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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

20
Fev21

Manuel Domingos: livro de Villas Boas representa uma geração militar maldita

Talis Andrade

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247 - O professor Manoel Domingos Neto, docente visitante da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e um dos maiores especialistas na análise das Forças Armadas no Brasil, falou à TV 247 sobre o livro do general Eduardo Villas Bôas - "General Villas Bôas: conversa com o comandante".

De acordo com Domingos Neto, Villas Bôas faz parte de uma geração podre de militares, a qual classificou como “geração Bolsonaro”, que articula a volta de uma ditadura militar no país. “O que nós estamos vivendo será compreendido a posteriori em toda sua profundidade. O que nós já compreendemos é estarrecedor. Se trata de um plano articulado por uma geração, por uma safra infeliz de oficiais, gerados nos anos 1970 e início dos anos 1980”.

O especialista disse que o general é o líder de tal geração de “subversivos” que colocou o Brasil no colo de Bolsonaro após impor sucessivas e tramadas derrotas à esquerda. “Quem sentou com o Villas Bôas como eu sentei em mais de uma ocasião se impressiona por sua simpatia, seu jogo de cena, e você até se ilude. É um líder. Ele é digno desse Exército, é digno desse presidente. Ele é a fina flor de uma geração de subversivos sem qualquer sensibilidade social, sem qualquer senso de responsabilidade histórica, e jogou o país na situação em que nós estamos, jogou o país na incerteza, ou na certeza de que estamos enfrentando dias ruins e poderemos enfrentar dias catastróficos, mais catastróficos ainda”.

Para Domingos Neto, todo livro citado “é um ataque à esquerda” e atenta contra a democracia. “Esse livro é um livro de um militante político radical e irresponsável. É de um subversivo. Esse livro é o livro da subversão militar. As Forças Armadas estão subvertidas, elas agem como um poder de subversão sem escrúpulos. Essa história de negar a possibilidade da esquerda é a negação da democracia. É isso. Um militar que chega e diz: ‘a esquerda não pode voltar ao poder’, o que ele está dizendo? Ele está dizendo: ‘nós precisamos de ditadura’. Essa geração dos anos 70 é uma geração maldita, está prejudicando muito o Brasil”.

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16
Nov19

Licença para matar: decreto de golpistas autoriza repressão sanguinária ao povo boliviano

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

 

Diz o artigo 3º do Decreto:

O pessoal das Forças Armadas que participe das operações de restauração da ordem e da estabilidade pública, ficará isento de responsabilidade criminal quando, em cumprimento de suas funções constitucionais, atuar em legítima defesa ou estado de necessidade”.

Com o Decreto, militares e policiais civis da Bolívia receberam licença para matar seu próprio povo, quando teriam a responsabilidade constitucional de defendê-lo.

O Decreto que dá carta branca para o banho de sangue na Bolívia só foi publicado na tarde deste sábado, 16/11, porém com assinatura do dia anterior, quando ocorreram mais 9 assassinatos de populares pelas forças policiais que reprimiram manifestações pelo país.

O golpe planejado em Washington e executado em solo boliviano diretamente pela OEA de Almagro com o apoio decisivo de governos capachos e subservientes aos EUA como Bolsonaro, no Brasil; Iván Duque, na Colômbia e de Piñera, no Chile, está evoluindo para uma ditadura sanguinária.

Apesar do aprofundamento da violência e do terror de Estado, cresce a cada dia e se radicaliza ainda mais a resistência popular e democrática ao golpe.

É urgente um pronunciamento do Conselho de Segurança da ONU e o rechaço de toda a comunidade internacional ao golpe promovido pelos EUA na Bolívia e que  está causando uma catástrofe humanitária no país andino. [Vide capa dos jornais da Bolívia hoje. Os índios que protestam contra o golpe são chamados de subversivos]

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19
Out19

Os blefes golpistas de Olavo de Carvalho devem ser levados a sério. Por quê?

Talis Andrade

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por Valerio Arcary

Versão em espanhol

 

 

Na hora mais escura da noite, mais intenso será o brilho das estrelas no céu.
Sabedoria popular persa

A hora mais escura do dia é a que vem antes do sol nascer.
Sabedoria popular árabe

 

A convocação de Olavo de Carvalho a Bolsonaro para assumir plenos poderes, se apoiando nas Forças Armadas e na mobilização de sua base social, depois ecoada nas redes bolsonaristas como um chamado a um novo AI-5, não deve ser subestimada. Trata-se de um escândalo.

