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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

27
Abr22

Prazer no sofrimento do outro

Talis Andrade

monumento recife pau de arara.jpeg

monumento recife 2.jpg

 

Monumento contra tortura - Memórias da ditadura

Monumento Tortura Nunca Mais, Assembleia Legislativa de Pernambuco, Recife

 

II - O PERFIL DO SERIAL KILLER

por Priscila Adriana Silva

Os assassinos em série, aparentam serem pessoas comuns, sabendo como conquistar aquilo que quer e mostrando o seu lado sedutor. Porém, são sujeitos que não sentem culpa em nenhuma de suas ações e sentem prazer no sofrimento do outro.

 

5 METODOLOGIA 5.1 TIPO DE PESQUISA

O trabalho realizado é de caráter exploratório, de acordo com Gil (2002, p. 41) “estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses”. A pesquisa com enfoque exploratório tem como finalidade o aperfeiçoamento das ideias ou descoberta das intenções e todos os pontos podem ser considerados (GIL, 2002).

A revisão de literatura deve conter informações atuais sobre a problemática a ser estudada, razão pela qual se torna muito importante para o pesquisador que se inicia a pesquisa cientifica, porque o auxilia a definir com precisão o objeto de sua investigação, e também lhe mostra se a pesquisa que realiza pode trazer uma nova contribuição ou conhecimento (CIRIBELLI, 2003, p. 88).

Para tanto, o presente projeto foi conduzido à luz da chamada revisão de literatura, ou, também denominada revisão literária, sendo está um processo utilizado onde se deve expressar o desenvolvimento de buscas, verificações e descrições sobre uma indagação específica. Tendo como finalidade cobrir aparatos significativos que é escrito acerca de um tema: Livros, artigos de periódicos, teses, dissertações e variáveis tipos. "Ela visa apreender o caráter multidimensional dos fenômenos em sua manifestação natural, bem como captar os diferentes significados de uma experiência vivida, auxiliando a compreensão do indivíduo no seu contexto" (CIRIBELLI, 2003, p. 48).

A abordagem qualitativa de dados é uma pesquisa que visa um método indutivo, tendo como direcionamento a sua atenção ao universo de vida cotidiano dos sujeitos, bem como consubstanciados nos pressupostos da pesquisa qualitativa.

 

5.2 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO

No processo da inclusão, serão selecionados textos a partir do ano de 2003 a 2018. O presente trabalho terá por base monografias, dissertações e artigos que se encontram em consonância com o tema proposto, igualmente, possuindo como descritores, o serial killer, transtorno da personalidade antissocial, vítima, perfil criminal.

 

11 5.3 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO

A exclusão se deu a partir da incompatibilidade com os anos de 2003 a 2018. Os temas que não contemplavam os objetivos específicos e por consequência foram descartados. Artigos, teses e dissertações internacionais, não fazem parte deste trabalho.Waldenor Pereira on Twitter: "Bolsonaro é a favor da tortura. O pau-de-arara  era uma das formas de torturas usadas durante a ditadura militar.  #ditaduranuncamais https://t.co/XlK6mM61jL" / Twitter

 

5.4 LOCAL DA PESQUISA.

Para realizar o local da pesquisa, foi aproveitado fontes de pesquisa confiáveis que contém artigos e monografias referentes ao tema em questão nos quais foi o mais utilizado neste atual projeto. O efetivo projeto teve como suporte as fontes do Google Acadêmico, Lilacs, Medline e SciElo.

 

5.5 AMOSTRA

No presente projeto, serão incluídas teses, dissertações e artigos do ano de 2003 a 2018, considerando somente as publicações nacionais. No decurso deste trabalho, a princípio, foram encontrados 100 artigos relacionados ao tema. Após a leitura dos resumos de cada artigo, só os que contemplavam exatamente o tema proposto, foi utilizado para estruturar o trabalho escrito.

