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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Jun21

Abandonados pelo governo, sete moradores de rua morrem em madrugada mais fria dos últimos 5 anos na cidade de SP

Talis Andrade

Se encontrar um morador de rua precisando de ajuda, ligue para o 156 e comunique a Coordenadoria de Atendimento Permanente e de Emergência (Cape), da Prefeitura. Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo.

 

 

O Movimento Estadual dos Moradores em Situação de Rua afirma que sete moradores de rua morreram na cidade de São Paulo entre esta terça e quarta-feira (30). Segundo o movimento, quatro dessas mortes ocorreram na madrugada de quarta, a mais fria dos últimos cinco anos. Os termômetros chegaram a 6º C na capital paulista.

Ainda de acordo com o movimento, três dos moradores estavam na Praça da Sé, um na Baixada do Glicério, um próximo ao Metrô Tiradentes, na região central da cidade, e dois na Barra Funda, na Zona Oeste.

Segundo o Padre Júlio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, a polícia investiga a morte de um morador de rua, que foi encontrado morto na região da Sé, sem sinais de violência, na madrugada desta quarta. A causa do óbito ainda está sendo apurada, mas, de acordo com o padre, embora o exame não constasse sinais de hipotermia, havia outras doenças que podem levar a morte em função do frio, como pneumonia e parada-cardíaca.

Padre Júlio também afirma que o número de pessoas que segue nas ruas e resiste aos abrigos é alarmante e indica que o modelo de acolhimento da gestão atual não atende à essa população.

 
17
Jun21

Em tempos da peste, governo militar de Bolsonaro defende dar restos de comida aos pobres contra a fome

Talis Andrade

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O impiedoso e cruel e desumano ministro da Economia do governo militar de Bolsonaro, o pinochetista Paulo Guedes, defendeu nesta quinta-feira (17) dar restos de comida aos pobres – “pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas”, como política de combate à fome no Brasil. 
 
A fome mata. A fome acabou se agravando na pandemia. Em 2020, 19 milhões de pessoas viviam em situação de fome no país, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da covid-19 no Brasil. Em 2018 (governo Michel Temer), eram 10,3 milhões. Ou seja, em dois anos houve um aumento de 27,6% (ou quase 9 milhões de pessoas a mais).
 
"Quem quer que tenha sido o pai de uma doença, a mãe foi uma dieta deficiente", diz o médico Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), em referência a um lema da nutrologia.
 

Temos que usar máscaras porque elas diminuem a transmissão da Covid-19, visto que o contágio é feito através de gotículas expelidas por nariz ou boca de uma pessoa contaminada, e com contato direto ou indireto, acabam entrando no organismo de uma pessoa saudável através de seus olhos, nariz ou boca. 

Agora Paulo Guedes, que foi contra o auxílio emergencial de 600 reais, quer contaminar o pobre com restos de comida. Com sobejos.

Durante participação em evento promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Guedes afirmou que os desperdícios da cadeia produtiva precisam ser mais bem aproveitados para acabar com a fome no país.

“O prato de ‘um classe média’ europeu é pequeno, no nosso, há uma sobra enorme. Precisamos pensar como utilizar esse excesso no dia a dia. Aquilo dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas. É muito melhor que deixar estragar”, disse o ministro. Para enganação dos bolsonaristas pobres, mente Paulo Guedes: o europeu come pouco, passa fome. 

“Como utilizar esses excessos que estão em restaurantes e esse encadeamento com as políticas sociais, isso tem que ser feito. Toda aquela alimentação que não for utilizada durante aquele dia no restaurante, aquilo dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, desamparados. É muito melhor do que deixar estragar essa comida toda”, completou Paulo Guedes. 

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que também participou do evento, fez coro defendendo comprar alimentos fora da validade. Cousa que também mata. Ser bolsonarista é defender um governo da fome, da peste, da morte na fila dos hospitais sem direito a uma maca, a um leito hospitalar, da morte por asfixia, da guerra, a defesa de uma ditadura, de um governo militar, de um governo armamentista, de um governo que defende a tortura, as milícias e os motins das polícias militares. Ainda bem que Paulo Guedes reconhece que o Brasil é um país de "pessoas fragilizadas, mendigos, desamparados". Para estes brasileiros sem teto, sem terra, sem nada, os restos de comida. 

