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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Dez19

Bolsonaro concede indulto de Natal a policiais condenados

Talis Andrade

Em 2018, presidente havia dito que seu governo não concederia perdão “para criminosos” no fim do ano. Indulto beneficia milicianos

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“Garanto a vocês, se houver indulto para criminosos neste ano, certamente será o último”, disse Bolsonaro em novembro de 2018

O presidente Jair Bolsonaro assinou na última terça-feira (23) um decreto que concede indulto de Natal para agentes de segurança pública que tenham cometido crimes culposos (sem intenção) no exercício da função ou em decorrência dela. É a primeira vez que um indulto é concedido para uma categoria profissional específica

Bolsonaro já havia adiantado essa possibilidade na última sexta-feira, ao conversar com jornalistas na entrada do Palácio da Alvorada. O decreto será publicado no Diário Oficial desta quarta-feira. Ainda não há uma estimativa de quantos pessoas vão ser efetivamente beneficiadas.

“O decreto inova ao perdoar aqueles que dedicam suas vidas à salvaguarda da sociedade”, afirmou a Presidência do Brasil em comunicado.

O indulto também contempla militares das Forças Armadas, que, em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), tenham cometido crimes não intencionais em determinadas hipóteses.

Em nota, o Palácio do Planalto destacou que o indulto não alcança, por exemplo, condenados que tenham praticado infrações disciplinares graves ou que tenham descumprido as regras fixadas para a prisão albergue domiciliar ou para o livramento condicional.

Tradicionalmente, o indulto concede perdão de pena a pessoas, nacionais ou estrangeiras, que já não oferecem mais perigo ao retorno à vida em sociedade. Para se enquadrar nas regras, é preciso que pelo menos um sexto da pena já tenha sido cumprida. Crimes graves ou hediondos também não podem ser incluídos no indulto.

Bolsonaro, que se aproxima do fim do seu primeiro ano de mandato, vem defendendo que policiais devem ter uma proteção legal para se livrar de punições em caso de excesso em ações — o excludente de ilicitude.

A medida chegou a ser incluída no pacote anticrime apresentado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e previa livrar se sanções policiais que cometessem excessos por “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. O Congresso, no entanto, retirou essa previsão do texto aprovado.

Em 2018, antes de tomar posse, Bolsonaro chegou a afirmar que não assinaria nenhum indulto em seu governo.

“Garanto a vocês, se houver indulto para criminosos neste ano, certamente será o último”, disse em novembro de 2018, quando havia especulações sobre se o governo de Michel Temer editaria uma medida dessas.

“Fui escolhido presidente do Brasil para atender aos anseios do povo brasileiro. Pegar pesado na questão da violência e criminalidade foi um dos nossos principais compromissos de campanha. Garanto a vocês, se houver indulto para criminosos neste ano, certamente será o último”, disse em mensagem no Twitter.

No entanto, após tomar posse, Bolsonaro passou a relativizar a questão, afirmando que poderia usar a medida para beneficiar policiais presos.

Em 2017, um indulto natalino assinado por Michel Temer acabou sendo suspenso pelo Supremo. O decreto foi criticado por abrandar as regras para o perdão da pena de presos condenados por crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

À época, o benefício foi visto como uma tentativa de livrar da prisão condenados pela Operação Lava Jato. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entrou com uma ação no STF para anular o decreto de Temer, e o ministro Luís Roberto Barroso acabou suspendendo parte dos efeitos do texto até que o plenário da corte julgasse a questão.

A análise da questão só foi concluída em maio deste ano. Por sete votos a quatro, o Supremo validou o indulto natalino assinado por Temer. Com isso, condenado que naquela data faziam jus ao benefício, passaram a poder solicitá-lo.

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Fonte: DW

20
Ago19

Mídia francesa destaca sequestro de ônibus no Rio que terminou com morte de agressor que tinha uma arma de brinquedo

Talis Andrade

 

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RFISites franceses repercutem o sequestro de um ônibus com 31 passageiros na ponte Rio-Niterói nesta terça-feira (20). Depois de cerca de quatro horas mantendo reféns, um homem foi atingido por disparos de atiradores de elite e morreu no hospital.

