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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

08
Nov22

“Políticos não querem carregar o caixão de Bolsonaro", diz analista sobre protestos

Talis Andrade

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Apoiadores fiéis de Bolsonaro chegaram a convocar para este início de semana uma greve geral para pressionar autoridades a revisar o resultado proclamado das urnas
Apoiadores fiéis de Bolsonaro chegaram a convocar para este início de semana uma greve geral para pressionar autoridades a revisar o resultado proclamado das urnas AP - Silvia Izquierdo

Enquanto a equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva trabalha na transição e discute como equacionar o rombo nas contas e desafios urgentes, a exemplo da manutenção do auxílio emergencial de R$ 600 a famílias pobres, do outro lado uma parcela do eleitorado brasileiro insiste num discurso bem fora da realidade, de fraude nas eleições, reivindincando intervenção militar no país.

Analista ouvida pela RFI diz que 20% do eleitorado compraram o discurso de fraudes nas eleições devido à enxurrada de fake news nas redes sociais, mas que as manifestações perdem força pela ausência de políticos eleitos

Apoiadores fiéis de Bolsonaro chegaram a convocar para este início de semana uma greve geral para pressionar autoridades a revisar o resultado proclamado das urnas. A expectativa de adesão não é grande: pelo impacto no bolso dos empresários e porque muitos dos protestos começam perder força. A grande maioria dos bloqueios em rodovias foi desfeita e em várias cidades, como Brasília, a mobilização de domingo (6) em frente aos quartéis reuniu muita gente, mas foi menor do que na semana passada.

"É exatamente por não haver muitas lideranças políticas dispostas a carregar o caixão do Bolsonaro, ou seja, a gente não vê nessas manifestações golpistas a presença de pessoas com mandato, de representantes eleitos. Isso tira o fôlego dessas manifestações. São protestos antidemocráticos que perdem oxigênio por não ter representação no campo político”, afirmou à RFI a cientista política Mayra Goulart, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenadora da Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).

“Porém, cabe ressaltar, que essas mobilizações têm, sim, representação no campo social. Temos cerca de 20% da população que foi muito tocada pelos discursos de Jair Bolsonaro e acabaram nutrindo ideias contrárias à própria existência da democracia", completa Goulart.

 

"Ele lutou muito pelo nosso conservadorismo"

 

Nem todos os bolsonaristas entoam o coro de golpe militar, rejeitando por completo o papel das instituições democráticas. Mas a própria esquerda sabe que não será fácil demover o negacionismo dos mais fanáticos. A RFI falou com manifestantes que fizeram mobilização na capital federal este fim de semana. São pessoas de várias classes sociais que não aceitam a vitória de Lula.

“Lula é comunista e não quero isso para meu país. E ele não ganhou as eleições, foi tudo roubado. Olha, na casa da minha amiga o filho de seis anos sentado no sofá e vendo a apuração semana passada questionou como o quadro do Bolsonaro (percentual) só diminuía e o de Lula só aumentava. E falou, ‘mamãe, isso é fraude’. Se um menino de seis anos vê isso, como a gente não vê?”, indagou a aposentada Edivânia Ferreira.

“Eu creio que a saída pode ser a intervenção federal. Porque houve coisa errada. A mídia é contra a gente e o STF apoiou muito a militância do PT”, disse a professora Eulina Barbosa.

“Houve fraudes nas eleições. E por isso estamos aqui. E vamos ficar nessa luta até sair o resultado das eleições. Estamos aguardando esse resultado”, contou o segurança Pedro Moura.

“Bolsonaro é um homem de direita, conservador. Ele lutou muito pelo nosso conservadorismo, os cristãos, a pátria, a família. Isso foi a meta dele. E nunca teve apoio da imprensa. E ficou sem muito espaço de fala nas rádios do Nordeste. Ele não perdeu na urna. E acho que é preciso haver intervenção federal”, concluiu Maria Souza, servidora pública.

“Essa mobilização não pertence mais ao Bolsonaro. É o povo do Brasil que quer saber o resultado da eleição. O Exército já enviou o relatório. A imprensa internacional já mostrou o relatório. Só o TSE que não quer mostrar o relatório das provas de fraudes que houve. E nós vamos ficar até eles mostrarem”, afirmou o pedreiro Luiz Gonzaga.

“Estou aqui porque estou aguardando a auditoria das urnas. Eu não aceito que um ex-presidiário seja o presidente do Brasil”, revoltou-se Elenir Rodrigues, monitora de educação.

“Não podemos deixar o Brasil virar comunista, virar uma Venezuela. Todo mundo sabe que houve fraude. Até pensadores de fora do país estão apontando, como as provas que surgiram na Argentina sobre as eleições no Brasil. Está na cara que roubaram a favor de Lula, só não vê quem não quer”, assegura o servidor Cristiano Silva.

