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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Abr20

Bolsonaro: “Vão ter mortes? Infelizmente vai ter sim, é uma realidade. Os governadores querem ajuda federal. Não vão ter. Eles que se virem"

Talis Andrade

Bolsonaro segue fazendo apologia da morte

“Vão ter mortes? Infelizmente vai ter sim, é uma realidade. Entre 60 e 70% vão pegar o vírus. O que eles estão fazendo é atrasar esse processo”, disse o presidente

Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira (02), na porta do Palácio do Alvorada, que todos os brasileiros têm que se infectar logo. Que vai haver mortes, mas é isso mesmo. Afirmou que o que esses governadores estão fazendo é atrasar esse processo. “Dizem que é para não deixar os hospitais lotados para eles poderem atender. Eu desconheço qualquer hospital que esteja lotado”, disse o presidente.

 

“Os governadores estão com medinho”

“Eu fui em Ceilândia e Taguatinga domingo passado e fui massacrado pela mídia. Disseram que eu fui passear. Não é verdade, eu fui ver o povo. Eu duvido que um cara desse, um governador desse, um Doria da vida [governador de São Paulo], um Moisés [governador de Santa Catarina] vai no meio do povo. Não vai. Eles estão com medinho de pegar o vírus”, disse.

É! mas, não colocou o pé na maior favela da América Latina. Que fica na Ceilândia. Ajuntamento de mais de 120 mil pessoas nos invadidos terrenos do Pôr do Sol e Sol Nascente. Que não contam com sistema de saneamento básico, entre outros problemas de infraestrutura. Lá imperam a peste e a fome. Lá residem a sogra do presidente, um cunhado deficiente auditivo, uma cunhada, e a avó de Michelle Bolsonaro, Maria Aparecida Firmo Ferreira. Todos vivem ao deus-dará. Sina de favelados. 

“E o vírus é uma coisa que 60 a 70% da pessoas vão pegar. No Brasil a temperatura é diferente. Fizerem pânico à toa”, acrescentou Bolsonaro.

O presidente seguiu agredindo toda a equipe de técnicos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os governadores.

“Alguns estão querendo disputar tomando medidas, virando paisões. Isso depois de parte da mídia levar o pânico junto à população. Aquilo que eu falei lá atrás da histeria. Fui massacrado”, afirmou.

“Vão ter mortes? Infelizmente vai ter sim, é uma realidade”, continuou Bolsonaro. Ele disse à radio Jovem Pan de São Paulo que os governadores adotaram essas medidas e agora querem ajuda federal. “Não vão ter. Eles que se virem para resolver o problema que eles criaram”, avisou.

Os governadores da Região Sudeste e Sul avisaram que estarão entrando com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) caso o presidente cumpra a sua promessa de não repassar os recursos para os estados da região mais afetada pela pandemia.

O anúncio foi feito pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), na manhã de quinta-feira (2 de abril). Segundo ele, uma petição conjunta assinada pelos governadores já estaria redigida e seria apresentada na próxima semana ao STF. O documento também pode ganhar a adesão dos governantes da região Centro-Oeste do Brasil.

“Os estados precisam de liquidez, por isso a securitização e os empréstimos não atendem as necessidades atuais. O Brasil não pode virar um grande banco. Nós precisamos de um pacto federativo. É necessário injetar nas regiões sul e sudeste, imediatamente, algo em torno de R$ 50 bilhões. Eu já apresentei uma proposta de judicialização, caso não tenha uma sinalização concreta nessa semana. Temos uma petição conjunta para ser protocolada no STF para fazer prevalecer o pacto federativo. O Supremo terá que mediar esse conflito”, disse o governador durante entrevista coletiva.

