Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Set18

Vender Embraer para a Boeing fere soberania nacional

Talis Andrade

A empresa brasileira Embraer e a estadunidense Boeing estão tentando fechar um acordo de compra desde o final de 2017. O governo entreguista de Michel Temer disse que autorizaria a venda somente após as eleições, para não contaminar a disputa eleitoral

embraer por_jb.jpg

 

 

Sputnik - A Boeing está disposta a pagar US$ 3,8 bilhões por 80% de uma joint-venture com a Embraer criada para operar no segmento de aviação comercial. A área de Defesa da Embraer continuaria como exclusividade da companhia nacional.


A medida, contudo, pode sufocar o setor, já que os recursos da aviação comercial respondem pela maior parte do faturamento da ex-estatal brasileira. Em 2016, a divisão de aviação comercial e executiva representou 85% do lucro líquido de R$ 21,43 bilhões da Embraer.

 

Para Hebert Claros, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e funcionário da empresa, a venda da Embraer representa um "ataque à soberania nacional".

 

 

Nós não estamos tratando de qualquer empresa, a Embraer não fabrica qualquer tipo de produto. Ela fabrica aviões, é um produto de alto valor agregado, de alto valor tecnológico e estratégico para um país, nenhum outro país da América Latina faz aviões como a Embraer. Nós achamos que deixar uma empresa desse tamanho na mão dos americanos é perigoso para a soberania do próprio país

 

 

Outro ponto levantado pelo diretor do sindicato é que a Embraer ficaria totalmente refém dos rumos da política externa dos Estados Unidos.

 

"A Boeing tem total controle sobre o conselho administrativo. A Embraer só teria poder de voz, nem poder de voto ela teria. Nossa preocupação é que se amanhã, em uma possível guerra comercial, a Boeing achar que não vale mais a pena investir no Brasil, ela simplesmente pode escolher fechar a fábrica", explicou.

 

O Ministério Público do Trabalho (MPT) promoveu uma audiência pública na semana passada em São José dos Campos, para discutir a possibilidade de demissões com a fusão da Embraer e da Boeing. Segundo estimativa do MPT, o negócio pode levar ao fechamento de cerca de 26 mil vagas diretas e indiretas ligadas à planta da empresa brasileira.


As demissões resultariam da transferência da produção de aeronaves para outros países. Hebert Claros estima que para cada emprego da Embraer são gerados de 7 a 9 empregos indiretos.

 

"Fica mais claro o que o sindicato tem alertado, de que não é uma joint venture, é uma entrega da Embraer. O sindicato vai encaminhar como proposta para os trabalhadores a mobilização direta para defender os empregos", completou.

 

 

14
Ago18

As ilegalidades de Moro e o apoio da tal opinião pública

Talis Andrade

meirelles alckmin temer moro.jpg

 

por Carlos Henrique Machado

---

Moro não se cansa de dizer que o peso da opinião pública nas suas decisões é o que, em outras palavras, norteia sua perseguição a Lula levando sua intransigência ao ponto agudo.


O que ele não diz, em sua declaração cambota, é que essa suposta opinião pública fabricada diuturnamente pela Globo e congêneres é tão reduzida quanto as intenções de voto que hoje Alckmin ostenta. Isso no barato.

 

Na verdade a Lava Jato alimenta a mídia de factoides e os factoides da mídia viram carvão para a queima das bruxas do PT em praça pública.

 

O seu engenho, porém, não se reduz a isso, digo, não está reduzido ao universo das leis, mesmo que feito sobre o tal “clamor popular”.

 

Não! Moro foi muito além como juiz de si mesmo usando o apoio de brancos falsários da Av. Paulista.

 

Cometeu crime contra a segurança nacional, e crime grave que, por pura partidarização e espírito de corpo, Cármen Lúcia engaveta no CNJ pra que Moro não seja julgado e condenado por ter repassado pra Globo, sabe-se lá a que preço, a gravação clandestina da presidência da república quando Dilma ligou para Lula, em 2016, depois da absurda condução coercitiva de Lula.


Então, a lei pra Moro está reduzida a sua veneta e, conforme agrade sua torcida tucana, ele pode restaurar o nosso estilo colonial com escravos à venda em praça pública ou mantendo Lula numa espécie de senzala.

