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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Nov18

Antes de ir embora Temer vai dar o aumento terminal do preço de gás?

Talis Andrade

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Reajuste pega revendas de surpresa e preço do gás passará dos R$ 90

 

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Petrobras justificou alteração dos preços devido à desvalorização do real frente ao dólar, mas revendas reiteram baixa da moeda americana no mês de novembro

Danielle Valentim
'A explicação é simplesmente política”, disse o presidente do Simpergasc. (Foto: Saul Schramm)
 "A explicação é simplesmente política”, disse o presidente do Simpergasc. (Foto Saul Schramm)
 

 

O anúncio de reajuste no preço do gás GLP, principalmente, o de 13 quilos, pegou de surpresa os revendedores de Campo Grande. O aumento no valor que as próprias revendas estavam “segurando”, devido ao baixo consumo, agora, deve amargar no bolso do consumidor final e ultrapassar os R$ 90.

 

A companhia assegurou que os motivos para a alteração dos preços foi a desvalorização do real frente ao dólar e as elevações nas cotações internacionais do GLP. No entanto, para o presidente do Simpergasc-MS (Sindicato das Micro, Pequenas Empresas e Revendedores Autônomos de GLP, Gás Canalizado e Similares), Vilson de Lima, o dólar apresentou baixa neste mês e o anúncio não tem justificativa.

 

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Para Jair Bolsonaro não começar o governo aumentando o preço do gás, Temer, antes de cair fora, adiantará para dezembro os aumentos adiados pela campanha eleitoral, e o aumento previsto para o mês de janeiro. 

 

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04
Nov18

Há duas aberrações nos atos políticos de Sérgio

Talis Andrade

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Moro no Governo era o óbvio; mas o Ministério dele é outro

 

Ministério das Minas e Energia: esse deveria ser o órgão oferecido pelo presidente a Moro. (Explicaremos isso adiante.)

 

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por Marconi Moura de Lima Burum

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O juiz Sérgio Moro é de longe o membro do Poder Judiciário mais político que já existiu na República. Desde que deflagrou, em 2014, a primeira operação da sequência da Lava-Jato, o magistrado tem posto em xeque a lógica e a técnica do Direito num jogo tão ardiloso que assustaria Maquiavel em seu esforço de teorizar a política, tal como o fez tão brilhantemente. Não há nos dias de hoje alguém que opere mais as artimanhas do jogo do poder quanto o Juiz Moro.

 

Até aí não haveria qualquer tensão: a política é direito de todos. No entanto, há duas aberrações nos atos políticos de Sérgio Moro. A primeira é que, aos membros da magistratura é antiético e ilegal agir politicamente enquanto existir vínculo de trabalho. Para "fazer" política, ele deveria pedir, no mínimo, sua aposentadoria frente ao Judiciário [1].

 

O segundo é bem mais grave: Moro usou de sua independência como órgão da Justiça para servir [2] aos interesses de multinacionais do petróleo a fim de enfraquecer as ações da empresa Petrobrás na Bolsa de Valores, consequentemente, serem vendidas a preço de banana para estas empresas estrangeiras. E, por coincidência (#SQN), a deposição da Presidente da República, Dilma Rousseff, que sempre sinalizou a proteção do Pré-sal [3] como riqueza estratégica à soberania nacional e às futuras gerações, abriu caminho para assumir o governo um "entreguista", o vice, Michel Temer, que sempre foi aliado aos interesses do mercado estrangeiro.

 

(Não me aterei às decisões de Moro neste texto. Isso deverá ser objeto de sua pesquisa, caro Leitor. Todavia, preste atenção que tudo que o magistrado faz em relação à Petrobrás, cada decisum, faz a nossa empresa afundar cada dia mais no Mercado.)

 

Não se trata este texto de uma contra-política a Moro, tampouco de especulação evasiva sobre a geopolítica global. Uma simples pesquisa do cidadão mais curioso, cruzando alguns dados na internet, fará perceber que este magistrado está constantemente viajando para os EUA (e não é para fazer compras em Nova Iorque). Trata-se de um agente indireto de operações de sabotamento das estruturas, do conteúdo e das riquezas nacionais a fim de contemplar os interesses da Shell e de outras grandes empresas sobre o nosso petróleo.

 

Apresento aqui perguntas que teimam em não sair do pensamento deste autor: Moro boicota a Petrobrás para ganhar algum dinheiro a mais destes estrangeiros? O juiz tem muita raiva das instituições e da sociedade brasileira (pois seus atos – o tempo provará – sabotam também a capilaridade das instituições e da civilização brasileira), e luta para fragiliza-las? Este magistrado é algum agente secreto, contratado pela CIA e infiltrado nas instituições brasileiras? Ou é apenas um político egoísta, em cuja ambição ultrapassa todos os limites razoáveis para alimentar sua sede pelo poder (que aliás, ele abusa com deleites de prazer, de sua autoridade, e ninguém, absolutamente nenhuma instituição controla seus abusos)?

 

Estas perguntas serão respondidas apenas nos livros de História do Brasil. O problema são seus atos que farão retroceder a independência e a força do Brasil diante as grandes nações uns 100, ou 200 anos, e as consequências práticas para a sociedade será o aleijamento estrutural das futuras gerações.

