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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Set21

Transparência nas concessões públicas

Talis Andrade

Charges | Cantinho Literário SOS Rios do Brasil | Página 2

 

Brasil vive um momento de regressão democrática e, ao mesmo tempo, de culto à autoridade em detrimento dos direitos e garantias individuais

 

 

Por Rafael Valim / O Estado de S. Paulo.

 
 

A história do Direito Público sempre experimentou avanços e retrocessos em matéria de proteção de direitos. A dialética entre autoridade e liberdade marca a gênese e o desenvolvimento desse ramo do Direito, ora com o predomínio de uma visão obsequiosa ao poder, ora com a prevalência de uma visão defensiva dos indivíduos.

08
Ago21

Bolsonaro de férias e lérias

Talis Andrade

Vídeo: Conheça a mansão de R$ 6 milhões adquirida por Flávio Bolsonaro em  Brasília

Doria diz que mansão de Flávio custou R$ 8 milhões a mais

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou o cancelamento da reunião que haveria dos chefes dos poderes.

"O pressuposto do diálogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes", disse o ministro Luiz Fux que, de maneira inteligente, chamou Jair Bolsonaro de mentiroso:

Diálogo eficiente pressupõe compromisso permanente com as próprias palavras, o que, infelizmente, não temos visto no cenário atual

Bolsonaro não quer saber de trabalho. Vai passar voando esses quatro anos na presidência.

 

"O titular do Palácio do Planalto permanece mais horas dentro do avião presidencial do que cumprindo compromissos oficiais pelo Brasil".

Hoje, Bolsonaro não viajou. Chamou apoiadores para um passeio de moto por Brasília neste domingo (8/8), Dia dos Pais. 

O símbolo da campanha presidencial de Bolsonaro, em 2018, foi fazer arminha com os dedos. 

E usou como slogan um versículo da Bíblia Sagrada:POSTER PRINT-E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ - Artes  Prado Neto

14
Jun21

Sigilo para quem precisa

Talis Andrade

Charge: O sigilo do governo na Reforma da Previdência na mala de Paulo  Guedes – Politica & ETC

por Luiz Fernando Toledo e Renata Bueno

- - -

Exército decidiu manter em sigilo por até cem anos o processo administrativo, já arquivado, contra o general Eduardo Pazuello, por ter participado de ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Militar da ativa, Pazuello é proibido de expressar opinião política. Esse é só um exemplo de como o sigilo de documentos de interesse público, na prática, pode virar regra no Brasil – ao contrário do que determina a Lei de Acesso à Informação, em vigor há nove anos, segundo a qual a transparência é a regra, e o sigilo, a exceção. A LAI protege informações pessoais, informações resguardadas por outras leis (como o sigilo bancário ou fiscal) ou de relevância para a segurança nacional. Um documento pode ser classificado como reservado (5 anos de sigilo), secreto (15 anos) e ultrassecreto (25 anos). Se o documento for considerado como informação pessoal, a lei prevê que seja preservado por até cem anos. As regras que embasam decisões rotineiras sobre sigilo de documentos, no entanto, são confusas, muitas importadas da legislação da ditadura militar, e não parecem seguir nenhuma lógica sobre o que ficará oculto e por quanto tempo. O =igualdades joga luz sobre esse processo tão pouco transparente.

Em novembro de 2012, duas cartas enviadas à Polícia Federal denunciaram a atuação de milicianos no Rio de Janeiro. Para proteger as informações pessoais do denunciante, a PF impôs sigilo de cinco anos aos documentos em 2013, classificando-os como “reservados”. Assim ficaram até 2018, quando, tornados públicos, expuseram até mesmo o endereço do remetente. Em 2021, em outro caso, a suposta presença de informações pessoais levou o governo Bolsonaro a classificar como sigilosas informações sobre o processo administrativo, já arquivado, a respeito do general Eduardo Pazuello em ato político em maio ao lado do presidente. A CGU, órgão que fiscaliza o funcionamento da Lei de Acesso à Informação,  consideraque sindicâncias arquivadas não configuram informação pessoal. O jornalista Francisco Leali, do jornal O Globo, solicitou o documento por meio da LAI e recebeu o dispositivo das informações pessoais como desculpa para negar o acesso. Caso o entendimento do Exército não seja revisado, as informações poderão ficar ocultas por até cem anos – tempo máximo permitido.

