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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

24
Set22

(Vídeo) Caso Queiroz joga luz sobre o passado oculto de Jair Bolsonaro

Talis Andrade

 

 

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(Continuação) No relatório que mostrou a movimentação financeira do Queiroz, apareciam 6 cheques de 4 mil.

Junto com essa informação, também apareciam vários repasses de oito assessores do Flávio para a conta do Queiroz.

Então, pra ficar bem claro: oito assessores do Flávio Bolsonaro davam dinheiro pro Queiroz. E qual o motivo disso?

Todos esses depósitos e transferências sugeriam que as pessoas davam para ele, sistematicamente, quase todo o salário deles.

Aquela situação levantou um alerta. Porque ao mesmo tempo o Queiroz também fazia vários saques em dinheiro vivo.

Ele tirava tudo da conta dele para levar para outro lugar.

Estava surgindo aí um indício muito forte da famosa "rachadinha".

É uma prática das mais velhas no serviço público. E como que ela funciona? É quando o assessor entrega parte ou todo o salário para o deputado, vereador, senador?

Só que essa prática é um crime. É ilegal. O mau uso do dinheiro público chama crime de peculato.

Se alguém ajudar a ocultar a origem de onde veio esse dinheiro sujo, o crime é de lavagem de dinheiro.

Mais ainda, se é organizado e tem uma liderança, então o criminoso pode fazer parte de uma quadrilha, que também é outro crime.

O nome "rachadinha" é só um apelido para um esquema criminoso.

Mas depois de ouvir tudo isso, na nossa história, você entendeu o que estava faltando?

Faltava alguém explicar os tais repasses ou admitir a rachadinha.

Naquela época, eu ainda trabalhava no jornal O Globo e comecei a gastar sola de sapato atrás do Queiroz e dos outros assessores.

Num calor de 50 graus do RJ, eu fiz várias tentativas. Dias diferentes, horários distintos.

Nunca achei ninguém e também fui despistada.

Em um domingo daquele dezembro de 2018, eu fui em Oswaldo Cruz, um bairro na zona norte do Rio, atrás de uma moça chamada Luiza Paes.

Ela é uma das pessoas citadas no relatório que mostrou a movimentação milionária do Queiroz.

Antes deixa só eu chamar a Gabi para contar para você um pouco sobre quem é a Luiza

GABRIELA SÁ PESSOA: Luiza Paes começou a trabalhar na Assembleia em 2011, no gabinete do Flávio Bolsonaro. Trabalhando diretamente com o Flávio, ela ficou até 2012. Depois disso, ela teve outros cargos na Assembleia Legislativa do Rio. A investigação do Ministério Público do Rio apontou ela como uma das funcionárias fantasmas que participavam do esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio. De acordo com a investigação, ela entregou para o Queiroz um total de 160 mil reais. Ela é filha de um amigo do Queiroz, e aí que ela se aproxima da família.

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JULIANA DAL PIVA: Eu cheguei de mansinho, bati no portão em frente da casa, numa rua chamada Felizardo Gomes, mas não achei ninguém.

JULIANA DAL PIVA: Não, a Luiza.

HOMEM: A filha dela, né?

JULIANA DAL PIVA: Isso.

HOMEM: ...

JULIANA DAL PIVA: Tá ok, o senhor viu elas hoje, estão em casa?

HOMEM: ...

JULIANA DAL PIVA: No bar? Tá bom, obrigada.

JULIANA DAL PIVA: E eu fui no bar e chamei a dona Leonora, que é mãe da Luiza, e tentei conversar com ela.

LEONORA PAES: Absoluta, ela é minha filha sim. Tá dando a maior confusão na vida dela por causa disso.

JULIANA DAL PIVA: ...

LEONORA PAES: Eu não sei, inclusive veio uma outra pessoa aqui em casa também, e não tem nada a ver.

JULIANA DAL PIVA: A gente começou a conversar e ela falou que a filha não tinha nada a ver com a história.

Chegou a dizer que estavam confundindo a filha dela com algum nome homônimo.

Eu sabia que ela estava mentindo para mim, mas dei corda e ela acabou contando que conhecia o Queiroz.

JULIANA DAL PIVA: Na verdade, justamente na tentativa de esclarecer, não ter nenhum erro, é importante a gente conversar com as pessoas, entendeu?

JULIANA DAL PIVA: Eu entendo. Não tô aqui pra acusar sua filha de nada. Na verdade?

LEONORA PAES: Essa minha filha não tem de ter acusação nenhuma.

JULIANA DAL PIVA: Mas eu quero deixar claro isso. Não é nenhuma acusação à sua filha. Quem trabalhava lá no gabinete, quem fez alguma coisa errada, foi aquele rapaz que estão falando, o tal de Queiroz.

LEONORA PAES: Que era morador da rua.

JULIANA DAL PIVA: Era morador da rua, é?

LEONORA PAES: É, há muitos anos atrás, a gente se conhece e uma coisa não tem nada a ver com a outra, entendeu?

JULIANA DAL PIVA: E conforme eu ia tentando conversar com ela, a Leonora foi ficando mais e mais irritada.

LEONORA PAES: Vocês ficam insistindo, ficam ligando na minha casa, toda hora essa perturbação, já virou uma perturbação, e eu até falei pro meu ex-marido, que eu vou começar a xingar todo mundo. Isso já tá dando no saco, entendeu?

JULIANA DAL PIVA: Tá bom então. Dona Leonora, a senhora quer ficar com meu telefone? Se em algum momento?

LEONORA PAES: Não.

JULIANA DAL PIVA: Tem certeza?

LEONORA PAES: Absoluta.

JULIANA DAL PIVA: Eu não tô aqui acusando a senhora de nada.

LEONORA PAES: Não, você não tá acusando, você tá me perturbando, eu tô em um dia de lazer e você tá me perturbando.

JULIANA DAL PIVA: Para não piorar a situação, eu resolvi ir embora.

Sem matéria nenhuma, porque tudo que ela fez foi dizer que a filha dela não era a pessoa que eu estava procurando.

Só que sabia que ela não estava falando a verdade. E guardei na memória quando ela disse que conhecia o Queiroz.

Quem sabe outro dia, né?

Dois anos depois, a filha da Leonora, a Luiza, vai se tornar uma pessoa superimportante nesse caso.

Muito tempo depois desse dia, a Luiza vai admitir o esquema todo. Só que essa parte eu vou contar pra você depois.

E, claro, eu também fui atrás do próprio, do Queiroz. Várias vezes. Fui em três endereços que apareciam no nome dele. Todos na zona oeste do Rio.

Mas onde ele morava mesmo era numa casa simples, que fica num beco, de uma vila, no bairro da Taquara, também na zona oeste do Rio.

O que deixava ainda mais curioso saber que ele movimentou mais de um milhão em um ano. Não parecia que o dinheiro tinha ficado com ele.

Como o Queiroz estava muito visado, eu cheguei no beco onde ficava a antiga casa dele e perguntei pros vizinhos sobre a Márcia Aguiar, a mulher dele.

Antes de continuar, deixa eu explicar para vocês quem é Márcia. Gabi, vem cá.

GABRIELA SÁ PESSOA: Ju, a Marcia Aguiar é companheira do Queiroz desde 2000. E é mãe do filho caçula dele. A Márcia também foi assessora do Flávio Bolsonaro no mesmo período que o Queiroz, entre 2007 e 2017. Só que, nessa mesma época, ela não se apresentava pras pessoas como assessora na Assembleia do Rio, ou como alguém ligada ao Flávio. Ela dizia que era cabeleireira, alguém que trabalhava com estética. Anota aí quanto que ela devolveu pro Queiroz: no total, de acordo com as investigações, foram oitocentos e sessenta e oito mil e quatrocentos reais.

JULIANA DAL PIVA: Os vizinhos do Queiroz e da Márcia também não falavam muita coisa.

JULIANA DAL PIVA: Você conhece alguma moça chamada Márcia?

MULHER: Márcia?

JULIANA DAL PIVA: É

MULHER: Você conhece alguma moça chamada Márcia?

JULIANA: Vizinha aqui da esquina.

MULHER: Conheço não.

JULIANA DAL PIVA: Eu cheguei a deixar uns bilhetes pedindo entrevista. Escrevi uma mensagem dizendo que queria falar com ele. Coloquei meu número de telefone.

Mas o Queiroz nunca retornou. Muita gente também tentou. E ninguém encontrou o Queiroz naqueles dias.

E se ninguém achou o Queiroz, é porque ele estava bem escondido, o que aumentava o suspense no ar.

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Anos depois, também na cadeia, ele contou em um depoimento como foi que ele viveu aqueles dias, lá em dezembro de 2018.

FABRÍCIO QUEIROZ, em depoimento ao Ministério Público: "Aí houve esse problema, a mídia começou a bater? começou a fazer? aconteceu o problema num dia, tinha 10 repórter na porta da minha casa. Eu tinha separado da minha mulher, tava na casa da minha filha. Eu liguei pro MP, falei que meu endereço era outro. Eu fiquei isolado né, eu não lembro ao certo se foi esse dia. Eu fiquei de cama. Eu não conseguia comer. Eu não entendia nada. Eu não sabia que ia acontecer esse problema todo. Eu não me recordo. Eu fiquei mais dentro de casa por causa disso."

JULIANA DAL PIVA: O que soava muito estranho é esse mistério todo. Se não tinha nada ilegal, por que ninguém explicava tudo de uma vez?

Era no mínimo esquisito.

Desde lá, eu já entrevistei umas 50 pessoas sobre esse caso. Algumas mais de uma vez. E só um grupo pequeno aceita se identificar.

