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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

25
Fev20

Brasil miliciano: todo poder às bancadas BBB

Talis Andrade

 

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Por Ricardo Kotscho
 
“Uma certeza se pode ter: a maluquice perversa a que o Brasil está entregue não terminará bem” (abertura da coluna de Janio de Freitas na Folha com o título “Nosso andar no escuro”).


Todo mundo já desconfiava disso, desde o início deste desgoverno, caro Janio, mas nada acontece para evitar o desastre.

Líder sindical de militares e policiais por 28 anos na Câmara, Jair Bolsonaro hoje nem partido tem e despreza a articulação política, mas mesmo assim controla o Congresso como quem manipula um boneco de ventríloquo.

Como isso é possível, com mais de 30 partidos no parlamento, e tantos interesses difusos?
 
Muito simples: depois da Lava Jato, os partidos foram substituídos pelas bancadas “temáticas” e deixaram de ter qualquer importância.

Quem manda agora no Legislativo são as bancadas suprapartidárias chamadas de BBB (da bala, do boi e da bíblia), todas elas ligadas ao bolsonarismo raiz e cevadas com cargos e emendas pelo Palácio do Planalto.

Bolsonaro apenas está colocando em prática, agora com todo o poder na mão, o que pregou como deputado do fundão do baixo clero quando ninguém o levava a sério.

É com e para essa gente que Bolsonaro governa, liberando armas e as terras dos índios na Amazônia para os bois e o garimpo, e dispensando a turma da bíblia de pagar impostos.

Em sua coluna de domingo no Globo, Bernardo Mello Franco lembra que, já em 2003, o ex-capitão pregava da tribuna uma greve geral dos policiais militares contra a reforma da Previdência.
 
Era o início do governo Lula.

A greve não saiu, mas Bolsonaro nunca desistiu do seu projeto de botar fogo no país a partir dos quartéis das PMs. De quem ele quer se vingar?

O grosso da mão-de-obra das milícias que se ramificaram por toda parte, não por coincidência, é formado por ex-PMs e ex-militares expulsos de suas corporações.

É isso que está por trás dos motins que explodiram no Ceará esta semana e já deixaram 170 mortos em cinco dias.

E por que no Ceará?

Nada acontece por acaso, como já escrevi esta semana.

Sergio Moro colocou como secretário nacional de Segurança Pública o general Guilherme Teófilo, que nas últimas eleições tomou uma surra de Camilo Santana, do PT, o governador reeleito do Ceará em 2018, com 80% dos votos, no primeiro turno.

Teófilo foi candidato pelo PSDB, mas logo se bandeou para Bolsonaro e arrumou uma boquinha em Brasília.

O comandante da Força Nacional, a ele subordinada, é um coronel da PM cearense.

Os líderes da rebelião são todos políticos bolsonaristas que se elegeram por diferentes partidos com os votos dos quartéis.

A bancada da bala no Congresso é coordenada por quatro senadores e 32 deputados ligados às Forças Armadas e às PMs.

Bem maiores são as bancadas do boi, formadas pelos setores mais atrasados do agronegócio, e a da bíblia, que não para de crescer, no embalo dos templos neo-pentecostais dos bispos eletrônicos espalhados por todo o país.

Só na estrada que liga Caraguatatuba a São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, dos dois lados da via, há mais templos do que farmácias e botecos, alguns pomposos, a maioria em garagens.

Brotam de um dia para outro com as mais variadas e exóticas denominações.

Bolsonaro se dizia católico, mas desde a campanha eleitoral tornou-se terrivelmente evangélico, a ponto de já ter participado de cultos em 40 templos no seu primeiro ano de governo.

Com o Congresso dominado pelas bancadas BBB e as oposições na muda, o Brasil miliciano que sequestrou as instituições agora poderá formar maioria também no STF, onde serão abertas em breve duas vagas.

