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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

14
Mar21

A quadrilha de abusadores do Planalto

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

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O Twitter tirou do ar a mensagem de Eduardo Bolsonaro com a carta e imagens do corpo de um suposto suicida, as mesmas usadas na live de seu pai, Jair, para”provar” que as medidas restritivas decretadas por conta da explosão da pandemia estavam levando a uma ”onda” de suicídios.

Se é verdadeira a história, embora triste, é isolada.

Seu uso, porém, em uma transmissão presidencial pública, para atacar governadores é, além de uma sordidez, a prova para os ”tolinhos esperançosos” de que Jair Bolsonaro e sua matilha familiar são incorrigíveis e irrecuperáveis.

O atual presidente vai ajudar a afundar mais ainda o país num oceano de mortes e caos para atribuir aos adversários a crise econômica com a qual não tem capacidade de lidar.

Não ache, portanto, que tudo são favas contadas no caminho para que o país se restaure em 2022, com as eleições.

Um homem que não respeita a vida humana muito menos há de respeitar a democracia e o voto.

Nesta mesma live macabra, fez o elogio da ditadura – “Nós vivemos um momento de 1964 a 1985, você decida aí, pense, o que que tu achou daquele período” – e pode perfeitamente fazer mais do que elogios.

Bolsonaro tem de ser isolado, cercado politicamente para que não possa estender, para além do desastre administrativo que é, o poder pernicioso que representa.

Não creiam candidamente que ele deixará o Planalto, como seu herói Trump, com a selvageria do Capitólio, não quis deixar a Casa Branca.

30
Dez20

Dilma: Gargalhadas de escárnio de Bolsonaro revelam a índole de um torturador

Talis Andrade

Dilma: Gargalhadas de escárnio de Bolsonaro revelam a índole de um torturador

Militares que julgaram e condenaram Dilma escondem a cara

 

Por Dilma Rousseff

Jair Bolsonaro promoveu mais uma de suas conhecidas sessões de infâmia e torpeza, falando a um pequeno grupo de apoiadores, nesta segunda-feira, 28 de dezembro.

Como não respeita nenhum limite imposto pela educação e pela civilidade, uma exigência a qualquer político, e mais ainda a um presidente da República, desmoraliza mais uma vez o cargo que ocupa.

Mostra-se indigno ao tratar com desrespeito e com deboche o fato de eu ter sido presa ilegalmente e torturada pela ditadura militar.

Queria provocar risos e reagiu com sórdidas gargalhadas às suas mentiras e agressões.

A cada manifestação pública como esta, Bolsonaro se revela exatamente como é: um indivíduo que não sente qualquer empatia por seres humanos, a não ser aqueles que utiliza para seus propósitos.

Bolsonaro não respeita a vida, é defensor da tortura e dos torturadores, é insensível diante da morte e da doença, como tem demonstrado em face dos quase 200 mil mortos causados pela Covid-19 que, aliás, se recusa a combater.

A visão de mundo fascista está evidente na celebração da violência, na defesa da ditadura militar e da destruição dos que a ela se opuseram.

É triste, mas o ocupante do Palácio do Planalto se comporta como um fascista. E, no poder, tem agido exatamente como um fascista.

Ele revela, com a torpeza do deboche e as gargalhadas de escárnio, a índole própria de um torturador.

Ao desrespeitar quem foi torturado quando estava sob a custódia do Estado, escolhe ser cúmplice da tortura e da morte.

Bolsonaro não insulta apenas a mim, mas a milhares de vítimas da ditadura militar, torturadas e mortas, assim como aos seus parentes, muitos dos quais sequer tiveram o direito de enterrar seus entes queridos.

Um sociopata, que não se sensibiliza diante da dor de outros seres humanos, não merece a confiança do povo brasileiro.

 
26
Jun20

Bernardo Kucinski conta a história de uma mulher que descobriu ter sido roubada da mãe verdadeira militante de esquerda

Talis Andrade

O escritor e jornalista Bernardo Kucinski.

