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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

23
Mar21

Exclusivo: Dallagnol comprou apartamento de luxo por valor abaixo do de mercado

Talis Andrade

Apartamento do Dallagnol (Foto:Thiago Monteiro)

Apartamento do Dallagnol

O apartamento era da tia do também procurador Diogo Castor de Mattos. Segundo a escritura, Dallagnol teria pago R$ 1,8 milhão. Dois anos antes, apartamento no mesmo prédio tinha sido vendido por R$ 2,37 milhões, informa Joaquim de Carvalho

 

Por Joaquim de Carvalho /247

O procurador da república Deltan Dallagnol comprou em setembro de 2018 apartamento que ocupa um andar inteiro na rua Manoel Eufrásio, 235, em área nobre de Curitiba, o bairro Juvevê, que tem um dos metros quadrados mais caros da cidade.

A escritura, registrada no 8º Tabelionato de Notas de Curitiba, informa que Dallagnol pagou R$ 1,8 milhão pelo imóvel, em duas parcelas. A primeira foi de R$ 750 mil. A segunda foi quitada três meses depois, no valor de R$ 1,05 milhão.

O imóvel ocupa todo o terceiro andar do Plymouth Hill’s, com área construída privativa de 393 metros quadrados, mais áreas comuns e três vagas na garagem que totalizam quase 600 metros quadrados.

Um imóvel no mesmo condomínio está sendo vendido hoje — dois anos e seis meses após a compra feita por Dallagnol — por R$ 3,1 milhões.

O apartamento que fica um andar abaixo do de Dallagnol, o 241, foi vendido dois anos e três meses antes, em junho de 2017, por R$ 2,375 milhões.

Os dois valores indicam que Deltan Dallagnol pagou um preço abaixo do de mercado, o que pode revelar subfaturamento, que ocorre quando o comprador não pode justificar receita para a compra ou o vendedor quer sonegar impostos.

Apartamento do Dallagnol (Foto: Reprodução)
Anúncio de apartamento à venda no mesmo condomínio de Deltan Dallagnol

 

Os apartamentos do Plymouth Hill’s tem quatro vagas na garagem, vista panorâmica, com hall de entrada, lavabo, escritório, living para três ambientes, sala, varanda ampla, sala de jantar, sala íntima com lareira, espaço gourmet com churrasqueira, quatro quartos (duas suítes), lavanderia e “dependência completa para empregada”. 

O imóvel igual ao de Dallagnol que está hoje à venda informa que o padrão do condomínio é “Hugo Peretti”.

Dallagnol, que é casado com Fernanda Murão Ribeiro Dallagnol, advogada, comprou o imóvel da Ebel Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda, uma empresa de Curitiba que não tem site nem telefone de contato.

Suas proprietárias são Thereza Elizabeth Bettega Castor e duas filhas, Carolina e Adriana. Thereza é tia do procurador Diogo Castor de Mattos, que foi estagiário de Deltan Dallagnol dois anos antes de assumir uma vaga no Ministério Público Federal e integrar a Lava Jato, como uma de suas primeiras atribuições.

Thereza é viúva de Belmiro Valverde Jobim Castor, irmão de Cristina Jobim Castor, mãe de Diogo. Belmiro foi secretário de Estado em três governos do Paraná e também integrou a diretoria do Bamerindus.

Em ações na Justiça, uma das advogadas que defende Thereza é Analice Castor de Mattos, irmã de Diogo e sócia do escritório de advocacia Delivar de Mattos & Castor, que representou diversos clientes que celebraram acordo de delação premiada com a Lava Jato, inclusive o casal João Santana e Mônica Moura. 

Em 2017, Moro chegou a liberar R$ 10 milhões da conta do casal para, entre outras despesas, pagar honorários advocatícios. O dinheiro não foi liberado naquele momento porque a Procuradoria da Fazenda Nacional interveio e lembrou ao magistrado que os créditos fiscais tinham precedência sobre os honorários dos advogados.

Em 2019, Diogo Castor de Mattos foi afastado da Lava Jato após ser flagrado em uma atitude ilegal.

Ele assumiu que pagou por outdoor com elogios a si próprio e a outros integrantes da Lava Jato, mas ocultou o pagamento. 

Na empresa que instalou o painel, a Outdoormídia, aparece indevidamente o nome de João Carlos Queiroz Barbosa como contratante.

