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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Out19

É preciso um "fora já" para Ricardo Salles

Talis Andrade

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por Gustavo Aranda

Foram necessários 41 dias para que o Ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, formalizasse o plano de contingência do governo federal para conter o maior desastre ambiental da história brasileira.

Enquanto voluntários se organizavam, colocando a própria saúde em risco, para tentar amenizar os efeitos do derramamento de óleo que atinge 2.000 quilômetros do litoral brasileiro. Enquanto a Justiça, dos Estados do Nordeste, e o Ministério Público Federal cobravam a atuação do governo para adotar medidas para conter a crise, o ministro Salles usava as redes sociais, com vídeo adulterado, para ironizar o Greenpeace.
 
DURANTE AS QUEIMADAS CRIMINOSAS QUE ATINGIRAM A AMAZÔNIA NO MÊS PASSADO, A ATITUDE DE RICARDO SALLES FOI PEGAR UM AVIÃO PARA A EUROPA PARA ENCONTROS SECRETOS COM EMPRESAS MULTINACIONAIS POLUIDORAS, INTERESSADAS NA EXPLORAÇÃO DA AMAZÔNIA, COMO REVELOU O THE INTERCEPT.

Ricardo Salles está condenado por improbidade administrativa e a perda dos direitos políticos, desde dezembro de 2018, por adulterar mapas de preservação ambiental, quando exerceu o cargo de secretário do meio ambiente de Geraldo Alckmin, em São Paulo, para permitir que a Suzano Papel e Celulose despejasse lixo tóxico na várzea do Tietê. A empresa pertence a família Feffer, que é a principal financiadora do grupo “Endireita Brasil”, fundada pelo ministro, e de suas campanhas eleitorais.

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Salles também foi denunciado pelos funcionários da secretaria, às vésperas de deixar o cargo, por tentar vender um prédio público do Instituto Geológico para um amigo pessoal, mentindo sobre o parecer da Consultoria Jurídica que foi contrária ao negócio por gerar danos ao erário. O Ministério Público arquivou o novo processo de improbidade, não por falta de provas, mas, porque o ministro já havia deixado o cargo, o MP conseguiu com a instalação do inquérito que o negócio não fosse concretizado.
 
Em agosto deste ano, o Ministério Público de São Paulo abriu um outro inquérito para investigar a suspeita de enriquecimento ilícito do ministro entre 2012 e 2018, período que ocupou cargos públicos na administração paulista. Em 2012, Salles declarou um patrimônio de 1,4 milhão em bens. Em 2018, quando se candidatou para deputado federal pelo Partido Novo, seu patrimônio era de 8,8 milhões de reais, montante incompatível com os rendimentos de servidor público. Nesse período, Ricardo Salles foi a justiça para reduzir a pensão alimentícia dos dois filhos, alegando que seu salário era baixo demais para cumprir a obrigação. Ele chegou a ser ameaçado de prisão por dever 28 mil reais de pensão para as filhas.
 
DEPOIS DE DISPUTAR A CADEIRA DE DEPUTADO FEDERAL, SALLES FOI ACUSADO DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E DE FAZER PROPAGANDA ANTECIPADA, POR APARECER EM PROPAGANDAS PUBLICADAS EM JORNAIS ANTES DO PERÍODO ELEITORAL. POR ISSO, A PROCURADORIA ELEITORAL QUER QUE ELE FIQUE INELEGÍVEL POR OITO ANOS.
 
O Ministro também foi pego em suas mentiras, ao divulgar durante anos em seu currículo um mestrado em direito público pela Universidade de Yale, onde nunca assistiu uma aula.
 
Em uma semana no ministério, Salles usou o Tweeter para atacar o IBAMA por um contrato de 28 milhões, alegando irregularidades. Bolsonaro compartilhou a mensagem do ministro, mas quando vieram as explicações, o presidente foi obrigado a apagar a postagem.
 
Não é de se esperar de um governo que tem como exemplo de moralidade torturadores, estupradores e criminosos de toda espécie, exigir probidade dos ministros que escolhe. Agora, que a justiça paulista, tão célere em encarcerar integrantes de movimento sociais e políticos de esquerda, mantenha o país e o planeta reféns de um político condenado, com vastas provas documentais e com tantas evidências de imoralidade no trato público, ocupando um cargo da importância que tem o Ministério do Meio Ambiente, se recusando a julgar um processo engavetado desde dezembro do ano passado, só pode ser visto como escárnio, provocação e cumplicidade.
 
