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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

02
Jun23

Sâmia Bonfim aponta conflitos de interesses de Ricardo Salles, relator da CPI do MST

Talis Andrade
 

Sâmia Bonfim enumerou os crimes pelos quais o ex-ministro do Meio Ambiente é investigado, entre eles corrupção e prevaricação; ela teve o microfone cortado e questão de ordem foi considerada “subjetiva” pelo presidente da comissão

 

por Bruno Stankevicius Bassi

- - -

Composta majoritariamente por membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi instalada na última quarta-feira (17) na Câmara. A CPI, que pretende criminalizar a luta pela terra no Brasil, será presidida pelo deputado Tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS) e terá como relator o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (PL-SP) — ambos membros ativos da frente ruralista.

Salles toma posse como relator da CPI do MST. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

 

Responsável por “passar a boiada” durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), Salles é um dos nomes mais questionados da CPI por sua relação explícita com o poder econômico e pelo beneficiamento escancarado de infratores ambientais, conforme descrito pelo De Olho nos Ruralistas em relatórios e reportagens ao longo dos últimos anos: de sua ascensão política patrocinada pelo empresário David Feffer, da Suzano, ao financiamento de campanha por usineiros e madeireiros beneficiados por sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, transformado por Salles em um balcão de negócios, como mostrou o dossiê Ambiente S/A.

Os conflitos de interesses em série foram citados pela deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP), durante a sessão inaugural da comissão, para tentar impedir a posse de Salles na relatoria.

Logo após o ex-ministro ser chamado para compor a mesa diretora, a parlamentar apresentou uma questão de ordem baseada no artigo 5º, inciso VIII, do Código de Ética da Câmara, que impede que parlamentares relatem matérias “de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha eleitoral“.

Na justificativa, Sâmia enumerou os crimes de corrupção, prevaricação, advocacia administrativa e organização criminosa, pelos quais Salles responde no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso se refere ao envolvimento do ex-ministro em um esquema de tráfico de madeira ilegal no Pará, revelado pela Operação Akuanduba, da Polícia Federal.

Na sequência, a deputada cita a apuração deste observatório sobre os financiadores de campanha de Salles, mas teve o microfone cortado. A questão de ordem foi dispensada pelo presidente da CPI, que a considerou “subjetiva”.

Confira abaixo, o vídeo da série De Olho no Congresso que aponta quem são os patrocinadores do relator da CPI do MST:

BANCADA RURALISTA REALIZA SONHO ANTIGO E DOMINA A CPI DO MST

A criação de uma CPI para criminalizar as ocupações de latifúndios por camponeses sem terra, indígenas e quilombolas era um sonho antigo da FPA. Desde o governo de Michel Temer (MDB), líderes ruralistas tentam, sem sucesso, emplacar a comissão.

Com Bolsonaro, a perseguição viria através do governo federal, que — em plena pandemia de Covid-19 — enviou a Força Nacional de Segurança Pública para reprimir militantes do MST no Sul da Bahia e da Liga dos Camponeses Pobres em Rondônia. Sob a batuta do ex-secretário de Assuntos Fundiários Nabhan Garcia, aquele governo promoveu o maior programa de reconcentração fundiária da história recente: o Titula Brasil, que distribuiu mais de 300 mil títulos individuais, em uma modalidade que permite a venda da terra para terceiros. Especialistas ouvidos à época pelo De Olho nos Ruralistas, afirmam que, a longo prazo, o processo deve levar a um enfraquecimento dos assentamentos da reforma agrária no país.

Frente ruralista lançou campanha para criminalizar ocupações de terras no Brasil. (Imagem: FPA)

 

Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro, as atenções da FPA voltaram-se novamente à CPI. Por meio do Instituto Pensar Agro (IPA), braço logístico que liga os parlamentares aos empresários do agronegócio, a frente ruralista impulsionou uma campanha nas redes sociais para atacar camponeses e indígenas. A “Semana do Combate à Invasão de Terras” foi lançada poucos dias antes do início do Abril Vermelho, mês em que o MST promove ações de solidariedade, encontros e também ocupações de latifúndios improdutivos e escritórios públicos, para pautar a reforma agrária.

O lobby ruralista deu resultado: em 26 de abril, o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) — ele próprio um membro da FPA — acatou o requerimento do deputado Tenente-coronel Zucco, dando autorização para a CPI ser instalada.

Além de Zucco na presidência e Ricardo Salles na relatoria, a comissão conta com outros 28 membros da FPA. Entre os 25 titulares já designados pelos respectivos partidos, 16 são integrantes da bancada ruralista. Faltam ainda duas nomeações: do Podemos e do PSB. Dos 19 suplentes conhecidos, doze pertencem à frente.

A lista inclui onze dirigentes da FPA. Dois deles são membros da mesa diretora: o “vogal” Kim Kataguiri (União-SP) — cargo equivalente ao de conselheiro — e o vice-presidente da frente na Câmara Evair de Melo (PP-ES). Eles ocupam a 1º e a 3ª vice-presidência da CPI. O segundo posto da comissão está com o Delegado Fabio Costa (PP-AL), ruralista e membro da “tropa de choque” de Arthur Lira na Câmara.

