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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

29
Out20

Peça 6 – as investigações sobre Paludo

Talis Andrade

 

januario paludo filhotes.jpeg

VI - Xadrez das suspeitas do doleiro que encantava procuradores

 

por Luis Nassif

As informações colocam sob suspeita toda a Lava Jato, já que grande parte dos procuradores atuou no caso Banestado, e suscitam dúvidas consistentes: Paludo agiu sozinho ou contou com a cumplicidade de alguns colegas?

Nota-se que era o mais experiente dos procuradores, com boa ascendência sobre colegas mais jovens, a ponto do grupo do Telegram ser batizado como “filhos de Januário ”. Portanto, pode ter sido uma cooptação individual.

Mas as informações confirmam as suspeitas que o GGN, e outros sites independentes, divulgaram desde 2015, e que foram solenemente ignoradas pela mídia, sobre os  advogados da delação premiada. A blindagem da mídia sobre a Lava Jato era tão formidável que passou aos procuradores a sensação da impunidade perpétua. Ganharam poder absoluto, porque as suspeitas contra eles eram jogadas no caldeirão geral do petismo.

Não há modelo que resista a essa exposição ao poder absoluto.

O caso Paludo poderá ser o doloroso, porém necessário, encontro de contas do MPF com a sua história.

 

03
Mar20

Eduardo Bolsonaro: “Sempre tinham uns caras que queriam me comer ou dar pra mim”

Talis Andrade

Eduardo Bolsonaro (Foto: Diego Bresani)

 

Sexo e política são irmãs siamesas e incestuosas. Principalmente no Brasil, que a democracia vai perdendo espaço para a ditadura militar, para o fanatismo religioso, e governantes e parlamentares espalham fake news, e promovem campanhas para o fechamento do Congresso.

A deputada Carla Zambelli garantiu que estará nas manifestações contra a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Superior Tribunal Federal, convocadas para o dia do "foda-se", 15 de março próximo, pelo ministro general Augusto Heleno, com vídeos de propaganda de auto-golpe presidencial.

Desde as eleições de 2018, a mentira (mamadeira de piroca, kit gay, filho de Lula mais rico do que o filho herdeiro da rainha da Inglaterra, do que o filho de Edir Macedo, do que o filho de Jorge Paulo Lemann, com uma fortuna de R$ 104,71 bilhões) - faz parte do cotidiano de Jair Bolsonaro. Quando a mentira é quebra de decoro, e crime de responsabilidade.

O Brasil, o país das promessas enganosas, do estelionato eleitoral, dos parlamentares que convocam manifestações para o fechamento do Congresso, do STF, e depois negam. Das testemunhas que mentem nas CPIs, nos tribunais como delatores premiados, super premiados com o desbloqueio do dinheiro da corrupção, com a legalização dos bens adquiridos, e com a recompensa maior: a conquista da liberdade. Os bandidos da Lava Jato, punidos com mais de cem anos de cadeia, estão leves e soltos, e podres, podres de ricos. Esta a distinção de Alberto Youssef, traficante de moedas, de drogas, de pedras preciosas. Dario Messer, que pagava taxa de proteção para procurador (es), sempre teve anistia antecipada para diferenciados crimes como tráfico de moedas, de cigarros, de minérios.

Neste Brasil que até a grande imprensa falta com a verdade, a semana começou com o boato de que Jair Bolsonaro estava de casamento terminado. Espalharam até que Michelle Bolsonaro estava de namoro arranjado. Boato que fez o deputado federal, ex-ministro Omar Terra escrever a seguinte nota:

 

 Ver imagem no Twitter

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Germano Oliveira é um especialista. Assinou a notícia contra Michelle Bolsonaro, e espalhou, na mesma Istoé, a infâmia de que a falecida Marisa Letícia, esposa de Lula, pediu um elevador à OAS, para ser instalado no triplex do Edifício Solaris, no Guarujá (SP). Essa reportagem safada de GO deu início a Lava Jato que prendeu Lula.

GO plantou provas ilícitas, para proveito de um juiz parcial, doido por um espetáculo para aparecer, criar fama, prender Lula para facilitar a eleição presidencial de Bolsonaro, e receber em troca dois ministérios (da Justiça e da Segurança Pública) e o cargo vitalício de ministro do STF. 

Os "noivados" animam o Congresso. Tabata Amaral e João Campos. Sâmia Bonfim e Glauber Braga. Gleisi Hoffmann e o ex-senador Lindbergh Farias. 