De um modo geral, todo mundo diz que tem medo de falar o que sabe.

E não era só o Flávio, o Queiroz e os assessores que fugiam da imprensa.

O próprio Ministério Público não explicava muita coisa.

Aliás, esse é um detalhe que muita gente desconhece.

Esse relatório sobre Queiroz foi feito por um órgão chamado COAF, que é o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Eles monitoram negociações suspeitas de lavagem de dinheiro.

E o relatório sobre o Queiroz existia desde janeiro de 2018, mas a gente só soube desse documento no fim daquele ano.

E por que foi assim?

Os procuradores da Força-Tarefa da Lava Jato estavam investigando deputados da Alerj para preparar uma Operação que ia chamar Furna da Onça. E essa operação só ia acontecer em novembro daquele ano.

No meio da papelada, tinha um relatório de movimentação financeira suspeita de vários assessores da Alerj.

E foi lá na página 325, quase no final, que surgiu o nome do Queiroz.

Só que quando bateu na Lava-Jato, ainda no início de janeiro de 2018, os procuradores viram que não podiam atuar naquele tipo de investigação.

Não era um caso federal.

Aquele calhamaço foi enviado então para a avenida Marechal Câmara, número 370. A sede do Ministério Público do estado do Rio de Janeiro.

Quando chegou por lá, o documento foi parar no 8º andar.

Ali, em alguma mesa, daquele imenso prédio, o documento ficou durante grande parte do ano de 2018.

É lá que fica o escritório do procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro.

Naquela época, o cargo era do procurador José Eduardo Gussem, e ele era o responsável pelo caso.

E o Gussem não falava publicamente sobre o assunto.

Eu lembro até de uma ocasião que eu tava com alguns colegas na calçada, em frente ao Ministério Público, esperando para ver se o Queiroz ia aparecer para depor.

Ele foi chamado 4 vezes naquele dezembro e nunca foi.

Enquanto a gente estava esperando, o deputado Marcelo Freixo apareceu no Ministério Público. Ele queria cobrar investigações da morte da vereadora Marielle Franco e começou a falar com a imprensa.

Bem nessa hora, o procurador chegou de carro e começou a caminhar em direção à portaria do prédio, a poucos metros de onde a gente estava.

Eu e uma boa parte dos repórteres fomos até o Gussem para tentar falar com ele, mas não deu certo. O procurador correu para a porta da entrada privativa do MP.

JULIANA DAL PIVA: Ele não falou absolutamente nada, né?

MULHER: Não, não falou nada.

JULIANA DAL PIVA: Em janeiro de 2019, um mês depois desse dia, o procurador José Eduardo Gussem tomou posse para um segundo mandato na Procuradoria Geral.

Nesse dia, ele finalmente falou do assunto.

Mas deixou mais dúvidas do que respostas.

JOSÉ EDUARDO GUSSEM, em entrevista a jornalistas: "Chegaram ao Ministério Público, inicialmente, no mês de janeiro de 2018. Foram para o laboratório de combate à lavagem de dinheiro. Nele ficaram até julho de 2018, quando nós abrimos as primeiras portarias que os senhores estão recebendo aí, sem identificar esses deputados estaduais. Por quê? Repito: nem sempre o fato do servidor público, o servidor da Alerj, estar vinculado ao gabinete de determinado deputado significa que aquele deputado esteja envolvido naquela operação financeira suspeita.

JULIANA DAL PIVA: Uma pergunta que ficou mal explicada é o que foi feito de julho até dezembro de 2018? Quase nada.

Quando eu estava preparando esse podcast, eu tentei uma nova entrevista e ele não quis. O procurador se aposentou no início deste ano.

Depois eu vou contar para você quando o Ministério Público finalmente vai avançar na investigação do caso.

Agora, eu vou voltar para dezembro de 2018. Eu já te contei sobre o relatório do Queiroz e que o Flávio tentou se explicar e o Bolsonaro fez o mesmo.

Mas ninguém contou a origem do dinheiro do Queiroz ou o motivo dos assessores depositarem para ele.

Como já contei, o Ministério Público tinha chamado o Queiroz e a família para depor e ninguém apareceu.

Ao mesmo tempo, o que estava acontecendo nos bastidores?

O Flávio já estava montando uma defesa jurídica.

A gente não sabia, mas o Flávio Bolsonaro foi pedir ajuda para o empresário Paulo Marinho.

Antes de eu falar disso, deixa eu chamar a Gabi para explicar quem é o Paulo Marinho.

GABRIELA SÁ PESSOA: Hoje, o Paulo Marinho é um adversário político do Jair e do Flávio Bolsonaro. Mas em 2018 essa história era bem diferente. Ele era um empresário do Rio de Janeiro, e muito próximo do Gustavo Bebianno, que coordenava a campanha presidencial. E a casa do Paulo Marinho, no Rio, funcionou como uma espécie de QG, onde o Bolsonaro gravava os programas de TV, recebia interlocutores, e onde parte da campanha presidencial acontecia. Bom, depois da eleição, o Paulo Marinho rompeu com a família Bolsonaro e hoje eles estão aí em polos opostos.

JULIANA DAL PIVA: Agora, eu vou te contar sobre o pedido de ajuda do Flávio para o empresário. O senador queria contratar um advogado e esse movimento envolveu algumas pessoas.

Eu pedi entrevistas a todos os envolvidos, mas ninguém quis falar. Aliás, isso é uma coisa muito comum nessa história. Ninguém quer dar explicação alguma.

Então vou reconstituir o que aconteceu a partir de uma série de depoimentos tomados pelo Ministério Público Federal.

Tem uma investigação em andamento sobre o vazamento desse relatório com a movimentação milionária do Queiroz.

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Não estranhem se as vozes aparecem abafadas, todos eles falaram usando máscaras por causa da pandemia de covid-19.

PAULO MARINHO, em depoimento ao Ministério Público: "No dia 12 de dezembro, eu recebo na parte da tarde, não sei precisar o horário, um telefonema do senador Flávio Bolsonaro, que me dizia o seguinte: meu pai pediu para que eu lhe procurasse, para que você me ajudasse numa questão jurídica, eu tô precisando de um advogado. E eu gostaria de te encontrar amanhã, você pode? Eu disse: posso. Que horas você gostaria? Você pode me receber amanhã às 8h30? Eu digo: está marcado amanhã às 8h30."

JULIANA DAL PIVA: Esse que vocês estão ouvindo é o Paulo Marinho.

Parte dessa história do empresário, o próprio Flávio admitiu.

FLÁVIO BOLSONARO, em depoimento ao Ministério Público: "Dia 6 de dezembro, eu estava em Brasília. Foi tudo acontecendo, como todo mundo acompanhou. Eu precisava de um advogado. Como eu não tinha recurso para pagar advogado, que é uma causa que advogado cobraria muito dinheiro, eu conversei com meu pai, que você acha de pedir para o Paulo Marinho, que é uma pessoa bem relacionada no mundo jurídico. Meu pai falou, ó, procura o Paulo Marinho e veja se ele pode te ajudar com advogado. Foi isso que eu fiz, eu liguei para ele, e pedi que me recebesse para ele tratar de advogado pra mim."

JULIANA DAL PIVA: É curioso ouvir o Flávio dizer que precisava de um advogado, mas que não tinha dinheiro para pagar.

Naquela época, ele vivia num apartamento de quase R$ 3 milhões. E, nesse ano, como você deve ter ouvido, ele comprou uma mansão de outros 6 milhões. É muito dinheiro.

Mas vamos lá. Continuando a história, o Paulo Marinho disse que, no mesmo dia, ele foi atrás de um advogado para atender o Flávio.

Na manhã seguinte, o advogado Christiano Fragoso chegou cedinho, às 8 horas da manhã, na antiga mansão do Paulo Marinho, no Jardim Botânico.

Essa mesma mansão serviu de comitê de campanha para o Bolsonaro no segundo turno de 2018.

PAULO MARINHO, em depoimento ao Ministério Público: "8h30 chega na minha casa Flávio Bolsonaro acompanhado do senhor Victor Granado Alves, assessor dele. Eu não sabia que o Victor viria. Victor chegou, a gente se cumprimentou, sentamos numa mesa de reunião no meu escritório, na minha casa, uma mesa como essa. E aí ficou naquela cadeira ali o Victor, nessa cadeira aqui o Flávio, eu fiquei nessa cadeira aqui e o Cristiano ficou nessa cadeira aqui. O Cristiano estava em frente ao Victor e eu em frente ao Flávio."

JULIANA DAL PIVA: O Victor é aquele mesmo que estava com o Flávio no início desse episódio na frente da casa do Bolsonaro.

Agora, vamos ouvir sobre o que eles estavam falando e a importância dessa reunião.

PAULO MARINHO, em depoimento ao Ministério Público: "Chegamos, sentamos aqui nessa posição. O Flávio começa. Eu fiz a apresentação, tá aqui o Cristiano, Flávio, Victor, o Cristiano foi indicado. Eu pedi ao Cristiano para vir aqui, que é um grande advogado criminalista, para você relatar pra ele tudo o que você quer contar. Ele vira pra gente e diz: olha, eu tô muito preocupado, porque o Victor procurou o Queiroz. E estamos muito preocupados com a loucura que o Queiroz fez, essa traição que o Queiroz fez, e eu estou muito preocupado com as consequências desse fato do Queiroz em relação ao governo do meu pai, que ainda nem começou. E eu percebo que nesse momento, quando ele começa a falar do pai, do governo do pai, eu estava de frente pra ele, ele começa a lacrimejar, ele ficou emocionado. Eu disse: Flávio, calma, você está aqui com um grande advogado, você não tem culpa, conforme você está me dizendo, isso aí foi o Queiroz que traiu a tua confiança, você tá me dizendo aqui que você não tem nenhum envolvimento com isso, com os fatos. Então fica tranquilo, não fica desse jeito, não é bom, isso não ajuda. Ele parou e o Victor começou a falar. Ele disse: ontem estive com o Queiroz e obriguei o Queiroz a me repassar todas as senhas das contas bancárias dele, e eu passei essa madrugada toda entrando nas contas do Queiroz, e os montantes que eu descobri, e que eu informei agora para o Flávio, são muito superiores a esses que a imprensa está noticiando, inclusive porque ele se refere a anos anteriores a esses que a imprensa está noticiando."