 

II - ‘Julia’, um ficção que traz memórias reais sobre o sequestro de crianças pela ditadura no Brasil

por EDUARDO REINA/ EL PAÍS

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Imagine chegar aos 40 anos de idade e descobrir que você não é você. Que a família onde vem vivendo há décadas não é a sua. Que as pessoas ao seu lado não são e nunca foram seus pais. E que tudo o que você sente e sentiu não vale mais nada. É essa situação que Kucinski imaginou e escreveu sobre Julia, uma bióloga. Após a morte de seus pais, Julia passa por atritos com os irmãos. O centro da discussão é um apartamento da família. Em meio a reformas do imóvel, ela descobre documentos que revelam seu passado “invisibilizado” e um passado obscuro da história brasileira, envolvendo o regime militar, os militares, uma ala da igreja e uma série de outras pessoas. Descobre que sua mãe biológica era militante de esquerda, no interior de São Paulo. Seu pai, arguto professor, escondeu a verdadeira história por anos a fio.

Uma situação com enorme verossimilhança vivida pelos personagens reais, de carne e osso, cujas histórias estão retratadas no livro reportagem “Cativeiro sem fim”, ouvindo histórias reais que o Brasil viveu durante o governo militar. Uma dessas personagens, Rosângela Serra Paraná, aos supostos 46 anos de idade, após uma discussão em família, se vê diante da realidade desconhecida e da violência de Estado. Descobre que sua mãe biológica (desconhecida) era uma “agitadora política”, segundo esses familiares. Rosângela foi apropriada possivelmente no fim da década de 1960 por uma família de militares, depois de ter sido retirada da mãe biológica. O pai apropriador, Odyr de Piava Paraná, um soldado do Exército, com família com integrantes de vários escalões militares, era motorista do então general e presidente da República Ernesto Geisel.

Kucinski, que é professor da Universidade de São Paulo, viveu na pele o que a ditadura no Brasil foi capaz de fazer. Perdeu uma irmã Ana Kucinski, professora universitária e militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN), sequestrada e desaparecida junto com o marido Wilson Silva, em 1974. A história de Ana se transformou em livro, K – Relato de uma busca (Expressão Popular, 2011), que recebeu versão em 13 idiomas e revela a sordidez da ditadura brasileira. Nesta obra, Kucinski mistura fragmentos da história real da irmã e do cunhado com memórias pessoais e da família e muita imaginação.

Em Julia, Kucinski mostra que a cadeia de pessoas envolvidas em roubo de crianças envolve escrivão, delegado, despachante, religiosos, militares, servidores públicos. Expõe ainda a existência de outros crimes correlatados a essa situação, que carecem de investigação e apuração jornalística: o envio dos filhos sequestrados de oposicionistas para outros países. No livro de Kucinski, eles vão para a Itália, por 10.000 dólares cada. Mas na ditadura chilena, por exemplo, esses bebês eram vendidos a 2.000 dólares cada um. Será que isso não ocorreu também por aqui no Brasil, de verdade?

O enredo criado por Kucinski prende o leitor até o ponto final do texto, num paralelo com a realidade escondida da ditadura civil-militar e com o Brasil atual do negacionismo, das fake news e das narrativas distópicas. Nem os próprios militares poderiam ter imaginado uma situação dessas. Cidadãos se descobrindo vítimas do crime cometido pelos militares. [Continua]

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03
Mar20

Apoio do Grupo Prerrogativas ao Juiz Edevaldo de Medeiros contra acosso e abuso de autoridade de nove procuradores

Talis Andrade

Juiz Edevaldo de Medeiros soltou casal preso em flagrante (Foto: Reprodução/ TV TEM)

Grupo Prerrogativas, que congrega juristas e advogados de todo país, unidos em torno da preservação do Estado Democrático de Direito, vem expressar desagravo público ao Juiz Federal Edevaldo de Medeiros, titular da 1a. Vara de Itapeva-SP.