 

A verdade é que Moro faz negócios com a lei, negócios espúrios com a grande mídia colaboradora oficial da direita nativa.

 

Depois, enfia o pé num botinão sujo de merda que faz, atocha uma cartola velha até o pescoço, se enfia numa casaca empoeirada e vai para os eventos corporativos tucanos receber comendas, honrarias e flaches da mídia em seu atravessado conceito de opinião pública.

 

Ele só se esquece de comentar, em suas paspalhices motivacionais em palestras aqui e no estrangeiro, um pequeno grande detalhe: Lula é, para a opinião pública de fato, o melhor presidente da história do Brasil e segue com ele nessa eleição, colocando-o disparado em 1º lugar nas pesquisas, ostentando o dobro de votos que o 2º lugar, com todas as chances de vencer o pleito no 1º turno.


Obs: Moro quer saber se de fato é popular? Imite Temer e vá aos centros das cidades cheios de pobres ao seu redor e, depois, ele diz o que aconteceu.

 

moro ídolo jota camelo.jpg

 

20
Jun18

Hoje no mundo não temos mais aquele modelo de 60 e 70, toma de uma vez, golpe militar

Talis Andrade

As pessoas acreditam que direito humano é coisa de bandido, não entendem que isso é uma efetivação de direitos para toda a população

 

 

corrupção ditadura.jpg

 

 

Samira Bueno entrevista Reginaldo Nasser

 

Samira Bueno: Por que o Rio de Janeiro e não Rio Grande do Norte? Por que não Alagoas? Sergipe? Que são estados com taxas de homicídio muito superiores. A intervenção, ela não só não vem surtindo efeitos, como você cria uma crise republicana e federativa, porque você tem vários estados com indicador de criminalidade superiores ao do Rio de Janeiro, então como é que você justifica, não só a intervenção pelo ponto de vista da mobilização dos quadros do exército, mas também o recurso que está indo pra lá.

Reginaldo Nasser: Recentemente, com a questão da intervenção no Rio, o general Augusto Heleno, que um dos que mais tem falado nisso, foi um dos primeiros comandantes de tropas na “missão de Paz no Haiti, e ele tem dado muita entrevista agora, ele está na Reserva, mas é uma pessoa de referência, e ele diz isto claramente; “Nós vamos fazer no Rio de Janeiro o que nós fizemos no Haiti”. O general tem aparecido na televisão, na Globo, como especialista em segurança pública, que é uma coisa muito interessante, porque se você voltar um pouco, é tradicional, os militares não admitem que são de segurança pública, no primeiro momento, no sentido clássico: a função do militares é defender o país, o combate externo e eventualmente nós entramos nas questões internas. Hoje eles estão admitindo explicitamente isso.

 

Bueno: Eu não gosto dessa expressão “guerra”, porque eu acho que quando a gente fala que o Brasil está em guerra, é uma justificativa para a gente usar o exército, e é um pouco o que está acontecendo no Rio de Janeiro, uma justificativa de que o Rio de Janeiro está em guerra e por isso uma necessidade de usar a intervenção das Forças Armadas, então não deixa de ser, a gente não deixa de conviver com indicadores de guerra, mas isso tem maios a ver com a incompetência do poder público no desenvolvimento de políticas de segurança, do que efetivamente, um quadro de descontrole ou de uma guerra entre etnias.

Nasser – Ele trocou o comando de segurança pública que está alocado no governo, podemos discordar, mas eleito democraticamente etc. e colocou sobre o comando militar, isso é inédito nesse período pós ditatura civil militar, então a mudança é essa. Eu diria que ao acontecer isso eles estão querendo ir mais além. Eu me lembro que uma vez eu fui perguntar a um dos generais e eu vi minha ingenuidade e inocência apesar de estudar política. Eu perguntei: Quando essas tropas vão para esse campos e tudo mais, eles são regidos pelo que? Direito nacional humanitário, direitos humanos? Ele falou: nenhum dos dois, regra de engajamento.

O que é essa regra de engajamento? Cada tropa de uma regra que é dada pelo comandante, e ele da a liberdade para aquele que está em ação resolver o que ele deve fazer. Então, esse cara ali no terreno, ele tem o poder de decidir, se aquele que está ali tem intenção hostil, não tem intenção hostil.