Revela que o bolsonarismo tem como estratégia a subversão do regime político. Um governo de extrema-direita com projeto bonapartista é contraditório com um regime político eleitoral. Não é, necessariamente, incompatível, mas é antagônico.

Há sempre uma dimensão de blefe, ou seja, de ameaça retórica, neste tipo de agitação provocativa, mas é também uma sinalização de que não têm limites, não têm pudores, não têm escrúpulos.

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O AI-5 em dezembro de 1968 foi avaliado, corretamente, como um golpe dentro do golpe. Assim como o golpe de Estado de 1964, o golpe do AI-5 respondia, outra vez, à percepção da cúpula das Forças Armadas de que existiria o perigo de abertura de uma situação pré-revolucionária a partir da onda de ascenso do movimento estudantil, na sequência da passeata dos cem mil no Rio de Janeiro, e de uma onda de levantes operários, depois das greves de Osasco e Contagem. A ditadura militar tinha fobia de estudantes e de operários, e se assustava com a fermentação cultural que não parava de crescer.

Uma combinação de pelo menos três fatores pode explicar estas declarações absurdas. A primeira é a crise da fração bolsonarista com o PSL. As investigações sobre as movimentações financeiras do PSL e a divisão do controle da legenda de aluguel com Luciano Bivar deixam o bolsonarismo inseguro sobre seu futuro. A entrada no PSL foi uma improvisação eleitoral, e agora o bolsonarismo se sente desconfortável. O PSL se tornou um problema. Uma corrente neofascista precisa de um partido para 2020 em que tenha controle absoluto, e terão que encontrá-lo trocando a roda com o carro em movimento. A substituição do líder do PSL Delegado Waldir por Eduardo Bolsonaro é uma iniciativa nessa direção.

Em segundo lugar, o bolsonarismo quer responder às iniciativas que virão do STF (Supremo Tribunal Federal). Não somente quanto ao destino da votação sobre a prisão em segunda e terceira instâncias, ou somente após o trânsito final pelo STF, mas também quanto à votação do pedido de Habeas Corpus apresentado pela defesa de Lula, sustentado na suspeição de Moro. A sinalização é de que o bolsonarismo está disposto a ir às ruas, e se dirige abertamente aos generais, se a liberdade de Lula for conquistada.

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A sinalização é de que o bolsonarismo está disposto a ir às ruas, e se dirige abertamente aos generais, se a liberdade de Lula for conquistada

 

Um terceiro fator a ser considerado é o desgaste lento, porém, crescente, do governo diante da burguesia e da classe média, mesmo estando muito seguros da aprovação da reforma da Previdência no Senado semana que vem. A economia brasileira anda de lado há três anos, depois do mergulho de 2015/16 que sacrificou mais de 7% da capacidade produtiva instalada. Os mais otimistas adiam para 2024 a retomada do patamar de 2014. Uma década perdida.

A rigor, não parece haver perigo real e imediato de uma tentativa de autogolpe ou insurreição militar no Brasil. Nenhuma fração importante da burguesia está hoje considerando um projeto de quartelada para impor um regime bonapartista para garantir os ajustes econômico-sociais necessários ao reposicionamento do Brasil no mercado mundial.

Tentar prever o que poderá acontecer é impossível, porque o volume de variáveis a serem consideradas é inalcançável. Não podemos lutar contra perigos imaginários. Devemos nos concentrar na luta contra os perigos imediatos. Agitar, portanto, a iminência do perigo de um autogolpe seria alarmismo. Alarmismo só serve para disseminar medo, insegurança, pânico e, finalmente, desmoralização. Não há perigo iminente de golpe. Isso se explica, essencialmente, porque não há perigo de revolução. Um golpe, por enquanto, não é necessário.

A ausência de um amplo e radicalizado movimento de resistência da classe trabalhadora e de seus aliados que ameace a dominação da burguesia faz com que as grandes empresas e bancos não apoiem uma intervenção militar.

Entretanto, diminuir o perigo que o governo Bolsonaro representa para as liberdades democráticas seria miopia política grave. A radicalização neofascista da retórica do bolsonarismo não deve ser ignorada. Só a mobilização de massas da classe trabalhadora e da juventude tem a força social capaz de derrotá-lo.

