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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

25
Mai22

Sobe para 25 o número de mortos chacina do Complexo da Penha; há 7 pessoas feridas

Talis Andrade

 

 

 

 

 

 

Foto: ReproduçãoTiroteio na Vila CruzeiroFoto: Reprodução

 
Desde às 5h da manhã de hoje (24), BOPE e PRF realizam incursão repleta de relatos de abuso de poder e letalidade. Os agentes  policiais invadiram a Vila do Cruzeiro gritando “todo mundo vai morrer”
 
 
22
Mai22

Uruguai – Na Marcha do Silêncio, multidão clama por verdade e justiça (fotos e vídeos)

Talis Andrade

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Quando o Brasil vai ter a coragem de realizar uma marcha pelos desaparecidos durante a ditadura militar? No Uruguai 200 detidos desaparecidos. No Brasil 434 vítimas morreram ou desapareceram

Desaparecidos no Brasil
 
Porto Alegre foi sede da Operação Condor, que fez desaparecer os presos das ditaduras do Cone Sul (Brasil, Chile, Argentina Uruguai). 
 
Porto Alegre dos porões da ditadura. Da tortura. Os porões do delegado Pedro Seelig, um serial killer.
 
Nunca mais didatura. Nunca mais tortura. Nunca mais desaparecidos
 

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21
Mai22

Mercado do ódio. O amor é um desafio político

Talis Andrade

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por Marcia Tiburi

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Muitas pessoas acreditam que os afetos, emoções e sentimentos são naturais, pelo simples fato de os sentirem. Contudo, natural é apenas a capacidade de senti-los. Os afetos propriamente ditos, são culturais. Isso quer dizer que são criados, estimulados e, até mesmo, manipulados. 

Quando o antropólogo Levi-Strauss disse que os povos indígenas com os quais ele entrou em contato tinham uma “abertura ao outro” ele resumia a capacidade para o respeito, a generosidade, a curiosidade, coisas que implicam o que, genericamente, chamamos de amor. Ao falar assim, ele não sugeriu que a abertura ao outro fosse algo natural, mas fruto de organizações sociais, de formas de viver e de visões de mundo que compõem o todo a que chamamos cultura. 

Estar aberto ao outro pode ser uma característica de um povo apenas quando muita coisa aconteceu no mundo da linguagem, dos valores e das práticas para que assim seja. 

Ora, na contramão da abertura para o outro que veio a constituir uma característica cultural de alguns povos, está o ódio. Esse afeto disruptivo e destrutivo pode ser definido como incapacidade de abertura ao outro. Essa incapacidade não é natural, mas forjada em relações intersubjetivas, institucionais e linguísticas que sempre podem ser modificadas, alteradas e, como dito acima, manipuladas. 
 

Sistemas econômico-políticos movem diversos afetos para a sua sustentação. O ódio sempre foi um afeto fundamental na tomada do poder e na sua manutenção. 

O ódio é a energia que move o sistema econômico da desigualdade e da exploração do trabalho, do tempo e da vida dos corpos abusados pelos poderosos, que é o capitalismo. Como se trata de um afeto narcisicamente compensatório, ou seja, que faz os odiadores se sentirem superiores aos odiados, ele passa a ser desejado por muita gente. O ódio é um afeto contra o mundo, contra a humanidade e gerador de guerras. Na era das redes sociais digitais, ele gera engajamento e comunidades inteiras unidas pelo ódio. Sobretudo, ele gera dinheiro nas monetizações das propagandas de ódio. 

Valendo muito como energia política, não seria possível construir o inimigo (o “comunista”, a “feminazi”, o “petralha”) sem o ódio. Assim, os populismos de extrema-direita são movidos pelo ódio que virou, ele mesmo, uma mercadoria que pode ser vendida e comprada. O ódio é o método que permite tratar tudo como mera coisa em um mundo em que não deve haver abertura ao outro para que a violência possa estar sempre garantida e, com ela, a submissão e a desigualdade. 

Não há amor no capitalismo. O fascismo é todo uma capitalização do ódio. O amor e a compaixão e a generosidade que eles geram é o desafio afetivo de nossa época. Portanto, devemos no perguntar sobre o amor de que somos capazes contra o capitalismo? Da capacidade de dar resposta a essa pergunta depende o nosso futuro. 

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20
Mai22

23 DECLARAÇÕES CHOCANTES FEITAS POR SERIAL KILLERS

Talis Andrade

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beckertimes on Twitter: "Porque tem charges que precisam ser divulgadas.  https://t.co/bzdnFzlak2 https://t.co/thJsW9naaw" / TwitterRememorando.. charge de 2014 – Duas Bandas e Um CujuntinhoRUIVO LOPES: Bancada da bala: um bunker para homenagear a Rota na Câmara  Municipal de SP

 

Você votaria em um serial killer para a bancada da bala? Ou já votou em vereador, prefeito, deputado homicidas? 

No Brasil do genocídio dos povos indígenas, dos jovens negros, matar não é crime nem pecado. Agora mesmo o presidente Bolsonaro propõe o excludente de ilicitude, para resolver os problemas de pobreza no Brasil, ou permitir a invasão de terras indígenas. 

Serial killers participam das chacinas, dos massacres que acontecem nas favelas, nas periferias, no campo, que a morte em massa no Brasil tem cor. É coisa da supremacia branca, dos que se acreditam limpos de sangue.

por Mega Curioso

Não existe uma fórmula que determine um serial killer, mas suas ações, atitudes, seu histórico na infância e suas declarações podem ajudar a montar o quebra-cabeça que é entender a mente desse criminoso. Confira 23 declarações impressionantes e entre na mente de famosos assassinos em série:

1. “Nós, serial killers, somos seus filhos, somos seus maridos, estamos em toda parte. E haverá mais de suas crianças mortas amanhã” – Ted Bundy

2. “Você sente o último suspiro deixando seus corpos. Você as olha nos olhos. Uma pessoa nessa situação é Deus” – Ted Bundy

3. “Às vezes sinto-me como um vampiro” – Ted Bundy 

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Ted Bundy foi um dos mais temíveis assassinos em série da história dos Estados Unidos, fazendo entre 30 e 36 vítimas na década de 70.  

4. “Durante minha vida, assassinei 21 seres humanos. Eu cometi milhares de arrombamentos, furtos, roubos, incêndios criminosos e, por último mas não menos importante, pratiquei sodomia com mil homens. Eu não tenho o mínimo arrependimento por tudo isso” – Carl Panzram

5. “Desejo que todos tenham um pescoço e eu tenha minhas mãos nele” – Carl Panzram

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Aos 11 anos, Carl Panzram foi levado a um reformatório, onde apanhou e foi sodomizado várias vezes, inclusive por líderes religiosos.

6. “Eu adoro o cheiro doce, rude e espesso de homicídio em lugar fechado. É a única maneira que eu tenho para me lembrar de que ainda estou vivo” – Dr. Michael Swango

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Estima-se que Swango esteve envolvido em cerca de 60 envenenamentos fatais de pacientes e colegas, embora ele só tenha admitido causar quatro mortes.

7. “Eu tirei seu sutiã e sua calcinha e fiz sexo com ela. Essa é uma dessas coisas que penso terem feito parte da minha vida... Ter relações sexuais com os mortos” – Henry Lee Lucas

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Henry Lee Lucas confessou que ele e seu parceiro, Ottis Toole, estavam envolvidos em cerca de 600 assassinatos.