Conforme consta da edição dessa semana da revista Carta Capital, o Juiz Edevaldo de Medeiros responde a um procedimento disciplinar suscitado por nove procuradores do Ministério Público Federal (MPF) junto ao Tribunal Regional Federal da 3a. Região (TRF3), em razão de decisões tomadas em 159 processos criminais sob sua competência. Essa investigação disciplinar, urdida para constranger o juiz, a partir de decisões que adotou em desfavor do MPF, com absoluto amparo legal, chega a evocar fundamentos de outro procedimento, já arquivado, que questionava o comparecimento do magistrado a uma visita, em comitiva de juízes, à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lá estava preso, além da concessão de uma entrevista à Revista Brasil de Fato, em que teceu críticas à Operação Lava Jato e defendeu o papel constitucional do Supremo Tribunal Federal (STF).

Embora tal primeiro procedimento de caráter nitidamente persecutório tenha sido encerrado sem qualquer sanção ao magistrado, procuradores inconformados lançaram mão de novo expediente acusatório, intentando de maneira sórdida cercear a prerrogativa vital que todo magistrado dispõe, qual seja, a de decidir conforme o direito, inclusive para anular provas obtidas irregularmente.

A consciência plena sobre o exercício da função judicial constitui um requisito a ser louvado na conduta dos magistrados, jamais devendo servir de pretexto a perseguições. Ao visitar o ex-presidente Lula, que à época padecia de um encarceramento desonroso não a ele, mas sim à instituição judiciária, haja vista o sem-número de grosseiros abusos processuais impingidos à defesa para que se chegasse a tanto, o Juiz Edevaldo de Medeiros cumpriu como cidadão um gesto humanitário carregado de significado, sem infringir qualquer espécie de vedação legal ou regulamentar. Afinal, contestar o direito do ex-presidente de receber visitas representaria converter aquela já controvertida prisão em um ato punitivo escancaradamente medieval.

Já a entrevista concedida pelo Juiz Edevaldo de Medeiros à Revista Brasil de Fato, tão-somente , demonstra a sua aptidão e preparo para o desempenho responsável da magistratura, não o contrário. Em resposta às perguntas jornalísticas, ao expressar posições doutrinárias, o Juiz Edevaldo de Medeiros assinalou a sua reverência à Constituição, associada à crença no papel do STF na conservação das disposições constitucionais; deplorou a subversão que indiferencia e confunde os papéis do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia nas chamadas “operações”, clamando pelo resgate da essencialidade da atuação judicial, de modo a distanciá-la das deformações inerentes à midiatização excessiva das apurações criminais; e criticou a prática de desvios que permitem a alguns magistrados assumir posturas supostamente combatentes e heróicas, frisando que essas condutas minam o pressuposto inestimável da imparcialidade judicial.

O arquivamento de tais imprecações seguramente agora mobiliza uma nova e não menos deletéria iniciativa de membros do MPF, que buscam, sem qualquer escrúpulo, estigmatizar a atuação jurisdicional sempre reverente à lei e à Constituição de um juiz honesto, com a pecha caluniosa do favorecimento indevido a réus. A onda punitivista chegou a tal ponto no Brasil que, paradoxalmente, passa a ser acossado um juiz que aplica com exatidão as normas constitucionais e legais, enquanto magistrados que usam a toga para desrespeitar a Constituição e as leis em prol de condenações a qualquer preço são objeto de exaltação delirante.

Em suma, o comportamento do Juiz Edevaldo de Medeiros, dentro e fora dos autos, longe de fazê-lo infringir a Lei Orgânica da Magistratura Nacional ou o Regimento Interno do Tribunal ao qual está vinculado, na verdade contribui para o cumprimento e a observância concreta de seus preceitos, além de simbolizar a digna resistência de tantos magistrados íntegros e conscientes de seus deveres constitucionais, ante os vilipêndios causados à profissão pelos maus e enganosos exemplos de glorificação indevida.

Ao Juiz Edevaldo de Medeiros, nesses termos, portanto, manifestamos a nossa solidariedade, seguros de que não há razão alguma a justificar essa nova e abusiva apuração de transgressão disciplinar, mas, ao contrário, sobram motivos de louvor e admiração à sua postura altiva, adequada e consciente.