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06
Dez18

Cruvinel e o DOPS de Moro

Talis Andrade

 

 

A lei é para todos, dependendo quem seja. A “total confiança” de Moro em Ônyx Lorenzoni, assumidamente recebedor de dinheiro “por fora”, mas “inocentado” pelo superministro de Jair Bolsonaro por “serviços prestados” ao moralismo, é uma evidência que só escapa aos cegos propositais que vêem as vantagens, mas não o desastre da entronização da perseguição político-policial-judicial seletiva que se instalou no Brasil, à qual a mídia deu acolhimento entusiasmado.

 

Tratei do tema ontem, aqui, e hoje, no JB, destaca a reação ao poder que a polícia morista provocará entre os parlamentares e o potencial de descontentamento que isso trará. Descontentamento ou, quem sabe, submissão.

 

A Polícia de Moro

Teresa Cruvinel, no JB

 

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Sob o comando do futuro ministro Sérgio Moro, a Polícia Federal vai reforçar o núcleo encarregado de investigar ministros e parlamentares com foro no STF, providência apontada como essencial à continuidade do combate à corrupção.

 

Assim será montada a mega Lava Jato do super Moro que, pelo andar da carruagem, terá focinho de polícia política: ministros também foram citados como alvo mas são os parlamentares, especialmente os de oposição, que estarão na mira.

 

Dificilmente alcançarão ministros de Bolsonaro. Ontem mesmo Moro declarou que Onyx Lorenzoni, contra quem o STF abriu investigação sobre suposto recebimento de caixa 2 da Odebrecht, tem sua “confiança pessoal”.

 

A corrupção é o novo nome da subversão, embora Bolsonaro e seu núcleo duro tenham também fixação em “comunistas”, rótulo que hoje no Brasil serve a qualquer um que não seja de extrema-direita ou não comungue do discurso bolsonarista.

 

Apesar da guerra ao “marxismo cultural” que estaria entranhado em tudo, ao ponto de Bolsonaro perguntar ao futuro ministro da Educação se ele tinha “faca nos dentes” para combatê-lo, é pela corrupção que se buscará o “inimigo interno”, criminalizando adversários políticos mais incômodos.

 

Outros governos, nesta fase de transição, estão preocupados em pacificar, conquistar mais aliados, alargar o capital recebido das urnas.

 

Já o de Bolsonaro exibe esta forte disposição para guerrear, seja aqui dentro ou lá fora, o que deixa uma parte do Brasil assustada e temerosa.

 

O núcleo anticorrupção da PF, chamado SINQ (Serviços de Inquéritos Especiais), segundo matéria da “Folha de S. Paulo”, depois de perder força e coesão durante o governo Temer, agora será fortalecido e reestruturado pelo futuro diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

 

São providências para que Moro disponha de um braço bem equipado para tocar esta espécie de Lava Jato do Executivo, sem prescindir dos aliados do Judiciário e do Ministério Público Federal.

 

E isso sugere que, na era Bolsonaro, a PF não desfrutará mais da autonomia que conquistou nos governos Lula e Dilma, ao ponto de o próprio ministro da Justiça, na época José Eduardo Cardoso, ser frequentemente surpreendido com ações contra o PT e integrantes do governo.

 

E ele sempre justificativa: em sua gestão, a PF atuava “republicanamente”, com absoluta independência.

 

Agora haverá subordinação não apenas formal a Moro, mas operacional.

 

Ministros poderão até ser investigados, quando houver interesse em jogar alguém na frigideira.

 

A resposta ao teste da autonomia futura da PF virá no começo do governo, quando saberemos se vão prosseguir ou serão arquivadas as investigações sobre a participação do futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, em esquema fraudulento de desvio de recursos de fundos de pensão das estatais.

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Bolsonaro irritou-se ao ser abordado sobre o assunto dizendo desconhecer essas investigações.

 

Onyx já havia sido perdoado por Moro, por ter se arrependido e pedido desculpas, o que levou o senador Roberto Requião a apresentar o irônico projeto da “Lei Lorenzoni”: em crimes eleitorais, se o acusado demonstrar arrependimento, estará perdoado.

 

Assim, o braço forte de Moro cairá é sobre parlamentares, assim como o Dops da ditadura caía sobre os “subversivos”.