 
 

De acordo com a polícia do Rio, a tomada de reféns começou às 5h30 desta terça-feira. O sequestrador foi identificado como Willian Augusto da Silva. Ele chegou a libertar seis reféns durante a negociação com os policiais.

 

O site da rádio francesa RTL destacou que o agressor tinha uma arma e garrafas de gasolina, ameaçando atear fogo no ônibus. Após atingir o sequestrador, os policiais constataram que sua arma era de brinquedo, reitera a matéria.

"Os policiais acreditam que o ato foi premeditado", sublinha o site da TV LCI. O agressor teria se identificado como "um membro da polícia militar" e ameçava a vida dos passageiros, completa.

Já o site 20 Minutes afirma que, até o momento, as motivações do sequestrador são desconhecidas. Segundo os passageiros, ele teria dito que sofria de depressão. A morte do homem "provocou aplausos na multidão de curiosos que assistia à cena", publica.

 

Para o site francês do Huffington Post, o homem sofria de problemas psicológicos. "No ônibus ele não chegou a fazer nenhum pedido claro aos policiais", afirma.

O site do jornal Ouest France publicou a declaração do coronel Mauro Fliess. Segundo ele, "foi necessário atirar" contra o agressor.

Casos traumáticos de sequestros de ônibus

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O Rio de Janeiro já viveu casos traumáticos de tomada de reféns em ônibus. Em agosto de 2011, três pessoas foram feridas no centro da capital fluminense.

Em junho de 2000, um refém foi morto e o agressor morreu após ser capturado pelas autoridades no caso que ficou conhecido como "O Sequestro do Ônibus 174", que virou filme dirigido por José Padilha.

 

01
Ago19

O ‘sniper’ Witzel e a concorrência ao Pateta

Talis Andrade

 

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por Fernando Brito

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O bobalhão brincando de “sniper” aí da foto é o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

É o resultado de uma cuidadosa operação de marketing – reparem o cuidado com o uniforme, a boina e até o colete à prova de balas, regulado no máximo para acolher a pança de Sua Excelência – divulgada por seu assessor Roberto Motta, oficialmente para assuntos de segurança pública mas, vê-se, também para assuntos promocionais.

Espalhada com um texto que – se estivéssemos sãos – provocaria risos:

Deitado, treinando a mira e mostrando o significado de coragem moral, o governador do estado do Rio de Janeiro. Pela vida e liberdade dos cidadãos de bem. Por um futuro melhor – com paz e prosperidade – para todos”

Não consta, claro, que seja preciso que o governador treine a mira para tiros com fuzil, conseguindo uma precisão daquelas de “acertar na cabecinha”. Nem se vê qual é a “coragem moral” em fazer uns disparos de brincadeira num campo de treinamento, cercado por farta guarda e sem qualquer risco.

O contrário, o que se observa é alguém que só não é mais infantilmente escandaloso porque enfrenta a concorrência do atual Presidente da República.

Não é à toa que seu principal plano de desenvolvimento para o Rio é trazer – e de mentirinha, como mostra hoje Bernardo Mello Franco, hoje, em O Globo – para cá uma parada de personagens da Disney.

Como diz o jornalista, “o Pateta pode ser bobo, mas não gosta de concorrência”.

Nem mesmo com as risadas de Bolsonaro.

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27
Mai19

As caças comercial e esportiva no Brasil são proibidas. PAREM DE NOS MATAR

Talis Andrade

Texto e fotos Ivan Accioly

As caças comercial e esportiva no Brasil são proibidas desde a promulgação da Lei 5.197 do ano de 1967 e protege os animais silvestres, que são considerados propriedades do Estado. No Rio de Janeiro, no entanto, uma espécie de animal tem sido caçada sem piedade. Ela é bípede, pensa, fala e vota. Mas, somente nos quatro primeiros meses desse ano, já foram abatidos 558 exemplares dela (quase cinco por dia). Algumas características elevam os riscos de seus representantes entrarem para as estatísticas: basta serem negros e morarem em favelas. Pior se forem jovens e do sexo masculino.

Macaque in the trees

Os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam o aumento dessa prática de caça desde o início do atual governo de Wilson Witzel (PSC) e sua alardeada política de “segurança”, baseada em atirar “na cabecinha”, com direito a exibições com voos de helicóptero.