O que sobrou da sociedade civil, com as centrais sindicais destroçadas pela reforma trabalhista, limita-se a divulgar notas de protesto quando Bolsonaro exagera na dose da imbecilidade e da estupidez. E fica tudo por isso mesmo.
 
Viramos um acampamento de refugiados em nossa própria terra, onde impera a lei do mais forte e, como dizem os militares, manda quem pode e obedece quem tem juízo.

Sem contar os milicianos de carteirinha (ninguém sabe quantos), já que está tudo muito misturado, são hoje 500 mil homens nas PMs que obedecem ao comando de Brasília e se sentem fortalecidos para afrontar os governadores.

Diante desse quadro, a caminho do poder absoluto, guarnecidos por uma tropa de generais e no comando da rede bolsonarista de rádio e televisão, fica até difícil entender porque os Bolsonaros se mostram tão preocupados com os celulares do amigo miliciano morto na Bahia e as investigações sobre as rachadinhas e o assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio.

Estão com medo de quê?

Escreve o sempre bem informado Janio de Freitas, veterano de outras guerras e outros carnavais:

“Aproxima-se uma situação limite. A inclusão de generais em torno de Bolsonaro tem mais a ver com a ditadura, claro, mas também com um motivo prático e imediato: formar uma guarda pretoriana, a partir da ideia de que nenhuma instituição ou movimento público confrontaria essa representação do Exército com a tentativa de um impeachment, que também a alcançaria”.
Impeachment? Com esse Congresso dominado pelas bancadas BBB e o mercado fechado com Paulo Guedes e Trump?

E o que viria depois? O general Mourão?

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come…

Bonito não vai ser, com certeza, caro Janio.

Eu não esperava passar por tudo de novo, já entrando na fase de prorrogação da vida.

Faz escuro, cada vez pior, sem luzes à vista.

E vida que segue…

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25
Fev20

A arrecadação milionária das associações de profissionais da Segurança Pública do Ceará

Talis Andrade

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Em São Paulo, Rio de Janeiro, as associações policiais são muitas vezes mais ricas do que as do Ceará. 

O Ceará tem um efetivo de 21 mil 900 pms. 

São Paulo, cem mil policiais. Atualmente, em efetivo, é a maior polícia do Brasil e a terceira maior instituição militar da América Latina. 

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25
Fev20

Ceará registra 170 homicídios durante seis dias de paralisação de PMs

Talis Andrade

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O Ceará registrou 170 homicídios de 0h da quarta-feira (19) a meia-noite desta terça-feira (24), durante seis dias de paralisação de policiais militares do Estado, de acordo com a mais recente atualização da Secretaria da Segurança Pública (SSPDS). O dado representa, em média, uma morte violenta a cada 51 minutos durante o período.

O número de mortes violentas aumentou com o início do motim dos policiais militares, conforme dados da secretaria:

  • Segunda-feira (17): 3
  • Terça-feira (18): 5
  • Quarta-feira (19): 29
  • Quinta-feira (20): 22
  • Sexta-feira (21): 37
  • Sábado (22): 34
  • Domingo (23): 25
  • Segunda-feira (24): 23

A SSPDS destaca que "o amotinamento de parte dos policiais militares começou na terça-feira à noite".

Diário do Nordeste - De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a última sexta-feira (21) foi o dia mais violento dos últimos oito anos, cuja quantidade de assassinatos somou 37 casos, em um intervalo de 24 horas. Antes disso, só havia sido registrado tantos assassinatos durante a outra paralisação da Polícia Militar, em 1º de janeiro de 2012, quando foram registrados 41. Os CVLIs englobam crimes como homicídios, feminícídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

O aumento das ocorrências acontece, desta vez, em um contexto de paralisação e amotinamento de policiais militares em diversas regiões do Ceará – que lembram atividades realizadas pela categoria durante o fim de 2011 e o início de 2012.

Desde que o movimento começou, às 18 horas da última terça-feira (18), já ocorreram 93 homicídios, o que dá uma média de quase um crime violento letal por hora. De acordo com a SSPDS, a média em janeiro de 2020 era de seis crimes por dia.