 

5.6 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Os dados foram analisados tendo por base categorias definidas a partir dos objetivos. (Continua)

Teoria e Debate | Pau de Arara: A Violência Militar no Brasil - Teoria e  Debate

27
Abr22

O PERFIL DO SERIAL KILLER

Talis Andrade

Memorial da Democracia on Twitter: "Afogamento, animais no corpo, cadeira  do dragão, choque elétrico, coroa de Cristo, corredor polonês,  crucificação, dança das latas, injeção de éter, pau de arara e sufocamento  foram

 

Não vote, para participar das bancadas da bala, em assassinos. Principalmente quando vestiu farda.  Leia estudo que tem por objetivo, pesquisar os aspectos que envolvem a ação do serial killer, abrangendo as características, o perfil delineado das vítimas, bem como a classificação que designa qual tipo de serial killer se trata. Da mesma maneira que, a identificação do tipo de transtorno de personalidade presente no sujeito reputado serial killer.

Ancorado na revisão da literatura no período de 2003 a 2018, a vigente monografia está submetida ao caráter exploratório, visto que o tema proposto abarca conhecimentos dos autores experientes no assunto que abordam sobre os diversos aspectos do assassino em série. A vigente pesquisa é sustentado pela abordagem qualitativa.

Nos dias atuais no Brasil, há uma busca constante por mapear padrões comportamentais e psicológicos dos assassinos em série, igualmente sua individualidade e maneiras de atuação. O assassino em série apresenta anomalia presente desde a infância pertubardora. Para tanto, a vigente monografia tem por objetivo central compreender o perfil do serial killer. 

 

por Priscila Adriana Silva

 

O tema proposto surge por meio do interesse pessoal em aprofundar os conhecimentos sobre o conteúdo em questão, com o intuito de compreender e analisar os temidos seriais killers. No primeiro momento, será apresentado a fundamentação teórica, constando tópicos referentes ao histórico, conceito do serial killer, psicopatia, assassinos em massa, matadores ao acaso, vitimas, modos operandis, assinatura, classificação do serial killer e transtorno de personalidade antissocial, que completa o desfecho da fundamentação teórica.

Pessoas que cometem séries de crimes e seguem uma linha de parâmetros no qual foi designada por pesquisadores que estudaram minuciosamente cada aspecto do criminoso, são alcunhadas como serial killer, porém, há muitos equívocos por parte de terceiros que não possuem estudos e caracterizam sujeitos como assassino em série somente pela quantidade de pessoas que matou, sendo que, para classifica-lo como o assassino em série, este precisa seguir alguns critérios e não somente matar outras pessoas e ser considerado como tal.

Em virtude do desconhecimento de pessoas que são leigas no assunto, o atual conteúdo é relevante para atingir uma percepção adequada a despeito dos conceitos que imputaram a denominação do célebre serial killer, qual a razão que o leva a consumar este crime hediondo, as possíveis personalidades que estão relacionadas com o assassino em série, qual o modo que é operado com suas vítimas, os tipos de vítimas que o serial killer elege para fazê-la sofrer. Explanando os casos existentes nos tempos passados.

Segundo a National Institutes Of Justice NIJ (Instituto Nacional de Justiça) o serial killer é:

Uma série de dois ou mais assassinatos cometidos com eventos separados, geralmente, mas nem sempre, por um criminoso atuando sozinho. Os crimes podem ocorrer durante um período de tempo que varia de horas a anos. Muitas vezes o motivo é o psicológico e o comportamento do criminoso e as provas materiais observadas nas cenas dos crimes revelam nuances sádicas e sexuais (SCHECHETER, 2003, p. 18).

Portanto, é preciso que, para reconhecer o assassino como serial killer, esta precisa matar sujeitos com intervalos de tempo especifico e assim ser classificado como o cruel assassino em série. Levando em conta a motivação que o levou a ceifar a vida de pessoas totalmente desvinculadas de seus problemas. Como por exemplo, o que a vítima representa para ele e qual a razão que o moveu para cometer esse ato brutal (FAVARIM, 2015). Continua

Zezé Di Camargo: “Não houve ditadura no Brasil” – Blog do Gerson Nogueira

18
Abr22

A pílula azul e a pornochanchada bolsonarista

Talis Andrade

vai tomar viagra por gilmar.jpeg

 

por 

 

Em pleno festival de suspeitas de corrupção no governo Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão partiu para o deboche: “O que são 35 mil comprimidos de Viagra para 110 mil velhinhos que tem? Não é nada”, disse. “Então, tem o velhinho aqui. Eu não posso usar o meu Viagra, pô?”

