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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

15
Set18

O objetivo de Moro foi alcançado

Talis Andrade

tríplex guarujá lula.jpg

 

 

por Eric Nepomuceno

Página 12/ Argentina

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Nesta semana, foi concluído o processo iniciado quando o juiz de primeira instância Sérgio Moro sentenciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão – além de impedir que ele ocupe qualquer cargo público pelos próximos 19 anos.


O motivo: ter (supostamente) recebido um apartamento de três andares e pouco mais de 200 metros quadrados, no decadente balneário do Guarujá, como propina em troca de contratos na Petrobras.

 

A sentença já era esperada. No fim das contas, desde o início da chamada "Operação Lava Jato" está mais que clara a obsessão fundamentalista deste juiz provinciano contra o ex-presidente mais popular do último meio século no Brasil e principal figura política do país nos nossos tempos.

 

Provas de que o apartamento foi realmente adquirido por Lula? Nenhuma.

 

Para começar, o imóvel em questão teve sua propriedade repassada ao banco estatal Caixa Econômica Federal, como parte de um acordo de suspensão de pagamentos e recuperação judicial da empreiteira OAS.

 

Mas há outros elementos: não existe um só registro de propriedade do imóvel no nome de Lula, e isso por uma simples razão: nunca pertenceu a ele.

 

A história do apartamento triplex é bastante conhecida no Brasil, e devidamente omitida pelos meios de comunicação hegemônicos, que foram um dos pilares do golpe institucional que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, mas cujo objetivo claríssimo sempre foi o de liquidar a figura política de Lula da Silva.

 

Efetivamente, há mais de uma década, a falecida esposa de Lula, dona Marisa Leticia, adquiriu uma quota de um apartamento, em um edifício que seria construído no Guarujá.

 

De acordo com as leis e costumes do Brasil, é possível comprar uma quota de uma construção e, quando ela esteja terminada, escolher determinado apartamento e pagar a eventual diferença.

 

Foi o que ocorreu: quando o edifício ficou pronto, dona Marisa foi visitá-lo, e desistiu do negócio, inclusive pedindo o ressarcimento da quota.

 

A empreiteira, que obteve gordos contratos com a Petrobras durante os mandatos de Lula, entendeu o óbvio: ter o ex-presidente entre os proprietários do edifício seria um atrativo insuperável.

 

Mandou reformar todo o imóvel, e até incluiu um elevador privado, e chamou Lula para vê-lo já com as remodelações. Quando o analisou, Lula – em sua única visita ao apartamento – deu o não definitivo da família ao negócio.

 

Não há uma só prova de que, em algum minuto, de qualquer dia, o ex-presidente tenha recebido o apartamento. Sobram provas, contudo, de que a empreiteira OAS continua sendo sua verdadeira e a única proprietária. Então, por qual motivo Lula foi condenado?

 

Por uma única e verdadeira razão: porque liquidá-lo era o objetivo final do golpe iniciado com a destituição de Dilma Rousseff.

 

A frustrada presidenta era uma pedra no caminho do grupo que armou o golpe: o atual senador Aécio Neves, derrotado por ela nas eleições de 2014 e que liderou a campanha de sabotagem legislativa do seu segundo mantado, entre 2015 e 2016, com o pleno aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; os meios hegemônicos de comunicação; os partidos políticos que negociam seu apoio nos bastidores de Brasília; o grande capital nacional e (claro) os interesses das multinacionais que pretendem se beneficiar da nova situação.

 

Para que o plano pudesse se completar, era necessário liquidar Lula e seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).

 

A chegada de Michel Temer e seus capangas ao governo teve como objetivo primordial o de impor "reformas" que, na verdade, significaram desmantelar tudo o que se construiu em termos de direitos sociais, não só durante os governos de Lula e Dilma como nos últimos 50 anos – e, no caso dos direitos trabalhistas, em mais de 70 anos.

 

Agora, quando se vê quem são os verdadeiros bucaneiros, os personagens deixam de ser necessários. Temer é um presidente que, além de ilegítimo, está moribundo.

 

Lula da Silva se transformou no primeiro ex-presidente condenado por corrupção, graças à atuação de um juiz provinciano cujo autoritarismo e parcialidade são mais que evidentes, e não somente segundo os juristas como também para cada vez mais numerosas parcelas da opinião pública, que não se deixaram idiotizar pelos meios de comunicação hegemônicos, encabeçados pela Rede Globo.

 

Sempre é bom repetir: não há sequer uma mísera prova contra Lula no caso do apartamento do Guarujá, ao mesmo tempo em que abundam as provas do massacre que o ex-presidente sofre, de forma incessante, da imprensa cartelizada, que considera sua popularidade como uma ameaça. Para esses meios, Lula é um pássaro perigoso, que deve ser abatido antes que volte a sobrevoar o país.