 

O problema é que Bolsonaro precisará do Congresso para governar, e até já começou a cortejar os partidos.

 

Se Moro fustigar muito os parlamentares, criará problemas para a coordenação política.

11
Mai18

Documento da CIA relata que cúpula do Governo militar brasileiro autorizou execuções

Talis Andrade

Memorando de 1974 descreve "decisão de Geisel de continuar com execuções sumárias".

General relata que cerca de 104 pessoas foram "executadas sumariamente" em um ano

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Manifestação no Rio de Janeiro em 1968 contra a ditadura militar. ARQUIVO NACIONAL/CORREIO DA MANHÃ

 

 

por Rodolfo Borges

 

"Assunto: 'Decisão do presidente brasileiro, Ernesto Geisel, de continuar com as execuções sumárias de subversivos perigosos, sob certas condições", diz um memorando de 11 de abril de 1974 enviado pelo diretor da CIA, a agência de inteligência norte-americana, para o então secretário de Estado Henry Kissinger. O documento, revelado pelo Bureau of Public Affairs do Departamento de Estado dos Estados Unidos, expõe que a cúpula do Governo militar brasileiro (1964-1985) sabia sobre as ações de exceção tomadas contra adversários do regime.

 

"Este é o documento secreto mais perturbador que já li em vinte anos de pesquisa", descreveu o pesquisador Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas. Spektor chamou atenção nesta quinta-feira para relatos disponibilizados pelo Governo norte-americano. O relatório começa descrevendo encontro de 30 de março de 1974 entre o então presidente Ernesto Geisel, o general Milton Tavares de Souza e o general Confúcio Danton de Paula Avelino, "respectivamente o ex-chefe e o novo chefe do Centro de Inteligência do Exército (CIE)", na descrição do próprio relatório. "Também estava presente o general João Baptista Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI)" e futuro presidente do país.

 

Segundo Spektor, o relato foi tornado público em 2015 e faz parte da política regular de abertura de fonte primária do Departamento de Estado. O relatório registra que o general Milton foi quem mais falou na mencionada reunião. "Descreveu o trabalho do CIE contra a subversão interna durante a administração do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici. Ele enfatizou que o Brasil não pode ignorar a ameaça subversiva e terrorista, e afirmou que métodos extralegais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos", diz o documento antes de chegar em seu trecho mais dramático: "Nesse sentido, o general Milton relatou que cerca de 104 pessoas, nessa categoria, haviam sido executadas sumariamente pelo CIE durante o último ano, ou pouco mais de um ano. Figueiredo apoiou essa política e defendeu sua continuidade".

 

Ainda segundo o relatório, que pode ser acessado pelo site do Departamento de Estado,  "o presidente [Geisel], que comentou a seriedade e aspectos potencialmente prejudiciais dessa política, disse que queria refletir sobre o assunto durante o fim de semana, antes de tomar qualquer decisão sobre a sua continuidade". No dia 1º de abril, Geisel "informou ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que extremo cuidado deveria ser tomado para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados".

 

"O presidente e o general Figueiredo concordaram que, quando o CIE detivesse uma pessoa que poderia ser enquadrado nessa categoria, o chefe do CIE deveria consultar o general Figueiredo, cuja aprovação deveria ser dada antes que a pessoa fosse executada", segue o relatório, cuja última mensagem disponível diz que "o presidente e o general Figueiredo também concordaram que o CIE deve dedicar-se quase exclusivamente a combater a subversão interna, e que a atuação do CIE, em geral, deve ser coordenada pela general Figueiredo". Apesar de o sigilo do documento ter caído, dois parágrafos que somam no total 19 linhas foram mantidos em segredo.

 

Para Spektor, que topou com o registro enquanto pesquisava outros assuntos, o memorando é "prova do envolvimento do regime militar na política de execuções sumárias de inimigos do regime". Ela se soma a evidências já existentes, como a gravação revelada pelo jornalista Elio Gaspari em que Geisel dá luz verde para a repressão à guerrilha no Araguaia e o depoimento em que um general francês descreveu a uma historiadora a ocasião em que Figueiredo o levou para acompanhar uma sessão de tortura. Segundo o pesquisador, "o relato mostra a importância de as autoridades brasileiras também abrirem os seus arquivos".

 

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