Óbvio que pode, deve, sexo é bom e faz bem em qualquer idade. O problema é a compra da milagrosa pílula azul com dinheiro público. O caso se torna ainda mais grave no momento em que carestia da farmácia tem matado de susto e humilhação os aposentados e aposentadas de todo o país. Carestia de tirar do ramo. Carestia da moléstia das cachorras, como dizia Marivone, uma prima costureira lá do Crato.

Com renda mensal na casa dos R$ 100 mil, incluindo o salário de político e os benefícios da reserva das Forças Armadas, é fácil levar a realidade no deboche, como faz o vice e a sua turma, na boa vida e na maresia do Posto 6 da praia de Copacabana.

Antes do “kit sexual”, incluindo próteses penianas, a lista de supermercado para as altas patentes já era um escracho com os brasileiros da fila do osso. Olha só como andam as despensas e geladeiras dos Mourões e das famílias militares, segundo a última comprinha: 557,8 toneladas de filé mignon, 372,2 toneladas de picanha e 254 toneladas de salmão.

A divulgação das mordomias, por parte da imprensa, virou rotina. Somente em leite condensado, doce que virou símbolo da “simplicidade” bolsonarista na campanha eleitoral, o governo gastou R$ 15 milhões em 2021, com sinais de superfaturamento na avalição de técnicos do Tribunal de Contas da União, o TCU.

A fala do vice foi digna de galã de pornochanchada, disseram alguns amigos nas redes sociais. Discordo. A bela sacanagem do cinema nacional dos anos 1970 e 80 tinha a sua graça. O general não passou do cinismo e do deboche.

E sabe o que o presidente acha disso tudo? “Com todo respeito, não é nada. Quantidade... O efetivo das três forças, obviamente... Muito mais usado pelos inativos e pensionistas", argumentou sobre o abastecimento de Viagra, diante de pastores e líderes evangélicos que o acompanhavam em um banquete em Brasília.

No Cabaré de Glorinha, e aqui retorno proustianamente mais uma vez aos cheiros e sensações do Crato, a cartilha da ética e da etiqueta era bem mais observada.Image

 

 

26
Mar22

Mostra tua cara

Talis Andrade

 

Você acha que a aids ficou na década de 1980? A doença ainda persiste. E as mesmas ideias preconceituosas, estereótipos e discursos conservadores também

A manchete de 1988 intitulada “Paciente zero”, a respeito da aids nos Estados Unidos, transpassa uma ideia da realidade da época. Mas são os rabiscos agressivos em vermelho na imagem [“Pervertido” apontando para a foto de Gaetan Dugas] que realmente expõem o que de certa forma ainda é atual. O estereótipo do homem gay como culpado e ao mesmo tempo vítima da doença.

No livro “Doença como metáfora / AIDS e suas metáforas”, Susan Sontag explica que encarar a aids metaforicamente seria vê-la como uma espécie de peste, condenação moral da sociedade. Essa manchete não é um acaso. Mas foi a forma encontrada de aterrorizar a população e reforçar a homofobia e as pautas conservadoras. A liberdade sexual, que é luta constante da comunidade LGBTQIA+, naquele momento foi ameaçada pelo vírus e pelo preconceito.

A metáfora da aids era o castigo desse grupo, tido como merecedor – pelo comportamento fora dos padrões sociais impostos. Mas, ao contrário do que pensavam, a doença não tinha cara. Enquanto o número de mortes de pessoas LGBTQIA+ aumentava, o governo norte-americano se mantinha calado.

A situação não foi muito diferente no Brasil – com a narrativa conservadora de terror e os homens gays como a “cara” da aids.

