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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Abr20

Bolsonaro: “Vão ter mortes? Infelizmente vai ter sim, é uma realidade. Os governadores querem ajuda federal. Não vão ter. Eles que se virem"

Talis Andrade

Bolsonaro segue fazendo apologia da morte

“Vão ter mortes? Infelizmente vai ter sim, é uma realidade. Entre 60 e 70% vão pegar o vírus. O que eles estão fazendo é atrasar esse processo”, disse o presidente

Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira (02), na porta do Palácio do Alvorada, que todos os brasileiros têm que se infectar logo. Que vai haver mortes, mas é isso mesmo. Afirmou que o que esses governadores estão fazendo é atrasar esse processo. “Dizem que é para não deixar os hospitais lotados para eles poderem atender. Eu desconheço qualquer hospital que esteja lotado”, disse o presidente.

 

“Os governadores estão com medinho”

“Eu fui em Ceilândia e Taguatinga domingo passado e fui massacrado pela mídia. Disseram que eu fui passear. Não é verdade, eu fui ver o povo. Eu duvido que um cara desse, um governador desse, um Doria da vida [governador de São Paulo], um Moisés [governador de Santa Catarina] vai no meio do povo. Não vai. Eles estão com medinho de pegar o vírus”, disse.

É! mas, não colocou o pé na maior favela da América Latina. Que fica na Ceilândia. Ajuntamento de mais de 120 mil pessoas nos invadidos terrenos do Pôr do Sol e Sol Nascente. Que não contam com sistema de saneamento básico, entre outros problemas de infraestrutura. Lá imperam a peste e a fome. Lá residem a sogra do presidente, um cunhado deficiente auditivo, uma cunhada, e a avó de Michelle Bolsonaro, Maria Aparecida Firmo Ferreira. Todos vivem ao deus-dará. Sina de favelados. 

“E o vírus é uma coisa que 60 a 70% da pessoas vão pegar. No Brasil a temperatura é diferente. Fizerem pânico à toa”, acrescentou Bolsonaro.

O presidente seguiu agredindo toda a equipe de técnicos do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os governadores.

“Alguns estão querendo disputar tomando medidas, virando paisões. Isso depois de parte da mídia levar o pânico junto à população. Aquilo que eu falei lá atrás da histeria. Fui massacrado”, afirmou.

“Vão ter mortes? Infelizmente vai ter sim, é uma realidade”, continuou Bolsonaro. Ele disse à radio Jovem Pan de São Paulo que os governadores adotaram essas medidas e agora querem ajuda federal. “Não vão ter. Eles que se virem para resolver o problema que eles criaram”, avisou.

Os governadores da Região Sudeste e Sul avisaram que estarão entrando com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) caso o presidente cumpra a sua promessa de não repassar os recursos para os estados da região mais afetada pela pandemia.

O anúncio foi feito pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), na manhã de quinta-feira (2 de abril). Segundo ele, uma petição conjunta assinada pelos governadores já estaria redigida e seria apresentada na próxima semana ao STF. O documento também pode ganhar a adesão dos governantes da região Centro-Oeste do Brasil.

“Os estados precisam de liquidez, por isso a securitização e os empréstimos não atendem as necessidades atuais. O Brasil não pode virar um grande banco. Nós precisamos de um pacto federativo. É necessário injetar nas regiões sul e sudeste, imediatamente, algo em torno de R$ 50 bilhões. Eu já apresentei uma proposta de judicialização, caso não tenha uma sinalização concreta nessa semana. Temos uma petição conjunta para ser protocolada no STF para fazer prevalecer o pacto federativo. O Supremo terá que mediar esse conflito”, disse o governador durante entrevista coletiva.

 

10
Nov19

Uma Igreja que conta com os pobres

Talis Andrade

Em colóquio com o cardeal Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília 

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A Igreja no Brasil trabalha desde sempre com os pobres e conta com eles. «Foram precisamente os pobres que me deram a notícia da minha nomeação cardinalícia», confidenciou sorrindo Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da Cnbb, ao qual o Papa Francisco conferiu a púrpura no consistório do dia 19 de novembro passado. «Penso que foi um sinal» disse nesta entrevista a L’Osservatore Romano, frisando que o Brasil, com as suas desigualdades e contradições, mas também com os valores e as grandes potencialidades, é um laboratório para uma Igreja verdadeiramente em saída que se mistura com o povo e vai à procura dos distantes.

 

Como recebeu a sua nomeação a cardeal?

Com surpresa, alegria, sentido de responsabilidade e esperança. Realizava uma visita pastoral e missionária a uma das paróquias mais pobres de Brasília. Era um domingo de manhã, por volta das 7h00, e encontrava-me numa das «ocupações», lugares que os pobres escolhem para aí morar, não tendo onde residir. Foram precisamente os pobres que me deram a notícia. Penso que foi um sinal.