 

Pior que, por medo ou outra coisa, estes atos do pseudo herói-juiz são homologados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), destarte, se vestem de oficialidade e terminam por obter a anuência da Grande Mídia a partir da frágil cognição crítico-social de nosso povo. Ou seja: são crimes – de lesa pátria – que cometem(os) hoje para punir nossos filhos, netos e bisnetos.

 

Dito isto, podemos retornar à ironia, todavia, mais ainda: à pragmática da epígrafe deste texto: o Sérgio Moro "oficializar" sua entrada na política não era uma novidade para quem a isto estuda. Trabalhar com o presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, também não seria uma [boa] nova, haja vista que é este político que constantemente presta continência para a bandeira dos EUA, o que mostra sua submissão aos "americanos". O que chamou minha atenção é que o Ministério adequado ao Moro seria o das Minas e Energia, assim consolidando sua sequência de ajudar a entregar a preço de fim de feira nosso petróleo e as demais riquezas deste País. E o lamentável disso tudo é que o povo brasileiro comemora sua desgraça como a boiada que, indo para o matadouro, segue a fila na disciplina da mortificação.

 

Como diz minha amiga Edinalva Benício, uma moça simples da roça, e que ampliou ainda mais seus horizontes cognitivos ao se tornar estudante de Pedagogia da Universidade Federal de Tocantins (UFT-Arraias): "Eles nos cozinharão em pouco fogo. E assim farão conosco o que eles quiserem".

 

O "Eles" de minha sábia amiga são os políticos do Sistema: Moro, Bolsonaro, Aécio, Temer etc. O "nos cozinharão em pouco fogo", refere-se a nos iludir com suas palavras de "salvação", cujo entorpecimento atingiu sobremaneira até alguns cidadãos mais atentos à política. Agora, de tudo, o mais grave é: "farão conosco o que eles quiserem", inclusive acabar com a maior parte das riquezas que nos pertencem, porém, que não temos o direito de arrancar das futuras gerações por nossa ignorância civilizatório-coletiva.

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..................

[1] Moro, antes de cometer suas metas políticas, deveria ter seguido o exemplo de Flávio Dino, ex-juiz e atual governador do Maranhão; de Marlon Reis (o juiz "da proposta da Lei do Ficha Limpa), que foi candidato a governador pelo Tocantins nessa eleição; e do governador eleito do Rio de Janeiro, que também é juiz. Ambos tiveram de sair do Judiciário para cumprir o que determina a Constituição da República.

 

[2] Mesmo que indiretamente, ajudou sua esposa, em cujo escritório de advocacia de sua sociedade presta serviços à empresa Shell petroleira.

 

[3] Pré-sal: uma das maiores descobertas dos últimos séculos. Trata-se das maiores reservas de petróleo do Brasil e uma das maiores do mundo. Ainda não foi possível estimar a quantidade de óleo encontrada nas costas marítimas brasileiras, entretanto, a potência é tão grande que abriu o horizonte à ganância das empresas estrangeiras, que têm comprado apoios no Congresso Nacional brasileiro para que se aprove leis de abertura destes poços à exploração internacional.

 

[4] Bolsonaro afirmou, com seu slogan de campanha que o Brasil deve estar "acima de todos". Contudo, ao prestar continência o tempo inteiro à bandeira dos EUA, mostra-se mais uma de suas mentiras; ele não é patriota, tampouco, nacionalista, assim como seu novo ministro, Sérgio Moro.

 

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30
Out18

O pesadelo se tornou realidade", diz Libération sobre eleição de Bolsonaro

Talis Andrade

Por RFI

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O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, continua ocupando as páginas dos principais jornais franceses nesta terça-feira (30).

 

Em chamada de capa, Libération publica: "Bolsonaro, uma história de ódio". Para o jornal, "o pesadelo se tornou realidade no domingo: o maior país da América Latina elegeu um presidente de extrema direita, que nunca escondeu seu discurso de raiva e exclusão contra os militantes de esquerda, negros, mulheres ou da comunidade LGBT".

 

Libération traz um perfil de Bolsonaro, retraçando sua carreira na política. "Militar e nostálgico da ditadura, ele se revelou um parlamentar medíocre antes de começar a se aproveitar de programas televisivos para realizar ataques homóficos e racistas", escreve o diário. Após ter recebido pouco mais de 55% dos votos, no dia 1° de janeiro, "o Brasil vai assistir à passagem de poder de um corrupto que participou de um complô para depor a presidente Dilma Rousseff a um extremista que ostenta o desprezo pelas regras democráticas", diz Libération.

 

"Depois da vitória de Bolsonaro, o Brasil mais dividido do que nunca" é a manchete do Aujourd'hui en France. A correspondente do diário no Rio de Janeiro descreve a profunda polarização da sociedade brasileira: "enquanto uns comemoram o fim de uma classe política tradicionalmente corrupta (o quadrilhão do MDB na Câmara dos Deputados), outros temem a instauração de um regime autoritário", publica.

 

Com uma campanha eleitoral violenta, dois turnos marcados por declarações polêmicas do ex-militar, como quando Bolsonaro prometeu o exílio ou a prisão de seus oponentes, os eleitores de Haddad, preveem que o clima no país vai piorar nos próximos dias, publica Aujourd'hui en France.