29 de fevereiro de 2020.
Grupo Prerrogativas

 
 
 
 
 
23
Fev20

Moro não sofreu nenhuma punição

Talis Andrade

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No Brasil, mistérios de um golpe de Estado judicial - Parte 2

por Perry Anderson

Le Monde

 

Nesse contexto, a ação do tribunal de Curitiba correspondeu, entretanto, mais ou menos ao coquetel identificado por Singer: uma dose de zelo republicano e outra de estratégia facciosa. Quando se sobe novamente na hierarquia judiciária até o STF, as coisas mudam. Nesse caso, nem o rigor ético nem o fervor ideológico. As motivações mostraram-se bem mais sórdidas3.

Ao contrário de seus equivalentes em outros lugares do mundo, o Supremo brasileiro combina três funções: ele interpreta a Constituição, desempenha o papel de corte de apelação de última instância para os processos civis e criminais e, por fim, concentra a faculdade de acusar dirigentes políticos – membros do Congresso e ministros –, que desfrutam, sem ele, de uma imunidade conhecida como foro privilegiado. Os onze membros do STF são nomeados pelo Poder Executivo. Ao contrário do que se passa nos Estados Unidos, sua aprovação pelo Legislativo é apenas uma formalidade. Nenhuma experiência anterior em tribunais de justiça é requerida: basta ter atuado como advogado ou procurador.

A nomeação dos membros do Supremo sempre se baseou mais em lógicas de redes do que em afinidades ideológicas. Na equipe atual, um dos membros foi advogado de Lula, um segundo deve favores ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e um terceiro é primo do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Quando a pressão do público exigindo a destituição de Dilma chegou ao auge, oito dos onze membros do STF tinham sido escolhidos por ela e por seu antecessor. Mas, exibindo a cor política do camaleão, os juízes que deviam sua indicação ao PT procuraram precisamente salientar sua independência em relação ao partido do poder. Eles se contentaram com os fatos de substituir uma forma de obrigação de fidelidade e obediência a um soberano por outra: eles se esqueceram dos caciques do PT e obedecem, a partir de então, à mídia dominante.

Desde o início da operação, a equipe de Curitiba utilizou as divulgações e as revelações à imprensa para provocar um curto-circuito nos procedimentos normais. Antecipar a estigmatização pública de um acusado antes de seu comparecimento é normalmente proibido, mas Moro se privou dessa proibição, ainda mais porque podia contar com os jornalistas para pressionar o Supremo. Quando um dos juízes da instituição o informou de que o princípio do habeas corpus exigia que ele libertasse um diretor da Petrobras, Moro procurou a imprensa e declarou que, nesse caso, precisaria libertar também traficantes de drogas. Seu superior voltou atrás. Após ter infringido três normas, incluindo as escutas telefônicas e o fato de tornar pública a conversa entre Lula e Dilma, o juiz Moro se justificou afirmando que tinha agido por “interesse público”. Celebrado como um herói nacional pela imprensa, não sofreu nenhuma repreensão.

Poucos dias depois de sua eleição para presidente, em outubro de 2018, Jair Bolsonaro anunciou que Moro havia aceitado o cargo de ministro da Justiça. Nos anos 1990, os magistrados italianos responsáveis pela Operação Mani Pulite lamentaram que seus esforços para lutar contra a corrupção tinham favorecido a subida de Silvio Berlusconi ao poder. No Brasil, a estrela da Lava Jato se alegra de fazer parte da equipe de um dos raros dirigentes políticos suscetíveis de fazer que Berlusconi seja visto como um personagem simpático.

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Perry Anderson é historiador e professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Uma versão deste artigo foi publicada pela London Review of Books (7 fev. 2019).
 

1 Ler Anne Vigna, “Les Brésiliens aussi ont leur Bouygues” [Os brasileiros também têm seus Bouygues], Le Monde Diplomatique, out. 2013.
2 A esta primeira pena se acrescenta uma segunda, também de doze anos, pronunciada em fevereiro de 2019. (Nota da redação.)
3 Desde 9 de junho de 2019, o site norte-americano de notícias The Interceptrevela uma série de mensagens criptografadas do juiz Moro que comprovam que ele manipulou a Operação Lava Jato para fins políticos. (Nota da redação.)

