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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

13
Fev21

Forças Armadas compraram 140 mil quilos de bacalhau por até R$ 150 o quilo, quatro vezes mais que nos atacadistas

Talis Andrade

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247 - As Forças Armadas não se limitaram a consumir milhares de quilos de picanha e garrafas de cerveja ao longo de 2020. Agora aparecem mais de 140 mil quilos de bacalhau com preços que chegam até a R$ 150 o quilo e garrafas de uísque 12 anos e de conhaque - todas compradas a preços muito acima do mercado.

A denúncia é do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), que  divulgou as compras identificadas no Painel de Preços do Ministério da Economia. Só de bacalhau foram 9.748 quilos de filé e 139.468 quilos de lombo para os militares. “O lombo é o corte mais nobre do bacalhau, usado para pratos requintados e caros em restaurantes sofisticados, algo muito distante do cardápio da maioria dos brasileiros”, diz o parlamentar.

Em uma das compras registradas pelos militares, consta um pedido homologado pelo Comando da Aeronáutica, para aquisição de 500 quilos de lombo de bacalhau, em que o preço de referência usado pelo órgão público foi de nada menos que R$ 150 o quilo. Uma busca na internet indica que o quilo do lombo de bacalhau, comprado no varejo (não no atacado, como as Forças Armadas o fazem), no Extra, custa bem menos da metade do preço, R$ 69,90.  No site atacadista Cota Best, o preço equivale a    do valor comprado pelo Comando da Aeronáutica: R$ 37,70.Os preços também chamam a atenção em outros casos. O valor informado por quilo de picanha foi de R$ 84,14 (num processo para compra de 13.670 quilos), obtido por meio do Pregão Eletrônico n° 37/2019, concluído em 29 de janeiro de 2020 e conduzido pela Diretoria de Abastecimento da Marinha - no supermercado Extra, a picanha comprada no varejo tem preço de R$ 53,89 o quilo. Já em outro processo, de 62.370 quilos de miolo de alcatra, o quilo custa R$82,37 -no Extra, o preço é R$ 38,99 o quilo, no varejo.

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O valor da Bohemia Puro Malte que consta no processo já homologado é R$4,33 e o preço para o consumidor comum, em uma busca rápida por supermercados, é R$2,59, diferença de 67%. A lata de Skol Puro Malte tem valor no processo de R$4 e no varejo a R$2,49, indicando superfaturamento de 48,6%. O governo também está comprando Stella Artois de 550 ml por R$9,05, mais caro que os R$6,99 do supermercado. 

“É um poço sem fundo. Quanto mais investigamos, mais absurdos e irregularidades encontramos. Se não bastasse o governo comprar picanha e cerveja, ainda tem o corte mais caro do bacalhau, uísque e conhaque e com indícios de superfaturamento”, diz o deputado, que assina, com a bancada do PSB a representação enviada ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que investigue os gastos militares. “Além da PGR, eu e mais nove deputados do PSB vamos levar essas informações ao Tribunal de Contas da União. Também estamos discutindo propor a instalação da CPI das compras do governo na Câmara Federal.”

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23
Out20

O candidato do terror no Ceará

Talis Andrade

Sessão Plenária em 17 de Janeiro de 2017 - YouTube

 

por Urariano Mota

- - -

Antes de mais nada, aviso que os nomes da maioria das fontes das denúncias não podem aparecer por motivo de segurança dos denunciantes. Isso posto, vamos às notícias que não aparecem na mídia impressa até agora.

Pacatuba é um município a 30 quilômetros de Fortaleza, na região metropolitana. Em bons tempos, foi um lugar de paz e trabalho. Mas com a ascensão de Bolsonaro ao poder, tudo mudou. Acompanhem o caso do prefeito e candidato à reeleição Carlomano Marques, bolsonarista de métodos e ideologia. Ele é típico de um gênero de político que se fortaleceu sob a barbárie do presidente que aterroriza o Brasil.

Primeiro, observem como o prefeito procura calar as denúncias de corrupção. Uma das situações mais graves em relação aos meios de comunicação de Pacatuba ocorreu envolvendo o segurança particular do prefeito, um capanga conhecido por João Filho. Depois que criticou o prefeito Carlomano Marques, o radialista Felipe Gomes, do programa A Verdade na Boca do Povo, da Rádio Nova Pacatuba, foi vítima das ações de violência e espancamento.