 Mas a história mais picante foi contada pelo Eduardo Bolsonaro.

No Diário do Centro do Mundo: "Viraliza foto de Eduardo Bolsonaro que já vem com legenda: O 'Mitinho', como é chamado o deputado federal por São Paulo que nunca pisou na cidade e já lançou sua pré-candidatura à presidência em 2026, começou o dia contando à revista Piauí que nos seus tempos de adolescente, quando tentou a carreira de modelo, “tinham uns caras que queriam ou me comer ou dar para mim”.

 

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29
Fev20

Caça às bruxas se amplia: corregedor da Justiça manda apurar post de juiz que criticou vídeo de Bolsonaro

Talis Andrade

 

O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, determinou a abertura de uma a apuração contra o juiz do Trabalho Rui Ferreira dos Santos. Ele postou nas redes sociais críticas sobre o vídeo em que Jair Bolsonaro convoca, pelo WhatsApp, a população a ir às ruas no dia do "foda-se", 15 de março, contra o Congresso Nacional. As críticas do magistrado Rui Ferreira dos Santos não diferem daquelas do ministro decano do STF, Celso de Mello, que apontaou crime de responsabilidade de Bolsonaro.

Para o portal 247, a ação do ministro Martins "é uma ampliação da caça às bruxas do regime bolsonarista. A Corregedoria da Justiça jamais puniu qualquer dos diversos juízes que insultaram Lula e Dilma e acusaram-nos  falsamente de crimes em redes sociais.

Martins alegou que a manifestação do magistrado nas redes sociais com críticas ao vídeo poderia ser visto como conduta ‘político-partidária’, vedada pela Constituição Federal. O ministro deu um prazo de 60 dias para apuração do caso e a apresentação dos fatos à Corregedoria Nacional de Justiça, de acordo com o blog do Fausto Macedo ".

O ministro Martins tem uma seletiva conduta político partidária. É louca e apaixonadamente um governista bolsonarista. É do partido do juiz Bretas, dos procuradores Dallagnol, que criou um fundo bilionário, Januário Paludo, este último acusado de receber propina, toco, taxa de proteção.  

Várias autoridades repudiaram a iniciativa de Bolsonaro, além de Celso de Mello. Em sua nota, o decano do STF afirmou que o ocupante do Planalto, "qualquer que ele seja, embora possa muito, não pode tudo, pois lhe é vedado, sob pena de incidir em crime de responsabilidade, transgredir a supremacia político-jurídica da Constituição e das leis da República!".

Pelo Twitter, o ministro do STF Gilmar Mendes disse que "a CF88 garantiu o nosso maior período de estabilidade democrática". "A harmonia e o respeito mútuo entre os Poderes são pilares do Estado de Direito, independentemente dos governantes de hoje ou de amanhã. Nossas instituições devem ser honradas por aqueles aos quais incumbe guardá-las", escreveu ele. 

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21
Fev20

Veja embrulha Witzel e Bolsonaro na morte de miliciano

Talis Andrade

Entramos no carnaval da “milícia doida”. Hoje, a Veja mergulha o governador Wilson Witzel no pantanal da morte do miliciano Adriano Nóbrega. Ele teria recebido – segundo sua mulher, Júlia Mello Lotufo, 2 milhões...

por Fernando Brito

Entramos no carnaval da “milícia doida”.

Hoje, a Veja mergulha o governador Wilson Witzel no pantanal da morte do miliciano Adriano Nóbrega.

Ele teria recebido – segundo sua mulher, Júlia Mello Lotufo, 2 milhões de reais em dinheiro vivo para sua campanha eleitoral ao governo do Rio.

Também revelou a ela quem pediu e quem recebeu as mochilas de dinheiro — repassado, nas palavras dele, como uma espécie de investimento, um seguro que garantiria proteção para tocar seus negócios clandestinos sem ser importunado pelas autoridades, especialmente a polícia.

Witzel, claro, nega tudo e diz que vai processar a viúva de Adriano.

Ela, diz que Witzel roeu a corda da relação com o miliciano para colá-lo na testa dos Bolsonaro.

A revista traz mais: o fazendeiro Leandro Abreu Guimarães, “que deu guarida a Adriano em sua fazenda no município baiano de Esplanada” e que ajudou o ex-PM a fugir de um cerco policial na Costa do Sauípe, aparece, sorridente, numa selfie com Jair Bolsonaro.

Não é nada, é claro, senão mais uma coincidência das dúzias de “por acaso” que surgem na história das ligações milicianas do presidente.