 

10
Nov19

Uma Igreja que conta com os pobres

Talis Andrade

Em colóquio com o cardeal Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília 

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A Igreja no Brasil trabalha desde sempre com os pobres e conta com eles. «Foram precisamente os pobres que me deram a notícia da minha nomeação cardinalícia», confidenciou sorrindo Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da Cnbb, ao qual o Papa Francisco conferiu a púrpura no consistório do dia 19 de novembro passado. «Penso que foi um sinal» disse nesta entrevista a L’Osservatore Romano, frisando que o Brasil, com as suas desigualdades e contradições, mas também com os valores e as grandes potencialidades, é um laboratório para uma Igreja verdadeiramente em saída que se mistura com o povo e vai à procura dos distantes.

 

Como recebeu a sua nomeação a cardeal?

Com surpresa, alegria, sentido de responsabilidade e esperança. Realizava uma visita pastoral e missionária a uma das paróquias mais pobres de Brasília. Era um domingo de manhã, por volta das 7h00, e encontrava-me numa das «ocupações», lugares que os pobres escolhem para aí morar, não tendo onde residir. Foram precisamente os pobres que me deram a notícia. Penso que foi um sinal.

 

Que significa ser bispo de uma arquidiocese como Brasília?

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O Distrito Federal de Brasília tem um valor que ultrapassa os seus confins e deve ser considerado no contexto de todo o Brasil. É formado por pessoas de todas as partes do país. Fundada há pouco mais de cinquenta anos, Brasília é composta por diversas cidades unidas para formar o Distrito Federal. No seu interior vivem pessoas de culturas e religiões diferentes. A convivência, o estar juntos de modo fraterno e cordial é um valor que deve ser evidenciado no mundo de hoje, no qual há tanta dificuldade nas relações entre as culturas. Se existe uma característica de Brasília é exatamente esta convivência de pessoas provenientes de todas as partes do país: poucos dos seus habitantes – só os mais jovens – nasceram na cidade. Com efeito, somos todos imigrados, inclusive eu. Infelizmente, há também a desigualdade social. Com mais de três milhões de habitantes, há zonas muito ricas e outras paupérrimas. Na capital federal há um grande fosso entre enormes riquezas e pobreza extrema. Atualmente a maior favela do país está em Brasília e não no Rio de Janeiro: chama-se «Sol nascente».

 

O que restou da teologia da libertação na Igreja no Brasil?

Ainda há muitos valores: entre eles, uma maior atenção aos pobres, mais solidariedade, mais serviço aos últimos. Permaneceu, sobretudo, o reconhecimento de valores e de experiências, porque às vezes corremos o risco de reduzir os pobres a um problema. Pelo contrário, realizou-se um esforço para reconhecer os pobres como sujeito da ação. Procurou-se também organizar um pouco mais a comunidade. O que a pastoral social faz hoje com diversas motivações, de qualquer maneira já tinha sido feito naquela época, naqueles âmbitos onde a evangelização foi mais explícita. Certamente, seria preciso falar no plural: não houve só uma teologia da libertação. E nem toda a comunidade eclesial no Brasil nem o povo conheciam esta teologia. Entretanto, a Igreja trabalha desde sempre com os pobres e conta com eles. Não é um aspeto descoberto com a teologia da libertação. Contudo, ela desenvolveu-o com uma modalidade e um destaque particulares. Nas organizações populares ainda há contributos que provêm daquela experiência, embora nem sempre haja uma relação direta e automática com aquela teologia. Todavia, acredito que a referência ao Evangelho e a Jesus nunca pode faltar. Devemos procurar o modo de o traduzir nos nossos dias com uma teologia que tem o seu valor e o seu papel específico. Não nos devemos esquecer que precisamos dos teólogos, não tanto para a vida diária, mas para aprofundar as questões pastorais, caso contrário falta o fundamento e só resta a prática.

Nicola Gori

 

23
Out19

Bolsonaro na corte do imperador Naruhito

Talis Andrade

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Personalidades internacionais, entre elas cerca de 30 chefes de Estado e de governo, participam nesta terça-feira (22) da cerimônia de entronização do imperador japonês Naruhito. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que iniciou no Japão um giro internacional de dez dias, é um dos raros líderes do continente americano em exercício presentes em Tóquio para o evento.

