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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

11
Mai19

STF chama Bolsonaro e Moro a se explicarem e “minions” se enfurecem

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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O mundo tuiteiro do bolsonarismo está excitadíssimo, enfileirado à hashtag #VamosinvadirBrasília, como reação à decisão da Ministra Rosa Weber – decisão tímida aliás, poderia ter dado liminar – de pedir explicações a Jair Bolsonaro e a Sérgio Moro sobre o decreto que estendeu, em tese, o direito de andar armado na rua para 20 milhões de brasileiros.

 

É evidente que as chances de vitória jurídica de Bolsonaro são minúsculas e que ninguém, em relação a ele, tem muita curiosidade de saber as razões.

 

Eu liberei porque quis e prometi, talquei? 

 

Mas para Moro, inquirido pela sua ex-chefe dos tempos do “Mensalão”, exige-se mais. Não se imagina qual monstrengo jurídico ele vai articular para defender a tese do atual chefe. Ou se ele dirá que “não tem nada com isso”, porque sequer manifestação do ministério da Justiça houve na edição do decreto. Foi capachismo político, puro e simples.

 

Isso, porém, se tiverem tempo de entregar suas “explicações”, porque a “boca” é boa demais para que Câmara e Senado não ponham a correr com um decreto legislativo que suspenda o ato presidencial.

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Afinal, o mundo dos tuiteiros não é o mundo real, o das pessoas que se preocupam se serão – elas ou suas famílias – alvejadas por um caminhoneiro “rebitado”, por um advogado enlouquecido, por um playboy que brinca de Swat em clubes de tiro ou por um agroboy vindo da balada sertaneja, cheio de Red Bull ou pior.

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27
Abr19

Lula: "A dona Marisa morreu por conta do que fizeram com ela e com os filhos dela. Dona Marisa perdeu motivação de vida, não saía mais de casa, não queria mais conversar nada. O AVC dela foi por isso"

Talis Andrade

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Na segunda parte da entrevista exclusiva, o ex-presidente fala sobre política internacional, Bolsonaro e as Forças Armadas. "Eu quero perguntar aos militares qual é a razão do ódio que eles têm do PT"

 

Pergunta. Como o senhor recebeu a notícia sobre a morte do ex-presidente Alan Garcia no Peru [que se suicidou quando seria detido por policiais da Lava Jato peruana]?

Resposta. Alan Garcia teve uma reação psicológica que muita gente teve. Não é todo mundo que aguenta. Você quer saber uma coisa? A Marisa [sua mulher que morreu em 2017 de AVC] morreu por conta disso. Quem está falando é um homem de 73 anos de idade. A dona Marisa morreu por conta do que fizeram com ela e com os filhos dela. Dona Marisa perdeu motivação de vida, não saía mais de casa, não queria mais conversar nada. O AVC dela foi por isso. Agora, não pense que por causa disso vou ficar com o coração cheio de ódio, não, aqui tem muito lugar para amor. O Alan Garcia não deve ter suportado. Não sei qual era a acusação contra ele. Tem que ter muita decisão. Eu sei o que eu passei. Você não tem noção do que é passar seis meses esperando todo santo dia que a policia fosse à sua casa. Seis meses. E de repente você vê a polícia chegar com uma desfaçatez, todo mundo com maquina fotográfica no peito para tirar fotografia. Deveriam ter mostrado a quantidade de dólar que acharam na minha casa. A quantidade de joias que acharam de dona Marisa. Deveriam ter tirado foto e mostrado pra Globo. Enfiaram o rabo no meio das pernas porque não encontraram nada. E a imprensa não fala que não encontraram nada na casa do Lula. É duro. Não queira que isso aconteça com você. Conheço casos de pessoas que estavam em cadeira de rodas, pediam pra ir no banheiro e diziam ‘se você não falar o nome do Lula não vai ao banheiro’. Tenho muita motivação para estar vivo. Estar vivo e não fazer nenhuma loucura é a forma que eu encontrei de ajudar esse país a se reencontrar com a democracia. [Continue lendo]

 
20
Abr19

A carta que Alan García deixou antes de cometer suicídio

Talis Andrade

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Não havia contas, nem subornos, nem riqueza. Por isso que eu repeti: outros vendem, eu não.