 

Estava tudo bem. Praia, festas, amor; ficar com quem quisesse quando quisesse. A liberdade estava finalmente chegando, e os brasileiros ansiavam por ela. A doença estava longe, não era motivo de preocupação. Até que ela atingiu, e não foi só pela saúde que as vítimas tiveram que lutar.

A população LGBTQIA+, especialmente os homens gays, viraram alvos. O grande sensacionalismo na imprensa – chamando a aids de “peste gay”, por exemplo – inflou o preconceito e o medo. Se a economia do país fosse prejudicada, seria culpa deles. Se o sistema de saúde colapsasse, seria culpa deles. Se mulheres e crianças contraíssem a doença, seria culpa deles. Se morressem, bom, bem-feito.

“Não tenho nenhuma direção, é horrível, eu simplesmente não sei o que fazer, vazio.” As palavras do artista cearense Leonilson, no início dos anos 1990, refletem a situação dos soropositivos. Sem saída, acometidos pela solidão e sem apoio de ninguém além dos seus. A sociedade não queria olhar para eles, desviava os olhos. Até que não pôde mais ignorar.

 

No meio de tanta desinformação, temor, veio um grito: Cazuza revelava que era soropositivo. Esse primeiro grito mudou a trajetória da aids no Brasil: agora ela não estava mais às margens, estava no centro da sociedade. Um homem jovem, promissor, popular, cheio de vida. Apesar de tudo, ele não perdeu essa vivacidade.

“Eu acho que a aids caiu como uma luva no modelinho da direita e da Igreja”, disse Cazuza, no programa “Cara a Cara”, em 1988. Ele via as campanhas contra a aids não como algo para trazer esperança para quem estava doente, eram “propagandas da morte”. Dizer “a aids mata” ou “a aids não tem cura” servia mais para condenar o infectado do que para realizar um trabalho de prevenção.

Cazuza não queria ser associado a isso, a essa visão da aids como sentença de morte. Por isso ele continuou compondo e cantando. Sua música levou a vivência como soropositivo mais longe: “O meu tesão/ Agora é risco de vida/ Meu sex and drugs não tem nenhum rock and roll”.

E as pessoas ouviram: sua honestidade trouxe a pauta para a discussão pública. Graças à pressão de movimentos sociais, o Brasil organizou uma resposta eficiente à epidemia. No começo, o que eram apenas redes de solidariedade e apoio se transformou em reconhecimento internacional ao programa de acesso universal aos medicamentos antirretrovirais implantado no país.

A doença, porém, não foi embora. E o preconceito, também não.

 

 

A mídia, a família e os amigos, todos diziam que eles iriam morrer. Porém, muitos sobreviveram e o que restou foi o isolamento e a dor. A manchete acima é de 2012, mas o sentimento ainda persiste. A discriminação se dá de diferentes formas em diversos ambientes. A perda do emprego, a exclusão de atividades sociais e os comentários preconceituosos. Enquanto essa for a realidade de pessoas que vivem com HIV, a discussão será necessária. O debate precisa de vozes dispostas a quebrar paradigmas. Mostrar a cara não é fácil, mas é necessário.

A questão é que o tema precisa estar em evidência para que o preconceito possa ser combatido. Ainda hoje é um tabu. As medidas de saúde públicas e de exames são pouco divulgadas e o senso comum sobre a doença continua arcaico. A primeira reação diante de um teste positivo de HIV não deveria ser de medo ou desespero, mas de saber que não se está sozinho e que o tratamento é eficiente e de fácil acesso.

Felizmente, mais figuras públicas têm se pronunciado sobre o diagnóstico positivo nos últimos anos e mostrado que é possível ter uma boa qualidade de vida apesar dele. Desde jogadores de basquete a personalidades de reality shows: o HIV não deve mais ser visto como uma condição restrita à determinada sexualidade ou a um estilo de vida. Precisamos que ela não seja mais chocante do que o diabetes, por exemplo, e que seus portadores não sejam alvo de julgamentos.