Além deles, figuram entre os titulares: Caroline de Toni (PL-SC), coordenadora jurídica da FPA; Domingos Sávio (PL-MG), vice-presidente da FPA para a região Sudeste; Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG), líder da Comissão Trabalhista; e Lucas Redecker (PSDB-RS), da Comissão de Inovação.

Entre os suplentes estão Alceu Moreira (MDB-RS), ex-presidente da FPA e líder da Comissão de Política Agrícola; Marcos Pollon (PL-MS), da Comissão de Segurança no Campo; e os “vogais” Diego Garcia (Republicanos-PR) e Rodolfo Nogueira (PL-MS) — este último autor de quatro requerimentos na CPI até agora.

Foto principal (TV Câmara/Reprodução): deputada Sâmia Bonfim apresentou requerimento para impedir a posse de Ricardo Salles como relator da CPI do MST 

| Bruno Stankevicius Bassi é coordenador de projetos do De Olho nos Ruralistas. |

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Nesta terça-feira (30 maio), o relator da CPI do MST, deputado Ricardo Salles (PL-SP), aquele que sugeriu “ir passando a boiada", repetiu a cena de truculência do deputado tenente-coronel Zucco (Republicanos-RS) contra Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e cortou o microfone da deputada quando ela dizia que os barracos onde integrantes do movimento social residiam foram invadidos e que a polícia abusou da autoridade. O MPF considera que houve violência política de gênero contra a parlamentar, e acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR). Os jornalistas Renato Rovai e Dri Delorenzo comentam o caso.

06
Abr23

Estudantes de Blumenau se juntaram em foto para formar suástica nazista

Talis Andrade
 
 
 
MASSACRE EM BLUMENAU: FALHAMOS COMO PAÍS? - Tudo ok Notícias
Massacre em Blumenau de tradições nazistas 
 
 

 

Ideli Salvatti, ex=ministra dos Direitos Humanos diz que a propaganda neonazista está espalhada em Santa Catarina, sobretudo em Blumenau, onde houve ataque a creche. O assassino nazista filho de pai militar nazista bolsonarista, que atacou duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo, tem proteção policial para uma confortável vida 

 

por Joaquim de Carvalho /Brasil 247

O ataque a uma creche de Blumenau chamou a atenção pela crueldade do assassino, que matou crianças com golpes de machado, mas não só por isso. A cidade e seu entorno têm sido notícias que as associam ao nazismo, a ideologia que tem o ódio como elemento central.

A ex-ministra dos Direitos Humanos Ideli Salvatti, que foi senadora por Santa Catarina, ouviu na semana passada o relato de que alunos de um câmpus do Instituto Federal de Ensino se fotografaram em posição que, no conjunto, formava a suástica.

"Os alunos deitaram no chão, fizeram a suástica com os próprios corpos e fotografaram como logo da escola", contou, em entrevista à TV 247. Segundo ela, o caso foi encaminhado para a procuradoria do Instituto Federal, para providências legais.

Ideli disse que o caso é mantido sob sigilo, porque poderá haver repercussão judicial junto aos pais dos adolescentes, que são menores de idade. Para ela, o caso revela que há uma ação organizada do movimento neonazista para cooptar os mais jovens.

"O movimento nazifascista bolsonarista está focado. Eles estão focados no ambiente escolar. Eles estão fazendo cooptação de juventude, de crianças e adolescentes, para operacionalizar as suas ações. Isso está visível. Então, tem que ter ação, ação de governo, e tem que ter ação não só do Executivo, do Judiciário, que tem que ser mais rápido, tem que ser mais ágil", comentou.

O Ministério Público de Santa Catarina já identificou mais de 500 células nazistas no estado. "Quantas que eles já desmontaram? Não dá para fazer assim: 'a gente está fazendo'. Fazendo para quando, cara pálida? Então, é urgente. E o Legislativo não dá para ser conivente mais", afirmou.

Santa Catarina é um dos estados em que Jair Bolsonaro teve proporcionalmente mais votos – 62,21% – e é governado por um ardoroso defensor da política armamentista, Jorginho Melo (PL).

No ano passado, quando era senador, Melo gravou vídeo de apoio ostensivo ao Proarmas, entidade que defende a liberação total do porte de armas e patrocina candidatos nas eleições, sobretudo parlamentares. Dirigindo-se aos participantes de uma convenção do Proarmas, ele disse que o presidente da entidade, Marcos Pollon, despachava em seu gabinete e mandava nele.

“Ele [Pollon] é senador, quando eu não estou no gabinete ele assume. Ele vai lá, ele faz emenda. Ele, de forma muito carinhosa; ele que é um dedicado, apaixonado pelo que faz… Então não precisa dizer muito que somos parceiros, ele que manda em mim. E a pauta dele é a minha pauta”, declarou.