João Carlos, que é músico e professor e se mudou de Pernambuco para o Paraná há alguns anos, denunciou o caso à Polícia e à corregedoria do Ministério Público Federal. Ele mora na periferia de Curitiba.

“Usaram o meu nome, talvez porque eu seja do Nordeste e acharam que eu não ia saber ou reclamar”, disse ao Brasil 247 João Carlos, que é conhecido como JC Batera.

As mensagens acessadas pelo hacker Walter Delgatti Neto mostram Deltan Dallagnol acobertou o caso, juntamente com o corregedor-geral do Ministério Público Federal da época, Oswaldo Barbosa.

Castor de Mattos pediu afastamento da Lava Jato na sequência, sob alegação que estava se submetendo a tratamento psiquiátrico — ao que tudo indica, uma desculpa para ocultar a real motivo.

Quando as mensagens foram divulgadas e JC Batera denunciou o uso indevido de seu nome, o caso foi reaberto na Corregedoria, que reconheceu o crime de falsidade ideológica, mas disse não poder punir Castor de Mattos em razão da prescrição.

O Conselho Nacional do Ministério Público abriu processo administrativo que pode resultar na demissão de Castor de Mattos — o corregedor do CNMP recomendou três meses de suspensão.

A imagem da Lava Jato nem de longe é a mesma de setembro de 2018, quando Dallagnol comprou o imóvel.

Ele ainda demorou alguns meses para se mudar com a família, já que esperou pela conclusão da reforma contratada junto a um escritório de arquitetura de Curitiba.

Naquela época, o Brasil já afundava na crise econômica, e Deltan exibia sinais de prosperidade. Para comprar o imóvel e fazer a reforma, não precisou nem vender o apartamento padrão Minha Casa Minha Vida que adquiriu em Ponta Grossa em 2013.

Ele comprou duas unidades, na planta, de um programa destinado a pessoas de classe média baixa. Pagou cerca de R$ 80 mil. 

O imóvel vale hoje cerca R$ 180 mil, e está vazio, embora seja grande a demanda por residência na região, por se encontrar a 400 metros de uma universidade pública.

Fechado, o apartamento serve à especulação.

O procurador Deltan Dallagnol foi procurado por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público Federal, a quem enviei o seguinte texto:

O procurador da república Deltan Dallagnol comprou apartamento na rua Manoel Eufrásio, 235, Curitiba, conforme escritura lavrada no 8o. Tabelionato de Notas da cidade, em 6/09/2018. Ele teria pago R$ 1,8 milhão pelo apartamento, bem abaixo do valor de mercado. Consulta a uma imobiliária dá conta de que um imóvel no mesmo condomínio está sendo vendido hoje a R$ 3,1 milhões. Também soa estranho que a vendedora do imóvel seja uma empresa que tem como titular a tia do também procurador Diogo Castor de Mattos. 

Pergunto: 1) O MPF tem conhecimento dessa transação imobiliária? 2) Se tem conhecimento, está investigando? 3) O que o procurador Deltan Dallagnol tem a dizer sobre essa compra? 4) Ele daria entrevista? 5) Deltan Dallagnol só mudou para o apartamento depois de concluída reforma contratada por ele mesmo. Ele próprio teria pago pela reforma. Quanto custou? 6) De onde vieram recursos para a compra e reforma de um apartamento de alto padrão? Com o salário de procurador, é possível fazer essa compra? Observação: Para comprar o apartamento e fazer a reforma, ele nem precisou vender uma das duas unidades do Minha Casa Minha Vida que adquiriu em 2013 e que se encontra fechada. Como vou mencionar que ele tem essa propriedade, pergunto: comprar imóvel (destinado a pessoas de classe média baixa) e deixar fechado por tanto tempo não pode ser considerada especulação imobiliária?

Seguem as respostas do procurador:

“1.   O apartamento adquirido pelo procurador e sua esposa em 2018 custou R$ 1.800.000,00, valor absolutamente compatível com a idade e estado de conservação do apartamento (da década de 90), com os anúncios de venda da época em patamar bastante inferior ao atual, com o andar baixo, com sua baixíssima liquidez, com o fato de estar há vários anos anunciado para venda sem que tenham surgido outros compradores e com o fato de que, dos 28 apartamentos do edifício, nove estavam à venda, vários anunciados há bastante tempo. Para os anúncios à época, não surgiam compradores, o que permitiu a aceitação da proposta feita, com pagamento de valor significativo à vista. Negociação em patamar semelhante à do negócio feito foi iniciada com os donos dos vários apartamentos do mesmo prédio naquele ano, em paralelo.

