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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

25
Mar18

O 'mecanismo' do cinema como propaganda eleitoral

Talis Andrade

Padilha pôs expressões canalhas de Jucá na boca de Lula em série da Netflix sobre a Lava Jato

 

Denunciei que a série "O Mecanismo" continua no cinema internacional a antecipada campanha eleitoral do Brasil deste ano. Tudo começou e continua com uma narrativa da Lava Jato, tendo os políciais de Sérgio Moro e Temer, à moda mexicana revista pelos gringos, como heróis bem representados no Rio de Janeiro pelas milícias.

 

Não sei quem paga, via Netflix, essa propaganda cara e nefasta, em que o grande herói do José Padilha é o policial de Temer, o Segovia. 

 

segovia o policial de temer.jpg

 

 

DCM - A crítica de Lucas Salgado no site Adoro Cinema à série “O Mecanismo”, de José Padilha, aponta um problema de “desonestidade”:

 

“No Brasil, a definição de justiça no dicionário não contém as palavras equilíbrio e imparcialidade”, diz a narração de O Mecanismo em importante momento da trama. Não que seja o objetivo da série buscar justiça, mas é certo que um pouco mais de equilíbrio era bem necessário para a produção.

 

Já sobre imparcialidade… Há de se reconhecer o esforço dos criadores José Padilha e Elena Soarez e o time de roteiristas de tentarem vender a ideia de que o tal mecanismo engloba todas as partes, da esquerda e da direita, do Presidente da República ao funcionário da companhia de água, passando pelo jovem da classe média e alta que falsifica carteira de estudante e dá uma “cervejinha” para o policial.


Por alguns momentos, a série consegue bem vender essa imagem. Em outros, no entanto, fica clara uma postura tendenciosa por parte da mesma, como quando vemos o personagem do ex-presidente (claramente inspirado em Lula) usando frases como “estancar a sangria” e “construir um grande acordo nacional”. Usar fala do notório diálogo entre Sérgio Machado e Romero Jucá como sendo de Lula é algo pra lá de desonesto, e isso é algo que deveria ser claro para pessoas das mais diversas visões ideológicas. (…)

 

===

 

Maria Jose Silveira: É lamentável o que ele faz com Lula e Dilma. Me parece caso de difamação e merece processo. E que quantidade de publicidade paga está tendo a série! Propaganda nas revistas e jornais. Será que está sendo bancada pela Netflix?

Fernando Monteiro: Uma coisa é certa -- ou mais do que certa --, Maria amiga: desde que o cinema brasileiro foi assumindo posturas de "conquista do mercado" (o analfabeto ministro atual da "Cultura" é um adepto fervoroso disso, desde seus nefandos tempos da RioFilmes etc), nós vimos surgir os Padilhas. Padilhas por todo lado, no solo cinematográfico dignificado pela trajetória limpa -- e heroica -- de Glauber, de Nelson Pereira, de Leon, Joaquim Pedro e outros. Surgiu, então, o olhar cúpido daqueles oclinhos dos Meirelles-idem -- ávidos pelos Oscar (que nunca veio) e outros penduricalhos de acesso ao mercado americano acima de tudo. Lembra-se que o ridículo Bruno Barreto chegou a se transferir para Los Angeles, a fim de -- lá -- filmar qualquer merda?


Pois bem: é assim que estamos -- ou parece que estamos --, agora: servidos pelos Padilhas, "reduzidos" a eles e seus Robocops da bilheteria descerebrada. São os "novos" tempos: Padilha é "in", Padilha está na moda do "audiovisual" indiferente ao destino do Brasil, à decifração -- ainda -- da nossa identidade etc. Padilha é isso: um Padilha, lá nos States dos "cucarachos" que pensam que são respeitados em Hollywood e adjacências. Enganam-se. Eles apenas trabalham para a velha indústria que Glauber execrava do fundo do coração baiano, eles apenas cumprem as ordens da Netflix e de quem pague seus "serviços" de "profissionais" sem pátria.

 

===

 

 

Leia a conversa original, gravada pela Polícia Federal:

 

JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.[...]

 

MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

 

JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ’Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

 

MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

 

JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.

 

MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.

 

JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.