 

Análise do programa de governo

 

 

"O Brasil se submete à autoridade de um presidente antissistema" é a manchete de capa do jornal Le Figaro. O diário destaca o que chama de "medidas choque" que o presidente eleito quer impor ao país, na área da segurança - com a liberalização do porte de armas e a redução da maioridade penal para 16 anos - e na economia, com a reforma da previdência e a privatização ou a supressão de cerca de 150 empresas públicas.

 

Em relação às questões ecológicas, Le Figaro diz que Bolsonaro parece ter revisto suas intenções de sair do Acordo sobre o Clima de Paris e de juntar os ministérios da Agricultura com o do Meio Ambiente, mas sem confirmar essa "marcha-ré". No quesito diplomático, Bolsonaro prometeu transferir a embaixada do Brasil em Israel à Jerusalém, a exemplo do que fez o presidente americano, Donald Trump.

 

Também se inspirando em Washington, pretende rever as relações com a China, o maior parceiro comercial do Brasil, além de evocar a retirada do Brasil do Comitê dos Direitos Humanos da ONU, além da extradição de Cesare Battisti à Itália.

 

Economia também no foco do jornal Les Echos, que se concentra nas propostas liberais de Bolsonaro, que vão ficar a cargo do economista Paulo Guedes "um monetário ultraortodoxo", classifica o diário. Les Echos destaca que a redução da interferência do Estado na economia, prevista no programa do ex-militar, é bem vista pelos mercados.

 

Mas se de fato ele vai conseguir aumentar em 20% a produtividade em quatro anos em uma das economias mais fechadas do mundo, resta esperar o início de seu mandato, em 1° de janeiro de 2019, escreve Les Echos.

 

 

27
Out18

Bolsonaro, Temer e o fim da aposentadoria

Talis Andrade

 

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por Altamiro Borges

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O trabalhador que votar em Jair Bolsonaro estará cavando a sua própria sepultura – e sem direito à aposentadoria. Até para justificar o apoio da cloaca empresarial, o fascista pretende seguir e radicalizar a política do covil golpista contra os direitos dos assalariados. Nesta sexta-feira (26), o jornal Estadão – que não esconde sua simpatia pelo capacho patronal – informou que o candidato do PSL deseja aprovar uma “contrarreforma” da Previdência já no início de 2019. Sua dúvida é se manterá a essência do projeto de Michel Temer, com o aumento da idade e do tempo de contribuição, ou se apresentará uma proposta ainda mais radical para extinguir o direito de aposentadoria de milhões de brasileiros e instituir um sistema de capitalização individual da Previdência.

 

Segundo a matéria, “a equipe que assessora Jair Bolsonaro tem à disposição dez propostas distintas de reforma da Previdência e divide-se hoje entre dois caminhos a seguir: apresentar, no início do ano, um novo pacote somente com alterações nas regras do sistema atual – como idade e tempo de contribuição – ou encaminhar já no início do eventual governo uma mudança mais profunda no sistema previdenciário, prevendo a adoção do sistema de capitalização. Seja qual for a alternativa escolhida, o economista Paulo Guedes e seu grupo próximo defendem encaminhar algo novo em vez de avançar com a proposta hoje em tramitação no Congresso, enviada pelo presidente Michel Temer. A avaliação é que o texto, que foi desidratado pelos parlamentares, trará impacto pequeno nas contas públicas”.

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Ainda segundo a reportagem, “o assunto foi discutido em reunião nesta semana entre integrantes da equipe técnica de Bolsonaro. A palavra final sobre qual caminho seguir caso Bolsonaro vença as eleições será tomada pelo candidato juntamente com Guedes e seus assessores políticos, em especial Ônyx Lorenzoni, que assumirá a Casa Civil num governo PSL... Como mostrou o ‘Estado’, os deputados eleitos são mais favoráveis a discutir uma reforma da Previdência do que os atuais parlamentares: 227 votariam a favor do endurecimento nas regras para se aposentar no Brasil – 44% do total”. Ou seja: lá vem chumbo e do grosso!

 

Em conversa amigável com os “jornalistas” da TV Bandeirantes, na semana passada, Jair Bolsonaro já havia manifestado a intenção de acelerar a contrarreforma da Previdência – o que ele esconde na propaganda eleitoral de rádio e tevê. Questionado sobre o tema, ele disse que “a gente sabe que vai ter algum desgaste”, mas garantiu que apresentará sua proposta na Câmara e no Senado. Na ocasião, ele ainda confessou outro crime: “Os Correios têm grande chance de entrar na privatização, porque seu fundo de pensão foi simplesmente implodido pela administração petista... O que eu posso garantir ao mercado e aos funcionários é que tudo será feito com muito critério e nós buscaremos o que é melhor para o Brasil”. Será que tem trabalhador que acredita nessa lorota! Só se for muito otário.

 

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26
Out18

Novo laudo aponta que vídeo íntimo de orgia de Doria é verdadeiro

Talis Andrade

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Yahoo - Novo laudo realizado pelo perito criminal Onias Tavares de Aguiar e divulgado nesta sexta-feira, 26, contraria outro laudo feito nesta semana e diz que João Doria é realmente o homem que aparece nas imagens do vídeo íntimo que ganhou as redes sociais nesta semana. O parecer técnico está disponível na íntegra aqui.