2.   O valor da venda foi também totalmente compatível com o preço de mercado de imóveis similares da região, com idade e estado de conservação semelhantes. Assim, por exemplo, o preço de metro quadrado pago foi superior ao preço de dois apartamentos vendidos na mesma época no edifício Michelângelo (por cerca R$ 4.400,00 por metro quadrado), situado na mesma região e com características semelhantes, embora aquele outro prédio (Michelângelo) tenha área compartilhada mais ampla, com mais utilidades e benfeitorias.

3.   O valor do apartamento adquirido, assim como da reforma feita, é plenamente compatível com o patrimônio e a renda do procurador, que tem dezoito anos de serviço público como procurador da república, e de sua esposa. Diversos procuradores e juízes, aliás, têm imóveis de valor semelhante ou maior. Os vencimentos do procurador são publicados no portal da transparência e pode-se facilmente constatar sua compatibilidade com a aquisição da moradia. Se o apartamento tivesse valor maior do que as condições dos adquirentes – o que não era o caso -, poderia ter sido financiado.

4.   O procurador Deltan Dallagnol e sua esposa adquiriram o apartamento com recursos próprios, oriundos do patrimônio, do salário e da renda sua e de sua esposa, que incluem a venda de dois imóveis anteriores, tudo declarado em imposto de renda. De fato, para a aquisição, Deltan Dallagnol e sua esposa venderam seu imóvel anterior por R$ 980 mil, e um segundo imóvel por R$ 117.700.

5.   O procurador comprou há muitos anos, à vista, dois apartamentos localizados em Ponta Grossa, que estavam disponíveis para venda pela construtora FMM, sem qualquer tipo de restrição. A compra aconteceu à vista, ou seja, não houve financiamento pelo programa Minha Casa Minha Vida ou de qualquer outro tipo. O procurador não recebeu qualquer informação, quando da compra, sobre o modo como se deu a construção, isto é, se a construtora efetuou a construção dos imóveis com recursos próprios ou mediante financiamento. As operações foram declaradas em imposto de renda e plenamente legais.

6.   O procurador Deltan Dallagnol repudia tentativas espúrias de lançar dúvidas levianas sobre negócios privados absolutamente lícitos e regulares, bem como de invadir e expor a intimidade de sua família por meio de drones com câmeras utilizados pela reportagem."

.x.x.x.x.

A compra do apartamento de luxo por Deltan Dallagnol foi descoberta na apuração do documentário sobre o hacker Walter Delgatti Neto e a verdade sobre a Lava Jato. O documentário contará esta e outras histórias inéditas.

26
Nov20

Moro e a defesa de um corrupto

Talis Andrade

Lula ao STF: Moro usou processo para interferir na eleição e ganhar cargo - TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

 

Por Cristina Serra

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Ex-ministro da Justiça foi contratado por bilionário israelense acusado de corrupção, sonegação e lavagem de dinheiro

Deve-se ao repórter Rafael Neves, do site The Intercept, a informação de que Sergio Moro foi contratado pelo bilionário israelense da mineração Benjamin Steinmetz. A encomenda para Moro é um parecer jurídico a ser usado pela defesa do empresário, na Justiça britânica, numa disputa contra a brasileira Vale, de quem já foi sócio na Guiné.

O bilionário é acusado de ter corrompido o governo do país africano para obter uma licença de exploração de minério de ferro. Steinmetz também é alvo da Justiça na Suíça (onde já esteve preso), nos Estados Unidos e em Serra Leoa por suspeita de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, violações de direitos humanos e à legislação ambiental. Ele nega os crimes.

Discretamente, Moro tenta se reconstruir como advogado e recompor o caixa, enquanto se articula para 2022. Como mostrou a série Vaza Jato, do atento The Intercept, ele encarnou a figura do juiz-acusador à frente da Operação Lava Jato, que comandou por mais de quatro anos.

O juiz agiu como parceiro do Ministério Público, desequilibrando a condução da operação do ponto de vista jurídico. Sua máquina de vazamentos seletivos de delações comprometeu a isenção da cobertura jornalística, contribuiu para a demonização da atividade política e abriu caminho, na eleição de 2018, para a ascensão da extrema direita que defende a tortura.