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JULIANA DAL PIVA: Pelo que o Paulo Marinho contou, diferente daquela tranquilidade que o Flávio tentava transparecer na frente da casa do Bolsonaro, ele estava era muito nervoso.

A partir disso é que foi possível saber que há muito tempo a família Bolsonaro sabia de algo que podia explodir com os planos políticos deles.

Depois, o Paulo Marinho contou que perguntou como isso aconteceu.

PAULO MARINHO, em depoimento ao Ministério Público: "Ô Victor, como esse troço aconteceu? Ele disse, porra, um dia o Braga recebe um telefonema de uma pessoa, lá na assembleia, de uma pessoa supostamente se intitulando um delegado da Polícia Federal, querendo falar com o Flávio. O Braga disse a essa pessoa que o Flávio estava ocupado e não costumava falar com quem não conhecesse. Aí ele disse: é o seguinte, é um assunto de interesse do senador. Provavelmente deve ter deixado o telefone dele, fala com o senador, depois voltamos a falar. Os detalhes eu não sei, eu tô repetindo o que eu ouvi. O Braga fala com o Flávio, o Flávio designa que o Braga, o Victor e a Val fossem ao encontro dessa pessoa para saber do que se tratava. E aí fizeram contato e marcaram um encontro na porta da Polícia Federal. Este suposto delegado disse aos três, ou disse ao Braga, vocês quando chegarem me telefonem que eu vou sair de dentro da superintendência, até pra você ver que eu sou um policial que tô lá dentro, e lá fora a gente conversa."

JULIANA DAL PIVA: Antes de a gente continuar. Gabi, vem cá, me ajuda.

Conta para gente quem é o Braga e quem é a Val Me Liga.

GABRIELA SÁ PESSOA: O Braga é o chefe de gabinete do Flávio Bolsonaro. A Val Me Liga é uma assessora do Flávio também, e ela tinha cargos no diretório estadual do PSL do Rio de Janeiro, Partido pelo qual o Flávio Bolsonaro e o Jair Bolsonaro se elegeram em 2018.

JULIANA DAL PIVA: Tá certo. Vamos ouvir agora o resto da história do Paulo Marinho.

O empresário contou que ouviu a seguinte história: esse suposto delegado da PF teria alertado para os assessores do Flávio sobre a existência de informações que poderiam atrapalhar o futuro da família Bolsonaro.

PAULO MARINHO, em depoimento ao Ministério Público: "Aí esse delegado disse a eles: esta operação vai alcançar o Queiroz e a filha dele, estão no seu gabinete e no gabinete do seu pai. Tem movimentação bancária e financeira suspeita. Eu sou simpatizante do seu pai, do Bolsonaro, e vamos tentar não fazer essa operação agora, entre o primeiro e o segundo turno, pra não criar nenhum embaraço durante a campanha."

 

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JULIANA DAL PIVA: A reunião com o Flávio na casa do Paulo Marinho terminou naquela manhã de 13 de dezembro de 2018 com algumas definições.

A avaliação final daquela conversa é que o primeiro que precisava de um advogado não era o Flávio, mas o Queiroz.

Ficou acertado o seguinte. O Victor ficou responsável de levar o Queiroz em um advogado que eles ainda iam escolher.

Ao mesmo tempo, um grupo de advogados que se preparava para entrar na causa do Flávio combinou um novo encontro em SP para discutir mais estratégias.

Essa segunda reunião dos advogados ficou para o dia 14 de dezembro. E o que soube depois é que um ponto central já estava definido por eles.

O Queiroz precisava depor logo. Na avaliação de assessores do presidente Jair Bolsonaro, isso podia evitar que a história do relatório contaminasse toda a família Bolsonaro.

O tempo passou, e no ano passado, os advogados envolvidos nessas reuniões foram chamados pra depor, mas alegaram sigilo profissional para não falar.

O primeiro que alegou direito ao silêncio foi justamente o Victor Granado.

VICTOR GRANADO, em depoimento ao Ministério Público: "Eu fui na casa do seu Paulo Marinho? Eu fui à casa dele. Porque lá era o comitê de campanha do então candidato Jair Bolsonaro. O Flávio já tinha sido eleito, mas não tinha sido diplomado, que a diplomação foi no final do ano, salvo engano. Então lá era o comitê de campanha. Todo mundo que participou da campanha foi na casa do senhor Paulo Marinho. Eu não posso negar um fato que é público, de conhecimento de todo mundo. Só que da casa dele para o que foi discutido naquele dia, eu não posso falar, porque eu tenho uma proibição, e minha reputação enquanto advogado pode ser colocada no lixo, se eu descumpro uma proibição que eu tenho. A querer que eu fale uma coisa que eu sou proibido de falar, automaticamente estão querendo que eu cometa um suposto crime que um agente federal, que tinha obrigação de não falar, falou."

JULIANA DAL PIVA: O Victor ficou muito irritado por ser questionado sobre a reunião.

Quando ele foi prestar depoimento, o Victor disse que ele estava representando o Flávio, e que por isso ele não podia falar nada sobre aquelas reuniões.

Mas vamos voltar lá em 2018, depois dessas reuniões aconteceu algo inesperado.

O Flávio simplesmente desistiu de tudo a pedido do presidente Jair Bolsonaro.

FLÁVIO BOLSONARO, em depoimento ao Ministério Público: "Fui conhecer, fiquei de dar resposta depois pro Paulo Marinho. Passaram-se alguns dias, não lembro quantos. Eu fui agradecendo, dizendo que eu não queria, não precisava de advogado, que eu ia escolher outra pessoa e morreu ali."

JULIANA DAL PIVA: Essa história da reunião o Paulo Marinho contou em uma entrevista para a jornalista Mônica Bergamo.

Mas ele só revelou isso em maio de 2020, ou seja, um ano e meio depois.

E agora existe uma investigação para tentar descobrir quem é o delegado que teria vazado a informação para os assessores do Flávio.

Tudo ainda parece longe de uma conclusão.

Mas um dado é preciso e suspeito.

O Queiroz e a filha, a personal trainer Nathália, foram exonerados em 15 de outubro de 2018, do gabinete do Flávio e do gabinete do Jair Bolsonaro. Bem no meio do segundo turno.

Ninguém admite o vazamento e as justificativas convencem pouco.

Na versão do Queiroz, ele disse que estava doente, mas também fazia planos de viajar para a Disney.

FABRÍCIO QUEIROZ, em depoimento ao Ministério Público: "Eu viajei para Aparecida e fui cuidar da minha vida. Eu tinha um contato bom com eles. Eu fui em Aparecida, dia 12, aquela coisa toda. Resolvi, quando eu voltei, não sei se foi antes ou depois, peguei um ofício meu na Alerj, dei entrada na minha reforma (...) Me apresentou, poxa, nós estamos bem, aquela carreata imensa, pô, ganhamos. Eu pretendia ir para os Estados Unidos, tirei meu visto, no meu passaporte, tava combinando com minha filha de ir, a minha outra filha, a pequenininha."

JULIANA DAL PIVA: Não sei você. Eu não consigo deixar de pensar como seria aquela eleição de 2018 se o Brasil soubesse dessa história toda.

Mas depois das idas e vindas com o Paulo Marinho, o Flávio e o Queiroz optaram por um novo "esquema jurídico".

E ele tinha um nome central: o advogado paulista Frederick Wassef.

No mesmo fim de semana que o grupo do Paulo Marinho se organizava para entrar no caso do Flávio, o Wassef desembarcou no Rio de Janeiro.

Não é fácil descrever o Wassef.

Mas tem um áudio divulgado pelo site Intercept no ano passado em que ele próprio se resume bem.

FREDERICK WASSEF, em entrevista ao site The Intercept: "Sou advogado criminalista desde 92 e ajudo o Bolsonaro há alguns anos aí, sou parceiro dele e advogado em off."

JULIANA DAL PIVA: Vocês já devem ter ouvido essa expressão, "off the record". Jornalista quando assume compromisso de guardar sigilo da fonte faz entrevista em off.

Agora, advogado em off, eu nunca tinha ouvido falar. Aliás, nessa época, pouquíssima gente sequer admitia conhecer o próprio Wassef.

O advogado ficou uns seis meses atuando no caso do Flávio sem que ninguém soubesse direito disso. Mas uma hora não deu para esconder mais.

Eu fiz uma entrevista com ele pra minha coluna há pouco tempo e perguntei porque ele não se apresentava desde o início como o advogado do Flávio. E o Wassef respondeu, bem do jeito dele.

JULIANA DAL PIVA: Naquela época, quem representou formalmente foi um advogado que chama Hugo Plutarco. O senhor não aparecia. Por que o senhor naquele momento não se identificava como advogado do senador,

FREDERICK WASSEF: Eu sou advogado do Flávio e da família desde 2014. Eu nunca gostei e nem nunca quis aparecer em nenhum processo. Atuei em vários processos, inclusive de toda a família, só que eu nunca quis aparecer por vários motivos, dentre eles porque eu, diferente de certas pessoas, eu nunca gostei de holofotes, gostei de ser discreto, e meu trabalho é assim. Mas, infelizmente, me transformei em uma pessoa pública, não foi interesse meu, nem desejo meu.

