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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Set19

Os rebentos do capitão Bolsonaro

Talis Andrade

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Por Leandro Fortes

Caso alguém ainda tivesse alguma dúvida sobre o complexo freud(peni)iano que atormenta Eduardo Bolsonaro, a foto dele, armado, ao lado do pai recém-operado, num quarto de hospital, encerrou o assunto. Mas não é só isso.

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O 03 tem, como os demais irmãos, deficiências mentais e psicológicas potencializadas, certamente, por uma criação disfuncional sob a batuta de um pai desesperadamente rude, para dizer o mínimo. Para cada um deles, Bozo criou uma expectativa brutal de realização pessoal sem margem de escolha, todos inseridos precocemente na política sob a mesma moral religiosa, ideológica e social. O resultado é esse espetáculo grotesco, inumano, essa agonia em praça pública de três homens atormentados.

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Eduardo, escrivão da Polícia Federal, tem fixação por ostentar armas, o que, por si só, não pode ser explicado apenas a partir da controvérsia lançada em público, por uma ex-namorada, sobre as dimensões de sua genitália. Não há, por óbvio, nenhuma relação entre sociopatia e pau pequeno.

Está claro que a intenção do 03 é manter-se, simbolicamente, como referência ostensiva da ideologia belicista da família e manter a tropa bolsonarista ativada em torno dessa imagem do idiota armado – como se sabe, fonte poderosa de votos, no Brasil de hoje.

No leito do hospital, Bozo não esconde a satisfação de ter o filho com uma pistola enfiada na cueca, bem ao lado. Dentro da estrutura familiar levada a cabo pelo ex-capitão, essa demonstração absurda de estupidez é, antes de tudo, uma posição ideológica, quando não uma reafirmação de gênero. Bolsonaro, como se sabe, prefere ter um filho morto a um filho gay.

O que nos leva a Carlos, o 02, este, o mais sequelado de todos, sobre quem paira uma dúvida, entre jocosa e venenosa, sobre sua verdadeira orientação sexual. Carluxo, como ficou conhecido depois uma sôfrega demonstração de afeto do primo Leo Índio, no entanto, perde pouco tempo com o assunto. Tem como especialidade usar o Twitter para mostrar ao Brasil e ao mundo que precisa, urgentemente, de tratamento psiquiátrico.

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Assim como o irmão que sonha em ser embaixador nos Estados Unidos, Carluxo demonstra, além de grave dislexia, uma ignorância abissal sobre, literalmente, todos os temas que aborda. O que quer que fale ou escreva transborda ausência de escolaridade, leitura, conhecimento geral básico e senso de ridículo.

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Nas sombras, desde que vieram à luz as negociatas que fazia quando era deputado estadual, no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro não é muito diferente dos irmãos. O 01, contudo, não pode, como os outros dois, ficar exposto ao sol com tanta frequência, sob o risco de ganhar um par de algemas, num momento de distração. Para quem, num debate eleitoral, desmaiou e foi levado para casa todo cagado, manter-se assim, discreto, é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência.

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10
Set19

A cada quatro horas uma menina com menos de 13 anos é estuprada no Brasil

Talis Andrade

Dados são do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública 2018, que mostram que mortes nas mãos da polícia aumentaram 19%, cujas vítimas são homens (99%), negros (75%) e jovens (78%)

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O adolescente Marcus Vinícius da Silva, de 14 anos, e sete pessoas mais morreram por disparos durante uma operação policial no Complexo da Maré, no Rio, numa quarta-feira de junho do ano passado. O garoto ia para a escola quando foi atingido por um tiro estômago. A fria estatística indica que naquele dia 17 brasileiros foram mortos por tiros da polícia. Eles representam um inquietante fenômeno que está crescendo no Brasil.

O Brasil, com 210 milhões de habitantes, é quase duas vezes maior que a União Europeia, e é o país do mundo com mais mortes intencionais.

A comparação com países vizinhos indica que a polícia brasileira está entre as mais letais da América Latina. 

Educação sobre igualdade de gênero

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O anuário inclui dados estarrecedores, como o de que uma menina com menos de 13 anos é estuprada a cada quatro horas. A violência sexual atinge principalmente os mais vulneráveis, agredidos geralmente em suas casas − por seus pais, padrastos, tios, vizinhos ou primos. Por isso, o fórum destacou a importância de que as escolas eduquem sobre igualdade de gênero e violência sexual. As menores de 13 anos representam mais da metade (54%) das vítimas dos 66.000 estupros registrados, um dramático recorde no Brasil. Leia mais

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17
Mai19

Bolsonaro e Damares só pensam naquilo

Talis Andrade

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Um vídeo que circula na internet mostra o presidente Jair Bolsonaro ironizando um turista oriental, na quarta-feira (15), durante sua passagem pelo aeroporto de Manaus, no Amazonas, com destino aos Estados Unidos. “Tudo pequenininho aí?”, pergunta ao homem de descendência asiática.

 

Que cousa mais esquisita, um presidente de um país ocidental espalhar o mito de que o oriental possui um pênis pequeno. 

 

Nas imagens, o homem, que é estrangeiro, fala "Brasil, gostoso". Bolsonaro reage rindo, e responde "opa, opa!" Em seguida, faz um gesto de tamanho utilizando uma das mãos e ironiza: "Tudo pequenininho aí?".

 

A cena aconteceu nesta madrugada, durante escala em Manaus, antes de seguir para Dallas, nos Estados Unidos.

 

Pênis pequeno

A revista Super Interessante informa: "Isso é uma das maiores calúnias já perpetradas contra nossos amigos nipônicos! Se você quer mesmo saber, o bilau do Sol Nascente costuma ser maior que o brasileiro. Segundo o Japanese Journal of Sexology, a média japonesa é de 13 cm. No Brasil, devido à grande miscigenação de raças, a média é de 12,4 cm. Bem está a África do Sul: lá o índice é de 15,9 cm".

Há uma campanha marginal denunciando o nudismo nas universidades, inclusive a realização de festas que terminam em suruba. 

Recentemente Bolsonaro alertou que o Brasil não pode ser país do turismo gay, e em seguida acrescentou: “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. Fala machista e homofóbica foi duramente criticada.

 

O bizarro catálogo de perversões sexuais da ministra Damares

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Socialista Morena - A extrema-direita já deu mostras suficientes de possuir uma mente pervertida, capaz de, como diz a psicanálise, projetar nos adversários suas fantasias sexuais mais sórdidas. O auge (e a comprovação) disso aconteceu durante a campanha eleitoral, quando inventaram uma “mamadeira de piroca”, uma mamadeira com um pênis no lugar do bico que seria distribuída em creches (!!), para atacar o opositor Fernando Haddad. Quem em sã consciência imaginaria uma coisa dessas? Só alguém muito pervertido, claro.

Entre os extremistas em ação no novo governo, ninguém parece superar a ministra da Mulher, Direitos Humanos (sic) e da Família, Damares Alves, em reunir as mais bizarras fantasias sexuais em forma de “denúncias” contra a esquerda e os LGBTs. Damares conseguiu superar os grandes clássicos da literatura erótica em termos de perversões. Em menos de dois meses desde que foi alçada ao poder, o catálogo da ministra já reúne as mais doentias teorias sobre sexo já vistas. De onde é que eles tiram estas coisas? Freud explica.

Neste post, elencamos algumas das perversões que a ministra Damares afirmava estar sendo disseminadas aos estudantes, a partir do jardim de infância, nas escolas públicas do país –e, claro, culpava a esquerda por elas. É de se perguntar: o que gente com uma mente tão doentia pretende fazer com suas crianças?

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Kit gay

A então assessora do senador Magno Malta foi uma das primeiras fundamentalistas religiosas a falar em “kit gay”. Um manual contra a homofobia, o “Escola sem Homofobia”, que o governo federal, sob o comando do PT (claro), intencionava distribuir nas escolas, foi transformado em um “manual de como se tornar gay” pelos fundamentalistas.

Este singelo documento anti-intolerância seria capaz de fazer qualquer um “virar” homossexual, bastando ter contato com os panfletos. Por incrível que pareça, essa maluquice se espalhou ao ponto de 84% dos eleitores de Bolsonaro acreditarem que ele é real, já que o candidato do PSL usou a mentira em seu horário gratuito na TV e em entrevista ao Jornal Nacional, mesmo após o TSE proibi-lo de apelar à notícia falsa contra Haddad.

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Holandeses masturbam bebês de 7 meses

A ministra de Bolsonaro afirmou em 2013 que os holandeses começam a masturbar bebezinhos a partir dos sete meses para que se tornem “homens saudáveis sexualmente” e as meninas teriam sua vagina “massageada” na mesma idade para que “tenham prazer na fase adulta”. Os holandeses, claro, souberam da aberração da qual eram acusados e manifestaram sua indignação nas redes sociais.

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Hotéis-fazenda são fachada para turistas transarem com animais

Fala sério! A mulher acha que as pessoas vão com suas famílias para hotéis-fazenda não para descansar e ver a natureza, mas para transarem com bezerros, cabras e galinhas. Curioso que quem admitiu que já fez sexo com animais foi o chefe dela.

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Meninos de 3 anos chupam o pipi do coleguinha

Segundo a ministra Damares, uma professora de Brasília estaria em um dilema porque um aluno de três anos de idade estaria fazendo sexo oral em outro bebê da mesma idade, mas a diretora a teria admoestado a não fazer nada a respeito porque seria “homofobia”. Só problemas psicológicos (e sexuais) graves podem explicar que alguém acredite que um bebê de três anos possa “chupar o pipi” de outro, como se as escolas fossem lugar de orgia entre crianças. E dizer que se a professora fizesse algo contra isso seria “homofobia”? Mitomania em grau máximo.