Naruhito, de 59 anos, ascendeu formalmente ao Trono do Crisântemo no mês de maio, após a abdicação de seu pai, Akihito. Mas a entronização, quando Naruhito e sua mulher Masako aparecem em público usando trajes imperiais durante uma cerimônia no palácio, acontece apenas agora.

As últimas informações divulgadas por Tóquio apontam que Jair Bolsonaro é o único líder do continente americano em exercício presente na cerimônia.

O presidente brasileiro segue para a China na quarta-feira (23) e continua o giro internacional de dez dias nos Emirados Árabes (25), Catar (28) e Arábia Saudita (29). Nos países árabes, Bolsonaro terá reuniões bilaterais com mandatários, inclusive com o rei saudita Salman bin Abdulaziz.

Japão entroniza o imperador Naruhito

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Era Tóquio, no século XXI, mas poderia ser Kioto um século antes. A cerimônia de entronização do 126º imperador japonês, Naruhito, herdeiro da casa real mais antiga do mundo, transcorreu nesta terça-feira seguindo o estilo mais tradicional, cheia de solenes ritos milenares e perante mais de 2.000 convidados vindos de 174 países. “Prometo atuar de acordo com a Constituição e cumprirei minhas responsabilidades como símbolo do Estado e da unidade do povo japonês, tendo sempre como meta a felicidade do povo e a paz do mundo”, afirmou o soberano, vestindo uma túnica laranja-escuro reservada para as ocasiões mais formais. Poucos minutos mais tarde, o primeiro-ministro Shinzo Abe proclamava três vezes, com os braços erguidos: “Banzai!”, “longa vida ao imperador!”.

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- O presidente parece mais a bandeira do Sol Nascente, disse o imperador a Bolsonaro. 

 

11
Ago19

Aos 78 anos, avó de Michelle Bolsonaro aguarda cirurgia em maca no corredor de hospital

Talis Andrade

Acompanhada de uma tia de Michelle, a senhora disse que não tem o telefone da neta. "Sou vó dela, [mas] ela ainda não sabe [do acidente]. Tenho o telefone dela não. Que não falo [com Michelle], tem já cinco anos", disse ao repórter da Folha de S.Paulo

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Aos 78 anos, Maria Aparecida Firmo Ferreira seria apenas mais um idoso aguardando atendimento cirúrgico na maca de um hospital público no Brasil. A senhora, que deu entrada com fêmur fraturado na quinta-feira (8) no Hospital Regional de Ceilândia, onde aguarda no corredor o momento da cirurgia, é avó materna da primeira-dama Michelle Bolsonaro, que ocupa o luxuoso Palácio da Alvorada, a poucos quilômetros dali.

O caso foi revelado na noite deste sábado (10) pelo repórter Daniel Carvalho, em reportagem no site da Folha de S.Paulo.

Maria Aparecida teria se acidentado na casa onde mora na favela Sol Nascente, periferia de Brasília, na manhã da quinta-feira, quando deu entrada no hospital.

“Fui pedir à mulher para pegar a galinha. O pitbull avançou no portão. Se ele pega meu rosto, tinha acabado comigo. Aí, naquele susto, caí de costas. Caí, quebrei meu fêmur e estou no corredor de espera. Tem gente aqui que tem mais de 20 dias, 30 dias e não chama [para cirurgia]”, disse.

“Sou vó dela, [mas] ela ainda não sabe [do acidente]. Tenho o telefone dela não. Que não falo [com Michelle], tem já cinco anos. O dia que o pai dos meus filhos morreu, ela que pagou o enterro, ficou com a gente lá. Foi o último dia que eu vi”.

Leia a reportagem na íntegra

 
Michelle foi criada pela avó. In Revista Forum 
13
Mai19

Onde está Deus na relação de Michelle Bolsonaro com a avó que mora numa favela?