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Metodologia

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O perito aponta que como metodologia, extraiu todos os frames do vídeo, “ampliando e aplicando técnicas de software para ressaltar os pontos de interesse pericial”.  “O vídeo pode ser dividido em 603 frames (quadros) e considerando tratar de vídeo na velocidade de 30 frames/s o que equivale ao tempo de 20,1 segundos de tempo de duração”, indica.

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Câmera espiã

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Sobre a câmera utilizada, ele revela que “se trata de aparelho com características amadoras fixado sobre algum móvel e direcionado para a cama no qual se desenrola a maiorias das cenas”. “As pessoas gravadas agem naturalmente sem preocupações com a câmera indicando não ter o conhecimento de estarem sendo gravados”, indica o perito.

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João Doria

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Após analisar imagens em que o candidato aparece, o responsável indica que “a pessoa gravada no vídeo questionado(…) tem suas características compatíveis com as características de imagens pessoais de João Dória, cujas fotos foram analisadas. As análises no campo científico da visão computacional revelam convergências nas proporções (olhos /boca)”.

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Conclusão

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“Conclui-se que o vídeo não foi adulterado e nem alvo de qualquer manipulação. Trate-se vídeo autêntico, onde ressaltamos tratar-se de um trecho de 20 segundos de um vídeo maior o qual não foi apresentado para análise”, indica o perito.

 

Confira os principais resultados da análise:

  • As imagens não sofreram quaisquer interpolações sequencias na linha de tempo
  • Ainda que se verifiquem algumas duplicações de imagens, estas não naturais dos algoritmos de compressão de dados e não configuram fraudes. Como demonstrado no corpo do laudo, tais duplicações aparecem tanto nas imagens em o rosto do personagem masculino está exposto quanto nas imagens que o personagem está encoberto pela presença de alguma mulher;
  • Foram constatadas mudanças de contraste e nitidez que também não configura fraude. Trata-se de vídeo baixa qualidade gravados na presença de diversas fontes de luzes (direta e indiretas).
  • Considerando que as mulheres estavam sempre em movimento, qualquer passagem delas entre alguma fonte de luz e objeto focado ocasiona mudança de contrast
  • Foram constatadas granulações de imagens sendo comum em qualquer vídeo amador e de baixa qualidade e sem qualquer outro tratamento.

 

22
Out18

No Rio, grupos paramilitares aumentam violência após primeiro turno

Talis Andrade

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Cientista social Silvia Ramos relaciona vitória de Bolsonaro ao agravamento da crise de segurança pública no Rio de Janeiro e lamenta a 'aderência ingênua aos bordões vazios e irresponsáveis de políticos da extrema-direita'

 

 

por Maurício Thuswohl, da RBA 
 
REVISTASEGURANCA ©
Seguranca Milicias Eleições 2018

Rio de Janeiro – Coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), a cientista social e escritora Silvia Ramos é uma atenta observadora da evolução dos problemas ligados à segurança pública no Rio de Janeiro, que se encontra sob intervenção militar decretada por Michel Temer. Em conversa com a Rede Brasil Atual, ela demonstra preocupação com o aumento das ações ilegais cometidas por policiais, registrado no estado desde que foi proclamado o resultado do primeiro turno das eleições de 2018.

 

Silvia diz ter a impressão de que "grupos paramilitares desejavam dar um recado de empoderamento advindo dos resultados eleitorais". Além disso, avalia que o gradual aumento da violência das forças de segurança desde o início da intervenção federal no Rio indica um "descontrole dos policiais na ponta, que estão matando mais e não estão sendo contidos, com raras exceções, e do empoderamento de grupos de milícia junto a batalhões inteiros".

 

A cientista social lamenta a "aderência ingênua aos bordões vazios e irresponsáveis de políticos da extrema direita", mas diz que isso foi uma decorrência de o Brasil não ter realizado "uma revisão profunda da política de guerra às drogas, do superencarceramento e da ineficiência das polícias em investigar crimes, especialmente das grandes quadrilhas". 

 

De acordo com centenas de relatos vindos de favelas em diversos pontos do Rio, aumentaram a truculência e a arbitrariedade contra moradores nas ações policiais realizadas nos últimos doze dias. O mesmo acontece no que diz respeito à ação de milicianos. Muitos dizem que essa "ofensiva" se deve à expectativa de vitória de um candidato do "meio" nas eleições presidenciais. Como a senhora analisa este contexto?

 

Silvia: Realmente, as cenas no dia seguinte ao primeiro turno das eleições, de aproximadamente 40 milicianos fazendo incursões na favela do Rola, na zona oeste, como se fossem de comandos policiais – usando fardas da polícia e armas que podem ter sido desviadas da polícia – e a demora da reação do comando do BPM local, tudo isso produziu a impressão de que esses grupos paramilitares desejavam dar um recado de empoderamento advindo dos resultados eleitorais.

É comum que, no início de novos períodos políticos, tanto os grupos de facções do tráfico como outros grupos ilegais – grupos de extermínio, esquadrões ou milicianos – façam demonstrações de força e "testem" a capacidade de resposta das autoridades. As cenas do dia 8, bem como o aumento de mais de 40% das mortes decorrentes de ação policial no período da intervenção no Rio de Janeiro, são indicadores preocupantes do descontrole dos policiais na ponta, que estão matando mais e não estão sendo contidos, com raras exceções, e do empoderamento de grupos de milícia junto a batalhões inteiros.