Em Blumenau, Jorginho Melo teve 75,49% no segundo turno das eleições de 2022. A cidade já teve escolas com pichações de suástica e de apoio a Hitler. Em 2017, cartazes comemorativos do aniversário do líder nazista alemão foram afixados no centro da cidade.

"Heróis não morrem. Parabéns, Führer - 20/04/1889", dizia a propaganda, com foto de Hitler.

A ex-ministra Ideli Salvatti entende que o ataque à creche na cidade é fruto do disseminação do discurso de ódio e apologia do nazifascismo bolsonarista e, por isso, o movimento que ela ajudou a criar, o Humaniza, programou para segunda-feira, às 19 horas, reunião na cidade para definir ações específicas naquela região.

"Não dá para esperar. Precisamos agir, é urgente", disse.

.x.x.x.x.

 

Procurei o Instituto Federal de Ensino, mas, em razão do feriado (que foi estendido para esta quinta-feira), ninguém atendeu. Quando a instituição se manifestar, atualizaremos este artigo.

Recado desde correspondente, ex-professor de História (cursos de vestibular), e de Filosofia (Escola Normal de Natal) de Jornalismo, de Propaganda, de Publicidade, de Relações Públicas (Universidade Católica de Pernambuco): quem faz suruba nazista participa de orgia sexual. Meninas de 12, 13 anos, que ainda são virgens têm os nomes pichados, execrados.

Adolescente usa arma do pai e símbolo nazista em ataque a escolas

Filho de policial militar, jovem diz que planejava ação há dois anos

 
 
Folha de S.Paulo on Twitter: "Adolescente vítima de ataque a escolas em  Aracruz (ES) está intubada https://t.co/tdav50XIXs" / Twitter
O estudante admirador de Hitler autor do massacre em duas escolas em Aracruz, Espirito Santo, com o pai (que teve a identidade protegida) em uma motociada de Bolsonaro candidato a presidente em 2022
 
 
 
A Agência Brasil publicou condescendente reportagem, chorando pelos pais do adolescente psicopata, que aprendeu a atirar sozinho, a dirigir carro sozinho, a ler sozinho livros nazistas encontrados na biblioteca de casa e do quartel, inclusive a proibida autobiografia de Hitler. 
 
Eis o texto de 25/11/22: 
 
Após ser apreendido como principal suspeito de autoria do ataque a duas escolas em Aracruz, no Espírito Santo, um adolescente de 16 anos confessou o crime, informou a Polícia Civil do estado. O jovem contou que vinha planejando a ação há pelo menos dois anos. O adolescente é filho de um policial militar.
 
"Os pais estavam destruídos e colaboraram muito com o nosso trabalho", disse o delegado da Polícia Civil, João Francisco Filho, que apresentou os detalhes da apreensão ao lado do governador Renato Casagrande, do secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo, e do secretário de Segurança Pública, Marcio Celante. De acordo com o delegado, o adolescente foi encontrado em um dos imóveis da família no município. A operação foi tranquila e houve cooperação tanto dos pais quanto do autor do crime.
 

Já se sabe que o adolescente usou duas armas de responsabilidade do pai: um revólver de calibre .38, de propriedade privada e uma pistola .40 pertencente à Polícia Militar. Ele também levava três carregadores. O governador Renato Casagrande confirmou que, no momento do crime, o adolescente usava uma braçadeira com um símbolo nazista.

Imagens das câmeras de segurança registraram a ação. O atirador vestia roupa camuflada e uma máscara de esqueleto, similar à usada em fotos nas redes sociais por um dos autores do massacre ocorrido em 2019 na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, São Paulo.

 
A Agência Brasil esqueceu as vítimas do horrendo e covarde massacre:
 

O Setor Educação da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota em solidariedade a comunidade escolar e aos familiares das vítimas do atentado a duas escolas em Aracruz (ES), que matou quatro pessoas e feriu 12.

As vítimas são a estudante Selena Sagrillo, de 12 anos, e as professoras Maria da Penha Pereira de Melo Banhos de 48 anos, Cybelle Passos Bezerra, de 45 anos e Flávia Amboss Merçon Leonardo. O corpo das vítimas já foram enterrados. De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo, o assassino tem 16 anos, usou duas armas no ataque, uma do pai, outra da Polícia Militar. O adolescente está apreendido desde a tarde do crime.

24
Fev22

No governo Bolsonaro, Deus tem castigado o Brasil

Talis Andrade

ANO 2019

Em 25 de janeiro, no primeiro mês do governo Bolsonaro, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, operada pela Vale, resultou na morte de pelo menos 270 pessoas. Trata-se da maior catástrofe ambiental provocada pela ação humana em solo brasileiro. "A pior do mundo em 3 décadas" informou em manchete a BBC de Londres. 

Fevereiro, 08:
Dez pessoas morreram e quatro ficaram feridas em um incêndio de grandes proporções no Centro de Treinamento Ninho do Urubu, do Flamengo, em Vargem Grande, no Rio de Janeiro. As chamas começaram por volta das 5h. A maioria dos mortos era de adolescentes jogadores da base do time carioca, entre 14 e 17 anos. O alojamento, onde ficavam atletas da base cujas famílias moravam longe ou fora do Rio de Janeiro, foi totalmente destruído pelas chamas.