Talis Andrade

 

 

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por Kiko Nogueira

___


Michelle Bolsonaro, mulher de Jair, se orgulha de ser “temente a Deus”, uma dessas expressões vazias repetidas ininterruptamente por evangélicos.

Frequentadora de uma igreja da Barra, visitada por JB na campanha, ela fala obstinadamente do Senhor e de suas próprias virtudes cristãs.

Na famosa première do filme “Superação – O Milagre da Fé”, uma propaganda religiosa picareta, ela louvou o Todo Poderoso e os feitos milagrosos que levaram à eleição do marido.

No discurso de posse, agradeceu ao Criador por “essa grande oportunidade de poder ajudar as pessoas que mais precisam. Trabalho de ajuda ao próximo que sempre fez parte da minha vida e que a partir de agora, como primeira-dama, posso ampliar de maneira ainda mais significativa”.

Onde entram essa ajuda, a misericórdia, a caridade e outros atributos de uma fiel serva do Pai Eterno na relação de Michelle com sua avó?

Onde está Jesus Cristo?

Onde o amor ao próximo?

De acordo com a Veja, Maria Aparecida Firmo Ferreira, de 79 anos, cardíaca, portadora de Mal de Parkinson, mora num casebre na parte mais miserável de Brasília, a favela Sol Nascente.

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Michelle residiu com a avó na maior favela de Brasília. A mãe de Micelle também mora escondida  

 

Maria Aparecida, revela a reportagem, locomove-se com dificuldade num lugar dominado pelo tráfico de drogas e “por facções que usam métodos similares aos das milícias cariocas”.

Reproduzo um trecho:

Aposentada, ela divide seu tempo entre cuidar de um filho deficiente auditivo, ir ao posto de saúde buscar remédios e bater papo com os vizinhos.

Na segunda-feira 8, chovia muito, mas ela manteve a rotina. Para se proteger, pôs um gorro na cabeça, vestiu dois casacos sobre uma blusa e uma saia sobre uma calça de moletom.

De muletas, driblando a lama e os buracos da rua e sem conseguir esconder a expressão de dor, caminhou mais ou menos 1 quilômetro até a casa de uma amiga.

Mais:

A avó não foi convidada para a posse, nem ela nem sua filha, mãe de Michelle, Maria das Graças. Passados três meses de governo, ela não recebeu convite para uma visita ao Palácio da Alvorada, a residência oficial, que fica a apenas 40 quilômetros da favela.

Por quê? Ela diz que não sabe responder.

Onde foi parar a Bíblia de Michelle?

Timóteo, jovem que acompanhou o apóstolo Paulo, era muito próximo da avó, Lóide, que lhe ensinou o Velho Testamento.

“Honra as viúvas verdadeiramente viúvas. Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus”, disse ele.

“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”.

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15
Abr19

Familiares contam como era vida de Michelle Bolsonaro em Ceilândia - (Fotos & Vídeo)

Talis Andrade

 

 

Por Paulo Silva Pinto -  Roberta Belyse

 

A pequena Michelle gostava de brincar no exíguo pátio da residência improvisada em Ceilândia Norte. Morava ali com a mãe, Maria das Graças, e o pai, Paulo, motorista de ônibus, nos fundos de um lote. "Havia outro barraco ali", aponta a tia, Ângela Maria, mostrando um espaço agora vazio, onde ela mesma esteve instalada na época.

 

Os cômodos precários ficavam atrás da casa onde moravam os avós e os tios. Um deles, Gilberto, com deficiência auditiva, inspirou Michelle a aprender a linguagem de sinais, que ela usa hoje em trabalhos sociais. "Aqui vivia Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, primeira-dama do Brasil", relata, com orgulho, Ângela Maria. 