A aids ainda existe, não é um problema que já foi resolvido e podemos esquecer. Ela está presente na sociedade, afeta milhares de pessoas e precisa ser discutida, não empurrada para debaixo do tapete: evoluímos demais para cometer esse erro novamente. A aids não tem cara, mas os portadores do HIV não são invisíveis. Temos que ver seus rostos, ouvir suas histórias e não deixar que uma doença de 40 anos atrás os impeça de viver em liberdade.

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SAIBA MAIS

09
Jan22

Leila Diniz “um pouco por toda parte”

Talis Andrade

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“Muita gente não tem ideia do que é viver sob uma ditadura"

 

por Cristina Serra

- - -

O filme “Já que Ninguém Me Tira para Dançar”, da cineasta Ana Maria Magalhães, apresenta às gerações mais jovens a atriz Leila Diniz, personagem quase legendária que escancarou as portas para a revolução sexual em um Brasil falsamente moralista, nos anos 1960. Por isso mesmo, Leila incomodou a ditadura e foi perseguida pelos militares.

A chegada do filme para o público em janeiro, com acesso gratuito por meio do streaming do Itaú Cultural Play, coincide com os 50 anos da morte da atriz, em um desastre de avião, em junho de 1972, quando ela voltava de um festival de cinema na Austrália. Leila tinha 27 anos.

A proximidade das datas não foi intencional, já que o documentário começou a ser gravado em 1982, com pouco dinheiro e uma câmera emprestada. Uma primeira versão foi editada, mas nunca chegou aos cinemas e o material original quase se perdeu.

Em 2015, a diretora começou a restaurar as gravações, acrescentou depoimentos inéditos e, já em meio à pandemia, conseguiu concluir o trabalho. “É o mesmo filme, mas é um filme diferente”, reflete Ana Maria Magalhães, muito amiga de Leila. O longa foi exibido recentemente em sessões especiais dos festivais de cinema de Brasília e do Rio de Janeiro.

A passagem do tempo deu à cineasta o distanciamento para abordar a trajetória de Leila Diniz sob uma acentuada perspectiva política. “Eu percebi que o que aconteceu com a Leila não foi aleatório. Em 1969, ela já estava com dificuldade de conseguir emprego na TV, apesar de ser uma atriz muito popular. Nessa época, ela deu a entrevista para O Pasquim e a ditadura entrou pesado mesmo. No meu entendimento, houve uma trama contra a Leila, para quebrar a base econômica dela”, avalia a diretora.

45 anos de leila diniz no pasquim

A entrevista ao jornal alternativo enfureceu os militares. Nela, a atriz falou sobre amor, sexo, desejo, prazer e infidelidade, com muitos palavrões, todos substituídos por asteriscos na edição.

Leila chegou a ficar algum tempo escondida porque havia uma ordem de prisão contra ela. Esse período é reconstituído a partir do valioso depoimento do cunhado da atriz, Marcelo Cerqueira, ex-advogado de presos políticos. Ele considera que Leila foi vítima de “macarthismo” na televisão e fala em perseguição à carreira da atriz.

O advogado conseguiu que o então ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, revogasse a ordem de prisão, mas Leila teve que assinar um termo de responsabilidade comprometendo-se a não falar palavrões em público. “Ela chegou em casa arrasada naquele dia porque assinar o termo foi uma autonegação dos valores dela, e a Leila era uma pessoa muito honesta”, conta a diretora.

Dois meses depois da entrevista, em janeiro de 1970, o ditador Emílio Médici publicou o Decreto-lei 1.077, que instituiu a censura prévia à imprensa e às editoras, sob a alegação de proteger a moral, os bons costumes e a família.

A norma ficou conhecida como “decreto Leila Diniz”. “Muita gente não tem ideia do que é viver sob uma ditadura, um Estado policial. Diante do que nós estamos vivendo no Brasil, é o momento de contar a história da Leila, de entender tudo o que aconteceu com ela, o que está acontecendo agora e que pode ser ainda pior se o atual presidente se reeleger e esse grupo político continuar no poder”, avalia Ana Maria Magalhães.