É preciso gritar alto que no Brasil os humanos, assim como os demais animais, não devem ser abatidos. Aqui não tem pena de morte e o governador não pode incentivar o crime.

Neste domingo a manifestação “Parem de nos Matar” reuniu centenas de pessoas na orla de Ipanema para defender a vida e protestar contra o massacre resultante, principalmente, de operações policiais nas favelas da cidade, mas também no asfalto. Como no caso do assassinato por membros do Exército do músico Evaldo Rosa e do catador de papel Luciano Macedo. Foram disparados 257 tiros, dos quais 83 atingiram o carro que Evaldo dirigia e onde estava sua família.

Não é possível dissociar a ação da “carta branca” para matar que as principais autoridades do país sinalizam. A política de liberação do

Macaque in the trees

porte e posse de armas para um contingente significativo da população é um exemplo. A defesa do chamado “excludente de ilicitude”, defendida pelo general Augusto Heleno e por Jair Bolsonaro, é outra. Assim como a alegação da “surpresa e violenta emoção”, criada por Sérgio Moro, para livrar a cara de policiais que matem.

 

A política de segurança de Witzel, segundo a coordenadora do Movimento Negro Unificado, Fátima Monteiro, é um "projeto de extermínio da população negra que está em curso. E hoje, mais do que nunca, ele tem avançado". Em abril o ISP registrou aumento de 23% nos números de morte por intervenção policial. Foram 124 mortes este ano. Em 2018 o mês alcançou 101.

 

Em discurso durante o ato de domingo Mariete da Silva, mãe da vereadora assassinada Marielle Franco, afirmou: “o governador, as mulheres e os homens brancos, queiram ou não, a pretitude vai descer toda. Vai descer pras ruas, vai descer sempre.”

Macaque in the trees

Com sua política, o único dado que Witzel já conseguiu foi contabilizar as duas operações policiais com maior número de mortes desde 2013, de acordo com levantamento do UOL por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). Foram no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, com oito mortos e no Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa, realizada em fevereiro, com 15 mortes.

Especialistas apontam ilegalidade também no uso dos helicópteros pelo próprio govenador, como se fosse um Rambo, em Angra dos Reis. Assim como na absurda utilização de atiradores de elite (snipers) para acertar alvos nas favelas do Rio.

Se não estava lotado, o encontro pode ser comemorado como o ponto inicial de ações conjuntas que reúnem moradores de favelas do Rio e movimentos sociais diversos. Afinal, o país tem que revogar urgentemente esses mandados de morte que contribuem para estatísticas como as que apontam o assassinato de um jovem negro a cada 23 minutos no Brasil.

O abate tem que parar!

 
 

 

27
Mai19

Movimentos populares protestam contra truculência policial no Rio: PAREM DE NOS MATAR

Talis Andrade

texto e fotos Alcyr Cavalcanti

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Milhares de manifestantes se concentraram no Posto Oito em Ipanema na manhã desse domingo (26) para protestar contra a política de segurança que tem frequentemente desrespeitado os mais elementares direitos da cidadania. O recente episódio da morte do músico que voltava com sua família de uma festinha infantil e do catador de papel também alvejado quando tentava prestar socorro causou uma enorme comoção em toda sociedade.

 

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Foi na prática uma matança, pois pessoas inocentes foram alvejadas com oitenta e três tiros de uma quantidade excessiva de disparos.Foram metralhados por soldados ao que parece despreparados, que dispararam mais de duzentas vezes.
 
A política de segurança adotada pelo Estado sob as ordens do recém eleito governador Wilson Witzel que basicamente manda primeiro atirar para depois perguntar parece trazer uma volta de tempos sombrios à moda do "Velho Oeste" ao estilo dos filmes de bangue bangue, Em seus discursos o governador manda atirar de preferência  na "cabecinha"  e tem ordenado voos rasantes de helicópteros com atiradores que disparam tentando alvejar possíveis narcotraficantes  aterrorizando crianças em horário escolar e pessoas que saiam para o trabalho.
 

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A política de confronto que tem sido adotada não tem resolvido o problema da violência e tem ao contrário aumentado a violência dos narcotraficantes  causando em muitas vezes mortes de civis que nada tem a ver com isso. O resultado do número crescente de inocentes vitimados por ações desastradas é inadmissível e exige uma solução imediata com menos truculência e mais investigação para melhores resultados.