 

A casa maior foi vendida, e hoje abriga uma loja de utilidades domésticas — nos fundos, a residência da infância de Michelle abriga outra família. Ângela e a avó de Michelle, Maria Aparecida Firmo Ferreira, 76 anos, moram na favela do Sol Nascente. Já Maria das Graças tem uma casa perto dali, em Ceilândia Norte. E não poupa palavras de admiração sobre a filha. "Deus falou que ela ia ter uma redoma, porque ela merece. É linda, linda. Uma obra-prima detalhada pelo Senhor. Não sei a quem puxou. O pai dela é feio. Eu sou feia", diz a mãe, que se separou do marido quando Michelle era criança. - (Vídeo)

 

Maria das Graças afirma que a filha já lhe ofereceu para que se mudasse de endereço, o que recusou. Assevera que a eleição de Jair Bolsonaro não vai fazer com que ela altere o estilo de vida. "Quem vai receber a faixa é ele", diz Maria das Graças, que trabalhou voluntariamente pela eleição de Bolsonaro. Só tem elogios em relação a ele. "É maravilhoso", destaca.

 

Lamenta, porém, ficar longe de filha. "A Michelle era meu braço, minha perna. Tem hora que eu não acredito que é minha. A gente não pode mais ter aquele vínculo. Eu queria a Michelle como ela era. Aceito porque é de Deus", afirma.

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Dona Maria Aparecida, avó de Michelle, na casa onde mora, no Sol Nascente: "Toda a vida ela trabalhou" - (foto: TV Brasília/Reprodução )

 

"Queria te abraçar": Maria das Graças tem a mesma idade de Brasília, aonde chegou com 10 anos. A família veio em 1970 de Presidente Olegário (MG), cidade de 18 mil habitantes. Compraram um barraco na Vila do IAPI, onde nasceu Ângela Maria. Depois, foram tirados dali e transferidos para Ceilândia Norte. O pai, Ibraim Firmo Ferreira, avô da futura primeira-dama, trabalhou muito tempo como gari, até se aposentar.

 

A casa em que Maria Aparecida, a avó, vive hoje no Sol Nascente é inferior à que tiveram antes. Tem paredes sem reboco e galinhas ciscando pelo quintal. Moram ali alguns dos filhos — ela teve oito no total, quatro mulheres e quatro homens. Gilberto, um dos que ainda vivem com ela, manda uma mensagem a Michelle usando a linguagem brasileira de sinais (Libras). “Gosto de você desde pequeno. Queria te abraçar”, traduz Ãngela Maria.

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A tia conta que ela e Michelle chegaram a fazer alguns trabalhos como modelo. A mãe diz que a filha se afastou dessas atividades aconselhada por uma missionária da igreja evangélica que frequentavam. Foi, então, trabalhar como demonstradora de alimentos e, depois, de vinhos. Mais tarde veio o emprego na Câmara e o casamento com Jair Bolsonaro. "Só chega nesse patamar uma pessoa com visão e foco", elogia Ângela.

 

O avô Ibraim morreu durante um assalto em Planaltina quatro anos atrás. "Foi brutalmente assassinado", conta a tia. Michelle pagou o funeral. Foi quando Maria Aparecida viu a neta pela última vez.

 

Jejum e orações: A avó guarda com carinho fotos do casamento de Michelle e Bolsonaro, em 2013, no Rio, enviadas por meio eletrônico e impressas em uma folha de sulfite. "Fiquei muito feliz. Ela nem pensa como eu fiquei feliz por ela, de eu saber que ela era quem ela era, tadinha, e hoje ela é daquele jeito porque ela teve atitude, procurou, correu atrás. Toda a vida ela trabalhou", conta.

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Maria Aparecida acompanha de longe da vida da futura primeira-dama e do presidente eleito, a quem chama de Jair. Ficou chocada com o atentado que ele sofreu. E chegou a fazer jejum orando para que ele se recuperasse.