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13
Abr21

A corrupção mais do que legal: Diárias e passagens na Lava-Jato custaram mais de R$ 5 milhões; TCU investiga

Talis Andrade

A charge do Alpino | VEJA

Eta vida boa! A vida luxuosa dos procuradores da Lava Jato que lava mais branco. Dos garotos dourados.

Levantamento exclusivo dos gastos com passagens aéreas e pagamento de diárias a procuradores da Lava-Jato obtido por VEJA mostra que as forças-tarefas da operação em cinco cidades (Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Brasília) custaram aos cofres públicos 5,34 milhões de reais. Nas investigações do petrolão na capital paranaense, apenas o desembolso de gratificações, pagas, por exemplo, pelo exercício cumulativo de funções, chegou a 2,98 milhões de reais entre 2014 e 2020. Os dados, somados ao acervo de conversas de procuradores da Lava-Jato alvo de hackers, serão utilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar deslizes administrativos ou utilizou de forma irregular dinheiro público para o custeio do dia a dia das investigações.

VEJA também teve acesso às mensagens hackeadas que técnicos da Corte de Contas estão analisando para, no limite, enquadrar os procuradores em acusações de mau uso do dinheiro público e peculato. Uma conversa específica, de 7 de dezembro de 2017, foi interpretada por integrantes do TCU como um indício de que viagens a trabalho podem ter sido usadas como pretexto para o uso ilícito de dinheiro do contribuinte. Nela, o procurador Deltan Dallagnol é informado que havia um saldo de cerca de 108.000 reais disponível para o uso de diárias e passagens. Na sequência, ele estimula cinco colegas, os procuradores Carlos Fernando Lima, Orlando Martello, Januário Paludo, Antônio Carlos Welter e Isabel Groba, a “indicarem” voos para o uso dos valores e conclui: “quanto mais gastarmos agora, melhor”. Juntos, os cinco nominados por Dallagnol receberam pouco mais de 2 milhões de reais em pagamento de diárias do longo da Lava-Jato.

Desde as primeiras reuniões para definir as primeiras fases da operação, Carlos Fernando recebeu 361.716,50 reais em diárias; Antônio Carlos Welter, 506.238,65 reais; Isabel Groba embolsou 332.095,82 reais em diárias de trabalho; Januário Paludo, 391.067,40 reais; e Orlando Martello, outros 461.460,14 reais. Os dados foram fornecidos ao TCU pela equipe do procurador-geral da República Augusto Aras, crítico dos métodos da Lava-Jato. Ele já enviou ao TCU quase 800 páginas com dados de dispêndios feitos por procuradores de setembro de 2013, ainda nas etapas preparatórias da Lava-Jato, até o último dia do ano passado.

Em outro diálogo hackeado e que pode embasar a ofensiva contra os procuradores, de 7 de novembro de 2016, Dallagnol informa que fará uma palestra de combate à corrupção no exterior e que terá as passagens e a hospedagem pagas pelo patrocinador do evento. Em seguida, dá orientações para que seja elaborado um ofício com um pedido de pagamento de diárias para ele e diz: “mande para ver se consigo uns trocados, o que não é fácil com eventos não programados”. Em um terceiro chat, em 9 de maio de 2016, o então chefe da força-tarefa de Curitiba solicita que seja colocado um motorista à disposição para o trajeto de cerca de 80 quilômetros entre as cidades de Pato Branco e Dois Vizinhos, no Paraná, onde faria palestras gratuitas sobre o combate à corrupção. São episódios aparentemente simplórios mas que catalisaram o interesse dos integrantes do TCU de punir a Lava-Jato.

Como aval do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que compartilhou com a Corte de Contas chats de procuradores e do ex-juiz Sergio Moro, o TCU passou os últimos dias a analisar as conversas em busca de evidências de ilícitos. A ideia é usar eventuais provas encontradas nas mensagens para determinar o bloqueio de bens do então chefe da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, de outros procuradores que atuaram no caso e até do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot até que sejam quitados todos os supostos prejuízos do dia a dia de trabalho da Lava-Jato aos cofres públicos. Em 2017 o Pleno TCU fez um movimento semelhante ao determinar o arresto de bens da ex-presidente Dilma Rousseff e de mais cinco ex-membros do Conselho de Administração da Petrobras por perdas financeiras com a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. O caso de Dilma só foi revertido um ano depois.