 

“Cumpri a missão de conduzir o Aprista ao poder em duas ocasiões e impulsionamos outra vez sua força social. Eu acho que essa foi a missão da minha existência, tendo raízes no sangue desse movimento.

Por essa razão e por causa dos reveses do poder, nossos oponentes optaram pela estratégia de me criminalizar por mais de trinta anos. Mas eles nunca encontraram nada e eu os derrotei novamente, porque eles nunca encontrarão mais do que suas especulações e frustrações.

Nestes tempos de rumores e ódios repetidos que as maiorias creem serem verdadeiros, eu vi como se utilizam de procedimentos para humilhar, causar vexame e não para encontrar verdades.

Por muitos anos me coloquei acima dos insultos, me defendi e a homenagem dos meus inimigos foi argumentar que Alan García era esperto o suficiente para que eles não pudessem provar sua calúnia.

Não havia contas, nem subornos, nem riqueza. A história tem mais valor do que qualquer riqueza material. Nunca existirá preço suficiente para quebrar meu orgulho como membro aprista e peruano. Por isso que eu repeti: outros vendem, eu não.

Cumpri meu dever em minha política e nas obras feitas em favor do povo, tendo alcançado as metas que outros países ou governos não conseguiram, não tenho que aceitar humilhações. Já vi outros desfilarem algemados guardando sua existência miserável, mas Alan García não precisa sofrer essas injustiças e circos.

Por essa razão, deixo aos meus filhos a dignidade das minhas decisões; aos meus colegas, um sinal de orgulho. E meu cadáver como sinal de desprezo para os meus adversários porque já cumpri a missão que impus a mim mesmo.

Que Deus, a quem eu vou com dignidade, proteja os de bom coração e os mais humildes”.

 

No tengo por qué aceptar vejámenes. He visto a otros desfilar esposados. Por eso dejo mi cadáver como una muestra de mi desprecio hacia mis adversarios porque ya cumplí la misión que me impuse

 

O texto no original, em espanhol:

“Cumplí la misión de conducir el aprismo al poder en dos ocasiones e impulsamos otra vez su fuerza social. creo que esa fue la misión de mi existencia, teniendo raíces en la sangre de ese movimiento.

Por eso y por los contratiempos del poder, nuestros adversarios optaron por la estrategia de criminalizarme durante más de treinta años. Pero jamás encontraron nada y los derroté nuevamente, porque nunca encontrarán más que sus especulaciones y frustraciones.

En estos tiempos de rumores y odios repetidos que las mayorías creen verdad, he visto cómo se utilizan los procedimientos para humillar, vejar y no para encontrar verdades.

Por muchos años me situé por sobre los insultos, me defendí y el homenaje mis enemigos era argumentar que Alan García era suficientemente inteligente como para que ellos no pudieran probar sus calumnias.

No hubo ni habrá cuentas, ni sobornos, no riqueza. La historia tiene más valor que cualquier riqueza material. nunca podrá haber precio suficiente para quebrar mi orgulho de aprista y de peruano. Por eso repetí: otros se venden, yo no.

Cumpido mi deber en mi política y en las obras hechas en favor de pueblo, alcanzadas las metas que otros países o gobiernos no han logrado, no tengo por qué aceptar vejámenes. He visto a otros desfilar esposados guardando su miserable existencia, pero Alan García no tiene por qué sufrir esas injusticias y circos.

Por eso, le dejo a mis hijos la dignidad de mis decisiones; a mis compañeros, una señal de orgulho. Y mi cadáver como una muestra de mi desprecio hacia mis adversarios porque ya cumplí la misión que me impuse.

Que Dios, al que voy con dignidad, proteja a los de buen corazón y a los más humildes”.