Que mais uma? Lauro Jardim a traz: Paulo Catta Preta, advogado da família de Adriano é amigo antigo de Fred Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas.

— o 01 empregava a ex-mulher e a filha de Nóbrega em seu gabinete de deputado estadual. Catta Preta, aliás, já foi até advogado da ex-mulher de Wassef, Cristina Boner.

Ô mundo pequeno…

 

 

19
Fev20

Peça 6 – as investigações sobre Paludo

Talis Andrade

 

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Xadrez das suspeitas do doleiro que encantava procuradores

 

por Luis Nassif

As informações colocam sob suspeita toda a Lava Jato, já que grande parte dos procuradores atuou no caso Banestado, e suscitam dúvidas consistentes: Paludo agiu sozinho ou contou com a cumplicidade de alguns colegas?

Nota-se que era o mais experiente dos procuradores, com boa ascendência sobre colegas mais jovens, a ponto do grupo do Telegram ser batizado como “filhos de Januário ”. Portanto, pode ter sido uma cooptação individual.

Mas as informações confirmam as suspeitas que o GGN, e outros sites independentes, divulgaram desde 2015, e que foram solenemente ignoradas pela mídia, sobre os  advogados da delação premiada. A blindagem da mídia sobre a Lava Jato era tão formidável que passou aos procuradores a sensação da impunidade perpétua. Ganharam poder absoluto, porque as suspeitas contra eles eram jogadas no caldeirão geral do petismo.

Não há modelo que resista a essa exposição ao poder absoluto.

O caso Paludo poderá ser o doloroso, porém necessário, encontro de contas do MPF com a sua história.

 

18
Fev20

Peça 5 – o que disse o procurador que testemunhou em defesa de Messer

Talis Andrade

 

Xadrez das suspeitas do doleiro que encantava procuradores

 

por Luis Nassif 

No dia  3 de fevereiro de 2020, reportagem da UOL coloca a peça que faltava no jogo: a informação de que Paludo atuou como testemunha de defesa de Dario Messer, em Ação Penal do Ministério Público Federal, no dia 3 de fevereiro de 2011 – período supostamente abrangido pela mensalidade paga pelos doleiros.

O advogado de Messer era Figueiredo Bastos.

No seu depoimento, Paludo alegou que não foi identificado nenhum envolvimento do doleiro Messer com as contas da Banestado. Paludo informa que não encontrou nenhum indício de ligação entre Messer e o doleiro Clark Setton, “a não ser pelo depoimento de um dos doleiros, que de forma rápida citou até a família Messer”.

No depoimento, desqualifica o relatório da CPMI, pelo fato de não ter sido aprovado de maneira unânime pela comissão.

Confrontado com a reportagem, a assessoria de imprensa do MPF do Paraná respondeu assim:

Testemunhas não estão vinculadas às partes. Quando são apontadas por elas, têm obrigação de depor em juízo e esclarecer a verdade, o que o procurador fez junto com outro procurador e delegado que também foram arrolados e testemunharam. Na ocasião do depoimento prestado, em 2011, o procurador regional da República Januário Paludo limitou-se a relatar os fatos que haviam ocorrido em 2005, da exata forma em que ocorreram. Assim, os fatos referidos no depoimento, ocorridos há 15 anos, já foram devidamente esclarecidos há mais de 9 anos pelo Procurador Regional da República Januário Paludo.

No final do capítulo destinado a Messer, o relatório 2 da CPMI listava 9 indícios de envolvimento dele com o esquema Bacon Hill, nenhum considerado na denúncia final da Força Tarefa:

1) Nome de Dario Messer em agendas de funcionários de Alexandre Martins e Reinaldo Pitta;

2) Nome de Dario Messer na agenda da Beacon Hill, com seu celular e telefone fixo confirmados pela quebra de sigilo telefônico;

3) O relacionamento estreito da Stream Tour – ou subconta MIDLER – com Dario Messer, via contatos telefônicos diários;

4) A relação entre o ex-Banco Dimensão e o MTB Bank, banco no qual se achavam as contas DEPOLO, KUNDO e SOLID;

5) O volume de transações entre o Dimensão e o MTB, e ao mesmo tempo, a movimentação elevadíssima da offshore Worldtrust com o Banco Dimensão, e da Worldtrust com a DEPOLO, no MTB Bank;

6) O depoimento de ex-funcionário dos empresários Pitta e Martins confirmando que Dario Messer mantinha muitos contatos com os empresários e que fazia a compra e venda de dólares via DEPOLO;

7) O cheque nominal a Dario Messer endossado e creditado na DEPOLO;

8) Relatórios da conta DEPOLO informam que Clark Setton e Mordko Messer participavam de reuniões com gerentes do MTB Bank, sendo que Mordko encontrava-se já com saúde debilitada.