JULIANA DAL PIVA: Eu ainda vou falar muito de Wassef nesse podcast, porque ele se tornou não só o advogado do Flávio e do Bolsonaro, mas parte intrínseca da própria história.

A versão oficial do Queiroz é que ele pediu demissão do gabinete para cuidar da saúde e da aposentadoria.

Mas o que alguns amigos dele me contaram é outra coisa.

O Queiroz tinha sido chamado para depor no Ministério Público e estava tentando arrumar um jeito de adiar.

Então, ele foi num hospital aqui no Rio de Janeiro fazer uns exames, para pegar um atestado médico que justificasse a falta.

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Só que o exame de sangue do Queiroz veio com uma alteração. E isso levou a uma série de outros testes.

Foi a partir desse momento que o Wassef entrou de vez na história do Queiroz.

O que me contaram é que o advogado falou pro Queiroz ir a São Paulo fazer uma consulta com um médico da confiança do Wassef, no hospital Albert Einstein.

O Queiroz se consultou com o mesmo urologista que atendia o próprio Wassef. E essa consulta foi no dia 19 de dezembro.

A unidade também é a mesma que cuidou do presidente Jair Bolsonaro depois da facada durante a eleição.

Foi lá no Einstein que descobriram o câncer do Queiroz.

Por isso, tem amigos dele que ainda dizem que o escândalo ainda salvou a vida dele.

E, a partir disso, o policial e a família não compareceram mais aos depoimentos no Ministério Público. A estratégia jurídica mudou.

Só que, isso que eu estou contando para você, ninguém sabia naquela época. Porque o Wassef era um "advogado em off", como ele mesmo disse.

Os dias passaram e a imprensa seguia atrás do Queiroz.

Só que depois que a doença foi diagnosticada, os advogados tinham um jeito de explicar o sumiço e marcaram uma entrevista com o SBT.

FABRÍCIO QUEIROZ, em entrevista ao SBT: "Em momento algum eu estou fugindo. Quero muito esclarecer. E depor na frente do promotor. Agradecê-lo por acatar, por não pedir minha prisão. Pensei, vou ser preso. No terceiro depoimento, eu estava sendo atendido, eu tenho aí em mãos, eu faço questão de entregar para depois você ler, tirar foto, mostrar para a imprensa, para o Brasil, eu sendo atendido aí por um dos melhores? doutor Vladimir. Foi constatado um câncer. Eu perguntei: é maligno ou benigno. Ele disse: maligno. O deputado tinha sido eleito senador, eu já tinha combinado com ele que eu ia pedir minha exoneração, uma vez que eu sendo funcionário público eu não poderia acompanhá-lo. E para tratamento da minha saúde. Eu levei a campanha toda com muitas dores nesse ombro. Eu tenho uma cirurgia marcada para fazer nesse ombro aqui. Tô esperando marcar. Um problema na urina. Uma forte tosse. Eu ficava tossindo o tempo todo no carro, ficava até constrangedor."

JULIANA DAL PIVA: Essa entrevista foi gravada em São Paulo.

O que eu fiquei sabendo há pouco tempo é que a casa onde tudo aconteceu ficava em Atibaia, uma cidade que fica a pouco mais de uma hora de SP.

O local foi arrumado por um outro advogado, amigo do Wassef.

Como você sabe, o Queiroz foi preso justamente em uma casa do Wassef, também em Atibaia, em junho do ano passado. E foi preso depois de ficar um ano e meio sumido.

Mas nesse tempo, antes da prisão, para o Queiroz e para a família dele, o Wassef se tornou um "Anjo".

É uma referência à ideia de que ele protegia a família. E também um jeito de criar uma espécie de codinome.Mas essa proteção do Wassef era assim mais ou menos. A Márcia Aguiar, mulher do Queiroz, desabafava muito com uma amiga sobre o que significava ficar sob as asas do Anjo.

MÁRCIA QUEIROZ, em áudio: "Só que eu também não tô aguentando. Tá entendendo? Eu tô muito preocupada com ele. A minha saúde também está abalada, tá entendendo? A gente não pode mais viver sendo marionete do 'Anjo'. Ah, você tem que ficar aqui, traz a família. Esquece cara, deixa a gente viver a nossa vida! Qual o poblema (sic)? Vão matar? Ninguém vai matar ninguém, se tivesse que matar já tinha pego um filho meu aqui, você tá entendendo? Então deixa a gente viver a nossa vida aqui com a nossa família."

JULIANA DAL PIVA: O Wassef nega que fosse chamado assim, mas adiante vou te mostrar que ele era mesmo.

E esse dilema da família do Queiroz, também vai ter que ficar para depois, porque eu preciso te falar sobre outra ponta solta nessa história.

Enquanto o Frederick Wassef tentava tomar conta do Queiroz, um fio que envolve a própria família do presidente Jair Bolsonaro e as "rachadinhas" começava a aparecer.

E o problema nem ficava muito longe de São Paulo. Estava em Resende, uma cidade do Sul do estado do Rio, onde tem a Aman, que é Academia Militar das Agulhas Negras.

Lá, o Bolsonaro estudou e casou pela primeira vez com a Rogéria. Ela é mãe dos três filhos mais velhos do presidente: o Flávio, o Carlos e o Eduardo.

Mas é em Resende que também mora a família da advogada Ana Cristina Siqueira Valle, a segunda mulher do presidente. Juntos, eles tiveram o Jair Renan, que o Bolsonaro chama de 04.

Em 2018, nesse núcleo de pessoas da própria família do Bolsonaro, muita gente falava abertamente sobre o que acontecia nos gabinetes.

Em outubro daquele ano, um casamento de um dos membros da família Siqueira Valle ia expor todo esse problema.

Uma das ex-cunhadas do presidente, a Andrea Siqueira Valle, começou a falar para quem quisesse ouvir naquela festa, que ela estava muito preocupada com o que ia acontecer depois da eleição do Bolsonaro.

Ao menos duas pessoas ouviram esse relato dela. E uma delas me enviou gravações da Andrea admitindo o esquema.

A Andrea foi funcionária fantasma do Bolsonaro e dos filhos por 20 anos.

ANDREA SIQUEIRA VALLE, em gravação: Na hora que eu estava aí fornecendo também, e ele estava me ajudando, lógico, porque eu ficava com mil e pouco e ele ficava com sete mil reais. Então assim, não vem caso, eu ajudei, ele ajudou, beleza, certo ou errado, isso já foi, não tem jeito de voltar atrás."

JULIANA DAL PIVA: A Andrea tem razão. Agora não tem como voltar atrás. Quando eu ouvi essa gravação, eu lembrei do Bolsonaro reclamando do governo cubano anos atrás. Os médicos daquele país também ficavam só com mil reais do próprio salário.

JAIR BOLSONARO, em sessão na Câmara dos Deputados, em 2013:

"O repórter perguntou pro médico cubano quanto ele ganhava. Sr. Presidente, ele respondeu: 'Mil reais'. Ou seja, a dupla dos irmãos Castro pega 90% do salário dos cubanos. Nem um rufião faz isso."

JULIANA DAL PIVA: A história completa dessa gravação da Andrea eu vou contar para você no próximo episódio. E olha, não perde, de onde veio esse áudio, tem muito mais.

[CRÉDITOS]

Esse episódio usou áudios do programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes; do jornal RJTV 2a Edição, da TV Globo; do programa SBT Brasil, do canal SBT; do Jornal Folha de São Paulo; do site Intercept; dos depoimentos obtidos pelo Ministério Público Federal na investigação sobre vazamento sobre relatório do COAF; do arquivo da Câmara dos Deputados; do arquivo do Ministério Público do Rio de Janeiro dos autos sobre investigação sobre rachadinha na Alerj.

O podcast UOL Investiga - A Vida Secreta de Jair é apresentado por Juliana Dal Piva e pela jornalista Gabriela Sá Pessoa. A reportagem, pesquisa e roteiro foram feitos por Juliana Dal Piva e também tiveram o trabalho da Amanda Rossi e da Gabriela Sá Pessoa. A edição de áudio é do João Pedro Pinheiro. A coordenação foi da Juliana Carpanez, do Flávio Costa e de Marcos Sérgio Silva. O design é do Eric Fiori. O vídeo de apresentação tem motion design do Santhiago Lopes, roteiro da Juliana Dal Piva e da Natália Mota. A direção de arte é da Gisele Pungan e do René Cardillo. O projeto também contou com Alexandre Gimenez e Antoine Morel, gerentes de conteúdo, e Murilo Garavello, diretor de conteúdo do UOL. Agradecimentos a Cláudia Cotes.

 

09
Set22

Conheça dez casos de corrupção que assombraram o clã Bolsonaro e Sérgio Moro ministro da Justiça e da Segurança Pública tratou de abafar

Talis Andrade

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Conta El País, da Espanha:

Embora o núcleo duro do clã Bolsonaro seja claramente masculino, ele também inclui mulheres, as três com quem o presidente compartilhou sua vida, as mães de seus filhos. Por motivos diferentes, elas também são notícia. A atual esposa, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, nasceu em 22 de março de 1982, em Ceilândia, DF, protagonizou um fenômeno viral, por conta de um dinheiro de origem suspeita que recebeu de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro. A segunda mulher, Ana Cristina Valle nasceu em 13 de maio de 1967, em Resende, RJ, uma advogada também sob suspeita por esse mesmo caso de desvio de dinheiro público. E a primeira, Rogéria Nantes Nunes Braga, de 67 anos, mãe dos três filhos mais velhos do mandatário, os três políticos profissionais com vários mandatos legislativos nas costas.