 

19
Abr19

Hacer política no es odiar al otro

Talis Andrade

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Luego de la muerte del expresidente Alan García se ha acentuado la polarización política en nuestro país. Por un lado, están los que gritan desaforadamente que el Gobierno, la Fiscalía y hasta la prensa son responsables del suicidio del líder aprista. Por el otro, están los que se solazan con este trágico hecho. Ni lo uno ni lo otro. El Perú pide en estos momentos seriedad y responsabilidad.

Indudablemente, en estos casos, el apasionamiento no suma. Por supuesto, en política hay adversarios y opositores, pero nunca debe haber enemigos irreconciliables, llenos de odio. 

Si las diferencias entre Alan García Pérez y el presidente de la República, Martín Vizcarra Cornejo, parecían irreconciliables, el deceso del líder aprista confirmó esta realidad sin ninguna sombra de duda. Y es que aunque el primero ocupó en dos ocasiones el sillón de Pizarro, durante su funeral no recibirá ningún homenaje de Estado ni de Palacio de Gobierno, una decisión que tomó su propia familia y que la dirigencia del APRA, y su bancada parlamentaria, respaldaron.

Tal determinación se adoptó la noche del último miércoles, cuando el féretro del exjefe de Estado llegó a la Casa del Pueblo, en la avenida Alfonso Ugarte, para su velatorio. Desde entonces, se impidió el ingreso de toda ofrenda y arreglo floral del Gobierno.

Pero ese fue solo el comienzo.La mañana de ayer, congresistas de la Célula Parlamentaria Aprista confirmaron esta postura. La primera en pronunciarse fue Luciana León, quien resaltó que la opinión de los deudos es importante, tal como el rechazo expresado abiertamente por los militantes, traducidos en consignas en contra del actual gobernante.

“¿Qué podemos esperar de una persona que se ha mantenido de espaldas frente a los abusos que viene cometiendo la Fiscalía? Él (Martín Vizcarra) tiene que exigir que no se cometan abusos con el tema de las detenciones preliminares”, remarcó la legisladora.Agregó que el Presidente de la República también ha demostrado indiferencia con su antecesor, Pedro Pablo Kuczynski, y el actual arresto preventivo por el que atraviesa. “Ni siquiera ha tenido un gesto de solidaridad, una palabra o expresión de apoyo a quien le ha dado la oportunidad de estar donde se encuentra”, reprochó.

17
Abr19

Paim: PEC da Previdência é ‘pior proposta que chegou até hoje no Congresso’

Talis Andrade

 

Senadores Paulo Paim (PT-RS) e Jaques Wagner (PT-BA) criticaram proposta do governo Bolsonaro em audiência pública realizada pela OAB-SP durante a semana

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Paim: A reforma do fim do mundo

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“Essa é realmente o fim do mundo. É a pior proposta que chegou até hoje no Congresso. Espero que nem venha para o Senado. Que seja derrotada na Câmara”, afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS) sobre a dita “reforma” da Previdência que o governo Bolsonaro encaminhou aos deputados no mês passado. O que mais preocupa Paim é o modelo de capitalização, que já foi aplicado em diversos países, e não deu certo, conforme aponta estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Como é que o Brasil quer adotar algo que não deu certo? O exemplo mais conhecido é o do Chile, onde os trabalhadores ganham R$ 500, em média. Lá, o governo e Congresso já estão rediscutindo o modelo. Todos os setores são contra esse regime.”

Em vídeo enviado à audiência pública realizada pela OAB-SP na última terça-feira (26), o senador afirmou que, sem a contrapartida do empregador e do governo, como prevê a proposta para o modelo de capitalização, e com a chamada “carteira de trabalho verde e amarela”, que vai estimular os trabalhadores a aderirem esse sistema, o atual regime de repartição tende a quebrar, colocando em risco inclusive os vencimentos dos que já estão aposentados.

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“O empregador não paga mais nada, o governo não paga, a sociedade não paga, e só paga o trabalhador. Seria o fim do sistema solidário. Com dois regimes, empregador sempre vai dizer que não tem mais vaga para o regime de repartição. Se optar pela repartição, vai fazer uma poupança de risco, com 10% do salário, e não vai se aposentar nunca. É o fim da Previdência no Brasil. Isso é inaceitável. Se todos serão obrigados a aderir à capitalização, não vai ter mais a contribuição para o fundo do Regime Geral.”