Ao lado disso, o que aconteceu? Os militares passam a ser julgados nesses atos pela Justiça Militar. Veio coroar esse processo de intervenção. Eles estão atuando dentro do país, dentro das comunidades como se fosse um teatro de guerra. Isso é guerra. Então são militares atuando como polícia, fazendo operações policiais, mas ao mesmo tempo trazem esse ethos da guerra.

 

Bueno: Eu não consigo ver uma forma do Brasil sair dessa crise que não seja o investimento em política pública. E colocar as Forças Armadas para fazer isso é exatamente o que nós não deveríamos fazer. Estamos adotando o modelo mexicano e temos todos os exemplos de que a “mexicanização” da segurança pública não só não vai funcionar no Brasil como não funcionou no México. Então a minha única preocupação de trabalhar com essa concepção de guerra é que a gente reforça o modelo belicista, militarizado, que a gente vem fazendo até agora e não funcionou.

A gente tem que enfrentar isso de maneira séria e entender que isso é uma responsabilidade do poder público nas suas três esferas. Segurança pública não é só um problema de polícia. Se fosse, já teríamos resolvido.

Nocaute: Você acha que isso abre um precedente para uma intervenção maior?

Nasser: Abre o precedente, não tenha dúvida nenhuma. Porque pôs um pé ali dentro do governo, governo do estado eleito, e numa área fundamental que é segurança. Não é de se estranhar que numa sequência de eventos eles venham interpretar também que o governador está inabilitado para isso. São princípios de estado de direito, democráticos, que vêm sendo corroídos progressivamente e gradativamente. Hoje no mundo não temos mais aquele modelo de 60 e 70, toma de uma vez, golpe militar. Você tem a corrosão sistemática, progressiva de várias coisas que atingem as pessoas no seu cotidiano. É uma outra forma. Mas não tenho dúvida nenhuma de que é um precedente muito perigoso.

 

Bueno: A redemocratização do Brasil não mudou nada na arquitetura institucional da segurança pública. A gente vem de um período de ditadura militar e manteve as mesmas pessoas, nas mesmas posições, dizendo para elas que tinham que fazer política de segurança. Um pouco do que a gente vive hoje é reflexo das escolhas que fizemos ou não fizemos nos anos 80, dos fantasmas que a gente não enfrentou. E o pior: estamos flertando com o autorismo num momento em que Jair Bolsonaro aparece como um dos principais candidatos à Presidência.

A esquerda historicamente no Brasil não se preocupou com políticas de segurança pública porque apostava que com a redução da desigualdade a gente ia resolver os dilemas cruciais da violência e vários outros. E isso não se converteu. Ao passo que a direita o tempo todo nesses últimos 30 anos ficou discutindo política de segurança pública e conseguiu impor um modelo hegemônico.

O que a gente vem reproduzindo é um modelo que a direita idealizou. Mas a esquerda nunca teve nada para colocar como contraponto. Então veio com um projeto de direitos humanos muito forte, mas esqueceu que tinha que ter política de segurança junto. Se essas duas coisas não andam de forma conjunto, acontece o que aconteceu no Brasil: uma desmoralização completa dos direitos humanos. As pessoas acreditam que direito humano é coisa de bandido, não entendem que isso é uma efetivação de direitos para toda a população e no fundo até hoje a esquerda não tem um plano real e concreto para a redução da violência. Acho que essa é a maldição da esquerda hoje no Brasil.

 

ditadura_militar19.jpg

Veja vídeo: Após cem dias, intervenção militar no Rio é uma unanimidade: foi um fracasso

 

 

18
Mai18

Quem vai investigar a presença de espiões estrangeiros na Lava Jato, na derrubada de Dilma e no golpe de Temer?

Talis Andrade

CIA Temer magic_hands_in_brazil__simon_nsaka__stil

 

 Espiões estrangeiram participaram do golpe de Temer o entreguista

 

 

Senadores, em nome da soberania nacional, pretendem investigar até aonde vão as relações do juiz Sergio Moro com os serviços secretos dos Estados Unidos, desde a espionagem política à de informações estratégicas militares e científicas.