 

A avó de Michelle conta que tem poucos sonhos na vida. Um deles é fazer uma viagem para longe. "Nunca entrei no avião, tenho medo. Mas antes de um morrer quero fazer isso." Não conta com favores depois da posse do marido da neta. "Quero melhorar a minha situação. Mas, se não puder fazer nada pela gente, ele vai fazer muito (pelo país), e a gente toca no meio", diz.

 

15
Abr19

Relação de Michelle Bolsonaro com a avó que mora numa favela não é apenas um problema da moral cristã, mas legal

Talis Andrade

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Dona Maria Aparecida e a neta: mundos que não se conectam. Foto Cristiano Mariz/ Veja

 

por Joaquim de Carvalho

___

A situação de abandono material a que foi submetida a avó de Michelle Bolsonaro não é apenas um problema moral, especialmente para quem confessa a moral cristã, como é o caso da primeira-dama, mas é uma questão legal, passível de multa e indenização.

A revista Veja desta semana descreve a situação de Maria Aparecida Firmo Ferreira. Ela tem 79 anos, sofre de osteoporose, é cardíaca e portadora de Mal de Parkinson. Mora num casebre da favela Sol Nascente, no Distrito Federal, que seria a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Rocinha, no Rio de Janeiro.

 

Dona Maria Aparecida tem que cuidar de um filho, que é deficiente auditivo, e de muletas tem que ir a um posto de saúde, para buscar remédios.

De acordo com o Estatuto do Idoso,  instituído pela Lei nº 10.741 de 2003, dona Maria Aparecida poderia reivindicar pensão alimentícia da filha, mãe de Michelle, que também é carente, ou da própria neta, a primeira-dama, naturalmente em condições financeiras melhores.

O artigo 229 da Constituição determina que, assim como os pais devem cuidar dos filhos menores, estes também devem ampará-los na velhice.

Pela jurisprudência, a obrigação se estende a todos os ascendentes e descentes. Ou seja, avós são obrigados a pagar pensão alimentícia a netos, quando os pais não têm condições.

Da mesma maneira, os netos são obrigados legalmente a amparar os avós. O estatuto do idoso tornou essa obrigação mais clara.

Para reivindicar alimentos, não é necessário nem ter uma relação afetiva, embora esta seja também uma determinação legal.

Logo no artigo primeiro, o estatuto do idoso estabelece que a família deve viabilizar “formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com as demais gerações”.

Também afirma que o atendimento ao idoso deve se dar, prioritariamente, pela família, “em detrimento do atendimento asilar, exceto dos que não a possuam ou careçam de condições de manutenção da própria sobrevivência.”

Muitos filhos e netos que abandonam pais e avós alegam que não têm tempo e recursos nem para si e sua descendência. Se não podem consigo mesmo, como cuidariam dos ascendentes?

Não é o caso de Michelle, que teria condições de ajudar e de conviver com a avó.

Como conta o repórter Nonato Viegas, dona Aparecida, no entanto, ela não tem contatos com a avó há seis anos. Não foi convidada para a posse de Jair Bolsonaro — nem ela, nem a filha, Maria das Graças, mãe de Michele.

A julgar pelo que informa a reportagem, Michelle mandou pelo menos um recado a avó. Dona Maria Aparecida conta um filho, tio de Michele, avisou para que ela não desse entrevista.

Dona Maria Aparecida não cogita visitar a neta no Palácio do Alvorada, onde mora Michele.

“Aprendi que só vamos a pessoas importantes quando somos convidados. É minha neta, cresceu lá em casa, mas agora ela é a primeira-dama.”

Também se sente constrangida

“Se eu chegar assim (diz apontando para as próprias roupas), posso ser destratada, e isso vai me magoar. Eu não tenho roupa, sapato, nada disso, para frequentar esses lugares”.

A esperança de dona Aparecida é que um dia seja convidada para ir ao palácio, mas não pela neta ou o marido da neta, mas pelo apresentador Ratinho.