9) Pelo exame dos sigilos bancário e telefônico de Dario Messer e dos empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta, verifica-se que Dario, Martins e Pitta operam em conjunto. pois ‘Pitta e Martins realizavam pagamentos em reais por meio de seus funcionários (laranjas) a clientes de Dário Messer. [Continua]

 

17
Fev20

Peça 4 – aparece o nome de Januário Paludo

Talis Andrade

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Xadrez das suspeitas do doleiro que encantava procuradores

 

por Luis Nassif

Novembro de 2019 – Durante a Operação Patron, última fase da Lava Jato do Rio, a Polícia Federal do Rio de Janeiro apreendeu o celular de Messer. E localizou mensagens para a namorada, na qual ele afirmava pagar propinas mensais a Januário Paludo, a título de proteção nas investigações a seu respeito. Os diálogos aconteceram em agosto de 2018.

Segundo a reportagem, a mensagem de Messer dizia que “sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês.”:

“Segundo a PF, os “meninos” citados por Messer são Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca. Ambos trabalharam com Messer em operações de lavagem de dinheiro investigadas pela Lava Jato do Rio. Depois que foram presos, viraram delatores. Em depoimentos prestados em 2018 à Lava Jato no MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro), Juca e Tony afirmaram ter pago US$ 50 mil (cerca de R$ 200 mil) por mês ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção a Messer na PF e no Ministério Público”.

Fevereiro de 2020: reportagem da UOL mostrava que procuradores da Lava Jato viram proteção ao doleiro Clark Setton em 2005, e propunham anulação do acordo de delação. [Continua]

 

 

17
Fev20

Peça 3 – as suspeitas sobre Figueiredo Bastos

Talis Andrade

FigueiredoBasto rei das delações.jpg

Xadrez das suspeitas do doleiro que encantava procuradores

por Luis Nassif

Em 2018 apareceram as primeiras suspeitas sobre Figueiredo Bastos – o mais influente advogado de delações premiadas junto à Lava Jato do Paraná – e procuradores da Lava Jato.

Segundo o doleiro Juca Bala,

Juca Bala contou que em meados de 2005 ou 2006, Enrico, um operador financeiro do esquema comandado por Dario Messer, considerado o doleiro dos doleiros, começou a exigir de Juca e de um sócio uma taxa mensal de US$ 50 mil, a fim de possuir proteção da Polícia Federal e do Ministério Público; que Juca pagava US$ 50 mil por mês, convertidos em reais, hoje cerca de R$ 187 mil, que mandavam entregar em endereços indicados por Enrico; que, além de Juca Bala e do sócio, os doleiros Matalon, Richard Waterloo e outros também pagavam a taxa; que os pagamentos eram destinados a dois advogados de outro doleiro, Clark Setton, o Kiko: Juca disse que os advogados seriam Figueiredo Basto e um outro que não se recordou do nome; que os pagamentos foram feitos de 2005 ou 2006 até 2013.

No início, supôs-se que Figueiredo Bastos tivesse recorrido ao golpe da venda de prestígio. Ou seja, alegaria um relacionamento não profissional inexistente com um procurador, e levantaria mensalmente recursos a título de remunerá-lo. [Continua]

 
22
Jun18

Direito 4.0 produz delações ilícitas e conduções inconstitucionais

Talis Andrade


O cenário do Direito brasileiro é o da Batalha de Pirro: em 280 a.C., o Rei Pirro, depois de vencer uma batalha, disse, respondendo a um indivíduo que lhe demonstrou alegria pela vitória: 'Mais uma vitória como essa e estarei arruinado completamente'. E disse isso apontando para o que restou de suas tropas

vitória de pirro.jpg

 


Por Lenio Luiz Streck

 