 

A Lava a Jato anunciou a colaboração do FBI, e muitos acreditam que espiões dos Estados Unidos estiveram envolvidos no grampo da presidente Dilma Roussef e na trama do golpe do entreguista Michel Temer. 

 

 Moro divulgou grampos ilegais de autoridades

com prerrogativas de foro

 

moro -maos-de- grampo.jpg

 A presença do FBI e o Morogate 

 

Por Pedro Canário e Marcos de Vasconcellos

---

Ao tornar públicas as gravações de telefonemas entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o juiz federal Sergio Fernando Moro divulgou material ilegal. De acordo com professores de Direito e advogados ouvidos pela ConJur, os grampos não poderiam ter perdido o sigilo, por dois motivos igualmente graves.

 

Primeiro, porque se um dos participantes da conversa tem prerrogativa de foro por função, caberia à primeira instância mandar as provas para a corte indicada. No caso, a presidente Dilma só pode ser processada e julgada (em casos de crimes comuns) pelo Supremo Tribunal Federal, conforme manda o artigo 102, inciso I, alínea “b”, da Constituição Federal.

 

Ou seja, a única decisão que Moro poderia tomar a respeito da gravação seria enviá-la ao Supremo, para que lá fosse decidido o que fazer com essas provas: abrir inquérito, abrir ação penal, arquivar, devolver etc. De acordo com a explicação do professor de Processo Penal da USP Gustavo Badaró, agora que Moro abriu o sigilo sem questionar o Supremo, se houver qualquer indício de crime cometido pela presidente nas conversas, as gravações não poderão ser usadas.

 

Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional da PUC de São Paulo, é mais direto. Para ele, não há interpretação da Constituição que permita a um juiz de primeiro grau tornar público material sem qualquer decisão do STF.

 

O advogado Cezar Roberto Bitencourt, professor de Direito Penal da PUC do Rio Grande do Sul, também afirma a ilegalidade da divulgação dos grampos. "No momento em que o telefone interceptado conecta-se com autoridade que  tem foro privilegiado, o juiz não pode dar-lhe publicidade", afirma.

 

O outro motivo é que, ao que tudo indica, as gravações das conversas foram ilegais, e Moro as divulgou sabendo disso. 

 

Sigilo obrigatório


O criminalista Alberto Zacharias Toron concorda. Ele lembra que o artigo 8º da Lei 9.296/1996, a Lei das Interceptações, é clara em dizer que os grampos telefônicos e suas respectivas transcrições são sigilosas. Já o artigo 10 diz que “constitui crime”, com pena de dois a quatro anos de prisão, quebrar segredo da Justiça, conforme lembra o advogado Marcelo Leal de Lima Oliveira, do Eduardo Antônio Lucho Ferrão Advogados Associados.

 

“Ainda que o juiz queira abrir o sigilo do inquérito, jamais poderia tê-lo feito em relação às interceptações. Essa divulgação me parece marcada por flagrante ilegalidade”, afirma o Toron. “É muito espúrio que um juiz divulgue isso para causar comoção popular. É mais uma prova de que o juiz busca aceitação popular, de que ele busca sua legitimação no movimento popular. Sua aceitação não vem da aplicação da lei, vem da mobilização do povo, o que é muito característico do fascismo, não do Estado Democrático de Direito.”

 

Morogate


O professor de Processo Penal Lenio Streck acredita que se pode chamar o caso de “Morogate”. É uma referência ao caso das escutas ambientais instaladas numa reunião do Partido Democrata, nos Estados Unidos, a mando do então presidente, Richar Nixon. O episódio ficou conhecido como Watergate, em homenagem ao prédio em que as escutas foram instaladas, e resultou na renúncia de Nixon.

 

“Imaginemos que, para pegar um presidente, sejam feitos vários grampos envolvendo pessoas que o cercam, como a secretária executiva. A vingar a tese de Moro de que não há mais sigilo [em conversas envolvendo autoridades, desde que elas não tenham sido diretamente grampeadas], todos os segredos da República poderiam ser divulgados. Uma cadeia de contatos que exporiam todo tipo de assunto que o Presidente da República falasse com pessoas sem foro”, analisa Lenio. “Quem examinar esse fato à luz da democracia, dirá: Moro foi longe demais.”