 

27
Mai19

Em dia de micareta fascista, negros gritam: PAREM DE NOS MATAR!

Talis Andrade

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Enquanto apoiadores de Jair Bolsonaro foram às ruas de várias cidades do País neste domingo, 26, defender pautas que atentam contra a democracia, como o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, no Rio de Janeiro, milhares de pessoas protestaram contra a matança da população negra e moradora de periferias cariocas.
 

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O ato Parem de Nos Matar reuniu milhares de pessoas nas ruas de Ipanema e foi organizado por movimentos em defesa do povo negro, de mães de vítimas da violência policial e movimentos sociais. O ato protestou criticou a política de segurança pública adotada pelo governo de Wilson Witzel (PSC) que já resultou em 434 apenas no primeiro trimestre de 2019, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).
 
Entre as lideranças ouvidas pelo 247 está a coordenadora do Movimento Negro Unificado no Rio de Janeiro, Fátima Monteiro. Ela conta que sob o argumento da "guerra às drogas", as polícias do governo do Rio de Janeiro, comandado por Wilson Witzel estão cometendo um verdadeiro genocídio.
 
"Foi declarado um estado de guerra nas favelas. Nós mulheres negras vivemos 24 horas com medo que nossos filhos saiam na própria favela. Quando a polícia entra na favela, ela entra atirando indiscriminadamente", disse Monteiro. "O projeto de extermínio da população negra está em curso. E hoje mais do que nunca ele tem avançado", afirmou.
 
A manifestação também contou com apresentações artísticas de MC Leonardo, Filhas de Gandhi, de alunos da Biblioteca Parque, Slam da Poesia, Coletivo Favela Tem Voz, entre outros. Parlamentares também marcaram presença no atividade, como as deputadas federais Benedita da Silva (PT-RJ) e Jandira Feghali (PC do B), a deputada estadual Renata Souza (Psol-RJ) e o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP).
 
 

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Fonte: 247/ Tribuna da Imprensa
22
Mai19

Tiros desde helicópteros: A “guerra às drogas” é uma guerra contra os pobres.

Talis Andrade

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22
Mai19

Protesto contra as mortes praticadas pela polícia do governador do Rio

Talis Andrade

“Pelo fim do genocídio do povo das favelas”

 

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Tribuna da Imprensa/ CUT - No mesmo dia em que o ministro da Justiça, Sergio Moro, utilizou as redes sociais para reafirmar seu projeto de lei “anticrime”, moradores de comunidades do Rio de Janeiro confirmaram para o próximo domingo (26) protesto contra o massacre nas favelas por ação da polícia.

Em três posts na sua conta no Twitter, Moro reafirmou a justificativa para mortes cometidas por policiais: “Propomos no projeto de lei anticrime que se alguém em legítima defesa, ou seja, reagindo a agressão injusta, exceder-se, o juiz poderá deixar de aplicar a pena ou diminui-la se o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção”.

Enquanto isso, sob o governo de Wilson Witzel (PSC), as polícias militar e civil do Rio estado mataram 434 pessoas entre janeiro e março deste ano. A média é de quase cinco (4,82) mortos por dia, o maior número para o período desde que a série estatística começou a ser feita, em 1998. O aumento foi de 18% sobre o primeiro trimestre de 2018, quando houve 368 mortos.
 
No alvo, os moradores de favelas, que reagem:
 
É um ato a favor de nossas vidas, é para que parem de nos matar, parem de matar a juventude negra favelada, parem as incursões em horários escolares, parem de entrar em nossas casas sem mandato, parem de criminalizar nossa existência”, diz Barbara Nascimento, do coletivo Favela no Feminino e porta-voz do ato. “Em nada tem a ver com qualquer outro ato que possa ser marcado na mesma data.”
 
Bárbara refere-se ao protesto convocado por apoiadores do governo Jair Bolsonaro para a mesma data, depois que milhões de estudantes tomaram as ruas do país em 15 de maio. “Nosso ato vem sendo planejado há um mês e não tem qualquer relação com outras manifestações que possam vir a ocorrer na mesma data”, reforça, lembrando que 26 de maio é o primeiro domingo após completar um mês do assassinato do gari comunitário William dos Santos Mendonça, no Vidigal.