Leila, contudo, não era de levantar bandeiras, nem políticas nem comportamentais. “Ela era muito espontânea, independente, sempre trabalhou muito, tinha um compromisso com a verdade e a igualdade. Isso era muito forte na relação dela com as pessoas. Nas nossas conversas, ela sempre pregou a igualdade na relação entre homens e mulheres. Não tinha essa coisa ‘ele pode, eu não posso’. Isso não existia para a Leila”, observa Ana Maria Magalhães.

A imagem de Leila como mulher liberada e dona de si ficou cristalizada na fotografia em que ela aparece de biquíni, na ilha de Paquetá, grávida de seis meses de sua única filha, Janaína, com o cineasta Ruy Guerra. A foto também provocou críticas a Leila, mas com o tempo, inspirou outras mulheres, e as brasileiras passaram a exibir as barrigas de gravidez com total naturalidade nas praias.Biografia de Leila Diniz - eBiografia

Por meio de muitos depoimentos de amigos, amores, atores e diretores, e trechos de filmes em que Leila atuou, o longa realça a estatura e consistência de sua carreira. Traz ainda fatos desconhecidos, como uma situação de violência sexual da qual Leila conseguiu se livrar de forma inusitada.

Um dos momentos mais arrebatadores do documentário é a sequência em que Leila e Ana, muito jovens, dançam para a gravação de um filme, “As Bandidas”, que não chegou a ser concluído. A alegria transborda da tela.

A caminho da Austrália, de onde nunca voltou, Leila mandou um cartão postal para Ana, ao fazer uma escala no Taiti. Como endereço do remetente, escreveu a expressão em francês “un peu partout” —um pouco por toda parte.

Ao mostrar a coragem com que Leila enfrentou a vida, quebrou tabus e influenciou tantas mulheres, o filme transmite exatamente essa sensação: Leia Diniz continua aí, “um pouco por toda parte” e um pouco em todas nós.

27
Nov21

Desembargadores em conversa íntima: “Levarei duas. A loira é do Xisto”

Talis Andrade

Transmissão no YouTube

O presidente da Primeira Câmara Criminal do TJPT, desembargador Paulo Edison de Macedo, falou que vai "levar duas" mulheres 

 

Picasso era mulherengo. Comia até as mulheres dos amigos. Quando completou noventa anos, uma repórter indagou se ainda estava ativo sexualmente. O pintor respondeu: no dia que não faço sexo, toco uma punheta. Deve ser assim na vida descansada dos desembargadores. 

Fala Isadora Teixeira, no Metrópoles, sobre o despacho de duas mulheres: um loura, e a outra morena. Morena, para a supremacia branca do Paraná, a Branca de Neve que tem os cabelos pretos ou castanhos. 

Donde os velhotes casanova arranjam mulheres só o diabo que tenta as almas sabe dos palácios e alcovas. 

Parece que esta não foi a preocupação de Isadora. Que escreve:

Desembargadores do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) foram gravados em meio a uma conversa íntima, na qual supostamente referem-se a mulheres. O diálogo pessoal ocorreu durante a sessão da 1ª Câmara Criminal na quinta-feira (25/11).

O presidente do colegiado, desembargador Paulo Edison de Macedo Pacheco, perguntou ao desembargador aposentado Antônio Loyola Vieira se ele foi a um determinado local, sem especificar onde seria. Loyola respondeu que não pôde ir, mas tentaria estar presente no dia seguinte. Depois, Pacheco diz: “Vou levar as duas lá para você ver. Uma para você e uma para o Xisto. A loira é do Xisto”. De repente, uma pessoa não identificada alerta ao presidente que a sessão está ao vivo.Transmissão ao vivo no YouTube

Desembargador aposentado Antônio Loyola

 

Xisto é um terceiro desembargador: Adalberto Jorge Xisto Pereira. Ele também integra a 1ª Câmara Criminal do TJPR. Apesar de ser citado pelos colegas, Xisto não apareceu durante o diálogo.

Veja o vídeo:

A conversa dos desembargadores, no meio da sessão, foi gravada e transmitida ao vivo pelo canal do TJPR no YouTube. Nesta sexta-feira (26/11), contudo, o vídeo já não estava mais disponível.