 

Que significa ser bispo de uma arquidiocese como Brasília?

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O Distrito Federal de Brasília tem um valor que ultrapassa os seus confins e deve ser considerado no contexto de todo o Brasil. É formado por pessoas de todas as partes do país. Fundada há pouco mais de cinquenta anos, Brasília é composta por diversas cidades unidas para formar o Distrito Federal. No seu interior vivem pessoas de culturas e religiões diferentes. A convivência, o estar juntos de modo fraterno e cordial é um valor que deve ser evidenciado no mundo de hoje, no qual há tanta dificuldade nas relações entre as culturas. Se existe uma característica de Brasília é exatamente esta convivência de pessoas provenientes de todas as partes do país: poucos dos seus habitantes – só os mais jovens – nasceram na cidade. Com efeito, somos todos imigrados, inclusive eu. Infelizmente, há também a desigualdade social. Com mais de três milhões de habitantes, há zonas muito ricas e outras paupérrimas. Na capital federal há um grande fosso entre enormes riquezas e pobreza extrema. Atualmente a maior favela do país está em Brasília e não no Rio de Janeiro: chama-se «Sol nascente».

 

O que restou da teologia da libertação na Igreja no Brasil?

Ainda há muitos valores: entre eles, uma maior atenção aos pobres, mais solidariedade, mais serviço aos últimos. Permaneceu, sobretudo, o reconhecimento de valores e de experiências, porque às vezes corremos o risco de reduzir os pobres a um problema. Pelo contrário, realizou-se um esforço para reconhecer os pobres como sujeito da ação. Procurou-se também organizar um pouco mais a comunidade. O que a pastoral social faz hoje com diversas motivações, de qualquer maneira já tinha sido feito naquela época, naqueles âmbitos onde a evangelização foi mais explícita. Certamente, seria preciso falar no plural: não houve só uma teologia da libertação. E nem toda a comunidade eclesial no Brasil nem o povo conheciam esta teologia. Entretanto, a Igreja trabalha desde sempre com os pobres e conta com eles. Não é um aspeto descoberto com a teologia da libertação. Contudo, ela desenvolveu-o com uma modalidade e um destaque particulares. Nas organizações populares ainda há contributos que provêm daquela experiência, embora nem sempre haja uma relação direta e automática com aquela teologia. Todavia, acredito que a referência ao Evangelho e a Jesus nunca pode faltar. Devemos procurar o modo de o traduzir nos nossos dias com uma teologia que tem o seu valor e o seu papel específico. Não nos devemos esquecer que precisamos dos teólogos, não tanto para a vida diária, mas para aprofundar as questões pastorais, caso contrário falta o fundamento e só resta a prática.

Nicola Gori

 

23
Out19

Bolsonaro na corte do imperador Naruhito

Talis Andrade

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Personalidades internacionais, entre elas cerca de 30 chefes de Estado e de governo, participam nesta terça-feira (22) da cerimônia de entronização do imperador japonês Naruhito. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que iniciou no Japão um giro internacional de dez dias, é um dos raros líderes do continente americano em exercício presentes em Tóquio para o evento.

Naruhito, de 59 anos, ascendeu formalmente ao Trono do Crisântemo no mês de maio, após a abdicação de seu pai, Akihito. Mas a entronização, quando Naruhito e sua mulher Masako aparecem em público usando trajes imperiais durante uma cerimônia no palácio, acontece apenas agora.

As últimas informações divulgadas por Tóquio apontam que Jair Bolsonaro é o único líder do continente americano em exercício presente na cerimônia.

O presidente brasileiro segue para a China na quarta-feira (23) e continua o giro internacional de dez dias nos Emirados Árabes (25), Catar (28) e Arábia Saudita (29). Nos países árabes, Bolsonaro terá reuniões bilaterais com mandatários, inclusive com o rei saudita Salman bin Abdulaziz.

Japão entroniza o imperador Naruhito

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Era Tóquio, no século XXI, mas poderia ser Kioto um século antes. A cerimônia de entronização do 126º imperador japonês, Naruhito, herdeiro da casa real mais antiga do mundo, transcorreu nesta terça-feira seguindo o estilo mais tradicional, cheia de solenes ritos milenares e perante mais de 2.000 convidados vindos de 174 países. “Prometo atuar de acordo com a Constituição e cumprirei minhas responsabilidades como símbolo do Estado e da unidade do povo japonês, tendo sempre como meta a felicidade do povo e a paz do mundo”, afirmou o soberano, vestindo uma túnica laranja-escuro reservada para as ocasiões mais formais. Poucos minutos mais tarde, o primeiro-ministro Shinzo Abe proclamava três vezes, com os braços erguidos: “Banzai!”, “longa vida ao imperador!”.

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- O presidente parece mais a bandeira do Sol Nascente, disse o imperador a Bolsonaro. 

 

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