Em 5 de maio deste ano, Felipe Gomes havia ido buscar a mãe, funcionária pública municipal. Por volta da hora do almoço, já voltando pra casa, o radialista foi covardemente agredido por João Antônio da Silva Almeida, o João Filho. Atônito, e sem entender direito o que acontecia, Felipe Gomes não teve reação quando o carro onde o segurança de Carlomano era conduzido, ultrapassou o seu onde estavam a mãe e filho, e fechou a passagem pela calçada, já com as portas escancaradas.

Na sequência, o agressor desceu do automóvel e, de cassetete em punho, foi em direção à vítima. Felipe Gomes ainda teve tempo de perguntar qual o motivo daquela violência. A resposta foi direta: “Pra você aprender a não falar demais”.

O fato ocorreu a poucos metros da Casa Amarela, sede da Prefeitura Municipal de Pacatuba, e próximo da chamada Torre do Espia, equipamento de segurança pública, onde um conjunto de câmeras registra o movimento 24 horas por dia.

Mas o radialista Felipe Gomes não se intimidou. Continuou fazendo seu papel de crítico ao prefeito bolsonarista e abriu boletim de ocorrência, denunciando a agressão. Passou por exame de corpo de delito, fez ultrassonografia no crânio e contratou advogado para tentar fazer cópia das imagens da situação de violência de que foi vítima. Mas as câmeras da Torre têm um limite de tempo para guardar o que foi gravado. E o delegado informou não ter mais como entregar imagens, pois já não havia mais tempo. O delegado não aceitou disponibilizar as imagens no primeiro pedido feito por Felipe Gomes. Só aceitou quando um advogado fez o pedido formalmente.

Outra vítima da truculência do candidato à reeleição de prefeito Carlomano Marques foi o professor Paulo Tadeu. Em meados de agosto deste ano, o educador filmava uma ação dos aliados do prefeito com indícios de irregularidade. Ao invés do sugerido pelo Ministério da Educação, a distribuição de kits escolares não estava acontecendo em uma escola do município onde era aguardada pelos pais dos estudantes. Paulo Tadeu ficou surpreso: os kits de alimentação estavam sendo entregues em casas, da rua onde ele mora.

O educador registrava a entrega e falava com o vereador Vaval Cardoso (Republicanos), que disputa a reeleição na coligação que apoia o prefeito. A conversa com o político foi bruscamente interrompida pela ação destrambelhada do segurança de Carlomano, João Filho, que tomou o celular das mãos de Paulo Tadeu, jogando-o ao chão e o destruindo.

Outra vítima da mesma ação de Carlomano Marques foi Pedro Reginaldo, morador da Rua do Trilho, na sede do município. Ao tentar filmar a mesma cena que o professor Paulo Tadeu gravara, ou seja, a distribuição irregular de alimentos do PNAE, Pedro Reginaldo foi abordado por outro segurança de Carlomano, indicando modus operandi da “equipe” do prefeito: violência desnecessária.

Desde o início da atual gestão, em janeiro de 2017, os moradores da cidade convivem com covardia, truculência e falta de respeito para com aqueles que discordam ou criticam qualquer ação do Poder Executivo. Milicianos armados andam entre os populares, intimidando. Os cearenses comentam que Carlomano Mrques é um político local com perfil de carioca de Bolsonaro. .

No mais recente terror, a enfermeira e vereadora de Pacatuba Karina Cordeiro(PR), fez um vídeo e denunciou o prefeito Carlomano Marques, o sobrinho dele Rafael Marques(chefe de gabinete), e Roberto Feitosa por calúnia, difamação e injúria. Segundo ela, Roberto Feitosa, aliado do prefeito, publicou um vídeo ofendendo sua dignidade com palavras mentirosas, pornográficas e de “baixo calão”. A vereadora afirma que o que acontecer com sua integridade fisica e de sua familia a culpa será do prefeito e seu sobrinho.

Antecedentes criminais

Carlomano é um veterano na política cearense. Em dezembro de 2012, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará determinou a cassação do seu mandato por denúncias de compra de votos ainda no processo eleitoral de 2010. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a cassação. Apoiador de Jair Bolsonaro na campanha à Presidência da República em 2018, o médico acumula polêmicas desde sua estreia na vida pública em 1988, como vereador de Fortaleza, pelo partido remanescente da Ditadura Civil-Militar: o PDS (hoje Progressistas). Desde lá, teve ininterruptos sete mandatos de deputado estadual até se eleger para a prefeitura de Pacatuba, em 2016.