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Dever de casa de meninas de 12 anos é beijar meninos e meninas

Ver Jesus no pé de goiaba é fichinha perto disso. O mais impressionante é que Damares é incapaz de exibir qualquer evidência do que fala. Quem acredita numa coisa dessas? Só quem acredita em mamadeira de piroca. Ou quem tem uma mente tão doentia quanto.

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Crianças a partir de 10 anos recebem espelhinhos na escola para aprender a se masturbar

Segundo Damares, nas escolas de Rondônia as crianças a partir de 10 anos recebiam cartilhas e, junto com elas, um espelhinho para aprender a se masturbar olhando suas vaginas. Provas disso? Zero.

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Livros didáticos redirecionam crianças para sites pornô

Essa merecia um processo: segundo a ministra, livros didáticos aprovados e distribuídos pelo Ministério da Educação redirecionam crianças para sites pornô. Nas provas aplicadas a estudantes, professores perguntariam a crianças de 9 anos: “O que é boquete?” As editoras e autores atacados por Damares deviam pedir indenização, além dos professores e dos pais das crianças. Que tipo de gente ela acha que são os professores do Brasil para permitir uma coisa dessas? Que tipo de pais não zelam pelo que seus filhos aprendem na escola? Talvez pais como a ministra, acusada de pegar a filha  dos outros sem autorização. [Vejam vídeos aqui com os sermões e entrevistas da ministra Damares]

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03
Mar19

O dia que Eduardo Bolsonaro teve "vontade de sair do Brasil"

Talis Andrade

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Eduardo Bolsonaro goza em pousar segurando armas. Virou mania. Agora está no noticiário a denúncia de que viajou com o dinheiro da Câmara dos Deputados para treinar tiro.

No dia 14 de janeiro último, Jair Bolsonaro assinou o decreto, redigido pelo ministro da Segurança Sérgio Moro, que facilita a posse de armas no país.

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A arma, para os Bolsonaro, constitui uma ferramenta de trabalho. Fernando Haddad revelou que "a relação da família Bolsonaro com as milícias é histórica".

Além de arranjar emprego para a esposa e filhas de Fabrício Queiroz – uma delas como assessora fantasma de seu pai –, Flávio Bolsonaro  empregou também a mãe e a esposa do ex-Bope Adriano Nóbrega. "Sim, o mesmo que é apontado como um dos assassinos de Marielle Franco". Leia mais 

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Adriano Nóbrega

 

Neste Carnaval, o Brasil canta nas ruas o refrão: "Doutor, eu não me engano/ o Bolsonaro é miliciano". 

Transcrevo do 247: É com a legenda “Sessão de desestresse no Clube e Escola de Tiro 38”, que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) aparece em um vídeo em uma sessão de tiros em Santa Catarina, em 28 de agosto de 2016, um dia depois de ter viajado do Rio de Janeiro para Florianópolis com passagem comprada com verba da cota parlamentar.

A denúncia foi feita pelo jornalista Gustavo Fioratti, na Folha de São Paulo. "O total da verba gasta com as passagens relativas apenas ao litoral catarinense é de R$ 21 mil. Já as passagens para o Rio Grande do Sul totalizam o uso de R$ 19 mil. As somas são referentes apenas ao período de 12 meses. Em duas ocasiões o uso da passagem foi destinada a funcionários do gabinete do deputado. Eduardo gastou R$ 411 mil da cota parlamentar nestes meses, dos quais R$ 224,5 mil para passagens aéreas. Além de passagens para esses destinos, Bolsonaro viajou para Fortaleza, João Pessoa, Salvador", diz a reportagem.

O jornal O Globo publicou sobre Adélio Bispo de Oliveira:

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Agressor esteve em clube de tiro que filhos de Bolsonaro frequentam

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“Ele chegou aqui, fez um cadastro, foi acompanhado, após fazer um cadastro e dar a identidade dele, como todo e qualquer cidadão que vem aqui, por um instrutor para a prática de tiro. Esse instrutor fica junto no momento em que a arma é escolhida. Fica junto a todo instante”, disse Julia Zanata, porta-voz do clube de tiro.

Dois filhos de Jair Bolsonaro, Carlos e Eduardo Bolsonaro, são membros associados há três anos desse mesmo clube de tiro. Leia mais

É preciso investigar essa gastança de dinheiro público de Eduardo Bolsonaro. E essa coincidência de aparecer nos lugares do gosto de Adélio Bispo.

A reportagem d'O Globo esclarece que "apesar de frequentarem bastante o clube, eles não estiveram no local no mesmo dia que Adélio".

Quem pagava as mensalidades de Adélio Bispo no mesmo clube dos irmãos Bolsonaro?

Vários questionamentos jamais, jamais levantados pela Polícia Federal:

Por que Adélio Bispo, que praticava tiro ao alvo, usou uma faca dobrável para matar o então candidato a presidente Jair Bolsonaro? 

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A Polícia Federal afirma que Adélio Bispo não tinha dinheiro para comprar uma arma de fogo. Quando dispunha de 3 mil e 500 reais em uma conta bancária.

Adélio podia ter atirado de um prédio qualquer na rua estreita que Bolsonaro desfilava no cangote de algum segurança. Confira aqui. Mas preferiu ser linchado e preso. 

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 Mineiro de Monte Claros, com residência em Juiz de Fora, quem pagava as passagens de Adélio Bispo para Brasília, e Paraná? Homem de 40 anos, autodidata, semianalfabeto, que vinha aprendendo a escrever com a leitura da Biblia, sempre exerceu as profissões mais humildes, sendo seu último emprego, de carteira assinada, o de ajudante de pedreiro.

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Casa dos familiares e residência de Bispo

 

Fernando Rosa indaga sobre o critério, ou interesse, em separar o processo de investigação em duas partes? 

"Qual a explicação para a existência de registros de entrada de Adélio nas dependências da Câmara dos Deputados no dia do atentado – 6 de setembro (...)

Também, por que o chefe da segurança da equipe da Polícia Federal não se encontrava no dia do atentado, em Juiz de Fora, comandando a proteção ao candidato? Por que os policiais não usavam rádio, que consideram mais adequado, para coordenar as ações de segurança? E, ainda, por que o ausente chefe da segurança da PF foi afastado, sem maiores explicações?". Leia mais

Justamente para Juiz de Fora, foi uma única viagem realizada por Eduardo Bolsonaro na campanha presidencial. 

 

Freud e o drama das pistolinhas de Eduardo Bolsonaro

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As pistolinhas de Eduardo Bolsonaro

 

Todo dicionário de símbolos apresenta toda arma que fura, que penetra, como símbolo fálico.

Kiko Nogueira escreve: Em suas “Conferências Introdutórias sobre Psicanálise”, Sigmund Freud incluiu em suas interpretações dos sonhos as armas como símbolos da genitália e, em particular, do pênis.

“Todas as armas e ferramentas são símbolos do órgão masculino: por exemplo, martelo, arma, revólver, punhal, espada, etc”, escreveu.

Abaixo, o desabafo que o deputado Eduardo Bolsonaro fez no Facebook relatando seu drama com seus chaverinhos nos aeroportos:

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PRECONCEITO CONTRA CHAVEIROS!!!

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Preciso falar com vocês algo que tem me incomodado. Não será uma confissão tipo Sandy e Júnior, mas foi algo que me atingiu profundamente. Em minhas andanças por aí passei por um aeroporto em que a funcionário do raio-x quis encrencar com meus chaveiros de arminhas pendurados em minha mochila. Um revolverzinho de ferro e uma pistolinha de borracha (foto) , ambas com alguns centímetros de comprimento. Sem a minha permissão ela saiu abrindo o zíper da minha mochila e tratando de esconder os chaveiros dentro da mochila. Perguntei o porquê daquilo e ela disse ser uma norma que era proibido ter no aeroporto qualquer coisa que lembrasse uma arma. Eu falei algo que na minha cabeça era óbvio – mas talvez para ela não fosse – disse que aqueles chaveirinhos não atiravam, que ninguém acharia que era um objeto ameaçador.

Ela insistiu, disse que poderia sujar para ela caso alguém visse e etc. Vendo tamanho abismo decidi ser impossível seguir numa argumentação, falei que aquilo estava ferindo meus princípios, minha pessoa, minha moral, tudo – falei isso para evitar de falar outras coisas – tirei os chaveiros escondidos de dentro da mochila, deixo-os a mostra novamente e simplesmente saí dali. Não xinguei, não resmunguei, não fiz cara feia, não queria estressar a menina, apenas saí. Mas saí com vontade de sair do Brasil também. Ridículo uma pessoa se prestar àquilo. Se fosse um chaveiro de metal imitando folha de maconha ou uma genitália de borracha certamente eu não teria tido esse problema…

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Após declaração de ex de Eduardo Bolsonaro, memes invadiram a web

bolsonaro x ex namorada .jpgApós a repercussão da notícia em que a ex-namorada de Eduardo Bolsonaro manda a indireta 'tem nojinho de vaginas', usuários das redes sociais não perdoaram e comentários como "bilauzito", "pinto pequeno" e claro, memes com montagens de Eduardo, já estão circulando. Veja aqui. Entenda a briga de Patrícia Lélis com Bolsonaro aqui

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07
Dez18

Os "malucos" sapateiam no palco

Talis Andrade

Aqueles que não eram levados a sério hoje têm poder atômico e também o de destruir a Amazônia

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El País/ Espanha
 
 

Nas últimas décadas existiu um consenso de que, diante dos absurdos que eram ditos nas redes e em outros espaços, a melhor estratégia era não responder. Contestar pessoas claramente mal intencionadas e intelectualmente desonestas, em sua busca furiosa por fama, seria legitimá-las como interlocutor, dando crédito ao que diziam. E, assim, servir de escada para que ganhassem mais visibilidade. A frase popular que expressa essa ideia é: “Não bata palmas para maluco dançar”. A eleição de Donald Trump, de outros populistas de extrema-direita e agora de Jair Bolsonaro revelou que este foi um equívoco que vai custar muito caro.