Março, 13:
Em Suzano, a 50 km de São Paulo, dois atiradores entraram em uma escola e dispararam contra alunos e funcionários. Cinco estudantes, uma diretora e uma coordenadora da escola foram assassinados pelos ex-alunos Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25.

Obedecendo a um pacto de morte, ambos se suicidaram assim que a PM chegou à instituição de ensino. Antes, Guilherme já havia matado o tio, Jorge Antônio de Moraes, 51 anos, alvejado no escritório da loja de veículos dele.

Setembro, 12:
Um incêndio atingiu o Hospital Badim, na rua São Francisco Xavier, no Maracanã (zona norte do Rio de Janeiro). Os bombeiros confirmaram que 12 pessoas morreram. Ao todo, 103 pacientes estavam internados na unidade no momento do incêndio.

Segundo o que funcionários relataram à polícia e publicações nas redes sociais, o incêndio teria começado por volta das 18h15 em um prédio antigo onde funcionava o setor de laboratórios do hospital.

Dezembro, 1º:
Uma perseguição policial com troca de tiros durante um baile funk em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, deixou nove pessoas mortas após serem pisoteadas. Outras sete ficaram feridas. Segundo a polícia, os militares realizavam a Operação Pancadão na região, quando dois homens em uma motocicleta atiraram contra os PMS. Após os disparos, a moto fugiu para o baile funk.

Com isso, os agentes começaram a perseguir os suspeitos, que entraram na festa que reunia cerca de cinco mil pessoas. Os jovens foram pisoteados e a maioria morreu por asfixia e trauma na medula. Um vídeo gravado de uma casa da região mostra a movimentação da polícia e também a correria das pessoas que estavam na noitada. Veja:

 

Importantes livros historiam a desumanidade capitalista, a crueldade assassina do neocolonialismo, a ambição das minineradoras estrangeiras, o entreguismo dos governos de Minas Gerais e do Brasil

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UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais - Livro busca respostas para o  'mar de lama da Samarco'

Livro: Vozes e silenciamentos em Mariana: crime ou desastre ambiental? está  disponível para download - Ecoa

Para passar a boiada do ministro Ricardo Salles, o governo Bolsonaro iniciou a destruição da maior floresta tropical do mundo, com o fogo e a serra elétrica o desflorestamento da Amazônia, a contaminação dos rios com o mercúrio da mineração invasora e ilegal, a violência relacionada à regularização fundiária, demarcação de terras e reforma agrária na Amazônia Legal e no Cerrado. O holocausto, o genocídio dos povos indígenas. (Continua)

23
Out19

É preciso um "fora já" para Ricardo Salles

Talis Andrade

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por Gustavo Aranda

Foram necessários 41 dias para que o Ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, formalizasse o plano de contingência do governo federal para conter o maior desastre ambiental da história brasileira.

Enquanto voluntários se organizavam, colocando a própria saúde em risco, para tentar amenizar os efeitos do derramamento de óleo que atinge 2.000 quilômetros do litoral brasileiro. Enquanto a Justiça, dos Estados do Nordeste, e o Ministério Público Federal cobravam a atuação do governo para adotar medidas para conter a crise, o ministro Salles usava as redes sociais, com vídeo adulterado, para ironizar o Greenpeace.
 
DURANTE AS QUEIMADAS CRIMINOSAS QUE ATINGIRAM A AMAZÔNIA NO MÊS PASSADO, A ATITUDE DE RICARDO SALLES FOI PEGAR UM AVIÃO PARA A EUROPA PARA ENCONTROS SECRETOS COM EMPRESAS MULTINACIONAIS POLUIDORAS, INTERESSADAS NA EXPLORAÇÃO DA AMAZÔNIA, COMO REVELOU O THE INTERCEPT.

Ricardo Salles está condenado por improbidade administrativa e a perda dos direitos políticos, desde dezembro de 2018, por adulterar mapas de preservação ambiental, quando exerceu o cargo de secretário do meio ambiente de Geraldo Alckmin, em São Paulo, para permitir que a Suzano Papel e Celulose despejasse lixo tóxico na várzea do Tietê. A empresa pertence a família Feffer, que é a principal financiadora do grupo “Endireita Brasil”, fundada pelo ministro, e de suas campanhas eleitorais.

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Salles também foi denunciado pelos funcionários da secretaria, às vésperas de deixar o cargo, por tentar vender um prédio público do Instituto Geológico para um amigo pessoal, mentindo sobre o parecer da Consultoria Jurídica que foi contrária ao negócio por gerar danos ao erário. O Ministério Público arquivou o novo processo de improbidade, não por falta de provas, mas, porque o ministro já havia deixado o cargo, o MP conseguiu com a instalação do inquérito que o negócio não fosse concretizado.
 