A eleição em Pacatuba marca um embate entre as bases aliadas de Bolsonaro e do governador Camilo Santana (PT). À frente da coligação “O futuro não pode parar”, o prefeito busca a reeleição e reúne a “fina flor” do Centrão, a nova base bolsonarista do Congresso Nacional, em sua aliança (MDB, Progressistas, Republicanos, DEM e PTB), tendo como principais apoiadores o deputado estadual Leonardo Araújo e o deputado federal Moses Rodrigues (ambos do MDB). O peso da família Marques no município é tamanho que o candidato a vice é o sobrinho do prefeito, Rafael Marques (MDB), chefe de gabinete da prefeitura de 2017 ao longo da gestão.

O acúmulo de denúncias envolvendo a gestão e agora a campanha de Carlomano é considerável. O prefeito iniciou a gestão rodeado de parentes: o irmão Armando Marques e cinco sobrinhos: o próprio Rafael Marques, Cláudio Pitta, Armando Marques Júnior, Marçal Custódio Marques e Milena Marques, bem com a até há pouco tempo a primeira dama Maria Selma Cardoso da Silva (hoje também candidata a prefeita, pelo PSD) alinhavam ao lado de Carlomano no primeiro escalão. Carlomano e Selma se divorciaram depois.

Não demorou muito para os cidadãos mais atentos às contas públicas enxergarem a farra que virou a administração Carlomano. Logo no início, em janeiro de 2017: contratações exageradas, preços superfaturados, serviços não prestados e diversos desvios, denúncias ainda não apuradas.

Chamou a atenção dos técnicos do Tribunal de Contas do Estado do Ceará a contratação da coleta de lixo com valores superfaturados e inexecução do contrato. A dispensa de licitação por três meses teve o prazo do contrato aditivado por igual período. No total, os valores totalizaram R$ 3.305.004,29 com R$ 550.834,09 ao mês. Dois pontos chamaram a atenção: o preço anterior (até dezembro de 2016) era de R$ 207.004,50 ao mês, constatando-se uma majoração de 165% na troca de administração.

Realizada a licitação, a vencedora do certame licitado foi a Gold Serviços e Construções Ltda (CNPJ 10.490340/0001-56) a qual era sublocada para o serviço no chamado “período especial”, sem tomada de preços, dando continuidade à coleta de lixo. O custo mensal subiu para R$ 579.874,60. A Gold, ainda em 2017, foi investigada no âmbito da operação “Fraternidade”, desenvolvida pela Polícia Federal. Essa operação analisou desvio de recursos públicos da ordem de R$ 380 milhões.

Outras denúncias

No período de emergência fiscal, uma cooperativa médica foi contratada para suprir os serviços de saúde nas unidades básicas, secundárias e hospitais de Pacatuba destinadas ao atendimento universal. Os médicos foram contratados como terceirizados. Desta forma, o processo de escolha se deu de forma nebulosa, com a cooperativa escolhida na seleção tendo indicado suas concorrentes.

A execução das atividades pelos cooperados impossibilitava a constatação da execução do serviço, pois tanto a administração quanto as gerências das unidades de saúde não possuíam instrumentos de controle de frequência dos trabalhadores ligados à Cooperativa. A população não viu melhoria no atendimento, mas o valor pago pelos seis meses de contrato alcançou a generosa cifra de R$ 6.025.111,75 (R$ 503.000,00 ao mês).

A empresa GigaJet Comércio Varejista de Serviços, prestes a fechar as portas, teve seu nome incluído de forma fraudulenta numa licitação organizada pela Prefeitura de Pacatuba.

O empresário João Robson Franklin Cavalcante viu sua GigaJet “inscrita” em dez processos licitatórios em Pacatuba. João Robson assegura nunca ter posto a GigaJet nessas licitações. Sob risco de estar servindo de laranja, registrou boletim de ocorrência (BO número 304-1045/2017). O alerta à Polícia gerou o inquérito policial (IP) 311-46/2017, o qual descobriu como “pólo ativo” da falcatrua um cidadão chamado Pedro Aírton Bertholdo Júnior. Coincidência ou não, Pedro fora escolhido como procurador da Câmara Municipal e sua principal especialidade era ser o genro da então primeira dama Maria Selma Cardoso da Silva.