O que se deixou de perceber é que, com a internet, os "malucos" já tinham um palco nas redes sociais e no YouTube, assim como a capacidade de multiplicá-lo sem serem perturbados no WhatsApp. As falsas teorias que inventavam eram lidas como se fossem sérias e confiáveis. Os palcos haviam mudado de lugar e os “malucos” dançaram sem serem confrontados com fatos nem incomodados por ideias. As palmas só aumentavam de volume enquanto os ilustrados torciam o nariz ou esboçavam sorrisos de superior ironia.

 

Os “malucos” não só dançaram, como sapatearam. Em seguida, passaram a afirmar seus pensamentos como “verdades” – e verdades únicas. O próximo passo foi conquistar o poder. Hoje os “malucos” não só ocupam os palcos mais centrais como têm o poder atômico de explodir o mundo, como Trump, ou acabar com a Amazônia, como Bolsonaro.

 

Se a eleição de Trump já havia exposto essa realidade, a de Bolsonaro é ainda mais emblemática. No caso de Trump, ao menos se poderia contrapor que o presidente americano é um bem sucedido homem de negócios, algo bastante valorizado no país do “faça-se a si mesmo”, frase usada para encobrir desigualdades decisivas para o destino de cada um. No caso de Bolsonaro, apesar de ele se apresentar e ser apresentado como “capitão reformado”, o presidente eleito passou os últimos 28 anos como um político profissional com pouca ou nenhuma importância para as grandes decisões do Congresso, ganhando espaço no noticiário apenas como personagem burlesco. Conseguiu se eleger sem sequer participar de debates no segundo turno – ou exatamente por isso –, porque dominava os palcos que importavam para ganhar a eleição.

 

Bolsonaro, que é chamado de “mito”, é um mitômano

 

Embora Bolsonaro só assuma oficialmente em janeiro, claramente o governo de Michel Temer acabou em 28 de outubro, quando o deputado se elegeu presidente. Hoje os brasileiros percebem que aquilo que parecia ser um universo paralelo, que só em situações excepcionais cruzava com o real, se tornou o que podemos chamar de realidade. O homem que já governa o Brasil, chamado de “mito” por seus seguidores, é um “mitômano”.

 

O que sabemos até agora é que Bolsonaro venera três figuras masculinas: Carlos Alberto Brilhante Ustra, militar e torturador da ditadura (1964-85); Olavo de Carvalho, que se apresenta como filósofo e se popularizou na internet depois de ser colunista da grande imprensa, e Donald Trump. Ustra desponta como a referência ética de Bolsonaro, Carvalho como seu guru intelectual e Trump é seu farol como líder. Por enquanto, temos uma trindade. E, neste ponto, Bolsonaro poderia interromper para afirmar que Deus acima de todos, já que Deus passou a ser um ativo na economia política que tem regido o Brasil atual.

 

A trindade de Bolsonaro é composta por um torturador, um guru e... Trump

 

Carlos Alberto Brilhante Ustra já foi amplamente descrito. Ele é reconhecido como torturador pela justiça brasileira e, conforme testemunhos, seria responsável por pelo menos 50 assassinatos. Como torturador, foi capaz de espancar grávidas e de levar crianças para ver o corpo destruído dos pais. Olavo de Carvalho já se manifestou contra campanhas de vacinação, isso num país que assiste a doenças consideradas erradicadas voltarem a ameaçar por baixa cobertura vacinal. Mora nos Estados Unidos desde 2005 e dá cursos de filosofia em vídeos transmitidos pela internet. Em recente entrevista à jornalista Júlia Zaremba, na Folha de S. Paulo, Carvalho assim se manifestou, ao ser perguntado sobre educação sexual nas escolas:

 

"Quanto mais educação sexual, mais putaria nas escolas. No fim, está ensinando criancinha a dar a bunda, chupar pica, espremer peitinho da outra em público. Acham que educação sexual está fazendo bem, mas só está fazendo mal. O Estado não tem que se meter em educação sexual de ninguém".

 

A credibilidade não é mais construída por uma reputação baseada em conhecimentos expostos ao debate, mas pela percepção emocional de “autenticidade”

 

A linguagem que o mentor intelectual do novo presidente do Brasil leva para a imprensa formal é a que rege a internet. Não há qualquer base para o que afirma, não há um único caso confirmado de que alguma criança foi ensinada na escola a “dar a bunda, chupar pica, espremer peitinho da outra em público”. Isso até hoje não existe como fato. Mas não importa. As afirmações não precisam estar enraizadas em fatos, basta serem ditas. A verdade foi convertida em autoverdade. E a credibilidade não é construída por uma reputação de conhecimentos postos à prova e expostos ao debate, mas pela percepção emocional de “autenticidade” daquele que a consome.

 

É “verdade” porque Olavo de Carvalho diz que é verdade o que claramente inventou. E é verdade porque, individualmente, cada seguidor de Olavo de Carvalho decidiu que é verdade. E, desde 29 de outubro, dia seguinte ao segundo turno eleitoral, é verdade também porque Olavo de Carvalho é a referência intelectual do presidente da (ainda) oitava economia do mundo.

A partir de suas autoverdades, Olavo de Carvalho indicou dois ministros do novo governo: o das Relações Exteriores, o diplomata Ernesto Araújo, e o da Educação, o colombiano radicado no Brasil Ricardo Vélez Rodríguez. Na mesma entrevista, Carvalho conta o processo pelo qual conseguiu emplacar dois ministros para governar o Brasil:

 

"Coloquei no Facebook, creio que coloquei também na área de mensagens do Eduardo Bolsonaro (em rede social). Foi tudo. Eu sei que o Bolsonaro lê as minhas coisas e a gente está vendo que leva bastante a sério. Eu fico muito lisonjeado com isso. (...) Sugeri esses dois simplesmente porque me ocorreu na hora".

 

A conturbada escolha do ministro da Educação explicitou a forma como o novo governo já começou a operar. O primeiro indicado, Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna, foi derrubado pelos evangélicos porque seria “esquerdista”. Em seguida, foi cogitado o procurador Guilherme Schelb, próximo do líder evangélico Silas Malafaia e defensor do “Escola Sem Partido”, projeto que busca censurar conteúdos e professores. Ao sair do encontro com Bolsonaro, Schelb fez a seguinte afirmação à imprensa:

 

"Eu não posso dar tarefa de casa, como tem sido feito, para criança de 8, 9 anos aprender discussão de gênero, o que é sexo grupal, como dois homens transam? O que é boquete? Isso é uma discussão de gênero, é uma violação da dignidade da criança".

 

Como a autoverdade dispensa os fatos, Schelb não foi incomodado pelo inconveniente de provar o que diz. Como por exemplo: em quais escolas do país e em quantas escolas do país crianças de 8 e 9 anos estão aprendendo sobre o que é boquete e sobre como dois homens transam? Onde está a tarefa de casa em que uma criança de 8, 9 anos precisa descrever um boquete e como dois homens transam?

 

A sociedade é levada a acreditar que as salas de aula são uma suruba permanente enquanto o real problema é empurrado para as sombras

 

Seria preciso perguntar onde isso está acontecendo e em que proporção isso está acontecendo no país. E o procurador precisaria responder. Com provas verificadas. Mas não há necessidade de provar. Basta dizer. Qualquer coisa. E assim vai crescendo no país o número de pessoas que acreditam que o cotidiano das salas de aula brasileiras é uma suruba permanente, quando os reais problemas, o baixo salário dos professores e a comprovada baixa qualidade do ensino ministrado no Brasil, são convenientemente empurrados para as sombras.

 

Dito de outro modo: o problema inventado se torna mais real do que o problema que de fato existe e que condena milhões de brasileiros às consequências de uma educação falha, limitando seu acesso ao mundo e suas possibilidades de uma vida plena.

 

Por fim, Bolsonaro acolheu a indicação de seu guru, Olavo de Carvalho: entre as várias crenças de Vélez Rodríguez, o futuro ministro da Educação, está a de defender que 31 de março de 1964, data do golpe que deu origem a uma ditadura de 21 anos, “é um dia para ser lembrado e comemorado”. Também critica a Comissão da Verdade, que apurou as torturas, sequestros e assassinatos cometidos por agentes de Estado durante o regime de exceção: “A malfadada ‘Comissão da Verdade’ que, a meu ver, consistiu mais numa encenação para ‘omissão da verdade’, foi a iniciativa mais absurda que os petralhas tentaram impor”. Nos próximos meses, a sociedade brasileira descobrirá como será ter a área da educação comandada por alguém que frauda os fatos históricos.