18
Fev20

Bolsonaro, o difamador, tem de responder pelo seu crime

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Aguarda-se a providência devida para a representação contra o sr. Jair Bolsonaro pelo crime de difamação – artigo 149 do Código Penal: “Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa – em razão do espetáculo sórdido que protagonizou hoje.

Patricia Campos Mello, a jornalista profissional atingida pelo coice presidencial, deve representar à Procuradoria Geral da República que, nos termos de decisão do Supremo Tribunal Federal (Súmula 714) tem competência concorrente à do ofendido para promover denúncia judicial junto ao Supremo Tribunal Federal.

Entidades nacionais – e qualquer um do povo – podem também representar contra o presidente da República, nos termos do Art. 14, combinado com o Artigo 9°, item 7, da Lei 1.079/50, que cuida do impeachment do chefe de Estado quando este “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo.”

Neste caso, a denúncia é apresentada ao Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que designará comissão para examiná-la em dez dias e submeterá seu parecer ao Plenário, após a eventual contestação.

Este é o caminho – infelizmente, o da bofetada num poltrão que fala assim de uma mulher, anda interditado politicamente, embora eu ache que um tapa dado nestas circunstância deveria ter excludente de ilicitude – do mínimo que se pode esperar diante do que aconteceu.

Não é só a decência, o decoro, as maneiras civilizadas que foram violados. Foi a lei.

O cidadão que ocupa a presidência cometeu um crime e, como qualquer um, deve responder por ele.

Foi com a indulgência com este comportamento que ele chegou ao Planalto e, pior, fez parte significativa da população acreditar que é possível atentar – por enquanto com palavras – contra a honra, a liberdade e a democracia.

A não ser que a lei agora seja, mais que morta, letra sepultada, é isso o que terá de ocorrer.

 

13
Fev20

850 mulheres jornalistas repudiam ataques à repórter Patrícia Campos Mello

Talis Andrade

 

Violences sexistes. Et les médias? 1Por Tiago Angelo

ConJur

Cerca de 850 mulheres jornalistas assinaram nesta quarta-feira (12/2) um manifesto repudiando os ataques sofridos pela jornalista da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello. Durante CPMI das Fake News, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da Yacows, disse que a profissional teria feito insinuações sexuais para conseguir informações para uma reportagem. 

Patrícia Campos Mello foi a responsável por revelar que empresas estavam enviando mensagens em massa pelo WhatsApp durante as eleições de 2018. Entre as empresas envolvidas na prática, que é ilegal, está justamente a Yacows.

Em reportagem, Patrícia Campos Mello mostrou que empresas usavam WhatsApp para disparo de mensagens em massa

 

A carta foi idealizada por Vera Magalhães, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. O documento foi assinado por jornalistas dos principais veículos de comunicação do Brasil, entre elas, Miriam Leitão, Mônica Bergamo e Bela Megale. 

"Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações", afirma o manifesto.

Ainda segundo o documento, "é inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como WhatsApp para disseminar fake news". 

As declarações feitas pelo ex-funcionário da Yacows ocorreram nesta terça-feira (11/2). "Quando eu cheguei na Folha de S. Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?", disse Hans no Congresso.

Em uma extensa reportagem, a Folha desmentiu ponto a ponto as alegações do depoente, inclusive a de que a repórter teria feito insinuações. De acordo com a matéria, o ex-funcionário é que teria convidado Patrícia para um show. A repórter, no entanto, ignorou a mensagem. 

Em nota divulgada pela Folha, a advogada Taís Gasparian, que defende o jornal, disse que cabe reparação à jornalista pelas declarações. "A ilação de que a jornalista teria sugerido a troca de matéria por sexo causa danos a ela, não apenas porque se trataria de um desvio de natureza ética da profissão como também por atingir sua condição feminina", diz Gasparian. 

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou os ataques contra Patrícia Campos Mello e criticou o deputado Eduardo Bolsonaro, que endossou as alegações feitas por Hans. 

“É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia”.