Em janeiro deste ano, o governo entendeu que o cartão de vacinação do presidente Bolsonaro é uma informação pessoal e, portanto, ficará sob sigilo por até cem anos. Para se ter uma ideia do peso deste tipo de classificação, o governo dos Estados Unidos levou menos tempo do que isso – 41 anos e 11 meses – para desclassificar documentos que mostraram que as autoridades americanas sabiam da tortura na ditadura brasileira e poderiam ter interferido se quisessem. Leia mais aqui

30
Jul20

Como (n)um palimpsesto, Aras vai tirando as cascas obscuras do MPF

Talis Andrade

 

por Lenio Luiz Streck

- - -

Dezenas de manchetes possíveis. 38 mil pessoas arapongadas, por exemplo. Enfim. Ah: por que palimpsesto? Simples: porque Aras vai tirando camada por camada, casca por casca, (d)as pinturas escondidas...!

Ao trabalho. No dia 28 de julho de 2020 ocorreu um debate histórico. Um grupo de advogados e professores discutiu com o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, acerca dos grandes temas de sua gestão e das providências que estão sendo tomadas para corrigir os rumos da Força Tarefa da "lava jato", alçada, por seus integrantes, à uma entidade supra institucional e supranacional. O Grupo Prerrogativas já havia feito debates desse jaez com o Presidente do STF, da Câmara e com o Ministro Gilmar Mendes.

Chamou a atenção no debate os dados trazidos pelo Dr. Augusto Aras. Dava para ver, nitidamente, a surpresa dos debatedores com algumas revelações que mostraram uma espécie de Dark Side da Instituição.

Primeira advertência: não briguem com o mensageiro. Sou apenas alguém que está contando as coisas. O mensageiro só carrega e entrega a mensagem.

Então. O próprio PGR falou em MP do B que se formou no decorrer do tempo. Bom, ninguém melhor do que o Procurador-Geral para vir a público, de cara limpa, mostrar tudo isso.

Entre tantas revelações, contou Aras que todo o Ministério Público Federal, no seu sistema único, tem 40 terabytes. Curitiba [Força Tarefa da Lava Jato] tem 350 terabytes.

Mais: nesses terabytes estão enterrados dados de 38 mil pessoas. Motivo? Ninguém sabe. É o que Aras chama de antirrepublicanismo.

A operação "lava jato" foi importante, diz Aras. Porém, criticou o consumo de recursos financeiros pela força-tarefa e insistiu sobre a necessidade de corrigir desvios e superar o chamado 'lavajatismo'. O custo de Curitiba sozinho dá mais do que o custo mais de 20 unidades do MPF.

Em alto e bom tom, disse Aras: "Agora é a hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure, mas a correção de rumos não significa redução do empenho no combate à corrupção. Contrariamente a isso, o que nós temos aqui na casa é o pensamento de buscar fortalecer a investigação científica e, acima de tudo, visando respeitar direitos e garantias fundamentais."

O PGR denunciou que existem — pasmem — 50 mil documentos 'escondidos' da Corregedoria, o que levou o MPF a mudar regras de acesso a processos disponíveis no sistema eletrônico interno da instituição.

O PGR também criticou supostos casos de forças-tarefas que escolhem processos por 'juízos de valores ideológicos', rompendo com o instituto do Procurador natural, coisa que sempre foi "sagrada" no seio do PJ e do MP. Lembro-me de tantos congressos em que defendi teses sobre o Promotor Natural. Parêntesis: saudades dos congressos do MP.

Já na fala inicial na webinar, Aras disse dos objetivos da sua gestão:

"Não permitir que haja um aparelhamento desta instituição, que importa em segregação de muitos membros que não concordam com esse modo de fazer política institucional que privilegia poucos, somente aqueles que fazem parte de um determinado grupo, e ignora direitos e garantias fundamentais fora e dentro da casa."