Paim, que é coordenador da Frente Parlamentar Mista em defesa da Previdência Social, diz que tirar da Constituição as regras referentes ao funcionamento das aposentadorias é como dar um “cheque em branco” para esse e os próximos governo. “É tudo que os banqueiros querem. Significa acabar com a previdência pública.”

Outros “crimes” do projeto, segundo o senador, são as mudanças pretendidas nas aposentadorias rurais e no Benefício de Prestação Continuada (BPC). A alteração dos critérios de comprovação do tempo de contribuição para as aposentadorias rurais e a ampliação da idade mínima, de 15 para 20 anos, sem diferenciação entre homens e mulheres do campo, foram classificadas como “absurdas”. Sobre o BPC, além do valor inaceitável de R$ 400 para idosos a partir dos 60 anos sem comprovação de renda, Paim diz que o projeto não específica critérios de reajuste do benefício, que deve perder poder de compra ao longo do tempo.

Ele destacou ainda que a dita reforma não combate privilégios. “Não escreveram nada nesse sentido no projeto. Não li nada que acabe efetivamente com os ditos privilégios, seja de quem for.” Governadores e o presidente da República, por exemplo, continuarão a se aposentar, sem contribuir, depois de ter cumprido apenas um mandato. Paim também chamou a atenção de todos os prefeitos para o impacto que a redução nos valores dos vencimentos vai acarretar nas economias dos municípios.

O parlamentar diz estar aberto para dialogar sobre uma eventual reforma na gestão da Previdência, que combata a sonegação e fiscalize o pagamento das contribuições patronais e que impeça a retirada de recursos da Seguridade Social pelo governo. Segundo ele, a dívida das grandes empresas com a Previdência já ultrapassa os 600 bilhões de reais, se incidir cobrança de juros e correção monetária.

Wagner: Uma aposentadoria menor do que o salário mínimo

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Mais sucinto, o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que o sistema de capitalização, as mudanças nas aposentadorias rurais e no BPC e a retirada da Constituição das regras das aposentadorias são quatro fatores que transformam a proposta do governo Bolsonaro em algo “inegociável e inconversável”.

” O sistema de capitalização vai levar ao que está acontecendo hoje no Chile, com parcela imensa da população recebendo menos que um salário mínimo, vivendo na linha de pobreza, além de suicídios reiterados de aposentados. Mexer no BPC e nas aposentadorias rurais significa agredir a parcela mais fragilizada da população, idosos, pessoas com deficiência e aqueles que trabalham de sol a sol em condição bastante adversa”, afirmou o senador baiano. Segundo o presidente da Comissão de Direito Previdenciário da OAB-SP, todos os parlamentares foram convidados a participar da audiência, mas nenhum representante do governo respondeu ao convite.

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12
Abr19

Imposição da cruel previdência chilena como modelo

Talis Andrade

 

Chile: capitalização da Previdência faz idosos morrerem trabalhando e suicídio bater recorde

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O regime de capitalização da Previdência no Chile, desejado pelo governo Bolsonaro, obriga os aposentados a seguirem trabalhando, muitas vezes, até morrer. É o caso de Mario Enrique Cortes, “jubilado” que, aos 80 anos, padeceu de insolação em pleno inverno, como jardineiro, em frente ao Palácio de La Moneda, em 2014. De lá para cá, o país vem acumulando episódios trágicos como este. Somado à onda crescente de suicídios na terceira idade – com tiro, enforcamento ou envenenamento -, o cenário escancara a realidade sombria de uma terra em que a aposentadoria foi transformada em negócio para benefício das Administradoras de Fundos de Pensão (AFP).