8. “Eu não consegui encontrar nenhum sentido para minha vida enquanto estive lá fora, tenho certeza absoluta de que não o encontrei aqui (na Winsconsin Columbia Correctional Institution). Este é o grand finale de uma vida miseravelmente vivida, e o resultado final é apenas esmagadoramente deprimente... É apenas uma história de vida triste, patética, desprezível, infeliz, isso é tudo o que ela é. Como isso pode ajudar alguém, eu não sei” – Jeffrey Dahmer

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Jeffrey Dahmer assassinou 17 homens e garotos entre 1978 e 1991, além de cometer estupro, necrofilia e canibalismo.

9. “Os demônios estavam bramindo por sangue” – David Berkowitz

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Também conhecido como o Filho de Sam e o Assassino da Calibre .44, ao ser preso, David Berkowitz confessou o assassinato de seis pessoas. 

10. “Eu me lembro de que havia quase uma verdadeira excitação sexual... Você ouve aquele pequeno estouro e tira suas cabeças e as segura pelo cabelo, arrancando suas cabeças, seus corpos sentados lá. Eu tinha um orgasmo” – Edmund Kemper, falando sobre brincar com as bonecas de sua irmã quando era um garotinho.

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Edmund Kemper foi acusado de 10 assassinatos, incluindo o de sua própria mãe, Clarnell Strandberg-Kemper.

11. “Eu adoro matar pessoas. Eu adoro vê-las morrer. Eu atiro em suas cabeças, e elas se balançam e se contorcem por todo o lugar e depois simplesmente param. Ou as corto com uma faca e vejo seus rostos ficarem muito brancos. Eu amo todo aquele sangue. Eu falei para uma mulher me dar todo seu dinheiro. Ela disse ‘não’, então eu a cortei e arranquei seus olhos” – Richard Ramírez

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Richard Ramírez era fã da banda AC/DC e, de acordo com fontes policiais, vestiu uma camiseta do grupo durante alguns dos crimes que cometeu.  

12. “Se você ama alguém, deixe-o ir. Se ele não retornar, cace-o e o mate” – Leonard Lake

13. “Deus destinou as mulheres para cozinhar, limpar a casa e para o sexo. Quando elas não estão em uso, devem ser presas” – Leonard Lake

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Leonard Lake e Charles Ng sequestraram mulheres e as usaram de escravas sexuais. Depois, as matavam e suas famílias.

14. “Ralé da América! Sejam estuprados!” – Aileen Wuornos para o júri que a condenou por assassinato.

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Aileen Wuornos foi uma prostituta considerada a primeira mulher assassina em série dos Estados Unidos.

15. “Eu perdi minha inocência aos 8 anos, então decidi fazer o mesmo ao maior número de garotas que conseguisse" – Pedro López

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Pedro Alonso López é um assassino em série colombiano acusado de ter matado e estuprado mais de 300 pessoas.

16. “Bem, divertir-se é uma razão tão boa como qualquer outra” – Dennis Nilsen, sobre o porquê de matar.

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Dennis Nilsen é britânico e matou pelo menos 15 homens entre 1978 e 1983.

17. “No caso de Ohliger, eu também suguei o sangue do seu ferimento na têmpora, e, de Scheer, da facada no pescoço. Da garota Schulte apenas lambi o sangue de suas mãos. O mesmo ocorreu com o cisne no Hofgarten (parque da cidade de Munique, Alemanha). Eu costumava vagar à noite pelo Hofgarten com bastante frequência, e, na primavera de 1930, notei um cisne dormindo na beira do lago. Eu cortei sua garganta. O sangue jorrou para o alto e o bebi sugando-o pelo corte” – Peter Kürten

18. “Toda a família sofria durante a sua bebedeira, pois, quando bebia, meu pai era terrível. Eu, sendo o mais velho, tinha que sofrer mais. Como você pode imaginar, sofríamos com a pobreza extrema, tudo porque os salários eram gastos em bebida. Todos nós morávamos em um único cômodo, e você perceberá qual o efeito isso teve sexualmente sobre mim” - Peter Kürten

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Peter Kürten foi um assassino em série alemão conhecido pela alcunha de "Vampiro de Düsseldorf".

19. “Quatro ou cinco camaradas e eu entramos em uma casa chinesa e prendemos todos no guarda-roupas. Nós roubamos as joias e estupramos as mulheres. Nós até ferimos uma grávida com a baioneta e arrancamos o feto por seu estômago” – Yoshio Kodaira

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Yoshio Kodaira nasceu em 1905 e foi um estuprador e serial killer japonês.

20. “O que eu fiz não foi por prazer sexual. Mais do que isso, trouxe-me certa paz de espírito” – Andrei Chikatilo

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Andrei Romanovich Chikatilo foi um assassino em série ucraniano, também conhecido como Açougueiro de Rostov, O Estripador Vermelho e O Estripador de Rostov. Matou 53 pessoas entre 1978 e 1990.

21. “Eu obrigo uma mulher a ir aonde eu quero e quando chego lá digo: ‘Sabe de uma coisa? Eu fui ferido, então vou fazer isso agora.’ Então eu as mato” – Moses Sithole

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Moses Sithole fez 38 vítimas em apenas 10 meses (cerca de 4 por mês), se tornando um dos mais sanguinários da África do Sul.

22. “Eu escolhi prostitutas porque pensei que poderia matar quantas delas eu quisesse sem ser pego. Eu também as escolhi como vítimas porque elas eram fáceis de serem apanhadas sem serem notadas” – Gary Ridgway

23. “Eu gostava de dirigir pelos bolsões ao redor do país e pensar nas mulheres que eu depositei lá. Eu matei tantas mulheres que não consigo precisar quantas” – Gary Ridgway

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Gary Leon Ridgway, também conhecido como o “Assassino do Rio Verde”, era um pai de família, casado três vezes, com filhos e emprego fixo e foi condenado por 48 assassinatos confessados por ele.

 

20
Mai22

SERIAL KILLER: REFLEXÃO DA PSICANÁLISE E DA CRIMINOLOGIA

Talis Andrade

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Por Vitória Campos Prado, Rulian Ricardo Faria, e Mario Victor Senhorini Franco

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Na sociedade, sempre esteve presente o crime. Segundo a Bíblia, o primeiro assassinato é narrado no livro de Gênesis: o caso de Caim e Abel. Esse teria sido o primeiro homicídio da história da humanidade.

Leis foram criadas para a melhora da convivência humana na sociedade. Quando essas regras são desrespeitadas, a pessoa que não se adequa acaba tornando-se um “inadaptado social”.

O criminoso pode somar dois polos fundamentais, como culpa do modo de vida que é imposto pela a sociedade, e ter o livre arbítrio, onde o homem é dono do seu agir, tendo-se a consciência do ato criminoso que pretende praticar.

Enrico Ferri, citado por Castelo Branco (1980), classifica os criminosos em 6 classes: loucos, semiloucos, passionais, habituais, natos e ocasionais.

Os loucos seriam aqueles que têm uma difícil recuperação, e, por conta disso, devem ser internados em manicômios judiciários. Semiloucos são os fronteiriços, que ainda têm a possibilidade de recuperação, e que são internados em casas de custódia e tratamento. Os criminosos passionais são considerados emotivos e incapazes de controlar seus sentimentos, e são geralmente agraciados com a redução da pena. Os habituais, embora não sejam serem insanos, têm uma difícil recuperação e devem ser recolhidos a prisões de máxima segurança. Os natos também não são considerados insanos, mas são agressivos e muitos perigosos, sendo de difícil recuperação; também são recolhidos a prisões de segurança máxima. E, por fim, os criminosos ocasionais são levados ao crime por questões de momento e não são considerados delinquentes; eles recebem geralmente penas em regime aberto ou semiaberto, ou aplica-se uma multa, havendo até a suspensão da pena de alguns casos.