Simples. Duro. No ponto. Aras afirmou ainda que os dados obtidos por membros do MP não podem servir a 'propósitos anti-republicanos' e que 'não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos'.

Mais uma vez, não matem o mensageiro:

"A meta é abrir esta instituição para que jamais se diga que esta instituição possa ter caixas-pretas. A meta é dizer: lista tríplice fraudável nunca mais, porque nós temos relatórios de perícia, um da CGU (Controladoria Geral da União), um do órgão interno e um que ainda não foi entregue pelo Ministério do Exército, que falam que eram fraudáveis. Não posso dizer fraudadas, porque o mecanismo era tão poderoso que não deixava rastros."

Demais questões podem ser colhidas nas reportagens amplas que foram feitas sobre o debate e a própria webinar:

 

 

29
Jul20

Estado policial: Aras revela novos números assombrosos sobre a Lava Jato

Talis Andrade

 

por Reinaldo Azevedo

- - -

Augusto Aras, procurador-geral da República, participou nesta terça de uma webconferência intitulada "Os Desafios da PGR em Tempos de Pandemia". Acima, vai o vídeo com a íntegra do evento, promovido pelo grupo "Prerrogativas", que reúne advogados empenhados no fortalecimento do devido processo legal e do direito de defesa. O doutor botou fogo no parquinho. Depois do que disse, ou providências efetivas são tomadas — e espero que os ministros do Supremo atentem para o conteúdo de sua fala —, ou só a bagunça nos contempla. O país vive sob a ameaça de um estado policial paralelo.

Se há coisa que o capeta gosta de fazer — jogando com os símbolos do Mal e do Bem — é apelar às Santas Escrituras para justificar o inferno, não é mesmo? Cai na conversa quem se deixa seduzir pelo rabudo ou quem já concorda com ele mesmo sabendo quem é... Das duas uma: ou Aras está louco — e não parece que esteja —, ou a Lava Jato se transformou num monstro que tem de ser enjaulado. Já está devorando instituições faz tempo. Levou o país ao buraco legal e institucional, elegeu um presidente povoador de cemitérios, mas os valentes continuam a cavar o abismo. E, pior!, com a conivência de certa imprensa.

Aras se mostra disposto a revelar as características desse Leviatan, tentando colocá-lo sob controle. É, sim, alvo da desconfiança de algumas pessoas sensatas porque evidenciou, em alguns momentos, mais proximidade com o presidente Jair Bolsonaro do que seria prudente. Pesa contra ele o fato de que não saiu de uma listra tríplice votada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Isso, por si, é uma besteira.

A eleição é inconstitucional. O mais deletério de quantos procuradores-gerais tivemos, Rodrigo Janot, foi uma escolha de seus pares. Boa parte das deformações em curso são de sua responsabilidade. Foi sob a sua gestão que se instaurou o império da desordem. Na conversa com os representantes do Prerrogativas, afirmou o procurador-geral:

Em todo o MPF [Ministério Público Federal], no seu sistema único, tem 40 terabytes. Para o funcionamento do seu sistema, a força-tarefa de Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas com seus dados depositados, que ninguém sabe como foram colhidos".

Observem, então, que a Lava Jato tem um arquivo que não integra o MPF, com uma capacidade de armazenagem de dados que corresponde a quase nove vezes à do ente que a gerou. Como? Nada menos de 38 mil pessoas estão com seus "dados" lá depositados? Conseguidos de que modo? Como se pode ser, a um só tempo, defensor do Estado democrático e de direito e justificador de um estado policial?

Afirmou ainda Aras:

Não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos, com caixas de segredos."

E está certo. Acrescenta algo de extrema gravidade:

Não podemos aceitar 50 mil documentos sob opacidade. É um estado em que o PGR não tem acesso aos processos, tampouco os órgãos superiores, e isso é incompatível".