Pragmatismo Político narrra que Rogéria Nantes Braga acusou Jair Bolsonaro (PSL) de ter sido o mandante do espancamento de um assessor político e seu ex-colega de Exército, Gilberto Gonçalves, ocorrido em uma rua da zona norte da cidade do Rio de Janeiro, no mês de setembro do ano 2000.

O motivo, de acordo com o depoimento de Rogéria, foi o fato de Gonçalves estar trabalhando, à época, como cabo eleitoral de sua candidatura à 2ª reeleição a vereadora do Rio. Quando o fato ocorreu, ela já não era mais esposa de Bolsonaro, e o ex-capitão do Exército tentava eleger para o seu lugar na Câmara o filho Carlos, então um estudante do ensino médio com 17 anos de idade.Tudo isso consta em registros e depoimentos dados à Polícia Civil do Rio de Janeiro pela própria Rogéria Bolsonaro, que afirmou à imprensa na ocasião que seu ex-marido sofre de “desequilíbrio psicológico e mental”.

 Ana Cristina Siqueira Valle também denunciou o marido por atos de violência e instabilidade emocional. Conforme publicou a revista “Veja”,  Ana Cristina Siqueira Valle acusou Bolsonaro não apenas de agressão, mas de ameaçá-la de morte, ao ponto dela fugir do país para escapar do ex-marido.

Juntas, compõem uma árvore genealógica complexa, uma família com vários ramos cujo lema poderia ser “política (ou o poder) acima de tudo”, parafraseando seu lema de Governo, “Brasil a cima de tudo, Deus acima de todos”. Os laços −incluindo os trabalhistas e políticos− sobrevivem às rupturas sentimentais. Desde que se casou pela primeira vez, em 1978, Jair Bolsonaro nunca chegou a ficar um ano solteiro.Image

 

Conheça dez casos de corrupção que assombram o clã Bolsonaro no primeiro ano de governo

Conforme reportagem do DCM:

Durante toda a sua campanha eleitoral, Jair Bolsonaro prometeu “acabar com a mamata”. A promessa não durou nem até a posse. No início de dezembro, o caso Queiroz – uma mistura de milícias e desvio de dinheiro público por meio de fantasmas na Assembleia do rio de Janeiro –  foi revelado, envolvendo seu filho mais velho e senador Flávio (sem partido). Desde então, o que ficou provado nesse primeiro ano de governo é que entre kit gay, terraplanismo e olavismos, a maior fake news disseminada pelo presidente foi o “combate à corrupção”.

 

Caixa 2 laranja

 

Em novembro, Jair Bolsonaro decidiu fundar o próprio partido: Aliança pelo Brasil.

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Após acabar com a já fraca reputação do PSL, Bolsonaro tem se esforçado para se afastar ao máximo da sigla, representada por ele nas eleições do ano passado. O distanciamento é nada mais que um recurso de Jair para abafar seu envolvimento com o “laranjal” do PSL. O partido está sendo investigado desde o início do ano por candidaturas laranjas em dois estados: Pernambuco e Minas Gerais. Algumas candidatas mulheres da legenda receberam grandes repasses do fundo partidário para suas campanhas, mas obtiveram números inexpressivos nas urnas. O esquema era comandado pelo atual ministro do Turismo, o deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), bancado por Bolsonaro no cargo apesar do “laranjal”.

Em outubro, reportagem da Folha de S. Paulo aponta que o depoimento de um ex-assessor do ministro e uma planilha apreendida em uma gráfica sugerem o desvio de recursos do esquema de candidaturas laranjas para as campanhas de Jair Bolsonaro à presidência da República e de Marcelo Álvaro a deputado federal. A prática configuraria caixa 2, movimentação de recursos de campanha sem declaração oficial à Justiça.

O ministro foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais acusado dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa. Ao invés de retirá-lo do governo, Bolsonaro resolveu dar mais poder a Marcelo Álvaro. Em novembro, a Secretaria Especial de Cultura foi transferida para a pasta do Turismo. A ação também evidencia as intenções de Jair de desmontar as políticas públicas voltadas à cultura.Image

 

 

Caso Marielle

 

No dia 14 de março de 2018, a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados, vítimas de treze disparos dados por dois homens que estavam em um carro ao lado. O caso continua sem solução. A investigação da polícia possui dois principais suspeitos: os ex-policiais Ronnie Lessa, citado como autor dos disparos, e Élcio Queiroz apontado como motorista do veículo.

À época do crime, Lessa morava no condomínio Vivendas da Barra, onde moram Jair Bolsonaro (em uma casa) e seu filho Carlos (em um apartamento) e o filho O4 Renan (em outro apartamento). 

PM Ronnie Lessa, preso por morte de Marielle, já foi ...

De acordo com reportagem do Jornal Nacional, no dia em que matou Marielle e Anderson, Élcio Queiroz visitou Lessa no Vivendas da Barra. Porém, ao chegar na portaria, o ex-policial teria dito ao porteiro que ia à casa 58, onde vive Jair.

Para piorar, o presidente declarou que pegou o áudio das ligações da portaria de seu condomínio para impedir que o material fosse “adulterado”, segundo ele. A atitude é clara obstrução de Justiça. Carlos Bolsonaro, outro residente do Vivendas, publicou vídeo em seu Twitter, rede social favorita da família, confessando que ele acessa todas as ligações gravadas do condomínio, colocando em risco a integridade do material a ser investigado.

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Caso Queiroz

 

Em dezembro de 2018, Fabrício Queiroz, então motorista e assessor do deputado Flávio Bolsonaro, foi convocado pelo Ministério Público do Rio de janeiro para prestar depoimento sobre movimentações bancárias suspeitas no valor de R$ 1,2 milhão. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informou que as transações bancárias eram “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do policial reformado. O relatório financeiro também identificou depósitos de Queiroz na conta de Flávio, o que levantou suspeitas sobre um possível esquema de “rachadinha”.

O ex-assessor faltou ao depoimento duas vezes, alegando ter sido “acometido por inesperada crise de saúde”. Desde então, Queiroz sumiu, teve suas relações com milicianos descoberta e continua negociando cargos na Câmara do Rio de Janeiro. Até hoje, nem ele e nem Flávio prestaram seus devidos depoimentos ao MP-RJ.

O Ministério Público cumpru um pedido de busca e apreensão contra o senador e vários outros integrantes do esquema. O pedido foi baseado em um relatório que aponta que Flávio e sua mulher, Fernanda, compraram em dinheiro vivo, de forma ilegal, dois imóveis no valor de R$ 638 mil, localizados em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro (RJ). O então deputado estadual teria usado o dinheiro proveniente da ‘rachadinha’ na compra

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FAB – Família nos Aviões Brasileiros

 

Em maio, o deputado Eduardo Bolsonaro usou um helicóptero da Presidência da República para transportar parentes para o seu casamento. Os vídeos do “passeio” foram compartilhados nas redes sociais por Osvaldo Campos Bolsonaro, sobrinho de Jair.

Familiares da região do Vale do Ribeira, em São Paulo, se deslocaram de helicóptero entre o aeroporto de Jacarepaguá e Santos Dumont, próximo ao local da cerimônia. De carro, o trajeto de 35 km demora só 35 minutos mas a família preferiu fazer o uso da aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). Nas imagens publicadas, é possível ver um grupo de 10 pessoas chegando à pista de embarque, com as irmãs de Jair Bolsonaro e o deputado federal Helio Lopes (PSL-SP), amigo pessoal do presidente.

 

Amor financiado pelo fundo partidário

 

A farra do casamento de Eduardo não se limitou ao uso do helicóptero. O deputado também usou dinheiro do fundo partidário para pagar a sua viagem de lua de mel com a coach e psicóloga Heloísa Wolf. A negociação teria sido feita pela advogada do PSL, Karina Kufa. Relatos obtidos pela reportagem da IstoÉ mostram que Kufa, contratada pelo partido a pedido de Eduardo e conhecida por cumprir diversos favores ao deputado, teria sido a responsável por acertar os detalhes da viagem de lua de mel.

Usando o nome de Eduardo, a advogada teria ligado para Antonio Rueda, vice-presidente nacional do PSL, pedindo dinheiro do fundo do partido. De acordo com a revista, Rueda teria desabafado com colegas próximos que não aguentava mais “essa mulher me telefonando para pedir dinheiro para o Eduardo”. No entanto, ele liberou o que faltava para arcar com a viagem do casal.

 

Câmara e faculdade ao mesmo tempo

 

Com apenas 18 anos, Eduardo Bolsonaro foi nomeado para um cargo comissionado na liderança do PTB em Brasília, partido de seu pai em 2003. De acordo com reportagem da BBC Brasil, o emprego exigia que o “filho 03” de Jair trabalhasse 40 horas semanais, com remuneração de R$ 3.904 por mês (R$ 9.780 na cotação atual). Só existia um detalhe: três dias antes da nomeação, Eduardo foi aprovado no curso de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

As normas da Câmara vigentes à época determinavam que esse tipo de cargo tinha “por finalidade a prestação de serviços de assessoramento aos órgãos da Casa, em Brasília. Desse modo, (os servidores) não possuem a prerrogativa de exercerem suas atividades em outra cidade além da capital federal”.