 

O futuro chanceler acusa a esquerda de ser “antinatalista”, mas omite que seu chefe defendeu a esterilização de mulheres para combater a pobreza e o crime

 

Vélez Rodríguez foi o segundo nome emplacado por Olavo de Carvalho. O primeiro foi Ernesto Araújo. As crenças do futuro chanceler já se tornaram piada internacional. Em seu blog chamado “Metapolítica 17” (número de Bolsonaro na cédula eleitoral), criado para apoiar seu futuro chefe, Araújo afirma que mudança climática é uma “ideologia de esquerda”. Também acusa o PT e a esquerda de “criminalizar o desejo do homem pela mulher, os filmes da Disney, a carne vermelha” e “o ar-condicionado”. Chegou a escrever que o PT “quer impedir que crianças nasçam” porque, para a esquerda, “todo o bebê é um risco para o planeta porque aumentará as emissões de carbono”.

 

Ao empilhar falsidades, Araújo omitiu uma verdade comprovada e documentada sobre seu candidato e agora chefe: nas últimas duas décadas, Bolsonaro defendeu a esterilização de mulheres e um rígido controle de natalidade como meios para combater a pobreza e a criminalidade. Mas quem se importa com fatos quando seus seguidores acreditam em qualquer mentira que ele disser que é verdade?

 

O problema é que nenhuma das afirmações escritas do futuro chanceler é piada. Ao contrário. É muito sério. Primeiro, porque Bolsonaro e parte de seu entorno manipulam essas mesmas mentiras. Segundo, porque os seguidores do presidente acreditam que são verdades. Terceiro, porque elas já começam a produzir consequências. O Brasil desistiu de sediar a próxima Conferência do Clima, a COP 25, em 2019, uma distinção que o governo brasileiro pediu e, dois meses atrás, Michel Temer (MDB) comemorou. Bolsonaro afirmou ter participado desta decisão e feito uma recomendação ao seu futuro ministro, Ernesto Araújo, para evitar a realização do mais importante evento mundial do clima no Brasil.

 

Está em curso a sexta extinção em massa na trajetória do planeta, a primeira causada pelos humanos

 

A liderança no debate da crise climática é a única que o Brasil teria as melhores condições para disputar, por ter no seu território a maior porção da maior floresta tropical do planeta, estratégica para o controle do aquecimento global. O país é também o mais biodiverso do mundo. Entre 1970 e 2014, a humanidade já destruiu 60% de todos os mamíferos, pássaros, peixes e répteis. Desde que os humanos apareceram na Terra, já desapareceram metade das plantas. O continente sul-americano é um dos que mais rapidamente está perdendo biodiversidade. Está em curso a sexta extinção em massa, a primeira causada pelos humanos.

 

Até a eleição de Bolsonaro, o Brasil tinha um papel de protagonista no debate do clima e da biodiversidade, no cenário mundial. Estes são os dois maiores desafios da atualidade, porque afetam todas as outras áreas, inclusive e muito fortemente o agronegócio. Hoje, em Katowice, na Polônia, é realizada a COP 24. Graças às declarações de Bolsonaro e Araújo, o Brasil é má notícia. Como foi má notícia no final de novembro, durante a Conferência Mundial da Biodiversidade.

 

Ao aceitar o convite para ser o futuro chanceler, Araújo abriu uma conta no Twitter. Como seu chefe, ele quer falar diretamente com os seguidores. Recentemente, escreveu um texto defendendo que sua indicação representaria um “mandato popular” no Itamaraty. Suas crenças supostamente representariam a vontade do povo no cenário externo. Araújo tenta seguir o mesmo caminho de seu padrinho, Olavo de Carvalho. Falando diretamente com os seguidores e desqualificando qualquer mediador, como a imprensa, a academia e mesmo seus pares, Araújo não precisa provar o que diz nem ter suas afirmações confrontadas com os fatos. Fala sozinho. Mas, para isso ser legítimo, como membro de um governo populista, precisa convencer o povo que fala pelo povo. Ou que o povo fala pela sua boca.

 

A certa altura, escreve: “E o povo brasileiro? Vocês não se preocupam com o que o povo brasileiro vai pensar de vocês? Sabem quem é o povo brasileiro? Já viram? Já viram a moça que espera o ônibus às 4 horas da manhã para ir trabalhar, com medo de ser assaltada ou estuprada? A mulher que leva a filha doente numa cadeira de rodas precária, empurrando-a de hospital em hospital sem conseguir atendimento? O rapaz triste que vende panos no sinal debaixo do sol o dia inteiro para mal conseguir comer? A mulher que pede dinheiro para comprar remédio, mas na verdade é para comprar crack e esquecer-se um pouco da vida? O outro rapaz atravessando a rua de muletas, com uma mochila toda rasgada às costas, na qual pregou o adesivo do Bolsonaro, talvez sua esperança de dar dignidade e sentido à sua luta diária? O pai de família com uma ferida na perna que não cicatriza nunca porque ele precisa trabalhar três turnos para poder alimentar os filhos? Aí está o povo brasileiro, não está no New York Times”.

 

Não é porque o chanceler de Bolsonaro não acredita em aquecimento global que o planeta vai deixar de aquecer e afetar a vida de milhões de pessoas

 

Como Araújo pretende falar diretamente com “o povo”, mas numa via de mão única, em que ele fala e o povo engole, ele prefere não explicar ao povo que são os mais pobres que sofrerão o maior impacto das mudanças climáticas. As pessoas em regiões de baixa renda têm sete vezes mais chances de morrer quando expostas a riscos naturais do que populações equivalentes em regiões de alta renda. Os mais pobres também têm seis vezes mais chances de serem feridos ou de precisarem se deslocar, abandonando suas terras e casas. O Brasil tem perdido mais de 6,4 bilhões de reais por ano com eventos extremos, como tempestades e inundações, provocados por mudanças climáticas.

 

A crise do clima tanto reflete a desigualdade abissal do Brasil quanto a amplia. São estas mesmas pessoas que Araújo diz conhecer – e seus críticos não – as que vão sofrer mais por ter um chanceler como ele. Não é porque Araújo não acredita em aquecimento global que o planeta vai deixar de aquecer e afetar a vida de milhões também no Brasil.

 

Ao final do texto, o chanceler se trai. Parte do povo, aquela que discorda dele, não entende nada. O chanceler com “mandato popular” diz ao “povo” que ele precisa deixar as decisões para quem sabe e para quem estudou: “Se você repudia a ‘ideologia do PT’, mas não sabe o que ela é, desculpe, mas você não está capacitado para combatê-la e retirá-la do Itamaraty ou de onde quer que seja. Ao contrário, você está ajudando a perpetuá-la sob novas formas. Se a prioridade é extrair a ideologia de dentro do Itamaraty, não lhe parece conveniente ter um chanceler capaz de compreender a ideologia que existe dentro do Itamaraty? Alguém que estuda essa coisa nos livros, há muitos anos, e não simplesmente ouviu alguma referência num segmento do Globo Repórter?”.

 

Como tudo pode ser muito pior, o Brasil não tem apenas um chanceler desastroso, mas dois. Na semana passada, o presidente eleito despachou um de seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro, para bajular Donald Trump, o terceiro personagem de sua trindade. Como ressaltou Matias Spektor, na Folha: “O filho chegou fazendo compromissos numa agenda cara ao governo americano —Cuba, Jerusalém, China e Venezuela. Nada pediu em troca além da deferência americana a Bolsonaro. Como Trump não respeita quem faz concessões unilaterais, a equipe de Bolsonaro desvalorizou o próprio passe. (...) Trata-se de crença irracional que ignora o gosto de Trump por arrancar concessões de seus principais parceiros a troco de nada. (...) Os americanos irão à forra".

 

Como a Família Bolsonaro pretende conseguir os melhores acordos para o Brasil usando o boné de quem está do outro lado da mesa de negociações?

 

Ao cumprir agenda oficial em Washington, o filho do presidente usou um boné onde estava escrito “Trump 2020”. Talvez a maioria possa compreender como é constrangedor um representante do presidente eleito do Brasil usar um boné defendendo a reeleição do atual presidente americano. É como se o próprio Brasil estivesse usando um boné de Trump 2020. Como se espera negociar os interesses do país em boas condições a partir desta posição de subalternidade explícita, como se fosse um fã vestindo a cabeça com o nome do seu ídolo? O pai não fez melhor durante a visita ao Brasil do assessor de Trump, John Bolton. Como se fosse um subalterno, bateu continência. E não foi correspondido.

 

É isso. Os “malucos” estão dançando no palco e não precisam que ninguém dê palco para eles. Nem precisam das palmas de setores que acreditavam ter o monopólio dos aplausos. Ao dançar, afirmam que os fatos são “fake News” e que a ciência é “fake News”. Como estão em posições de poder, e um deles será o próximo presidente do Brasil, os jornais são obrigados a reproduzir suas falas e sua dança.

 

As universidades serão governadas por eles. A política científica será decidida por eles. A Escola Sem Partido pode virar lei, estabelecendo a censura com a justificativa de combater um problema que não existe. E tudo indica que o SUS poderá ser desmantelado em nome da privatização da saúde. O destino da Amazônia e de seus povos será determinado por aqueles que querem abrir a floresta para exploração.

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Quando muitos creem no mesmo delírio, o que acontece com a realidade?

 

Ernesto Araújo se tornou uma piada internacional porque suas afirmações são absurdas. Elas não se sustentam quando confrontadas aos fatos. Mas, quando muitos creem no mesmo delírio, o que acontece com a realidade? Esta é uma pergunta crucial neste momento. E um desafio para o qual precisamos construir uma resposta. E rápido.