 

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Silvia: ativismo digital e coletivos que lutam por direitos nas favelas e periferias têm papel fundamental Foto Tânia Rêgo/ Abr

 

 

Do ponto de vista do Cesec, qual impacto teria a proposta, apresentada por Jair Bolsonaro, de conceder imunidade a policiais que participam de ações, de modo que estes não possam ser responsabilizados por eventuais mortes "em confronto"? 

Silvia: Bolsonaro e outros candidatos podem repetir os bordões demagógicos tradicionais – comigo a bandidagem vai morrer; vou condecorar policiais que matam muito; bandido bom é bandido morto etc. – mas coisa diferente é mudar a Constituição, o Código Penal, regulamentos, instruções normativas e uma série de mecanismos de controle do uso da força pela polícia e de regulação da institucionalidade.

É claro que os discursos, em si, podem gerar efeitos graves, porque policiais que cometem ilegalidades se sentem acobertados e o "fazer a coisa errada" pode crescer. Principalmente se não houver freios dos comandos superiores, as ilegalidades, exatamente como a corrupção policial, crescem. Mas não basta que um presidente brade que "bandido bom é bandido morto" ou que "vamos abater" para que as execuções extrajudiciais, o uso ilegal da força, o racismo ou a brutalidade policiais se tornem legais.

As Defensorias, o Ministério Público, as Corregedorias e, acima de tudo a mídia, as redes sociais e o celular que filma o mau policial, tudo isso vai continuar existindo e será acionado com mais força do que nunca se governadores e presidente com discursos violentos forem eleitos. O ativismo digital e os coletivos que lutam por direitos nas favelas e periferias serão, mais do que nunca, importantes numa nova conjuntura onde retrocessos democráticos podem ocorrer.

 

Pelo que demonstraram as urnas, a população do Rio anseia por respostas na Segurança Pública e isso foi determinante para o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no estado. Com capital político por ter acabado de vencer as eleições, qual caminho alternativo à política de confronto poderia seguir o próximo presidente para reduzir a sensação de insegurança pública no Rio e em todo o Brasil?

Silvia: Há muito tempo, uma parte expressiva da população apoia ideias do tipo "bandido bom é bandido morto". A Alerj e a Câmara Federal já contavam com representantes da chamada "bancada da bala". Eles advogam a violência policial sem freios, a redução da maioridade penal, a flexibilização do estatuto do desarmamento e outros mecanismos de ampliação da violência. Nas eleições de 2018 esses segmentos políticos – com o apoio de uma parte ainda mais expressiva da população – cresceu. Além disso, ganhou o governo em alguns estados e talvez ganhe a presidência da República.

Há uma onda regressiva em várias partes do mundo. No caso do Brasil, essa onda está vindo forte e com certeza foi favorecida por administrações federais incompetentes e com presença de corrupção – além de uma crise das democracias representativas, com dezenas de partidos e o sentido de que políticos não nos representam.

No caso brasileiro, a incompetência de respostas na área da segurança pública é um motor poderoso para a onda reacionária e antidemocrática. Estamos recolhendo os efeitos amargos das nossas taxas de homicídios – entre as mais altas do mundo há duas décadas – dos nossos índices de roubos, furtos e principalmente das ameaças pela presença de grupos ilegais (ligados às facções das drogas ou às polícias e forças paramilitares) nos bairros pobres do Brasil metropolitano.

Não termos feito uma revisão profunda da política de guerra às drogas, do superencarceramento (mais de 700 mil presos) e da ineficiência das polícias em investigar crimes, especialmente das grandes quadrilhas (e não do varejista que está descalço na favela). Tudo isso, me parece, resultou nessa explosão de insatisfação e aderência ingênua aos bordões vazios e irresponsáveis de políticos da extrema direita.

 

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07
Out18

Leve a cola na hora da votação: Haddad é Lula e Bolsonaro é Temer

Talis Andrade

Jair Bolsonaro votou na Reforma Trabalhista de Temer, que retirou direitos dos trabalhadores estabelecidos na CLT

 

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por Emanuel Cancella 

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Jair Bolsonaro votou pelo impeachment da Dilma que colocou no poder MiShell Temer, que, segundo o dono da JBS, é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil (1).


Na declaração de voto a favor do impeachment de Dilma, Jair Bolsonaro exaltou o coronel Brilhante Ustra, o que torturou Dilma dentro de um quartel militar, na Ditadura. Dilma, na época, uma estudante de 19 anos (5).


Principal base de sustentação da candidatura de Bolsonaro são os militares que, de forma inédita no país, no governo Temer, em vários estados, muitos ficaram sem salário (Policiais e Bombeiros).


Isso por causa da PEC 55, proposta por Michell Temer, com voto favorável de Bolsonaro, que congelou por 20 anos investimentos no país (4). Saúde e educação também estão com investimentos congelados por 20 anos.


Na saúde, muita gente pobre tem morrido nas portas dos hospitais por falta de atendimento. Lógico que, nessas circunstâncias, só morre pobre. Políticos como Bolsonaro, que vota a favor do congelamento de investimentos na saúde, nunca vão ficar sem atendimento. Já o pobre morre na porta!