Essas teorias sobre os criminosos tentavam esclarecer os motivos pelos quais eles cometiam seus atos. Na época desses estudos, eles faziam sentido, mas esse entendimento se modificou, pois sempre outra teoria tomava o lugar da anterior por se apresentar mais completa. Onde se insere o Serial Killer nesses conceitos? Em nenhum lugar!

Ballone (2003) acredita que a diferença entre o assassino em série e o assassino em massa é o fato de este matar várias pessoas de uma vez só, sem se preocupar com a identidade delas, enquanto aquele elege cuidadosamente suas vítimas, selecionando-as.

É de fundamental importância conhecer o tema dos Serial Killers. Segundo Calhau, existem poucos trabalhos científicos em nosso país sobre esse assunto polêmico de pessoas que agem friamente e sem arrependimento diante situações de crueldade provocadas por elas mesmas, e que têm por consequência famílias desestruturadas, separação traumática de pais e filhos, sofrimento, abusos físicos, sexuais e emocionais.

No olhar psicanalítico, a influência de um ambiente espantosamente problemático implicaria diretamente em um descompasso na formação do indivíduo. Logo, aqueles que tiveram interferência ou até mesmo interrupção em determinadas fases naturais de sua vida teriam sua formação comprometida, um certo grau de desequilíbrio. No caso dos assassinos em série, o seu histórico familiar exerce atuação direta na sua personalidade e conduta criminosa.

Sendo assim, o prolongamento das fases sexuais (fase oral – na qual a zona de erotização é a boca; fase anal – na qual a zona de erotização é o ânus; fase fálica – na qual a zona de erotização é o órgão sexual) de Freud implicaria em um descontrole na formação do indivíduo; logo, para aqueles que sofreram uma terrível paralisação ou até mesmo uma interrupção nas fases normais de sua vida, há uma grande tendência para a formação de um certo grau de desequilíbrio. No caso dos assassinos em série, seu passado exerce grande influência em sua personal criminosa (SILVA, 2007)

O Complexo de Édipo é de suma importância, visto que vai influenciar sobremaneira o caráter do ser humano; se o indivíduo receber uma educação extremada, essa o transformará em um inseguro. Uma pessoa de autoestima elevada raramente apresentará desvios de personalidade em sua vida adulta (SILVA, 2007).

Esses assassinos em série cometem crimes e têm uma descarga de prazer no ato de matar que lhes gera uma sensação semelhante ao orgasmo no ato sexual. Eles cometem crimes inconscientemente, por pulsão, na tentativa de se livrar da angústia gerada por fantasias obsessivas do seu imaginário e têm prazer em controlar o seu objeto de desejo: as vítimas.

Freud, ao analisar o relato de Schreber (1911), retoma esse relato como uma lógica oculta, na qual releva anexos associativos e cavidades de delírio paranoico. Em 1922, Freud, ao abordar essa situação de paranoia, identificou um delírio de ciúmes na rivalidade no componente de homossexualidade, trazida por Lacan como uma paixão narcísica. Como Cottet explica: “Esta é a primeira tese Freud - Lacaniana que vale sobretudo para a paranoia, para o ciúme delirante, onde o que prima é o interesse para com o rival – que é o que Freud chamou de “a homossexualidade na paranoia”. Para Lacan, o interesse para com o rival não se confunde com o gozo homossexual; é a paixão mortal do narcisismo que domina, embora a agressividade não seja forçosamente narcísica, pois ela pode visar a um ponto de gozo no outro, por exemplo: o olhar (um traço de gozo expresso pelo olhar), a perseguição. Nesse momento, não é a imagem do outro que é perseguidora, mas um traço do sujeito, por exemplo, que não seja imaginário – como uma identidade de situação social, como nos crimes de massa nos colégios americanos. Não se pode dizer que, neste caso, o sujeito visa exatamente à imagem dele mesmo, mas, enfim, é toda a humanidade sofredora que é visada no desencadeamento da carnificina. É a infelicidade, a desgraça mesmo de estar vivo que é insuportável” (COTTET, apud ALMEIDA, 2008, p.11).

Quais são as conjunturas de desencadeamento da passagem ao ato? Conhecemos as conjunturas de desencadeamento da psicose. Enfim, existem standards de desencadeamento da psicose que Lacan articulou em torno do Um-pai real. É certo que, se há uma estrutura da passagem ao ato, ou se há um ou diversos standards de desencadeamento, o instante do olhar, da voz joga aí um papel em primeiro plano; é o que faz aparecer o assassino em série Fourniret que, por exemplo, forçava suas vítimas a falarem de sua virgindade, e, de acordo com a maneira como a garota falava, ele a matava ou não. Portanto, é a intrusão de um significante particular que pode favorecer a passagem ao ato (COTTET, apud ALMEIDA, 2008, p.11).

As perversões e seus crimes são, talvez, dos temas mais estudados pela psicanálise, justamente por ter sido essa a estrutura mais enigmática para a clínica psicanalítica. Elisabeth Roudinesco, em A parte obscura de nós mesmos: uma história dos perversos,considera que “no que se refere à estrutura, denominação e significação, a perversão só foi estudada pelos psicanalistas” (ROUDINESCO. 2008. p.7). [Transcrevi trechos]

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Não vote em homicida. O Brasil é o único país que cultua, nas câmara municipais, nas assembléias legislativas estaduais e na Câmara dos Deputados a aberração das bancadas da bala. Nelas mandam assassinos de dez, cem, duzentas pessoas. Entre eles, possivelmente, serial killers. Rosana Helena Ferreira Correia chegou "à conclusão de que no Brasil encontram-se investigações inadequadas ao tipo de crime cometido por serial killer, desprovidas do método apropriado, causando impacto desfavorável. No Brasil, a técnica da elaboração do perfil criminal é completamente desconsiderada".

lápis de memória: Bancada da bala

20
Mai22

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL

Talis Andrade

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VI - O PERFIL DO SERIAL KILLER

 

por Priscila Adriana Silva

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(Continuação) De acordo com Dalgalarrondo (2008), o autor trata em sua obra a respeito da denominação acerca do transtorno da personalidade, o referido menciona que “o transtorno de personalidade foi, ao longo dos últimos dois séculos, nomeado de diversas formas, insanidade mental, monomania moral, transtorno ou neurose de caráter” (DALGALARRONDO, 2008, p. 268). Contudo, a nomeação que permeia o termo dos profissionais foi à psicopatia, tal palavra foi de modo errôneo, utilizada igualmente para se imputar a sociopatia e transtorno da personalidade de modo que abarque todos os tipos.

Ramos (2002), afirma sobre a personalidade do serial killer:

Os portadores de personalidade psicopática, os anormais e os normais. Os primeiros são os psicopatas - os mais frequentes assassinos seriais - que assim agem em razão do já abordado transtorno de sua personalidade, especialmente no tocante ao seu caráter, cometendo crimes meticulosamente planejados, com intervalo de tempo, e posterior fuga, sem deixar transparecer uma conduta social desajustada (RAMOS 2002, p. 13).

O sujeito com personalidade antissocial não possui empatia, atentando que a empatia é a capacidade em se colocar na mesma situação que a outra se encontra. Ter compreensão das emoções do próximo, experimentar de maneira objetiva o que outras pessoas sentem (VELLASQUES, 2008).

De modo mais preciso no DSM-V são descritos os critérios para transtorno de personalidade Antissocial

A. Um padrão difuso de desconsideração e violação dos direitos das outras pessoas que ocorre desde os 15 anos de idade, conforme indicado por três (ou mais) dos seguintes:

1. Fracasso em ajustar-se às normas sociais relativas a comportamentos legais, conforme indicado pela repetição de atos que constituem motivos de detenção.