 

Já Daniel Gerber, também do escritório Lucho Ferrão Advogados, afirma que, no caso da presidente, o levantamento do sigilo é ainda pior, pois suas conversas podem envolver assuntos estratégicos para o país.  “Isto jamais poderia ser desvelado por um juiz, principalmente, sendo um de primeira instância” finaliza.

 

Este Correspondente indaga que conversas e reuniões da presidente Dilma Roussef foram gravadas e/ou filmadas? Que policiais/ espiões gravaram? De que serviços? Nacionais ou estrangeiros? 

 

Sergio Moro politizou e partidarizou suas ações como juiz, originando as suspeitas de que seja um agente estrangeiro, o que tranforma o grampo da presidente Dilma em uma tema controverso, explosivo. Em um país sério, o Senado Federal deveria ter investigado, realizando sessões secretas.  

 

As acusações de que Moro foi treinado e doutrinado em um país estrangeiro, que pagou cursos e viagens, persistem. 

 

Moro-Golpista-CIA vitor teixeira.jpg

 Finalmente, o Senado vai ouvir Sergio Moro

que deve muitas explicações

 

Senadores da Oposição apresentaram, nesta quinta-feira (17), três requerimentos cobrando explicações da relação da Justiça brasileira com os Estados Unidos. Os documentos pedem a convocação do ministro da Justiça, Torquato Jardim, e convida o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, para uma audiência pública.

 

“A participação do governo norte-americano hoje é conhecida – eu tenho convicção disso –, em especial pelo interesse no pré-sal e pela mobilização dessas empresas do petróleo contra o regime de partilha”, disse o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias.

 

A Bancada quer que as autoridades expliquem a cooperação bilateral entre Brasil e EUA em relação à matéria penal, previsto no decreto nº 3.810/2010. Apesar de o texto prever que a Autoridade Central brasileira (Ministério da Justiça) é encarregada da coordenação de todas as solicitações de cooperação previstas no acordo, há suspeitas de violação do acordo.

 

Em 2017, o então procurador norte-americano Kenneth Blanco, afirmou que o “relacionamento íntimo” entre a Justiça brasileira e a dos EUA não dependia apenas de “procedimentos oficiais”.

 

“Tal cooperação informal, feita com base em ‘relacionamento íntimo’, se dá à revelia do texto do acordo, pois ele prevê que tudo teria de ser aprovado e conduzido pelo Ministério da Justiça. Mas não há qualquer registro oficial mostrando que o MJ tenha sequer tomado conhecimento dessas atividades informais”, alegam os senadores.

 

Outro questionamento é quanto à divisão entre os países dos valores pagos em acordos de leniência. De acordo com os parlamentares, a Constituição Federal garante ao Senado autorizar operações externas de natureza financeira de interesse nacional, o que não estaria ocorrendo nesses acordos.

 

Os requerimentos convidando Moro para uma audiência pública e convocando Torquato para dar explicações foram apresentados na Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado.

 

FBI no Brasil

 

Um terceiro requerimento também foi apresentado, mas à Mesa Diretora do Senado. O documento cobra esclarecimentos do ministro Torquato sobre a participação do FBI, dos Estados Unidos, na operação Lava Jato.

 

Entre os questionamentos, os senadores pedem informações sobre o compartilhamento de provas entre os dois países e se houve reuniões sigilosas entre agentes brasileiros e norte-americanos.

 

A justificativa é o “reforço” de agentes que o FBI enviou ao Brasil em 2014, antes da Lava Jato ter se tornado conhecida do grande público. A Bancada quer saber se houve compartilhamento de provas de forma ilegal.

 

Assinam os requerimentos a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), e os senadores José Pimentel (PT-CE), Humberto Costa (PT-PE) e Roberto Requião (PMDB-PR). Um dos autores das proposições, Lindbergh Farias também assinará os documentos.

 

 

Imprensa vendida considera normal e faz propaganda da presença do FBI

espionagem pf cia .jpg

 

Por Felipe Luchete

---

Uma das notícias mais relevantes (da primeira semana de fevereiro), revelada pela ConJur, mostra que o FBI tem reforçado a presença de profissionais em solo brasileiro. O governo americano entende ter uma espécie de jurisdição mundial para investigar casos de corrupção com base na FCPA — lei de combate a esse tipo de crime no exterior.