Não basta que ONGs denunciem o descalabro da gestão ministerial para ONU e faça protestos pontuais, como a de hoje (23), em frente ao Palácio do Planalto.
É URGENTE QUE A SOCIEDADE SE MOBILIZE PARA COBRAR DA JUSTIÇA O JULGAMENTO DOS CRIMES COMETIDOS PELO MINISTRO PARA QUE AS INSTITUIÇÕES RETORNEM AO ESTADO DE NORMALIDADE DEMOCRÁTICA E POSSAM RESOLVER OS PROBLEMAS QUE AFETAM O PAÍS DE FORMA SÉRIA E SEGURA.
É preciso um “Fora já” para Ricardo Salles e para a política de destruição do meio ambiente imposta pelo governo federal.

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Em "Destaques" no Jornalistas Livres:
 
20
Mar19

ARMAS, ÓDIO, DIVISÃO SOCIAL, SUZANO....DISCURSO

Talis Andrade

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Empório do Direito

por Adel El Tasse 

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A violência manifestada no massacre da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, faz o Brasil confrontar forma particularmente sensível de violência, o ataque massivo a crianças, no seu ambiente escolar, sem qualquer chance de defesa. O lugar de geração de conhecimento e desenvolvimento da pessoa se transforma repentinamente no palco da barbárie e, mesmo em uma sociedade extremamente violenta como a brasileira, é gerada dor que não se consegue descrever e a sensação de total impotência em face da violência se torna mais palpável, pois nem mesmo no ambiente símbolo da segurança e do desenvolvimento há proteção.

De forma previsível, imediatamente debates apaixonados entre os apoiadores do atual Presidente da República, com suas mãos fazendo símbolo de armas e seus detratores tomaram conta do País, tentando entender se o Brasil está caminhando para novas formas de violência, em sua já delicada situação de conflitividade social.

É preciso deixar um pouco de lado a paixão eleitoral para refletir sobre o que realmente ocorre, pois ainda que se resista a aceitar, a verdade é que o discurso habilitado no país nos últimos tempos é extremamente perigoso, mesmo nas sociedades mais pacíficas da terra, o que não é o caso da brasileira, onde indica poder devastador.

A trajetória humana ensinou que todos os processos históricos vividos em uma sociedade dependem de um discurso que seja interiorizado pelas pessoas, porquanto deste processo ocorre a aceitação e realização de ações concretas, pois, toda tentativa de imposição comportamental tende a ser vista como autoritária e, portanto, rechaçada.

Sem querer aflorar paixões ou pretender debater se o melhor é o neoliberalismo ou o protecionismo, se o PT faz parte de um plano satânico para dominar a América Latina ou não, mas seria necessário fechar os olhos completamente para não perceber o discurso que vem sendo estabelecido como hegemônico na sociedade brasileira, em processo que se desenvolve há alguns anos e, em relação aos qual, os dedos em armas, como símbolo da nova sociedade e do seu avanço, são seu momento culminante.

Quando se pulveriza a ideia de que no Brasil há um quadro de impunidade, mesmo ostentado uma das maiores populações carcerárias do mundo, apenas porque, como em todo o planeta, a pena tem prazo de duração e os condenados não são torturados e tem luxos, como poder se alimentar; ou o condenado, por dele não se gostar, não deve nunca mais sair do cárcere e lá deve morrer ou, ainda, se for contra o inimigo tudo bem que as provas não são contundentes, mas melhor que seja condenado pois é bom que sofra; não está se promovendo justiça, mas se promove a interiorização da ideia de que o diferente deve ser massacrado e, quando se agrega a isso a lógica de que é preciso se armar, pois se tem o direito de exterminar o outro, evidente, se habilitou um discurso de violência social extrema.

Nesse sentido, um dos aspectos mais graves da divisão entre “pessoas de bem” e outros, da ideia de que o considerado mal deve ser combatido com meios agressivos e que punir desmedidamente é símbolo de justiça, está no discurso fundamental que sustenta todas estas ideias, não de inclusão ou de paz, mas de legitimação da imposição do pensamento, da divisão social e de que se vive em uma guerra e, portanto, os massacres são aceitáveis, ou seja, um passo antes dos paredões.

Suzano alerta para o discurso que vem sendo interiorizado pelos pessoas no Brasil e a necessidade de que se trabalhe imediatamente na alteração de sua lógica, promovendo a cultura da paz, do entendimento e da tolerância, porém, infelizmente talvez muitas dores ainda tenham que ser vividas e o que visto seja apenas o prenúncio de uma onda de massacres, pois a interiorização de um discurso gera a dramática dificuldade da pessoa em aceitar que talvez esteja errada, é como em 1971 a canção já alertava, muita gente não ouviu porque não quis ouvir. Eles estão surdos!