 

Quando já não há uma base comum de fatos a partir da qual se pode conversar, não há linguagem possível. Por exemplo: nas últimas décadas, religiosos fundamentalistas defendem que a teoria da evolução, de Charles Darwin, deveria ser ensinada nas escolas junto com o “criacionismo”, crença pela qual tudo foi criado por Deus. Segundo eles, as duas se equivalem. A questão é que essa afirmação equivale a dizer que uma cadeira e uma laranja são o mesmo. Não são.

 

A evolução é uma teoria científica, o criacionismo é uma crença religiosa. A primeira foi preciso provar pelo método da ciência. Mesmo se você não acreditar nela, os processos que a teoria da evolução descreve continuarão existindo e agindo. A segunda você pode acreditar ou não e jamais poderá ser provada pelo método científico. As duas não se misturam nem se comparam. Misturá-las faria com que deixássemos de compreender uma parte da Ciência que faz esse mundo funcionar – e faria também com que a dimensão mítica dos textos religiosos se perdesse naquilo que têm de mais poético.

 

O mesmo vale para a mudança climática provocada por ação humana. Não é uma questão de crença ou de fé. Está provado pelos melhores cientistas do mundo. É tão evidente que a maioria já pode perceber mesmo numa investigação empírica, na sua própria experiência cotidiana. Se o futuro chanceler do Brasil acredita que o aquecimento global é uma “ideologia de esquerda”, o planeta não vai deixar de aquecer por conta da sua crença. Só crianças muito pequenas acreditam que algo vai deixar de existir se elas fingirem que não existe.

 

Como restabelecer a linguagem, de forma que possamos ter uma base mínima comum a partir da qual possamos voltar a conversar?

 

Mas, ao tratar fatos como crença – ou como “ideologia” –, tanto Araújo como o presidente eleito podem impedir que o Brasil faça o que precisa para reduzir as emissões de CO2, as principais responsáveis pelo aquecimento global, assim como impedir que o Brasil tome medidas de adaptação ao que está por vir. Temos apenas 12 anos para impedir que o planeta aqueça mais de 1,5 graus Celsius. Se passar disso, os efeitos serão catastróficos. É grave que, nestes 12 anos, em pelo menos quatro o Brasil terá no poder pessoas que confundem fatos com crenças. Ou, para seu próprio interesse, afirmam que aquilo que é fato é a “ideologia” dos outros.

 

A segunda pergunta crucial neste momento é: como restabelecer a linguagem, de forma que possamos ter uma base mínima comum a partir da qual possamos voltar a conversar? Também precisamos construir uma resposta. E rápido.

 

A terceira é como devolver o significado às palavras. Por exemplo: uma laranja. De novo. Eu e você precisamos concordar que uma laranja é uma laranja. Se eu disser que uma laranja é uma cadeira, como vamos conversar? Podemos discutir qual qualidade de laranja é melhor, como melhorar a produção de laranjas, de que forma ampliar o acesso de todos ao consumo de laranjas etc etc, mas não podemos discutir se a laranja é uma cadeira ou uma laranja, do contrário não avançaremos em nenhuma das questões importantes sobre a laranja. Tudo o que é relevante, como seu valor nutricional e a evidência de que os mais pobres não têm possibilidade de comprar ou plantar laranjas, ficará bloqueado pelo impasse de o interlocutor insistir que a laranja é cadeira.

 

Não é uma questão de opinião a laranja ser laranja – e não cadeira. Também não há fatos alternativos. Há fatos. E não há alternativa de a laranja ser uma cadeira. Atualmente, porém, o truque de tratar laranjas como cadeiras para impedir o debate é amplamente utilizado.

 

Enquanto metade da sociedade brasileira é chamada de “comunista” sem nunca ter sido, os temas que afetam a vida das pessoas são decididos sem participação popular

 

Se as palavras são esvaziadas de significado comum, não há possibilidade de diálogo. É o que está acontecendo com a palavra “comunismo”, entre muitas outras. Não há uma base mínima de entendimento sobre o que é comunismo. Então, tudo o que os seguidores de Bolsonaro não gostam ou são estimulados a atacar é chamado de “comunismo”, assim como todos aqueles que eles consideram seus inimigos são chamados de “comunistas”.

 

O significado de comunismo, porém, foi quase totalmente perdido. E assim a conversa está interditada, porque o que é laranja virou cadeira para uma parte da sociedade brasileira. Enquanto metade da sociedade brasileira é chamada de “comunista” sem nunca ter sido ou querer ser, os temas que afetam diretamente a vida das pessoas estão sendo decididos sem debate nem participação popular, como, por exemplo, a reforma da previdência.

 

Os “malucos” que hoje dançam em todos os palcos não são tão malucos assim. Ou, se são, também parecem bem espertos. É claro que há alguns deles que acreditam que, por exemplo, crise climática é “climatismo” ou uma “ideologia de esquerda”, como diz Araújo. Mas a maioria deles sabe que afirmar isso é quase tão estúpido quanto dizer que a Terra é plana. Então, depois de fazer bastante alarme com isso, eles vão para a próxima etapa do roteiro. Qual é?

 

Enquanto a turma de Bolsonaro faz a dancinha da invasão estrangeira, a Amazônia vai sendo tomada por seus amigos

 

Afirmar que, sim, é claro que o aquecimento global é um fato, mas “os países ricos já destruíram todas as suas riquezas naturais e agora usam a crise climática para manipular países como o Brasil”. Basta acompanhar as declarações recentes de Bolsonaro e outros do seu entorno para constatar que a estratégia usada para manter os seguidores alinhados será reavivar a falsa acusação de que os indígenas e as ONGs internacionais querem tomar a Amazônia do Brasil. A mentira da ameaça à soberania nacional nunca deixou de se manter ativa na disputa da Amazônia. Mas, em tempos de WhatsApp, pode atingir muito mais gente disposta a acreditar. Já começou.

 

Enquanto parte dos brasileiros se distrai com a dança dos “malucos”, os ruralistas vão tentar avançar no seu propósito de abrir as terras indígenas para exploração. Não custa lembrar, mais uma vez, que as terras indígenas são de domínio da União. Os indígenas têm apenas o usufruto exclusivo sobre elas. Quando Bolsonaro compara os indígenas em reservas com “animais num zoológico” e diz que os indígenas “querem ser gente como a gente”, querem poder vender e arrendar as terras, ele não está sendo apenas racista.

 

Ele também está manipulando. A sua turma quer que as terras públicas sejam convertidas em terras privadas, que possam ser vendidas e arrendadas e exploradas. Enquanto fazem a dancinha da invasão estrangeira, a floresta vai sendo tomada por dentro. O nacionalismo da turma de Bolsonaro bate continência não só para os Estados Unidos, mas também para os grandes latifundiários e para as corporações e mineradoras transnacionais.

 

No futuro bem próximo assistiremos ao que acontece quando um delírio coletivo, construído a partir de mentiras persistentes apresentadas como verdades únicas, é confrontado com a realidade. Às vezes parece que Bolsonaro acredita que tudo vai acontecer apenas porque ele está dizendo que vai. Ele diz, depois se desdiz, aí diz que inventaram que ele disse o que disse. Em resumo: ele diz qualquer coisa e o seu oposto. Em alguns sentidos, Bolsonaro parece uma criança extasiada com o sucesso que faz no mundo dos adultos, com bonés e figurinhas de seus ídolos. Parte do seu entorno, que não é burra, acredita que pode controlar a criança mimada e voluntariosa – e convencê-la a agir conforme seus interesses. Veremos.

 

Em algum momento, o seguidor de Bolsonaro vai descobrir que não pode sentar na laranja – nem comer a cadeira

 

O confronto das promessas com o exercício do poder já começou. Como explicar que serão mais de 20 ministérios e não os 15 prometidos? Ou como explicar as consequências de transferir a embaixada para Jerusalém, desrespeitando parceiros comerciais importantes como os árabes? Como lidar com a China, grande importador dos produtos brasileiros, batendo continência para Trump em meio a uma guerra comercial entre as duas grandes potências? Como lidar com os impactos que tudo isso terá na economia e na vida dos mais pobres? Como justificar que postos de saúde poderão ficar sem médicos porque os cubanos foram embora e os brasileiros não querem ocupar os lugares mais difíceis e com menos estrutura? Como lidar com o possível aumento de gestações na adolescência, assim como de Aids e DSTs por falta de políticas públicas de prevenção e educação sexual nas escolas?

 

A realidade é irredutível. É quando o seguidor descobre que não pode sentar na laranja – nem comer a cadeira. Bolsonaro e sua turma já começaram a experimentar esse confronto. A compreensão ainda não atingiu seus seguidores. Mas atingirá.

 

Quem se anima com essa ideia, porém, deveria se envergonhar. Quem sofre primeiro e sofre mais numa sociedade desigual são os mais pobres. Se os “malucos” estão dançando no palco é também porque a maioria da população brasileira foi excluída da conversa mesmo na maior parte do período democrático e mesmo na maior parte dos governos do PT. Ainda que Bolsonaro tenha conseguido unir as pessoas em torno não de um projeto, mas de um afeto, o ódio, seu grande número de seguidores se sentiu parte de algo. Desde 2013 já havia ficado muito claro que havia um anseio da sociedade brasileira por maior participação.