Mais da metade da população brasileira sofrendo a vida severina, sem pão, sem teto, sem terra, sem nada. O Brasil dos moradores de rua, das favelas, dos cortiços. As populações das periferias, das áreas de risco nos morros e alagados. As populações ribeirinhas, e de beira de estradas e de invasões de terra. 

O truque dos safados era oferecer uma cidade na lonjura como moradia, e assim receber diárias, passagens, tudo para uma vida de luxo, brisa e paz. Para descobrir a malandragem basta investigar o local de moradia da esposa, o local de estudo dos filhos. Acontecia o mesmo truque na Polícia Federal que dava proteção aos juízes e procuradores, e perseguia os presos políticos e os alvos dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, para evitar a concorrência internacional da construção pesada, para destruição da indústria naval, da construção civil, para espionagem da indústria brasileira (Braskem, Embraer, Petrobras), do pré-sal (leiloado a preço de banana), do programa nuclear, a denúncia da compra de aviões suecos de combate etc

ANOMALIA GERENCIAL

Os 5 procuradores que ganharam essa bolada se beneficiaram de uma decisão que dificilmente se vê na iniciativa privada. Eram requisitados de outras cidades para trabalhar na Lava Jato. Muitos nunca se mudaram para Curitiba. Ficaram anos ganhando hotel, roupa lavada, refeições e passagens aéreas.

Charge na Rua leva a arte aos espaços públicos de Santos - Revista Nove

25
Mar21

Em cada casa sem esgoto, em cada corredor de hospitais, no corpo estendido no chão

Talis Andrade

Imagem que percorreu as redes sociais do idoso morto no chão de uma UPA em Teresina

 

A GUERRA DO BRASIL

por Jamil Chade

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Todos foram contaminados. Para alguns, o vírus asfixiou. Para outros, ele gerou a fome, o desemprego e a depressão. Incapacidade de dormir para quem não sabe o dia de amanhã, medo de fechar os olhos para aqueles que temem não despertar. Explosão de problemas de visão para as crianças privilegiadas submetidas às telas que se multiplicam. Revelações da cegueira coletiva em adultos.

Oficialmente, chegamos perto de 300 mil mortos em apenas um ano, um número equivalente aos onze anos da guerra civil em Sierra Leoa. Superamos conflitos históricos como o do Líbano, dos Balcãs, os 56 anos de guerra na Colômbia e mesmo a atual guerra no Iêmen.

Num primeiro momento, diante dos números e da ameaça global, rapidamente tiramos conclusões equivocadas de que o vírus era democrático. Mas basta ver as taxas de mortes e de sofrimento nas periferias, na população negra e indígena e nos mais vulneráveis para entender a ilusão dessa declaração.

A palavra pandemia não está no feminino por acaso. São elas as mais afetadas, mais sobrecarregadas e mais prejudicadas.

Desde o início da pandemia, governos democráticos e autoritários usaram o simbolismo da guerra para mobilizar e justificar medidas extraordinárias. Comparações fora de lugar e com objetivos políticos para lidar com um desafio que era social, não militar.

Mas a nossa guerra não foi um recurso de retórica. O país foi transformado em uma enorme Guernica, com trincheiras e rostos deformados em cada ônibus lotado, em cada casa sem esgoto, em cada corredor de hospitais, no corpo estendido no chão em Teresina. Um corpo seminu, coberto de marcas de crimes.

Ironicamente, estamos sendo derrotados justamente no momento em que os militares se infiltraram no comando do Brasil. Prova – mais uma delas – que uma guerra é importante demais para ser deixada para os generais.

Em meio século, seremos questionados pelos livros de história: o que fizeram aquelas pessoas em 2020 e 2021? Não faltarão pesquisas nos arquivos diplomáticos para descobrir que parte do esforço não foi para enfrentar o inimigo. Mas para usar as tribunas internacionais para mentir.

Não faltarão alunos em choque ao descobrir que milícias – digitais ou suburbanas – agiram como braço armado de uma política deliberada de tentar desmontar e intimidar uma reação popular.

Tampouco faltarão estudos para mostrar que, num certo dia 23 de março de 2021, ao fazer um pronunciamento à nação, um charlatão fantasiado de presidente tentava esconder sua nudez obscena com manipulações e com Deus

Se existe de fato uma comunidade de destino nesse primeiro povo global, o atual momento coloca uma encruzilhada inédita para nossa geração.

Nessa guerra, de nada adiantará desfilar com as cores nacionais. A bandeira do patriotismo não será grande o suficiente para cobrir todos esses corpos e todas nossas almas dilaceradas. A soberania foi zombada por um inimigo que gargalhou das ideologias.