 

Para defender interesses desse tipo, a direita mais retrógrada encontrou um jovem juiz do interior, obcecado pela fama e pelo troféu que significa prender alguém como Lula, e se esse mesmo magistrado ainda conta com a ajuda de promotores fanáticos, tudo isso amparado pelos meios de comunicação e a omissão cúmplice das instâncias superiores da Justiça, quer dizer que o roteiro do filme já está concluído.

 

Agora, é preciso ver como o público vai reagir.

 

Se com a devida indignação, ou com a miserável resignação.

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13
Set18

Lava Jato mente que prendeu Beto Richa. Será que vai soltá-lo?

Talis Andrade

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por Emanuel Cancella

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Não foi a Lava Jato que prendeu o tucano Beto Richa, conforme reportagem: “Procurador da Lava Jato distorce a realidade: prisão de Richa nada tem a ver com a operação Lava Jato” (1).

 

Polícia divulga gravação de Beto Richa, em áudio com doleiro: ‘Já entrou um tico-tico lá que tava atrasado (2).

 

A imprensa tenta confundir a sociedade, mas o fato é que tucanos não vão presos pela Lava Jato. Seja por força contratual da Mulher de Moro, já que Rosângela Moro  tem contrato com o PSDB e a Shell (3 a 6), seja pelo histórico do Juiz Sergio Moro.

 

Moro chefia a investigação da Lava Jato e chefiou a do Banestado. Discurso do senador Roberto Requião do PMDB/PR, no plenário do Senado Federal: “O maior escândalo de corrupção do Brasil não é o Mensalão, o Petrolão é o do Banestado que surrupiou dos cofres públicos meio trilhão de reais. Um escândalo exclusivamente tucano e nenhum deles foi preso” (7).

 

Por outro lado, na Lava Jato, também chefiada por Moro: O ex-presidente Lula foi denunciado, condenado e preso pela Lava Jato e não pode ser candidato. Tudo isso sem qualquer comprovação, segundo as próprias palavras do procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ao vivo na Globo: Não tenho provas contra Lula mas tenho convicção de que ele é o comandante máximo da corrupção na Petrobrás (8).

 

Enquanto isso, o ex-presidente tucano, FHC, embora denunciado várias vezes na Lava Jato em corrupção na Petrobrás e, em algumas, envolvendo seu próprio filho, nem sequer é investigado (9). FHC também admitiu em seu livro, ‘Diários da Presidência’ que havia corrupção em seu governo na Petrobrás (10).

 

Os indícios de enriquecimento ilícitos de FHC são gritantes: FHC possui apartamento de luxo em Paris e Nova York e fazenda com aeroporto no Brasil (12,13).

 

A blindagem aos tucanos na Petrobrás é tão escancarada que, em novembro de 2016, eu, Emanuel Cancella, sindicalista, Secretário Geral do Sindipetro-RJ e Coordenador da Federação Nacional dos Petroleiros - FNP, denunciei ao MPF a omissão da Lava Jato em relação à gestão criminosa dos tucanos FHC e Pedro Parente, na Petrobrás. Até hoje sem resposta. Veja a denúncia na íntegra (11).

 

Ou melhor, o MPF ainda me intimou por duas vezes em um ano, acusando-me de possíveis crimes contra a honra do juiz Sergio Moro (14 a 16).

 

Não se iluda com a Lava Jato, ela nunca prenderia um tucano. Os tucanos delatados na Operação Lava Jato sequer são investigados e continuam impunes, como por exemplo: Aécio Neves, recordista em delação na Lava Jato; FHC denunciado, inclusive junto com o filho; os senadores tucanos Anastasia,  Aloysio Nunes e José Serra foram também delatados. Nada acontece com eles ! Por isso o tucano Beto Richa, apesar de denunciado na Lava Jato, jamais seria preso pela Operação. Mas será que a Lava Jato vai soltar Beto Richa?

 

Não seria a primeira vez que Lava Jato, de forma muito suspeita, libera bandido, pois, os principais ladrões da Petrobrás estão “presos” em suas casas, verdadeiros clubes de lazer construídos com dinheiro da roubalheira.

 

Dentre eles, Sérgio Machado, Fernando Baiano, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa. Esses últimos condenados respectivamente a mais de 30 e 80 anos de cadeia (17).