 

Durante parte de sua permanência no poder, o PT também investiu mais nos afetos do que na construção de um projeto junto com as pessoas. Parou de conversar, não achou que precisasse mais das ruas e foi expulso delas em 2013. Depois da corrupção do PT no poder, e não me refiro apenas à corrupção financeira, a esquerda se mostrou incapaz de criar um projeto capaz de unir as pessoas. Isso não é culpa de Bolsonaro. Não adianta acusar o outro de ter um projeto de destruição. É preciso lidar com as próprias ruínas e apresentar um projeto de reconstrução e reinvenção do Brasil que convença as pessoas porque junto com elas.

 

Se alguém ainda não compreendeu, é o seguinte: para disputar uma ideia de Brasil será preciso, primeiro, ter uma ideia; segundo, convencer a maioria dos brasileiros que este é o melhor projeto para melhorar suas vidas; terceiro, tentar voltar a dançar no palco para recompor a linguagem, restabelecer a importância dos fatos e devolver substância às palavras. Não vai ser fácil.

 

A maior vitória de Bolsonaro é quando seu opositor fala como ele

 

Nestas eleições, o Brasil foi esgarçado até quase rasgar. Em alguns pontos, rasgou. Talvez o maior triunfo de Bolsonaro tenha sido interditar qualquer possibilidade de diálogo. Esse processo não foi iniciado por ele nem ele é o maior responsável. Mas, sem bloquear o diálogo, Bolsonaro possivelmente não ganharia a eleição. Hoje, de um lado e outro, as pessoas só sabem desqualificar – e destruir. Aqueles que denunciam Bolsonaro não compreenderam que, ao adotar o mesmo vocabulário e a mesma sintaxe, apenas em sentido oposto, tornam-se iguais. E dão ao seu opositor a maior vitória que ele pode ter. Neste sentido, o do ódio, Bolsonaro unificou o país. Todos odeiam. Não há complemento nesta gramática. Odiar esgota-se no próprio verbo, mas o substantivo destruído é o corpo dos mais frágeis.

 

Quem quer resistir à redução do Brasil, em tantos sentidos, precisa primeiro resistir na linguagem. Diferenciar-se, também para poder acolher. O único jeito de voltar a conversar é voltar a conversar. Mesmo que para isso tenhamos que falar sobre laranjas e cadeiras.

 

 

02
Nov18

Sexologia política: sobre Bolsonaro, Frota, Jean Wyllys e Pabllo Vittar

Talis Andrade

  1. Marcia Tiburi
Sexologia política: sobre Bolsonaro, Frota, Jean Wyllys e Pabllo Vittar
(Arte Revista CULT)
 

 

Entre os discurso de ódio que andam por aí e os discursos de resistência, precisamos investir em compreensões que possam nos acordar e criar condições para desmontar o avanço do fascismo entre nós e, assim, nos demais países do mundo. O autoritarismo é uma forma perversa de exercício de poder e, quando se torna política de Estado, além de fator cultural, após ter sido legitimado pelo voto, por mais que devesse ter sido repudiado eticamente por ele, torna-se uma questão ainda maior.

 

Por isso, peço a paciência do leitor e da leitora para as colocações que vêm a seguir. Elas podem parecer longas, mas são apenas um começo de conversa que pode nos ajudar a entender o que se passa agora e o futuro que vem a galope empunhando uma bandeira com suástica ou coisa parecida. Cada vez mais devemos nos acostumar a conversas longas e, inclusive, sempre que possível, voltar a elas.

 

Nesse momento, permanecemos em um pesadelo. Venceu o voto dos autoritários. Dos que apoiam os torturadores e assassinos e, nesse ato, se igualam a eles. Inclusive dos que são a favor do estupro que, como bem lembrou Luiz Eduardo Soares, sempre fez parte da tortura. Nesse contexto, surge a esperança de pessoas que parecem “inocentes”. Elas acreditam que o novo presidente não vá cumprir o que prometeu. A quantidade impressionante de brasileiros que vota em um político esperando que ele não cumpra o que promete é de estarrecer. É incompreensível. Mas será mesmo? Será que as pessoas esperam por isso mesmo? Serão realmente inocentes quanto ao que aprovam?

 

Votar em quem não vai realizar o que promete, quando sempre votamos – ou nos pareceu lógico votar – em quem tem as melhores propostas, realmente é de dar um nó na cabeça de quem faz análises lógicas. O eleitor não está, nesse momento, apenas desmoronando a lógica e a racionalidade e sendo ilógico ou irracional. Há muito mais por trás disso. Vamos analisar apenas um aspecto altamente esclarecedor.

 

Há tempos sabemos que é preciso estudar mais a sexualidade.

 

O que acontece no Brasil de hoje é efeito de uma manobra envolvendo a sexualidade da população a partir da sexualidade do parlamento. Não considerem essa hipótese um exagero. Nossos hábitos mentais preferem subestimar o poder do sexo, o que faz com que ele se mantenha em um nível inconsciente e, justamente por isso, livre de culpa ou responsabilidade. Eu gostaria de sinalizar sobre sua validade, já que se trata de introduzir no contexto uma nova ciência, a sexologia política. E essa ciência nos obriga a lidar justamente com as culpas e os jogos de poder envolvendo a armadilha do sexo.

 

Por sexualidade entendemos o conjunto dos discursos e práticas, a compreensão e o fenômeno, o imaginário e o simbólico, o consciente e o inconsciente que regem a vida sexual da população. Quanto ao inconsciente, talvez não haja uma categoria tão atual para descortinar a realidade brasileira.

 

Consciente ou inconsciente: sobre escolher o pior

 

Antes de seguirmos, vamos nos colocar a questão da relação entre consciente e inconsciente para entender por que o povo escolheu o pior nesta última eleição e o que está em jogo nessa escolha. A maioria dos eleitores escolheu um presidente que só prometeu matar e destruir. Ele prometeu o horror.

 

Quem considerava o PT ruim, preferiu algo pior. Não parece muito lógico, mas é. De uma complicada lógica dialética. Trata-se de uma escolha consciente e inconsciente ao mesmo tempo. Consciente e inconsciente são conceitos básicos. Não precisamos aqui usar um conceito de inconsciente ligado a instintos ou pulsões de morte, vamos falar dos processos mais simples, das formas simples da mentalidade em vigência na vida e na linguagem cotidiana. Por “consciente” vamos definir aquilo sobre o que temos acordo, aquilo que podemos saber ou aquilo que fazemos porque sabemos. Por inconsciente vamos entender aquilo que não sabemos ou que fazemos sem saber, mas que, ao mesmo tempo, no fundo, também de alguma modo sabemos.

 

Conscientemente, os cidadãos e cidadãs escolheram em nível federal e em alguns estados, como o Rio de Janeiro, aquele que vai realizar a ideia de que “bandido bom é bandido morto”. Escolheu-se alguém que promete a morte alheia. No entanto, inconscientemente, o que se escolheu é realmente matar. Quando alguém vota ou apoia um candidato, sempre o faz esperando que o Estado realize aquilo que cada um faria se estivesse no lugar do governante. Assim, quando se vota em alguém que promete escolas, é porque também faria escolas. E quando se vota em quem promete matar, concorda-se com o ato de matar. Apoiando um candidato, apoia-se o seu projeto.

 

O inconsciente atua em nossas vidas quando não sabemos, ou também quando parecemos não saber. Uma das principais funções da consciência é acobertar o inconsciente. Assim, aqueles que dizem “não acreditar” nas promessas de morte, apenas dizem que não acreditam. Não há nenhuma prova de que não acreditem, mas há uma fala que promete não acreditar. Isso porque toda fala carrega uma promessa em potencial. Há falas que são promessas diretas, mas mesmo as falas comuns trazem promessas indiretas, por isso não confiamos em certas pessoas e nem sabemos por quê. Porque algo nelas nos sinaliza para um “efeito” em nível da linguagem que pode nos comprometer.

 

Não há nenhuma garantia de que o candidato eleito não vá cumprir suas promessas. Nesse sentido, essa crença de que ele não vai fazer o que promete não apenas acoberta como também justifica a escolha, liberando da responsabilidade e da culpa que há de vir sobre as mortes prometidas. À medida que pessoas são mortas em larga escala, o sentimento de culpa vai precisar de uma álibi na consciência. E esse álibi será a frase “é inacreditável que isso esteja acontecendo”, que já circula por aí e continuará cumprindo seu papel.

 

Em 2017, publiquei um livro em que falei muito da capitalização desse tipo de discurso que parece brincadeira. Falava da performance política de Michel Temer, mas fazia análises sobre o poder de Bolsonaro e João Doria, que avançam cada vez mais como líderes públicos quanto mais absurdos se tornavam suas falas e atos, todos vazios, mas hipnotizantes. Analistas que subestimaram a situação achando que Bolsonaro era um simples imbecil têm se retratado. Também eles foram vítimas do inconsciente.

 

Mas o problema do inconsciente é ainda mais complexo. Em um nível ainda mais oculto, o que aquele que apoia um projeto de matança em massa deseja no fundo, ou seja, no inconsciente, é morrer.

 

Um rombo na subjetividade

 

Todos os que vociferam contra a vida alheia querem não apenas que os outros morram, mas querem também morrer. Não é à toa que a metáfora do “vazio” sirva tanto àqueles que não pensam, quanto aos deprimidos. São rombos diferentes na subjetividade apenas porque avançam tratados de formas diferentes. Não quero dizer com isso que o vazio não seja conhecido de cada pessoa capaz de refletir sobre si mesma. Ao contrário. Mas há um vazio mais profundo, aquele do próprio eu, de quem não foi ajudado a existir, de quem não teve apoio escolar, familiar, cultural. Há subjetividades realmente esfaceladas, para as quais não sobrou uma gota de humanidade. Os fascistas de Estado ou potenciais todos têm um profundo rombo na subjetividade, ele constitui um complexo de inferioridade. Esse rombo interno é ocultado por um véu de agressividade que se torna estilo de ser e de viver. Daí o escândalo da agressividade consciente de figuras como Jair Bolsonaro. Ele deveria tê-la ocultado, mas a fez aparecer, encantando as multidões como se fosse algo místico, mágico. Daí sua mitificação.