 

Futuro de Bolsonaro

 

O PT diz que não adotará a prática de revanchismo contra Bolsonaro, mas há expectativa sobre uma das promessas de campanha de Lula, que é o fim do sigilo de documentos sobre a família e ministros do governo. Além disso o presidente perde o foro de autoridade em primeiro de janeiro.

A analista Mayra Gourlart avalia que Bolsonaro, da forma possível para quem colocava em dúvida o processo eleitoral, reconheceu a derrota ao nomear o chefe da Casa Civil para fazer a transição de governo. E que agora ele tentará permanecer como um líder de direita.

"Esse é o futuro do Bolsonaro. Primeiro tentar não ser investigado criminalmente. E aí vamos ver se ele tem alguma moeda de troca que permita protegê-lo. E a segunda coisa é tentar ser o líder político desses grupos sociais que têm afetos antidemocráticos, se entendem como extrema direita”.

“São pessoas que foram alimentadas por redes de dissonância cognitiva. O que é isso? São esses nichos, são grupos de pessoas com perfil ideológico e social similar abastecidos por conteúdos desviantes da realidade, fake news que reforçam sua própria identidade", avalia Goulart.

Emir Sader
@emirsader
 
28
Mai22

Imprensa francesa repercute caso de homem asfixiado em Sergipe e operação em favela no Rio

Talis Andrade

 

 

mae enterra filha massacre vila cruzeiro.webp

Divone Ferreira da Cunha, 74 anos, abraçada com o neto, sepulta a filha, Gabrielle Ferreira da Cunha, de 41 anos, que foi morta durante uma operação policial na favela da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, em 25 de Maio de 2022. AP - Silvia Izquierdo


"Se consultamos as estatísticas no mundo inteiro, nunca vamos ver um tiroteio onde mais de 20 pessoas morrem de um lado e nenhuma do outro"

As suspeitas de torturas e "execuções sumárias" que pesam sobre a polícia brasileira após a operação na favela Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, na terça-feira (24), que resultou em ao menos 24 mortos, e a morte de um homem em uma abordagem policial em Sergipe ganham destaque na imprensa francesa.

"O Brasil está chocado com uma nova série de violências policiais", diz o site do jornal Ouest France, a publicação de maior tiragem da França, que traz relatos de responsáveis dos direitos humanos sobre torturas e execuções sumárias durante a operação no Rio.

"Se consultamos as estatísticas no mundo inteiro, nunca vamos ver um tiroteio onde mais de 20 pessoas morrem de um lado e nenhuma do outro", diz Rodrigo Mondengo, procurador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, citado pelo Ouest France, colocando em questão o argumento da polícia de que foi atacada ao chegar ao local.

O site destaca a mensagem do presidente Jair Bolsonaro no Twitter parabenizando "os guerreiros do Bope" e da PM do Rio de Janeiro "que neutralizaram pelo menos 20 marginais ligados ao narcotráfico em confronto".

O jornal também trata da morte de Genivaldo de Jesus Santos, asfixiado após ter sido forçado a entrar no porta-malas de uma viatura policial. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) garantiu, em um comunicado, que os agentes tinham "empregado técnicas de imobilização", diante da agressividade de Genivaldo durante um controle policial.

Mas um vídeo feito por testemunhas, que se tornou viral, mostra claramente dois agentes que fecham o homem no porta-malas do carro de onde sai uma fumaça branca de uma bomba de gás lacrimogêneo.

 

Incursão sangrenta

 

A correspondente do jornal Le Monde no Rio de Janeiro, Anne Vigna, assina uma matéria sobre a operação policial em Vila Cruzeiro. "Incursão sangrenta em uma favela", diz o título. O texto traz relatos de testemunhas recolhidos por representates do Ministério Público do Rio de Janeiro.

O jornal lembra que um relatório recente sobre as operações nas favelas do Rio mostra que a polícia foi responsável por 878 mortes em 223 incursões, entre 2016 e 2021.

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16
Mai21

Violência policial no Brasil

Talis Andrade

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Moradores da favela do Jacarezinho participam de missa em homenagem às vítimas da operação policial, no dia 12 de maio, no Rio de Janeiro. SILVIA IZQUIERDO / AP

 

As autoridades brasileiras precisam investigar com rigor possíveis casos de abusos por parte das forças de segurança

EDITORIAL /El País

 

Na quinta-feira, 6 de maio, a Polícia Civil lançou uma ampla operação contra o narcotráfico na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Os policiais foram recebidos com tiros, que mataram um agente. A operação, que durou mais de seis horas, terminou com a morte de 28 pessoas, tornando-se a ação policial mais sangrenta da história do Rio de Janeiro, cidade e Estado que há anos se destacam nas estatísticas brasileiras pela letalidade de suas forças de segurança. Mas é um problema generalizado. Os dados são eloquentes. No Brasil, um dos países mais violentos do mundo, as forças policiais são responsáveis por parte significativa das mortes violentas. Dos 47.000 assassinados em 2019, 13% morreram durante uma intervenção policial.