Moro aceitou alegremente ser ministro de Bolsonaro sem ter manifestado incômodo com as graves evidências de ligação da família do chefe com rachadinhas e milicianos. Defendeu política de segurança autoritária e só deixou o governo após ter sido moído por Bolsonaro na disputa pelo controle da Polícia Federal, a joia da coroa do ministério da Justiça.

Para 2022, a variante do bolsonarismo tenta se apresentar com a fantasia do centro político equidistante dos “extremos”. O projeto conta com a lerdeza da Segunda Turma do STF, que não faz o menor esforço para concluir julgamento do pedido de suspeição de Moro como juiz na Lava Jato.

A farsa de Moro está nos autos; a alma, no Telegram | Jornal Alto Vale  Online

21
Nov20

Moro trabalha para bilionário investigado por corrupção

Talis Andrade

 

247 - Ex-juiz da Lava Jato, ex-ministro de Jair Bolsonaro e suposto símbolo de combate à corrupção, Sergio Moro está trabalhando para um bilionário de Israel investigado por suspeitas de corromper governantes, lavar dinheiro, sonegar impostos e violar direitos humanos e leis ambientais, de acordo com revelação do site Intercept Brasil.Beny Steinmetz in court, Monday 14, 2017.

Benjamin "Beny" Steinmetz, cliente de Moro, atua na área de mineração e já foi preso na Suíça e Israel e investigado pelo FBI. 

O serviço de Moro, requisitado pelo próprio bilionário, consiste na elaboração de um parecer jurídico, que, segundo o Intercept, trata-se de "um diagnóstico sobre uma questão legal ou do direito, das provas existentes num caso e das leis sob as quais ele será avaliado". O parecer elaborado por Moro lhe renderá R$ 750 mil.

 

28
Set20

Por anos, Trump praticamente não pagou impostos

Talis Andrade

Máscaras de Halloween com o rosto de Trump estão entre os diversos souvenirs inspirados em Donald Trump

 

DW - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, praticamente não pagou imposto de renda durante pelo menos dez anos nas últimas duas décadas, revelou o jornal The New York Times neste domingo (17/09). Em 2016, por exemplo, ano em que foi eleito, o magnata desembolsou apenas 750 dólares em taxas. No ano seguinte, seu primeiro à frente da Casa Branca, desembolsou a mesma quantia.

A revelação joga luz sobre um aspecto obscuro da trajetória de Trump, a pouco mais de um mês das eleições. Trump é o único presidente da história recente americana que não tornou públicas suas declarações fiscais.

O histórico do imposto de renda de Trump está no centro de uma batalha jurídica entre a Casa Branca e o Congresso – responsável por supervisionar essas informações. Desde 2016, o então candidato e agora presidente leva à Justiça todos aqueles que tentam ter acesso às suas declarações.

"Trump não pagou nenhum imposto sobre rendimentos em dez dos 15 anos anteriores [a 2016], em grande parte porque reportou [às autoridades fiscais] ter perdido mais dinheiro do que ganhou", escreveu o New York Times.

Segundo o jornal, as declarações de imposto de Trump contam uma história diferente da que ele vendeu ao povo americano. Seus relatórios para o fisco retratam um empresário que recebe centenas de milhões de dólares por ano e ainda assim acumula perdas crônicas, usadas por ele, por sua vez, para evitar o pagamento de impostos.

Agora, continua o diário, seus desafios financeiros estão crescendo. E os registros mostram que ele depende cada vez mais de fazer dinheiro com empresas que o colocam em potencial e muitas vezes em conflito direto de interesses com seu trabalho como presidente.

A revelação faz parte da primeira reportagem de uma série prometida pelo jornal nova-iorquino. O New York Times obteve informações fiscais relativas a mais de 20 anos de Trump e das centenas de empresas que compõem o seu conglomerado

Isso inclui informações detalhadas sobre os seus dois primeiros anos de mandato. As suas declarações de rendimentos de 2018 ou 2019, porém, não estão inseridas neste primeiro texto, segundo os autores da investigação, que prometem mais revelações nos próximos dias.

Em pronunciamento à imprensa ainda no domingo, Trump rejeitou as revelações do jornal e classificou o trabalho dos repórteres como "fake news". Sem dar detalhes, ele garantiu ter pago impostos no período abordado pela reportagem. 

O presidente americano prometeu que as informações sobre os seus impostos "serão todas reveladas", mas não deu data para isso. Em 2016, ele havia prometido o mesmo durante a campanha, sem nunca ter cumprido.