 

Ora, o que uma subjetividade fascista deseja é o que ela justamente projeta para fora de si por meio da linguagem e de atos. O desejo de morrer. Ela sabe quais são seus próprios crimes. Sabe de seus pecados quando se trata de alguém religioso. Deus também é uma imagem de acobertamento do inconsciente criminoso para os que vociferam a morte e falam a Deus. O inconsciente que deseja matar. Sabe também que não há deus suficiente para isso, por isso escolhe um deus alucinante que possa conter todos os outros que deliram com o mesmo desejo. Não há drogas suficientes, não há dinheiro suficiente para conter esse desejo. E qualquer um que detenha esse desejo (seja a esquerda ou o papa) é o mal que vem castrar esse desejo que suplantou todos os outros. No entanto, isso não vem do nada. Um fascista experimentou rebaixamentos terríveis em sua infância. Uma imagem desse rebaixamento – que se confunde com a imagem do cúmulo do ódio sublimado – que pode fazer surgir uma subjetividade fascista está na menina que, no colo de Jair Bolsonaro, aprende a fazer um revolver com os pequenos dedos inocentes. A brutalidade de Bolsonaro esconde o grande abuso sobre uma criança. Um abuso que o abusador adulto não desconhece em sua própria pele, na criança que um dia ele foi. Outros seguem cometendo o mesmo abuso e autorizados pelo grande líder.

 

E porque sentem vontade de matar e vontade de morrer, porque o sentimento de culpa está ali para destruir e precisa ser calado, o fascista se entrega à sua performance de horror, imitando o chefe para quem terceirizou a ação de destruir. Esse é o motivo fundamental que faz pessoas que em tudo são vítimas em potencial, se devotarem ao próprio algoz.

 

Alguém pode achar esse tipo de análise um pouco cruel, porque é nosso hábito mental acreditar que a sociedade é consciente e que tendemos ao bem de todos, o que é uma grande hipocrisia. Verdade, no entanto, é que tendemos ao lugar para o qual formos levados. Por isso, é sempre melhor se deixar levar pelo respeito, pela dignidade, pela compaixão.

 

Do sexo, da misoginia e da homofobia à fama

 

Dito tudo isso, podemos falar do uso político da sexualidade nos últimos anos. Não foi por acaso que Dilma Rousseff foi objeto de tanta misoginia. Sexo é uma categoria de análise tanto quanto gênero e ajuda a entender o seu caso. Mas também ajuda a entender Bolsonaro.

 

O Presidente da República recém eleito era apenas um deputado menor, caricato, como tantos outros que vemos por aí há anos “mamando” no Congresso Nacional, para usar uma expressão do povo. Cresceu na opinião pública desde suas violências para com o deputado Jean Wyllys e Maria do Rosário.

 

O ódio dos deputados homofóbicos a Jean Wyllys e dos sexistas e machistas contra Maria do Rosário não deve ser analisado como simples espontaneidade do preconceito. A espontaneidade não é um argumento quando se trata de tantos grupos envolvidos com projetos de poder. A orientação para a homofobia e a misoginia não é espontânea quando se trata de poder. Sobretudo se associarmos o neopentecostalismo das novas igrejas do mercado a isso.

 

A homofobia mostra-se hoje como um padrão bastante manipulável. Ela não é mais rejeitada. Foi com Jean Wyllys, mas não será mais assim. A eleição de uma figura como Alexandre Frota mostra que as pessoas mais moralistas não têm apenas rejeição, mas também atração pela homossexualidade. Desde que o homossexual seja autoritário e, principalmente, cínico. Aqueles que votaram acreditando na “família tradicional procriadora” logo perceberão que os gays estão autorizados, mas apenas dentro do armário, como sempre. O ódio a Jean Wyllys vem também do seu orgulho gay, de ele ser o único deputado que assume sua orientação sexual de maneira ética e saudável. Se todos tivessem que assumir, seu negócio de “família tradicional, deus, etc” cairia por terra. Nenhuma novidade na sociedade que prefere a hipocrisia. Ela se livra da responsabilidade.

 

A relação que se tem com a homossexualidade é ambígua da esquerda à direita. A hipocrisia ajuda a acobertá-la. Por isso, enquanto a direita odeia Jean Wyllys, que a politiza, adora Alexandre Frota, que não a politiza, embora sua inscrição sexual seja pública e notória. A hipocrisia é um véu necessário para manter tudo como está, por isso também uma figura como Frota se torna tão essencial nesse momento. Ele funciona como uma prova – ao nível consciente – de que não há homofobia no governo que há de vir desde que se esteja do lado do opressor. Desse modo, não será a homossexualidade que será punida, mas a homossexualidade do outro. Com corrupção já acontece isso. Não é a corrupção que será punida, mas a corrupção do outro. A lógica do fascismo é a do cinismo: dois pesos e duas medidas para confundir os que ainda acreditam em regras e princípios ou para agradar os que se sentem contemplados com o jogo.

 

Por fim, e pedindo perdão por escrever tanto em uma época em que os “textões” estão estigmatizados, precisamos falar de Pabllo Vittar.

 

O que ela tem a ver com isso? Pabllo Vittar, como acontece com mulheres, trans e travestis, move as ambiguidades próprias do desejo de todos os recalcados. Não é por acaso que o Brasil é o país que mais mata homossexuais e pessoas trans e travestis, muito antes do fascismo eleito.

 

Bolsonaro tem uma tarefa para a qual não está preparado e, como em relação a tudo o mais, não prometeu nada. A tarefa de livrar seus eleitores do desejo por pessoas como Pabllo Vittar. Um desejo insuportável, mas tão insuportável que é mais forte que o cidadão o manifesta. Há várias pessoas que dizem votar em Bolsonaro para que não precisem mais ver Pabllo Vittar na televisão. Se o cidadão que vocifera contra a artista não gostasse simplesmente da sua obra, poderia desligar a televisão. A televisão não é uma obrigação. Ninguém será punido por não ver televisão. Ou seja, o que a move é o desejo. Mas quem tem um desejo que não pode escolher, um desejo autoritário, um desejo que não negocia consigo mesmo, pode precisar de um “freio”. Em função da imensidão desse desejo, ele precisará de um país inteiro autoritário, de um ditador na presidência, de um ditador maluco assassino a garantir a paz do seu desejo. No entanto, ele poderia simplesmente desligar a televisão com um controle remoto. Ou trocar de canal.

 

Para esse eleitor, que são milhões, é preciso muita mais do que um ditador. Por mais que prometa matar meio mundo, por mais que prometa vender o Brasil, acabar com todos os direitos do povo, tornar a vida dos cidadãos um inferno econômico e social, ele não poderá resolver o desejo em relação à imagem de Pabllo Vittar, ao que ele representa.

 

Mesmo que se destrua a televisão, que se matem todas as travestis, que se matem as mulheres, que se matem os críticos, os psicanalistas, os educadores, que se queimem os livros, que se implante a escola sem partido e que os imbecis de plantão continuem falando de “ideologia de gênero” sem saber o que dizem, mesmo que se exploda o Brasil com uma bomba atômica ou guerra civil, o desejo por Pabllo Vittar é indestrutível.

 

Nem Bolsonaro poderá curar esse desejo.

 

Pena que um mundo tenha que ser aniquilado porque alguém não pode, livremente e de maneira amorosa, viver de bem com o seu desejo.

 

Então, precisamos começar tudo de novo. Se tivermos tempo, uma sexologia política pode nos ajudar.


> Leia a coluna de Marcia Tiburi, toda quarta-feira, no site da CULT
 
09
Out18

Kit Gay tem apoio de Alexandre Frota deputado federal de Bolsonaro com mais de 150 mil votos

Talis Andrade

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Com pesquisas que mostram que o tema do inexistente kit gay rende votos de eleitores analfabetos, o extremista Jair Bolsonaro voltou a alimentar preconceitos para aliciar eleitores. "Estou procurando alguém para ser ministro da Educação que tenha autoridade. Que expulse a filosofia de Paulo Freire. Que mude os currículos escolares", disse Bolsonaro em entrevista à rádio Jovem Pan. "Para aprender química, matemática, português e não sexo". Foi sugerido a Bolsonaro, ele deslocar o ator pornô de filme gays Alexandre Frota do Ministério da Cultura para Eduçacão.

 

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Poucos eleitos tiveram permissão de visitar o capitão no hospital 

 

247 - O candidato da extrema-direita a presidente, Jair Bolsonaro, voltou nesta terça-feira, 9, a explorar eleitoralmente o tema do inexistente kit gay.

 

Bolsonarista de primeira hora, o ator, escritor e ex-jogador de futebol americano Alexandre Frota foi correspondido em seu entusiasmo com candidatura de Jair Bolsonaro. Pelo Twitter, ele celebrou o “recado do capitão”, que expressou seu desejo de ver Frota ministro da Cultura.

 

“Se você quer me ver presidente um dia eu quero te ver ministro da Cultura, já imaginou, cara?”, diz Bolsonaro. Leia mais na revista Veja aqui.