 

Fonte:

1https://www.cartacapital.com.br/politica/procurador-da-lava-jato-distorce-a-realidade-prisao-de-richa-nada-tem-a-ver-com-a-operacao

2https://www.brasil247.com/pt/247/parana247/368516/Richa-em-%C3%A1udio-com-doleiro-'j%C3%A1-entrou-um-tico-tico-l%C3%A1-que-tava-atrasado'.htm

3https://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/12/06/mulher-de-moro-trabalha-para-o-psdb

4https://www.ocafezinho.com/2017/08/29/moro-entra-em-contradicao-sobre-sociedade-de-sua-esposa-com-delatado-na-lava-jato/

5http://blogdafolha.blogspot.com/2015/09/afinal-dr-moro-quanto-sua-esposa.html

6https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-mulher-do-juiz-do-lava-jato/

7https://www.ocafezinho.com/2015/10/03/requiao-relembra-banestado-roubalheira-tucana-desviou-meio-trilhao/

8https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-temos-provas-mas-conviccao-o-powerpoint-de-dallagnol-nos-jogou-de-vez-no-paraguai-por-kiko-nogueira/

9https://www.cartacapital.com.br/revista/895/negocios-de-familia

10https://exame.abril.com.br/brasil/fhc-foi-alertado-de-escandalo-da-petrobras-em-1996/

11http://www.fnpetroleiros.org.br/noticias/3901/petroleiro-denuncia-a-operacao-lava-jato-ao-mpf-veja-na-integra-teor-da-denuncia-protocolada-ontem

12http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/fhc-tem-apartamento-em-nova-york-e-em-paris-diz-mirian-dutra/

13http://www.tijolaco.com.br/blog/a-historia-da-incrivel-fazenda-de-20-dolares-de-fhc-e-seu-aeroporto-de-empreiteira/

14http://www.viomundo.com.br/denuncias/moro-intima-petroleiro-por-possiveis-praticas-de-crime-contra-a-honra-de-servidor-publico-federal.html

15http://emanuelcancella.blogspot.com.br/2017/12/mandado-de-citacao-e-intimacao-contra_6.html

16 http://emanuelcancella.blogspot.com/2018/08/ata-de-audiencia-do-dia-070818.html

17http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2016/07/10/interna_politica,654284/delatores-cumprem-prisao-domiciliar-em-mansoes-e-coberturas.shtml



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12
Set18

Sergio Moro fatura indevidamente a detenção de Beto Richa: A Lava Jato não prende tucano

Talis Andrade

 

 

Relação com a Lava Jato. A prisão de Beto Richa e familiares foi ação do Gaeco. "Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná". foi desencadeada simultânea e paralelamente com a 53ª Fase da Lava Jato, a Operação Piloto, que apura irregularidades na licitação de duplicação da PR-323.

 

O fato gerou desinformação, uma vez que a prisão de Richa chegou a ser entendida como pela Lava Jato. De acordo com o procurador Leonir Batisti, do Gaeco, no entanto, "ocorreu uma grande coincidência".

 

Disse mais Leonir Batisti: "Ninguém vai acreditar, mas foi apenas uma coincidência, uma ação não tem relação com a outra".

 

Sentada nas investigações que denunciavam a quadrilha de Beto Richa, a Lava Jato tramou a queda de Dilma Rousseff, fez Michel Temer presidente, prendeu Lula, e nunca chegou perto dos familiares do governador Tucano do  Paraná. Para Lava Jato, Richa era um intocável. 

 

Preso Beto Richa por um juiz estadual, a Corriola de Curitiba - com a ajuda da imprensa golpista e vendida - vem cantar vantagem:

 

"Ao prender cúpula do governo tucano no Paraná, Lava Jato rechaça tese de parcialidade."

 

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Pousando para o foto, Carlos Fernando dos Santos Lima canta lorotas que, parelha com Moro desde o assalto ao BanEstado, jamais, em tempo algum, pediu a prisão de um Richa 

 

Escrevem os porta-vozes Roger Pereira e Fernando Garcel: A prisão de Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete do governo do Paraná, em investigação que envolve o ex-governador Beto Richa (PSDB), é a primeira ofensiva da Força-Tarefa da Operação Lava Jato do Paraná contra membros do PSDB. Para um dos coordenadores da operação no Ministério Público Federal (MPF), Carlos Fernando dos Santos Lima, a operação de hoje coloca fim aos questionamentos sobre a imparcialidade de operação e à tese de perseguição adotada por membros do PT.

 

“A Lava Jato é uma investigação apartidária. A gente já tinha chegado em pessoas de diversos partidos. Infelizmente o foro privilegiado é um obstáculo e nesse caso, pela perda do foro do ex-governador, podemos dar continuidade e mostra que uma investigação no primeiro grau pode dar resultado. Nós não escolhemos esses alvos”, disse o procurador, em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira.

 

Para a Força-Tarefa, as 53ª fase da operação até agora mostram o quanto a corrupção contaminou o modo de fazer política no Brasil, independente da linha ideológica e do partido político.

 

“É importante lembrar que a lava jato é uma investigação que mostra como a política é financiada no Brasil. Não faz diferença o governo federal, estadual e municipal. O Paraná não é diferente do que foi descoberto em todo o país. Outras investigações demonstram que esse tipo de esquema já existia em outros estados”, contou.