Desde 1970, todos os antecessores de Trump divulgaram suas declarações fiscais. A falta de transparência do atual presidente alimenta especulação sobre a real extensão da sua fortuna ou potenciais conflitos de interesses.

"Essas revelações mostram por que os cidadãos quererem conhecer as finanças do seu presidente: os negócios de Trump parecem ter se beneficiado da sua posição, e suas 'holdings' abrangentes criaram potenciais conflitos entre os seus interesses financeiros e os interesses diplomáticos da nação", escreveu, em editorial, Dean Baquet, diretor-executivo do jornal.

A divulgação da investigação do New York Times ocorreu dois dias antes de Trump e o democrata Joe Biden se enfrentarem no primeiro debate antes das eleições presidenciais, marcadas para 3 de novembro. 

 

16
Jun20

ABI: ameaça do ministro da Justiça contra Aroeira e Noblat é estarrecedora

Talis Andrade

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A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) condenou o ataque do governo Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, 15, à liberdade de expressão do jornalista Ricardo Noblat e do cartunista Renato Aroeira por conta de uma charge que relaciona Jair Bolsonaro à suástica nazista

"É estarrecedor que o ministro da Justiça, André Luiz Mendonça, anuncie a abertura de um inquérito policial contra o chargista Aroeira e o colunista Ricardo Noblat, devido a uma ilustração criada pelo primeiro e reproduzida pelo segundo, associando Bolsonaro ao nazismo", afirma a ABI em nota assinada pelo presidente, Paulo Jerônimo. 

"No entanto, as ameaças não calarão os defensores da liberdade de imprensa e da democracia. Aroeira e Noblat têm, neste momento, a defesa incondicional da ABI", diz o texto. 

Nota da ABI

14
Mai19

Concessão de empréstimos públicos e sonegação de impostos promoveram a expansão da rede de lojas Havan

Talis Andrade

Justiça nega apelação de dono da Havan contra o Extra Classe

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por Gilson Camargo

 

Ação por danos morais contra reportagem que denuncia empresário Luciano Hang por sonegação é improcedente, concluem desembargadores

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A 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul negou por unanimidade uma apelação do empresário catarinense Luciano Hang, dono da rede de varejo Havan, em ação indenizatória ajuizada contra o jornal Extra Classe e o portal extraclasse.org.br – publicações do Sinpro/RS – em virtude de matéria publicada pelo veículo em que o empresário foi denunciado por promover a expansão de sua rede de lojas à custa de dinheiro público e sonegação. Na sentença proferida no dia 25 de abril, os desembargadores do TJRS negaram provimento à apelação e condenaram o empresário ao pagamento de parte dos custos do processo. A decisão confirma a sentença de primeira instância da 12ª Vara Cível do Foro de Porto Alegre, que em setembro de 2018 já havia julgado improcedentes as alegações do empresário.

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Aeromito de Luciano 

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A ação por danos morais foi motivada pela reportagem Havan: expansão com dinheiro público e sonegação, assinada pelo jornalista Flávio Ilha, publicada em 6 de fevereiro de 2018. Ao negar a apelação, o desembargador-relator Jorge Alberto Schreiner Pestana concluiu que jornal e o portal não cometeram erros nem se excederam no direito de informar ao publicar reportagem vinculando a expansão da rede de lojas Havan à concessão de empréstimos públicos e à sonegação de impostos. “Notícias que, analisadas no contexto em que apresentadas, deram-se no exercício da liberdade de expressão, pois amparadas em retratos da realidade, visto ser de acesso público os dados que indicam que o grupo Havan valeu-se de empréstimo do Bndes, bem como a existência de condenação em 2º Grau de jurisdição por fatos que envolviam sonegação fiscal (embora tenha sido reconhecida a prescrição penal pelo STF)”, conclui o acórdão.

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Anunciando uma nova loja

 

14
Mai19

Expansão com dinheiro público e sonegação: a história da Havan

Talis Andrade

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POR FLÁVIO ILHA


O empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, realizou, entre abril de 2005 e outubro de 2014, 50 empréstimos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a expansão de suas atividades comerciais no país, que resultaram na abertura de quase 100 lojas em 13 estados do Brasil. No total, os empréstimos, com prazos de pagamento entre 60 meses (cinco anos) e 48 meses (quatro anos), totalizaram R$ 20,6 milhões.