 

Candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ) disse, em um vídeo descontraído enviado para Alexandre Frota, que quer ver o ator como ministro da Cultura. Leia mais no jornal O Globo aqui. O próprio Frota compartilhou o vídeo em suas redes sociais. O que lhe garantiu a eleição de deputado federal com mais de 150 mil votos. 

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27
Set18

NÃO EXISTEM PESSOAS HETEROSSEXUAIS, DIZ A CIÊNCIA

Talis Andrade

Quando muito, maioritariamente heterossexuais, segundo um estudo que garante que preto e branco é coisa que não se aplica à sexualidade humana. Isso e que somos todos mais fogosos na cama do que alguma vez pensámos.

 

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Texto de Ana Pago | Fotografias da Shutterstock

 

Romances cor-de-rosa e comédias românticas, com mais ou menos erotismo, têm todos a mesma fórmula. Um homem e uma mulher, uma atração irresistível, as mais variadas contrariedades, o clímax, e, enfim, felizes para sempre.

 

Tudo muito bonito, não fosse pelo facto de a ciência vir dizer que não há pessoas heterossexuais, o que pressupõe outros enredos bem mais interessantes. Para elas e para eles.

 

A sexualidade humana é complexa, fluida, impossível de conter nas típicas convenções sociais e culturais de género.

 

É pelo menos esta a conclusão de uma pesquisa publicada no Journal of Personality and Social Psychology (Jornal de Personalidade e Psicologia Social), segundo a qual a sexualidade humana é complexa, fluida, impossível de conter nas típicas convenções sociais e culturais de género que definem alguém como sendo heterossexual, gay, bissexual ou outro rótulo qualquer.

 

«Estamos a tentar chegar ao que as pessoas realmente são e não fiquei nada surpreendido», revela à revista canadiana Vice Ritch Savin-Williams, um dos autores do estudo que dirige também o Laboratório de Sexo e Género no Departamento de Desenvolvimento Humano da Universidade Cornell, em Nova Iorque. «Por vezes parece que vão num sentido, embora acreditem ter de mostrar que caminham noutro diferente, o que não é bom», diz.

 

Não é bom e não admira, à luz de uma sociedade ainda aferrada à ideia de que o indivíduo tem de poder encaixar numa ou noutra orientação, não há cá misturas. Isto quando, na prática, ao medir os efeitos fisiológicos da pornografia em mulheres e homens, a investigação de Savin-Williams apurou que os corpos delas – tal como os deles – reagem positivamente quer ao sexo heterossexual, quer ao homossexual.

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«Tem tudo a ver com a pessoa sentir-se livre para ser ativada por um ou outro género, apreciando a consciência do prazer», diz Cristina Mira Santos.

 

«Tem tudo a ver com energia erótica, com a pessoa sentir-se livre para ser ativada por um ou outro género, apreciando a consciência do prazer», explica a psicóloga e sexóloga Cristina Mira Santos. Porque insistimos à força numa compartimentação, nós e os outros? «Se sou mulher e gostei do toque de outra mulher, porque não encarar essa experiência como qualquer outra com alguém do sexo oposto?»

 

E eles também, óbvio, sublinha Cristina Mira Santos. A lógica que impera é a de que o sexo serve para procriar, contudo ter prazer e fazer filhos são coisas diferentes: «Se concebermos a separação entre aparelho reprodutor e sexual, com órgãos comuns mas funções distintas, porque é que um homem também não há de poder sentir-se atraído por alguém do mesmo sexo só por prazer?»

 

Uma questão que cruza diretamente com os resultados, no mínimo inesperados, de uma sondagem levado a cabo pela Victoria Milan, a plataforma de encontros para casais que procuram casos discretos: a avaliar pelos números, obtidos numa amostra de 1300 entrevistados de ambos os sexos em vários países do mundo, 87 por cento dos homens admitem que algumas das fantasias sexuais mais comuns incluem os seus melhores amigos do sexo masculino (veja as outras conclusões na fotogaleria).

 

Homens retraem-se mais do que as mulheres por serem rotulados, julgados e tratados com especial dureza pela sociedade.

 

Para o professor de desenvolvimento humano de Cornell, o facto de os homens se retraírem tanto comparativamente às mulheres deve-se a uma inclinação geral da sociedade para rotulá-los, julgá-los e tratá-los com particular dureza, às vezes a raiar a repugnância. Daí continuar a trabalhar numa formulação a que chama de «maioritariamente heterossexual», no sentido de desbloquear mentalidades.

 

«Sempre reconhecemos a existência de mulheres maioritariamente heterossexuais, isto é, mulheres que são sobretudo hetero, mas caso a mulher certa surja talvez experimentem também com ela», traduz Savin-Williams. Não sendo um fenómeno exclusivamente feminino – a sua própria pesquisa encarregou-se de lho mostrar –, que sentido faria deixar os homens de fora?

 

Numa sociedade mais aberta, muitos de nós sentir-se-iam atraídos por pessoas de ambos os sexos.

 

«Também eu penso que, numa sociedade mais aberta, muitos de nós se sentirão atraídos por pessoas de ambos os sexos», admite o psiquiatra e sexólogo Júlio Machado Vaz ressalvando, desde logo, a diferença entre isso e dizer que somos necessariamente bissexuais, ou poderíamos andar todos a saltitar entre fases mais hetero, gay ou bi – não é verdade.

 

«Ao longo dos anos, ouvi inúmeros homossexuais lamentarem o fracasso de tentativas desesperadas para se manterem ao abrigo do preconceito», justifica o especialista, sabendo que nem no meio da maior homofobia social, por necessidade, conseguiam que essa alegada capacidade latente viesse ao de cima para lhes facilitar a vida.

 

A psicóloga Cristina Mira Santos explica a evidência com processos inconscientes de substituição: «Num casal de lésbicas, por exemplo, há muitas vezes um membro com uma energia mais yin, feminina, e outro mais yang, que por escolher o papel masculino se torna reativo a gostar de homens.»

 

Em matéria de prazer, os olhos são o espelho da alma, como crê a sabedoria popular.

 

O mesmo sucede num casal de dois homens, diz Mira Santos: à partida, o yang estará mais aberto ao erotismo com mulheres do que o parceiro yin, que se identifica com elas e, como tal, não se sente ativado por um corpo feminino.

 

E ao que parece os olhos são mesmo o espelho da alma em matéria de prazer, garantem os cientistas da Universidade Cornell. «Basicamente, o que fizemos neste estudo foi avaliar a orientação sexual de alguém vendo se os seus olhos dilatavam ou não, algo que não podemos controlar», conta Savin-Williams. É a derradeira missão do projeto: determinar a sexualidade sem se fiar no que cada um diz de si. Palavras só atrapalham.

 

«Outro modo de fazê-lo era analisar a resposta genital ao estímulo, mas seria um pouco invasivo», acrescenta o especialista norte-americano, dando razão a Shakespeare quando dizia que há mais coisas entre o céu e a terra – neste caso entre normas de género – do que sonha a nossa vã filosofia. Uma coisa é certa: a sexualidade humana acabou de se tornar muito menos aborrecida. In Diário de Notícias/ Portugal

21
Set18

Bolsonaro - Porque não voto nele

Talis Andrade

 

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por Suzane Kummer
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Sou médica pediatra desde 1993. Um dos maiores desafios profissionais que enfrentei em minha carreira foi ser chefe da emergência pediátrica de um hospital em Porto Alegre referência de atendimento para crianças vítimas de violência. De todas as situações que chegavam a nós, as mais difíceis, sem dúvida, eram as violências sexuais. Diferente das outras violências, que necessitavam atendimento dos traumas físicos e psicológicos, a violência sexual se seguia a outros procedimentos “violentos” à criança dentro do ambiente hospitalar: coleta de exames laboratoriais, exame minucioso da genitália, medicações injetáveis para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. E uma longa jornada pela frente com ocorrência policial, atendimentos médicos, psicológicos, conselho tutelar, etc. Também sabíamos que as sequelas seriam para sempre, que todas ficariam tristes por muito tempo, muitas ficariam deprimidas, teriam sua vida comprometida. E ainda se sentiriam culpadas. Com dificuldades para processar o que aconteceu, grande parte acredita que teve um castigo que mereceu, acredita que provocou o estupro.


Tento imaginar o que passa pela cabeça de uma dessas crianças quando assiste a cena de um adulto falando para uma mulher “eu só não te estupro porque você não merece” em pleno congresso nacional.


O único sentimento que Bolsonaro me provoca é repugnância.


EleNão
EleNunca

20
Jul18

Moro e Lula, fetiche e despudor

Talis Andrade

 

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por Dermeval Netto 

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Moro é o dono do corpo de Lula. Sua relação perversa com Lula é a de quem está investido pelo fetiche da libido pelo objeto a quem destina desejo, paixão e ódio. Moro não admite que ninguém, a não ser ele, somente e exclusivamente, disponha sobre o corpo de Lula, sobre o qual se apossou e do qual se nomeia proprietário. Domínio ampliado e exibido em exposição midiática, permanente, no culto ao ego exacerbado, patrocinado na parceria despudorada da farsa do anti-jornalismo global. A anarquia judiciária que assola o Brasil passa também pela demência de um juiz, movido pelo desejo mórbido e corrompido de morte a Lula, fruto de tara e perversão sexual, narcísica, compulsiva, descontrolada, desesperada.


Moro é afinal o dono do corpo de Lula.

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