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Por Felipe Bianchi (Barão de Itararé) e Leonardo Severo (Hora do Povo), de Santiago

 

Ana Paula Vieira alerta: “o suicídio é um fenômeno multicausal. Na terceira idade, ele tem a ver com abandono, com solidão e, obviamente, com problemas financeiros. A discussão passa muito pela precariedade da saúde e por dificuldades econômicas dos idosos. Entretanto, é preciso educarmos a sociedade sobre a complexidade desse problema para conseguir enfrentá-lo ao invés de escondê-lo”

“Claro que para impor um sistema de Previdência como o do Chile, foi necessário haver manipulação midiática e campanha de marketing. Mas não foi só isso. É um sistema imposto pela força”. Esta é a avaliação de Oriana Zorrilla, histórica jornalista chilena. “Se não tivesse ocorrido a ditadura e a repressão, somadas às mentiras e ilusões vendidas à população sobre o modelo de aposentadoria, não teria sido possível aprovar um sistema assim”.

Presidenta do Conselho Metropolitano do Colégio de Jornalistas do Chile, entidade que defende a categoria no país, Zorrilla viveu concretamente a experiência da implementação das Administradoras de Fundos de Pensão (AFP), que transformaram a Seguridade Social em ativos do mercado financeiro a partir da capitalização individual da Previdência. Por ter começado a contribuir antes do novo sistema entrar em vigência, a jornalista conseguiu se aposentar pelo modelo antigo. “A única vantagem que tenho de ser velha é ter o privilégio de ter uma aposentadoria digna, já que me aposentei pelo sistema anterior, infinitamente melhor que o das AFP”, sentencia.

“Meu marido, um engenheiro eletrônico especializado em medicina nuclear, sempre teve um salário três a quatro vezes maior que o meu. No entanto, sua aposentadoria, que é paga pelo sistema das AFP, é muito menor que a minha”, diz. Segundo Zorrilla, o marido dela, como milhões de cidadãos chilenos, teve o azar de ter começado a contribuir somente no sistema imposto pela ditadura, o que foi obrigatório a partir da sua instalação.

“Por ter sido gerente e recebido um salário maior que o meu a vida toda, todos me diziam que ele era um bom partido. Agora, eu sou o bom partido, por não depender do sistema das AFP. É um contrassenso total”, ironiza.

Os jornais e as emissoras de rádio e televisão venderam muitas mentiras sobre o que seria este modelo de aposentadoria, relata Zorrilla. “Os meios de comunicação não só fizeram, lá atrás, como seguem fazendo campanha para um sistema que, na realidade, é um assalto à mão armada contra toda classe de trabalhadores: de jornalistas a engenheiros, de funcionários públicos a operários”.

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Há poucos dias, o Colégio de Jornalistas promoveu o leilão da biblioteca de um consagrado jornalista de Santiago, Rodrigo Beitia, diagnosticado com Alzheimer. “A família deste profissional brilhante colocou à venda todos os livros adquiridos ao longo de sua vida para ajudar a pagar um tratamento e um lugar adequados para os cuidados de saúde necessários”, conta. “Por um lado, é um gesto bonito, pela solidariedade que ele recebeu de todos nós. Por outro, é um retrato que escancara uma realidade angustiante”. Transcrevi trechos

 

20
Mar19

A cada 60 minutos, uma criança ou adolescente morre por arma de fogo

Talis Andrade

 

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Da Agência Brasil

A cada 60 minutos, uma criança ou um adolescente morre no Brasil em decorrência de ferimentos por arma de fogo. Entre 1997 e 2016, mais de 145 mil jovens com até 19 anos faleceram em consequência de disparos acidentais ou intencionais, como em casos de homicídio e suicídio. Os dados fazem parte de um levantamento divulgado hoje (20) pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

De acordo com o estudo, que considerou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, em 2016, ano mais recente disponível, foram registrados 9.517 óbitos entre crianças e adolescentes no país. O número é praticamente o dobro do identificado há 20 anos – 4.846 casos em 1997 – e representa, em valores absolutos, o pico da série histórica.