Em agosto deste ano, o Ministério Público de São Paulo abriu um outro inquérito para investigar a suspeita de enriquecimento ilícito do ministro entre 2012 e 2018, período que ocupou cargos públicos na administração paulista. Em 2012, Salles declarou um patrimônio de 1,4 milhão em bens. Em 2018, quando se candidatou para deputado federal pelo Partido Novo, seu patrimônio era de 8,8 milhões de reais, montante incompatível com os rendimentos de servidor público. Nesse período, Ricardo Salles foi a justiça para reduzir a pensão alimentícia dos dois filhos, alegando que seu salário era baixo demais para cumprir a obrigação. Ele chegou a ser ameaçado de prisão por dever 28 mil reais de pensão para as filhas.
 
DEPOIS DE DISPUTAR A CADEIRA DE DEPUTADO FEDERAL, SALLES FOI ACUSADO DE ABUSO DE PODER ECONÔMICO E DE FAZER PROPAGANDA ANTECIPADA, POR APARECER EM PROPAGANDAS PUBLICADAS EM JORNAIS ANTES DO PERÍODO ELEITORAL. POR ISSO, A PROCURADORIA ELEITORAL QUER QUE ELE FIQUE INELEGÍVEL POR OITO ANOS.
 
O Ministro também foi pego em suas mentiras, ao divulgar durante anos em seu currículo um mestrado em direito público pela Universidade de Yale, onde nunca assistiu uma aula.
 
Em uma semana no ministério, Salles usou o Tweeter para atacar o IBAMA por um contrato de 28 milhões, alegando irregularidades. Bolsonaro compartilhou a mensagem do ministro, mas quando vieram as explicações, o presidente foi obrigado a apagar a postagem.
 
Não é de se esperar de um governo que tem como exemplo de moralidade torturadores, estupradores e criminosos de toda espécie, exigir probidade dos ministros que escolhe. Agora, que a justiça paulista, tão célere em encarcerar integrantes de movimento sociais e políticos de esquerda, mantenha o país e o planeta reféns de um político condenado, com vastas provas documentais e com tantas evidências de imoralidade no trato público, ocupando um cargo da importância que tem o Ministério do Meio Ambiente, se recusando a julgar um processo engavetado desde dezembro do ano passado, só pode ser visto como escárnio, provocação e cumplicidade.
 
Não basta que ONGs denunciem o descalabro da gestão ministerial para ONU e faça protestos pontuais, como a de hoje (23), em frente ao Palácio do Planalto.
É URGENTE QUE A SOCIEDADE SE MOBILIZE PARA COBRAR DA JUSTIÇA O JULGAMENTO DOS CRIMES COMETIDOS PELO MINISTRO PARA QUE AS INSTITUIÇÕES RETORNEM AO ESTADO DE NORMALIDADE DEMOCRÁTICA E POSSAM RESOLVER OS PROBLEMAS QUE AFETAM O PAÍS DE FORMA SÉRIA E SEGURA.
É preciso um “Fora já” para Ricardo Salles e para a política de destruição do meio ambiente imposta pelo governo federal.

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Em "Destaques" no Jornalistas Livres:
 
20
Mar19

ARMAS, ÓDIO, DIVISÃO SOCIAL, SUZANO....DISCURSO

Talis Andrade

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Empório do Direito

por Adel El Tasse 

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A violência manifestada no massacre da Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, faz o Brasil confrontar forma particularmente sensível de violência, o ataque massivo a crianças, no seu ambiente escolar, sem qualquer chance de defesa. O lugar de geração de conhecimento e desenvolvimento da pessoa se transforma repentinamente no palco da barbárie e, mesmo em uma sociedade extremamente violenta como a brasileira, é gerada dor que não se consegue descrever e a sensação de total impotência em face da violência se torna mais palpável, pois nem mesmo no ambiente símbolo da segurança e do desenvolvimento há proteção.

De forma previsível, imediatamente debates apaixonados entre os apoiadores do atual Presidente da República, com suas mãos fazendo símbolo de armas e seus detratores tomaram conta do País, tentando entender se o Brasil está caminhando para novas formas de violência, em sua já delicada situação de conflitividade social.

É preciso deixar um pouco de lado a paixão eleitoral para refletir sobre o que realmente ocorre, pois ainda que se resista a aceitar, a verdade é que o discurso habilitado no país nos últimos tempos é extremamente perigoso, mesmo nas sociedades mais pacíficas da terra, o que não é o caso da brasileira, onde indica poder devastador.

A trajetória humana ensinou que todos os processos históricos vividos em uma sociedade dependem de um discurso que seja interiorizado pelas pessoas, porquanto deste processo ocorre a aceitação e realização de ações concretas, pois, toda tentativa de imposição comportamental tende a ser vista como autoritária e, portanto, rechaçada.

Sem querer aflorar paixões ou pretender debater se o melhor é o neoliberalismo ou o protecionismo, se o PT faz parte de um plano satânico para dominar a América Latina ou não, mas seria necessário fechar os olhos completamente para não perceber o discurso que vem sendo estabelecido como hegemônico na sociedade brasileira, em processo que se desenvolve há alguns anos e, em relação aos qual, os dedos em armas, como símbolo da nova sociedade e do seu avanço, são seu momento culminante.