16
Mar19

Mãos que fazem arminhas pegam em armas

Talis Andrade

“Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração.” ( Palavras de Jesus aos religiosos do...

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por Jornalistas Livres

José Barbosa Junior

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“Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração.” ( Palavras de Jesus aos religiosos do seu tempo, em Mateus 12:34)

Quem não chorou ontem, no Brasil, pela morte abrupta dos adolescentes na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano-SP, ou não tem dimensão do que estamos passando ou tem essa dimensão e, na verdade, torce por isso.

O Brasil está refém de, mais do que uma onda de violência, um “espírito de violência” (não de cunho espiritual – pode até ser também – mas aqui um espírito social, um zeitgeist), onde o uso das armas são apenas o complemento de algo já maquinado e orquestrado por essa época onde ódio e violência parecem dar as cartas e têm totalmente o jogo nas mãos.

E, sim, precisamos falar de Bolsonaro.

E, sim, precisamos falar do apoio evangélico a esse projeto de violência.

A campanha de Bolsonaro foi uma ode à violência, ao feminicídio, à LGBTFobia, ao uso das armas, à violência física como ação final contra todos aqueles que se levantassem contra o projeto de poder do führer tupiniquim.

Não me causou espanto a violência de Bolsonaro, homem tosco, oriundo dos militares repressores e opressores. Deu o que tinha para oferecer: violência, e mais nada. Nada de projetos, nada de planos, nada de governo. Quando abre a boca, destila ódio e violência aos diferentes.

Mas o mais interessante é que também não me causou espanto o apoio dos evangélicos e católicos conservadores ao então candidato. Nem um pouco de espanto. O conservadorismo “cristão” (e aqui as haspas são necessárias) sempre foi calcado na violência contra o outro, sempre na imposição de suas ideias e, historicamente, sempre matou quando foi preciso. Quem sabe um dia essa história seja recontada por uma Escola de Samba: O sagrado violento e a profanação que liberta!

Foram muitas as manifestações de líderes e grupos “cristãos”, postando fotos onde todos faziam arminhas com a mãos, gesto simbólico e maior da campanha de Jair Bolsonaro. Não hesito em parafrasear o versículo com que iniciei este texto: “Raça de cobras venenosas, como podem vocês, que são maus, fazer coisas boas? As mãos simbolizam do que está cheio o coração de vocês.” Sim! Fazem arminhas com as mãos porque em seus corações o que reina é o ódio e a violência. Se pudessem, e torcem para isso, sairiam atirando sem pestanejar em feministas, LGBT’s, negros “amaldiçoados”, mães e pais de santo…

Suzano, infelizmente, se repetirá. Queria poder acreditar que não, e luto para isso… mas essa gente quer que a violência triunfe, para que seus projetos de poder se façam valer, cada vez mais pela força, pelo rancor e pelo desejo de vingança de tempos em que o Brasil aspirou a igualdade entre todos.

Eles não suportam isso.

E o “deus” deles, e o presidente deles, autorizam a barbárie!

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós…

José Barbosa Junior – teólogo e pastor da Comunidade Batista do Caminho, Belo Horizonte

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14
Mar19

Desespero em Suzano: “Mãe, socorro, está tendo um tiroteio aqui!”

Talis Andrade

Ex-alunos invadiram escola na Grande São Paulo. Ação cruel deixa ao menos oito mortos. Massacre, três meses depois de matança em Campinas, alimenta debate sobre flexibilização do porte de armas no Brasil

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Mulher acende vela em tributo a vítimas do ataque em Suzano. AMANDA PEROBELLI REUTERS
 

Momentos antes do ataque, Guilherme, o mais novo da dupla, postou uma série de fotos no Facebook. Aparece com a mesma roupa escura com que morreria, usando uma máscara de caveira, uma referência pop entre os grupos racistas norte-americanos, e apontando uma arma para a câmara.

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Na última foto, pousou com a camisa com o rosto de Bolsonaro (apagado pela censura política)

 

Antes de que a página fosse retirada do ar, a revista Época registrou que Guilherme curtia páginas como "Eu amo armas". No ano passado, havia declarado apoio ao então candidato Jair Bolsonaro. Chegou também a postar mensagens referindo-se à ideia de suicídio.