Metaforicamente, é o que se pode dizer do Brasil, depois do impeachment feito à fórceps (é eufemismo), intervenção militar fracassada no Rio, prejuízo de operações como A Carne é Fraca, greve dos caminhoneiros que foi um desastre para a economia (Petrobrás quase quebrou o que restou das tropas pirróticas), ponderação usada pelo judiciário como katchanga real, população carcerária aumentando dia a dia sem que isso resolva coisa nenhuma (e isso que o sistema carcerário foi “declarado” inconstitucional por ECI), decisões judiciais tomadas pela vontade pessoal do juiz, gente defendendo esterilização de pobres, juiz Moro sendo Moro, Dallagnoll prometendo um vídeo semanal nas eleições, TRF4 “decidindo” que o MPF não necessita ser isento, governo batendo cabeça no STF sobre MP do próprio governo, discussão sobre auxílio-moradia que vira conciliação (o Brasil é o rei da conciliação), com o autor se passando para o lado dos conciliandos e assim por diante (acrescentaria o elenco de ilicitudes delineadas por Janio de Freitas na Folha de 17.06.2018:TRF4 aceitou arbitrariedades de Moro, CNJ concedeu imunidade às violações de praticadas por Moro, o STJ e o STF substituíram a lei pelo agrado à opinião pública e o dever pela sujeição, além do direito paralelo criado por Moro e Dallagnol, tudo absorvido pelo TRF4 – a lista é bem mais longa, é claro).

 

Impressiona que alguns Ministros que votaram pela inconstitucionalidade das conduções pedissem desculpas por votar assim, deixando claro que com isso não estavam coadunando com a impunidade. Ou seja: cumprir a CF passou a exigir desculpas. Chegamos ao ponto em que cumprir a legalidade passou a ser um ato revolucionário, subversivo. Conceder HC – o remédio heroico - passou a ser motivo de vaia.

 

Nesse cenário de Pirro, parece que já não há novidade em afirmar que o modelo de delação premiada idealizada na lava jato faz água de há muito. Aos poucos, as absolvições começam a acontecer. Por uma razão simples: depoimento de delator, desacompanhado de prova concreta, nada vale. Por exemplo, o doleiro Alberto Youssef, hour concours no ramo delacional, em uma de suas delações – falo do caso da senadora Gleisi e do ex-ministro Paulo Bernardo (e poderia falar de tantos já julgados pelo STF em que ficou claro o limite do que diz um delator) – chega a dar quatro, sim, incríveis quatro versões sobre o que delatou. Isso também aparece – e por coincidência é o mesmo delator – em um caso envolvendo um senador. Afinal, o que é um fato? O que é um fenômeno? É possível relatar o mesmo fato de vários modos diferentes? Um delator pode dizer qualquer coisa sobre qualquer coisa? Ou o delator tem a prerrogativa da pós-verdade só produz narrativas?

 

Sempre fico com uma pulga atrás da orelha quando um delator diz: entreguei 40 milhões (é um exemplo) para fulano. Eu penso: mas ninguém lhe pergunta como ele fez isso? Mandou um motoboy? Mandou para um banco? Mandou para o exterior? E se entregou em cash, como ele arrumou esse ervanário, se qualquer retirada de banco acima de dez mil exige burocracia? Enfim, criou-se um mundo de ficções.

 

Tenho insistido na tese (ver aqui) que devemos exigir evidências cientificas das decisões dos tribunais. E, por óbvio, também devemos exigir evidências empíricas dos delatores. Não basta dizer. Tem de demonstrar. E não basta apresentar uma agenda com siglas. Chega a ser patético que uma delação tenha como prova apenas siglas e sinais em uma agenda. Brincando, pode-se dizer que LSD pode ser droga como também Luciano Soares Dutra. Ou Logo Serei Delatado. Parece coisa do google: você coloca “cataratas do Iguaçu” e aparece “opero cataratas em clínica em Foz do Iguaçu”. Já se viu em várias delações que esses códigos não fecham. Por vezes, até fecham. Mas um relógio parado também acerta as horas duas vezes por dia. Processo penal não pode ser ficção. Necessita provar. Robustamente.

 

Já há suspeitas de chantagens até mesmo de advogados que estariam usando delações para pressionar e achacar “futuros” réus em troca de “mesadas” (ou taxa de proteção).

 

Para mim, presente qualquer tipo de suspeita em delatores, o que disseram fica subsumido na tese dos frutos da árvore envenenada. Isso sem falar de delatores usufruindo de benefícios sem processo. E da exclusão de advogados que não agrada(ra)m ao órgão negociador. Não tenho dúvida de que haverá o momento de um ajuste processual. O rio da história não pode ser exprimido por margens que põem a culpa na água corrente.