O esperado era que os números caíssem a partir do início da aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), do Governo Federal que, na prática, garantiu a presença de 2,5 mil homens do Exército Brasileiro patrulhando as ruas da Capital. Nesse caso, os soldados têm poder para exercer policiamento.

Conforme o general Fernando da Cunha Mattos, comandante da 10ª Região Militar, “a ausência de ostensividade dá liberdade não só para crimes contra o patrimônio, mas também, infelizmente, aos crimes contra a vida”. Segundo ele, “provavelmente, essa foi a primeira consequência dessa redução do policiamento ostensivo no Ceará”.

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Números tão altos de homicídios foram registrados em outras duas oportunidades no Ceará. Em 27 de janeiro de 2018, a Secretaria contabilizou 31 mortes violentas. O dia foi atípico, porém, por causa da Chacina das Cajazeiras. No evento criminoso, 14 pessoas foram executadas durante a madrugada na casa de shows Forró do Gago. Conforme a Polícia Civil, a matança foi cometida por uma facção criminosa do Ceará em razão da disputa pelo comando do tráfico de drogas na região.

Trinta e uma pessoas também foram assassinadas no dia 8 de outubro de 2017. A única notificação de mortes múltiplas ocorridas foi no bairro Bom Jardim, no qual quatro pessoas morreram violentamente em uma suposta reunião de organizações criminosas para selar acordo de paz.

 

ARTE
25
Fev20

Fogo, tiros, ruas fechadas, 'dia de guerra' no Haiti: policiais contra o exército

Talis Andrade

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Já aconteceu na Bolívia, no golpe policial que derrubou Evo Morales. BBC publica:

Manifestantes antigoverno montaram dezenas de barricadas em ruas importantes de Porto Príncipe, capital do Haiti, na última segunda-feira (24/2).

Os bloqueios ocorreram um dia depois que um grupo de policiais do país, exigindo melhores condições de trabalho, atacou a sede do Exército na cidade.

O governo do presidente Jovenel Moïse chamou o ataque de "tentativa de golpe", e as Forças Armadas do país caribenho falaram em "um dia em situação de guerra".

Ao menos duas pessoas morreram durante os confrontos.

Na segunda-feira, os manifestantes espalharam tijolos, queimaram pneus e derrubaram carrinhos de sorvete nas ruas que levam à casa de Moïse. Os protestos pedem a renúncia do presidente.

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Grande parte da cidade ficou deserta um dia depois que policiais cercaram a sede do Exército e abriram fogo. Alguns dos participantes do tiroteio usavam uniformes da polícia.

O general Jodel Lesage, das Forças Armadas haitianas, disse à imprensa local que a sede do Exército enfrentou um ataque armado. "Estamos sob fogo de armas de todos os tipos, rifles automáticos, bombas de gasolina e gás lacrimogêneo". 

O governo afirmou que a ação foi "um ataque à liberdade e à democracia". Já os policiais disseram que foram atacados primeiro.Os policiais haitianos estão protestando há semanas. Uma de suas principais demandas é a possibilidade de formar um sindicato, o que, segundo eles, vai garantir mais transparência em negociações com superiores. Eles também reivindicam melhores salários.

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Na semana passada, o presidente Moïse anunciou a criação de um fundo financeiro para parentes de oficiais que foram mortos durante o trabalho, mas a medida não conseguiu apaziguar os oficiais descontentes.

Após os confrontos, o governo anunciou que cancelaria todas as celebrações do Carnaval "para evitar um banho de sangue".

Esses não são os primeiros protestos que Moïse enfrentou. No ano passado, os haitianos tomaram as ruas devido ao terrível estado da economia do país, que os manifestantes atribuíram ao governo.

Moïse está no poder desde 2017 e disse que não deixaria o país nas "mãos de gangues armadas e traficantes de drogas".

 

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