Sem coordenação, sem controle, sem um destino claro e sem um plano, o Brasil vive seu momento definidor em uma batalha em suas entranhas.

Quanto ao inimigo acostumado ao cheiro da morte, o realismo mágico do país lhe deixou assombrado. Afinal, descobriu, de forma impensável, que tem na liderança do próprio estado um dos seus melhores aliados.

18
Mar21

Como o novo “auxílio” aprofunda inferno brasileiro

Talis Andrade

Opinião | O Brasil saiu do mapa da fome em 2014...mas está | OpiniãoBrasil: crianças que só têm alimentação na escola passam fome nas fériasColuna | População negra e pobre será | Brasil de Fato - Pernambuco

Após chantagear Congresso por mais cortes, governo pagará valores pífios. Não compram nem 25% da cesta básica e excluem 17 milhões de antigos beneficiários. Em meio ao recorde de mortes na pandemia, colapso social em marcha…

Por Rede Brasil Atual

Com o novo teto de R$ 44 bilhões, definido pela chamada PEC Emergencial (Proposta de Emenda à Constituição 186), mais de 17 milhões de brasileiros, que receberam o auxílio emergencial em 2020, não terão acesso ao benefício social neste ano. A proposta que vai permitir a concessão do auxílio foi promulgada nesta segunda-feira (15) pelo Congresso, deixando de fora um em cada 4 pessoas que estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica nesta crise sanitária. 

Os números são da campanha Renda Básica Que Queremos, que agrupa 270 organizações e redes. O movimento calcula que o novo teto, de R$ 20 bilhões a menos, deve ainda provocar efeitos perversos sobre a economia de estados e municípios. Com um número de beneficiários menor, a nova rodada do auxílio emergencial também recua no valor a ser pago. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já confirmou que o benefício será reduzido a quatro parcelas, no valor médio de R$ 250. Com variação de R$ 150 e R$ 375 dependendo da composição das famílias. 

A diretora da Rede Brasileira de Renda Básica, uma das entidades que compõem a campanha, Paola Carvalho, avalia que a proposta é “bastante preocupante”. Em entrevista a Marilu Cabañas, no Jornal Brasil Atual, ela lembra que já no ano passado, quando as parcelas eram de R$ 600 e R$ 1.200 – no caso de mães chefes de família – para ser estendido a R$ 300, pelo menos 14 milhões de pessoas deixaram de receber o auxílio, do total de 68,2 milhões de beneficiários. Com a PEC Emergencial, o corte, destaca a diretora, será maior e mais perverso. 

Valor não paga 25% da cesta básica

O diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior, também destaca que o valor médio de R$ 250 é algo em torno de um quarto do valor da cesta básica. Ou seja, a parcela do novo auxílio não será suficiente para comprar sequer 25% dela. “Mal dá para as famílias conseguirem o recurso para a sua alimentação e elas vão ter muita dificuldade para enfrentar esse período todo. O valor de R$ 250, por quatro meses é muito aquém. Os movimentos sindicais e sociais vinham defendendo o retorno do auxílio em R$ 600, o mais razoável”, afirma em sua coluna na Rádio Brasil Atual.  

As projeções das entidades são de que os estados do Nordeste, entre eles, Piauí, Bahia e Ceará serão os mais prejudicados. Paola também afirma que a falta de um auxílio mais próximo das necessidades dos brasileiros afetará a sobrevivência dos microempreendedores individuais (MEIs), trabalhadores informais e desempregados. Esse é o caso, por exemplo, da corretora de seguros Tatiana Maria, moradora do município de Cidreira, no Rio Grande do Sul. 

Tatiana trabalhou a maior parte de sua vida como produtora cultural e orientadora de crédito no programa Crescer. Uma iniciativa que fomentava a economia local de comunidades. Com o desmonte do projeto no governo de Michel Temer, depois do golpe em 2016, a produtora deixou a carreira, deu à luz a mais um filho e em 2019 aproveitou sua experiência anterior e seus contatos para abrir uma corretora de seguros direcionada a vender planos de saúde ao funcionalismo público.