Bolsonaro, por exemplo, foi atendido minutos depois da facada à custa do erário público e ainda foi transferido por avião de um estado para outro.


Jair Bolsonaro votou favorável também na Reforma Trabalhista de Temer, que retirou direitos dos trabalhadores estabelecidos na CLT (4). E seu vice general Mourão ainda quer fazer a Reforma da Providência, já em 2018, para fortalecer a tese que Bolsonaro é Temer eles querem fazer reforma da previdência ainda em 2018 juntamente com o Temer (11).


Eles querem acabam com férias, 13º, aposentadoria e os direitos contidos na CLT.


Esse voto de Bolsonaro contra os direitos dos trabalhadores reforça declarações suas e de seu vice, o general Mourão: Bolsonaro diz que mulher tem que ganhar menos porque engravida (3). E o general Mourão, reiteradas vezes, disse que é contra o salário de férias e o 13º (2). Bolsonaro admite até privatizar a Petrobrás (12).


Já o ex-ministro da educação de Lula, Fernando Haddad é o candidato de Lula. A Lava Jato, chefiada pelo juiz Sérgio Moro, aceitou a denúncia sem provas, só com convicção contra Lula, e assim condenou-o e prendeu-o, num claro intuito de impedir sua candidatura (10).


Fernando Haddad é considerado o melhor ministro da Educação no país em todos os tempos. Foi como ministro da Educação de Lula que o número de escolas técnicas foi triplicado. Com Haddad foram criadas 18 universidades públicas (6,7).


Além de colocar milhões de jovens pobres na universidade, através dos programas criados em sua gestão, como Fiés e Prouni e sistema de cotas, muitos jovens pobres das comunidades foram estudar no exterior através do programa Ciência sem Fronteiras.


Em 2003, tínhamos 583.800 estudantes no ensino superior e, em 2012, 1. 087.400 (8). O gasto com esses estudantes foi, em 2002, de R$ 17 BI e, em 2013, de R$ 94 BI (8).


Além de seus feitos na Educação, quando prefeito de São Paulo, Fernando Haddad foi eleito melhor prefeito do mundo, pelo Mayors Challenge 2016 (9).


Por isso, na hora de votar, não se confunda: Haddad é Lula e Bolsonaro é Temer!

 

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Fonte:

1http://opovocomanoticia.blogspot.com/2017/06/temer-e-o-chefe-da-quadrilha-mais.html

2https://oglobo.globo.com/brasil/general-mourao-vice-de-bolsonaro-critica-13-salario-abono-de-ferias-jabuticabas-brasileiras-23106803

3https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/bolsonaro-diz-que-mulher-deve-ganhar-salario-menor-porque-engravida/

4https://falandoverdades.com.br/bolsonaro-vota-a-favor-de-temer/

5https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/conheca-o-coronel-ustra-homenageado-por-bolsonaro-e-chefe-do-temido-doi-codi-8sed82y14k1b2hnuu1yxk5pnb/

6http://www.pt.org.br/governos-do-pt-criaram-18-universidades-publicas-tucanos-nenhuma/

7http://www.vermelho.org.br/noticia/246625-1

8https://leonardoboff.wordpress.com/2014/09/10/dados-dos-governos-anteriores-e-do-governo-do-pt%EF%BB%BF/

9https://www.conversaafiada.com.br/politica/idolo-de-doria-elege-haddad-melhor-prefeito-do-mundo

10https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/mpf-pede-condenacao-de-lula-sem-provas-mas-com-juizo-de-conviccao-e-logica-do-powerpoint-diz-defesa/

11https://istoe.com.br/vice-de-bolsonaro-defende-reforma-da-previdencia-ainda-em-2018/

12https://veja.abril.com.br/politica/jair-bolsonaro-admite-privatizar-a-petrobras/

03
Out18

INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO DE JANEIRO Policiais estupraram meninas

Talis Andrade
 
 

Principais abusos praticados: roubo, invasões de casas, estupro de crianças, tapas e xingamentos nas abordagens policiais

 

 

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Fuzileiros navais participam de operação na favela Kelson’s, zona norte do Rio, em 20/2/18. FERNANDO FRAZÃO AGÊNCIA BRASIL

 

por Arthur Stabile / El País, Espanha

 

Moradores de favelas do Rio de Janeiro apontam uma série de violações praticadas por militares desde o início da intervenção federal na segurança pública do Estado, assinada pelo presidente Michel Temer (MDB) em 16 de fevereiro de 2018. No relatório parcial Circuito de Favelas por Direitos, elaborado pela Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, os relatos registram roubos, invasões de casa, agressões físicas e até estupros.

Para a elaboração do documento, pesquisadores visitaram 15 comunidades da capital fluminense, com um total de 30 tipos diferentes de violações. As violências são divididas em cinco pontos: violação em domicílio, abordagem, letalidade provocada pelo Estado, operação policial e impactos. O trabalho registrou casos nos primeiros cinco meses de intervenção e tem a meta de continuar até totalizar 30 favelas visitadas.