E mais recente: o juiz eleitoral Giancarlo Antoniazzi Achutti proferiu, na manhã da terça-feira (19), uma sentença na qual condena Lucivânio dos Santos Lima a pagar multa de R$ 53.205,00, por ter postado, no dia 5 de outubro, às 19h34min, no grupo de WhatsApp “TV Maracatuba” uma imagem do resultado de uma suposta pesquisa eleitoral, com a legenda “pode enrolar a bandeira”. A postagem seria benéfica ao prefeito de Pacatuba, Carlomano Marques, candidato à reeleição pelo MDB.

Parte desses crimes foi denunciado a órgãos de fiscalização pelos vereadores Ênio Medeiros e Karina Cordeiro (ambos do PDT). Eles fazem parte da pequena bancada de oposição, pois apenas três dos 15 vereadores fazem oposição ao prefeito. As investigações têm sido lentas, mas podem ter desdobramentos muito em breve. Uma coisa é certa: o julgamento das urnas poderá encerrar essa sequência de situações controversas. No próximo dia 15 de novembro, os eleitores de Pacatuba irão determinar se Carlomano é “o Grande” ou o “o Breve”.

Enquanto isso, os eleitores têm medo de responder até mesmo pesquisas eleitorais pelo telefone. O clima de terror não é pequeno.

 

 

23
Jul20

Seguindo "garoto-propaganda Bolsonaro", Exército já produziu 3 milhões de comprimidos de cloroquina

Talis Andrade

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247 - Segundo a cartilha de Bolsonaro em sua cruzada em defesa da medicação hidroxicloroquina, o laboratório do Exército brasileiro já produziu até o presente momento 3 milhões de comprimidos de cloroquina 150 mg, medicação que não tem comprovação de eficácia alguma 

Segundo reportagem do portal UOL, nesta quarta-feira (22) em um vídeo com mensagem às tropas, o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, listou as ações das Forças Armadas para minimizar os danos da pandemia e destacou o aumento da produção de cloroquina pelo laboratório do Exército.

Pujol destacou que o laboratório químico e farmacêutico do Exército "aumentou significativamente a produção de cloroquina e álcool em gel".

Efeito positivos em macacos 

 Um estudo (em inglês) publicado nesta quarta-feira (22) na revista Nature, indica o que grande parte da comunidade científica já defende: a não eficácia do medicamento Hidroxicloroquina, defendida incisivamente por Jair Bolsonaro. 

A pesquisa comprovou que  “a hidroxicloroquina mostrou atividade antiviral em células renais do macaco verde africano, mas não em um modelo de epitélio das vias aéreas humanas reconstituído".

 

21
Jul20

O desastre do populismo farmacêutico

Talis Andrade

por Fernando Brito

No Estadão, hoje, estampa-se a vergonha da “Operação Desova Cloriquina” com que está às voltas o Governo Federal, com uma imensa quantidade da substância, seja a “doada” por Donald Trump – que assim deu destino à imensa quantidade que acumulou por lá, seja a que Jair Bolsonaro mandou, sem qualquer base científica, o Laboratório do Exército produzir.

Como o “presente” de Trump veio “no atacado”, mesmo para a prática da charlatanice com a Covid-19, será necessária uma grande despesa com o fracionamento das doses e o Ministério da Saúde quer que os Estados assumam o custo disso. O que eles, claro, não querem.

É a dupla irresponsabilidade: com a vida humana e com o dinheiro público.

Bolsonaro e Trump acabaram por criar uma nova categoria em ciência política: o populismo farmacêutico.

 
18
Jul20

Entidade médica desaconselha cloroquina contra coronavírus

Talis Andrade

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Uso de medicamentos antimalária no combate à pandemia deve ser urgentemente abandonado, para evitar gasto ineficaz de dinheiro público, insta Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Governo militar rebate.

 

Deutsche Welle - A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) anunciou ser contra o uso da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, dizendo ser "urgente e necessário" esses medicamentos antimalária serem inteiramente abandonados no tratamento da covid-19.