Ou seja, durante um ano e quatro meses, Eduardo tinha obrigação de trabalhar 40 horas por semana em Brasília e, inexplicavelmente, cursou Direito no Rio de Janeiro, à 1.100 km de distância. No curso desses 16 meses, o atual deputado ganhou R$ 160 mil de dinheiro público, na cotação atual.

 

Parentes fantasmas

 

Carlos virou alvo de investigação do Ministério Público (MP) do estado do Rio de Janeiro por denúncias de colocar ao menos sete parentes como funcionários fantasmas em seu gabinete. Os familiares seriam contratados para a prática da “rachadinha”, deixando parte dos salários com o filho de Jair.

O esquema foi divulgado em maio pela revista Época, que revelou que Carlos empregou a madrasta, Ana Cristina Siqueira Valle, e outros sete parentes dela em seu gabinete. Esses funcionários fantasmas chegavam a devolver 90% do salário ao vereador.

 

Envolvimento com Itaipu

 

No início de agosto, deputados paraguaios do Partido Pátria Querida (PPQ) protocolaram pedido de julgamento político do vice-presidente do país, Hugo Velázquez, sob acusação de tentar beneficiar uma empresa brasileira num acordo entre os dois países envolvendo a venda de excedente de energia da hidrelétrica Itaipu Binacional. Um pedido de impeachment do presidente Mario Abdo Martinez, mas a Câmara já rejeitou o processo.

Mensagens divulgadas entre o presidente da estatal elétrica do Paraguai e José Rodríguez, assessor de Velásquez, revelaram possível participação da família Bolsonaro no esquema. Nos chats, Rodríguez tentava marcar uma reunião entre o diretor da empresa pública e representantes da empresa brasileira Leros, interessada na compra de energia paraguaia. A Leros seria representada por Alexandre Luiz Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), e que falaria, segundo as mensagens, em nome da “família presidencial do país vizinho”, referência clara ao clã Bolsonaro.

 

Assessores de “sorte”

 

Logo no início do ano, surgiram denúncias contra os filhos de Jair: Eduardo usou verba da Câmara para contratar empresa de mulher de assessor, enquanto Flávio beneficiou uma assessora e parentes em seu gabinete. Tudo sempre em família.

Eduardo pagou R$ 960 à Locar1000, locadora de veículos que pertence à mulher de um assessor de Jair, pelo aluguel de um carro em fevereiro, de acordo com a revista Época. A Locar1000 pertence a Ghislaine Maria de Oliveira, mulher de Joel Novaes da Fonseca, assessor do gabinete pessoal da Presidência da República desde 18 de janeiro. Joel é velho conhecido da família, já que trabalhou com o próprio Eduardo entre 2015 e 2017.

Já Flávio, o filho mais velho, usou dinheiro do fundo partidário entregue a candidatas do PSL para pagar empresa de uma ex-assessora dele na Assembléia Legislativa do estado, segundo informou a Folha. A empresa Ale Solução e Eventos, da contadora Alessandra Ferreira de Oliveira, primeira-tesoureira do PSL carioca, recebeu R$ 55,3 mil vindos de pagamentos de 42 candidatos do partido dos Bolsonaro no Rio de Janeiro.

 

Mamata é tradição familiar

 

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Desde 1991, o atual mandatário da república e seus filhos Flávio, Carlos e Eduardo empregaram ao menos 102 pessoas com algum laço familiar ou parentesco entre si, além de 37 funcionários com fortes indícios de que não trabalhavam de fato em seus cargos. A apuração feita pelo jornal O Globo evidencia velha política de cabide de empregos e o uso dos gabinetes como reduto de funcionários fantasmas.

Este foi o primeiro ano do governo Bolsonaro presidente.

Neste primeiro ano Sergio Moro era o ministro super. Ministro da Justiça e da Segurança Pública.

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06
Ago22

"Bandido, vai para a cadeia": Moro é escrachado ao fazer campanha em área nobre de Curitiba

Talis Andrade

 

www.brasil247.com -

 

O ex-juiz, julgado parcial pelo STF, estava acompanhado de seguranças e de cinegrafista. Na feira, ninguém o defendeu, e ele logo deixou o local

 

por Joaquim de Carvalho

O ex-juiz Sergio Moro, julgado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foi esculachado neste sábado por manifestantes na feira do Juvevê, área nobre de Curitiba.

Ele foi chamado de “ladrão”, “bandido”, “criminoso”. Alguns diziam que será preso em breve. Moro estava acompanhado de três seguranças, Entre os as pessoas que estavam na feira, ninguém o defendeu e poucos o abordaram para tirar foto.

Moro estava acompanhado de um cinegrafista. Ao que parece, queria registrar imagens para o horário eleitoral.

O esculacho certamente estragou seus planos.

Moro tentou se candidatar a senador por São Paulo, mas teve o registro no diretório estadual do União Brasil, seu partido, anulado por fraude na indicação do domicílio.

O ex-juiz nunca residiu na capital paulista e deu como endereço um flat.

De volta ao Paraná, se candidatou a senador, o que configura traição a seu antigo aliado, Álvaro Dias, que concorre à reeleição.

O Podemos tentou ajudar Moro ao indicar Álvaro Dias para disputar a presidência, e abrir caminho para Moro.

Álvaro Dias não aceitou e chegou a declarar que hoje não é possível fazer acordo “com essa gente”, referindo-se, possivelmente, a Moro e sua esposa, Rosângela, candidata a deputada por São Paulo.

A ação que levou à anulação do registro de Moro na capital paulista, apresentada pelo PT, não tinha Rosângela como ré.

A socialite Roberta Luchisinger fez a denúncia contra Rosângela, ainda não julgada.

O casal Moro não terá vida fácil na política, depois da trajetória do marido marcado por traições e mentiras.

Quando se tornou ministro de Bolsonaro, declarou que jamais entraria na política. Já estava, e aparentemente se sentia muito à vontade para mentir.

Veja o vídeo do escracho:

 

A grande farsa - Como Moro enganou o Brasil e ficou rico

31
Jul22

73% já veem corrupção no covil de Bolsonaro

Talis Andrade

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Por Altamiro Borges

 

A pesquisa Datafolha desta semana trouxe péssimas notícias para Jair Bolsonaro e os seus milicianos fascistas. Entre elas, a de que ele segue empacado nas intenções de votos há mais de um ano e a de que o ex-presidente Lula pode até ser eleito no primeiro turno – basta uma leve migração de votos de Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB) ou André Janones (Avante). A pior revelação, porém, é a de que 73% dos entrevistados finalmente perceberam que a corrupção se espalhou no seu laranjal apodrecido – o que liquida uma das últimas fake news do “capetão”. 

De acordo com a sondagem, apenas 19% dos 2.556 ouvidos em 183 cidades ainda acreditam que não há roubalheira no governo. Outros 8% disseram não saber. A ideia de que há corrupção é ainda maior entre os mais jovens – 86%. Até entre os que declaram voto em Jair Bolsonaro, 43% acham que há corrupção no covil. Estes dados são devastadores para o farsante que atualmente ocupa o Palácio do Planalto. 

Inúmeros casos de roubalheira

 

Charge do Zé Dassilva: o depoimento de Queiroz | NSC Total
Na campanha eleitoral de 2018, o inexpressivo político do baixo clero do Centrão se apresentou como candidato da onda anticorrupção no Brasil. Ele se uniu ao ex-juizeco Sergio Moro, chefão da midiática Lava-Jato, e se travestiu de ético – depois até deu um ministério de presente ao oportunista togado. A farsa, porém, não durou muito. Defecado do governo, o próprio ex-ministro da Justiça passou a acusar seu ex-chefinho de ser corrupto e esconder a sujeira. 

Aos poucos, vieram à tona inúmeros casos de roubo no laranjal – como a do ex-ministro da devastação ambiental, Ricardo Salles, acusado de liberar a venda ilegal de madeira; ou do general e seus coronéis na aquisição de vacinas superfaturadas no Ministério da Saúde; ou do ministro-pastor e seus pastores lobistas no Ministério da Educação. As rachadinhas do clã Bolsonaro e a mansão do filhote 01, Flávio Rachadinha, também ganharam os holofotes da mídia. 

TRIBUNA DA INTERNET
Isso explica a nova percepção da sociedade sobre a corrupção apontada no Datafolha. A sondagem ainda traz outro dado que dificulta as mentiras do fascista sobre o tema: 52% dos entrevistados afirmam nunca confiar em nada do que rosna Jair Bolsonaro. Somente 18% dizem sempre confiar no fascista no poder. Não será nada fácil enganar os eleitores na campanha eleitoral deste ano. Somente os bolsominions mais tapados ainda não despertaram!

Orçamento secreto afeta 18 programas do MEC

 
 
22
Jul22

Brasil vive epidemia de brutalidade contra meninas e mulheres (vídeo)

Talis Andrade

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O Fórum Brasileiro de Segurança Pública contou 5.789 tentativas e 1.341 feminicídios no país no ano passado

 

O discurso de ódio do bolsonarismo, a misoginia, o machismo e o racismo de Jair Bolsonaro, a permissividade criminosa da excludente de ilicitude de Sergio Moro ministro da Justiça e da Segurança, e as leis religiosas do Velho Testamento judaico da fundamentalista Damares Alves transformaram a violência de gênero no Brasil em um fenômeno doloroso, segundo a edição 2022 do Anuário Brasileiro da Segurança Pública.

"As meninas vestem rosa" dizia Damares. Deviam vestis preto que simboliza o luto tanto no cristianismo quanto no islanismo e a tristeza.