Como sobreviver com R$ 250?Após o Golpe de 2016, o flagelo da fome volta a apavorar o Brasil | Partido  dos Trabalhadores

A pandemia de covid-19 interrompeu os planos de trabalho de Tatiana e sua sócia, que davam início ao negócio. Nesse período de crise sanitária, ela conta à jornalista Marilu Cabañas, que sua filha mais velha se separou do marido e voltou a morar com ela. Mãe de dois filhos pequenos, a primogênita de Tatiana tentou se inscrever no Bolsa Família e no auxílio emergencial, mas não conseguiu ser atendida por nenhum dos dois programas. 

Hoje, com o pouco de economia que lhe resta, Tatiana mantém ela, os dois netos e seu filho mais novo. A corretora, que recorreu no ano passado ao auxílio para sobreviver, se revolta com a falta de um benefício digno. Segundo ela, a nova rodada de pagamento faz parte de um “projeto do governo federal para matar o pobre, os idosos, as pessoas que têm comorbidades. É um projeto de governo, não tem outra explicação. Um óleo está R$ 9, um (pacote pequeno) de arroz quase R$ 8, uma carne de segunda R$ 31. Precisamos de um auxílio digno, R$ 600 e R$ 1.200 ajuda um pouco. Agora R$ 250 é inadmissível”, lamenta.  

“Como é que eu vou me manter, manter minha filha, meus dois netos e meu filho com R$ 250? Isso é um absurdo. Não sei o que vai ser de mim e do futuro das pessoas pobres. Eu me preocupo muito. Se está difícil para mim, imagina para essas pessoas que esse governo desgraçado, desculpa o termo, tirou até o bolsa família dessas pessoas? É inadmissível isso”, completa Tatiana em lágrimas. 

Chantagem com a dor do povoNUPPRE

A PEC Emergencial, que vai permitir a concessão do auxílio emergencial, também aprova uma série de medidas de contenção dos gastos públicos. A expectativa ainda era que ela fosse sancionada para que as parcelas fossem pagas neste mês de março. Mas o próprio governo de Jair Bolsonaro já postergou o primeiro pagamento para abril. Cabe ao Executivo a operacionalização dos pagamentos, que deve editar medida provisória com os critérios de concessão do benefício. A demora preocupa, contudo, a família de Tatiana e outras pelo país que estão em situação de vulnerabilidade. 

Desde o fim do auxílio, em dezembro, quase 27 milhões de pessoas caíram de volta na linha da extrema pobreza no país. A campanha Renda Básica Que Queremos garante que a União tem condições de ampliar tanto os critérios de inclusão de beneficiários, como os valores das parcelas. De acordo com a diretora, as organizações de luta se mobilizam para apresentar nesta quinta-feira (18) uma MP aumentando o benefício. 

 

Paola resume que toda manobra do governo com a PEC Emergencial não passa de “uma grande chantagem com a dor do povo. Seja com a vacina ou com o auxílio”, diz. “O governo cobra para conseguir aprovar suas maldades e empurrar para frente as políticas que deveriam ser implementadas. Isso com uma marca absurda de mortos pelo coronavírus, 14 milhões de desempregados e mais cinco milhões de desalentados. Ou seja, chegamos a uma marca no Brasil que não podemos esperar”, adverte a Rede Brasileira de Renda Básica.

Sim, há fome no Brasil | Diário Causa Operária

26
Jan21

Mais de R$ 1,8 bilhão em compras: “carrinho” do governo federal tem de sagu a chicletes

Talis Andrade

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O valor representa aumento de 20% em relação a 2019. Só em goma de mascar, a conta custou R$ 2.203.681, 89 aos cofres públicos

 

 
Na polêmica disputa “com ou sem uva-passa“, o Executivo federal, ao que parece, tem um lado bem definido. Em 2020, os órgãos sob comando do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) gastaram pouco mais de R$ 5 milhões na compra da fruta desidratada. O gasto (e o gosto) com o produto, questionável para alguns, não é nem 1% do valor total pago na compra de supermercado do governo.
 

Levantamento do (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, com base do Painel de Compras atualizado pelo Ministério da Economia, mostra que, no último ano, todos os órgãos do executivo pagaram, juntos, mais de R$ 1,8 bilhão em alimentos – um aumento de 20% em relação a 2019. Para a reportagem, foram considerados apenas os itens que somaram mais de R$ 1 milhão pagos.

Além do tradicional arroz, feijão, carne, batata frita e salada, no “carrinho” estiveram incluídos biscoitos, sorvete, massa de pastel, leite condensado – que associado ao pão forma uma das comidas favoritas do presidente – , geleia de mocotó, picolé, pão de queijo, pizza, vinho, bombom, chantilly, sagu e até chiclete.