2. Tendência à falsidade, conforme indicado por mentiras repetidas, uso de nomes falsos ou de trapaça para ganho ou prazer pessoal.

3.Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro.

4. Irritabilidade e agressividade, conforme indicado por repetidas lutas corporais ou agressões físicas.

5. Descaso pela segurança de si ou de outros.

6. Irresponsabilidade reiterada, conforme indicado por falha repetida em manter uma conduta consistente no trabalho ou honrar obrigações financeiras.

7. Ausência de remorso, conforme indicado pela indiferença ou racionalização em relação a ter ferido, maltratado ou roubado outras pessoas.

B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.

C. Há evidências de transtorno da conduta com surgimento anterior aos 15 anos de idade.

D. A ocorrência de comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de esquizofrenia ou transtorno bipolar (DSM-V, 2014, p. 645).

No entanto, é bastante equivoco das pessoas que versam a respeito do assassino em série não ter consciência do que a sua vítima sente. Ao contrário do que se pressupõe, o aludido compreende o que a vítima sente e mesmo assim, executa a obra de crueldade para que as veja sofrer (CASOY, 2002).

Enquanto isso, a dor da sua presa não o comove, o clamor por socorro da vítima não a isenta do sofrimento, muito pelo contrário, isso causa prazer no autor do crime. O serial killer contém alteração no sistema límbico onde se encontra as emoções do ser humano. E em razão da modificação, o sujeito se torna incapaz de se sensibilizar com a outra pessoa (CASOY, 2002).

O indivíduo com tal anomalia de personalidade é irresponsável, inconsequente, ausente de segurança em relação a si mesmo e a outrem, não possui compaixão, é agressivo em suas atitudes, igualmente cruel, não sente culpa alguma quando pratica ações que vá prejudicar alguém e mente de maneira recorrente (VELLASQUES, 2008).

Segundo Dalgalarrondo (2008), O transtorno de personalidade é a razão que motiva o efeito doloroso para o próprio indivíduo e familiares. Estes transtornos, por sua vez, não são passiveis às modificações por intermédio das vivências da vida, visto que, são propensos a serem estáveis ao longo da vida do sujeito.

 

6.5 ASSASSINOS EM MASSA

 

No que tange os assassinos em massa, o termo é utilizado para considerar o sujeito que comete crimes com “quatro a mais vítimas, em um mesmo local e que são relacionados com um único fato criminoso” (VELLASQUES, 2008, p. 20).

Habitualmente, este tipo de criminoso age em público e busca fazer o maior número possível de vítimas. Visto que, por vezes, as vítimas não possuem vínculos com o criminoso. Entretanto, vale a ressalva da existência de oposição ao assassino em série, porquanto o assassino em massa não se abstém de atacar a sua família. Na verdade, este tipo de assassino é comum nos Estados Unidos, contudo, no Brasil também ocorre essas espécies de crimes (ALVAREZ, 2004).

O assassino em massa não possui nenhum tipo de autocontrole, pois percebe a sua vida como um verdadeiro fracasso. Para tanto, a partir do momento em que há surtos de violência, o criminoso se revolta contra todos, onde contém resultado disfuncional do comportamento e exterminação de sujeitos inocentes (SCHECHETER, 2003).

De acordo com a obra de Schecheter (2003, p. 26):

Como assassinato em massa e relâmpago são essencialmente duas manifestações do mesmo fenômeno psicológico, um novo termo que abarcaria os dois tipos de crime foi proposto recentemente. Em uma série de artigos publicados pouco antes do primeiro aniversário do massacre de Columbine, o Jornal The New York Times se referiu a figuras como Dylan Klebold e Charles Whitman e outros como “assassinos compulsivos” (rampage killers, no original) – uma expressão bastante eloquente que destaca a diferença básica entre esses tipos de criminosos e o serial killer.

Os assassinos em massa matam porque anseiam a morte de um grupo ou população especifica, o desejo pela morte de outras pessoas pode estar direcionado para sujeitos que divergem da sua religião ou cultura. É típico deste criminoso não respeitar os costumes d’outros, pois acreditam que as suas ações, culturas, costumes ou religião são melhores e que prevalecem mediantes ademais (RAMOS, 2002).

De certa forma esses assassinos em massa coagem pessoas para que façam a sua vontade, caso contrário, ocorrem vários homicídios, sempre visando interesse econômico e social, para expandirem sua liderança, ou seja, terem poder sobre qualquer pessoa, e tendo como característica matar as pessoas no mesmo lugar, envolvidas em um mesmo episódio (RAMOS, 2002, p. 17).

Para explicar sobre o conceito assassino em massa, vale relembrar o caso de Wellington Menezes de Oliveira de 23 anos, o ocorrido foi identificado como “massacre em realengo”. O jovem que entrou na escola municipal Tasso da Silveira onde era ex-aluno, carregava consigo arma e munição. Ao adentrar na escola o assassino atirou contra as crianças presentes e por decorrência deste crime cruel, doze crianças inocentes faleceram. Wellington parou os ataques quando a polícia, igualmente, atirou contra ele, o mesmo se suicidou (HANSSON, 2018).

 

6.6 MATADORES AO ACASO

 

Ao contrário do serial killer e o assassino em massa, os matadores ao acaso são sujeitos que ceifam vidas em uma ou mais zonas diferentes, tendo um curto lapso temporal. Para a melhor compreensão dos matadores ao acaso, o caso registrado de um brasileiro chamado Genildo Ferreira de França que matou quatorze pessoas em dois dias, no Estado do Rio Grande do Sul na cidade de Santo Antonio do Potengi. Genildo alcunhado como o “neguinho do Zé Ferreira” se suicídio por não ter saída quando as autoridades o encontraram (ALVAREZ, 2004).

 

6.7 VITÍMAS

 

O serial killer escolhe as suas vítimas aleatoriamente ou decide se direcionar para aquelas que estão de acordo com algum modelo marcado por ele. Sendo assim, podem ser pessoas participantes de algum grupo ou homossexuais, enxergando-as como objeto de tortura (CASOY, 2004).

É apontado o criminoso como serial killer, a partir do momento em que as vítimas não possuem nenhum tipo de vínculo com o assassino e tão pouco os homicídios futuros terão qualquer tipo de ligação com o primeiro caso (ALVAREZ, 2004).

Sob o olhar de Casoy (2002, p. 17), a autora traz em sua obra as fases que são relacionadas ao assassino em série, por isso, aponta às fases, sendo elas: [...] fase áurea: em que o assassino começa a perder a compreensão da realidade; fase da pesca: quando o assassino procura a sua vítima ideal;

fase galanteador: quando o assassino seduz ou engana sua vítima; fase da captura: quando a vítima cai na armadilha; fase do assassinato ou totem: auge da emoção para o assassino; fase da depressão: que ocorre depois do assassinato (CASOY 2002, p. 17).

Sucedendo a última fase indicada pelos autores, o assassino em série retorna à fase inicial. No dado momento em que a vítima vem a óbito, o assassino volta ao seu estado de cólera e ódio, em razão de ser abandonado. Suas ações só culminam quando o mesmo é capturado ou morto.

Seu domínio não hesitam ao tortura-las, em alguns casos eles chegam a fazer com que as vítimas desmaiem e logo em seguida voltam a reanimálas, para que possam prosseguir com seu jogo de massacre, assim prosseguem até que finalmente matem suas presas definitivamente, ao matar, humilha a vítima, para reafirmar seu poder e reafirmar sua autoestima, para que haja prazer é realizado um circuito energético interno do psiquismo, da libido (WANDERLEY, 2004, p. 12).