Não! Nós não podemos aceitar que assim seja. Até porque o ente que tem existência prevista na Constituição e que está sujeito ao controle democrático — ainda que deficiente — é o Ministério Público Federal. A Lava Jato era só uma força-tarefa com finalidade específica. Com o tempo, sob o olhar cúmplice de uma PGR ou conivente ou omissa, foi se autonomizando, atuando segundo seus próprios interesses, não os do país.

Já escrevi aqui e reitero: é preciso pôr fim à folia de forças-tarefas, que, com o tempo, passam a lutar para garantir a própria sobrevivência, em vez de servir ao país. O combate à corrupção é uma obrigação, não uma luta de caráter político. Aras não ter origem numa lista tríplice inconstitucional não muda a realidade dos fatos.

CENTRALIZAÇÃO

Aras quer criar a Unac (Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado). O órgão centralizaria os dados de investigação e de eventuais forças-tarefa. Os atuais beneficiários do estado policial paralelo alegam que isso daria poderes excessivos a um organismo, que, então, passaria a ter o controle de todas as investigações em curso. O argumento é terrorismo de quem pretende continuar à margem da lei.

E, sim!, há pessoas boas que também têm essa preocupação. Bem, que se faça, então, o debate correto e que a Unac seja submetida ao controle democrático. O que é inaceitável é assistir à hipertrofia de uma força tarefa que, tudo indica, atua à margem da lei. Ou os juízes que arbitraram demandas para a Lava Jato autorizaram a investigação de 38 mil pessoas e endossaram a "opacidade" de 50 mil documentos?

O que justifica que o armazenamento de uma força tarefa corresponda a nove vezes tudo o que o MPF tem em seus arquivos?

E aí os procuradores que se esgueiraram nas sombras da lei vêm brandir a proximidade de Aras com Bolsonaro para tentar manter intocado o seu monstro engolidor de instituições?

É conversa para engabelar trouxas ou para ser reproduzida por cínicos. Não sou nem trouxa nem cínico. 

29
Jul20

Aras diz que Lava Jato é ‘caixa de segredos’ e critica falta de transparência da operação

Talis Andrade

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O procurador-geral da República, Augusto Aras, não poupou críticas à operação Lava Jato em live do grupo Prerrogativas, retransmitida pela TV 247. Aras disse: “em todo o MPF no seu sistema único tem 40 terabytes". 

Para o funcionamento do seu sistema, a força tarefa de Curitiba tem 350 terabytes e 38 mil pessoas com seus dados depositados, que ninguém sabe como foram escolhidos. Não se pode imaginar que uma unidade institucional se faça com segredos, com caixas de segredos.”

Sobre a “quebra de sigilo” da operação, Aras disse: “não que o PGR seja o dono dos destinos de 38 mil pessoas, mas que todo o MPF possa, de forma fundamentada, justificar para o que quer saber da vida alheia, para que isso não sirva de chantagem, extorsão”.

Aras foi mais longe: “não podemos aceitar 50 mil documentos sob opacidade. É um estado em que o PGR não tem acesso aos processos, tampouco os órgãos superiores, e isso é incompatível.”

 

31
Mai20

Mistérios de Moro

Talis Andrade

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por Marco Aurélio de Carvalho

- - -

 

“Ex” desde que abandonou a carreira com o objetivo de seguir, com mais liberdade, Jair Bolsonaro, o “Messias”.

A minúcia nesse caso é importante, pois estamos diante do desafio de decifrar quem realmente é esse personagem tão cheio de mistérios e segredos.

Para surpresa de muitos, o homem que se fazia exibir como um contraponto aos vícios da política, aceitou o convite para ocupar um ministério na velocidade de um pensamento, deixando para trás tristes e polêmicos 22 longos anos de magistratura.

E o fez para servir a um presidente a quem já esnobara, em um famoso encontro fortuito em uma lanchonete de um determinado aeroporto.

O que mudou? Mistério...

Empossado ministro da Justiça, com a promessa de plenos poderes e com uma vaga negociada e prometida ao Supremo Tribunal Federal, aceitou uma longa e desconcertante fritura, e engoliu calado os desaforos e as indignidades até ser apoucado.