12
Set18

Prisão de Richa beneficia aliado dos Moro

Talis Andrade

 

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por Ricardo Costa de Oliveira

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A prisão da família Richa, uma vez que a política tradicional paranaense é operada por famílias, representa mais um cálculo do partido político do judiciário e das fases da Lava Jato.

 

Muito tarde e muito pouco.

 

Já deveriam ter sidos presos há vários anos, pelo menos desde o massacre dos professores.

 

A notícia da prisão de Beto Richa, Fernanda Richa e de José Richa Filho, o Pepe, super-secretários na gestão anterior, beneficia diretamente a candidatura senatorial de Flávio Arns, aliado próximo de Rosângela Moro, esposa do juiz Sérgio Moro e também ofusca as manchetes políticas do dia sobre Haddad e Lula, em Curitiba, em um momento em que Haddad precisa de visibilidade para subir nas pesquisas ao lado de Lula.

 

Como sempre é uma jogada política muito bem pensada e calculada na sua data, cronograma e no seu impacto midiático, o que continua a revelar o forte ativismo político e eleitoral do judiciário nesta conjuntura.

 

10
Set18

O censurado jornalismo investigativo de Marcelo Auler

Talis Andrade

 

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O Diário do Centro do Mundo entrevista o jornalista Marcelo Auler, que está sendo denunciado por revelações feitas em seu blog, onde abre as cartas da lava jato e expõe casos curiosos da operação, como o grampo não revelado da delação do doleiro Alberto Yousseff.

 

O programa traz também uma conversa com o senador Roberto Requião que, apesar de ser do PMDB, foi contra o impeachment de Dilma Rousseff. Na entrevista ele fala sobre os acordos entre políticos da base de Michel Temer e empresários que, com a desculpa de retomar a economia do país, sangram os direitos sociais e ferem as leis trabalhistas.

 

O jornalismo investigativo de Marcelo Auler é exemplar. Faz jornalismo com coragem e sonho. Um jornalismo que a TV Globo, que monopoliza o jornalismo televisivo, não mostra. Que os jornalões dos magnatas da imprensa escondem.

 

Marcelo Auler, no momento, investiga a vida do pregador testemunha de Jeová, Delio Bispo De Oliveira, que esfaqueou o candidato da direita Jair Bolsonaro.

 

O jornalismo de Marcelo Auler vem sendo censurado por forças poderosas que controlam a internet. Confira aqui

 

 

07
Set18

Os irmãos de fé Moro, Mourão e Adélio

Talis Andrade

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 Adelio Bispo de Oliveira preso depois do linchamento em Juiz de Fora

 

 

Pela convicção de Sergio Moro que dispensa provas, pela certeza do general Antonio Hamilton Mourão de ser do PT o esfaqueador de Jair Bolsonaro, podemos entender Adelio Bispo De Oliveira.

 

De Adelio Bispo De Oliveira a certeza de que Jair Bolsonaro é maçom, e a convicção de que todo maçom precisa ser exterminado. 

 

Pela imensa fé, Adélio recebeu ordem direta de Deus para matar Bolsonaro.

 

Que Deus nos livre das cruzadas santas, três vezes santa de Moro, Mourão [vice e sucessor de Bolsonaro] e Adélio. 

 

Fernando Haddad também poderia ter sido atacado por Adélio. Que Adelio também acusou Haddad de ser maçom.

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Escreve Aquiles Lins: O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, afirmou ao Estado de S. Paulo que o ataque [a Bolsonaro] "aumenta muito as preocupações com as eleições", após reunião da cúpula dos militares. Em nota, o Exército disse que "defende a manutenção da serenidade, o combate aos radicalismos e a confiança nos órgãos de segurança pública, para que todos juntos ultrapassemos esse desafio à nossa democracia e à paz social".

 

A Justiça precisa agir imediatamente, tanto esclarecendo os motivos de Adélio Bispo de Oliveira para o crime, quanto coibindo todos os abusos relacionados a este episódio lamentável para a já combalida democracia brasileira.

 

Abusos como o do general Antonio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro, que numa posição absolutamente oportunista e intempestiva, acusou o PT de ser o responsável pelo esfaqueamento do líder da extrema-direita.

 

"Eu não acho, eu tenho certeza: o autor do atentado é do PT. Se querem usar a violência, os profissionais da violência somos nós", disse Mourão à revista Cursoé pouco depois do ataque. Dois absurdos inomináveis: atestar certeza da culpa do PT sobre um fato tão grave sem apresentar quaisquer provas, e o pior, na condição de general da reserva do Exército, asseverar que eles são os “profissionais da violência”.

 

Mesmo com sua atuação parcial e escancaradamente contrária ao PT, negando os direitos políticos do ex-presidente Lula, assegurados pela ONU, a Justiça não pode ser leniente com este tipo de atitude. Ou age agora e estabelece os limites que este episódio terá na campanha, ou a Justiça estará sendo mais uma vez conivente com uma agressão ao partido que a maioria da população deseja que retorne ao Palácio do Planalto. Ou mais grave ainda: pode estar abrindo caminho para a suspensão das eleições e o retorno dos militares, já defendido pelo general Mourão.