 

Especialistas do FBI e do Departamento de Justiça dos EUA tratam com certa naturalidade a troca de provas entre países sem a necessidade de passar pelas regras de compartilhamento. Segundo George “Ren” McEachern, que liderava até dezembro a equipe de combate à corrupção internacional do FBI, o contato é feito “o tempo inteiro entre investigadores”. Transcrevi trechos

 

FBI ampliou presença no Brasil 

Martirena drone espionagem.jpg

 Lula na prisão já denunciou que vem sendo espionado por drones 

Por Marcos de Vasconcellos

---

O FBI se orgulha da cooperação internacional para combate à corrupção no Brasil, que aponta como exemplo para o mundo inteiro. O órgão do governo americano reforçou o time que investiga possíveis casos de corrupção em solo brasileiro em 2014, antes de a operação "lava jato" se tornar conhecida do grande público.

 

A cooperação internacional levou, por exemplo, a “lava jato” — investigação que levou diversos empresários para a prisão e é tida como fator decisivo para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff — a cerca de 50 países.

 

Após uma reunião do grupo anticorrupção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), representantes do Brasil falaram sobre esforços que estava sendo feito para combater a corrupção no país. Os Estados Unidos resolveram ampliar a equipe no Brasil especializada em Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) — lei de combate à corrupção no exterior.

 

A “Convenção sobre o Combate à Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais” da OCDE, da qual o Brasil é signatário, prevê um mecanismo aberto de monitoramento ponto-a-ponto, ou seja, pelos órgãos de investigação dos países membros. Em reuniões semestrais, representantes desses países trocam informações e impressões. Foi numa dessas que os brasileiros apontaram a ponta do iceberg que vislumbravam e pediram suporte.

 

Reunidos em evento em São Paulo, funcionários e ex-funcionários do FBI e do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) — equivalente ao Ministério Público — e advogados discutiram investigações internacionais e práticas de compliance. O evento foi organizado pelo escritório internacional CKR Law, que está se estabelecendo no Brasil, pelo Comitê Brasileiro da Câmara de Comércio Internacional e pelo Demarest Advogados.

 

George “Ren” McEachern, que, até dezembro, liderava a equipe de combate à corrupção internacional do FBI, é claro em sua explicação: “A troca de informações e dados é feita o tempo inteiro entre investigadores. Só quando essas informações precisam ser usadas em um processo é preciso validá-las, com um ‘MLAT’. O “MLAT”, no caso, é o tratado entre países para troca de informações e provas na área criminal.

 

A melhor prática, diz, é a troca de inteligência entre os países, para saber exatamente o que é possível em um MLAT. Desde dezembro, McEachern passou a atuar na consultoria internacional Exiger, especializada em compliance, governança e risco.

 

“O compartilhamento informal [de informações] é essencial para adaptar investigações rapidamente”, diz Robert Appleton, ex-DOJ e atual advogado da CKR Law, especialista em crimes do colarinho branco. No caso de provas a serem usadas judicialmente, “o pedido de MLAT passa por um processo formal, cuidadosamente escrutinado, que depende de revisões muito profundas de ambos os governos envolvidos.”

 

Os pedidos oficiais de compartilhamento de provas têm outra utilidade, segundo os especialistas: serve para chamar a atenção do outro governo de que um crime envolvendo seu país está sendo investigado. Assim, quem recebe um pedido de cooperação na área criminal passa, quase que automaticamente, a investigar também aquele caso, tendo o pedido servido como catalisador.

 

E essas conexões entre investigadores de vários países não são difíceis de se fazer, explicam especialistas ouvidos pela ConJur. Como são poucas pessoas que especializadas em investigar a corrupção nos governos, bastam algumas ligações.

 

Na visão do governo americano, ele passou a ter uma espécie de jurisdição mundial para investigar casos de corrupção com base FCPA — lei de combate à corrupção no exterior. Trocando em miúdos, segundo a norma, qualquer um que tenha operado dólares ou com empresas americanas, passa a responder também nos EUA se estiver envolvido em casos de corrupção. “A princípio, eram problemas comerciais, empresas tiram outras do mercado usando corrupção. Mas passou a ser uma questão muito mais importante quando identificamos uma relação profunda do dinheiro da corrupção com o financiamento do terrorismo, por exemplo”, explica Appleton, que foi mediador do debate.