 

Em uma dessas invasões, teriam ocorrido os estupros, conforme conta um morador: “Eles entraram numa casa que era ocupada pelo tráfico. Lá tinha dois garotos e três meninas. As meninas eram namoradas de traficantes. Era pra ser todo mundo preso, mas o que aconteceu é que os policiais ficaram horas na casa, estupraram as três meninas e espancaram os garotos. Isso não pode estar certo”. O relatório não indica data ou local em que os crimes teriam ocorrido.

 

Esse não é o único caso de abuso sexual. Uma adolescente descreveu ter sido revistada com duas amigas por PMs homens, o que contraria a lei — o artigo 249 do Código de Processo Penal afirma que a busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da diligência. “Ele vem revistar a gente, já gritando, chamando a gente de piranha, mulher de bandido, drogada. Vem empurrando e mexendo na gente. Eu sei que só mulher que pode revistar mulher, mas se nós não deixar [sic] leva tapa na cara”, relembra a jovem.

 

Em outro caso, um casal passou por uma abordagem e o militar revistou a garota “de forma abusiva”. Segundo ela, o policial a respondeu quando questionado sobre a ação. “Se você fizer alguma coisa você vai presa por desacato, mas pra mim não pega nada porque eu sou autoridade”, relatou sobre a revista, feita em frente ao seu namorado.

 

Segundo Pedro Strozenberg, ouvidor-geral da Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o resultado não surpreende pela violência em si, mas pelas pequenas violações se tornarem comuns. “Não é a novidade, uma surpresa em termos do que encontrou, a surpresa são os componentes de crueldade, a dinâmica e sistemática dos fatos. Até discutimos sobre diferenciar as comunidades, mas o que mais acontece é que em qualquer um dos 30 tipos de violações acontecem em qualquer uma delas”, aponta. “Esses casos mais violentos são em geral os mais destacados, um dos resultantes que falamos do trabalho é que a letalidade, o maior e mais grave problema, ela encobre e sombreia essa quantidade de violações cotidianas”, comentando sobre o caso de estupro citado no documento.

 

O estudioso exemplificou como a rotina das pessoas está comprometida pela violência estatal e vira algo natural. “Conversamos com meninas de 8, 10 anos e elas narram as situações de tortura, de feridos, das mortes, onde se escondem em tiroteios com uma naturalidade… Vamos nas casas das pessoas, vemos onde ela está, as condições, é uma intrusão que fazemos. Hoje visitamos um casal jovem com dois filhos, o mais velho com 4 anos e a menina de 2 anos, e perguntei sobre tiroteio: ‘ah, a gente vai para o banheiro onde tem mais parede, menos risco de ser atingido’. Pedi para ver o banheiro: um ambiente minúsculo, eles ficam espremidos e, quando tem tiroteio de madrugada, os pais chegam no banheiro e o filho de 4 anos já está”, explica Strozenberg.

 

Agressões, roubos e militares drogados

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O relatório da Ouvidoria Externa traz o roubo e abordagem violentas como outros abusos sofridos por moradores, além da própria letalidade policial, como o caso de um garçom morto ao ter o guarda-chuva confundido com fuzil. Segundo o documento, a ação violenta mais comum dos militares é ofender ou dar “tapa na cara” das pessoas.

 

“O café da manhã do trabalhador que sai de madrugada às vezes é um tapa na cara”, explica um morador. “Aqui na rua que eles torturam o menino. Do lado da minha casa. Meus vizinhos foram ver o que tava acontecendo e um deles policiais disse: ‘por isso que vocês morrem'”, conta outra.

 

Alguns dos relatos dão conta de uma série de violências, como a entrada de militares em uma casa para usar o ar-condicionado, tomar iogurte da geladeira e o roubo de R$ 1 mil. Outros contam que os roubos ocorrem com itens caros. “Eles [exército] ficam fiscalizando as motos, aí se tem alguém que tá sem o documento certinho eles pegam, as vezes jogam no rio. Às vezes ficam usando as motos de lá pra cá e depois a moto desaparece”, descreve.

 

Mais grave é o uso de drogas em trabalho, conforme registrado. “O caveira [militar] parou e colocou uma carreira de pó no capo do carro e mandou ver. Nunca vi ninguém cheirar e ficar endemoniado como aquele polícia. Antes ele estava passando sério e sem dá nem um tchum pra nós. Depois parecia um capeta”, conta um dos moradores, seguido de outro flagrante. “Ele [militar] ficava com uma garrafinha de guaraná e toda hora ficar colocando no nariz. Guaraná não se bebe pelo nariz, né, dona?”, disse.

 

Procurado pelo EL PAÍS, o Gabinete de Intervenção Federal afirmou que "todas as operações e ações realizadas visando combater a criminalidade são feitas dentro da legalidade objetivando proteger cidadãos e respeitar seus direitos".

 

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02
Out18

Bolsonaro é Temer. Temer é Bolsonaro

Talis Andrade

 

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Negue seu amor, o seu carinho;

Diga que você já me esqueceu.

Pise, machucando com jeitinho

Este coração que ainda é seu.

 

Diga que o meu pranto é covardia,

Mas não se esqueça

Que você foi minha um dia!

 

Diga que já não me quer!

Negue que me pertenceu

Que eu mostro a boca molhada

E ainda marcada pelo beijo seu.

