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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Ago21

Foi ditadura, houve tortura

Talis Andrade

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por Carla Teixeira 

 

O ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, em audiência pública ocorrida na Câmara dos Deputados, negou que houve ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985. Para ele, “houve um regime forte, isso eu concordo. (...) cometeram excessos dos dois lados, mas isso tem que ser analisado na época da história de Guerra Fria e tudo o mais. Não pegar uma coisa do passado e trazer para os dias de hoje. Se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui”, vaticinou o ministro.

O general mostra desconhecer a historiografia brasileira, assim como todo o imenso conteúdo produzido sobre os eventos do período mencionado. A fim de confundir seus ouvintes, utiliza de enorme desonestidade intelectual ao afirmar que “se houvesse ditadura, talvez muitas pessoas não estariam aqui”. Acontece que muitas pessoas não estão, general. Pergunte às famílias de Vladmir Herzog, Alexandre Vannucchi, Rubens Paiva, Soledad Barret, Ana Rosa Kucinski, Carlos Marighella (pra citar seis entre milhares) o que pensam e como sentem suas ausências provocadas pelo “regime forte” que o senhor mencionou.  

A ditadura militar (1964-1985) foi o maior atraso político, econômico, social e cultural que o Brasil sofreu durante todo o século XX. A miséria se alastrou na mesma proporção que a corrupção tomou conta do Estado, tendo os generais e Oficiais das armas como principais beneficiados das tenebrosas transações. O legado maldito deixado pela ditadura nos atormenta na figura de Jair Bolsonaro que todos os dias nos lembra os custos de ter conciliado a transição democrática com a escória da humanidade.

Escória, pois a anistia aprovada, em 1979, permitiu que os militares torturadores, sequestradores, assassinos, estupradores, violadores de crianças e ocultadores de cadáveres saíssem impunes de seus crimes, com suas memórias preservadas para o deleite de fanáticos como o general Braga Netto. Ele e outros Oficiais essencialmente mentirosos, canalhas que negaram e seguem negando o que todos sabem e é óbvio, e a historiografia já registrou em diversos idiomas para que a posteridade saiba a verdade que insistem em dissimular: foi ditadura, houve tortura, os militares das forças armadas são os responsáveis e jamais foram punidos. Também por conta dessa impunidade, a sociedade brasileira convive com um enorme passivo democrático que se materializa na violência contra os pretos, os pobres, as mulheres, e nas ameaças diuturnas de golpe militar.

O argumento da equivalência utilizado pelo general para afirmar que “os dois lados cometeram excessos” já foi desmascarado há muitos anos pela historiografia e o cinema. A formação das guerrilhas e suas ações diretas de combate (como assalto a bancos, por exemplo) apenas ganharam corpo após o golpe de 1964. Ou seja, o radicalismo da esquerda, naquele caso, foi produto do radicalismo da direita, especificamente dos militares. Alinhados com os interesses do imperialismo estadunidense, as forças armadas mataram brasileiros que lutavam por democracia, liberdade e dignidade para todos. Ou seja, em nome da pátria, os militares traidores da pátria mataram aqueles que genuinamente a estavam defendendo dos interesses estrangeiros.

Vale lembrar que o general Braga Netto era o comandante da intervenção militar no Rio de Janeiro quando Marielle e Anderson foram assassinados por milicianos, em 2018. Aliás, seu atual posto demonstra o sucesso de sua missão em solo carioca: favorecer as milícias e facilitar a chegada de um de seus representantes à presidência da República. À parte toda essa tragédia, é fundamental louvar a coragem dos deputados que exigiram explicações ao general. Passou da hora da sociedade civil se posicionar diante dos arroubos autoritários de Bolsonaro e seus lacaios generais. Ditadura nunca mais!As universidades e o regime militar: cultura política brasileira e  modernização autoritária eBook : Motta, Rodrigo Patto Sá: Amazon.com.br:  Livros

Indicações de leitura: Rodrigo Patto Sá Motta. “As Universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária”. Zahar, 2014.Estranhas catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura  civil-militar, 1964-1988 | Amazon.com.br

Pedro Henrique Pedreira Campos. “As empreiteiras Brasileiras e a Ditadura Civil-Militar: 1964-1988”. EdUFF, 2015

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05
Abr19

'55 anos é pouco para esquecer', diz mulher que foi sequestrada, torturada e separada dos pais, quando era criança pela ditadura militar

Talis Andrade

Iracema foi levada por militares quando tinha cerca de 11 anos junto com a mãe, que é considerada desaparecida política. Livro do jornalista Eduardo Reina revela casos de 19 crianças sequestradas pela ditadura

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Ilustração Nedal Hashem 


Por Marina Pinhoni

G1 SP — São Paulo

 

Iracema não sabe dizer ao certo em que ano nasceu. Ainda hoje, com idade estimada em 65 anos, ela luta para recuperar sua história, que foi interrompida no início da ditadura militar no Brasil. Em 1964, Iracema tinha cerca de 11 anos quando foi presa e torturada junto com sua mãe, uma professora militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Machucada, Iracema foi abandonada sozinha em uma praça no Recife, em Pernambuco. Nunca mais viu sua mãe, que se tornou uma desaparecida política. Sem família nem documentos, até a idade adulta sua vida foi itinerante e “sem título”, como ela própria define.
Por muito tempo, Iracema não se lembrava do próprio sobrenome e tinha apenas uma ideia nebulosa dos locais onde viveu antes de ser levada para o Rio de Janeiro por um casal de vizinhos. Mas a memória da tortura que sofreu nos porões do Doi-Codi no Recife permanece clara e traumática até hoje. Leia aqui 

06
Mar19

A tragédia das meninas violentadas pelo ditador pedófilo do Paraguai; veja vídeo

Talis Andrade

estupro incesto pedofilia.jpg

 

por Caio N. Toledo

in VioMundo

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Na última terça-feira de fevereiro (27/2), o capitão Jair Messias Bolsonaro, em cerimônia oficial, fez eloquentes elogios ao general Alfredo Stroessner, ditador do Paraguai entre 1954 e 1989.

Numa infamante de mentirosa declaração, afirmou que Stroessner – como teriam sido todos os ditadores brasileiros no pós-1964 – foi um “Estadista” e “Homem de visão”.

Como repudia o documento final da Comissão da Verdade e Memória brasileira, Bolsonaro ignora também as conclusões do Relatório da Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai que informa que mais de 18 mil pessoas sofreram torturas e mais de 400 foram executadas ou desapareceram nos 35 anos da ditadura de Stroessner.

Igualmente, constam da lista de acusações contra o general “cristão” e “patriota” as práticas de corrupção, contrabando, tráfico, proteção a refugiados nazistas e manutenção de um “harém de meninas” (8 a 12 anos) e adolescentes (sequestradas de suas famílias) para a prática de pedofilia e violência sexual.

Por não ter sido ainda amplamente divulgado no Brasil, impõe-se conhecer o vídeo Calle del Silencio que documenta a tragédia vivida pelas meninas paraguaias (algumas, posteriormente, desaparecidas), sob as ordens do General Alfredo Stroessner.

Ao lado de Augusto Pinochet, Brilhante Ustra, Garrastazu Medici, Costa e Silva e outros, ficamos conhecendo, assim, um novo “herói” do atual presidente da República Federativa do Brasil.

 

 

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