Quando se pulveriza a ideia de que no Brasil há um quadro de impunidade, mesmo ostentado uma das maiores populações carcerárias do mundo, apenas porque, como em todo o planeta, a pena tem prazo de duração e os condenados não são torturados e tem luxos, como poder se alimentar; ou o condenado, por dele não se gostar, não deve nunca mais sair do cárcere e lá deve morrer ou, ainda, se for contra o inimigo tudo bem que as provas não são contundentes, mas melhor que seja condenado pois é bom que sofra; não está se promovendo justiça, mas se promove a interiorização da ideia de que o diferente deve ser massacrado e, quando se agrega a isso a lógica de que é preciso se armar, pois se tem o direito de exterminar o outro, evidente, se habilitou um discurso de violência social extrema.

Nesse sentido, um dos aspectos mais graves da divisão entre “pessoas de bem” e outros, da ideia de que o considerado mal deve ser combatido com meios agressivos e que punir desmedidamente é símbolo de justiça, está no discurso fundamental que sustenta todas estas ideias, não de inclusão ou de paz, mas de legitimação da imposição do pensamento, da divisão social e de que se vive em uma guerra e, portanto, os massacres são aceitáveis, ou seja, um passo antes dos paredões.

Suzano alerta para o discurso que vem sendo interiorizado pelos pessoas no Brasil e a necessidade de que se trabalhe imediatamente na alteração de sua lógica, promovendo a cultura da paz, do entendimento e da tolerância, porém, infelizmente talvez muitas dores ainda tenham que ser vividas e o que visto seja apenas o prenúncio de uma onda de massacres, pois a interiorização de um discurso gera a dramática dificuldade da pessoa em aceitar que talvez esteja errada, é como em 1971 a canção já alertava, muita gente não ouviu porque não quis ouvir. Eles estão surdos!

16
Mar19

Mãos que fazem arminhas pegam em armas

Talis Andrade

“Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração.” ( Palavras de Jesus aos religiosos do...

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por Jornalistas Livres

José Barbosa Junior

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“Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração.” ( Palavras de Jesus aos religiosos do seu tempo, em Mateus 12:34)

Quem não chorou ontem, no Brasil, pela morte abrupta dos adolescentes na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano-SP, ou não tem dimensão do que estamos passando ou tem essa dimensão e, na verdade, torce por isso.

O Brasil está refém de, mais do que uma onda de violência, um “espírito de violência” (não de cunho espiritual – pode até ser também – mas aqui um espírito social, um zeitgeist), onde o uso das armas são apenas o complemento de algo já maquinado e orquestrado por essa época onde ódio e violência parecem dar as cartas e têm totalmente o jogo nas mãos.

E, sim, precisamos falar de Bolsonaro.

E, sim, precisamos falar do apoio evangélico a esse projeto de violência.

A campanha de Bolsonaro foi uma ode à violência, ao feminicídio, à LGBTFobia, ao uso das armas, à violência física como ação final contra todos aqueles que se levantassem contra o projeto de poder do führer tupiniquim.

Não me causou espanto a violência de Bolsonaro, homem tosco, oriundo dos militares repressores e opressores. Deu o que tinha para oferecer: violência, e mais nada. Nada de projetos, nada de planos, nada de governo. Quando abre a boca, destila ódio e violência aos diferentes.

Mas o mais interessante é que também não me causou espanto o apoio dos evangélicos e católicos conservadores ao então candidato. Nem um pouco de espanto. O conservadorismo “cristão” (e aqui as haspas são necessárias) sempre foi calcado na violência contra o outro, sempre na imposição de suas ideias e, historicamente, sempre matou quando foi preciso. Quem sabe um dia essa história seja recontada por uma Escola de Samba: O sagrado violento e a profanação que liberta!

Foram muitas as manifestações de líderes e grupos “cristãos”, postando fotos onde todos faziam arminhas com a mãos, gesto simbólico e maior da campanha de Jair Bolsonaro. Não hesito em parafrasear o versículo com que iniciei este texto: “Raça de cobras venenosas, como podem vocês, que são maus, fazer coisas boas? As mãos simbolizam do que está cheio o coração de vocês.” Sim! Fazem arminhas com as mãos porque em seus corações o que reina é o ódio e a violência. Se pudessem, e torcem para isso, sairiam atirando sem pestanejar em feministas, LGBT’s, negros “amaldiçoados”, mães e pais de santo…

Suzano, infelizmente, se repetirá. Queria poder acreditar que não, e luto para isso… mas essa gente quer que a violência triunfe, para que seus projetos de poder se façam valer, cada vez mais pela força, pelo rancor e pelo desejo de vingança de tempos em que o Brasil aspirou a igualdade entre todos.

Eles não suportam isso.

E o “deus” deles, e o presidente deles, autorizam a barbárie!

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós…

José Barbosa Junior – teólogo e pastor da Comunidade Batista do Caminho, Belo Horizonte

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14
Mar19

Desespero em Suzano: “Mãe, socorro, está tendo um tiroteio aqui!”