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O morro em Ipanema - No domingo (26) o Rio de Janeiro vai parar para ouvir mães e familiares das vítimas desses massacres, afirma nota da organização. “Nossos mortos têm voz”, dizem eles. O ato será realizado entre 10h e 13h, com concentração marcada para o Posto 8, de Ipanema.
 
Coordenado por moradores de favelas do Rio, com apoio de diversos movimentos sociais, a mobilização pretende ser um manifesto contra o massacre que ocorre nas favelas e áreas periféricas do estado, com ação da polícia nesses territórios, em horários indiscriminados, com “ordem de abate”, ações policiais de helicópteros e “autos de resistência” forjados.
 
O objetivo, destaca a organização, é que favela e asfalto se unam em um só grito: “Pelo fim do genocídio do povo das favelas”. Entre os organizadores estão a Associação de Moradores do Vidigal, o Movimento Popular de Favelas Nós do Morro, o Bando Cultural Favelados da Rocinha, a Associação de Moradores da Rocinha, Redes da Maré, Nosso Jardim, Movimento Negro Unificado, Rede de Mães e Familiares da Baixada, Favela não se Cala, Frente de Juristas Negras e Negros do Estado do Rio de Janeiro, Unegro – União de Negras e Negros por Igualdade, Mães e Familiares Vítimas de Violência do Estado, além de muitos outros movimentos sociais.
 
Como aconteceu na intervenção militar do governo Temer, não foi ainda ocupada, pelas polícias civil e militar, nenhuma rua sob o mando das milícias. 
12
Mai19

As crianças que correm da política de terror de Wilson Witzel no Rio

Talis Andrade

Governador brinca de 'Apocalipse Now'. Dias depois, a polícia que comanda atira do alto em pleno horário escolar na Maré. Quem porá limites à sua política homicida?

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Crianças na Maré correm de disparos

Já não é mais possível —não sei se foi algum dia— usar eufemismos para descrever a política de segurança do governador do Rio de JaneiroWilson Witzel. Ela é o que é: arbitrária, ilegal, criminosa e homicida. Se restavam dúvidas, no último sábado o governador entrou em um helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil e sobrevoou uma comunidade de Angra dos Reis ao lado do prefeito do município. Um vídeo do momento foi publicado em seu perfil do Twitter. "Vamos botar fim na bandidagem em Angra dos Reis", dizia, enquanto um policial com fuzil em punho mirava uma área povoada da favela.

 

Depois que ao menos 15 pessoas suspeitas foram executadas nos morros da Coroa, Fallet-Fogueteiro e dos Prazeres em fevereiro, submetidas a longos minutos de torturas dentro de casas, segundo apontam os indícios, Witzel apareceu ao lado do secretário da Polícia Militar para respaldar "uma ação legítima da polícia para combater narcoterroristas". Dias depois, em uma cerimônia, disse que "qualquer atuação do PM, antes de qualquer discussão, é legítima". Na última segunda-feira, quando helicóptero e blindados entraram no Complexo da Maré, outros oito rapazes morreram. Segundo relatos de testemunhas para a Defensoria Pública, foram executados depois de se renderem, como acontecera em fevereiro. Moradores também relataram que os jovens já não ofereciam riscos, sendo que dois deles levantaram as mãos e disseram "perdi". Tiveram a seguinte resposta dos policiais: "Minha ordem é matar". Pelo visto, a doutrina Witzel também se estende aos que, mesmo já desarmados e sem oferecer risco a policiais, deveriam responder na Justiça pelos seus crimes.

 

Nesta semana, uma foto que rodava nas redes sociais dava a dimensão do retrocesso civilizacional que se vive. Na imagem aparece uma placa onde se pode ler "Escola. Não atire". Na denúncia levada à ONU e à OEA, não existe a possibilidade de que o governador seja processado pessoalmente por esses organismos. Já o Estado brasileiro poderia, por exemplo, receber advertências e até ser condenado a aplicar mudanças que garantam o fim dos abusos e da impunidade policial, entre outras medidas. É, no mínimo, um chamado para que o mundo saiba a escalada do terror promovida pelos novos dirigentes no poder. [Transcrevi trechos da reportagem de Felipe Betim in El País. Leia mais]

 

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"Escola. Não atire. Projeto Uerê". Uma placa colocada no teto da unidade, é um pedido, desesperado, para que as operações policiais preservem a vida dos profissionais que atuam no local assistindo crianças e jovens que sofrem com traumas emocionais por causa da violência na Maré
 
As imagens estão na postagem da artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, responsável pelo Uerê, feita em seu perfil no Facebook, na última segunda-feira, dia em que uma operação da Polícia Civil na Maré deixou oito mortos. Durante a ação, tiros foram disparados por agentes de dentro de um helicóptero.  
 