Os valores chamam a atenção. Só em goma de mascar, foram R$ 2.203.681, 89 aos cofres públicos. Sem contar a compra de molho shoyo, molho inglês e molho de pimenta que, juntos, somam mais de R$ 14 milhões do montante pago. Pizza e refrigerante também fizeram parte do cardápio do ano. Débito de R$ 32,7 milhões dos cofres da União.

 

Execução financeira do executivo Federal com alimentação em 2020

 

28
Nov20

Vacina: nem tão cedo, nem para tantos

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

Vacina contra Covid-19 não deve ser oferecida para toda a população, diz Ministério da Saúde, diz a manchete da Folha esta manhã.

É admissão, afinal, do que era óbvio, por várias razões e a maior delas é a lentidão do Governo Federal em procurar acordos com os fabricantes das potenciais vacinas, a demora em quase três meses da adesão brasileira à iniciativa Covax, da Organização Mundial de Saúde e a recusa ideológica em apoiar os testes da vacina chinesa.

Claro que agora se junta mais um complicador: a necessidade de uma nova bateria de testes da vacina Astrazêneca-Oxford, o que deve atrasar em pelo menos dois meses a sua aprovação sanitária.

Já tinha sido dito aqui e é claro que não haveria possibilidade de cobertura vacinal em curto e nem mesmo a médio prazo.

Agora, fala-se em imunizar um terço da população até o fim do primeiro semestre e a metade até o final de 2021, ambas hipóteses otimistas, porque demandariam, respectivamente, pouco mais de 200 e 400 milhões de doses e tudo o que temos contratado até agora são 140 milhões (100 milhões da vacina de Oxford e 46 milhões da Coronavac).

Todo o resto é intenção e intenção não vai bastar diante da demanda mundial.

A verdade é que um governo negacionista em relação à pandemia como o que temos não iria – e não vai – dar à aquisição e à produção local de vacinas a prioridade que deveria ter.

E é o mesmo nas declarações presidenciais absurdas de que quem não quiser tomar a vacina está decidindo apenas sobre sua vida. A cadeia de transmissão pode passar por alguém – como ele se diz – com “histórico de atletas” sem maiores problemas e se transmitir para seu pai, sua mãe ou seu amigo com resultados letais.

Esperemos, portanto, que tenhamos todos vacinados apenas em 2022. E, preferencialmente, vacinados também para a estupidez que contaminou o país.

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- - -

Nota desde correspondente. O conto do vigário. Digo o conto do prefeito. Esta propaganda da vacina. Causídicos safados, matreiros, escabreados, foram reeleitos no primeiro turno escondendo os dados da covid, e prometendo vacina para este ano. Tudo conversa de político safado pra boi dormir. O gado de Bolsonaro votou nos candidatos do Dem, do PSDB, do MDB 7 outros partidos menores da direita volver. Que o povo continua sem teto. Sem terra. Sem emprego. Sem nada. Não tem acesso a água encanada. Não tem acesso ao teste de coronavírus. Não tem acesso a um leito hospitalar. Tem direito, sim, à cova rasa. Direito de todo Vida Severina. 

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13
Nov20

Os candidatos do Dem a prefeito

Talis Andrade

No Sul e Sudeste, Bolsonaro vence em Florianópolis com Gean Loureiro (Dem), em Curitiba com Rafael Greca (Dem), e no Rio de Janeiro com Eduardo Paes (Dem). Essa gente do Centrão deu o golpe na Dilma, aprovou a reforma trabalhista de Temer, a privataria e desnacionalização das empresas. O entreguismo que emprobece o país, o sucateamento do SUS, a morte pela fome, a peste, a guerra das milícias, o genocídio dos jovens negros e dos povos indígenas. É desmatamento. E fogo na Amazônia, no Pantanal. É óleo nas praias. E lama tóxica das mineradoras nos rios. É o nojo, o vômito de Greca, o abandono nas periferias. E desemprego no campo e nas cidades. É o país dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada.

AmapáImage

por Leando Fortes /Jornalistas pela Democracia

José Samuel Alcolumbre Tobelem, 47 anos, mais conhecido como Josiel, está à frente nas pesquisas para a prefeitura de Macapá. Ele é do famigerado DEM e surfa na popularidade do irmão, Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal.