Ainda que o Brasil seja um dos países mais violentos do mundo, que registrou 64.000 homicídios em 2017 (dois terços deles realizados com armas de fogo), massacres em escolas não chegam a ser comuns como nos EUA, onde o tipo de ataque é uma verdadeira epidemia que faz o país uma anomalia no mundo desenvolvido pelo número de mortes com armas de fogo—só de janeiro a maio de 2018, o país de Donald Trump havia registrado nada menos que 23 ações do tipo em escolas.

Ainda assim, os crimes cometidos pelos jovens em Suzano, que acontece apenas três meses depois de um homem perpetrar uma matança na Catedral de Campinas, guardam uma série de semelhanças com os cometidos por Eric Harris e Dylan Klebold na Columbine High School, no Colorado, Estados Unidos, em 1999, que deixou 13 mortos e 24 feridos. Nos dois casos, tratava-se de ex-alunos que usaram diferentes tipos de armas — entre eles explosivos — e usavam roupas escuras, bonés, luvas e cinto tático. Segundo as primeiras informações da polícia, citadas pela GloboNews, há registros de que os dois buscavam na Internet informações sobre os massacres nos EUA. Leia mais in El País . Por Joana Oliveira

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Autores do massacre a escola brasileira tinham pacto de morte

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Os atiradores, Luiz Castro, 25 anos, e Guilherme Monteiro, 17, também morreram. A polícia científica está a investigar se os homicidas se suicidaram ou se foram abatidos por três agentes da força tática da polícia paulista quando tentavam entrar no centro de línguas da escola, onde dezenas de alunos se encontravam.

Luiz trabalhava como auxiliar de jardinagem com o pai em Guaianases, uma cidade a 14 quilómetros de Suzano. Segundo um tio, nunca tinha dado problemas e ocupava os tempos livres a jogar e a ver futebol, torcendo pelo clube local Corinthians e pelo clube espanhol Barcelona. Disse ainda o familiar que na véspera do massacre, Luiz dissera ao pai que não iria trabalhar por se estar a sentir mal.

Guilherme vivia com o avô - a avó morreu há quatro meses - e as duas irmãs porque os pais são toxicodependentes. Até ao ano letivo passado - que terminou em dezembro - estudava na escola que atacou. Segundo os professores, era tranquilo. O avô também disse que o neto nunca lhe deu problemas, nem com drogas ou de outro tipo. Colegas que escaparam do ataque, por sua vez, disseram que no último fim de semana ele já os tinha ameaçado - "fiquem alerta", avisou. Acrescentaram que Guilherme se costumava fotografar com armas nas redes sociais e que não tinham ideia de que ele sofresse bullying. Por João Almeida Loureiro, in Diário de Notícias

 

 

 

14
Mar19

BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA. "Chega de pessoas 'brincando' de arminha"

Talis Andrade

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A deputada Erika Kokay‏ ressaltou que nas redes sociais de um dos atiradores de Suzano identificou-se a sedução por armas. “O atirador chegou a curtir uma página ‘gosto de armas e não sou bandido’, ferindo qualquer tipo de lógica. “Quem mata inocentes numa escola é o quê?”, questionou. Erika disse ainda que o atentado em Suzano “é exemplo do tipo de tragédia que poderá se tornar comum no Brasil com a facilitação do acesso às armas pelo governo Bolsonaro”.

O deputado lamentou: “Enquanto o ódio é incentivado, inocentes pagam por isso. Armas servem apenas para matar, e a liberação desse instrumento ocasionará mais casos tristes como este”.

Para o deputado Rogério Correia, não é aconselhável fazer especulação política sobre o lamentável episódio em Suzano. “Mas é obrigatório repudiar a banalização da violência. Chega de pessoas ‘brincando de arminha’ nas ruas, com aplauso e incentivo de políticos”, enfatizou. De uma enquete de Vânia Rodrigues.

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14
Mar19

VIOLÊNCIA. "Porte de armas pode ser um gatilho sem volta"

Talis Andrade

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Na avaliação do deputado Henrique Fontana a tragédia de Suzano é o resultado “da ode à violência que impulsionou o armamento como solução da segurança pública”. Ele disse ainda que a matança dos alunos e funcionários na escola em Suzano é o mais trágico exemplo que o fim do estatuto do desarmamento pode ocasionar em nossa sociedade.