Estes assassinos em série, apresentam comportamento sado masoquistas, pois procuram humilhar suas vítimas, “brincando” com suas presas e praticando atos de crueldade (VELLASQUES, 2008).

 

6.8 MODOS OPERANDIS

 

Sob a ótica de Casoy (2004), a referida autora traz em sua obra acerca dos modos operandis do assassino em série. Aludindo que, são técnicas que o transgressor coloca em prática no ato cruel. Deste modo, o indivíduo aperfeiçoa o seu modo de operar a cada crime cometido.

A autora Silva (2017, p. 12-13) afirma que;

o modus operandi assegura o sucesso do delinquente em sua empreitada, protege sua identidade e garante que a fuga tenha sucesso, porém, encontrar o mesmo modus operandi em diversos delitos não ajuda no ligamento de um crime ao outro. Conforme o sujeito passa a praticar esses atos criminais, as técnicas de execução das mortes de suas vítimas passam a ser modeladas e melhoradas, fazendo com que a execução dessas mortes sejam quase que perfeitas, após a identificação do modus operandi, os serial killers, são classificados pelas autoridades como sendo organizados ou desorganizados (SILVA, 2017, p. 12-13)

Em geral, os sujeitos que cometem fatalidades, são pessoas solitárias em virtude de se auto julgar superiores aos demais. Comumente, os assassinos em série desejam ser vistos pela sociedade como bem empregados e de bom exemplo (MARTA, 2009).

Conforme o Manual de Classificação de Crimes do FBI (1992) o “serial killer” comumente recorre as suas vítimas de uma das três formas abaixo classificadas, é infrequente as exceções, abaixo é apresentado as maneiras: 24

1- Assassinos nômades: mudam várias vezes de lugar e matam conforme viajam; como mudam de cidade, estado ou até mesmo país dificultam a ação da polícia, de forma que na maioria das vezes conseguem permanecer impunes por muito tempo.

2- Assassinos territoriais: é a forma como a maioria age, estabelecendo um limite de atuação, podendo ser cidades, bairros ou até mesmo lugares ainda mais restritos.

3- Assassinos estacionários: São raros, praticam suas atrocidades em um único local, como por exemplo, a própria casa, trabalho e até mesmo hotéis. O “modus operandi” é passível de modificação, pois o criminoso pode se aperfeiçoar e mudar os métodos de elaboração e execução do crime (MARTA, 2009, p. 50).

São designados os modos operandis como “observar a arma, a vítima e o local dos crimes” (VELLASQUES, 2008, p. 50). Haja vista que, os modos são mutáveis em consonância com as dinâmicas executadas pelo serial killer. Para tanto, é aprimorado os métodos utilizados.

 

6.9 ASSINATURA

 

É agregado, juntamente aos modos operandis, a assinatura do serial killer. Porém, há somente uma única diferença entre ambas. Está é compreendida como única, sendo inalterável em qualquer situação em virtude de suceder das fantasias do sujeito. Reconhece a assinatura do assassino através dos modos operandis (SAMPAIO, 2015).

Casoy (2002, p. 48), exibe alguns tipos de assinatura;

Mantém a atividade sexual em uma ordem específica; usa repetidamente um específico tipo de amarração da vítima; inflige a diferentes vítimas omesmo tipo de ferimentos; dispõe o corpo de certa maneira peculiar e chocante; tortura e/ ou mutila suas vítimas e/ou mantém alguma outra forma de comportamento ritual (CASOY, 2002, p. 48),

O serial killer precisa se completar, pois, somente matar a vítima não o satisfaz. Por exemplo, ao matar a sua presa o assassino extrai o polegar da mesma, e assim acontece sucessivamente. Está prática é feita com todas as vítimas escolhidas pelo serial killer. Desse modo, quando é encontrado dois ou mais corpos, verifica-se a assinatura para auxiliar as autoridades em reconhecer se o crime cometido foi executado pelo mesmo serial killer (FAVARIM, 2015). 25

A assinatura é uma combinação de comportamentos, identificada pelo modus operandi e pelo ritual. Não se trata apenas de formas de agir inusitadas. Muitas vezes o assassino se expõe a um alto risco para satisfazer todos os seus desejos, como, por exemplo, permanecendo muito tempo no local do crime. Pode também usar algum tipo de amarração específica ou um roteiro de ações executadas pela vítima, como no caso de estupradores em série. Ferimentos específicos também são uma forma de assinar um crime (CASOY, 2004, p. 20).

O autor apresenta o que difere os modos operandis da assinatura, um exemplo imaginário é o caso de um estuprador que domina a residência de um desconhecido, “onde está a mulher e o marido; manda o marido se deitar no chão e coloca uma xícara sobre as suas costas e o ameaça dizendo que se a xícara chegar a cair, mata a sua esposa; depois, leva a mulher ao quarto e a estupra.” (CASOY, 2002, p. 20). Nesse exemplo, são exibidos os modos operandis, em virtude de a vontade do assassino em série querer abusar sexualmente da mulher, e toma a mesma atitude com o marido. Porém, as proporções para ambos são diferentes, quando o serial killer intimida o marido, sua intenção suja é não deixar que o residente da moradia não se torne uma ameaça para a ação macabra e planejada do assassino.

“Agora se um estuprador entra na casa e só encontra a mulher, pede para que esta chame o marido, quando ele chega, amarra-o para que assista ao estupro que será praticado contra a esposa” (CASOY, 2002, p. 20).

Já neste outro caso, nos defrontamos com a assinatura do assassino, pois o ato realizado faz parte de sua fantasia. Todavia, cada transgressor tem os seus modos operandis e a sua assinatura (PHILIPPI, 2010).

 

6.10 CLASSIFICAÇÃO DO SERIAL KILLER

 

Embora, o serial killer seja um sujeito que não possua nenhum tipo de emoção ou afeto por ademais, apesar disto, o dito consegue conviver em sociedade. Aparentando ser uma pessoa de boa conduta, tendo em vista que, os transgressores são ótimos atores devido ao seu desempenho em exibir para a comunidade o quão bondoso ele é. De modo que, a atitude dita “normal”, impede outra pessoa de identificar a verdadeira face do serial killer (SAMPAIO, 2015).

A autora Casoy (2002), demonstra em sua obra “Louco ou Cruel?” uma linha de classificação do serial killer fragmentada em quatro pontos, sendo eles, visionário, missionário, emotivo, sádico.

A seguir, serão apresentadas as classificações designadas pela autora;

“VISIONÁRIO: é um indivíduo completamente insano, psicótico”. Ouve vozes dentro de sua cabeça e as obedece. Pode também sofrer alucinações ou ter visões.

MISSIONÁRIO: socialmente não demonstra ser um psicótico, mas em seu interior tem a necessidade de “livrar” o mundo do que julga imoral ou indigno. Este assassino escolhe certo tipo de grupo para matar, como prostitutas, homossexuais, mulheres ou crianças.

EMOTIVO: mata por pura diversão. Dos quatro tipos estabelecidos, é o que realmente tem prazer de matar e utiliza requintes sádicos e cruéis, obtendo prazer no próprio processo de planejamento do crime.

SÁDICO: é o assassino sexual. Mata por desejo. Seu prazer será diretamente proporcional ao sofrimento da vítima sob tortura. A ação de tortura, mutilar e matar lhe traz prazer sexual. Canibais e necrófilos fazem parte deste grupo” (CASOY, 2002, p.19).