Ao que parece, as maiores preocupações diziam respeito a uma “pensão” cujos contornos ainda devem trazer surpresa, espanto e responsabilidades...

Por quê? Mistério...

 

Surpreendeu mais uma vez ao deixar, recentemente, o cargo que ocupou, sem brilho ou marcas de gestão.

Entrou pequeno no Ministério, e de lá saiu minúsculo.

Depois de tanto tempo de cabeça baixa, decidiu fazer barulho ao revelar, na porta de saída, os bastidores e os segredos de sua desconcertante relação com o “poder”.

Acusou o ex-chefe Bolsonaro de ter interesses escusos e de não ter mostrado real compromisso com o combate à corrupção. Bandeira meramente retórica para uma eleição repleta de mentiras e irregularidades...

Para se defender, Moro mostrou trocas de mensagens telefônicas indiscretas, expondo amigos e “afilhados” ao fogo. Entregou, também, outras evidências comprometedoras aos principais jornais do país. De forma seletiva e estratégica, como bom lavajatista que é.

A essa altura, seria desnecessário e muito cansativo relembrar suas estripulias como juiz, mas é preciso voltar a pelo menos um único e específico aspecto.

Os áudios vazados de suas conversas com a equipe de investigadores da Lavajato parecem confirmar um certo padrão de conduta que se repete, por ironia, novamente agora.

Quando os diálogos foram revelados, descobrimos que muitos de seus celebrados “gols” vestindo o uniforme de juiz federal foram feitos com a mão. “

Tudo combinado com a equipe. Tudo em segredo...

Uma relação promíscua e inescrupulosa, cujos efeitos nefastos se pretende que sejam, em breve, reparados, ao menos em parte.

Eis, como se vê, um homem de muitos segredos e mistérios.

Agora, antes de novas surpresas, é fundamental descobrirmos quem é de fato Sérgio Moro.

Lá atrás, em meio ao encantamento com a imagem de um herói solitário lutando contra a corrupção, as vozes que denunciaram os desmando do ex-juiz foram solenemente ignoradas.

Em meio ao ruído constante dos aplausos, quando surgiram os áudios, Moro estava encastelado em seu Ministério.

Apesar das inúmeras evidências de graves irregularidades em sua conduta, ele pouco se explicou, e ocultou-se atrás da fama de ministro mais bem avaliado do governo.

Defendeu-se atacando, dizendo ter sido ele a grande vítima de um determinado hacker.

No governo, vimos um ministro sem habilidade na política.

Foi engolido pelo Congresso na discussão do projeto Anti-crime, seu grande e único projeto.

Sobre a violência urbana, o tráfico de drogas, e o alardeado combate à corrupção, não se sabe ao certo o que Moro realmente fez.

Nunca foi devidamente cobrado por isso. Nunca deu satisfações.

Curiosamente, o sujeito que se mostrava tão altivo e inalcançável na cadeira de juiz envergou a coluna e baixou a cabeça para um chefe que o humilhou seguidas e reiteradas vezes, que o desautorizou outras tantas e que o manteve constantemente envolvido em intrigas.

Para quê? Se desejava apenas uma vaga no Supremo Tribunal Federal, por quê não esperou?

Moro é de fato um mistério Se pretende vôos mais altos, precisamos saber quem ele é.

Foi-se o herói do combate à corrupção, foi-se o super-ministro e sua altivez já não parece tão convincente.

Mas o fato é que o ex-juiz e ex-ministro angariou um capital político expressivo. Em pleno e acentuado declínio, mas expressivo..

É fundamental, pois, jogar luz em cada um de seus gestos.

À  sua moda, Bolsonaro também fez do segredo um trunfo.

Ao fugir dos debates eleitorais e ao repelir perguntas de jornalistas com chiliques e ataques, escondeu sua incompetência e criou, com o apoio de uma poderosa indústria de fakenews, a figura do “mito”.

O mito que agora se revela como uma das maiores tragédias da política brasileira.

Moro para alguns ainda é uma espécie de “herói”.

Não precisamos disso. O Brasil precisa de políticos de verdade, sem segredos, comprometidos com os brasileiros e não com suas vaidades e projetos pessoais.