Uma operação contra o tráfico de drogas que termina com esse número de vítimas representa um fracasso operacional para qualquer força policial. É lamentável que o presidente Jair Bolsonaro, de extrema direita, parabenize os responsáveis pela operação, em linha com seu discurso intolerável de normalizar a morte de suspeitos nas mãos das forças de segurança. Um dos fundamentos do Estado de Direito é que todo acusado tem direito à presunção de inocência e a um julgamento justo.

A escassa presença do Estado em favelas como a do Jacarezinho abriu caminho para que o poder do crime organizado adquirisse as proporções atuais, com amplos territórios onde grupos do tráfico de drogas ou paramilitares que extorquem estão no controle de modo ostensivo. Bairros onde vivem milhões de brasileiros, enredados no fogo cruzado, reféns de uma violência diária e sem serviços essenciais para uma vida digna. O combate ao narcotráfico é complexo. Requer trabalho policial, sem dúvida, mas também implica lutar contra a desigualdade, oferecendo alternativas e oportunidades aos jovens. As 28 mortes do Jacarezinho precisam ser investigadas com rigor. Uma democracia deve lançar luz sobre qualquer suspeita de uso abusivo da força pelas corporações policiais. E, se houver, punir.

07
Mai21

Operação sangrenta em favela do Rio repercute no exterior, e ONU pede investigação independente

Talis Andrade

ONU pede investigação 'independente' após operação policial em favela no Rio que matou 25 pessoas.

ONU pede investigação 'independente' após operação policial em favela no Rio que matou 25 pessoas. AP - Silvia Izquierdo

A operação contra o narcotráfico que deixou pelo menos 25 mortos na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, repercutiu dentro e fora do Brasil. Jornais no exterior relatam o episódio, enquanto ONGs e órgãos das Nações Unidas pedem uma investigação independente sobre a ação policial. 

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos denunciou o uso desproporcional da força policial nas favelas brasileiras, uma situação que, frisou o porta-voz da instituição, Rupert Colville, já vem de muito tempo.

O órgão da ONU pediu, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, que o Ministério Público brasileiro “conduza uma investigação independente e imparcial sobre o assunto, seguindo as normas internacionais. Além disso, pedimos um debate amplo e inclusivo no Brasil sobre o modelo de manutenção da ordem aplicado nas favelas", completou o porta-voz.

"Lembramos às autoridades brasileiras que se deve recorrer à força apenas em casos estritamente necessários e que devem sempre respeitar os princípios de legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade da força letal", insistiu.

O Alto Comissariado se disse ainda "profundamente preocupado", principalmente depois de ter sido informado que, após a operação, “a polícia não tomou as medidas necessárias para preservar as provas na cena do crime, o que pode dificultar a investigação".

A organização humanitária Human Rights Watch também se exprimiu sobre o caso e pediu que a polícia “não toque nos corpos [das vítimas] até o final das investigações”. A entidade lembra que “graves falhas” foram cometidas no passado durante inquéritos de homicídios envolvendo a polícia no Rio de Janeiro.

Os jornais internacionais, como o português, Público, relatam o ataque como sendo a operação “mais letal da história do Rio de Janeiro”. A imprensa francesa também repercutiu o caso, e o jornal Le Monde chamou a operação policial de “banho de sangue”

O jornal Italiano La Repubblica relata que, segundo a polícia, o tráfico de drogas no Brasil usa táticas dignas de guerrilhas. No entanto, “as forças de segurança brasileiras também são frequentemente acusadas de uso excessivo da força contra a população civil durante operações realizadas nas principais cidades do país”.  

O canal de televisão em língua árabe Al Jazeera descreve a operação em uma de suas manchetes como ‘Carnificina’, enquanto a emissora norte-americano CNN, em seu site em inglês, fala das reações no Brasil, com “protestos generalizados da sociedade civil” e uma mobilização nas redes sociais, que já criaram o hashtag #TheJacarezinhoMassacre.

Ações policiais estavam suspensas por causa da pandemia

A operação foi realizada apesar de uma decisão do STF, proibindo a polícia de fazer esse tipo de operação em favelas brasileiras durante a pandemia do coronavírus - salvo em circunstâncias "absolutamente excepcionais".

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, a polícia do Rio de Janeiro foi responsável pela morte de 453 pessoas entre janeiro e março deste ano, e de 1.245, no ano passado.

(Com informações da AFP)

 

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