“Se eu falar com o Ratinho, ele vai me levar lá no Planalto… Porque, se você me levar lá, eles vão botar a gente para correr. Mas o Ratinho, não. Eu vi na TV que ele é amigo do Jair. E um dia eu quero ir lá.”

Enquanto isso não acontece, ela continuará driblando o esgoto a céu aberto que passa em frente à sua casa, no ponto mais remoto da favela, com a ajuda de seu par de muletas.

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Também continuará tendo habilidade para não ser obstáculo aos criminosos que dominam a área e se virando como pode para conseguir remédio de graça no posto de saúde e a cesta básica do governo do Distrito Federal.

Tem um único temor: ser sequestrada. “Meu filho mais velho disse que se me sequestrarem a ordem é não pagar o resgate e, aí, vão me matar”, afirmou.

Pela forma como se refere à neta, não se imagina que um dia vá recorrer à justiça para ter atenção afetiva e material da neta.

Mas que teria direito, não há dúvida.

 

12
Abr19

Avó de Michelle Bolsonaro mora na maior favela da América Latina

Talis Andrade

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O título de maior favela da América Latina foi dado pelo Correio Brazilense, em uma reportagem publicada em 2013.

Morador do Sol Nascente há 10 anos, o diagramador Daniel Ribeiro Soares, 54, conta que, com a chuva, a falta de estrutura transforma-se em transtornos e riscos à saúde. “É mais fácil contornar a falta de asfalto, o lixo espalhado e o esgoto correndo na rua quando não chove. Quando a água cai, vira um rio, cheio de lixo”, afirmou.

Na pobreza dessa favela reside Maria Aparecida Firmo Ferreira, 79 anos, avó da primeira-dama Michele Bolsonaro.

Em 2018, publica a revista Época: No início dos anos 2000, Maria Iraneide Jacaúna pegou R$ 3 mil e comprou um lote de 300 metros quadrados numa área recém-batizada de Sol Nascente. Era uma invasão que se formava no meio do mato nos confins de Ceilândia, a maior cidade-satélite de Brasília, com altos índices de violência. No local, só havia luz de vela, a água tinha de ser buscada na casa de parentes ou conhecidos, o transporte público não chegava. As empresas de ônibus se recusavam a abrir uma nova linha .

 

12
Abr19

Avó de Michelle Bolsonaro mora em favela nos arredores de Brasília

Talis Andrade

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A revista “Veja” desta semana traz uma bomba para a família Bolsonaro. A avó da primeira-dama Michelle Bolsonaro mora em uma favela nos arredores de Brasília e há seis anos não vê a neta que ajudou a criar.

 

Maria Aparecida Firmo Ferreira, 79 anos, é cardíaca, sofre de Parkinson, locomove-se com dificuldade e mora num casebre na favela Sol Nascente, dominada pelo tráfico de drogas.

Aposentada, a avó da primeira-dama divide seu tempo entre cuidar de um filho deficiente auditivo, ir ao posto de saúde buscar remédios e conversar com os vizinhos. Remédios, que o governo Bolsonaro ameaça cortar. 

De acordo com a Veja, ninguém, ou quase ninguém da vizinhança, sabe que ela é avó de Michelle Bolsonaro.

Aparecida, como é conhecida no bairro, diz que faz mais de seis anos que ela não vê a neta que ajudou a criar. A avó não foi convidada para a posse, nem ela nem sua filha, mãe de Michelle, Maria das Graças.

Um pastor da igreja que frequenta tentou intermediar um encontro com o presidente Bolsonaro, mas ela rejeitou. “Aprendi que só vamos a pessoas importantes quando somos convidados. É minha neta, cresceu lá em casa, mas agora ela é a primeira-dama.”

“Além disso, se eu chegar assim (diz apontando para as próprias roupas), posso ser destratada, e isso vai me magoar. Eu não tenho roupa, sapato, nada disso, para frequentar esses lugares”.

 

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