 

Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos

 

 

por Reginaldo Moraes

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Talvez a melhor caracterização do “mito” Bolsonaro tenha sido a de Ciro Gomes, um frasista de primeira: o Bolsonaro inventou um personagem, agora ele incorporou o papel e os jornalistas entraram na onda. Se isso é verdade, corremos o risco de ver realizada a profecia de Marx. A ditadura militar, que uma vez nos foi imposta como tragédia, reaparece agora como farsa.

 

E a farsa é a essência do que temos como refeição diária. Toda a campanha eleitoral é uma gigantesca exibição de coisas sem sentido. Os debates na TV começaram mostrando uma encenação de fantasmas. Os primeiros chegaram a ser teatrais Para piorar a sensação do non-sense, uma cadeira mostrava a ausência da única figura real, justamente aquela à qual se negava existência e se mantinha confinada numa cela em Curitiba. Todo mundo sabia que aqueles diálogos eram um embate entre sombras do nada. E, claro, no meio da farsa, teria que despontar o personagem que é, ele próprio, uma farsa e apenas isso. E que é a própria essência do processo que vivemos há alguns anos.

 

A essência do golpe aparecera naquela tétrica demonstração do Congresso, votando o impedimento da presidenta. Um espetáculo deprimente, mas que mostrava a cara do que era a chamada Casa do Povo. A degradação era estampada em cada figura que aparecia ali, para votar em nome da família, da pátria, do unguento de babosa ou da amante do bode. Satanás discursando sobre a Sagrada Escritura.

 

Pior, na sequência do circo primário, uma série de golpes em direitos históricos e uma sequência de operações desastradas, aprofundando uma crise já anunciada por dois anos de sabotagem e pautas-bombas. No plano simbólico, uma escalada de desmoralizações do presidente-substituto, transformado em personagem de fancaria, a ponto de virar anti-herói em desfile de escolas de samba. O vampiro.

 

Diante desse desmanche de tudo o que restava de pé, um demagogo assumido, que mente sobre tudo, na maior cara de pau, apresenta-se como aquele que vai consertar essa bagaça. Dizem os seguidores, rangendo os dentes e dedilhando gatilhos: ele é a voz que faz o mundo ter sentido. Messias de nova estirpe.

 

Para cumprir esse papel, o canastrão tem que parecer estranho ao mundo que cai. Um outsider. Um inimigo do sistema. A negação da “podre política”. A farda (ou o pijama, neste caso) cai bem na foto. Ele é o homem da disciplina e da dureza, frente aos frouxos e corruptos da “engrenagem”. Os de sempre, como eles costumam dizer. Sempre.

 

Esta é, claro, sua primeira grande farsa – ele foi expelido da farda e alegremente incorporado ao sistema, dentro qual enriqueceu a si e a sua família ampliada, incluindo filhos, cunhados e cunhadas, mulher e duas ex-mulheres, irmão e papagaio. O passado condena com tal força que agora, na véspera das eleições, como fruto do tiroteio interno da quadrilha geral, uma revista famosa por suas barbaridades entrega o antigo irmão de lutas. O capitão é da pá virada, já fez de tudo e mais um pouco. A revista do esgoto e o rato residente. Eles são gregos, devem se entender. Ou não.

 

Mas a grande farsa, de fato, é outra. Esta eleição tem uma lista de candidatos e desde o inicio se procurava saber quem era o candidato do governo, aquele que representaria seu “legado”.

 

Com quem será que o Temer vai casar? Será Meireles? Faz me rir. Temer esboçou um abaixo-assinado, Meireles fez questão de tirar o corpo: “sou candidato do meu retrospecto”. Humm...

 

Alckmin? Parecia. Temer balbuciou alguma coisa, lembrou seus tantos ministros tucanos. Poderia até citar o mais relevante, aquele que virou juiz do Supremo para quebrar seus galhos. Mas o estadista de Pindamonhangaba percebeu que isso lhe custava perder votos – vacilou, o que lhe custou, claro, um puxão de orelhas do próprio vampiro presidencial. Temer, passional como sempre, desta vez não mandou cartinha. Gravou mensagem a la Nelson Gonçalves. Negue que me pertenceu! E eu digo que você foi meu um dia. E mostro a boca molhada, ainda marcada por um beijo seu... Não, não é o Geraldo o candidato do legado. Não vai rolar.

 

O candidato do golpe, o herdeiro e defensor do legado é o capitão. É a única força viva o suficiente para tentar garantir o show de horrores, exploração e destroçamento do país. É o mais fiel dos fieis. Quando era necessário votar alguma patifaria vendendo a nação ou esfolando a plebe, ali estava o capitão. Quando era necessário barrar processos e investigações, ali estava o capitão. Mais fiel do que o próprio partido de Temer. Nunca negou fogo, para usar a expressão que lhe agrada. Ou fumo, se agora preferir.

 

O capitão é a mais fiel continuidade daquela votação macabra do impeachment, das patifarias do vampiro, das vontades do império lá de cima. Não por acaso, manchou a bandeira verde-amarela quando vestia farda, mas agora, de pijama e gravata, bate continência para a bandeira americana. Bolsonaro é Temer, Temer é Bolsonaro. Tanto quanto Haddad é Lula, Lula é Haddad. É esse o confronto que se anuncia, ao por do sol. Se os brasileiros querem um Brasil com a cara fechada do Temer ou um Brasil com o sorriso do Lula.