 

 

08
Dez17

LUIS NASSIF: CASO UFMG E UFSC: POR QUE TE CALAS, RAQUEL?

Talis Andrade

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AFIN - Os dois principais órgãos de repressão do país, Polícia Federal e Ministério Público Federal, têm novos chefes: o delegado-geral Fernando Segóvia e a Procuradoria Geral da República Raquel Dodge.

Delegados e procuradores recorrem abusivamente a uma prática inconstitucional: a condução coercitiva.

Houve um episódio trágico com o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancelier. Era o momento de uma afirmação de respeito às leis e de fim desses abusos. Era o momento de se posicionarem sobre o tema e mostrarem a que vieram.

O delegado geral da Polícia Federal Fernando Segóvia cumpriu parcialmente com sua obrigação, mandando instaurar um inquérito contra a delegada Érika, mas tratando como se fosse um episódio isolado. Raquel Dodge se calou.

O inacreditável Robalinho Cavalcanti, presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) classificou as reações à morte do reitor como “exploração de uma tragédia pessoal”. Calando-se, Raquel Dodge fica do tamanho de Robalinho. Ou melhor, menor.

Como prática institucional, a condução coercitiva é uma violência, quando aplicada contra pessoas que sequer foram convidadas a depor. É humilhante, vexatória, por tratar como criminosos meras testemunhas. Só se justifica se, convidado a depor, a pessoa se recusa.

A alegação de que a condução coercitiva é melhor do que a prisão preventiva é hipócrita. Quem se vale desse argumento é mentiroso, na forma mais vil da mentira, que é contar apenas uma parte da verdade, por ignorarem deliberadamente que a condução coercitiva. A condução coercitiva está substituindo o convite para depor, sendo aplicada indiscriminadamente contra pessoas meramente convocadas a prestar esclarecimentos.

A defesa da delegada Erika Marena foi o fato do pedido de condução coercitiva ter sido avalizado por procurador  e pela juíza Janaina Cassol Machado.

Tem-se, ai, quase os ingredientes de uma organização criminosa praticando o crime de homicídio culposo – aquele que, mesmo não tendo intenção de matar, produz a morte como consequências. É o crime da pessoa que, embriagada e em alta velocidade, mata o ciclista.

Nenhuma palavra do lado da PGR; nada do lado do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Púbico); mutismo do lado da CNJ (Conselho Nacional de Justiça)

Agora, repete-se o abuso com a UFMG.

Os argumentos aceitos pela juíza Raquel Vasconcelos Alves de Lima são ofensivos. Segundo ela, dada a gravidade da denúncia, justificava-se a condução coercitiva de pessoas chamadas a dar explicação. Catzo! Isso é argumento da Alemanha nazista, do Brasil sob a ditadura militar.

Os crimes “gravíssimos” foram um suposto desvio de recursos na construção do Memorial da Anistia e bolsas de estudo concedidas a alunos, nada que não pudesse ser investigado administrativamente. E o “risco” foram conversas entre professores sobre uma exposição provisória, para atender ao cronograma prometido pela obra – que está parada há dois anos por falta de recursos prometidos pelo Ministério da Justiça.

No caso do reitor da UFSC, o risco às investigações foram as tentativas do reitor de ter acesso ao inquérito e o fato de uma restrtturação administrativa de caráter geral ter reduzido em um mil reais o salário do corregedor. Apenas isso. E vem esses idiotas do penalismo argumentar que condução coercitiva é melhor do que prisão preventiva.

No episódio da UFMG, há o agravante, para a juíza, do Ministério Público Federal de Belo Horizonte não ter endossado a arbitrariedade da PF.

Em ambos os casos, há um evidente desvio de função e um desperdício de dinheiro público. No caso de Santa Catarina, para uma mera convocação de testemunhas – e já se provou que o reitor nada tinha a ver com o caso – convocaram-se 120 policiais de todo o país, viajando e recebendo diárias às expensas do Tesouro. Agora, foram 85 policiais.

Aguarda-se que Raquel Dodge, Fernando Segóvia e Carmen Lúcia se pronunciem sobre os abusos em geral e definam regras que impeçam sua repetição. Não podem mais se eximir. Tem que se mostrar minimamente à altura dos cargos que ocupam.