Observa-se que, a partir do momento em que o serial killer é apreendido pelas autoridades, o mesmo alega inocência pelos crimes cometidos, afora das provas concretas que aponte ele como o autor do delito realizado. Já outros, a princípio demonstram-se refratários, porém, com abundante resistência das autoridades, o declarado acaba entregando-se, assumindo a culpa. Todavia, afirmam apresentar insanidade ou doença para que assim, o eximam de qualquer responsabilidade (RAMOS, 2017).

Segundo Marta e Mazzoni (2009), as autoras dividem em duas partes os célebres seriais killer, conforme a sua maneira de agir.

O primeiro é chamado de serial killer organizado, pois são mais astutos, acompanham de perto o trabalho da polícia sobre seus crimes, preparam a cena do crime, dificilmente deixam vestígios no local do crime que possam identificá-los, porque, geralmente, são orgulhosos e encaram o crime como um jogo. Do segundo grupo participam os assassinos desorganizados: neste perfil, os seriais killers são mais impulsivos e pouco cuidadosos, atuam em seus crimes sem se preocupar com erros e rastros e, geralmente, não se preocupam em acompanhar a investigação criminal de seus crimes (MARTA; MAZZONI, 2009, p. 4).

Dentro desta perspectiva, percebe-se que alguns sujeitos denominados assassinos em série, possuem formação superior, são socialmente competentes, elaboram minuciosamente os seus ataques sem deixar rastros e em geral, suas 27 vítimas não são conhecidas. A vista disso, é considerado um indivíduo com inteligência acima da média (VELLASQUES, 2008).

Já os desorganizados são o polo oposto dos organizados, uma vez que as suas ações não produzem resultado “positivo” a seu favor. São portadores de baixa inteligência, não possuem capacidade para a elaboração dos seus crimes, as vítimas escolhidas pelos seriais killers são conhecidas (RAMOS, 2017). (Transcrevi trechos)

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[Não vote em serial killer, em assassino em série, em policiais e militares homicidas. Não vale ouvir discurso de ódio, de apologia à violência. Não aprove o terrorismo policial de bandido bom é bandido morto. Ou o ódio racial: negro bom é negro morto. Vote contra o genocídio dos povos indígenas. Vote contra o genocídio de jovens negros. Vários serial killers são nazistas, fascistas, racistas, homofóbicos. Recuse o culto das armas, da ordem para matar, o famigerado excludente de ilicitude, a heroificação dos covardes da bancada da bala, que ameaçam de morte os adversários, ou cultuam a tortura, o terror policial, o assédio judicial, a ditadura. 

Vote no amor. Pois toda a Lei se resume num só mandamento, a saber: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Amor a Deus, amor à Pátria, ao povo, amor à cidade, amor à rua. O amor é paz, liberdade, fraternidade, igualdade, democracia. 

Nunca mais tortura. Nunca mais ditadura]

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19
Mai22

Lula é cafangado por integrantes histéricos de clube de tiro: “A gente adora você”

Talis Andrade

 

Deputados serial killers também ameaçam o presidente de morte. Lula promete fechar clubes de tiro e espalhar bibliotecas pelo Brasil

 
 
 

É uma triste realidade brasileira: serial killers das bancadas da bala continuam a ameaçar Lula de morte.

Assassino em série, o psicopata que já metralhou mais de duas pessoas. Tem um deputado de São Paulo que confessou 200 mortes, outro umas cem.

Homicidas devem frequentar os clubes e escolas de tiros estimuladas pelo presidente Bolsonaro. Idem as milícias eleitorais armadas, idealizadas pelo Gabinete do Ódio instalado no Palácio do Planalto, que o Brasil virou uma republiqueta de bananas, com suas principais empresas falidas pelas Lava Jato, ou leiloadas por Michel Temer e Bolsonaro doudos por dinheiro. 

Os violentos ou faroleiros parlamentares que ameaçaram matar Lula: general Eliezer Girão Monteiro, coronéis Washington Lee Abe, Lucinda Telhada, Tadeu Anhaia, André Azevedo, Carla Zambelli casada com um coronel, sargento Anderson Alves Simões, cabo Junio Amaral, inclusive o pastor Otoni de Paula, que bem imita trejeitos de gay desmunhecado. Todos fazem parte da tropa de choque de Bolsonaro. 

Os discursos de ódio são cotidianos. O presidente capitão dá o satânico exemplo de apologia da violência como campanha eleitoral. Como se quisesse envolver o Brasil em uma guerra civil, que não se trama golpe sem listas de presos políticos e listas de lideranças marcadas para morrer.

 

Clube de Tiro vende "livros" para matar Lula
 
 

Em suas redes sociais, integrantes do Clube de Tiro TZB, em Goiânia, publicam vídeo em tom de ameaça e deboche ao ex-presidente Lula (PT). No vídeo, os participantes anunciam que já começaram o ”clube do livro” no TZB e um deles diz: ”a gente adora você, cara”.

Ao abrir o livro, fica evidente que, na verdade, são caixas com armas dentro. ”Olha que livro bonito”, comenta um deles ao abrir o conteúdo.

Nessa mesma publicação, um dos apoiadores repete o slogan de Bolsonaro: ”um povo armado jamais será escravizado”.

 

Por que ”Clube de Livros”?

 

Recentemente, em abril, durante um encontro em que recebeu apoio formal do PSOL, Lula declarou que, caso seja eleito, pretende fechar todos os clubes de tiro formados durante o governo de Bolsonaro (PL), criando clubes de leitura.

- Se preparem, porque esses clubes de tiros que foram criados vão fechar, vamos criar clubes de leitura. Em vez de tiros, nós teremos livros. Vamos espalhar bibliotecas pelo país. Vamos trocar armas por livros

A publicação do TZB é um deboche e afronte ao comunicado de Lula. Veja que todos usam uma barba de Fidel Castro como exibição de bravura, cara de guerreiro cubano.

 

Lula defende transformar clubes de tiros em clubes de livros

"O Brasil terá a oportunidade de decidir que país vai ser pelos próximos anos e [pelas] próximas gerações. O Brasil da democracia ou do autoritarismo? Do conhecimento e tolerância ou do obscurantismo e da violência? Da educação e cultura ou dos revólveres e fuzis?", declarou Lula. 

 

Delegado levou seis tiros em briga com exPaulo Bilynskyj postou vídeo em que ironiza declaração de Lula - Reprodução: Instagram

Paulo Bilynskyj ganhou projeção nacional em maio de 2020, com o espetaculoso suicídio da noiva Priscila de Bairros, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.

Após atirar contra o delegado, Priscila teria atirado contra ela mesma e morreu no local.

O inquérito que investiga o caso ainda não foi concluído, mas, no ano passado, em entrevista ao "Domingo Espetacular", da RecordTV, Bilynskyj disse que não seria possível ele ter atirado e que "nunca" foi acusado "de nada".

Caso Priscila: pais depõem pela 1ª vez sobre morte da modelo em SP -  Notícias - R7 São Paulo

 

Na ocasião, os advogados da família de Priscila questionaram o motivo que levou a modelo a tirar a própria vida e indicaram que, "dependendo o que motivou, o doutor Paulo pode responder por instigação ao suicídio". Segundo o delegado, na noite anterior aos tiros, Priscila viu uma mensagem de uma mulher no computador do namorado e não gostou. Ele diz que era uma mensagem anterior ao relacionamento dos dois, de uma admiradora do seu trabalho como policial.

Deputado dispara arma durante sessãodeputado do MS atira durante sessão

Um deputado estadual do Mato Grosso do Sul foi criticado pelos colegas por ter disparado uma pistola durante a votação de um projeto de sua autoria.

João Henrique Catan (PL-MS) participava da sessão de forma remota, em um estande de tiro, e disse que era um “tiro de advertência no comunismo”.