O levantamento mostra que, a cada duas horas, uma criança ou adolescente dá entrada em um hospital da rede pública de saúde com ferimento por disparo de arma de fogo. Entre 1999 e 2018, foram registradas quase 96 mil internações de jovens com até 19 anos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Despesas

As principais causas externas de morte por arma de fogo nessa faixa etária estão relacionadas a homicídios (94%), seguidos de intenções indeterminadas (4%), suicídios (2%) e acidentes (1%). No caso das internações, embora as tentativas de homicídio continuem na liderança (67%), é bastante expressivo o volume de acidentes (26%) envolvendo arma de fogo.

A avaliação contabilizou ainda as despesas diretas do SUS com pacientes atendidos após contato com armas de fogo. Nos últimos 20 anos, as internações de crianças e adolescente provocadas por disparos custaram mais de R$ 210 milhões aos cofres públicos.

O estudo considerou causas de morbidade hospitalar e mortalidade identificadas nas bases oficiais do Ministério da Saúde como acidentais, suicídios ou tentativas de suicídio, homicídios ou tentativas de homicídio e intenções indeterminadas.

 

 

 

14
Fev19

PAULO GUEDES, ALÉM DE CORRUPTO, FAZ APOLOGIA A PINOCHET, O MAIOR DITADOR E TORTURADOR DAS AMÉRICAS!

Talis Andrade

por Emanuel Cancella

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Dossiê Pinochet: Chicago Boys no Chile, a inspiração de Paulo Guedes e o modelo para Bolsonaro (8).
 
 
Paulo Guedes deu rombo nos fundos de pensão das estatais de um BI de reais, dentre eles o da Petros. E agora, por esse rombo, os petroleiros, ativos e aposentados, é que estão pagando com 13% de seus salários e por 18 anos (7).
 
Enquanto os petroleiros pagam a conta do rombo de Paulo Guedes, ele, que já levou os aposentados chilenos ao suicídio, agora vai levar os brasileiros à morte, com a sua reforma da Previdência no Brasil, no mesmo modelo que ajudou a fazer no Chile.
 
Paulo Guedes é formado na década de 80, em Chicago, nos EUA, fazendo parte de um grupo ultradireitista conhecido como Chicago Boy’s, os quais alguns ajudaram a implementar a mudança da aposentaria no Chile.
 
Veja o cenário da introdução da privatização da previdência chilena de Paulo Guedes, Jorge Selume e Pinochet:
 
“Neste contexto da versão sinistra da repressão – com a exumação de covas clandestinas, cujos corpos eram preparados com trilhos de aço atados aos pés e jogados de helicópteros ao Pacífico – o brasileiro Paulo Roberto Nunes Guedes é convidado por seu colega chileno na Universidade de Chicago, Jorge Selume Zaror, para dar aulas na Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da Universidade do Chile, que Selume comandou como decano, de 1981 a 1985” (4).
 
No lugar da conhecida Previdência, o Chile colocou em prática algo que só existia em livros teóricos de economia, quando cada trabalhador faz a própria poupança, que é depositada em uma conta individual, em vez de ir para um fundo coletivo (1).
 
Agora, quando o novo modelo começa a produzir os seus primeiros aposentados, o baixo valor das aposentadorias chocou: 90,9% recebem menos de 149.435 pesos (cerca de R$ 694,08) (1). Assim previdência do Chile foi privatizada e agora, enquanto os aposentados chilenos são recordistas em suicídio, os bancos comemoram resultados fantásticos, um deles o banco Pactual, que era de Paulo Guedes (2,3).
 

Desdenhando dos milhares de vítimas chilenas da ditadura de Augusto Pinochet, o mais sanguinário dos ditadores de nosso continente, bem como em total desrespeito aos aposentados chilenos, levados ao suicídio pela reforma da Previdência que ajudou a criar, diz Paulo Guedes: “Pinochet fez do Chile uma Suíça”.