O Supremo Tribunal Federal tem um compromisso marcado com o Estado de Direito e com sua vocação contramajoritária. Poderá reestabelecer a confiança no nosso desacreditado Sistema de Justiça.

Na pauta, o julgamento da suspeição de Sérgio Moro na condução dos processos que ardilosa e criminosamente condenaram o Presidente Lula no âmbito da operação lavajato.

Julgamentos que começaram pelo fim, com o único e inconfessável objetivo de retirar das últimas eleições presidenciais o seu franco favorito.

Embora pareça uma discussão lateral, essa pode ser uma das mais importantes manisfestações do STF na história de nossa jovem democracia.

A Lavajato mudou os rumos da política no Brasil.

No seu momento fulgurante, mandou para a cadeia o principal líder político do país, na esteira de um processo fortemente criticado por ter ignorado o Direito em nome de um “justiçamento” seletivo sem amparo ou  justificativas de qualquer espécie ou natureza.

 Agora teremos a chance de conhecer as reais motivações de Moro e de sua equipe.

Não haverá paz no ambiente jurídico sem essa resposta.

dinheiroheroico moro heroi.jpg

 

 

 

 

25
Abr20

É ilegal Moro receber adicional como forma de “pensão”, segundo a Constituição

Talis Andrade

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GGN verificou: a Constituição Federal brasileira proíbe os ministros de Estado de receber qualquer gratificação ou acréscimo de salário

26
Jul19

Moro “está com a faca no pescoço da República”

Talis Andrade

Moro vai “queimar arquivos”. Ele ainda se acha “juiz de tudo”…

cacinho russos hackers russo moro.jpg

 

João Otávio Noronha, ministro do Superior Tribunal de Justiça, confirmou ter recebido um comunicado, por telefone, de Sergio Moro avisando que mandará destruir o conteúdo hackeado de seu telefone encontrado, supostamente, com os “hackers de Araraquara”.

Supõe-se que vá fazer isso depois de periciado o material, pois o sujeito lá, para ser processado por invasão dos telefones, deve ter atestado por perito que o material é mesmo de uma invasão.

Os arquivos são a prova do crime e, uma vez apreendidos, quem tem autoridade sobre eles é o juiz do caso, que não é Sérgio Moro, mas Vallisney Oliveira, da 10a. Vara Criminal Federal.

Não compete a Moro, mas ao juiz decidir e Moro não é mais juiz.

(enquanto escrevo, leio que o ministro Marco Aurélio, do STF, disse este mesmo óbvio).

Moro deveria se manter distante dos arquivos, cujo sigilo judicial nem para ele tem exceção.

Do contrário, como observa o jornalista Ricardo Noblat, Sérgio Moro “está com a faca no pescoço da República”.

Só ele conhece o conteúdo hackeado dos celulares. Cada vez que ele avisa a um poderoso que seu celular foi invadido, é como se dissesse: “Fique tranquilo, não deixarei que nada vaze. Mas agora conheço seus segredos”.

 

14
Jun19

Moro e Dallagnol, um casal nunca visto antes

Talis Andrade

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por Urariano Mota

___

O subtítulo para esta coluna bem poderia ser “Nem marido e mulher possuem tal intimidade”. Isso porque no site The Intercept Brasil, logo na abertura das suas demolidoras revelações, lemos um princípio salutar da reportagem:Nossa missão é proteger a intimidade dos citados, publicando apenas o que é de interesse público”. Muito bem. Mas penso que o problema a esta altura é rever o conceito do que vem a ser interesse público para o caso Moro-Dallagnol.