 

Neste momento, as eleições e a democracia brasileira estão nas mãos de Cármen Lúcia, presidente do STF, e Rosa Weber, presidente do TSE.

 

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30
Ago18

Nos últimos anos, o maior negócio do meio jurídico foi a indústria da delação premiada na Lava Jato

Talis Andrade

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Pela primeira vez, o DCM e o Jornal GGN, duas das marcas mais conhecidas do jornalismo digital, vão participar juntos de um projeto de crowdfunding.

 

Nos últimos anos, o maior negócio do meio jurídico foi a indústria da delação premiada na Lava Jato.​

 

Advogados foram contratados por honorários milionários, de dezenas de milhões de dólares, para oferecer aos clientes o conforto de uma negociação confiável com procuradores e juiz da Lava Jato.

 

Ter a confiança do magistrado passou a ter um valor inestimável. Ao mesmo tempo, surgiram discrepâncias variadas entre as sentenças proferidas, algumas excessivamente duras, outras inexplicavelmente brandas.

 

Tudo isso ocorre no reino de Curitiba, território em que a justiça criminal é dominada há anos pelo grupo que conduziu a Lava Jato, juiz Sérgio Moro à frente.

 

Esse modelo ganha consistência no caso Banestado, em que não houve culpados.

 

As reportagens visarão levantar as origens dessa parceria, as razões de criminosos notórios, como Alberto Yousseff, sempre sair beneficiados, o caso da advogada Beatriz Catapretta e os negócios envolvendo Rosângela Moro e escritórios de advocacia de Curitiba, incluindo as relações entre ela e Marlus Arns, consolidadas no período em que ambos atuavam para a APAE do Paraná.

 

Um capítulo especial será dedicado ao aprofundamento das revelações do advogado Rodrigo Tacla Durán, que teria sido procurado pelo também advogado Carlos Zucolotto Júnior, amigo de Moro, com uma oferta de venda de facilidades na Lava Jato, com um acordo de delação premiada em condições mais favoráveis.

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MATÉRIAS PUBLICADAS

 
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A descoberta foi da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro, não a de Curitiba. O repórter, Ricardo Galhardo, que não faz parte dos grupos de policiais...
 
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Na oitava postagem da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, a dissecação das delações...
 
Na sétima postagem da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, um aperitivo do que será o...
 
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Esta é a terceira reportagem da série sobre a indústria da delação premiada na Lava Jato, feita em parceria entre o Jornal GGN e o DCM e financiada...
 
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Esta reportagem é a primeira da série financiada através de um crowdfunding feito em parceria entre o Jornal GGN e o DCM. Outras virão. Obrigado pelo...

 

 

29
Ago18

Flávio Tavares eterniza a tragédia do golpe em tela de três metros

Talis Andrade


Artista plástico paraibano expõe "Brasil, O Golpe: A Ópera do fim do mundo”

 

tela flávio tavares.jpg

 

 

por Cida Alves


Brasil de Fato | Quantas vezes a realidade é mais pitoresca ou terrificante que os sonhos e a fantasia? À pergunta que atravessa séculos, cabe aos artistas, que catalisam as tragédias humanas e as apresentam pelo seu próprio prisma.

 

Flávio Tavares, artista plástico paraibano, expôs no Sesc em João Pessoa (dia 27), um painel em óleo sobre tela, de três metros, contando a tragédia brasileira que culminou no Golpe e seus desdobramentos. Segundo o pintor “é uma carnavalização da linguagem gráfica, aonde eu pego todo o momento, o que eu senti pelo assassinato de Marielle, com essa figura bebendo água, greco-romana, no Rio Lete, o Rio do Esquecimento, e que tem o Hades, quer dizer o inferno grego da Divina Comédia, com Caronte no barco, e a luz ainda iluminando essa sessão de tortura da Dilma.”

 

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 O artista e sua obra 

 

Ele ressalta que a tortura da ex-presidente, na sua juventude, foi esquecida, assim como a morte da vereadora Marielle Franco já está caindo no Rio do Esquecimento. Alguns outros seres que habitam as mitologias, a sereia, o pássaro vermelho sendo ameaçado pelo que parece um Leviatã, tantas vezes evocado por Castro Alves no poema Navio Negreiro, também compõem um relato onírico da obra.