Talis Andrade

Ex-alunos invadiram escola na Grande São Paulo. Ação cruel deixa ao menos oito mortos. Massacre, três meses depois de matança em Campinas, alimenta debate sobre flexibilização do porte de armas no Brasil

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Mulher acende vela em tributo a vítimas do ataque em Suzano. AMANDA PEROBELLI REUTERS
 

Momentos antes do ataque, Guilherme, o mais novo da dupla, postou uma série de fotos no Facebook. Aparece com a mesma roupa escura com que morreria, usando uma máscara de caveira, uma referência pop entre os grupos racistas norte-americanos, e apontando uma arma para a câmara.

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Na última foto, pousou com a camisa com o rosto de Bolsonaro (apagado pela censura política)

 

Antes de que a página fosse retirada do ar, a revista Época registrou que Guilherme curtia páginas como "Eu amo armas". No ano passado, havia declarado apoio ao então candidato Jair Bolsonaro. Chegou também a postar mensagens referindo-se à ideia de suicídio.

Ainda que o Brasil seja um dos países mais violentos do mundo, que registrou 64.000 homicídios em 2017 (dois terços deles realizados com armas de fogo), massacres em escolas não chegam a ser comuns como nos EUA, onde o tipo de ataque é uma verdadeira epidemia que faz o país uma anomalia no mundo desenvolvido pelo número de mortes com armas de fogo—só de janeiro a maio de 2018, o país de Donald Trump havia registrado nada menos que 23 ações do tipo em escolas.

Ainda assim, os crimes cometidos pelos jovens em Suzano, que acontece apenas três meses depois de um homem perpetrar uma matança na Catedral de Campinas, guardam uma série de semelhanças com os cometidos por Eric Harris e Dylan Klebold na Columbine High School, no Colorado, Estados Unidos, em 1999, que deixou 13 mortos e 24 feridos. Nos dois casos, tratava-se de ex-alunos que usaram diferentes tipos de armas — entre eles explosivos — e usavam roupas escuras, bonés, luvas e cinto tático. Segundo as primeiras informações da polícia, citadas pela GloboNews, há registros de que os dois buscavam na Internet informações sobre os massacres nos EUA. Leia mais in El País . Por Joana Oliveira

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Autores do massacre a escola brasileira tinham pacto de morte

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Os atiradores, Luiz Castro, 25 anos, e Guilherme Monteiro, 17, também morreram. A polícia científica está a investigar se os homicidas se suicidaram ou se foram abatidos por três agentes da força tática da polícia paulista quando tentavam entrar no centro de línguas da escola, onde dezenas de alunos se encontravam.

Luiz trabalhava como auxiliar de jardinagem com o pai em Guaianases, uma cidade a 14 quilómetros de Suzano. Segundo um tio, nunca tinha dado problemas e ocupava os tempos livres a jogar e a ver futebol, torcendo pelo clube local Corinthians e pelo clube espanhol Barcelona. Disse ainda o familiar que na véspera do massacre, Luiz dissera ao pai que não iria trabalhar por se estar a sentir mal.

Guilherme vivia com o avô - a avó morreu há quatro meses - e as duas irmãs porque os pais são toxicodependentes. Até ao ano letivo passado - que terminou em dezembro - estudava na escola que atacou. Segundo os professores, era tranquilo. O avô também disse que o neto nunca lhe deu problemas, nem com drogas ou de outro tipo. Colegas que escaparam do ataque, por sua vez, disseram que no último fim de semana ele já os tinha ameaçado - "fiquem alerta", avisou. Acrescentaram que Guilherme se costumava fotografar com armas nas redes sociais e que não tinham ideia de que ele sofresse bullying. Por João Almeida Loureiro, in Diário de Notícias

 

 

 

14
Mar19

BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA. "Chega de pessoas 'brincando' de arminha"

Talis Andrade

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A deputada Erika Kokay‏ ressaltou que nas redes sociais de um dos atiradores de Suzano identificou-se a sedução por armas. “O atirador chegou a curtir uma página ‘gosto de armas e não sou bandido’, ferindo qualquer tipo de lógica. “Quem mata inocentes numa escola é o quê?”, questionou. Erika disse ainda que o atentado em Suzano “é exemplo do tipo de tragédia que poderá se tornar comum no Brasil com a facilitação do acesso às armas pelo governo Bolsonaro”.

O deputado lamentou: “Enquanto o ódio é incentivado, inocentes pagam por isso. Armas servem apenas para matar, e a liberação desse instrumento ocasionará mais casos tristes como este”.

Para o deputado Rogério Correia, não é aconselhável fazer especulação política sobre o lamentável episódio em Suzano. “Mas é obrigatório repudiar a banalização da violência. Chega de pessoas ‘brincando de arminha’ nas ruas, com aplauso e incentivo de políticos”, enfatizou. De uma enquete de Vânia Rodrigues.