Na semana passada, o empresário declarou à imprensa de Porto Alegre, durante o anúncio de investimentos de quase R$ 2 bilhões no Estado, que nunca teve nenhum contrato aprovado com o banco estatal e que não usa incentivos oficiais em seus negócios. “Eu não tenho nenhum empréstimo do BNDES. Lamentavelmente, durante os últimos anos, os bons empreendedores não conseguiram os empréstimos que precisavam para se desenvolver. Não é pecado pegar dinheiro do BNDES, quero deixar bem claro, mas eu não pego dinheiro. O dinheiro da Havan é do próprio investimento da empresa, é o retorno do que nós fizemos e dos meus parceiros privados, de bancos como Santander, Itaú, Bradesco e Safra”, disse Hang à uma rádio de Porto Alegre.


Na última quinta-feira de janeiro, 31, o empresário garantiu investimentos de R$ 1,5 bilhão no Rio Grande do Sul na implantação de pelo menos 50 megalojas e de R$ 400 milhões em hidrelétricas e voltou a declarar que não quer incentivos fiscais para se instalar no Estado, nem mesmo outros incentivos governamentais. “Não quero nem terreno para abrir lojas”, disse em cerimônia no Palácio Piratini. Entre as cidades especuladas para instalar suas lojas estão Porto Alegre, Santa Maria, Passo Fundo e Canela. Segundo ele, vai depender de alguns critérios, como a possibilidade de as lojas funcionarem em finais de semana e feriados.


A rede de lojas com origem em Brusque (SC) começou um processo acelerado de expansão a partir de 2011, quando apenas nesse ano abriu 15 lojas em Santa Catarina e no Paraná – até então, a rede tinha apenas 24 unidades distribuídas nos dois estados. Foi justamente em 2011 que a empresa registrou o maior volume de contratos de empréstimo junto ao BNDES – 19 no total, praticamente o mesmo número de novos pontos de venda. Os contratos somaram R$ 1.791.071,02

 

Fraude e condenação


A planilha do BNDES a que a reportagem do Extra Classe teve acesso mostra exatamente o contrário. Além de tomar empréstimos no atacado, numa média de cinco por ano, a maioria dos contratos firmados pela Havan Lojas de Departamentos Ltda junto ao BNDES foi na modalidade Finame, que se destina à aquisição de máquinas e equipamentos nacionais para financiar produção industrial. A modalidade, segundo as regras do banco, não se ajusta a empresas de varejo.


As taxas de juros dos empréstimos, além disso, variaram entre 3,1% e 8,7% ao ano – um “papagaio” em bancos comerciais, para pessoas jurídicas, costuma custar pelo menos três vezes mais. Todos os empréstimos foram repassados à Havan por bancos comerciais autorizados a operar com o BNDES. Grande parte dos repasses está concentrada em 2011 e 2012, justamente no momento em que a empresa alterou seu patamar de negócios. Hoje a rede tem 107 lojas distribuídas em 15 estados, com faturamento declarado de R$ 4,7 bilhões em 2016.

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Publicado originalmente no Jornal Extra Classe em fevereiro de 2018

 

13
Nov18

ESTAMOS VIVENCIANDO DIAS SOMBRIOS PARA O NOSSO FRÁGIL ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Talis Andrade

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por Afrânio Silva Jardim 

Não se trata de lamentar uma derrota eleitoral. Minha preocupação, após a publicação dos resultados das recentes eleições, é com a manutenção do nosso precário Estado Democrático de Direito. Estas duas semanas após o pleito eleitoral podem servir de sinal de alerta para o que pode ocorrer, no futuro, com a nossa sociedade.

 

Na verdade, mesmo os fatos que antecederam as eleições se mostravam como sintomas de futuras anormalidades em termos de preservação do que temos de democrático em nossos sistemas político e jurídico.

 

Desta forma, coloco, nesta coluna, três breves e recentes textos, onde manifesto minha perplexidade sobre a precariedade da democracia como valor essencial à nossa sociedade.

 

1 - AINDA NÃO ABSORVI ESTE TREMENDO CHOQUE !!!

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Não consigo entender como isto pode ter acontecido.

 

Pergunto: alguém sabe de algum país que, em toda a nossa história, tenha eleito para o cargo de Presidente uma pessoa que tenha declarado publicamente, de viva voz e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à eliminação de adversários ideológicos, ser favorável à atuação de grupos de extermínio e ser favorável à ditaduras militares ???