 

Prisões e delações

 

Outro ponto polêmico da operação “lava jato”, a quantidade de prisões e delações também é elogiada pelos americanos. Colocar pessoas atrás das grandes durante a investigação, dizem, aumentou o número de pessoas dispostas a fazer delações premiadas. Transcrevi trechos

 

P.S.: Este Correspondente mostra as semelhanças dos textos de propaganda da espionagem estrangeira. Ainda como parte da propaganda, afirmar que essa presença do FBI começou no ano de 2014, e foi decidida na França. 

 

BRA_OG cia brasília.jpg

 

10
Out17

O beijo de Judas, a entrega da base espacial de Alcântara no Maranhão

Talis Andrade

 

Vista-Base-Alcantara 1.jpg

basealcantara. 2.jpg

Alcântara 3.jpg

alcantara 4.jpeg

entrada-da-base-espacial.jpg

 Brasil investiu invisíveis bilhões em Alcântara, base secreta para os brasileiros e aberta para os piratas que não mais precisam espionar

 

 

 

 

 

por Fernando Rosa

 

 

Nos próximos dias, Temer deverá entregar as chaves da base espacial de Alcântara, no Maranhão, para os patrocinadores do golpe de Estado no país. O acordo envolvendo a base, dizem, já está acertado com os Estados Unidos, nas condições deles, consolidando um vergonhoso gesto de traição aos interesses nacionais. Nos anos noventa, com Fernando Henrique Cardoso, um acordo barrado no Congresso Nacional chegava ao extremo de impedir o acesso de brasileiros às dependências da base.

Em novembro, depois de privatizar o “espaço sideral” nacional, e comprometendo ainda mais a Defesa Nacional, o governo patrocinará exercícios militares com participação dos EUA na Amazônia. Com explícito interesse nesse tema, depois de quase um ano sem dar bola para os golpistas, Trump recebeu Temer e os presidentes da Colômbia e do Peru, em jantar na Casa Branca. Não por acaso, os dois países vizinhos participam das manobras conjuntas na região amazônica.

Sob o disfarce de “exercícios humanitários”, os EUA avançam no plano de implantação de bases militares na Amazônia, assim como já fez no Peru. Mais do que mirar na Venezuela e suas reservas de petróleo, a ação aposta em ocupar militarmente o Brasil e a América do Sul, comprometendo a soberania dos países sobre a região. À medida, soma-se ao corte de verbas orçamentárias que reduziu à metade o efetivo do Exército Nacional nas fronteiras do país.

Em artigo recente, o ex-chanceler Celso Amorim questionou o objetivo das manobras militares e o que elas implicarão na prática. “A presença de forças extrarregionais, entendidas como não sul-americanas, em exercícios militares sempre foi vista com bem fundamentada cautela, se não mesmo desconfiança, por nossas Forças Armadas”, disse ele. Amorim lembra ainda que “o Brasil, em diversos governos, sempre foi muito prudente nesse particular”.

A cautela, no entanto, parece ter sido abandonada pelo general Sérgio Etchegoyen, rendido à ultrapassada tese do falido mundo unipolar sob comando dos EUA. Nos anos setenta, defendendo a abertura de relações com a China, o então presidente General Ernesto Geisel já questionava a ideia da submissão unilateral aos norte-americanos. Em resposta aos militares da linha-dura, Geisel respondeu perguntando se pretendiam tornar o Brasil uma colônia dos Estados Unidos.

Ao contrário das pretensões golpistas, o Brasil precisa afirmar-se com soberania para cumprir com sua vocação de grande potência, como definiu o general Villas Bôas. Isso não se faz comprometendo o território nacional, as nossas fronteiras ou entregando o patrimônio público, como defendeu Pedro Parente sugerindo que a privatização da Petrobras seria um “beijo no mercado”. Independente das vontades e dos interesses particulares de plantão, os brasileiros se levantarão em defesa da soberania, do Estado Nacional e do futuro do país.