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O que o governo, Moro e CIA falam ser normal, “nada de mais” , é uma promíscua união entre juiz – o imparcial! – e acusador, como se fossem uma só pessoa. Os dois se comportam à semelhança de um casamento indissolúvel. Aliás, marido e mulher jamais tiverem tamanha intimidade. É sabido que mesmo nos melhores casamentos há segredos ou intimidades que não se compartilham, por razões de ética, de política ou da mais elementar convivência. Mas com Moro e Dallagnol, não. Aqui, em suas mensagens, eles não se envergonham do mais comum pudor ou princípio moral – eles conspiram, arquitetam, fazem dupla onde o primeiro orienta e o segundo executa, ou no máximo aconselha sobre o plano de acusação. Então, o mundo democrático e civilizado precisa de uma reavaliação sobre o que é privado nesse casal. Tudo o que pertence à relação criminosa entre os dois é ou não é do maior interesse público? Trata-se de mostrá-los como um casal íntimo para o crime, assim como a zombaria que fazem e fizeram dos democratas.  

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Nas primeiras revelações, sabemos:

27 de fevereiro de 2016

Moro – 11:21:24 O que acha dessas notas malucas do diretorio nacional do PT? Deveriamos rebater oficialmente? Ou pela ajufe?

Deltan – 12:30:44 – Na minha opinião e de nossa assessoria de comunicação, não, porque não tem repercutido e daremos mais visibilidade ao que não tem credibilidade” ....

Em outro ponto, o casal chega a cochichos da marcha dos processos e o juiz não se vexa de anunciar sentença de condenação ainda não publicada:

“11 de maio de 2017

Deltan – 22:14:23 – Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fique à vontade, desnecessário dizer, para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia. Não são imprescindíveis.

Deltan – 22:16:26 – Informo ainda que avaliamos desde ontem, ao longo de todo o dia, e entendemos, de modo unânime e com a ascom, que a imprensa estava cobrindo bem contradições e que nos manifestarmos sobre elas poderia ser pior. Passamos algumas relevantes para jornalistas. Decidimos fazer nota só sobre informação falsa, informando que nos manifestaremos sobre outras contradições nas alegações finais.

Moro – 23:07:15 – Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão mas a tendência é indeferir mesmo”

As mensagens flagram o juiz Moro a mentir com o maior cinismo em público. Quando ele se desculpa ao falecido Ministro Teori Zavascki, que havia determinado o envio das investigações sobre Lula ao STF, em razão do desrespeito feito por Moro à privacidade da ex-presidenta Dilma, o juiz escreve:

"Diante da controvérsia decorrente do levantamento do sigilo e da r. decisão de V.Ex.ª, compreendo que o entendimento então adotado possa ser considerado incorreto, ou mesmo sendo correto, possa ter trazido polêmicas e constrangimentos desnecessários. Jamais foi a intenção desse julgador, ao proferir a aludida decisão de 16/03, provocar tais efeitos e, por eles, solicito desde logo respeitosas escusas a este Egrégio Supremo Tribunal Federal"

Mas na mensagem ao parceiro Dallagnol, em 22 de março de 2016, ele fala:

“Moro – 22:10:55 – nao me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim”

Então, o caso a esta altura, bravo Glenn Greenwald, o tempo é de alargar a divulgação, rever o que para esse casal deve ser de interesse público. Não há que deixar oculto o caráter inteiro da parceria e cumplicidade entre os dois. Para eles, que tanto condenaram indivíduos à vergonha e prisão, que levaram à morte pessoas dignas, chegou a hora. Para eles cabe o que cantou Noel Rosa no samba Positivismo: “Que também faleceu por ter pescoço / O autor da guilhotina de Paris”

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A verdade, meu amor, mora num poço
É Pilatos lá na Bíblia quem nos diz
Que também faleceu por ter pescoço
O autor da guilhotina de Paris

Vai orgulhosa querida
Mas aceita esta lição
No câmbio incerto da vida
A libra sempre é o coração
 
O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezaste esta lei de Augusto Comte
E foste ser feliz longe de mim
 
O amor vem por princípio, a ordem por base
O progresso é que deve vir por fim
Desprezaste esta lei de Augusto Comte
E foste ser feliz longe de mim
 
Vai, coração que não vibra
Com seu juro exorbitante
Transformar mais outra libra
Em dívida flutuante
 
A intriga nasce de um café pequeno
Que se toma para ver quem vai pagar
Para não sentir mais o teu veneno
Foi que eu já resolvi me envenenar
 

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