma grande bola prestes a explodir. Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além.

 

(...) Que sociedade maldita. Como se tristeza fosse algo irrelevante, que nao precisa de atenção. Idiotas. Quando é tarde eles se perguntam o que tinha de errado.

 

Pais que não vêem seus filhos se cortando, se drogando, se destruindo. Escolas que não vêem o bulling debaixo do seu nariz.

Pais que estrupam os filhos, mães que humilham, irmãos que rejeitam.

Malditos. Malditos.

 

(...) Eu tenho inúmeros motivos para ter feito o que fiz.
Meu próprio pai me abusou e foi por isso que eu morri por dentro. Eu fui morrendo durante dois anos. Fui vendo minha morte sem poder fazer nada a respeito.

 

(...) Minha mãe me tirou minha rotina e passou a assistir tudo em total inconsciência. Eu sei que ela via, mas quem disse que ela percebia?
Ela era uma mãe tão atenciosa, o que aconteceu? Porque ela ficou tão alheia?

 

(...) Porque ela não pergunta como foi meu dia na escola?"

 

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                                                        Foto: Thalia Mendes Meireles

 

 

A poetisa Karine Kelly, terapeuta corporal, transcreve o seguinte questionário:

 

Nem todas as crianças gostam de contar como foi o dia na escola, e nem sempre a pergunta clássica é capaz de iniciar uma conversa legal.

 

Aqui vão 40 ideias de perguntas para você começar um papo-cabeça com a prole.

 

O que fez você sorrir hoje?


Você foi bom com alguém hoje? Ou você viu alguém sendo bom com outra pessoa?


Você viu alguém fazendo uma coisa que não era legal com outra pessoa?


Todos os amiguinhos tinham com quem brincar na hora do recreio?


Sobre o que era o livro que a sua professora leu hoje?


Alguém fez alguma coisa engraçada na escola, que fez você rir?


Alguém chorou hoje na escola?


Você fez alguma coisa criativa hoje?


Qual é a coisa que todo mundo está adorando brincar no recreio?


Qual foi a melhor coisa que aconteceu no seu dia?


Você ajudou alguém hoje?


Alguém te ajudou? Você falou obrigado?


Com quem você sentou na hora do almoço/merenda?


Houve algo na escola que você não entendeu muito bem?


Quem te inspirou hoje? Alguém fez algo que te causou admiração?


Qual foi a melhor e a pior coisa do seu dia hoje?


Alguém se meteu em confusão na escola hoje?


Alguém levou bronca da professora?


Dê uma nota para o seu dia de 1 a 10.


Houve algum momento hoje que você precisou de muita coragem?


Você gostou da comida na hora do almoço?


Quais perguntas você fez para a professora hoje?


Tem alguma coisa que você está querendo que aconteça amanhã?


Qual foi a regra mais difícil de obedecer hoje a escola?


Me ensina/mostra alguma coisa que eu não sei.


Se você pudesse mudar uma coisa no seu dia, o que seria?


Tem alguma coisa te preocupando que você gostaria de conversar comigo?


(para crianças mais velhas) Você acha que está preparado para a prova de história amanhã?


Você dividiu seu lanche com alguém, ou alguém dividiu o lanche com você?


O que fez sua professora sorrir hoje?


O que fez sua professora ficar brava hoje?


O que fez você se sentir feliz?


O que fez você se sentir orgulhoso de si mesmo?


O que fez você se sentir querido?


Você aprendeu alguma palavra nova hoje/essa semana?


Se você pudesse mudar de lugar com alguém na escola, com quem seria e por que?


Qual é o lugar da escola que você mais gosta e menos gosta?


Se você pudesse ser a professora por um dia, o que você gostaria de ensinar os alunos?


Você acha que tem algo na escola que poderia ser melhorado?


Com que você mais gosta de conversar na escola?


Esse post é uma adaptação livre do post "50 questions to ask your kids instead of how was your day". Para ver o post original clique aqui.

 

 

 

 

 

13
Ago17

A única mensagem em memória de Thalia Mendes Meireles que ainda persiste

Talis Andrade

As investigações do enforcamento da estudante Thalia Mendes Meireles, 15 anos, estudante, poetisa, que escrevia um diário e um romance, cujos manuscritos foram confiscados pelo pai José Meireles da Silva, continuam engavetadas, e nada se sabe do laudo cadavérico.

 

Depois de dois anos violentada por José Meireles da Silva, Thalia Meireles se enforcou em sua residência, na cidade de Monção, na noite da Quinta-Feira Santa, dia 13 de abril último, onde residia com a mãe Francimara Rocha Mendes.

 

Francimara quando tomou conhecimento dos abusos sexuais de José Meireles, fugiu da cidade de Igarapé do Meio e foi residir em Monção. Thalia tinha apenas doze anos quando foi estuprada pelo incestuoso pai.

 

O inquérito está inconcluso, porque José Meireles obstrui as investigações, ameaçando testemunhas. 

 

O medo provoca a autocensura. Todos os amigos e amigas de infância e colegas da Escola Horas Alegres, onde Thalia estudava na cidade de Santa Inês, retiraram dos sites de relacionamento os retratos de Thalia e as mensagens de luto.

 

O medo impera. Até a mãe de Thalia teme morrer.

 

O clima de terror que reina no Maranhão é tão contaminador que apenas a jovem Rafaele Oliveira ...

rafaele oliceira 2 .jpg

rafaele oliveira 1.jpg

 

 

 

 ... escreveu e mantém na sua página no Facebbok a seguinte mensagem nesta foto de Thalia Mendes Meireles:

 

Foto de Thalia com Rafaele Oliveira.jpg

 

 

"Quando me falaram que você partiu logo não acreditei. Vi noticiários na TV, mesmo assim eu insistia em não acreditar que você se foi.

 

Você vai fazer falta minha Princesa. O que nos resta é só saudade. 

 

Luto"

 

 

 

 

 

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