 

Alguns governantes totalitários até ordenaram ou consentiram com estas brutalidades, mas de forma escondida e dissimulada. Não foram eleitos dizendo que endossam isto !!!

 

Que povo é o nosso povo, que referenda estes atos de terror ???

 

Não podemos achar que isto é normal !!! Não podemos deixar de nos indignar !!! Não podemos pensar que isto é fato consumado ou página virada !!!


Isto terá consequências sérias e graves no futuro próximo.

 

Por isso, de forma lícita, proporcional e correta, devemos nos preparar para uma eficaz defesa dos nossos direitos e da democracia política e social.

 

Não podemos nos render ao arbítrio, caso contrário, seremos "atropelados" pela barbárie. Povo com medo é povo subjugado.

 

2 - ISTO JAMAIS OCORRERIA EM UM PAÍS VERDADEIRAMENTE CIVILIZADO !!!

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Como diz o povo: "não mais se fazem magistrados como antigamente" ...

 

1- O que faz com que um juiz aceite ser nomeado Ministro e aceite ser comandado por um Presidente da República que declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínio, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos e ser favorável a ditaduras militares ???

 

2 - Como este juiz pode se explicar aos seus antigos colegas da magistratura e da comunidade acadêmica, tendo aceitado sua nomeação como Ministro e ser comandado por um Presidente da República que declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínios, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos, e ser favorável a ditaduras militares ???

 

3 - Que legitimidade moral tem um juiz para condenar o maior líder popular do país por corrupção se ele aceitou ser nomeado Ministro e comandado por um Presidente da República que declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínios, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos, e ser favorável a ditaduras militares ???

 

4 - Como este juiz pode aceitar fazer parte de um governo em que o Presidente da República declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínios, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos, e ser favorável a ditaduras militares ???

 

5 - O que faz um juiz, que declara à imprensa de que jamais entraria na política, aceitar ser nomeado Ministro e aceitar ser comandado por um Presidente da República que declara, pública e reiteradamente, ser favorável à tortura de seres humanos, ser favorável à atuação de grupos de extermínios, ser favorável ao assassinato de seus adversários ideológicos, ser favorável à sonegação de impostos e ser favorável a ditaduras militares ???.

 

Tais declarações do truculento presidente estão todas publicadas em vídeos no Youtube e são do conhecimento do público em geral.

 

Acho que tudo isso pode ser debitado à fragilidade do ser humano, cujas vaidade e ambição são defeitos quase sem limites.

 

3 - UM JUIZ FEDERAL NA ILEGALIDADE !!!

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Embora não tenha sido exonerado do cargo de juiz federal, Sérgio Moro encontra-se em atividade política e partidária, trabalhando na formatação do novo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para tanto, faz negociações políticas, articulando-se com várias lideranças do atual governo e com vários partidos políticos. Dá entrevista à imprensa, tratando de temas políticos e de governo. Ademais, já recebe ordens do capitão eleito !!!

 

Isto é um papel adequado para um magistrado do Poder Judiciário ???

 

Todos sabem que a Constituição da República proíbe expressamente que qualquer juiz desempenhe alguma atividade política ou partidária.

 

Evidentemente que as suas férias não o eximem de cumprir a Constituição, pois ele continua no cargo de juiz federal e continua recebendo os respectivos vencimentos.

 

O mais cínico é que, para tentar contornar esta inconstitucionalidade, o juiz Sérgio Moro negociou não ser nomeado oficialmente pelo senhor Temer como membro da equipe de transição do capitão eleito.

 

Efetuará as atividades de transição de forma "clandestina" ...

 

Eles não diziam que "a lei é para todos" e que "ninguém está acima da lei"??? Talvez eles pensem que a Constituição não é lei...

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02
Out18

Mulheres contra e a favor, empolgaram o Brasil e o mundo

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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Foram passeatas admiráveis, tranquilas, sem a menor hostilidade, sem violência dos participantes ou das policias. Isso é democracia. Também não podia haver confronto, pois a superioridade das mulheres CONTRA, era esmagadora, e impressionantemente marcando a vontade CONSTRUTIVA e abafando a manifestação DESTRUTIVA.