O outro lado

A coluna questionou, por meio da assessoria do TJPR, se o tribunal e os desembargadores queriam se pronunciar sobre o assunto. O TJPR disse que não irá comentar o caso.

Sobre o desembargador aposentado Loyola, o tribunal esclareceu que ele não participou da sessão da 1ª Câmara Criminal. “Ele ingressou antes da sessão começar apenas para rever os colegas da Câmara”, pontuou. [Bateu uma saudade]

                   

04
Nov21

O que é racismo estrutural?

Talis Andrade

calos latuff consciencia negra.jpg

 

 

Entenda o termo e como combater o problema na prática

14
Out21

Subtenente da PMDF é investigado por participação em estupro coletivo

Talis Andrade

bombeiros socorrendo vítima

 

por Darcianne Diogo /Correio Braziliense
 
Uma jovem, 25 anos, foi vítima de estupro coletivo no sábado (9/10), no Setor 1 de Águas Lindas de Goiás (GO) — distante cerca de 50km de Brasília — durante uma festa que ocorria em uma casa. A mulher, que relatou ter sido ameaçada e violentada por seis homens, conseguiu fugir e pedir ajuda. Três tarados foram presos em flagrante. Um dos detidos é um subtenente do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) do Distrito Federal.
 

A vítima narrou aos populares que a socorreram que estava em uma festa em uma casa no município goiano quando foi ameaçada com uma arma de fogo e obrigada a entrar em um dos quartos da residência. Durante toda a madrugada, a jovem foi abusada sexualmente. Na manhã de sábado (9/10), ela teria aproveitado um momento de descuido dos agressores, vestido a camiseta de um dos suspeitos, que era do policial militar e conseguido fugir para pedir ajuda.

Os policiais militares do Estado de Goiás foram acionados e se deslocaram até o endereço onde ocorreu o crime. Os seis homens foram identificados e conduzidos até a 17ª Delegacia Regional de Águas Lindas. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBM-GO) atendeu a jovem e a encaminhou até o Hospital Municipal Bom Jesus. Como consta na ocorrência policial da Polícia Militar (PMGO), os policiais conversaram com a vítima na unidade de saúde após ela ter sido atendida e medicada. Depois, os policiais a levaram até à DP para reconhecimento.

Reconhecimento

Na unidade policial, a vítima reconheceu três dos seis violentadores, incluindo o subtenente da PMDF. O Correio apurou que a arma utilizada para ameaçar a vítima era do policial militar. O armamento foi recolhido pela autoridade de polícia judiciária, pois o mesmo não apresentou o registro e nem o porte de arma. A jovem foi encaminhada ao Instituto de Medicina Legal (IML) para a realização de exames.Prefeitura do Recife lança campanha contra machismo nas redes sociais |  Pernambuco | G1

 

O subtenente da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Irineu Marques Dias e mais cinco homens se revezaram para estuprar uma jovem de 25 anos, em Águas Lindas de Goiás, Entorno do DF. A violência sexual teria ocorrido no último sábado (9/10). As informações são do depoimento prestado pela jovem à polícia.

Além do militar, a moça identificou outros dois acusados de cometer os abusos: Thiago de Castro Muniz e Daniel Marques Dias. Ainda de acordo com o apurado pela polícia, Irineu estava em horário de serviço no momento em que a mulher foi violentada.

11
Set21

Um sonho que a repressão não destrói

Talis Andrade

 

juventude revolução urariano.jpg

 

Sonho de abnegação, igualdade, de liberdade, de justiça para todos, de desapego perante os bens materiais

 

por José Carlos Ruy

Um dia desses, conversando com minha filha, uma moça de 21 anos que estuda Letras, ela me falava, contrariada, de tantas moças e rapazes (e movimentos e artistas ‘jovens’) que parecem envelhecidos pela recusa a correr riscos, e pela vontade de ter todas as garantias e segurança que a sociedade oferece. São jovens na idade, mas não no coração, dizia ela.