"As estatísticas confirmam o massacre que os casos tornados públicos diariamente já sugeriam. Num dia, uma menina de 11 anos vítima de estupro tem cerceado o direito ao aborto legal, tanto pelo sistema de saúde quanto por autoridades judiciais. Noutra noite, uma equipe de enfermagem flagra o abuso de um anestesista a uma parturiente em pleno centro cirúrgico. Em cinco dias de julho, no Grande Rio, três casos bárbaros de feminicídio. Mais uma semana, e um procurador do Ministério Público Federal trata, em mensagens no grupo de colegas, o feminismo como transtorno mental e evoca a ideia de débito conjugal para subtrair das mulheres o direito ao sexo consensual", aponta reportagem do Globo.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública contou 5.789 tentativas e 1.341 feminicídios no país no ano passado. Significa que, por dia, praticamente 16 mulheres são feridas de morte e quatro perdem a vida. 

O terror do Estado começou na ditadura militar, quando as mulheres eram presas e torturadas pelo sadismo sexual de militares homicidas.O Brasil é quinto país no mundo no ranking de assassinato de mulheres.Image

 

Em 2021, na época da pandemia, 17 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência. No ano anterior, 1.350 foram mortas. Diante de dados tão alarmantes, o Repórter Record Investigação visitou quatro estados com as piores estatísticas do país para conversar com mulheres que sobreviveram a tentativas de feminicídio e hoje lutam para superar os traumas.

21
Jul22

Verba bilionária da corrupção da Lava Jato foi parar em foco de corrupção no MEC

Talis Andrade

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Dinheiro da corrupção do Fundo de Dallagnol e asseclas, oriundo da 'vítima' Petrobras, foi para o FNDE, foco do escândalo dos pastores no Ministério da Educação

 
 
 
 
Em 2019, a Lava Jato embolsou R$ 2,6 bilhões, oriundos de um secreto, inominável acordo com a Petrobras, e Alexandre de Moraes determinou que R$ 1 bilhão dessa verba fosse destinada à educação de crianças, e depositada nas rubricas de “apoio à infraestrutura para a Educação Básica” e “apoio à manutenção da Educação Infantil”.
 
Deltan Dallagnol, chefe da operação, chamou a Petrobrás de 'vítima" da Lava Jato, por depositar R$ 2,6 bilhões em uma conta gráfica criada pela juiza Gabriela Hardt. 
 
'Vítima', sim senhor:

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O ministro Alexandre de Moraes jamais procurou saber a origem dessa dinheirama. Por que a Petrobras depositou R$ 2,6 bilhões no improvisado 'Fundo' dos procuradores da Lava Jato, também autodenominada de Liga da Justiça?
 
Um 'Fundo' misterioso, oculto, dissimulado. Um 'Fundo' fantasia, que jamais existiu para a burocracia estatal, para os tribunais superiores, para o Tribunal de Contas da União. Jamais registrado em cartório. Ora um 'Fundo' público, ora um 'Fundo' privado. Um 'Fundo' verdadeiramente hermafrodita. Um 'Fundo' sem nome... 
 
Dizem que foi um acordo com os Estados Unidos, dinheiro dado por um governo estrangeiro, o que é estranho, duvidoso, inexplicável, fantástico, coisa de missão impossível, x9, tenebrosas transações de espionagem, traições, entreguismo, destruição de grande empresas empreiteiras multinacionais... 
 
A única certeza que se tem: a grana saiu dos cofres da Petrobras para um 'Fundo' fantasma, ilegal, safado, misterioso, criminoso, fora da lei, criado pela Lava Jato também autodenominada de República de Curitiba.
 
Para receber o dinheiro da Petrobras, que Dallagnol chamou de 'vítima', por entregar de graça, de mão beijada, R$ 2,6 bilhões e mais uns trocados, os sabidos, espertos, malandros, corruptos procuradores da Lava Jato criaram um 'Fundo', que não passa de uma sigilosa conta gráfica na Caixa Econômica Federal de Curitiba. (O silgilo de cem anos foi ensinado por Sergio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública, ao presidente Jair Bolsonaro, inimigo da claridade)
 
Os procuradores ficaram divididos, apenas seis participaram do 'Fundo' sem nome. Isso mesmo: a Petrobras, sem mais nem menos, depositou dinheiro no chamado 'Fundo', a mando de um desconhecido, poderoso poder corrupto, invisível, inominável. 
 
Criaram o Fundo: Deltan Dallagnol, chefe da quadrilha, e os asseclas Januário Paludo, Felipe d'Avila, Orlando Martello, Diogo Castor de Mattos e Athayde Ribeiro Costa. Eis a prova:
 

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As duas ações orçamentárias beneficiadas por Alexandre de Moraes são controladas pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE), que, nos últimos meses, ganhou o noticiário por estar no centro do escândalo dos Pastores do MEC (Ministério da Educação).

Ou seja: dinheiro recuperado da corrupção da Lava Jato, dinheiro depositado pela Petrobras no primeiro mês de Jair Bolsonaro presidente, e de Sergio Moro ministro da Justiça e Segurança Pública, precisamente no dia 30 de janeiro de 2019, numa conta gráfica para um 'Fundo' sem nome.

É dinheiro da corrupção da Petrobras sim no governo Bolsonaro. Que fique bem claro: não é dinheiro de nenhuma empreiteira. De nenhum dirigente da Petrobras. É dinheiro da empresa Petrobras, dinheiro que Lava Jato jura, sem provar, que é dos Estados Unidos, parte de uma misteriosa multa, dinheiro devido da Petrobras aos Estados Unidos. De qualquer maneira um dinheiro de prostituta, de gigolô, de agente, de espião, de traidor.

Veja que Dallagnol prova o depósito da grana, do dinheiro ao deus-dará. Um bilhão foi para a corrupção do Mec. Quem sabe do destino da bufunfa restante, a bolada de 1,6 bilhão?

A Lava Jato nunca explicou pra onde foi o dinheiro que recebeu da Petrobras, e doutras empresas e empreiteiras investigadas, principalmente as que pagaram bilionárias multas. Idem as multas das delações mais do que premiadas. 

Dallagnol bem que recebeu o dinheiro da 'vitima' Petrobras, e passou recibo:

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17
Jul22

Coronel Ustra, torturador da Ditadura, é um dos “marechais” do Exército promovido por Bolsonaro

Talis Andrade

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Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel do Exército condenado em 2008 pela Justiça brasileira como torturador durante a Ditadura Militar (1964-1985), foi elevado ao posto de marechal. – Comissão Nacional da Verdade/ Agência Brasil

Homenageado por Bolsonaro no impeachment de Dilma, ele deixou pensão de R$ 30.615 para as filhas

Henrique Rodrigues Revista Fórum

Portal da Transparência identifica Heleno, Ustra e Pujol como "marechais"Filhas do Coronel USTRA recebem "quatro postos acima". Ministro da Defesa  explica como legislação anterior torna isso possível. - Revista Sociedade  MilitarCoronel Ustra, torturador da Ditadura, é um dos “marechais” | Política

Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel do Exército condenado em 2008 pela Justiça brasileira como torturador durante a Ditadura Militar (1964-1985), foi elevado ao posto de marechal. É o que mostram os dados do Portal da Transparência, acessados na noite desta quinta-feira (5). Na quarta-feira (4), a reportagem da Fórum já havia mostrado que 100 generais do Exército e outros 115 da Marinha e da Aeronáutica tinham sido elevados ao posto normalmente atribuído a heróis nacionais que participaram de guerras.

O fato mais conflitante fica por conta de Brilhante Ustra ter ido para a reserva como coronel, o que no máximo, se passasse a um posto acima, poderia conduzi-lo ao grau de general de brigada, três níveis abaixo da extinta patente de marechal, legalmente possível apenas em tempos de guerra.

Leia também: Conheça a história sombria do coronel Ustra, torturador e ídolo de Bolsonaro

Falecido em 2015, o oficial que usava o codinome Dr. Tibiriçá durante as sessões de tortura na sede do DOI-CODI, em SP, transmitiu sua pensão de marechal às filhas Patrícia Silva Brilhante Ustra e Renata Silva Brilhante Ustra, que recebem cada uma 15.307,90, totalizando R$ 30.615,80, valor correspondente aos vencimentos de outros “marechais” do Exército.

Outra figura emblemática de um dos períodos mais sinistros da História do Brasil que foi elevado a marechal no banco de dados do Executivo federal é o general Newton Cruz, ex-chefe do SNI dos governos Geisel e Figueiredo. Notório integrante da chamada “linha dura” do Regime Militar, Cruz ficou conhecido pelo estilo agressivo e pelas frases intimidatórias que utilizava na frente de todos, inclusive contra jornalistas. Há vídeos da época, disponíveis na internet, que mostram a truculência do antigo n° 1 dos serviços de inteligência da Ditadura.

 

:: General-presidente do STM reclama de notícias sobre pensões militares: “Querem destruir o país” ::

 

Num outro caso sem explicação, Newton Cruz, que foi para reserva como general de divisão, só poderia ascender ao posto de general de exército, que é o subsequente. O oficial, que está vivo e tem 96 anos, precisaria alavancar dois postos, desde de que deixou o serviço ativo, para subir à patente de marechal, o que ainda seria ilegal, uma vez que a lei só permite esse tipo de promoção em caso de participação em conflitos bélicos. A aposentadoria paga ao “marechal” Cruz é de R$ 34.565,71.

Bolsonaro, o fã do torturador Ustra

O presidente Jair Bolsonaro nunca escondeu sua admiração pelo coronel Brilhante Ustra, a quem se refere como um “herói nacional”, em que pese todas as acusações de violações aos direitos humanos praticadas pelo torturador condenado, inclusive na presença de crianças filhas de suas vítimas. Durante a sessão que votou o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016, o então deputado federal dedicou sua decisão favorável ao afastamento da petista com a seguinte frase: “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor da Dilma”.