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Parte da tela quando o pintor retrata a ex-presidente Dilma e Marielle Franco / Paula Adissi

 

O painel tem algumas cenas importantes que se isolam e dialogam entre si. Em formato piramidal, na sua base temos O Banquete dos Poderosos, com a presença de Temer e várias figuras do judiciário, em especial o juiz Sérgio Moro se banqueteando avidamente, enquanto várias pessoas, miseráveis, esperam migalhas embaixo da mesa. Em pé, uma mulher negra servindo uma senhora fidalga, representando a elite brasileira, branca e impiedosa. Flávio destaca que o tema do painel é a injustiça “e os tantos tropeços que o Brasil tem dado em nome de um processo que eles estão chamando de Democracia, mas a gente vê que há uma transição forte ainda a se vivenciar para a gente ver isso acontecer.”

 

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Cena da obra quando é retratado o Superior Tribunal de Federal e seu papel no golpe / Paula Adissi

 

Vários anos atuando como chargista político delineiam a sua crítica política à atual história brasileira, profundamente marcada pela herança escravocrata, dramática e carnavalesca ao mesmo tempo: “eu procurei fazer uma coisa meio felliniana, meio circense, para não cair numa tragédia, porque realmente o ambiente que eu vivo é onde o humor suplanta o choro.”

 

Acima, ao centro da pirâmide, representando o poder em cima do povo, vemos a ama de leite segurando uma criança loura, e ao lado, a fera que ainda habita o Brasil. “Esse preconceito de raça e classe, esse ódio que se tem do povo, e essa representação aqui, tão bonitinha para quem gosta de Monarquia, mas extremamente perversa no mundo inteiro”, reflete o artista.

 

Logo atrás da ama de leite, nas sombras, como um sopro gelado da história, o pano de fundo da tragédia, vemos os traços de um pelourinho, uma pessoa amarrada a um poste. Flávio denuncia, no entanto, que isso aconteceu no Rio de Janeiro há pouco tempo. Destaque para o guardador de rebanhos ao lado esquerdo, que, serenamente, contempla a pomba da paz. “É a luta que estamos travando junto à ONU para soltar o Lula. Ao lado dele está o povo e os carneiros, é o guardador de rebanhos, O Peregrino.”

 

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Lula é retratado por Flávio Tavares como um pastor de ovelhas, "um peregrino" / Paula Adissi

 

 

Um personagem que pode passar desapercebido, mas que, no meio das centenas de referências, do fabulário nordestino aos clássicos ocidentais, bem no meio de todo o delírio dantesco, percebemos a (oni)presença da Casa Grande. Casa colonial, na sobriedade e riqueza do passado dos homens brancos e donos das almas. Um passado tão remanescente, às vezes até mais sofisticado, porém, perpetuando a história das atrocidades.

 

O pintor Flávio Tavares tem mais de 50 anos de carreira, já expôs em vários estados brasileiros e diversos países pelo mundo. Na ocasião da vernissage do painel sobre o Golpe, houve o lançamento do livro ‘A Linha do Sonho’, do Sesc Paraíba com várias de suas obras.

 

Mais informações sobre a exposição podem ser obtidas no Sesc Cabo Branco, que fica na Avenida Cabo Branco, 2788, Cabo Branco, na capital João Pessoa; ou pelo telefone (83) 3219-3400.

 

 

 

 

28
Ago18

A vitória de Lula sobre Moro

Talis Andrade


''Naturalmente'', a Lava Jato está entrando em sua fase final, afinal, Lula está preso. Porém, os protagonistas dessa guerra política, que levou à instalação de um dos governos mais corruptos desde a redemocratização, não contavam com a reação popular. E que reação!

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por Joaquim Ernesto Palhares 

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A Operação Lava Jato, anunciou O Globo, está em seus momentos finais. É “consenso no gabinete de Raquel Dodge de que a Lava-Jato – em Curitiba – está naturalmente entrando em sua fase final”, afirmou Guilherme Amado neste domingo, 26 de agosto.

 

“Naturalmente”, afinal, qual serventia teria agora a Operação de Sérgio Moro? Se golpeada desde 2014, a Petrobras encontra-se esquartejada para fins de privatização, conforme sonhavam, desde os anos 1990, os neoliberais tupiniquins e principais financiadores do golpe. Essa casta capaz de roubar das gerações futuras o usufruto dos recursos provenientes do pré-sal que seria, todos sabem disso, o passaporte dos nossos filhos e netos para o século XXI.

 

“Naturalmente”, a Lava Jato está entrando em sua fase final. Até porque, com denúncias incensadas pelo aparato midiático, ao longo de quatro anos, criando a atmosfera propícia ao golpe de 2016, a Lava Jato não só afastou o PT do poder, como permitiu a total inversão dos rumos do Brasil. Os dados estão todos aí, o golpe levou o Brasil ao abismo da austeridade econômica e à subserviência aos desmandos das corporações internacionais.

 

É inacreditável que, cinquenta anos após o AI-5, nós nos encontremos diante de candidaturas de extrema-direita e que assistamos à vitória do arbítrio, do aprisionamento sem provas, da prisão política, das conduções coercitivas, do uso abusivo de delações premiadas, do total desrespeito à presunção da inocência, do absurdo de termos a Presidência da República grampeada e o que dizer da perseguição contra Lula e seus familiares?