 

Fonte:

1https://www.bbc.com/portuguese/internacional-39931826

2https://horadopovo.org.br/sem-previdencia-publica-chile-tem-suicidio-recorde-entre-idosos-com-mais-de-80-anos/

3https://www.valor.com.br/politica/5966619/planos-economicos-fizeram-fortuna-de-paulo-guedes

4https://www.revistaforum.com.br/paulo-guedes-o-chicago-boy-de-bolsonaro-e-seus-vinculos-com-a-ditadura-pinochet/

5https://www.brasil247.com/pt/247/economia/383592/Paulo-Guedes-Pinochet-fez-do-Chile-'uma-Su%C3%AD%C3%A7a'.htm

6https://www.brasil247.com/pt/247/economia/383592/Paulo-Guedes-Pinochet-fez-do-Chile-'uma-Su%C3%AD%C3%A7a'.htm

7https://www.cartacapital.com.br/politica/mentor-economico-de-bolsonaro-e-investigado-por-fraude-em-fundos-de-pensao/

8https://www.youtube.com/watch?v=9XLJJry_hgM

 

22
Nov18

A escola sem partido e a nova adolescente no Brasil sem incesto, estupro e prostituição infantil

Talis Andrade

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No Brasil, a cada minuto uma pessoa é estuprada. São registrados uma média de 164 casos por dia. Um número alto, mas que segundo especialistas é menor do que o real. Estima-se que 90% das vítimas nunca registre queixa, o que elevaria o número total para 600.000 estupros por ano. E a subnotificação não existe apenas na esfera criminal, mas na da saúde também. "No ano de 2016 foram 23.000 vítimas atendidas no SUS, ao passo que 49.500 procuraram a Polícia (dados da publicação de pesquisadores do IPEA “Atlas da Violência 2018”). Em 2017 foram 60.000 vítimas que buscaram a Polícia, mas o Ministério da Saúde ainda não totalizou os dados de atendimentos no SUS em 2017. E aqui estamos falando de estupros. O IPEA, no mesmo estudo, estima que 90% das vítimas não procuram o Poder Público", relata o procurador Pedro Antonio de Oliveira Machado, responsável por um inquérito que investigou a aplicação da lei do minuto seguinte. Após a investigação, o Ministério Público Federal criou um canal para que as vítimas possam denunciar os serviços que não seguirem os protocolos de atendimento previstos em lei.

 

Leia mais aqui. “Nós identificamos uma série de problemas [no ciclo de atendimento às vítimas]”, afirma o procurador Machado. “Um dos maiores era a falta de informação, especialmente para as vítimas, que não sabem a quem recorrer. Mas mesmo no âmbito dos profissionais do Sistema Único de Saúde também havia falta de informação”, diz.

 

O Brasil da bancada da Bíblia e da família tradicional esconde que “pobreza e abusos estimulam casamentos infantis no Brasil. País tem cerca de 90 mil crianças de 10 a 14 anos casadas, segundo Censo 2010. Pesquisa traça perfil de uniões”, destaca reportagem da BBC Brasil.

 

“Um dos temas mais constrangedores ao Brasil, não apenas à própria sociedade brasileira, como no âmbito internacional, é a existência da chamada prostituição infantil. A despeito de todos os esforços do Estado no enfrentamento deste problema, há a permanência de uma realidade hostil para muitas crianças – principalmente meninas – nas regiões mais pobres do país: segundo a UNICEF, em dados de 2010, cerca de 250 mil crianças estão prostituídas no Brasil”, escreve Paulo Silvino Ribeiro. Para as ONGs, são 500 mil crianças  de 7 a 14 anos que vendem o corpo por um pedaço de pão. Quinhentas mil meninas sem escola e sem partido. Leia mais. 

 

No Brasil existe uma cultura do incesto - que não é crime - aceitável em várias comunidades do Norte e do Nordeste. Um caso símbolo o da poetisa menina Thalia Mendes Meireles, violentada pelo pai desde os 12 anos. "Você pode ver uma pessoa sorrindo, parecendo feliz, mas não se engane, sempre há coisas além. Por isso somos cegos. Nunca vemos além", escreveu na sua carta de suicídio. O pai, dono de supermercados no Maranhão, com o apoio da justiça e da polícia, culpou a onda da baleia azul, que substituiu a lenda do boto como justificativa da gravidez de uma criança.