Leia a íntegra da carta assinadas por mulheres profissionais da imprensa

Manifesto em repúdio aos ataques à jornalista Patricia Campos Mello
Nós, jornalistas abaixo assinadas, repudiamos os ataques sórdidos e mentirosos proferidos em depoimento à CPMI das Fake News por Hans River, ex-funcionário da empresa Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens de WhatsApp, à jornalista da Folha de S.Paulo Patricia Campos Mello

Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações. 

É inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como WhatsApp para disseminar fake news.

Nós, jornalistas e mulheres de diferentes veículos, repudiamos com veemência este ataque que não é só à Patricia Campos Mello, mas a todas as mulheres e ao nosso direito de trabalhar e informar.  Não vamos admitir que se tente calar vozes femininas disseminando mentiras e propagando antigos e odiosos estigmas de cunho machista. 

Clique aqui para ler o manifesto

 

 

28
Ago19

Monstros: o deboche da Lava Jato com o luto de Lula. Assista

Talis Andrade

safado lula diz procurador de alma sebosa.png

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por Fernando Brito

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Embrulha o estômago ler a leva de mensagens trocada pelo Telegram entre os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato, obtida pelo The Intercept Brasil e publicada pelo UOL.

Sem o menor decoro ou humanidade, ironizam a morte de Marisa Leticia e o luto de Lula com manifestações desrespeitosas e sórdidas, dizendo que o ex-presidente “está liberado para a gandaia”, que o “aneurisma é suspeito”, que se estão “eliminando testemunhas” e outras cretinices do gênero.

O festim mórbido seguiu, tempos depois, com Lula já preso, quando reclamavam de seu pedido para ir ao enterro do irmão Genival da Silva, o Vavá, e do neto Arthur, de apenas sete anos, que morreu por meningite.

Leia a matéria – está aberta no UOL – e assista o resumo, em vídeo, abaixo, que já é o suficiente para indignar e enojar qualquer pessoa com espírito humano.

Está explicada a razão do ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima ter dito ontem que Jair Bolsonaro era “o candidato natural” da Força Tarefa: são iguais na sordidez.

A menos que a Justiça Brasileira queira perder a pequena credibilidade que lhe resta, não há como estes sujeitos não serem punidos por seu comportamento monstruoso.

PS. Mantenho o texto e o link do vídeo publicado pelo UOL no Twitter e inexplicadamente retirado da rede. Vou recuperar e trazer aos leitores.

 

UOL@UOL
 

EXCLUSIVO: Procuradores da Lava Jato ironizaram morte de Marisa e luto de Lula. Segundo mensagens analisadas pelo @theinterceptbr em parceria com o @uolnoticias, procuradores ainda divergiram sobre pedido de Lula para ir ao enterro do irmão

Vídeo incorporado
 
 
 
27
Ago19

Novos diálogos revelam a podridão humana dos carrascos da Lava Jato

Talis Andrade

Ustra fez escola

na magistratura

Talis Andrade

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por RIcardo Kotscho

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Deltan Dallagnol – Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal.

Januário Paludo– Estão eliminando as testemunhas…

Nova leva de diálogos entre procuradores da Lava Jato revelados nesta terça-feira pelo The Intercept, em parceria com o UOL, no qual comentam as mortes de Marisa, mulher de Lula, do irmão Vavá e do neto Arthur, são de dar náuseas até em bolsonaros da vida, tamanha a desumanidade e a sordidez dos interlocutores.

Confesso que me senti mal e custei a começar a escrever, depois de ler este material, que mostra até onde pode chegar a degeneração humana de agentes do Estado, que se uniram em Curitiba para colocar Lula na cadeia e Bolsonaro no Palácio do Planalto.

Destaca-se, no conjunto das boçalidades, a procuradora Laura Tessler, debochando da dor da família do ex-presidente.

“Só falta dizer que a Lava Jato implantou 10 anos atrás um aneurisma na cabeça da mulher… Milhares de pessoas morrem de AVC no mundo… Isso faz parte do mundo real e pronto”.

Em outro trecho, Tessler mostra que tipo de gente trabalha no MPF em Curitiba:

“Ridículo… Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão… ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula”.