Então, se a maioria do povo da capital do Amapá, um estado arruinado pelo apagão provocado pela privatização da companhia de energia elétrica estadual, votar em um sujeito desse, melhor não contar, nunca mais, com a solidariedade do resto do País.

Porque não faz sentido, depois de mais de 10 dias de caos, não entender que o DEM é a linha de frente da destruição dos direitos dos trabalhadores e da política de privatizações que nada tem a ver com interesse público. É um movimento para vender o patrimônio nacional a preço de banana – e o povo que se dane.

Não sejam idiotas, amapaenses. É hora de dar o troco nessa gente.

 
27
Jul20

ESCÂNDALO: Banco do Brasil é assaltado em operação com BTG Pactual

Talis Andrade

 

governo-bipolar paulo guedes assalto ao BB.jpg

 

Banco criado por Paulo Guedes comprou por R$ 370 milhões carteira de crédito do Banco do Brasil que vale R$ 3 bi...

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, entregou seu pedido de renúncia ao cargo alegando cansaço  —  sabe lá de quê —  e disse a amigos que queria estar mais próximos dos netos. Antes da demissão, há duas semanas, Novaes aproveitou seu poder para “passar a boiada”, enquanto a imprensa se preocupava com a Covid-19.

 

Por Dacio Malta /Jornalistas Livres 

= = =

Ele vendeu, por míseros R$ 370 milhões, uma carteira de crédito do Banco do Brasil no valor de R$ 3 bilhões ao BTG Pactual  —  banco criado por Paulo Guedes.

Sabem qual foi a última vez que o Banco do Brasil fez operação parecida?

Nunca.

Tudo foi feito sem licitação, sem concorrência, sem absolutamente nada.

Por que só R$ 370 milhões também é um mistério.

Para João Fukunaga, diretor executivo do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), “a venda da carteira de crédito para o BTG Pactual, dita de vanguarda, é bastante suspeita ao beneficiar, pela primeira vez, um banco fora do conglomerado e que justamente foi criado pelo ministro bolsonarista. Como saber se o BB não está sendo usado para interesses escusos do Paulo Guedes?”.

Como quem entende de economia é o Posto Ipiranga, ele faz o que bem entende, já que o capitão não entende nada de nada.

E, mais pra frente, quem sabe se torne também beneficiário dessa transação. Ou assalto, se preferirem.

Há quem acredite que a mamata acabou.

 

 

13
Abr20

Quem está indo embora não é o vírus, é Bolsonaro

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Jair Bolsonaro, o bufão da morte, diz numa live com pastores evangélicos que o coronavírus “está indo embora”.

Só se foi porque ele mandou, porque vírus está solto no meio de nós e os dados – é preciso dizer com a palavra certa – IRREAIS divulgados pelo Ministério da Saúde ajudam a sustentar esta mentira.

Hoje e ontem se apontou aqui onde estão, nas estatísticas, o expurgo de casos que “não existem” apenas porque não são testados e, na falta deles, porque não se adota o diagnóstico clínico para a identificação de casos do Covid-19.

A doutora Natália Pasternak, da USP, esta noite, na Globonews, chegou a falar de uma “subnotificação” de 90% dos casos de novo coronavírus, que pela falta de testes, uma vez que estes, mesmo em falta, foram eleitos o método de quantificação, não aparecem nos dados oficiais.

Significa que, segundo sua avaliação, os casos podem ser nove vezes mais que o anunciado. Idem em relação às mortes, porque há uma fila de milhares de exames de pessoas que morreram estocada em uma suposta categoria “outros”, porque não se consegue processar os exames laboratoriais.

Um grande hospital federal do Rio de Janeiro, informação que recebi de quem lá trabalha, tem uma “cota” de quatro kits de exame por dia. O que passa disso simplesmente não é testado.

Os integrantes técnicos do Ministério da Saúde sabem disso.

Por uma questão política estão aceitando que números artificiais estejam sendo passados à opinião pública e que sustentem fraudes como a de um presidente da República ir dizer que o vírus “está passando” justo no momento em que ele está se expandindo massivamente.

Bolsonaro está dramaticamente isolado com um bando de fanáticos. Perdeu o apoio bovino da classe média e virou líder de uma seita.

Ele é um caso perdido, mas não quem enche a boca para falar de ciência e se acumplicia com o discurso fundamentalista de um psicopata.

Vai embora e queria Deus que o vírus seja mais fugaz que ele.

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