Fontana citou que 71% dos homicídios no Brasil são causados por arma de fogo e frisou que o ocorrido na escola em Suzano reforça “nossa convicção que a política de Bolsonaro, que facilita o porte de armas pode ser um gatilho sem volta. “Precisamos armar a população com educação. Esse é o papel do Estado Brasileiro”, ensinou.

E a deputada Maria do Rosário  afirmou que esse “terrível atentado na escola em São Paulo é um dos resultados do ódio que vem sendo estimulado no Brasil”. Ela acrescentou que mais armas geram mais violência, e não menos mortes, como dizem os que defendem a liberação do acesso às armas. “Nós queremos paz. Minha solidariedade às famílias das vítimas”.

O deputado Alexandre Padilha criticou a flexibilização ao acesso às armas e afirmou que uma população armada não é uma população segura, pelo contrário. “O que garante segurança é o compromisso do Estado em realizar políticas públicas efetivas e justas”.

Também na avaliação da deputada Luizianne Lins, quanto mais armas de fogo em circulação, mais violência e mais ódio haverá no País. “Estamos perdendo nossos jovens e crianças para a violência e a desesperança. Força à comunidade escolar. Que encontremos o caminho da paz”. Enquete realizada por Vânia Rodrigues. 

 

14
Mar19

Massacre em escola de Suzano lança debate sobre posse de armas no Brasil, diz imprensa francesa

Talis Andrade
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Jornais franceses desta quinta-feira(14), dizem que o massacre na escola de Suzano relança o debate sobre o porte de armas no Brasil.Rovena Rosa/Agência Brasil/ Fotomontagem RFI

 

RFI - Os jornais franceses desta quinta-feira (14) destacam que o massacre na escola de Suzano relança o debate sobre o posse de armas no Brasil. Dois diários abordam o tiroteio na escola estadual Raul Brasil, na periferia de São Paulo, nesta quarta-feira (13), que deixou oito mortos.

Os dois atiradores mataram oito pessoas antes de se suicidarem na quarta-feira (13) de manhã. Os dois jornais franceses descrevem o massacre em detalhes. O Le Figaro lembra que ataques como esses são raros nas escolas brasileiras. O último aconteceu em 2011 no Rio, quando um ex-aluno matou a tiros 12 crianças.

O jornal conservador ressalta que o novo tiroteio acontece pouco tempo depois de o presidente Jair Bolsonaro anunciar a flexibilização, em janeiro, da posse de armas no Brasil, cumprindo uma promessa de campanha. Um tema que provoca muita polêmica no país, onde a taxa de criminalidade é muito alta. O Brasil tem sete homicídios por hora, segundo o Le Figaro, que cita o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016.

A correspondente do Le Monde em São Paulo, Claire Gatinois, diz que, em poucas horas, as condolências das autoridades ficaram para trás devido a "recuperação política" do massacre. O artigo diz que a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, foi uma das primeiras a reagir e a condenar, sem nomear Bolsonaro, um discurso que estimula a violência. O PT também denuncia a liberalização da posse de armas e afirma que o Brasil precisa de paz.

 

Redução da maioridade penal

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Rapidamente, os partidários do presidente lançaram uma contraofensiva aos discursos atribuídos aos militantes de esquerda. O Le Monde cita a declaração do filho mais velho de Bolsonaro, o senador Flavio Bolsonaro.

De acordo com ele, o massacre foi provocado “mais uma vez” por um menor e “atesta o fracasso do infeliz estatuto de desarmamento” ainda em vigor. O jornal liberal analisa que essa afirmação é uma maneira de forçar a revogação da lei sobre o desarmamento decidida durante o governo Lula, detestado pela família Bolsonaro, e de obter a redução da maioridade penal para 16 anos, outro tema defendido pelo presidente.

Para os defensores das armas, o debate está encerrado, escreve o Le Monde. Os aliados de Bolsonaro da chamada “bancada da bala” garantem que a proibição do uso de armas não melhorou o cotidiano violento dos brasileiros. Pelo contrário, apenas fragilizou os “cidadãos do bem”, incapazes de se defender.

Essa teoria é contestada pelo estudo "Mapa da Violência" publicado em 2015, aponta a matéria. Ele indica que, apesar da lei do desarmamento não ter diminuído o número de assassinatos no país, ela freou o crescimento exponencial dos crimes, impedindo a morte de mais de 113 mil pessoas em dez anos.

Por enquanto, a origem da arma utilizada pelos dois jovens no massacre de Suzano é desconhecida, mas Jair Bolsonaro teme que o revólver usado no massacre tenha sido comprado após seu recente decreto flexibilizando o uso de armas, salienta o Le Monde.

