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Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

22
Mar21

CABELOS AZUIS, por Luis Fernando Veríssimo

Talis Andrade

Pode ser uma ilustração de texto

por Luis Fernando Veríssimo

 
Quando as histórias de quadrinhos começaram a ser impressas em cores, notou-se que seus heróis ou tinham cabelos loiros ou, estranhamente, cabelos azuis. Vez que outra aparecia alguém de cabelo preto nas historinhas coloridas, mas era raro. O comum era o azul.
 
Não me lembro de, garoto, dar muita atenção ao fato. Era natural que, além dos seus poderes, os super-heróis também pudessem escolher a cor dos seus cabelos, inclusive o azul, por que não? Só anos mais tarde, me dei conta: cabelos pretos significavam que o personagem era negro ou latino, amarelo ou azul que o personagem era indiscutivelmente branco. Naquele tempo, na América, a distinção racial era importante. Continua sendo, mas confesso que sei pouco sobre o que os super-heróis de hoje têm na cabeça, e de que cor. Talvez ainda seja o azul.
 
Corte rápido. Li que, no ano-novo, o céu de Trancoso, na Bahia, se encheu de aviões particulares querendo descer, a ponto de criar um problema para as autoridades da Aeronáutica. Que, sem entender de hierarquia social e da lista da Forbes, não sabia a quem dar prioridade para o pouso. Felizmente não houve uma tragédia, que eliminaria boa parte do PIB nacional. O pessoal chegava a Trancoso para se divertir em várias aglomerações e quem aparecia com máscara era vaiado e chamado de maricas. As festas atravessaram a noite de ano bom e qualquer um podia entrar, desde que mostrasse prova de ter sonegado impostos no ano que acabava e de saber a senha da elite brasileira. Que - isto pouca gente sabe - é “cabelos azuis”.
 
A senha não significa que a elite brasileira tenha cabelos permanentemente azuis que a identificam e garantem seus privilégios. Os cabelos azuis do código dos ricos significam o mesmo que significavam nas historias em quadrinhos: são fronteiras bem definidas e intransponíveis de classe. E, se você protestar que estas fronteiras protegem uma elite criminosa na sua inconsciência, vai ver é por inveja das festas que eles dão. Sem falar nos aviões particulares.
Pode ser uma captura de ecrã do Twitter de 1 pessoa e texto que diz "Luis Fernando Verissimo @verissimolf "O Brasil é formado por uma classe dominante e uma classe ludibriada" #verissimas #comediasdavidapublica"

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