A fala repercutiu entre autoridades e entidades da sociedade civil, no Brasil e no mundo, e foi classificada, entre outras coisas, como “execrável”, “estarrecedora” e “deprimente”. Os filhos de Bolsonaro, todos parlamentares, também costumam prestar homenagens ao torturador usando camisetas com a foto do militar já morto.

 

:: A mamata veste farda? Quem são os militares com mulher e filhos empregados no governo ::

 

Repercussão sobre a “farra dos marechais”

Parlamentares ouvidos pela reportagem da Fórum na quarta-feira (4) se comprometeram a encaminhar ofícios, via Câmara dos Deputados, exigindo respostas ao Ministério da Defesa sobre as nomeações em massa de generais para a patente de marechal, que foi extinta no regramento jurídico brasileiro, exceto em tempos de guerra.

Os deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e Marcelo Freixo (PSB-RJ) reuniram-se com lideranças de oposição nesta quinta-feira (5) para tratar do que passou a ser chamado de “farra dos marechais”.

 

17
Jul22

Para Jânio de Freitas, declarações de John Bolton indicam influência dos EUA na "eleição lavajatista de 2018"

Talis Andrade

With John Bolton leading the charge against North Korea, the US would have  no qualms about breaking international law at sea, or probably anywhere  else | South China Morning Post

"Achar que Bolton, Trump, Bolsonaro, Lava Jato, Moro, Dallagnol formam mera teoria da conspiração, é coisa de impostor", escreve o jornalista na Folha de S.Paulo

 

247 - "A eleição lavajatista de 2018, cujos fatores decisivos são conhecidos só na superfície mais grosseira, recebeu agora uma inconfidência sugestiva. Ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton fortaleceu sua crítica ao golpe trumpista com este argumento: fala 'como alguém que já ajudou a planejar golpes de Estado, não aqui, mas, você sabe, em outros lugares' ".

"John Bolton foi o primeiro emissário mandado a Bolsonaro. Caso de urgência: veio ainda antes da posse. Em 29 de novembro de 2018, os dois se trancaram a chave em um quarto da casa de Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barras. Presença a mais, só o tradutor. Segredo absoluto, nenhuma informação dos interlocutores nem sobre algum tema, até hoje nenhum vazamento", escreve Jânio de Freitas em sua coluna deste domngo (17) na Folha de S.Paulo.

"Na contramão de Bolton foram as repentinas viagens de Sergio Moro aos EUA, em plena atividade da Lava Jato e sem mais do que pretextos ralos, nem estes ligados ao passos mais ou menos públicos da operação".

"Bolton esteve na ativa externa da "segurança" por todo o ápice da Lava Jato, a atividade em 2018 para deixar o caminho livre a Bolsonaro".

"Ano, também, em que funcionários americanos se instalaram aqui a título de colaborar com a Lava Jato". 

“Achar que John Bolton, alegados procuradores e promotores americanos, Trump, Bolsonaro, Lava Jato e trapaças judiciais, juiz declarado ‘sem imparcialidade e suspeito’, Sergio Moro e Deltan Dallagnol, se vistos como partes de um conjunto, formam mera teoria da conspiração, é coisa de impostor" (...) Leia mais

Direitos humanos e soberania nacional: um chamado à unidade desde Alcântara  - Observatório da Democracia

11
Jul22

Lava Jato terrorista

Talis Andrade

portaria 666 moro a besta do apocalipse aroeira .j

 

Moro e Dallagnol aparecem nas redes sociais condenando o clima de violência política do país. Hipocrisia pura no Paraná dos torturadores Mário Expedito Ostrovski e Júlio Cerdá Mendes

 

por Marcelo Uchôa

- - -

Tanto pelo obscuro passado no Exército, de onde supostamente teria sido convidado a sair em razão do planejamento de sabotagens com uso de bombas em quartéis e no sistema de abastecimento d’água, como por sua língua ferina apoiadora, desde sempre, dos desmandos da ditadura e da legitimação do uso da violência explícita como meio para o extermínio da oposição política. Também por sua prática diária, responsável pela escalada armamentista, o incentivo a grupos de ódio, e a produção de mortes e mais mortes de pessoas durante a pandemia, nos conflitos nas florestas, e, agora, com a reinserção do país no mapa da fome.

Terrorista sim, mas não só ele. A Lava Jato também foi terrorista. Ela, em si, foi uma operação que, para alcançar seus objetivos políticos espúrios, nacionais e internacionais, de aniquilamento democrático-institucional interno para entrega da soberania do país ao imperialismo, usurpou a ética e a lisura nas práticas judiciais, ministeriais e policiais. Conspirou, constrangeu liberdades fundamentais, massificou o uso de mecanismos de exceção judiciária para alcançar interesses sujos, exacerbou-se no direito de teatralizar ações para contagiar o público, além de buscar notoriedade pública e enriquecimento para os seus. Durante a Lava Jato, conduções coercitivas ilegais, com prejuízo à imagem e à honra dos conduzidos e o uso de delações premiadas foram banalizadas e utilizadas como instrumentos de tortura. Juiz parcial, Ministério Público sem isenção deram a tônica dos trabalhos.

Como se não bastasse a conspiração em si, o terrorismo da Lava Jato não parou por aí. É importante lembrar que foi o juiz Moro que impediu que o então candidato Lula da Silva disputasse as eleições em 2018, tirando da corrida eleitoral aquele que figurava à frente nas pesquisas públicas de opinião. Foi ele mesmo que logo após eleito o atual tirano, abandonou a toga para assumir como todo-poderoso Ministro da Justiça do governo fascista que provavelmente não teria sido eleito se ele não tivesse oportunamente agido. Por outro lado, áudios captados nos indecentes diálogos entre procuradores da República há muito revelaram que a Lava Jato escolheu Jair Bolsonaro como opção de voto, apesar de tanto saber-se sobre seu passado execrável e perigoso. Ou seja, a Lava Jato, que já carregava em sua história a marca do terrorismo, apoiou, conscientemente, um terrorista, sendo, por isso, cúmplice em todo este processo de acirramento político agora visto no país.

Hoje, 11/07, um dia após a notícia da execução covarde e premeditada de uma liderança petista em Foz do Iguaçu, em plena festa de aniversário e diante de toda família, inclusive esposa e filhos menores, Moro e Dallagnol aparecem nas redes sociais condenando o clima de violência política do país. Hipocrisia pura. Não podem. Ambos têm quota-parte de responsabilidade no acirramento desse cenário político hostil. Não fosse por ambos, certamente não teríamos um presidente terrorista na presidência. A partir daí, muita coisa seria diferente.

Em tempo: solidariedade à família de Marcelo Aloizio de Arruda. Que o companheiro descanse em paz!

Nota do correspondente: Não esquecer que a dupla Moro/Dallagnol lançou pacotes anticorrupção, com excludente de ilicitude, o direito de matar pobre e negro, e Moro ministro de Bolsonaro assinou a versão bolsonarista do AI-5: o decreto da besta 666 (vide tag)

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11
Jul22

Quem mandou matar pode ser a personalidade que demitiu Bruno Pereira da Funai

Talis Andrade

O Brasil deixa morrer seus defensores! - Fenasps

 

Polícia Federal anunciou que não teve mandante os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips. 

Primeiro a PF devia investigar que poderosa e odienta figura pediu o afastamento ou a demissão de Bruno Pereira da Funai. 

Quem pede a cabeça de um funcionário por vingança pode muito facilmente contratar um pistoleiro de aluguel no abandonado Vale do Javari sem lei, onde impera o mando dos traficantes de coca, de armas, de ouro principalmente, e de madeira nobre, de pedras preciosas e de minérios. 

Quem mandou demitir ou afastar Bruno Pereira do serviço público? O presidente da República, o ministro da Justiça e Segurança Pública, o ministro do Meio Ambiente, o presidente da Funai?

A Polícia Federal tem a resposta. 

 

Indigenista foi demitido da Funai após denunciar garimpeiros

 

Escreve Ana Mendonça, in Estado de Minas:

O indigenista Bruno Araújo foi exonerado da Fundação Nacional do Índio (Funai) depois de coordenar uma operação que expulsou centenas de garimpeiros da terra indígena Yanomami, em Roraima.

Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), onde Bruno trabalhou depois da exoneração, ele foi demitido do cargo sem qualquer tipo de justificativa interna.

Bruno era o responsável pela Coordenação Geral de Indígenas Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai até outubro de 2019.

O caso aconteceu depois da eleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seguida, o delegado da Polícia Federal Marcelo Xavier Silva assumiu a presidência da fundação, apoiado pela bancada ruralista.
 
A exoneração foi assinada pelo então secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública Luiz Pontel. No lugar de Pereira, o missionário evangélico Ricardo Lopes Dias foi nomeado e ficou apenas nove meses na posição.

Depois de ser afastado do cargo, Bruno assumiu uma função na Univaja, onde ele seguiu fiscalizando a região, que é constantemente atacada por garimpeiros, madeireiros e pescadores, ao lado dos indígenas.
O FISCAL do IBAMA
@fiscaldoibama
Ontem o fantástico mostrou q uma QUADRILHA de GARIMPEIROS movimentou R$ 16 BILHÕES desde 2019. Nesse FIO mostrarei que governo federal, municipal, o legislativo e as forças armadas AJUDARAM a quadrilha, desmobilizando a fiscalização ambiental e ficando do lado dos BANDIDOS 
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