 

“Naturalmente”, a Lava Jato está entrando em sua fase final, afinal, Lula está preso. Porém, os protagonistas dessa guerra política, que levou à instalação de um dos governos mais corruptos desde a redemocratização, não contavam com a reação popular.

 

E que reação!

 

Sob o garrote do golpe (leia-se austeridade), a população vem se manifestando contra a perseguição política contra Lula.

 

É Moro e não Lula que precisa fugir das vaias. O vexame do magistrado na Bahia fala por si. De nada adiantou o juiz Carlos Cerqueira Júnior, da 6ª. Vara Cível e Comercial, proibir os protestos contra o juiz de Curitiba. Acostumado com aplausos – até personagem de cinema, ele se tornou – Sérgio Moro agora tem de dormir com a corneta afiada dos que se recusam pactuar com tamanho arbítrio e perseguição. Lulaços se espalham por todo o país. Desde que foi preso, Lula jamais esteve sozinho naquela cela.

 

“Bom dia, presidente Lula”, “boa noite, presidente Lula”, milhões se juntam em pensamento aos companheiros que não arredam o pé em Curitiba. Personalidades nacionais e internacionais, com a coragem que o momento exige, dão seu testemunho e irrestrito apoio ao ex-presidente Lula.

 

Moro, possivelmente, não contava com essa. Construído pela mídia, sua popularidade se esvanece ante a legitimidade construída por Lula junto à população brasileira. Este é ônus de quem recebeu, muito rapidamente, uma fama construída milimetricamente por uma mídia totalmente corrompida.

 

O resultado está aí: vigiada por organismos internacionais, pela própria ONU e por juristas de grande renome no Brasil e internacionalmente, a Lava Jato encontra-se em seus suspiros finais. Muito mais livre que Moro, Lula segue livre em cada cidadão indignado com a perseguição política contra ele.

 

Aliás, convido todos à leitura de “O sequestro do voto, a exceção de Moro”, de Tarso Genro, sobre a conduta do magistrado ao longo de sua “tenaz perseguição ao Presidente Lula”. Essa análise e várias outras fazem parte do nosso especial “Que Justiça é essa?” que conta com nove artigos imperdíveis, todos unânimes, no sentido da impossibilidade de sustentação dessa farsa montada no país.

 

Afinal, o que está em jogo nas urnas de outubro – e a população sabe disso – é a retomada dos direitos sociais e constitucionais usurpados pelo golpe. É por isso que as cornetas soam e, queiram ou não, continuarão soando conforme se viu, no último sábado, na Praça Benedito Calixto, em São Paulo, no Mercado Municipal de São Paulo, na Pampulha, em Minas, na Feira do Largo da Ordem, em Curitiba, em dois Shoppings Centers de Florianópolis, em outro Shopping em Fortaleza, no Show Nação Zumbi, em São Paulo, no Mercado Municipal de São José do Rio Preto e em mais outros dois Shoppings em Vitória, no Espirito Santo e em Maceió, quando milhares de pessoas participaram ativamente de Lulaços por todo o país.

 

É este o espírito que anima a nossa luta. É por isso que, apesar de todas as dificuldades financeiras, Carta Maior não arredou o pé e vem trazendo, diariamente, o conteúdo analítico que você não encontrará, de forma alguma, nos veículos corrompidos pelo golpismo.

 

É por isso que, mais uma vez, peço a você, encarecidamente: ajude-nos a continuar disseminando o que há de melhor no pensamento da esquerda brasileira e internacional. Com apenas R$ 1,00 por dia (R$ 30,00), juntos, podemos garantir que o contraponto ao neoliberalismo e a denúncia do golpe tenham visibilidade junto à sociedade.

 

Torne-se parceiro da Carta Maior (confira aqui as possibilidades de doação) e nos permita continuar soando as cornetas que vêm despertando a população brasileira.

Sigamos juntos,

Joaquim Ernesto Palhares

 

 

 

 

27
Ago18

Moro envergonha o Brasil perante as democracias mais estáveis e civilizadas do mundo

Talis Andrade

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O sequestro do voto, a exceção de Moro

por Tarso Genro

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“Eu errei agindo fora da lei para evitar uma situação de risco”. Quem age fora da lei para evitar uma situação de risco – quando o faz com legitimidade – age para evitar um dano a si mesmo ou a terceiros, em defesa de valores universais que - naquele caso concreto – são acolhidos na dogmática da própria Constituição democrática. Por exemplo, invadir uma propriedade privada para libertar uma pessoa escravizada, apropriar-se de uma arma de terceiro para defender-se de agressão desproporcional, iminente e injusta, ou omitir-se de socorrer uma pessoa idosa para poder socorrer uma criança. Não era disso que Moro estava tratando, quando atuou fora da sua jurisdição para impedir o cumprimento de uma ordem judicial por claro facciosismo político.

