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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Out20

Lula exalta vitória da Bolívia

Talis Andrade

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou o ex-presidente da Bolívia Evo Morales e Luis Arce, candidato da esquerda vitorioso na eleição do país vizinho. Os dois integram o Movimento pelo Socialismo (MAS):

Meus parabéns ao povo boliviano, que restabeleceu sua democracia. Parabéns para @LuchoXBolivia e meu amigo @evoespueblo, que depois de um ano difícil podem ver respeitado o voto popular. Que a Bolívia retorne ao caminho do desenvolvimento com inclusão e soberania"

06
Abr20

"Longínquo mundo de fantasia", por Luis Fernando Veríssimo

Talis Andrade

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GRANDE DEMAIS

A pandemia do coronavírus vem sendo comparada a outros surtos como os da peste negra e da gripe espanhola, que desafiaram a humanidade no passado. Mas um dos precedentes citados não tem nada a ver com contágio ou curva de letalidade. Foi o pânico criado pela ameaça de colapso do sistema financeiro mundial com a falência do banco Lehman Brothers em 2008. A comparação, feita agora, é entre a rapidez com que aquela crise bancária foi resolvida, ou atenuada, e a incompetência e a confusão com que o governo de Donald Trump reage, hoje, à pandemia, depois de ter negado a sua importância, como fez o Bolsonaro, e demorado a adotar as medidas para enfrentá-la com um mínimo de seriedade.

A quebra do Lehman Brothers culminou em um período de banditismo sem controle, principalmente no mercado imobiliário americano, que encheu banqueiros de dinheiro enquanto ludibriava milhares de compradores incapazes de pagar suas hipotecas, e acabou explodindo todo o sistema. Ou fingindo que explodia, porque a solução foi decidida numa reunião de CEOs assustados e autoridades compreensivas, a portas fechadas, com o governo se comprometendo a salvar as financeiras dos seus próprios excessos. Numa encenação dessa reunião histórica em que a intervenção do governo ficou acertada, ouve-se uma voz ao fundo dizendo, num tom plangente: “Mas... Isso é socialismo!”.

Foi por essa época que começou a ser usada a expressão “grandes demais para quebrar”, referindo-se especificamente aos bancos, mas valendo para qualquer corporação com mais tamanho do que juízo à procura de absolvição. Lembrando a decisão da hierarquia da Igreja medieval de criar um Purgatório para acolher a alma de quem enriquecia com a usura, que assim continuaria a ser pecado, mas um pecado tolerável aos olhos de Deus, sem o risco de o cristão ser mandado diretamente o para o Inferno.

A Igreja era grande demais para ser desmentida por um dos seus próprios dogmas. Em 2008, o realismo prático evitou que um sistema financeiro mundial grande demais desmoronasse, mesmo com o vexame de ser chamado de socialista. Em 2020, o Trump custou, mas se convenceu de que a situação exigia seriedade. Já o nosso Bolsonaro continua vivendo dentro do seu ego, num longínquo mundo de fantasia onde a realidade não chega.

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31
Ago18

Líder do partido social-democrata da Alemanha visita Lula na prisão em Curitiba

Talis Andrade

 

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Martin Schulz (esq), e o ex-prefeito de São Paulo e candidato a vice na chapa de Lula, Fernando Haddad, em visita ao ex-presidente brasileiro na prisão em Curitiba

 

 

RFI - “Encontrei o presidente Lula na prisão e vi uma pessoa muito corajosa e combativa”, disse Martin Schulz, líder do partido social-democrata alemão (SPD) e ex-presidente do Parlamento europeu, que visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão em Curitiba, nesta quarta-feira (30).

 

“Vim ao Brasil na condição de representante da social-democracia alemã e dos socialistas europeus para cumprimentar uma pessoa com a qual nós cooperamos muito tempo enquanto ele foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, presidente do Partido dos Trabalhadores e presidente da República”, disse Martin Schulz, uma das maiores lideranças políticas da Alemanha.

 

Schulz afirmou em coletiva após a visita que as eleições de 2018 no Brasil não serão importantes apenas para o país e para o continente latino-americano, mas também para “o mundo inteiro”. “Nós estamos numa situação política muito peculiar”, disse o líder social-democrata alemão. “No lugar do multilateralismo, e da democratização que foram defendidos pelo governo de Lula e Dilma Rousseff, nós estamos vivenciando, não apenas no Brasil, mas também no mundo inteiro, um retorno a políticas nacionalistas”, disse.

 

“Será que é possível fazer do Brasil ainda um motor da democratização no mundo inteiro?”, continuou Schulz, que também foi presidente do Parlamento europeu. Ele disse acreditar que o PT, Lula e a esquerda brasileira simbolizam a “cooperação internacional” em torno dos “direitos humanos e fundamentais”. “Por essa razão, estou aqui para expressar a solidariedade com o Partido dos Trabalhadores e seu candidato”, declarou o político alemão.

 

Martin Schulz disse ainda que não era de sua competência “formar um juízo sobre as sutilezas jurídicas do embate jurídico no Brasil”, mas que “uma coisa fica clara para nós: as circunstâncias do processo contra Lula semeiam dúvidas em relação a esse processo”. “O Brasil teve um papel muito importante na política internacional, e nesse sentido deveria aceitar a recomendação da comissão de Direito Humanos da ONU”, afirmou.

 
 

“Nenhum poder neste momento poderá evitar que eu siga confiando em um homem com quem cooperei durante muitos anos e em quem eu continuo confiando”, declarou o parlamentar alemão.

 

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