Esta lembrança me ocorre no momento em que escrevo a ‘apresentação’ a este livro extraordinário a que Urariano Mota deu um título preciso: A mais longa duração da juventude. Um relato ficcional amplamente ancorado na memória dos jovens que, por volta de 1970, resistiam à ditadura no Recife, como tantos outros Brasil afora. E traziam inscrito em sua bandeira, com letras de um vermelho flamejante: ‘revolução e sexo’. Nesta ordem, adverte Urariano.

Urariano autógrafo.jpg

 


Rapazes e moças que, por volta de seus vinte anos, viviam às voltas com as agruras da luta política e revolucionária, e os ardores do sexo que despertava. Agruras e ardores narrados com a precisão de acontecimentos ‘de ontem’, que continuam presentes, quase meio século depois, com a mesma e intensa realidade do brilho das estrelas de que conhecemos somente a luz que cruzou milhares de anos-luz, estrelas que talvez nem existam mais no momento em que sua imagem nos alcança.

A luz dessas estrelas é semelhante ao sonho que, hoje, meio século mais tarde, aqueles jovens ainda sonham mesmo que seus corpos já não tenham a força dos vinte anos. Mas o viço e o vigor do sonho permanecem. E fazem mais longa a duração da juventude.

Urariano Mota sabe como poucos mesclar memória e ficção. E de tal maneira as confunde na textura da escrita que, nela, o real vira imaginado, e o imaginado assume as formas do real. E o tempo funde as duas pontas do relato, entre o passado e o presente. Fundidos por uma reflexão fina, ligada – para dizer como se dizia há quase meio século – pela análise concreta de situações concretas. Não é filosofia, quer Urariano. Mas é reflexão fina, humanamente fina e que tem o dom de trazer à vida, com seus matizes, os debates com que aqueles jovens de esquerda, revolucionários, desenhavam seu futuro, o futuro de todos, do país e da humanidade.

Sonho que levou o garoto de 1969 a comprar um disco de Ella Fitzgerald onde poderia ouvir I wonderwhy, se tivesse vitrola (palavra antiga para toca-discos, também antiquada no tempo dos igualmente em superação cdplayers). Não importa que não tivesse! Teria, um dia, e ouviria a cantora cuja voz amava. Sonho semelhante ao que tantos anos depois, quando já não existia a ameaça da repressão ditatorial, queria uma bandeira do Partido Comunista do Brasil para envolver o caixão do amigo morto.

Sonho de abnegação, igualdade, de liberdade, de justiça para todos, de desapego perante os bens materiais e construção de um mundo novo, socialista.

Sonho embargado pela memória cruel da sordidez da delação do infame Cabo Anselmo, que levou Soledad e tantos outros à morte na tortura ou pelas balas da repressão da ditadura.

Nesta permanência da juventude não há, como há em Goethe, nenhum pacto com o demônio, como aquele pelo qual o poeta buscou a garantia da juventude permanente.

‘Eu não sou um velho. Aliás, nós não somos velhos’, diz um diálogo neste livro maravilhoso. ‘Eu sei. O tesão de mudar o mundo continua’.

Este é um livro que une, com a arte da memória, 1970 e 2017 – se fosse possível fixar parâmetros tão fixos... É um livro que olha o passado não pelo retrovisor que encara o acontecido faz tanto tempo. É um livro que faz do passado os faróis que iluminam o caminho do futuro. E reduz a distância no tempo revivendo, tanto tempo depois, a mesma luta que uniu, e une, tanta gente.

Um sonho contra o qual a barbárie e a estupidez dos cabos anselmos da repressão da ditadura foi impotente. E não o destruiu. E que é a senha para a mais longa duração da juventude.

01
Mar20

Últimas notícias sobre o clitóris

Talis Andrade

Últimas notícias sobre o clitóris

 

 

As mulheres têm o privilégio de possuir o único órgão humano com a exclusiva função de proporcionar prazer. Mas tão precioso recanto do corpo foi esquecido, repudiado, menosprezado e, ainda hoje, é mutilado. Trata-se de um símbolo da história feminina. Esqueça toda propaganda contra da ministra Damares. Faça com Ana Alfageme, uma viagem de exploração ao centro do gozo erótico. Aqui

 

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