 

Provocar o fim da própria vida está entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, há um suicídio a cada 45 minutos. Pelos dados da OMS, o suicídio é a sétima maior causa de morte entre jovens de 10 a 14 anos de idade. 

 

A escola sem partido ajudou a eleger Jair Bolsonaro presidente, quando o programa mais correto seria escola sem curra. Que as crianças são as maiores vítimas de estupro no Brasil, segundo o Atlas da Violência de 2018 . O estudo, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que 50,9% dos casos registrados de estupro em 2016 foram cometidos contra menores de 13 anos de idade. Além disso, em 32,1% dos casos, as vítimas foram adultos, e em 17%, adolescentes. Os estupros, inclusive curras, que acontecem dentro das escolas são abafados ou camuflados como bullying.  

 

 

 

21
Nov18

Brasília, embaixada da República de Curitiba

Talis Andrade

 

 
por Sergio Lirio, na revista 
 
A influência da “República de Curitiba” não para de aumentar em Brasília. Depois de integrar Érika Marena e Rosalvo Ferreira Franco, delegados da Polícia Federal, à equipe de transição do futuro governo Bolsonaro, o “superministro” Sérgio Moro convidou para a chefia da Polícia Federal o superintendente da corporação no Paraná, Maurício Valeixo.


Valeixo ocupou no passado o cargo de diretor de inteligência da PF e comandou o departamento de Combate ao Crime Organizado. O futuro ministro declarou recentemente a intenção de reeditar o modelo de força-tarefa adotado na Lava Jato no combate às facções criminosas, uma das promessas da campanha de Bolsonaro. Valeixo é descrito como um quadro “operacional”, oposto ao perfil “intelectual” do atual diretor da corporação, Rogério Galloro.
 
 
Outro profissional que atua no Paraná a ser sondado por Moro é Fabiano Bordignon, chefe da PF em Foz do Iguaçu. O delegado é cotado para assumir o Departamento Penitenciário Nacional. Bordignon se reuniu com o futuro ministro em Brasília na segunda-feira 19.


Marena, espécie de braço direito de Moro nas articulações da equipe, tem participado das reuniões. A delegada ficou nacionalmente conhecida por processar jornalistas críticos à atuação da Lava Jato e pela investigação espetaculosa que resultou no suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier.


A conduta da policial na Operação Ouvidos Moucos, que investigava uma fraude na universidade, foi bastante questionada. Parentes de Cancellier ingressaram com uma queixa-crime no Ministério Público por conta dos abusos de autoridades e os excessos cometidos pela delegada. Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, agregou-se aos críticos da operação, entre eles cientistas de renome e integrantes do mundo acadêmico.


O suicídio de Cancellier, declarou Mendes, “serve de alerta sobre as consequências do eventual abuso de poder por parte de autoridades”. Uma sindicância da Corregedoria da PF concluiu, no entanto, que Marena agiu de acordo com as regras de conduta da corporação.


A delegada, apelidada de “mãe” da Lava Jato, goza de bastante prestígio entre os pares. Ela liderou os votos na lista tríplice enviada pelos delegados quando Michel Temer estava prestes a escolher o primeiro diretor da PF em seu governo. Temer ignorou a lista e escolheu Fernando Segóvia.


O termo “República de Curitiba” deriva de uma crítica ao poder de investigação acumulado por Moro e pela força-tarefa da Lava Jato. Inúmeros juristas brasileiros e estrangeiros consideram que a atuação do magistrado extrapolou não só os limites de sua jurisdição, mas as regras básicas do Estado de Direito.


A expressão é uma alusão à “República do Galeão”, formada por militares que conduziram em 1954 o inquérito sobre o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda e o major Rubens Florentino Vaz, morto no incidente. O IPM, conduzido na base aérea no Rio de Janeiro, serviu para fustigar Getúlio Vargas e leva-lo à renúncia ou provocar sua deposição. A comoção provocado pelo suicídio de Vargas provocou, no entanto, um efeito inverso e adiou por uma década o golpe militar.
 
 

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