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"Por essas e outras que coloquei no teto e na fachada do Uerê para ver se não nos matam em dias de confronto. Uma vez um helicóptero metralhou a escola. A que ponto chegamos!", escreveu Yvonne.
 
 
Witzel é parceiro de Jair Bolsonaro, que tem residência no Rio, e Olavo de Carvalho como guro. Acrescenta Yvone: "A política brasileira está nas mãos de um ideólogo louco, celerado, mau caráter, grosso e cego pelo poder que lhe deram de bandeja. É um cara que prima pela falta de respeito e que criou um 'ensino a distância' de ideias espúrias manipulando as mentes fracas que nos governam. Não tem nem coragem de vir ao Brasil debater. É o valentão com colete a prova de balas. O presidente se cerca de 130 militares, permite e aceita em declaração pública que esse beócio os ataque com palavreado de baixo calão. Não dá para entender! Nem Freud explica!"
 

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12
Mai19

A escalada de violência oficial no Rio parece não ter fim

Talis Andrade

Os snipers criminosos de Witzel

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Passou dos limites

por Guilherme Sette

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Os homicídios em intervenções policiais estão se acumulando na gestão Witzel, que demonstra apreço pela violência desnecessária. Na campanha eleitoral, ele afirmou que ordenaria que “snipers” atirassem na cabeça de qualquer pessoa que portasse um fuzil e está cumprindo a promessa macabra. Seus detestáveis snipers estão atuando impunemente. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, no primeiro trimestre foram registrados 434 homicídios em ações policiais no estado, recorde absoluto para o período entre janeiro e março. A marca anterior pertencia ao primeiro trimestre de 2018, quando foi ordenada a intervenção federal e aconteceram 368 homicídios.

recorde policia mata rio.jpgPara Michel Misse, professor e coordenador na UFRJ do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana, os disparos feitos a partir de helicópteros são absurdos. “Isso é coisa de filme, esse veículo é para fazer observação, levantamento de informações e reconhecimento”, diz. De acordo com o professor, a presença de Witzel entre os agentes legitima ainda mais as execuções de suspeitos em ações da polícia, mas isso não é exatamente novidade no País: “São coisas que policiais fazem há 50 anos, a diferença é que agora uma autoridade declara que isso é correto”. A pesquisadora de violência institucional da ONG Justiça Global, Monique Cruz, afirma que o “caveirão voador” amplia o círculo de medo das favelas para outras regiões da cidade. Para ela, as políticas de segurança de Witzel são comparáveis à pena de morte, excluindo-se o componente jurídico: “O discurso público e a presença do governador em ações como essa legitimam que pessoas possam ser mortas — é uma autorização tácita do governo para execuções sumárias”.

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Na terça-feira 7, a deputada Renata Souza (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, protocolou na ONU uma denúncia contra o governador por causa do elevado número de homicídios policiais no estado. Ela já havia feito o mesmo para a Organização dos Estados Americanos (OEA) um dia antes. A ideia é que as organizações possam se pronunciar sobre o tema, pois, temos um governador que ordena a pena de morte no chão da favela sem que a Constituição Brasileira permita. A deputada Renata analisa que o governo deveria encarar a Segurança Pública de maneira mais racional e não com uma fúria assassina. Quanto aos tiros de helicóptero, a Secretaria de Segurança Pública prevê que os disparos podem ser feitos apenas em situações estritas de legítima defesa dos tripulantes e da população, algo que não pareceu ser o caso na descabida ação gravada por Wilson Witzel. Para o governador, pelo jeito, ter pessoas como alvo é divertimento de fim de semana. Leia mais na Isto é

 

 

 

 

 

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