Citando estudos recém-publicados em revistas científicas, a organização médica alertou que o fármaco não deve ser recomendado ou utilizado em nenhuma fase da infeção, nem para sua prevenção. No comunicado divulgado nesta sexta-feira (17/07), ela aconselha o Ministério da Saúde, municípios e estados a avaliarem as indicações de uso das drogas, evitando gastar "dinheiro público em tratamentos que são comprovadamente ineficazes".

Questionado sobre essa posição, em coletiva de imprensa o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Hélio Angotti Neto, rebateu que o governo brasileiro recebeu várias manifestações e estudos por organizações e especialistas, favoráveis e contrários ao uso da cloroquina, e que leva em consideração todas as informações enviadas.

Angotti Neto criticou o que chamou de "politização" do debate em torno da cloroquina no tratamento da covid-19: "Há uma série de inconsistências nestas críticas e lamentamos muito esta polarização. A polarização tem gerado desconforto entre pacientes e médicos. Eu novamente peço, vamos respeitar a competência dos nossos profissionais de saúde, vamos respeitar o direito deles de prescrever e o direto do paciente de procurar aquele tratamento que entende ser correto."

Substâncias polêmicas

Segundo o site de notícias G1, em 29 de junho o Ministério da Saúde enviou um ofício à Fiocruz e a outras instituições federais, pedindo ampla divulgação do tratamento da covid-19, com o uso da cloroquina nos primeiros dias dos sintomas. A orientação foi enviada quando estudos já haviam concluído que a cloroquina não é eficaz no combate à doença.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao receber a orientação do ministério. No documento, o órgão pede "ampla divulgação do tratamento, considerando que ele integra a estratégia do Ministério da Saúde para reduzir o número de casos que cheguem a necessitar de internação hospitalar". Assim, seria essencial "considerar a prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina, mediante livre consentimento esclarecido do paciente com covid-19, para tratamento nos primeiros dias dos sintomas, no âmbito do SUS".

O ofício é assinado pelo coronel do Exército Luiz Otavio Franco Duarte, secretário de Atenção Especializada à Saúde, que não é médico, informa o G1.

Dentro de seu programa de avaliação do efeito de cinco grupos de medicamentos contra o vírus Sars-cov-2, no início de julho a Organização Mundial da Saúde (OMS) interrompeu os testes com cloroquina / hidroxicloroquina, depois de estudos não indicarem qualquer benefício para os portadores da doença.

16
Jul20

‘Didi Mocó’ na Saúde: coronel manda médicos receitarem cloroquina

Talis Andrade

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Os mais velhos hão de se lembrar do bordão que Renato Aragão, na pele do “Didi Mocó” usava quando alguém era muito pretensioso: “Audácia da pilombeta!”.

Pois o desempenho da tropa do general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde não se cansa de merecer a comparação do os Trapalhões.

O coronel Luiz Otávio Franco Duarte, Secretário de Atenção especializada à Saúde do MS enviou ofício à Presidente da Fiocruz e ao diretor do Instituto de Infectologia Evandro Chagas, duas das mais renomadas instituições de Saúde do país onde “considerando as orientações do Ministério da Saúde para o tratamento medicamentoso da COVID-19 em grau leve, moderado e grave (…) venho por meio deste enfatizar a importância do tratamento precoce, ao início dos sintomas de pacientes com diagnóstico clínico dessa doença” com cloroquina e hidroxicloroquina”.

No texto, Duarte – o mesmo que mandou os secretários comprarem insumos, ainda que superfaturados, e mandarem uma carta para o Ministério Público, “porque assim ninguém vai ser preso” – manda que os prescritores – os médicos – tenham sempre a mão o “termo de consentimento” para dar aos desesperados, digo, aos paciente, para que assinem e se possa enfiar neles a droga que nenhum cientista no mundo toma mais como séria.

Chega ao detalhe sórdido de pretender orientar em que dias o desesperado deve passar por eletrocardiogramas, já que as drogas são cheias e efeitos cardíacos colaterais: o primeiro, o terceiro e o quinto dias de “medicação”.

O coronel tem sorte de que os destinatários são pessoas educadas, que não vão lhe responder com linguagem de reunião ministerial. Mas bem que poderiam dizer a ele que se limitasse a dar ordens aos recrutas, para caiarem calçadas, a porem o peito para fora e a barriga para dentro e não fazer prescrições a gente que tem décadas de estudo e atividade sérias em infectologia.