Em seguida, seu chefe Deltan Dallagnol, o grande palestreiro da Lava Jato, desmascarado pelo The Intercept, fala sobre Lula:

“Bobagem total, ninguém mais dá ouvidos a esse cara”.

Ao saber da morte de Vavá, o coordenador da Lava Jato escreveu no grupo “Filhos de Januário” formado pelos procuradores:

“Ele vai pedir para ir ao enterro. Se for, será um tumulto imenso”.

Entra na conversa o procurador Athayde Ribeiro da Costa:

“Acho que tem que autorizar a saída. Ou, como disse um de nós, leva o morto lá na PF”.

Januário Paludo dá o tom de como Lula era tratado pelos carrascos da Lava Jato:

“O safado só queria passear”.

Quando morreu Arthur, o neto de sete anos de Lula, Roberson Pozzobon ironizou a reação de Lula no velório abraçado aos parentes:

“É tudo uma estratégia para se humanizar, como se isso fosse possível no caso dele”.

Impossível é acreditar que esse Pozzobon e os demais procuradores façam parte da elite do Ministério Público Federal que a mídia transformou em heróis nacionais do combate à corrupção.

Estes jamais poderão ser humanizados pois nem parecem seres humanos dotados de um mínimo de empatia e compaixão.

Lula não foi tratado na Lava Jato como réu em um processo no qual foi condenado sem provas.

Foi tratado como inimigo a ser abatido, junto com a sua família, para no fim levar o ex-juiz Sergio Moro ao Ministério da Justiça e abrir caminho à demolição da economia e do sistema político do país e entregá-lo de mãos beijadas nas mãos a um pau mandado de escusos interesses nacionais e estrangeiros.

De todos os diálogos já revelados, estes são certamente os mais cruéis, os mais escabrosos.

Este é apenas um breve resumo. Tem muito mais na matéria publicada hoje pelo UOL sem grande destaque.

O que o Supremo Tribunal Federal ainda está esperando para afastar todos estes procuradores do serviço público e anular todos os processos dos quais participaram?

No Estado de Direito, a polícia investiga, promotores acusam e juízes julgam, mas na República da Lava Jato todos se uniram e foram cúmplices da maior farsa judicial da nossa história.

E Lula continua preso, há mais de 500 dias, numa cela solitária na Polícia Federal de Curitiba, enquanto o país se desintegra, agora tratado pela comunidade internacional como um pária desgovernado.

Vida que segue.

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27
Ago19

O sadismo dos procuradores

Talis Andrade

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por Ricardo Mezavila

___

As últimas revelações do The Intercept BR em parceria com UOL Notícias, sinalizam que os Procuradores da Lava Jato cometeram muito mais do que os crimes já revelados. Foram sádicos e irônicos com a dor do ex-presidente Lula nos episódios da morte de sua esposa Marisa Letícia, seu irmão Vavá e seu neto Arthur

O Procurador Deltan Dallagnol comparou dona Marisa com um vegetal: “Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal”.A Procuradora Laura Tessler foi impiedosa com os sentimentos do Lula: “Quem for fazer a próxima audiência do Lula, é bom que vá com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização”. O Procurador Antônio Carlos Welter disse que "a morte da Marisa fez uma mártir petista e ainda liberou ele pra gandaia sem culpa ou consequência política".

Lula já estava preso em Curitiba quando teve o pedido negado para participar do velório do seu irmão. O Procurador Januário Paludo disse que “o safado só queria passear”. Quando seu neto Arthur morreu um Procurador de apelido Roberson MPF disse que “estratégia para se humanizar, como se isso fosse possível no caso dele rsrsrs”. Lula foi ao velório de Arthur com enorme aparato policial.

O prazer mórbido, a capacidade dos procuradores em sentir prazer com o sofrimento do ex-Presidente é um distúrbio psicológico e mostra a degradação moral e ética de suas atividades na condução e no propósito da Lava Jato. A liberdade de Lula, quando vier, vai trazer à superfície uma horda de gente sórdida, vil e infeliz, que se alimenta da tristeza e do fracasso do outro. Vincit omnia veritas!

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