O projeto, de âmbito estadual, reconhece o risco da atividade de atirador desportivo e foi aprovado por 16 votos favoráveis e três contrários. “O povo armado jamais será escravizado”, bradou João Henrique, apoiador fanático do presidente Jair Bolsonaro (PL).

EVANDRO GUEDES FALA SOBRE O DELEGADO PAULO BILYNSKYJ

Caso Priscila: Mensagens para ex revelam que delegado temia modelo -  Notícias - R7 São Paulo

Paulo Bilynskyj e Priscila de Bairros. Uma morte jamais investigada. 

12
Mai22

Entidades criticam derrubada de monumento a 28 mortos em operação policial no Jacarezinho; organizações avaliam recorrer à Justiça

Talis Andrade

Policiais da Core destruíndo o monumento que ficava sobre uma ponte da comunidade

 

por Rafael Nascimento de Souza /Extra
 

Movimentos sociais protestaram contra a derrubada de um memorial – inaugurado na última semana na Favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio – em memória aos 28 mortos em uma operação da Polícia Civil no ano passado. Na tarde desta quarta-feira, agentes da 25ª DP (Engenho Novo) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) usaram picaretas e um veículo blindado para pôr abaixo a estrutura erguida por entidades como o LabJaca e o Instituto de Defesa a Ação Negra. Em nota conjunta, instituições como Associação Juízes para a Democracia (ADJ), Casa Fluminense, Instituto Marielle Franco, Voz das Comunidades, Federação de Favelas do Rio, Observatório Cidade Integrada e Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) criticaram a ação policial e destacaram que receberam “com surpresa” a derrubada. Elas deverão acionar a Polícia Civil na Justiça.

Um ano depois: MP denuncia 2 policiais por mortes de 2 homens no Jacarezinho em operação mais letal do RJ

Veja a derrubada do memorial em homenagem aos 28 mortos em ação policial no Jacarezinho

De acordo com trecho do comunicado, “o memorial foi uma ação concreta para lembrar as 28 vidas perdidas durante a chacina, sejam elas de civis ou policiais, vítimas da política de violência que os governos do estado do Rio vêm aplicando contra a população de favela, em sua maioria composta por pessoas negras”. Ainda de acordo com o documento, “a violência não pode ser o único caminho para o estado se fazer presente nas favelas”.

O advogado de várias das vítimas Joel Luiz Costa, que morou na comunidade, destacou que “não basta banalizar o derramamento de sangue, eles ainda tripudiam da nossa resistência”.

Operação letal: Polícia produziu laudo após fim da investigação para defender agentes sobre mortes no Jacarezinho

Segundo a Federação das Associações de Favelas do Rio (Faferj), “não existe apologia a nada, pois há liberdade de expressão”. Ainda de acordo com a instituição, “os 28 mortos na chacina no Jacarezinho, sequer foram julgados ou condenados. Apenas executados com aval do estado”.

Para justificar a derrubada, a Polícia Civil afirma que o monumento faria apologia ao tráfico de drogas, já que "27 mortos tinham passagens pela polícia e envolvimento comprovado com atividades criminosas, além do fato de que a construção do mesmo não tinha autorização da prefeitura do Rio de Janeiro".

Ainda de acordo com a justificativa da Polícia Civil, o nome do policial civil André Leonardo de Mello Frias, também morto na operação, foi incluído no memorial sem a autorização da família, e isso teria sido mais um motivo para a ação.

Em nota, a assessoria da Polícia Civil reforça que o memorial é ilegal:

"Investigação da 25ª DP comprova que o memorial era ilegal, pois além de não ter autorização da prefeitura, e nem da família do policial morto, também fazia apologia às drogas. Essa apologia é comprovada com a própria frase estampada no memorial, que afirmava que o tráfico local era 'apenas um comércio varejista de drogas', quando é sabido por todos que o Jacarezinho era comandado pela maior facção criminosa do estado e que os 27 criminosos mortos em confronto com a polícia tinham envolvimento comprovado com o tráfico.

O programa Cidade Integrada, que retomou o território para o estado, não admite nenhum tipo de nova construção sem as autorizações necessárias, como é exigido em qualquer área formal da cidade. Além disso, o Cidade Integrada comprova o tamanho da quadrilha do Jacarezinho, pois desde o início do projeto o prejuízo financeiro ao tráfico já é da ordem de R$ 60 milhões".ImageImageImage

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12
Mai22

Delegada Adriana Belém presa e policiais destroem a marretadas Memorial da Chacina de Jacarezinho

Talis Andrade

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No dia que a delegada deles Adriana Belém é presa, com quase dois milhões da jogatina, seus fiéis policiais vão quebrar o Memorial da Chacina do Jacarezinho. 

Polícia destrói memorial em homenagem a mortos da Chacina do Jacarezinho -  A VerdadeImageImage

Os odientos policiais, em campanha para eleger algum assassino delegado deputado, ou coronel, derrubaram o monumento na marra. Numa demonstração de força física.Polícia Civil do RJ destrói com caveirão placa em | Direitos Humanos

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A delegada Adriana Belém tinha como braço direito o chefe dos investigadores, Jorge Camillo. Ele está preso, acusado de ajudar as milícias e trocar mensagens com Ronnie Lessa, assassino da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

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Nas chacinas sempre acontece de um matador ser serial killer.

Não reeleja deputado policial serial killer. As bancadas da bala estão repletas de assassinos de sem terra, de sem teto. De comandantes de chacinas, de massacres, de famigerados homicidas, de psicopatas que sentem prazer em matar. 

Quem mata mais de duas pessoas é um assassino em série. 

Em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira, a juíza Daniele Lima Pires Barbosa negou o requerimento da defesa da delegada Adriana Cardoso Belém, presa nesta terça na Operação Calígula, do Ministério Público, para o relaxamento da prisão e concessão de liberdade provisória. Após a apreensão de cerca de R$ 1,8 milhão no apartamento de Adriana nesta terça, a magistrada converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Na decisão, a juíza justificou seu parecer destacando os grandes valores em espécie apreendidos na residência de Adriana.

"É evidente que a vultuosa quantia apreendida em poder da custodiada, aliada a denúncia ofertada pelo Ministério Público nos autos do processo por corrupção passiva, onde foi narrado que a custodiada receberia valores para liberar a ação de caça-níqueis, indicam que ela estaria ocultando e/ou dissimulando a origem e movimentação desses valores provenientes de infração penal", escreveu Daniele Barbosa.

A advogada Luciana Pires, que representa o senador Flávio Bolsonaro, o governador Cláudio Castro e o deputado petista André Ceciliano, tornou-se alvo de ataques desde que assumiu a defesa da delegada Adriana Belém, presa com R$ 1,8 milhão em espécie no Rio de Janeiro.

 

30
Abr22

O Brasil Pode Eleger um Deputado que Já Matou Mais de 40 a Tiros

Talis Andrade

conte 200 mortes.jpeg

 

CONTE LOPES DA ROTA - SNIDERCAST #106 - YouTube

 

VICE: Eu sei que a pergunta é mórbida, mas o senhor matou quantas pessoas? Umas dez?
Conte Lopes: Mais.

Umas 20?
Mais.

Mais de 30?
Mais.

Mais de 40 pessoas?
Digamos que por aí, umas 40 pessoas.

O senhor tem fama de ter coceira no dedo, de ser gatilho fácil.
Isso é conversa.