Coronel, deixa quieto, não é preciso levar-se a ridículo maior do que o de “tomar de assalto” o Ministério para ajudar Bolsonaro a deixar de ser o “Capitão Corona” para ser o “Marechal Cloroquina”. Menos audácia, pilombeta!

 
 
16
Jul20

Deputados convocam Ministro da Defesa após Exército se calar sobre produção de cloroquina

Talis Andrade

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Há mais de um mês, a Comissão Externa da Câmara que acompanha as ações sobre o coronavírus enviou ofício ao Laboratório do Exército sobre a produção da cloroquina, que foi ignorado. Parlamentares querem explicações do general Fernando Azevedo e Silva

 

Por Plinio Teodoro/ Forum

- - -

Os deputados petistas Rogério Correia (MG), Alexandre Padilha (SP) e Jorge Solla (BA) entraram com requerimento nesta quarta-feira (15) para convocar o Ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, para prestar esclarecimentos sobre a produção da cloroquina nos laboratórios das Forças Armadas junto à Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 após o Exército se recusar a fornecer essas informações.

“Ao insistir na produção da cloroquina em larga escala o governo ultrapassa qualquer razoabilidade de gestão pública por despender assim significativos recursos em uma ação sem retorno comprovado. Reforçamos que é urgente o comparecimento do Ministro da Defesa na Câmara dos Deputados”, dizem os deputados no requerimento.

Há mais de um mês o diretor do Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército, coronel Haroldo Paiva Galvão, se recusa a responder uma série de perguntas da comissão externa da Câmara que acompanha as ações sobre o coronavírus no Brasil.

Em ofício encaminhado ao militar no dia 4 de junho, com prazo de 10 dias para as respostas, a comissão encaminha as seguintes perguntas:

  • Por qual ordem e procedimento o Laboratório começou a produzir Cloroquina;
  • Quanto foi gasto até o momento com a produção de Cloroquina;
  • Qual o volume de produção de Cloroquina;
  • Qual parâmetro científico foi utilizado para determinar que este Laboratório
    produza a Cloroquina;
  • Desde quando estão produzindo a Cloroquina; e
  • Se já encaminharam Cloroquina para os hospitais. Se afirmativo, para quais.

Leia a íntegra das perguntas encaminhadas ao Exército e do requerimento que pede a convocação do Ministro da Defesa 

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27
Jun20

MP pede apuração sobre superfaturamento na produção de cloroquina pelo Exército

Talis Andrade

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Na representação, o procurador Lucas Furtado solicita ainda que seja averiguada a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro no caso

 

por Eduardo Pinheiro 
- - -

O Ministério Publico, junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), pediu nessa quinta-feira (18) a abertura de uma investigação sobre o aumento na produção de cloroquina pelo Exército Brasileiro, após determinação do presidente Jair Bolsonaro.

Além do aumento em até 84 vezes na fabricação desses produtos pelo Exército, a matéria-prima para o medicamento foi cobrada por um preço seis vezes maior do que em 2019, aponta o procurador Lucas Furtado.

Em grande parte, esse crescimento vem sendo atribuído ao aumento do preço do insumo no mercado internacional, custos de frete e variação cambial. No caso brasileiro, o cenário se torna ainda mais agravado pela desvalorização do real frente ao dólar. Mas ainda assim, Furtado avalia que há indícios de superfaturamento:

Embora o possível aumento do custo dos insumos, do transporte e do dólar possa ter influenciado o aumento do preço, ainda assim adquirir o produto por um valor seis vezes maior numa compra sem licitação, a meu ver, representa um forte indício de eventual superfaturamento, situação que merece ser devidamente apurada pelo controle externo da administração pública.

Desperdício de recursos públicos

Furtado também quer que o TCU apure a “responsabilidade direta do Presidente da República na orientação e determinação para o incremento dessa produção, sem que haja comprovação médica ou científica de que o medicamento seja útil para o tratamento da Covid-19”.

Para o procurador, o governo desperdiçou recursos públicos ao investir na cloroquina, cujo efeito no tratamento contra o coronavírus não tem comprovação científica. Como Bolsonaro defendeu abertamente o uso da substância, o MP propõe que sua responsabilidade seja apurada.

O pedido será analisado pelos ministros do TCU, que podem determinar a abertura de uma investigação sobre o tema. Não há prazo para que as conclusões sejam divulgadas.

 

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