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14
Mar19

VIOLÊNCIA. "Porte de armas pode ser um gatilho sem volta"

Talis Andrade

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Na avaliação do deputado Henrique Fontana a tragédia de Suzano é o resultado “da ode à violência que impulsionou o armamento como solução da segurança pública”. Ele disse ainda que a matança dos alunos e funcionários na escola em Suzano é o mais trágico exemplo que o fim do estatuto do desarmamento pode ocasionar em nossa sociedade.

Fontana citou que 71% dos homicídios no Brasil são causados por arma de fogo e frisou que o ocorrido na escola em Suzano reforça “nossa convicção que a política de Bolsonaro, que facilita o porte de armas pode ser um gatilho sem volta. “Precisamos armar a população com educação. Esse é o papel do Estado Brasileiro”, ensinou.

E a deputada Maria do Rosário  afirmou que esse “terrível atentado na escola em São Paulo é um dos resultados do ódio que vem sendo estimulado no Brasil”. Ela acrescentou que mais armas geram mais violência, e não menos mortes, como dizem os que defendem a liberação do acesso às armas. “Nós queremos paz. Minha solidariedade às famílias das vítimas”.

O deputado Alexandre Padilha criticou a flexibilização ao acesso às armas e afirmou que uma população armada não é uma população segura, pelo contrário. “O que garante segurança é o compromisso do Estado em realizar políticas públicas efetivas e justas”.

Também na avaliação da deputada Luizianne Lins, quanto mais armas de fogo em circulação, mais violência e mais ódio haverá no País. “Estamos perdendo nossos jovens e crianças para a violência e a desesperança. Força à comunidade escolar. Que encontremos o caminho da paz”. Enquete realizada por Vânia Rodrigues. 

 

14
Mar19

Massacre em escola de Suzano lança debate sobre posse de armas no Brasil, diz imprensa francesa

Talis Andrade
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Jornais franceses desta quinta-feira(14), dizem que o massacre na escola de Suzano relança o debate sobre o porte de armas no Brasil.Rovena Rosa/Agência Brasil/ Fotomontagem RFI

 

RFI - Os jornais franceses desta quinta-feira (14) destacam que o massacre na escola de Suzano relança o debate sobre o posse de armas no Brasil. Dois diários abordam o tiroteio na escola estadual Raul Brasil, na periferia de São Paulo, nesta quarta-feira (13), que deixou oito mortos.

Os dois atiradores mataram oito pessoas antes de se suicidarem na quarta-feira (13) de manhã. Os dois jornais franceses descrevem o massacre em detalhes. O Le Figaro lembra que ataques como esses são raros nas escolas brasileiras. O último aconteceu em 2011 no Rio, quando um ex-aluno matou a tiros 12 crianças.

O jornal conservador ressalta que o novo tiroteio acontece pouco tempo depois de o presidente Jair Bolsonaro anunciar a flexibilização, em janeiro, da posse de armas no Brasil, cumprindo uma promessa de campanha. Um tema que provoca muita polêmica no país, onde a taxa de criminalidade é muito alta. O Brasil tem sete homicídios por hora, segundo o Le Figaro, que cita o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016.

A correspondente do Le Monde em São Paulo, Claire Gatinois, diz que, em poucas horas, as condolências das autoridades ficaram para trás devido a "recuperação política" do massacre. O artigo diz que a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, foi uma das primeiras a reagir e a condenar, sem nomear Bolsonaro, um discurso que estimula a violência. O PT também denuncia a liberalização da posse de armas e afirma que o Brasil precisa de paz.

 

Redução da maioridade penal

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Rapidamente, os partidários do presidente lançaram uma contraofensiva aos discursos atribuídos aos militantes de esquerda. O Le Monde cita a declaração do filho mais velho de Bolsonaro, o senador Flavio Bolsonaro.

De acordo com ele, o massacre foi provocado “mais uma vez” por um menor e “atesta o fracasso do infeliz estatuto de desarmamento” ainda em vigor. O jornal liberal analisa que essa afirmação é uma maneira de forçar a revogação da lei sobre o desarmamento decidida durante o governo Lula, detestado pela família Bolsonaro, e de obter a redução da maioridade penal para 16 anos, outro tema defendido pelo presidente.

Para os defensores das armas, o debate está encerrado, escreve o Le Monde. Os aliados de Bolsonaro da chamada “bancada da bala” garantem que a proibição do uso de armas não melhorou o cotidiano violento dos brasileiros. Pelo contrário, apenas fragilizou os “cidadãos do bem”, incapazes de se defender.

Essa teoria é contestada pelo estudo "Mapa da Violência" publicado em 2015, aponta a matéria. Ele indica que, apesar da lei do desarmamento não ter diminuído o número de assassinatos no país, ela freou o crescimento exponencial dos crimes, impedindo a morte de mais de 113 mil pessoas em dez anos.

Por enquanto, a origem da arma utilizada pelos dois jovens no massacre de Suzano é desconhecida, mas Jair Bolsonaro teme que o revólver usado no massacre tenha sido comprado após seu recente decreto flexibilizando o uso de armas, salienta o Le Monde.

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