 

A ordem de soltura poderia ser revisada pela instância apropriada, mas Moro assumiu – com a sua decisão ilegal – o risco do “político”: “Seu mundo (passou a ser) o mundo do Estado (que ele pretendia encarnar) e além dele não (haveria) nada”. Neste tipo de escolha os valores em disputa, sobre os quais pende a decisão do indivíduo que lidera são aferidos, não pela sua validade obtida na origem do poder constituinte, mas o são pela potência de quem tem força para decidir. É o momento em que todo o Direito fica em suspenso, porque supostamente é necessário proteger um bem maior que, naquele momento, a validade do Direito originário da Constituição não protege e então só o líder pode salvá-lo.

 

O mestre Pedro Serrano escrevendo sobre “jurisdição e exceção” volta sua inteligência para reportar-se ao epígono do direito nazista, Carl Schmitt, cuja teoria política e jurídica “abandona a distinção entre poder constituinte e constituído como base da ditadura soberana, substituindo-a pela ‘decisão”. Nesse sentido, ” a soberania” – acrescenta Serrano – “é definida pelo poder de decidir sobre o Estado de exceção, suspendendo o direito.” Assim, a busca permanente de Schmitt para inscrever “a decisão sobre o Estado de exceção no interior do direito” é – com este percurso – simplesmente um exercício manipulatório para construir um ponto de apoio formal, para legitimar a força política de um indivíduo: um líder, um “dono” da exceção, capaz de anular a força do poder constituinte e instaurar o arbítrio, supostamente para defender o Estado idealizado pelo “líder”. Não aquele organizado pela soberania popular.

 

A declaração do juiz Moro ao CNJ defendendo-se da acusação de ter cometido ilegalidades, por ocasião do deferimento do Habeas Corpus concedido a Lula pelo Desembargador Favreto do TRF 4, é um primor de autoconfiança e serenidade doutrinária. É confissão capaz de sintetizar, numa só frase, toda a sua conduta ao longo da sua tenaz perseguição ao Presidente Lula, que consolidou o que a consciência jurídica nacional e mundial já se deu conta: Moro é o promotor e dono confesso da exceção, que enquadrou – com o vital apoio do oligopólio da mídia – todo o nosso Sistema de Justiça. Hoje ele nos envergonha perante as democracias mais estáveis e civilizadas do mundo.

 

O que devemos nos perguntar, neste momento gravíssimo em que Moro comanda o Direito e o oligopólio da mídia comanda o ódio – que ele mesmo disseminou – é se o Juiz de Curitiba sabia efetivamente o que estava confessando perante o CNJ, visando testar o limite do seu poder nesta última cartada de afirmação da exceção, ou se a sua formação humanística não chegou a Carl Schmitt e às justificativas metafísicas de Heidegger, para apoiar a ascensão do nazismo.

 

Na primeira hipótese, poderá se concluir que ele é um juiz consequente com o que tem de pior no direito ocidental moderno, na época da decadência do Estado de Direito formatado no Século passado por Hermann Heller, Carl Renner, Hans Kelsen e Radbruch, entre outros tantos luminares. Na segunda hipótese, porém, poderá se chegar à conclusão que o liberal-rentismo – a quem serve a falência da democracia e do Estado de Direito lá conquistado – está se utilizando do desconhecimento e da precária formação jurídica dos Juízes, para não permitir que a soberania popular seja exercida de forma autêntica e livre.

 

O grande Roberto Schwarz abre os seu “Ideias fora do lugar” lembrando um panfleto de Machado de Assis, em que este reclama contra o fato “impolítico e abominável da escravidão” e recorre, depois a Nabuco, lembrando quando este protestou no teatro de Alencar, ao dizer que “se isso ofende o estrangeiro, como não humilha o brasileiro?” Outras vozes – prossegue Schwarz – peroravam contra a “morbosa filantropia britânica” que combatia a escravidão, pela qual – ao não servir-se dos bons negros importados da África – “deixa(va) morrer o pobre irmão branco, escravo sem senhor …”.

 

É possível defender a exceção, sem humilhar o país no exterior civilizado? É possível prestigiar o povo e a nação, escravizando a opção política da maioria, que quer Lula concorrendo a Presidente, acima de todos os demais? Moro está com os fósforos acesos, perto de um paiol de sensibilidades e princípios que protegem a soberania popular e o Estado de Direito. Com desenvoltura já se organizam as hordas do fascismo. Moro poderá jogar os fósforos sem vacilação, se não for detido nas próximas semanas e a exceção será o “normal”. A regra então poderá ser queimada nas ruas, contemplada na perfeição do golpe e já inscrita na face autoritária de um líder, que decidiu a exceção sem dizer (ou saber) seu nome.

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