E salve a juíza Marjôrie Cristina Freiberger, que do seu cargo de juíza substituta em Florianópolis mandou libertar os presos da Operação Ouvidos Moucos. Ela foi muito maior do que Carmen Lúcia e tantos pavões que não estão à altura dos cargos que ocupam.

26
Nov17

II - As malas e os malas da política brasileira

Talis Andrade

Era costume no Sertão, com a morte de ricos avarentos, a família cavar salas e quartos a procura de botijas de ouro e prata enterradas.

 

No Brasil hoje, a Polícia Federal procura dinheiro nos apartamentos de funcionários do legislativo e do executivo. Nada de procurar nas residências dos cortesãos dos palácios da justiça, porque possuem anistia antecipada para todos os crimes. A máxima condenação para um juiz, um desembargador: o prêmio de uma aposentadoria antecipada. 

 

Achar dinheiro é fácil. Na Operação Tesouro Perdido, a Polícia Federal encontrou malas e mais malas no apartamento de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) em Salvador. 

 

A reação do presidente Michel Temer foi imediata. Trocou o sofá da sala, isto é, nomeou Fernando Segóvia diretor da Polícia Federal, que questionou:  Mala com R$ 500 mil "talvez" seja insuficiente para provar crime.

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Acontece que são várias malas. 

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 O ministro Geddel é conhecido como um dos carregadores de malas do presidente Temer. 

 

Para Segóvia, o papel de Temer no crime apontado pela Procuradoria Geral da República "é um ponto de interrogação que está no imaginário popular". 

 

Rodrigo Janot que era o chefe da PGR, e também substituído por Temer, não demorou na resposta. Chamou Segóvia de "pau mandado". E questionou:"A pergunta que não quer calar é: ele se inteirou disso ou está falando por ordem de alguém?"

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23
Nov17

Para defender Temer, o novo diretor da Polícia Federal parece a mãe de Geddel

Talis Andrade

 

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Geddel Vieira, o carregador de malas de Temer. Narra Afonso Benites que a Polícia Federal levou um dia para contar as milhares de notas de reais e dólares encontradas em bunker onde o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) armazenaria recursos ilícitos, em Salvador, na Bahia. "E a contagem final somou a espantosa quantidade de 51.030.866,40 reais, segundo o balanço definitivo da PF, que precisou de sete máquinas para contar os milhares de notas. Além de reais, nessa quantidade também se contabilizaram dólares, 2,688 milhões (8,387 milhões de reais).


As imagens divulgadas pela assessoria da PF são impressionantes: foram recolhidas ao menos nove malas e sete caixas de papelão lotadas de notas de 100 e 50 reais. A montanha de dinheiro encheu ao menos dois porta-malas de camionetes usadas no cumprimento do mandado judicial".

 

Não sei quem defendeu melhor Geddel se o novo diretor da PF ou a mãe.

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Acrescenta Afonso Benites: "Recém-empossado na direção da Polícia Federal, o delegado Fernando Segovia, teceu duras críticas contra a Procuradoria-Geral da República. Durante sua primeira entrevista coletiva, o novo diretor ressaltou que as investigações contra o presidente Michel Temer (PMDB) baseadas na delação da JBS e que foram conduzidas pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot se precipitaram.

“A gente acredita que, se fosse sobre a égide da Polícia Federal, essa investigação teria de durar mais tempo porque uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção”.

A mala a qual ele se refere foi entregue por executivos da JBS com 500.000 reais em propina para o ex-deputado e ex-assessor de Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Na visão do diretor as investigações deveriam seguir para comprovar quem era o destinatário desses recursos ilícitos. “É um ponto de interrogação que fica no imaginário popular brasileiro e que poderia ser respondido se a investigação tivesse mais tempo”, afirmou Segovia.

A mala foi o eixo principal da primeira denúncia criminal de Janot contra Temer, pelo crime de corrupção passiva. A acusação foi barrada pelos deputados em votação na Câmara dos Deputados. Para um presidente ser investigado durante o mandato por crime comum é preciso que o Legislativo emita essa autorização. Agora, o presidente só poderá ser investigado após o fim do mandato, em dezembro de 2018".

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