 

O óbvio deve ser dito. Só que o óbvio está no anonimato. Ele se esconde. É ladino. Do jeito que a coisa vai, esse “novo” modelo de processo penal 4.0 (baseado em delações e convicções), com ar condicionado, direção hidráulica e bancos de couro, poderá parar por falta de combustível. Ou será barrado por uma blitz constitucional. Depende dos guardas do STF. O modelo 4.0 já foi multado pela blitz no caso das conduções coercitivas.

 

O modelo baseado em delações e convicções pessoais, em que a prova é crença (há um livro defendendo isso e também consta em peças processuais) é autofágico. A menos que acreditemos na lenda do Barão de Münschausen que, atolado e afundando no pântano com seu cavalo, puxou-se a si mesmo pelos cabelos. Mutatis mutandis, é a delação premiada sem indicativos materiais. Ela é ficcional como a lenda do Barão. Inadmissível uma prova que exurge de si mesma. Não há prova autopoiética. Quer dizer, uma delação não se salva sustentando-se a si mesma pelos próprios depoimentos. [Transcrevi trechos. Leia mais. Releia para meditar]

 

22
Jun18

Objetivos da Lava Jato sempre foram o golpe de estado, a prisão de Lula e a cassação do registro do Partido dos Trabalhadores

Talis Andrade

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Por Bepe Damasco

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“São tantas as incongruências nas delações que elas se tornam imprestáveis para sustentar qualquer condenação”, ministro Ricardo Lewandowski, do STF, no seu voto durante julgamento que absolveu a senadora Gleisi Hoffmann. Gilmar Mendes também acertou o coração da Lava Jato: “Não existe juízo condenatório por probabilidade.”

 

Abro parênteses: em nada se alterou o juízo que faço do STF - um tribunal desmoralizado, que trocou seu papel de guardião da Constituição pelo de cúmplice do golpe de 2016. A maioria dos ministros que o compõe ou está a anos luz do estofo jurídico que o cargo requer, ou degrada o tribunal com sua militância política. De direita, é claro. Fecho parênteses.

 

A absolvição da presidenta do PT, de seu marido Paulo Bernardo e do empresário Ernesto Kugler das acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por parte da segunda turma do Supremo, somada à decisão de semana passada que pôs fim às conduções coercitivas são as duas maiores derrotas até agora da coalizão Globo-Lava Jato que manda hoje no Brasil.

 

Mas a luz no fim do túnel que se vislumbra com a possibilidade de o STF, embora tardiamente, anular as aberrações jurídicas da Lava Jato, que resultaram numa profusão de processos farsescos e prisões ao arrepio da lei, só se materializará se a esquerda e os segmentos democráticos da sociedade entenderem que não há momento mais apropriado para alvejar de forma incessante um inimigo que começa a cambalear.

 

Só que esse inimigo, em que pese ter sentido os impactos dos dois golpes, ainda é poderoso, pois conta com o apoio de instituições do próprio Estado. A imagem que me vem à cabeça é a de um lutador de boxe que por exibir um cartel repleto de vitórias – não importa se conquistadas com golpes abaixo da linha da cintura – esbanja soberba e arrogância. Mas quando é atingido inesperadamente dá sinais de que pode ser nocauteado, ou derrotado por pontos, pois vaga tonto pelo ringue.

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É hora, portanto, do lutador que nos representa partir para resolver a contenda, acertando-lhe o maior número possível de jabs, ganchos, diretos e cruzados. Do resultado desta luta depende a reconquista da democracia, o fim da ditadura de novo tipo que o golpe nos impôs e a restituição dos direitos do povo que foram roubados, além da recuperação da soberania e das riquezas do país entregues aos estrangeiros.

 

Se é verdade que os verdugos da democracia ainda são fortes – por obra e graça de uma mídia mafiosa que durante anos a fio disseminou ódio e produziu uma legião de descerebrados-, também é inegável que nunca como agora tanta gente consegue enxergar a Lava Jato fora das lentes do senso comum : uma operação política sofisticada cujos objetivos sempre foram o golpe de estado, a prisão de Lula e a cassação do registro do Partido dos Trabalhadores.

 

Os movimentos sociais devem insistir nesta denúncia junto ao povo. Lentamente está dando resultado. No estrato progressista da classe média, a visão crítica aos métodos da República de Curitiba já se alastra. Cabe ao PT e aliados subir o tom do discurso contra a República de Curitiba e definitivamente o colocar no centro de sua tática política e eleitoral.

 

Todo o apoio à CPI que o Congresso Nacional, por iniciativa do PT, está prestes a instalar para investigar e trazer à tona o submundo e a indústria das delações premiadas.

 

 

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