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13
Mar19

Mataram oito na escola onde estudaram

Talis Andrade

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Guilherme Monteiro, 17 anos, e Luiz Castro, 25, que tinham estudado na Professor Raul Brasil, na pacata cidade de Suzano, mataram o tio do primeiro, duas coordenadoras e cinco adolescentes no massacre

 

Por João Almeida Moreira

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Dois antigos alunos de uma escola pública de Suzano, pacata cidade de 300 mil habitantes a 34 quilómetros de São Paulo, mataram oito pessoas, das quais cinco menores, e feriram dez, na manhã desta quarta-feira (13 de março). Os atiradores, Luiz Castro, 25 anos, e Guilherme Monteiro, 17, também morreram. A polícia científica está a investigar se os homicidas se suicidaram ou se foram abatidos por três agentes da força tática da polícia paulista quando tentavam entrar no centro de línguas da escola, onde dezenas de alunos se encontravam.

Luiz trabalhava como auxiliar de jardinagem com o pai em Guaianases, uma cidade a 14 quilómetros de Suzano. Segundo um tio, nunca tinha dado problemas e ocupava os tempos livres a jogar e a ver futebol, torcendo pelo clube local Corinthians e pelo clube espanhol Barcelona. Disse ainda o familiar que na véspera do massacre, Luiz dissera ao pai que não iria trabalhar por se estar a  sentir mal.

Guilherme vivia com o avô - a avó morreu há quatro meses - e as duas irmãs porque os pais são toxicodependentes. Até ao ano letivo passado - que terminou em dezembro - estudava na escola que atacou. Segundo os professores, era tranquilo. O avô também disse que o neto nunca lhe deu problemas, nem com drogas ou de outro tipo. Colegas que escaparam do ataque, por sua vez, disseram que no último fim de semana ele já os tinha ameaçado - "fiquem alerta", avisou. Acrescentaram que Guilherme se costumava fotografar com armas nas redes sociais e que não tinham ideia de que ele sofresse bullying.

Um tinha vergonha das borbulhas, o outro era jardineiro: os atiradores da escola de São Paulo

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, que completaria 26 no sábado, eram ex-alunos da escola na cidade de Suzano em que mataram oito pessoas e feriram nove. O nono e o décimo óbitos da tragédia são os próprios Guilherme e Luiz, que ou se suicidaram ou foram atingidos pelos agentes da força tática que invadiram a escola e os encurralaram, informação a ser confirmada pelos exames periciais.

Segundo um tio de Luiz, o seu sobrinho trabalhava com o pai em Guaianases, cidade a 14 quilómetros de Suzano, e nunca havia dado problemas. Ontem, entretanto, pedira ao pai para não trabalhar por não se estar a sentir bem. Em conversa com a revista Veja, Américo Castro falou de "um garoto tranquilo, que gostava de jogar à bola com os amigos, torcia para o Corinthians em criança e mais recentemente se dizia do Barcelona".

O advogado da família, Fabrício Tsutsui, diz que na família, constituída maioritariamente por gente idosa, todos estão chocados com o ataque e com a morte de Luiz. Segundo o jurista, o atirador era auxiliar de jardinagem.

Guilherme morava com duas irmãs mais novas e os avós - a avó morreu morreu já quatro meses. O avô, porém, afirma que o neto "sempre foi bonzinho, nunca teve problemas com drogas nem deu trabalho", ao contrário dos pais, ambos dependentes químicos. Sem se identificar, contou à imprensa que pagava um tratamento de pele ao neto, que tinha vergonha das borbulhas tradicionais na sua idade.

Uma das vítimas do massacre foi um tio seu, dono de uma empresa de aluguer de automóveis nas imediações da escolha.

Colegas que escaparam do massacre desta quarta-feira relatam, no entanto, que no fim-de-semana Guilherme havia dito num centro comercial para eles "ficarem alerta". Afirmam que o atirador não sofria bullying e que costumava partilhar imagens com arma nas redes sociais. No facebook, o adoescente revelava-se um amante de armas, um apoiante do presidente Jair Bolsonaro e um fã da série Walking Dead.

Sobre Marielle Franco, assassinada no ano passado, Guilherme curtiu um post da página do delegado Roberto Monteiro que diz "trate bandidos como vítimas, e um dia a vítima será você".

Os dois frequentaram a Escola Professor Raul Brasil, sendo que Guilherme saiu, por iniciativa própria, no final do ano passado.

 

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