 

A comparação dos movimentos nas grandes cidades mostra a fragilidade dos bolsonaristas. No Rio, concentração entre 150 e 200 mil, as mulheres a favor de Bolsonaro eram no máximo 10 mil, na praia da Avenida Atlântica. (O fato da Policia Militar não ter divulgado números no Brasil inteiro, foi o cumprimento de ordem superior, para preservar a impressão de que a chapa fardada não conseguira grande penetração. O que visivelmente aconteceu).

 

Outro dado relevante, inédito em qualquer eleição presidencial no Brasil: a repercussão e os comícios nos mais diversos países e grandes capitais, alem de cidades importantes. Pelo que foi noticiado nos maiores órgãos de comunicação, 66 centros de grandes populações, movimentaram cada um, milhares de pessoas e não apenas brasileiros. Londres, Nova Iorque, Lisboa, Paris, Barcelona vibraram CONTRA Bolsonaro, nenhuma a FAVOR dele.

 

A chapa fardada tentou aparecer em 16 estados, geralmente moradores distraídos e sem entusiasmo. Especialistas calcularam esses bolsonaristas, no máximo em 3 mil por cidade. A semana foi dramática para Bolsonaro, que resolveu deixar o hospital residência e voltar para casa. Podia ter fretado um avião particular, seu partido está engolfado em dinheiro, recebeu 23 milhões dos irmãos Batista bandidos da JBS. Preferiu um avião comercial, foi vaiadissimo, recebeu também alguns aplausos, a desproporção, alarmante para ele. O comandante teve que intervir, ameaçou voltar para SP. Só assim foi retomada a tranquilidade dentro do avião.

 

Mas Bolsonaro ficou decepcionado, deprimido, alarmado. Logo no inicio da semana, teve que enfrentar a tremenda e completa reportagem da SUJÍSSIMA Veja. (A revista é SUJÍSSIMA, como chamo a mais de 20 anos) mas a reportagem é indefensável, irrevogável e irrefutável. E destrói o que ele mais divulga a seu favor, a suposta honestidade. Agora totalmente destruída pela revista. E retransmitida durante 15 minutos, na integra alarmante pelo Jornal Nacional.

 

As acusações são tão graves, que advogados e juristas, não escondendo o nome, afirmam publicamente: "Com essas denuncias, Bolsonaro pode ser processado por infidelidade ideológica e sonegação". E não apenas isso.

 

Bolsonaro se sentiu tão detratado e tão abalado que mudou completamente a afirmação-convicção, feita na quarta feira, e surpreendeu e estarreceu o Brasil civil e militar: "Só aceitarei o resultado que me der a vitoria".

 

No sábado,depois da tremenda repulsa da opinião publica, deu entrevista á televisão, garantindo exatamente o contrário: "Se eu perder a eleição, irei morar no exterior".

 

PS- P A R A B É N S

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13
Jun18

SOBRE A COPA DO MUNDO

Talis Andrade

por Cris Penha

 

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Vi alguns artigos nos jornais pedindo para os brasileiros torcerem pelo Brasil na Copa, que não podemos misturar política com futebol, que nosso futebol é um fator de união nacional entre todas as classes, blá blá blá. Agora dizem isso, mas em 2014, pra sabotar o governo e o país, diziam que haveria caos na Copa, que os aeroportos e estádios não ficariam prontos, que a segurança não funcionaria, que seria um desastre. Xingaram Dilma nos Estádios mostrando nossa falta de educação ao mundo. Usaram a camisa da seleção como arma política pra dar um golpe e colocar essa quadrilha no poder. A corrupção da Globo com a FIFA mostrou a podridão que gira em torno do futebol, sem que a Justiça daqui faça qualquer coisa, ao contrário da Justiça americana. Jogadores devem mais de R$ 100 milhões à Receita Federal e nada acontece.

 

Sinceramente, cada um faz o que quer, torce pra seleção se quiser, mas essa seleção não é o Brasil que sonhamos em campo. É o Brasil da corrupção, da malandragem, da sonegação, da manipulação, associada a esse golpe e a esse governo das elites, onde a Globo é a porta voz. Fosse uma seleção com um Sócrates, uma democracia corintiana, uma seleção de jogadores politizados como Messi e não um bando de analfabetos políticos, até torceria pelo Brasil como fiz sempre, em todas as Copas e em todos os governos. Mas dessa vez não. Quanto mais cedo a seleção for eliminada, melhor, para o povo se preocupar com o que realmente interessa num dos piores momentos da nossa história. Que país poderíamos nos tornar se o torcedor lutasse pelo Brasil do jeito que luta, e até morre, por futebol?

 

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