O diálogo improvável aconteceu na última sexta-feira, às 17 horas, no teto da Câmara Municipal de São Paulo, com uma vista de 360 graus de toda a cidade aos nossos pés. Estávamos quase no fim do inverno, e os raios de sol incidiam obliquamente no fim da tarde, jogando sobre o heliporto do edifício uma luz dourada e uma brisa suave que em nada combinavam com aquele papo sinistro. A fotógrafa da VICE Helena Wolfenson clicava nosso alto e corpulento entrevistado, enquanto, a pedido dela, eu apontava um flash em formato de pistola para a cabeça do homem símbolo da bancada da bala da maior cidade do Brasil. Na saída de emergência, dois agentes da Guarda Civil Metropolitana ouviam o diálogo, rígidos e cerimoniosos na presença do capitão, esperando que terminássemos o trabalho naquela zona de acesso restrito.  

“O senhor ainda anda armado?”, pergunto, enquanto o flash dispara contra a cabeça do vereador. “Ando”, ele responde tentando impedir que o vento jogue na cara o cabelo grisalho. “Seu carro é blindado?”, retoma a fotógrafa. “Não, não adianta nada. Hoje o pessoal anda armado com fuzil aqui em São Paulo”, lamenta.

Devo ter entrevistado milhares de militares na minha carreira, mas aquela era a primeira vez em que falava de armas, mortes e fuzis com um político em plena campanha para conseguir uma cadeira no Congresso Nacional. Roberval Conte Lopes Lima é capitão da reserva da Polícia Militar de São Paulo, onde entrou como soldado em 1967 e passou à temida Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite da polícia, em 1970, no auge da ditadura militar. A literatura policial o coloca como um dos três PMs que mais mataram em São Paulo – entre 100 e 150 pessoas, de acordo com o livro Rota 66 do jornalista Caco Barcellos. Ali, para nós, Conte Lopes assumiu uns 40.

Chegamos até ele por intermédio da advogada de seu gabinete, Helena Corona. “Parabéns pela VICE. O melhor jornalismo é o sério, o investigativo, aquele que apura os fatos. O resto é perfumaria”, ela me escreveu gentilmente no e-mail que confirmava a realização da entrevista naquela mesma tarde.

Conte Lopes nos recebe na sala sóbria e modesta de seu gabinete, no quarto andar da Câmara. Vinha chegando de mais uma atividade de campanha, no Largo 13 de Maio, Zona Sul de São Paulo. Antes de chegar, ainda havia passado para pedir votos num batalhão da Polícia Militar. “Não sou o Tiririca, tenho de distribuir santinho por aí e gastar muita sola de sapato”, ele diz enquanto se acomoda na cadeira e eu ligo o gravador.

Exatamente um ano antes, o prédio onde estávamos agora havia sido atacado por manifestantes, num dos momentos mais tensos dos protestos que varreram o Brasil até a Copa do Mundo. A Câmara gastou mais de R$ 1 milhão para instalar vidros blindados depois disso. “Achei que invadiriam aqui, eu disse que precisava chamar reforço. Se entra um bando daquele aqui, o que a gente faz?”, diz o vereador, revelando uma face mais vulnerável do que eu esperava. “Elas assustaram muita gente do meio político”, reconhece. “Assustaram o senhor também?”, pergunto. “Claro”, responde.

O capitão Conte Lopes foi eleito com 31 mil votos. Junto dele, na mesma eleição, entraram na Câmara de São Paulo outros dois vereadores de estilo semelhante: o Coronel Telhada (89 mil votos) e o Coronel Camilo (23 mil). Dos três, só Lopes concorre a um cargo federal nas próximas eleições, em outubro. O capitão mira a Câmara dos Deputados, em Brasília.

A diferença entre os mandatos anteriores e a campanha de agora é que o país sentiu o sacolejo de uma onda de manifestações que contestava, entre muitas outras coisas, a violência policial. A bancada da bala não ficou alheia a isso. Conte Lopes reconhece que os manifestantes “mandaram bem, deram uma mudada no cenário, porque muitos governantes sentiram o peso”, frisa. “Eles conseguiram o que queriam. Os governos recuaram. Da presidência da República aos governadores dos Estados, passando pelas prefeituras, todo mundo sentiu a pressão. O Brasil balançou do mesmo jeito como o Lula fez balançar o ABC 40 anos atrás.”

Na época, o capitão era um dos muitos militares que perseguiam dissidentes do regime. “Em 1978, eu mesmo tive de correr atrás do Lula (quando o ex-presidente ainda era um jovem líder sindical no ABC). Eu era obrigado a sair daqui às 3 horas da manhã pra correr atrás do grupo do Lula lá no ABC porque eles queriam impedir que a Volkswagen funcionasse, queriam fechar as portas, fazer piquetes. Hoje, eu sou vereador e ele foi presidente da República duas vezes. Achei que (nas manifestações de junho) poderiam surgir alguns líderes ali da juventude, assim como havia ocorrido com o Lula no passado.”

Percebo que, ao contrário de muitos militares, Conte Lopes se refere à ditadura como ditadura. “Foi uma revolução, depois virou uma ditadura. Sou a favor da democracia, tanto assim que, na primeira eleição depois da ditadura, em 1986, eu concorri e ganhei. Ganhei oito (estadual) e só perdi uma. Sou um democrata e estou na luta”, diz, referindo-se aos seus mandatos anteriores.

Para ele, o Brasil só não viu “novos Lulas” emergindo das Jornadas de Junho “porque o Black Bloc não deixou. Teve até aquelas meninas do Passe Livre dando entrevistas, se manifestando, cobrando providências”, diz, referindo-se às jovens lideranças do MPL.

Mas, além de criticar o Black Bloc, ele também reconhece que a polícia errou ao lidar com os protestos recentes. “A polícia perdeu um pouco a ação, ficou meio perdida, não sabia o que fazer”, afirma, debitando da conta dos políticos a confusão. Conte considera que houve uma politização exagerada da ação da PM. “A polícia tem de ser mais profissional, não tão política, sem os políticos querendo que ela atue de uma forma ou de outra. A polícia fica meio perdida porque o governo também não sabe o que faz. Em vez de o governador deixar a polícia agir, a mando de seu secretário, ele prefere interferir. Isso acaba mais prejudicando do que ajudando.”

“Que nota o senhor daria para a ação da polícia nos protestos?”, pergunto. “Acho que a gente ficaria com uma nota 7, por aí. Infelizmente, os excessos ocorrem”.

“É uma surpresa vê-lo elogiando manifestantes”, observo. “Não deixa de ser um elogio. Eles fizeram um movimento com força, foram à luta, batalharam. Eu não xingo eles, não. Amanhã ou depois um deles pode ser presidente da República”, explica o candidato antes de encerrar a entrevista e subir para o heliporto onde faríamos as fotos e o veríamos confirmar minutos depois as “mais de 40 mortes”, tornando difícil entender um personagem que elogia os protestos, critica a PM, condena a ditadura, mas constrói toda sua campanha eleitoral com base em slogans e práticas que desdizem tudo isso. Ou é só mais um caso de um político adaptando o discurso ao sabor do eleitorado na boca de urna, ou ele está certo em dizer que as Jornadas de Junho deram uma chacoalhada nos políticos – entre eles, o próprio capitão, que precisará gastar muita sola de sapato para vencer a limitação de pertencer ao PTB, um partido órfão de coligações viáveis, que impõe a Conte Lopes a difícil tarefa de reunir mais de 250 mil votos, sete vezes mais o que conseguiu para chegar à Câmara.

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[Esta entrevista foi publicada nas eleições de 2014. Depois de Bolsonaro presidente a bárbarie, a necropolítica, as chacinas, os massacres continuam ... com o lema "povo armado jamais será escravizado". Que povo exalta o presidente? As armas do Estado matam sem terra no campo e sem teto na cidade]

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